Posts com

Índex* – Maio, 2012

 

Na edição de Maio do Índex: Artes Plásticas, Teatro, Poesia, Crônica, Entrevistas, Convites e novos Links no blog de Patricia Tenório.

Georges Rouault e a luta entre o bem e o mal da Arte & Sobre “Cinema”, de Anderson Aníbal – Patricia Tenório.

Toda a poesia de Alcides Buss em Ex-voto em traço de música.

Clauder Arcanjo questionando o árduo ato da escrita em A vida de escritor.

“Jornalismo é imprensa crítica” afirma em entrevista Altamir Tojal.

A prosa-poética de Shirley Lima em Pôr do sol de outono.

Convites de Denis Emorine para o Marché de la Poèsie de Paris e Homero Fonseca para o 25º Sarau Plural.

E os novos links do Traço Freudiano – Oficina Literária (traco-freudiano.org/blog), Taciana Antunes (liluteteia.blogspot.com), Nilto Maciel (www.literaturasemfronteiras.blogspot.com.br) e Cláudio Clésio (acediadepegasus.blogspot.com.br).

Muito obrigada aos participantes e continuem enviando novidades! 

A próxima postagem será em 24 de Junho de 2012.

Até lá!

Patricia Tenório.

_____________________________

Index – May, 2012

In the edition of May of Index: Arts, Theater, Poetry, Chronicle, Interviews, Invitations and new Links on the blog of Patricia Tenorio.

Georges Rouault and the struggle between good and evil of Art & About “Cinema”, from Anderson AníbalPatricia Tenorio.

All the poetry of Alcides Buss in Ex-voto em traço de música  (Ex-voto in dash music).

Clauder Arcanjo questioning the hard act of writing on A vida de escritor (Writer´s life).

“Jornalismo é imprensa crítica” (“Journalism is critical press”) Altamir Tojal affirms in an interview.

The prose-poetry of Shirley Lima in Pôr do sol de outono (Autumn Sunset).

Invitations from Denis Emorine to the Marché de la Poèsie de Paris (Marché de la Poèsie in Paris) and Homero Fonseca to the 25th Sarau Plural.

And the new links from Traço Freudiano – Oficina Literária (Traço Freudiano – Literary Workshop) (traco-freudiano.org/blog), Taciana Antunes (liluteteia.blogspot.com), Nilto Maciel (www.literaturasemfronteiras.blogspot.com.brand Cláudio Clésio (acediadepegasus.blogspot.com.br).

Thank you for participating and keep sending news!

The next post will be on June 24, 2012.

So there!

Patricia Tenorio.

_______________________

 

**

______________________________

* Índex foi traduzido apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated into English only as a matter of the extension of the post.

** Campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Campus from the Federal University of Pernambuco (UFPE).

Georges Rouault e a luta entre o bem e o mal | Patricia Tenório*

27/04/12

Georges Rouault foi um artista solitário.

 

Clown Tragique, 1911

338 x 480

Produziu um trabalho “no qual provou que era possível ser independente ainda que um Modernista totalmente comprometido.” (LUCIEN-SMITH, 1999) Por necessidade, teve de morar em Versailles, num casebre insalubre, infestado de ratos. É dessa época a série de pinturas de prostitutas as quais atribuem a “uma olhadela” por entre a porta de um bordel.

 

Mulher nua se arrumando,

450 × 735

 “Não sou um especialista em assuntos de bordel… A mulher que vi através da porta entreaberta não é a mulher que pintei. Ela e o resto corresponderam ao estado emocional em que eu me encontrava na época.” (ROUAULT em LUCIEN-SMITH, 1999)

Nos parece que a solidão de Rouault vem ao encontro da busca por sua própria voz. Nesse caminho, ele experimenta pólos diametralmente opostos, a luta entre o bem e o mal, na procura por um centro. Mas este afastamento em busca de um estilo individual não é entendido pelos outros. Da mesma maneira que seu mestre, Gustave Moreau (1826-1898, vide http://www.patriciatenorio.com.br/?p=3055), Rouault tenta por diversas vezes o renomado Prix de Rome sem obter sucesso.

A sociedade que coloca o artista no mais alto pedestal é a mesma que o abandona ao rés-do-chão. Basta que ele não concorde com os conchavos político-sociais desta sociedade, a bajulação, seguir a maioria e a manutenção no poder de uma mesma elite. E onde se encontra o desejo próprio?

“Não foi a influência de Lautrec, Degas ou dos modernos que me fizeram experimentar um novo estilo, mas uma necessidade interior, ou o desejo – talvez inconsistente – de não ser aprisionado por assuntos religiosos convencionais.” (ROUAULT em LUCIEN-SMITH, 1999)

 Mas os “assuntos religiosos convencionais” aparecem em sua obra madura contrastando com sua fase profana, como uma espécie de expurgo, de catarse.

 

 Ecce Homo

590 × 713

 

Christ and the Holy Woman

405 × 600 

 

Christ and the Disciples 

462 x 640

 

Santo Agostinho (354-430) em Confissões se assemelha a Rouault em suas dúvidas. Filho de uma mulher extremamente católica e pai ateu, Aurelius Augustinus foge da missão de um dia Bispo de Hipona como o diabo foge da cruz. Experimentou o maniqueísmo, que segundo o seu fundador, Mani, o bem e o mal eram princípios opostos e estavam presentes em todas as coisas. Mais tarde quando se converte ao catolicismo, nega a máxima do maniqueísmo afirmando a ausência do mal.

“Também pude entender que são boas as coisas que se corrompem. Se fossem sumamente boas, não poderiam se corromper, como tampouco o poderiam se não fossem boas de algum modo. Com efeito, se fossem sumamente boas, seriam incorruptíveis, e se não tivessem nenhuma bondade, nada haveria nelas que se pudessem corromper. Porque a corrupção é um mal, e não poderia ser nociva se não diminuísse o bem real.” (AGOSTINHO, 2008, p. 155)

Georges Rouault, assim como Santo Agostinho, apela para a sublimação, para a negação da existência do mal, considera o mal a ausência do bem, ou corrupção do bem, apela para a contenção da “fase negra” de sua vida quando pintava os corpos decadentes das prostitutas. Nos parece que as pintava no intuito de as punir (ou punir a si mesmo). Porque somente através da destruição até as cinzas do que é velho, antigo, ultrapassado, é possível a renovação, a construção de algo novo, com luz e forma próprias, sem depender do reconhecimento de uma sociedade hipócrita, sem depender mesmo se será reconhecido um dia. Apenas fazendo a sua arte, seguindo o seu “desejo” de não se deixar “aprisionar” por nada nem por ninguém.

Georges Rouault foi um artista livre.

  

Georges Rouault

1871-1958

 

Referências Bibliográficas

 [1] LUCIE-SMITH, Edward. Lives of the great 20th-Century Artists. Hardcover (http://www.artchive.com/artchive/R/roualt.html), 1999.

[2] AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução: Alex Marins. São Paulo: Martin Claret, 2008.

__________________________________

* Autora: Patricia Tenório : www.patriciatenorio.com.br e patriciatenorio@uol.com.br.

Sobre “Cinema”, de Anderson Aníbal | Patricia Tenório*

25/05/12

 Para Thais e Nilton

    

Entro no Teatro Hermilo Borba Filho. Sento na primeira fila. “Tenho muitos bons motivos para estar nesta platéia”. Me acomodo. Dou a mão a dois amigos que, nervosos como eu, ansiosos como eu, aguardam o espetáculo começar.

Os atores se aquecem à nossa frente. Se jogam em um colchão grosso. Um a um. Retiram o colchão. Se jogam diretamente no piso de madeira. Sem piedade. Sem medo. Se jogam apenas para sentirem a dor.

A dor está presente a cada instante de “Cinema”, de Anderson Aníbal. Ela entra na pele dos atores assim como as lágrimas artificiais que Regina pinga nos olhos dos personagens em criação. Eles nascem diante de nós e conosco. Eles nos convidam “Vamos chorar juntos?”.

Uma das maiores vantagens do cinema é que podemos ir sós, chorar sós, chorar mesmo quando o filme não nos toca de maneira direta, mas nos remete obliquamente àquela ferida que se abre cada vez que ouvimos uma palavra, esporádica talvez, ou vemos uma imagem que se parece conosco.

“REGINA – A gente geralmente acha bonito quando uma coisa fala da gente.” (ANÍBAL, 2010, p. 40)

 A música nos envolve, nos induz como a sequência das imagens a sentir de uma maneira, a vibrar num acorde específico. (Lembro uma cena de “O show de Truman” (WEIR, 1998), quando o diretor do programa, com um gorro de artista, vai pincelando com a música o tom exato da cena, para o efeito justo no espectador.) E ficamos assim, entregues ao que o diretor-autor nos guia, ao que os personagens-atores rememoram em nós.

Sinto mais forte as mãos de meus amigos apertando as minhas, pedindo às minhas o meu calor. Mas como posso dar-lhes calor se ele está lá, no palco, no espaço vazio sendo preenchido pelos personagens e suas histórias?

“JULIANO/ORLANDO – Você precisa acreditar em mim. Acreditar – esta é a ação principal para transformar alguma coisa em realidade. Acreditar no que não vemos. Apenas aceitar o que nos dizem, os nossos sentimentos. Afinal, são os sentimentos que nos fazem dar os primeiros passos.” (ANÍBAL, 2010, pp. 31 e 81)

E passo a passo vamos nos libertando, vamos nos encontrando nas imagens-palavras-músicas de Bernardo, Elisângela, Juliano, Orlando, Regina, Ivan, Ofélia. Nas palavras de “Cinema” que agora carregamos em nós, se transformam em nós e nós nos transformamos.

“BERNARDO – Depois de tudo, vem o mar.” (ANÍBAL, 2010, p. 82)

_____________________________

* Autora: Patricia Tenório : www.patriciatenorio.com.br e patriciatenorio@uol.com.br.

Referências bibliográficas:

[1] Cinema – A natureza das coisas – Parte III. Anderson Aníbal. Caixa Clara, Belo Horizonte: 2010.

Referências cinematográficas:

[1] O show de Truman. EUA, 1998. 102 minutos. De Peter Weir. Com Jim Carrey, Laura Linney, Natascha McElhone, Ed Harris.

Ex-voto em traço de música*|Alcides Buss**

 

A língua do sol afaga
o futuro e é toda um veludo
de sons siderais.

A língua do sol faz bem
ao ouvido das plantas
e à pele das sombras.
É quase o remanso
de mãos, não fossem
as unhas divinas.

A língua do sol adoça
as fibras famintas
das formas diversas da vida.
É quase arquétipo-afeto,
não fossem os dentes desertos.

A língua do sol simula
o cometa profético da paz
inequívoca, não fossem
as tormentas que assolam seus pés.

A língua do sol, relíquia
exposta nos céus, caminha
em caracol de sorte. Seus tentáculos
não fôssemos, talvez
apenas se iludisse em si mesma.

________________________

* Texto enviado e autorizado pelo autor para ser publicado no blog de Patricia Tenório.

** Alcides Buss começou a publicar seus poemas no final dos anos 60, dentro do movimento da poesia independente, também chamada marginal. Seu primeiro livro, de 1970, trouxe como título Círculo quadrado, numa referência irônica à realidade da época. Um ano depois venceu o I Festival Catarinense de Poesia Universitária, promovido pelo Diretório Central de Estudantes da UFSC, com o livro  experimental O bolso ou a vida? Com o objetivo de alargar a difusão da poesia, criou o Varal Literário e o Movimento de Ação do Livro, através do qual uma obra era repassada de mão em mão.

Ainda estudante de Letras, em Joinville, editou o jornal de cultura O Acadêmico, além de um suplemento literário nos Diários Associados de Santa Catarina. Convidado para diretor de cultura no Município, promoveu a criação  do Museu de Arte Joinville e da Escola Municipal de Dança, ponto de partida para o Festival de Dança surgido depois. Com outros poetas e escritores, editou a revista Cordão.

Em 1980, transferindo-se para Florianópolis, iniciou na UFSC uma experiência de criação literária com estudantes universitários. Durante anos, suas oficinas promoveram o surgimento de novos escritores, abrindo espaço também para o desenvolvimento de outras artes, como o cinema. Através delas, os varais literários se intensificaram e foram alcançando, aos poucos, outras cidades e estados brasileiros.

Eleito em 1993 presidente da Associação Brasileira das Editoras Universitárias, empenhou-se no fortalecimento da instituição, garantindo a participação das edições universitárias em todos os eventos nacionais e internacionais mais importantes. Seu objetivo maior, no entanto, foi a formação de uma rede nacional para distribuição e comercialização das edições acadêmicas, que abrange atualmente mais de cem livrarias.

Entre 1997 e 1999, presidiu a União Brasileira de Escritores de Santa Catarina. Foi finalista do Prêmio Jabuti 2000 com o livro Cinza de Fênix e três elegias (Editora Insular, 1999). Em 2000 publicou o livro infantil Pomar de palavras, pela editora Cuca Fresca e, em 2002, pela Editora da UFSC, o livro Contemplação do amor – 30 anos de poesia escolhida. .

Em anos recentes, Alcides Buss foi diretor de Comunicação da ABEU, criando e mantendo durante vários anos o boletim eletrônico semanal ABEUemREDE, bem como a revista Verbo, órgão de divulgação do livro universitário brasileiro. Foi ainda diretor de Difusão Editorial da mesma entidade, sendo responsável pela implantação do Catálogo Unificado das Editoras Universitárias. Atualmente, coordena o Círculo de Leitura de Florianópolis.

Ao longo dos anos tem recebido inúmeros prêmios, entre eles o da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), pelo livro infantil A poesia do ABC, e o Prêmio Manuel Bandeira, da União Brasileira de Escritores (RJ), pelo conjunto de sua obra.

É casado com Denise e tem três filhos: Deluana, Loreno e Hermano. Mantém na Internet a página www.alcidesbuss.com. Contato: alcides-buss@hotmail.com.

A vida de escritor* | Clauder Arcanjo**

O Pessoa era um fingidor.

Fingia tão completamente

Que chegava a fingir que era mil

Os mil que deveras sente.

(Plágio à Pessoa, Clauder Arcanjo)

 

 

De tudo faz encanto. Pelo menos, tenta, tenta e… tenta. Não é de desistir fácil.

Do nascer do sol, após fitá-lo e digeri-lo, concebe algo. Um haicai, a largada de pretensa crônica, duas estrofes com laivos de récita ou, pelo menos, um lírico aforismo. Todavia se, em tal situação, a palavra lhe falta, entra em crise profunda. Passa, então, a mastigar estrofes alheias, a recitar sonetos de priscas eras, ou a relembrar expressões de mestres da camoniana escrita. “De tudo ao meu amor serei atento…”; viniciualiza.

Se for o caso de flagrar um casal sentado num banco de praça florida, contorce-se febril, invadido pelo magma incontido da inspiração. Toma, lépido, de uma folha em branco, passando, de imediato, a garimpar achados no fundo da memória romântica. Sem falar das reminiscências provincianas que lhe turvam a criação com seu teimoso e inconfundível verniz de “Contraste”: “Quando partimos no verdor dos anos,/Da vida pela estrada florescente,/ As esperanças vão conosco à frente,/ E vão ficando atrás os desenganos…” Padre Antônio Tomás!… Esquecê-lo, quem há-de?

Não pense que o mote somente nasce de fatos, flagrantes e ocorrências. Não, ele, timorato, não conta as centenas de vezes em que foi jogado na rinha do texto com apenas o jab de um único vocábulo. Levantou-se do susto e passou a trocar sopapos com as teclas do computador. Para, após sangrento e renhido combate, vencer, afinal, a luta com denodo, suor e, benditas circunstâncias, em lágrimas. “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.”

Isso sem citar as músicas colhidas da voz de um menestrel da noite, daquele tipo que insiste em (de)cantar o amor na pressa insana de uma grande e alucinada cidade.

Semana passada, confidenciou-me, bastou um assovio para enveredar horas e horas à procura de uma sentença sequer. Terminou, quase extenuado, por cometer o “crime de um dístico”. Assim confessou-me.

Não que o dístico seja coisa menor, entenda-o, caro leitor. No entanto, barroco como poucos, ele sempre foi amigo das construções exuberantes, eivadas de arabescos mil e de detalhes ornamentais.

Nas refeições, mesmo as mais ligeiras, tomado pelo compromisso com a pressa, cabula uma reunião de negócio, apenas para flanar, anônimo, no burburinho das ruas, tão somente para recolher novidades do povo. Piadas singulares, neologismos dos becos, solfejos, tagarelices… Tudo lhe é motivo para enfiar, na noite longa, a cara no vinho popular da prosa e da poesia.

Antes de deitar, filosofa, resistindo a Morfeu, acerca do seu invulgar mister. “Ser ou não ser escritor, eis a questão”; shakespeariza.

Contudo tal dúvida não resiste ao badalar da primeira hora. Logo, logo sacode a poeira da indecisão e mergulha nas águas lúdicas e revoltas da “vã literatura”, drummondianiza.

Para, no alvorecer seguinte, “mal rompe a manhã”, ver-se novamente invadido pelo barco da dúvida. “Valerá a pena, meu Deus?”; indaga-se.

E, antes de comungar o pão da aurora, a resposta se lhe apresenta. Branca como o leite, pura como o espírito que o conduz. Pessoanamente.

 

“Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.”

 

— Obrigado pela Mensagem, Fernando Pessoa! Não precisava se incomodar com este escritor de província.

Fernando Antônio Nogueira Pessoa

(1888-1935)

_________________________

* Texto enviado e autorizado pelo autor para ser publicado no blog de Patricia Tenório.

** Antonio Clauder Alves Arcanjo, nascido em Santana do Acaraú – CE aos 3 de março de 1963, é engenheiro, professor, contista, poeta, cronista semanal, resenhista literário e colaborador de sites, revistas e jornais de várias partes do País. A reunião de contos, intitulada Licânia, marcou a sua estreia em 2007. Entre seus trabalhos inéditos, o autor tem obras nos gêneros poesia, crônica, romance e resenhas literárias. Contato: clauderarcanjo@gmail.com.

Entrevista “Jornalismo é imprensa crítica”*| Altamir Tojal**

 

httpv://www.youtube.com/watch?v=apoz1XLY588&feature=player_embedded

_______________________

* Vídeo enviado e autorizado pelo autor para ser publicado no blog de Patricia Tenório.

** Altamir Tojal é jornalista pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Frequentou, em 1999, a Oficina de Literatura da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), ministrada pelo escritor Antônio Torres. Estreou na literatura com o romance Faz que não vê (Editora Garamond, 2006) e em seguida lançou o livro de contos Oásis azul do Méier (Editora Calibán, 2010). Cursou especialização em Filosofia Contemporânea na Pontífica Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Trabalhou como repórter no Jornal do Brasil, O Globo e IstoÉ. Foi chefe do Departamento de Comunicação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Criou e dirige, desde 1991, a empresa SPS Comunicação. Edita o site Este mundo possível (www.estemundopossivel.com.br). Contato: altamir@tojal.com.br.

 

Pôr do sol de outono* | Shirley Lima**

 

Quando as nuvens davam passagem aos primeiros raios de sol, o outono já pertencia à atmosfera. O outono é nítido de suntuosidade, cores sóbrias germinam por entre as coleções desta estação que florescem por entre as vitrines. Florestas acomodam as folhas secas nos pés das árvores. Pássaros recolhem-se ao pôr do sol, sem deixar de seguir viagem pelas estações seguintes, estas que se renovam feito as folhas.

Mas havia naquela tarde um brilho diferente, um brilho que ofuscava o lago, dentro de uma cumplicidade e sincronia perfeitas; voltavam os pássaros, de um trajeto o qual desconhecemos. Mas por onde passam? Por onde cantam? Como entendem a disciplina da constelação em noite sem nuvens carregadas de deixarem apenas sobrevoar no céu o brilho da constelação. Nessas horas, o espetáculo não canta, mas encanta, os pássaros adormecem e as estrelas parecem sorrir, piscam de felicidade, movimentam-se sutilmente. Porém, naquele dia, ainda não tinha chegado a noite e aquela tarde tornou os meus olhos expectadores de um brilho diferente, que foi lapidando um sentimento.

Vinha chegando o fim da tarde…

E, já ali em frente ao lago, sabia que quando as nuvens abrissem as cortinas para os últimos raios de sol passar, o seu olhar reluzia dentro de mim e eu não tive dúvidas que o brilho diferente que havia ali partia de você, e o seu olhar reluzia, foi quando eu tive a certeza de que você é o meu pôr do sol de outono.

_____________________

* Texto enviado e autorizado pela autora para ser publicado no blog de Patricia Tenório.

** Shirley Lima é escritora e poetisa. Participa do blog http://www.recantodasletras.com.br/. Contato: shirleypessego@hotmail.com.

Marché de la Poèsie de Paris* | Denis Emorine*

 

Invitations Emorine

___________________

* L´invitation envoyée et authorisée par Denis Emorine pour être publiée dans le blog de Patricia Tenório. Convite enviado e autorizado por Denis Emorine para ser publicado no blog de Patricia Tenório.

* Denis Emorine est né en 1956 près de Paris.

Il a avec l’anglais une relation affective parce que sa mère enseignait cette langue. Il est d’une lointaine ascendance russe du côté paternel. Ses thèmes de prédilection sont la recherche de l’identité, le thème du double et la fuite du temps. Il est fasciné par l’Europe de l’Est. Poète, essayiste, nouvelliste et dramaturge, Emorine est traduit en une douzaine de langues ; son théâtre a été joué en France, au Canada ( Québec) et en Russie. Plusieurs de ses livres ont été édités aux Etats-Unis. Il collabore régulièrement à la revue de littérature “Les Cahiers du Sens”. Il dirige deux collections de poésie aux Editions du Cygne. En 2004, Emorine a reçu le premier prix de poésie (français) au Concours International Féile Filiochta. L’Académie du Var lui a décerné le «prix de poésie 2009».

On peut lui rendre visite sur son site: http://denis.emorine.free.fr

* Denis Emorine nasceu em 1956, próximo a Paris.

Emorine tem com a língua inglesa uma relação afetiva, porque sua mãe ensinava este idioma. Possui uma distante ascendência russa por parte de pai. Seus temas prediletos são a busca da identidade, o tema do duplo e a fuga do tempo. É fascinado pelo Leste Europeu. Poeta, ensaísta, novelista e dramaturgo, Emorine foi traduzido para uma dúzia de línguas; seu teatro foi apresentado na França, no Canadá (Québec) e na Rússia. Muitos de seus livros foram editados nos Estados Unidos. Denis colabora regularmente com a revista de literatura “Os Cadernos do Sentido”. Dirige duas coleções na Editions du Cygne. Em 2004, Emorine recebeu o primeiro prêmio francês de poesia no concurso internacional Féile Filiochta. A Académie du Var lhe concedeu o “prêmio de poesia 2009”.

Podemos visitá-lo no seu site: http://denis.emorine.free.fr

25º Sarau Plural | Homero Fonseca

Enviado por Homero Fonseca: homerofonseca2010@gmail.com