Posts com

Conversações II: Joeueuse, Helder Herik e Erasmo de Roterdam*

           

httpv://www.youtube.com/watch?v=eX5TplZK9Tg([1])

 

Revoada([2]) 

As mãos que dão tchaus

São pássaros que erguem voos

 

Não seria injusto, para os homens de letras, proibir-lhes divertimentos que se permitem a todas as condições? Pois seus divertimentos, afinal, podem ser úteis, e um leitor com um pouco de bom senso pode tirar mais proveito deles, às vezes, que das obras pomposas de muita gente. ([3]) 

 

Ninguém salva ninguém. ([4]) 

 

Sentimental([5]) 

Um dia ela recebeu um buquê de flores (com abelha e tudo)

Agradeceu e foi para o quarto chorar a dor da florzinha cortada no talo

 

Tal como os deuses dos poetas, que, quando os mortais estão prestes a perder a vida, os aliviam por alguma metamorfose, também eu transformo os velhos que estão à beira do túmulo e os trago de volta, tanto quanto posso, à idade feliz da infância. ([6]) 

 

– A dúvida foi maior que a sua pintura. ([7]) 

 

Dislexia([8]) 

9

Eu queria ser um poeta

De verdade

10

Mas sou um poeta

De mentiras.

 

Nas grandes coisas, é suficiente ter ousado.  ([9]) 

 

– Quando corremos riscos, às vezes perdemos. Quando não corremos riscos, perdemos sempre. ([10]) 

 

Vozes([11]) 

Vinha uma voz subindo a ladeira

“Algodão doce olha aê olha!”

Subia furando os tijolos

“Uma garrafa um algodão doce”

Aquela voz era o sol da Gervásio Pires

(O sol e a chuva, casamento de viúva).

 

Sim, quanto mais os homens se entregam à sabedoria, mais se distanciam da felicidade. Mais loucos que os próprios loucos, eles esquecem então que são apenas homens e querem ser vistos como deuses; amontoam, a exemplo dos Titãs, ciências sobre ciências, artes sobre artes, e servem-se delas como outras tantas máquinas para fazer guerra à natureza. ([12])

 

Colagem

 

Nós somos fragmentos de nós mesmos

                             Procurando onde está o pedaço                                 

Em que podemos nos encontrar          

E repousar de nossa essência.

Eu dou minhas mãos

Para lhe ajudar neste banho

De água rápida, viva, purificante.

Você não me percebe   

Porque minhas mãos

Minhas tão dolorosas mãos

Vos desmontam sempre 

E não há nada que eu possa fazer.

  

Collage

 

Nous sommes des fragments de nous-mêmes

Cherchant la part

Où nous pouvons nous rencontrer

Et reposer de notre essence.

Je donne mes mains

Pour vous aider au bain

De l’eau vide, vive, purifiante.

Vous ne me percevez pas

Parce que mes mains

Mes très douloureuses mains

Vous vous défaites toujours

Et il n’y a rien que je puisse faire.

 ([13]) 

_____________________________________
* Conversação entre o filme Xeque-Mate (Joueuse. França, 2009. 97 min. De Caroline Bottaro. Com Sandrine Bonnaire, Kevin Kline, Jennifer Beals, Dominic Gould), As plantas crescem latindo, de Helder Herik, U-Carbureto, 2009 e Elogio da Loucura, Erasmo de Roterdam, L&PM.

(1) Xeque-Mate. Joueuse. França, 2009. 97 min. De Caroline Bottaro. Com Sandrine Bonnaire, Kevin Kline, Jennifer Beals, Dominic Gould.

(2) Trecho de Que twiter comeu a sua língua, de As plantas crescem latindo, de Helder Herik, U-Carbureto, 2009.    

(3) Trecho de Elogio da Loucura, Erasmo de Roterdam, L&PM.       

(4) Trecho de Xeque-Mate. Joueuse. França, 2009. 97 min. De Caroline Bottaro. Com Sandrine Bonnaire, Kevin Kline, Jennifer Beals, Dominic Gould.     

(5) Trecho de Quem me contou foi quem me diria, de As plantas crescem latindo, de Helder Herik, U-Carbureto, 2009.    

(6) Trecho de Elogio da Loucura, Erasmo de Roterdam, L&PM.    

(7) Trecho de Xeque-Mate. Joueuse. França, 2009. 97 min. De Caroline Bottaro. Com Sandrine Bonnaire, Kevin Kline, Jennifer Beals, Dominic Gould.         

(8) Trecho de Quem me contou foi quem me diria, de As plantas crescem latindo, de Helder Herik, U-Carbureto, 2009.    

(9) Trecho de Elogio da Loucura, Erasmo de Roterdam, L&PM.    

(10) Trecho de Xeque-Mate. Joueuse. França, 2009. 97 min. De Caroline Bottaro. Com Sandrine Bonnaire, Kevin Kline, Jennifer Beals, Dominic Gould.            

(11) Trecho de Desenterrando sapos, de As plantas crescem latindo, de Helder Herik, U-Carbureto, 2009.    

(12) Trecho de Elogio da Loucura, Erasmo de Roterdam, L&PM.  

(13) Colagem (Collage) extraído de Grãos, Patricia Tenório, 2007.

Intercâmbio I: Sobre a produção literária de mulheres – Márcia Lígia Guidim*

Inauguro com “A produção literária feminina”, enviado pela prof. Márcia Lígia Guidim, o painel “Intercâmbios”, onde escritores das mais diversas áreas dialogam com a Arte. 

Um abraço grande da

Patricia Tenório.

____________________________

Impressões sobre a produção literária de mulheres na ficção e na crítica contemporânea.

Palestra proferida na IV Jornada Internacional de MULHERES ESCRITORAS. SESC Pinheiros.

São Paulo, dias 18 e 19 de maio de 2011.

 

 

Fico muito honrada com o convite, no papel de editora, professora e estudiosa que fui por muitos anos da literatura feminina feita no Brasil por mulheres, e o consequente estudo da crítica a essa produção.

Para iniciar minhas impressões, gostaria de lhes dar alguns dados gerais: o prêmio Jabuti de 2008, nas categorias de contos e romances, premiou 4 homens e duas mulheres; em 2009, premiou 6 homens e nenhuma mulher; em 2010, premiou 5 homens e uma mulher.

Um olhar mais afoito aos números diria que os homens se sobrepõem, “porque o mundo é patriarcal”,  “porque as mulheres têm pouca repercussão”, “porque são menos editadas, pouco apoiadas pela crítica” etc.

Discordo frontalmente de tais colocações.

 Há menos mulheres premiadas, pois há menos mulheres escrevendo, e, muitas das que escrevem estão atrasadas ao menos 40 anos em estilo, fórmulas, temas e investigação da linguagem contemporânea adequada. Isso faz sentido? Creio que sim – até quanto à crítica: quantas mulheres fazem crítica literária hoje em dia?

 No Jornal Rascunho, um dos poucos sítios e impressos de crítica literária do país, tempos uma média de 11 ou 12 críticos para 3 críticas por edição. No ultimo Guia da Folha de S. Paulo para livros, filmes etc, ao menos o último que li em maio de 2011, há uma (sim, somente uma) mulher para 14 resenhistas.

 

Quais seriam as razões dessa parca presença feminina?

Usarei uma digressão histórica para tentar encontrar respostas ao quadro, que me permito explicar por enumerações:

1.    Na década de 1980, fazíamos teses sobre Clarice Lispector (1920 a 1977) quando nasceu a Anpoll (Asssociação das Pós-Graduações de todo o país); havia encontros anuais em vários estados. E dentro da Anpoll havia um grupo chamado “GT A mulher na Literatura”. Dele participaram estudiosas estrangeiras e brasileiras. (Nádia Battella Gotlib, Elza Miné, Constância Lima Duarte e estrangeiras como a holandesa Ria Lemaire ou a americana Ellen Douglass.)

2.    As mulheres estavam descobrindo mais vigorosamente as pós-graduações e os estudos acadêmicos. Foi um momento no Brasil, em que orientadores orientavam mais mulheres que homens; eles nos  aceitavam porque, com qualidades discentes  ou não, éramos muitas. Houvera, pouco antes,  um divisor de águas, pois a carga de opressão da ditadura mais negra (1964-74) tinha abrandado e, com ela, o recorrente estudo acadêmico dos demais autores engajados, como Graciliano Ramos, por exemplo. A contracultura (1968), que chegou logo ao Brasil, exigia mostrar o “lugar do sujeito” no mundo. Ou seja, as representações dos desejos do indivíduo convertiam-se em necessidade de leitura e observação. E, para isso, o texto feito por mulheres bem se prestava;  e as mulheres gostavam de estudá-los. Assim, inicia-se um grande boom de estudos e textos femininos.

3.      Nessa época, mais mulheres, professoras, artistas, celebridades escreviam em jornais e revistas e o jornalismo foi o lugar de muitas cronistas da época no Brasil, que passaram a fazer ficção ou até o contrário: da ficção foram para os jornais, como foi o caso de Clarice Lispector e outras. A existência da Revista Claudia, com seu “feminismo conservador” (releve-se o paradoxo), ajudou muito a alocar mulheres comentadoras e resenhistas, bem como novos  programas de TV.

4.    Apareceu, com muito arruído, um grande contingente de professoras e estudiosas tentando trazer à tona, com seus estudos, escritoras do Brasil do século 19 e 20, como Nísia Floresta, Francisca Julia, Julia Lopes de Almeida, Carmen Dolores, Tereza Margarida da Silva Horta, Josefina Álvares de Azevedo. Tinham as estudiosas a intenção de mostrar qual feminista era o Brasil, antes dos anos 50. O tempo, contudo, mostrou que, apesar das pesquisas acadêmicas e de algumas publicações posteriores, esses nomes não foram resgatados para eficiente ingresso na literatura brasileira feita por mulheres. Ou seja, poucas dessas mulheres foram resgatadas com sua literatura para instalar-se no panteão das escritoras brasileiras. (E como o governo deu bolsas de estudos para tais pesquisas…)

5.    Hoje, quando lemos os ensaios e os livros dessa época, vemos que muito da crítica (quase feita só por mulheres) estava baseada no biografismo das antigas escritoras “livres e independentes”. As ensaístas, salvo exceções,  buscavam revelar em seus estudos a independência mental e o poder que tais escritoras teriam exercido em sua região de origem,  em sua época – o que nem sempre deu certo ou foi efetivamente relevante.

6.    Quero afinal dizer que os vários estudos críticos, com honrosas exceções, liam nos textos das escritoras um viés feminista (sob conceito mais trivial, sem levar em consideração a especificidade do discurso literário, a qualidade estética, poética, o aspecto literário do texto em si, a mensagem enquanto código – o que certamente é bem maior que temáticas feministas, existentes ou não nos textos. Em resumo: muitas dessas escritoras reabilitadas por estudos escreviam mal e pouco.

7.    Por outro lado, mulheres que escreviam “como homens” (dizia-se isso, sim! E ainda se diz) eram deixadas de lado nos estudos críticos, como Raquel de Queiroz, Zélia Gatai, Nélida Pinon, Hilda Hilst e algumas outras. Por seu lado, poetas, como Cecília Meireles, Adélia Prado e Alice Vieira demandavam poucos estudos.

CLARICE LISPECTOR:

8.    A maioria das estudiosas (incluindo-me a mim mesma) debruçou-se sobre Clarice Lispector e, dado o grande interesse provocado pelo seu texto intimista, declarou Clarice como escritora feminista (excluindo-me a mim mesma e a poucas outras vozes). Clarice seria, segundo as críticas, a herdeira brasileira de Virginia Woolf e Katherine Mansfield – escritoras que a teriam inspirado em seu suposto feminismo literário e quanto ao discurso da introspecção.

9.    Ou seja, os romances e contos de Clarice seriam todos produtos do desejo ostensivo de a escritora criar um universo ostensivo de mulheres belicistas quanto à cultura patriarcal – para as leitoras mulheres e para o mundo moderno.  

 

10.   Clarice foi dissecada por brasileiras e estrangeiras. Havia pouquíssimos estudiosos homens de Clarice, jovens estudantes; um grande nome se destacou: Benedito Nunes, do Pará, que estudou dela o aspecto filosófico e a construção peculiar da língua na estrutura da obra.

EQUÍVOCO:

11.  Essa abordagem crítica da obra clariceana, já na época, foi considerada equivocada por uma  outra parte da crítica (feita por homens e mulheres) que estava apoiada na psicanálise (caso de Cleuza Rios) ou na crítica biográfico-hermenêutica e interpretativa de grande fôlego (como Nádia Gotlib e Leyla Perrone Moyses).

12.   Muitos críticos achavam que se criara um círculo concêntrico e egótico em que mulheres ensaístas se debruçavam sobre escritoras mulheres, cujas protagonistas eram, na maioria, mulheres. Ou seja, estava criada uma espécie de círculo vicioso das vozes femininas, que só conseguem fazer certo barulho se estivem assim enoveladas. Curiosamente, pouca gente da linguística ou da estilística apareceu para estudar escritoras mulheres. As mulheres que estudavam as “colegas” eram na maioria dos casos hostis ao “mundo patriarcal”. 

13.   Adversários do grupo “Mulheres na literatura” tentaram mostrar vários equívocos. Estudiosos, discretos ou não, diziam que Clarice Lispector era “bem mais que uma escritora mulher”, ao tratar de temas e aflições do feminino; era uma escritora quase pós-moderna, que, tendo absorvido influências estilísticas e técnicas das escritoras européias, fora capaz de “levar a língua portuguesa a domínios muito pouco explorados com suas metáforas insólitas”, como dissera Antonio Candido logo ao início da carreira da escritora. Eu tentei dizer isso muitas vezes. Clarice não foi feminista. Foi uma grande voz de desvelamento do mundo feminino, com todas as suas dores existenciais, e não de gênero. Não fui ouvida, e ainda não sou.

14.   O fato é que as mulheres críticas de Clarice instalaram a escritora num feminismo beligerante contra o homem e transformaram suas protagonistas em queimadoras de sutiãs e mulheres vingativas. Equívoco. A Clarice dos contos, por exemplo, (Laços de Família, A legião estrangeira, Felicidade Clandestina) era deixada de lado, pois suas protagonistas eram donas de casa que, depois de certas epifanias existenciais, desligavam o fogão, o interruptor e iam dormir.  

15.  Em vez dos contos, liam-se os romances mais obscuros (o que possibilitou as mais extravagantes interpretações), como A maçã no escuro, A Paixão segundo G. H., O livro dos prazeres e Água Viva, em que as protagonistas eram pintoras, escultoras, professoras, bebiam como homens, eram ricas e/ou independentes, frequentavam lojas finas e tinham várias serviçais, etc. Enfim, tinham uma vida invejável “fora do lar”. Chegaram a valorizar um romance bastante ruim,  que até Clarice declarou detestar, Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres.  

16.  Creio que a crítica feminista aos escritos de Clarice parecia buscar glamour, fosse na personagem, ou na projeção pouco científica com que se debruçavam sobre o texto, às vezes, de fato, criador de pedantismo social : Angela Pralini, de Um sopro de vida; G. H., de A paixão segundo G,. H.; a tola Lóri, de O livro dos prazeres, ou a crônica O chá, em que a narradora, de certa forma, expõe seu mal-estar diante das criadas da casa.

 

 MACABÉA

17.   Até Suzana Amaral, a cineasta que filmou A hora da estrela (1986), que foi entrevistada por mim para um livro sobre a obra de mesmo nome,  buscou esse glamour. Eu lhe perguntei por que ela mudara o final do romance, por que dera  Macabéa um delírio com noivo louro, um cavalo branco e um lindo vestido azul. Ela me respondeu: “A vida dela era tão triste, que ela merecia ter uma recompensa, uns ‘morangos com chantilly’”. (p. 99 de A hora da estrela, Roteiro de leitura- Atica)

18.   A crítica contrária insistia que o fato de suas protagonistas serem todas mulheres, terminando por Macabea (a mais miserável de todas), não transformou a escritora pura e simplesmente em escritora feminista. O que se disse, mas para poucos compreenderem, é que Clarice avaliou, ao escrever, o doloroso processo da criação e a função do escritor no mundo. E isso independe de ser o escritor homem ou mulher.

19.   Essa interpretação hoje encontrou um consenso mais justo para com a obra de Clarice. Às vezes ainda aparece um forasteiro, como Benjamin Moser, o jovem norte-americano que acha importante dizer que “a mãe de Clarice teria sido estuprada na Rússia, antes de vir ao Brasil”. Como se isso fosse importante para a crítica interpretativa da obra da escritora.

PARA QUE DIGO TUDO ISSO?

20. Porque, hoje, 35 anos depois do “boom” dos estudos críticos sobre escritoras mulheres no Brasil, reconhece-se o quanto a crítica (feminina) esteve equivocada, o quanto muitas das mulheres escreviam, mergulhadas no próprio umbigo, sobre seu momento interior exacerbado. E o quanto a crítica se deleitava com tal desequilíbrio interior…

a)      A experiência estética mitopoética, se existiu, não foi vista.

b)      A escolha estética consciente, vigilante das escritoras, se existiu, não foi vista.

21.   Ou seja, temo que nós ainda estejamos nesse diapasão quando escrevemos ou quando fazemos crítica ao texto escrito por mulheres. Creio que vale a pena pensarmos:

1) As escritoras ainda estão escrevendo para si mesmas, registrando somente a exacerbada experiência interior, entregando-se ao fluxo do pensamento e despreocupadas com o enredo, apropriando-se de discursos ultrapassados, datados, e controversos desde que se impuseram à crítica? Um texto como o da ótima escritora Heloísa Seixas não resvala, a despeito dos tempos, nos textos clariceanos da década de 50? Por exemplo:

 

“Guardou o segredo como se fosse um diamante, no fundo da uma caixa de veludo negro. E, um após outro, amontoando-se, sedimentando-se, os anos se passaram. […] Num turbilhão, a paixão que sentida pela vida inteira desprendeu-se do fundo de veludo negro e explodiu, em todas as direções, enchendo o mundo, a atmosfera, a humanidade inteira, com seu veneno. Agora, letal.” [“Caixa de Pandora”, p. 20] (Heloísa Seixas, 2009)

 

2. O que seria hoje, a tal “gramática feminina”? Ela existe? Tem relação com o gênero, o sexo de quem escreve? Hoje um escritor, bastante premiado, como Fabricio Carpinejar, escreve coisas assim, que sem a identificação do sujeito passaria facilmente por ‘gramática feminina’.

“Não sei como dizer isso: estou grávido de você. Talvez não descubra. Talvez nunca o veja. Mas o filho é seu. Em meu ventre. Ventre de homem que se esconde como uma pedra de rio. Nosso filho abrirá minha carne como um punhal verde e me fará buscar seus traços mais do que os meus. Daquela noite, fiquei grávido. Não nos falamos. O milagre de multiplicar sua ausência. Tive medo de sua reação e recusei contar. Não queria que permanecesse comigo pela criança. Não queria uma esmola e caridade. Não, se eu não fui grande o suficiente para ser seu amor, não aceito ser motivo menor de compaixão. Que me esqueça, não me recorde para fazer um favor. Não vivemos de favor, vivemos para pagar tudo o que imaginamos em silêncio. Sei como dizer isso: estou grávido de você. Talvez não descubra. Talvez nunca o veja. Mas o filho é seu. Em meu ventre.” (Fabricio Carpinejar)

22.   Ora, todas as batalhas do feminismo foram lutadas. E vencidas no tempo e na contemporaneidade que nos equilibrou: se ainda insistirmos na literatura feminina e/ou feminista, estamos mantendo guetos envelhecidos como se houvesse (e há quem ache que sim) literatura dos índios, dos homossexuais, dos favelados, dos negros, dos oprimidos. Mulheres que escrevem como homens é um paradoxo, já que mulheres e homens devem escrever como escritores, não como representantes de gênero.

23.  Para encerrar, sugiro a leitura de trechos contemporâneos de escritoras muito bem posicionadas nas críticas. Algumas delas escrevem como homens, mulheres ou o quê?

 

A velha está sentada à mesa. As mãos trêmulas cruzadas à frente, na altura do rosto, como se rezasse. Dessas mãos escorrem veias grossas que parecem carregar em sua seiva a história de muitas décadas. São mãos como troncos, como garras de pássaros, de pele áspera e desenhada por sulcos, veios, nós. Traz manchas de vários matizes, mapas de segredos e descobrimentos. Há beleza nessas mãos, nesses braços desfeitos. É a mesma beleza que vemos nas construções antigas, nas ruínas. Só que ali é pedra – e não a pele – que nos conta histórias. (A beleza das ruínas, Heloísa Seixas).

Enquanto caminhava e olhava para os meus sapatos fodidos, eu pensava que a vida é uma coisa engraçada. Ela vai sozinha, como um rio, se você deixar. Você também pode botar um cabresto, fazer da vida seu cavalo. A gente faz o que quer. Cada um escolhe sua sina, cavalo ou rio. (O Matador, Patricia Melo)

 

Meu nome é Luísa, tenho trinta e sete anos e sempre julguei impossível terminar meu caso com Mário. Passei a sofrer a síndrome do fracasso prévio, já tentara mil vezes e nunca havia conseguido. Estávamos juntos há mais de oito anos, mas Mário só prometia casamento quando bebia além da conta. Sóbrio, tinha sempre um punhado de razões: o filho, os cachorros, a casa, a mulher, o papagaio, a mãe doente, a grana. No começo foi um romance muito apaixonado. Acreditávamos que havíamos nascido um para o outro. Hoje, aquele amor mais parecia um câncer ou vício que não se cura. Sempre esperei que um milagre acontecesse. (Rondó, Ivana Arruda Leite)

 

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais. Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta. Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor. Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso. Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes. Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais. Que o outro sinta quanto me doía idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco – em lugar de voltar logo à sua vida. (Canção das Mulheres, Lya Luft)

__________________

* Márcia Ligia Di Roberto Guidin (marcialigia@miroeditorial.com.br)
Doutora em letras pela USP e professora universitária de literatura, teoria literária, análise e edição de texto, Márcia Ligia Guidin possui grande vivência na área editorial, tendo editado catálogos e obras e dirigido coleções para grandes editoras, como Saraiva, Ibep, Cosacnaify, Larousse, Martins Fontes, Manole, Nova Alexandria, Edições SM, Ática e Melhoramentos.

Márcia Lígia ministra cursos para escritores, é coach de autores, mantém o programa “Que tal seu português”, na Rádio USP-FM e é membro titular da cadeira nº 6 da Academia Paulista de Educação.

Convite V Festival Internacional de Poesia de Dois Córregos

Enviado por José Geraldo Neres: outrossilencios1@gmail.com

São Joaninos

Ísis Agra e Maria Luísa Sá

Elilson Duarte

Romero Brito e Thiago França

Jay Melo

 

Neste São João vamos assistir As joaninhas não mentem no Teatro Joaquim Cardozo? Texto de Patricia Tenório & Direção de Jorge Féo. Com Ísis Agra, Maria Luísa Acioli, Elilson Duarte, Romero Brito, Thiago França e Jay Melo. Sábados e domingos às 20h00. R$ 10,00 (preço único). Maiores informações: (81) 8839 4008 / 9689 6091.

Novedades Letras-Uruguai

Para lectores sin tiempo para perder: todas las altas mensuales de Letras, en: http://letras-uruguay.espaciolatino.com/novedades_de_letras.htm

Para los lectores con más tiempo, la presentación normal:

Le invitamos a visitar “Letras-Uruguay” en Espacio Latino, página dedicada a la difusión de la literatura y los escritores, sin importar la nacionalidad, en http://letras-uruguay.espaciolatino.com/

Más de NUEVE MIL QUINIENTOS visitantes distintos, promedio, de los 5 continentes, lo hacen a diario.

Puede acceder a la página visitando http://letras-uruguay.espaciolatino.com

Letras-Uruguay agradece el apoyo de los escritores actuales, pero no por ello deja de lado el motivo de su creación: dedicar su atención a los escritores olvidados, postergados o poco promocionados.

Para este espacio el Día del Libro son todos los días del año. La difusión de los escritores es nuestra meta y la libertad de expresión nuestro norte.

Recordamos a nuestro amigo Ricardo Prieto
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/prieto_ricardo/indext.htm

Se dijo y se dice sobre Letras-Uruguay ..
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/letras/index.htm

Colabore para que Letras – Uruguay siga creciendo
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/letras/donaciones_a_letras_uruguay.htm

Campaña nacional e internacional de apoyo a la Lengua Guarani
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/galeano_olivera_david/campana_nacional_e_internacional.htm

En esta entrega incorporamos este material:

Novedades del 23 de mayo de 2011 al 14 de junio de 2011  (altas producidas)

Crónica
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/cronica.htm
 

Dayre Abella, René (Cuba)    
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/dayre_abella_rene/indexc.htm

Banes  / Banes y sus personajes pintorescos
……………………………………………………….
 
De Giácomo, Armando (Argentina)   
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/de_giacomo_armando/index.htm

Manso y no tan tranquilo

Por siempre Patagonia
……………………………………………………….

Tyrrell, Eduardo (Argentina)    
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/tyrrell_eduardo/index.htm

Severo Vietri – Maestro experimentado del Bandoneón
……………………………………………………….

Yáñez Vargas, Paulina (Colombia)   
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/yanez_vargas_paulina/index.htm

Reserva natural La Riviera: un Jueves Santo en Palestina, Huila  
—————————————————————-
 
Ensayo:
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/ensayo.htm

Acevedo, Diana J. (México)   
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/acevedo_diana/index.htm

El espacio y tiempo mítico en el cuento El sur de Jorge Luis Borges
……………………………………………………….  
 
Alborná Salado, Juan (Cuba)  
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/alborna_salado_juan/index.htm

Cuba: un nuevo realismo mágico en la prensa y la literatura independientes
……………………………………………………….  
 
Bardini, Roberto (Argentina)   
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/bardini_roberto/index.htm

Chau, “pueta” Sosa

El indio que fue comandante militar en las Islas Malvinas

Marechal, cara al viento como un león

Macedonio, una leyenda de Buenos Aires
……………………………………………………….   
 
Boéchat, Susana (Argentina)   
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/boechat_susana/index.htm

?En la trama del aire? de Glenia Eyherabide: la fuerza de lo histórico-social en una novela femenina del 2001
………………………………………………………. 
 
Buch Sánchez, Rita María (Cuba)  
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/buch_sanchez_rita_maria/index.htm

De Caballero a Martí – Trayectoria de la filosofía cubana electiva en el siglo XIX

Empirismo y subjetivismo: Locke y sus seguidores

?José Agustín Caballero: Iniciador de la reforma filosófica en Cuba?

Zaira Rodríguez, el ensayo y la historia de la filosofía 
………………………………………………………. 
 
Cáceres, Germán (Argentina)   
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/caceres_german/index.htm

Fuego azul, de Ernestina Mo (reseña) 

La ciudad después del humo, de Mario Capasso  
………………………………………………………. 
 
del Rey Morató, José María (Uruguay)   
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/rey_morato_jose_maria/index.htm

?La partida de un tren?, realidad y recurso literario 
……………………………………………………….
 
Flores Corbelle, María de los Milagros (Cuba)   
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/flores_corbelle_maria_milagros/index.htm

¿Cultura de la sostenibilidad?
Los códigos de ética – (Sus condicionamientos) co autoras: Ana Taide Vázquez Díaz, Marizell Benítez Flores
……………………………………………………….
 
Friera, Silvina (Argentina) 
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/friera_silvina/index.htm

La realidad poética, sacada de sus moldes – A 40 años de la muerte de Oliverio Girondo, uno de los mas grandes poetas argentinos – Página12 – Miércoles, 24 de enero de 2007
Otra mirada, otras voces, otro infierno – Hace veinte años moría Juan Rulfo, el autor del monumental ?Pedro Páramo? – Página12 – Domingo, 22 de enero de 2006
……………………………………………………….
 
Intili, Ana María (Argentina / Perú)  
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/intili_ana_maria/index.htm

La visión del mundo totalizante en ?Diamantes y pedernales? de José María Arguedas
……………………………………………………….
 
Miranda, Álvaro (Uruguay)  
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/miranda_alvaro/indexe.htm

Papeles de alguien que vive todavía y publica a pesar ?
……………………………………………………….
 
Nudler, Julio (Argentina)  
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/nudler_julio/index.htm

La voz que vino para rejuvenecer el tango (Ruben Juárez) – Diario Página12 (Bs.As.) – Sábado, 27 de diciembre de 2003

Salgán, el más moderno de los clásicos – Diario Página12 (Bs.As.) – Sábado, 12 de octubre de 2002

Astor?s Studio – Diario Página12 (Bs.As.) – Sábado, 3 de agosto de 2002

Castillo, el tango del pueblo – Diario Página12 (Bs.As.) – Miércoles, 24 de julio de 2002

De cuando Astor, para lucirse, bebía en las fuentes del tango – Diario Página12 (Bs.As.) – Jueves, 4 de julio de 2002 

Ese bandoneón que se definió Pichuco – Diario Página12 (Bs.As.) – Sábado, 16 de marzo de 2002
……………………………………………………….
 
Pallares, Ricardo (Uruguay)  
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/pallares_ricardo/index.htm

Letras de Proximidad – Ensayos sobre poesía uruguaya contemporánea
……………………………………………………….
 
Rodríguez, Juan Eugenio (Argentina)  
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/rodriguez_juan_eugenio/index.htm

Prólogo para la cuarta edición soporte papel del poemario ?PICTÓRICA? de Rolando Revagliatti
……………………………………………………….
 
Rosales, Héctor (Uruguay)  
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/rosales/indexe.htm

Faget o el ángel sumergido

Juana, retorno de la extranjera

Letras improvisadas en el adiós a Benedetti 

Orfila Bardesio, como la poesía

Pedro Piccatto y Susana Soca / Hacia la oscura raíz – Selección y notas de Héctor Rosales

Rolando Faget para siempre
……………………………………………………….

Sánchez Lihón, Danilo (Perú) 
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/sanchez_lihon_danilo/index.htm

Día Vallejo en Puerto Callao – Vallejo desde aquí a la eternidad

José Respaldiza – 11 de junio de 1940, nace – Fascinador y exorcista 

Día Mundial de los Océanos – 8 de junio – Juan Ojeda, poeta de éstos y otros océanos
……………………………………………………….
 
Solano, Fabio (Venezuela)  
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/solano_fabio/index.htm
 
General MacArthur – El gran jefe del Pacífico 

La Legión Romana un ejército del pueblo 

La rebelión de Madrid contra Napoleón invasor 

Niehaus – El secuestro de un gringo 

Una revolución que no pudo ser    
—————————————————————-
 
Espacio solidario
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/solidaria/index.htm

Nadia Cachés , desapareció el lunes 13 de diciembre (Uruguay)
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/nadia_caches.htm
……………………………………………………….

Prevención contra violadores
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/solidaria/violacion.pps
……………………………………………………….

Asociación de Docentes de Enseñanza Secundaria de Montevideo (Uruguay)
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/solidaria/ades/index.htm

Recuperemos nuestra Educación Pública
……………………………………………………….

?Lo de Meche?, un refugio canino y felino ya casi desbordado? Ayuda, por favor
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/meche/refugio_lo_de_meche.htm
—————————————————————- 

Humor
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/humor.htm

De Giácomo, Armando (Argentina)  
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/de_giacomo_armando/indexh.htm

¡¡¡Estás iguaaaal!!!

Insufribles (corregido y aumentado)
—————————————————————-

Narrativa
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/narrativa.htm
 
Cairo, Miriam (Argentina)  
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/cairo_miriam/index.htm

Ella abría las puertas / Aplausos

Minificciones
 
Bola de nieve / Dijo: vuela / Respuestas marginales
……………………………………………………….
 
Cobián, Madalina (Cuba)  
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/cobian_madalina/index.htm

de ?El otoño de una mariposa?
 
El otoño de una mariposa / El amor en cualquier parte y momento / El Diablo y la Madre / Evocación a Codine 

Odilia / El día en que mataron a la Profe / Memorias y Peripecias de una traductora en La Habana / Sammy, Sandy y Sally  
……………………………………………………….

Delgado, Paulo (Chile)
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/delgado_paulo/index.htm

A tan solo 16 horas de vuelo y de mi boca 
……………………………………………………….
 
Eyherabide, Glenia  (Uruguay) 
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/eyherabide_glenia/index.htm

Pamela S

En la trama del aire (Novela, Capítulos I y II)
……………………………………………………….
 
García, Zully (Uruguay)    
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/garcia_zully/index.htm

Necedad / Allí, de pie…

Leyendas
 
Un trozo del mediterráneo/ La alfombra / El árbol de la vida
……………………………………………………….
 
Leyva Rosabal, Odalys (Cuba)  
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/leyva_rosabal_odalys/indexn.htm

El muro, una mujer y el tiempo 
……………………………………………………….
 
Monestier, Jaime (Uruguay)  
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/monestier/index.htm

La invención del cielo (Fragmento de un catecismo para escépticos)
……………………………………………………….
 
Penelas, Carlos (Argentina)  
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/penelas/indexn.htm

Demoliciones 
—————————————————————- 
 
Friera, Silvina (Argentina) 
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/friera_silvina/index.htm

?Todos mis personajes son melancólicos? – Dominique Fabre escribe historias que transcurren en los suburbios de Paris? – Página12 – Martes, 31 de mayo de 2011  

?Shakespeare es el más actual de los escritores internacionales? ? Entrevista al escritor chileno Antonio Skármeta – Página12 – Jueves, 26 de mayo de 2011 

Por favor, no se olviden de mi bolígrafo? – Página12 – Lunes, 18 de mayo de 2009 

?El mundo está mucho peor que cuando hacía Mafalda?, señaló Quino en la feria cubana – Página12 – Martes, 13 de febrero de 2007 

?El es un hijo de la Revolución Cubana? – Lilia Ferreira, Miguel Bonasso y Jorge Timossi, en un homenaje a Rodolfo Walsh – Página12 – Domingo, 11 de febrero de 2007 

Los pueblos originarios y el atropello de las dictaduras – Osvaldo Bayer, en una charla imperdible – Página12 – Domingo, 11 de febrero de 2007 

El arroz frito y el alimento cultural – Un paseo por la feria, lugar de encuentro para cubanos y extranjeros – Página12 – Domingo, 11 de febrero de 2007 

Un pensador al margen del canon – David Viñas en la Feria del Libro de La Habana – Página12 – Sábado, 10 de febrero de 2007

?En esta desesperanza, tenemos que insistir con el tono poético? – Página12 – Martes, 27 de mayo de 2003
……………………………………………………….
 
Goodman, Amy (Estados Unidos) 
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/goodman_amy/index.htm
 
Una perfecta tormenta de estupidez – 9 de Junio de 2011

Esperanza y resistencia en Honduras – 2 de Junio de 2011

Cobertura especial: Tras el exilio, el ex presidente Zelaya regresa a Honduras – 28 de mayo de 2011 

Vermont: tierra pionera – 26 de mayo de 2011

Protestas en España: movimientos “Toma la Plaza” y “¡Democracia Real YA!” – 26 de mayo de 2011   
……………………………………………………….
 
Jiménez, Camilo (Colombia) 
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/jimenez_camilo/index.htm

Vida de escritor
……………………………………………………….
 
Nudler, Julio (Argentina)  
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/nudler_julio/index.htm

Economía
 
Jesucristo al volante – Diario Página12 (Bs.As.) – Domingo, 24 de noviembre de 2002 

Contame tu historia – Diario Página12 (Bs.As.) – Domingo, 25 de agosto de 2002 

Una para pobres y otra para ricos – Inflación no hay una sola. Para los de abajo viene más tupida – Diario Página12 (Bs.As.) – Domingo, 17 de marzo de 2002 
—————————————————————- 

Poesía
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/poesia.htm
 
Cairo, Miriam (Argentina) 
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/cairo_miriam/index.htm

Tenue la diferencia / Algunas certezas sobre los sueños / Maldita, 20 veces maldita 
………………………………………………………. 
 
Castillo, Jerónimo (Argentina) 
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/castillo_jeronimo/index.htm

Escritor
………………………………………………………. 
 
Disante, Juan (Argentina) 
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/disante_juan/index.htm

Hay que suponer / Tris tras
………………………………………………………. 
 
García, Zully (Uruguay)  
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/garcia_zully/indexp.htm

Me convertí en piedra / Grito de ira / Hipocresía / Duendes de luz

Ascensión / ?El amor? / ?Música de las esferas? / Así nacieron
………………………………………………………. 
 
Iriart, Beatriz (Argentina)  
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/iriart_beatriz/index.htm

Anhelo / Decreto / Designio / El minotauro
………………………………………………………. 
 
Lagos, Ramiro (Colombia)  
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/lagos_ramiro/index.htm

Juan Pueblo en la Puerta del Sol 
………………………………………………………. 
 
López, Oscar Deigonet (Honduras)  
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/lopez_oscar/index.htm

La marcha de los caídos / Donde

de “Hojas de junio”
 
La terrible excusa y los pasos secretos del amor / Digámosles adiós para siempre / Para ciegos / Las gotas de mi partida 

Perfiles iguales / Lugares comunes / Volver a nacer / El aposento del hambre / Pies de sangre / Caja de versos
………………………………………………………. 
 
Revagliatti, Rolando (Argentina)  
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/revagliatti/index.htm

Crónica de un iniciado / De Tango / Elucidario
………………………………………………………. 
 
Villanueva, Cristina (Argentina)  
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/villanueva_cristina/index.htm

Una casa que habla / Epifanía
—————————————————————-

Rincón infantil y juvenil
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/rincon_infantil.htm
 
Narrativa:

Cobián, Madalina (Cuba)  
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/cobian_madalina/index.htm

Chucha, la lagartija
……………………………………………………….
 
García, Zully (Uruguay)    
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/garcia_zully/index.htm

Leyendas
 
Esencias / Un puente al cielo
……………………………………………………….

Poesía:
 
Leyva Rosabal, Odalys- (Cuba)  
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/leyva_rosabal_odalys/index.htm

de “El Capitán de Becerra”
 
Festín / Te abrazarán mis delfines

Bienvenida de los animales marinos al Capitán De Becerra, en la voz del mono
—————————————————————-

Teatro:
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/teatro.htm 
 
Obras en Montevideo
 
Compañía Teatral Aventura (Uruguay) 
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/compania_teatral_aventura/index.htm

Cartelera de espectáculos de la Compañía Teatral Aventura
……………………………………………………….
 
Crítica teatral en Uruguay
 
Friedler, Egon (Austria / Uruguay)  
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/friedler/index.htm

?Clandestina”, texto y dirección: Marianella Morena ? El sexo y la nada 

?Dúo para uno”,  de Tom Kempinski ? Buen teatro, dudosa sicología

?Cuento de invierno” de William Shakespeare ? Tragedia con final feliz

?Tres buenos compañeros? (Tute Cabrero) ? de Roberto Cossa – Compañerismo?con límites precisos

?5 Gays.com? (Despedida de soltero), de Rafael Pence, con dirección del autor – Amistades complicadas

Basta de flores, de Naomi Ackerman – Formidable denuncia

El hábito del arte, de Alan Bennett – Brindis por el arte 

Mi querida, de Griselda Gambaro sobre cuento de Antón Chejov – Exquisitez chejoviana 

El capricho de mi madre ? Obra escrita y dirigida por Sebastián Barrios – Demasiada histeria 
……………………………………………………….
 
Obras en Buenos Aires
 
Cáceres, Germán (Argentina)   
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/caceres_german/indext.htm

?El incidente? (Un episodio en la vida de Manuel Belgrano) Autor: Germán Cáceres 
……………………………………………………….
 
Artículos, entrevistas y crítica teatral en Argentina
 
Cabrera, Hilda (Argentina)   
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/cabrera_hilda/index.htm

El hombre abrumado por la decadencia – José ?Pepe? Sacristán y su espectáculo de homenaje a Antonio Machado – Página12 – 31 de mayo de 2011 

Los desafíos de un creador – Entrevista al autor, director y docente Hugo Midón – Página12 – Jueves, 21 de junio de 2007 

El hombre abrumado por la decadencia – ?Muerte de un viajante? – Página12 – Martes, 6 de febrero de 2007 

?Freno de mano?, la metáfora de un país condenado a las muletas – Página12 – Miércoles, 26 de junio de 2002

Federico García Lorca, entre la melancolía y el placer de vivir – Página12 – Sábado, 11 de mayo de 2002
—————————————————————- 
 
Cine
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/cine.htm
 
Venegas, William (Costa Rica)  
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/venegas_william/index.htm
 
El cuerno de la abundancia (2008) – El cuerno cómico – Cine en el cine – Tabío y su talento  

Kung-fu Panda 2  – (2011) Oso Po-deroso – Po encuentra a Po El kung-fu es valor

¿Qué pasó ayer? 2 (2011) (The Hangover 2) – ¡La misma goma!- ¿Secuela o refrito? – Ahora es en Bangkok

X-Men: Primera Generación (2011) – Primera generación – Aprieta poco? Abarca demasiado 
—————————————————————-
 
Vida y ciencia   
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/ciencia.htm
 
Buján, Silvana (Argentina) 
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/bujan_silvana/index.htm

Otro lado oscuro de la soja: Argentina compra fósforo a un país invasor
……………………………………………………….

Chaco (Paraguay) 
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/aaa/chaco/index.htm

El Chaco está en peligro!!  – Defendamos la Biosfera del Chaco
……………………………………………………….
—————————————————————-

Concursos, lanzamientos, etc:
http://letras-uruguay.espaciolatino.com/concurso/index.htm     
 
Concursos literarios
 
Instituto de Cultura Peruana convoca al XX Concurso de Poesía y Cuento – por correo postal (no email) con franqueo simple hasta el 30 de junio, 2011 
 
VII Concurso Internacional de Ensayo y Vida y Obra de Raúl Haya de la Torre (Perú) – Recepción hasta 22 de julio de 2011 
 
XIII Certamen de Cuentos Villa de Murchante – La recepción de originales se cerrará el día 5 de agosto de 2011  
 
VIII Concurso Internacional de Cuento Ecológico ?Ciudad de Pupiales?, 2011 – Un evento de Colombia para el mundo Hasta el 4 de septiembre de 2011
 
XVI Certamen de Relatos Fundación Gaceta Regional – El plazo de admisión del 1 al 30 de septiembre de 2011 
 
Aldeas Infantiles SOS convoca la III edición del Concurso de Cuentos “Los Hermanos” – El plazo de presentación finaliza el 30 de septiembre de 2011 
 
II Redlato Culturatic – Feria del Libro de Valladolid – Los trabajos deberán ser enviados antes del 3 de octubre de 2011 
 
XI Premio Internacional de relato corto – Encarna León – El plazo de presentación finalizará el día 25 de noviembre del año 2011 ?Día Internacional contra la violencia hacia la mujer  
 
——
Presentaciones, eventos, etc.
 
Letras de Proximidad – Ensayos sobre poesía uruguaya contemporánea – Invitación a la presentación  
 
Foros de discusión sobre Políticas Culturales para las Comunas (Buenos Aires) 
 
Encuentro de Contadores de Historias y Leyendas – 25 años – Hasta 30 de junio de 2011 
 
“Vernazza y el candombe”  – Museo del Carnaval – Rambla 25 de Agosto de 1825 Nº 218 esquina Maciel 2915 0807 – 2916 5493 – Abierto de martes a domingos de 11 a 17 horas 
 
Los dos lados de Garaycochea, Libman, Meijide – 1 al 30 de junio – Alianza Francesa – Billinghurst 1926 (Bs.As.) 
 
Cuarto Encuentro Internacional de Escritores Tarija ? 2011 – 14 al 19 de noviembre de 2011   
—————————————————————-
 
Las próximas novedades de Letras serán el día 14 de julio de 2011
 
Los escritores que quieran estar incluidos en el próximo boletín deben enviar sus trabajos a echinope@gmail.com hasta el día 10 de julio de 2011, en word, como archivo adjunto.

Letras es un emprendimiento unipersonal que no tiene apoyo económico alguno, ni apoyo oficial. Para ser importantes mecenas o sponsors de este espacio no se precisa gran cantidad de dinero, 20, 30, 40 o más dólares o euros; 300, 400, 500 o más pesos, al mes, son de vital importancia para que Letras siga creciendo y manteniendo su independencia.
El costo del envío de dinero es un problema. Si es desde Uruguay lo que no tiene costo es el depósito en la Caja de Ahorro 1960159666 (Banco República ? Uruguay). Desde el exterior Wester Union parece ser un buen método. Al cobrar una comisión del 10% se sugiere que sea la cifra que se quiera enviar se le descuente esa comisión para no salirse de lo presupuestado. Por ejemplo, si se quiere aporta 30 dólares, se le descuenta 3 y se envían 27.
Con un pequeño aporte mensual, por parte de Uds., benefician a Letras de una manera muy importante, por aquello de que unidos somos más. Los seguidores de Letras-Uruguay saben que las autoridades culturales de Uruguay no la apoyan ni la apoyarán, solo se puede contar con vuestro apoyo solidario.
Desde ya muchas gracias.
Más datos: http://letras-uruguay.espaciolatino.com/echinope/amigos_protectores_de_letras.htm

Donaciones: http://letras-uruguay.espaciolatino.com/letras/donaciones_a_letras_uruguay.htm

Carlos Echinope Arce
Editor y único personal de Letras-Uruguay  
echinope@gmail.com

Concurso Literário Cidade de Manaus

Caros, o Edital do Concurso Literário Cidade de Manaus está anexo em PDF(DECRETO Nº 0881, DE 17 DE MAIO DE 2011)  e falando com o Secretário de Cultura agora a pouco, ele me informou que as inscrições estão extendidas mais 01 mês.

Pedro Rodrigues

TEATRO AMAZONAS
http://www.atmosfera-zero.com
81 – 8182-4305 / 9853-0390 / 3033-1537
vetorcultural@gmail.com

Premio Nazionale di Poesia Edita e Inedita “Francesco Graziano”

bandoPremioPoesiaGraziano2011

Inviato dal Ilfilorosso: maryma87@gmail.com

Conversações I: Com Victor Brecheret*

Convido todos e todas a também conversar com a exposição A arte indígena de Victor Brecheret, que ficará no Centro Cultural dos Correios – Recife até 31 de Julho de 2011.** 

Patricia Tenório.

______________________

Mãe Índia, Victor Brecheret

 

“Além da terra cota, Brecheret utilizou-se de pedras. Pedras que vieram do mar. Um tesouro que as ondas não quiseram mais e depois de descobertas nas areias da praia, foram levadas para o atelier: pedras que durante séculos viveram sob o dorso verde do oceano. Esculpindo-as, Brecheret deu-lhes uma história. Marcou ali, em traçados rústicos, a figura de uma índia, de um peixe. E suas pedras criaram vida.” (Victor Brecheret Filho)

 

 

Bartira, Victor Brecheret

 

bARtira

Patricia Tenório

10/06/11

 

 

dez anos casados

dez anos separados

e os anos vão

desanuviando espaços

cavando buracos

cravando feridas

onde não mais passo

 

crateras da vida

estão lá

tontas

feito meu pensamento

ocas

feito um coração partido

sérias

de considerações

 

e a partir de mim

a partir de ti

partir no navio

mais longínquo

mais agudo

mais aguado

de sal e mar

de sol e terra

de ar

e Ar

e AR

______________________

* Victor Brecheret (Farnese, Província de Viterbo, na Itália, 22 de fevereiro de 1894 — São Paulo, 17 de dezembro de 1955) foi um escultor ítalo-brasileiro, considerado um dos mais importantes do país. É dele a famosa escultura “Monumento às bandeiras” que fica em frente ao Palácio Nove de Julho em São Paulo.

 

**Exposição A arte indígena de Victor Brecheret

Onde: Centro Cultural Correios Recife (Av. Marquês de Olinda, 262, Recife Antigo)
Quando: Visitação de terça a domingo, de 07  de Junho a 31 de julho
Informações: (81) 3224-5739
Quanto: Entrada gratuita

Dose Dupla – Anjos de Teatro

Do dia 10 de Junho ao dia 3 do mês seguinte, a Companhia Anjos de Teatro estará em cartaz com dois espetáculos: “Párias; somos vários dessa espécie”, todas às Sextas, às 20h00 no Espaço Muda e “As joaninhas não mentem” aos Sábados e Domingos, às 20h00 no Teatro Joaquim Cardozo.  

Enviado por Thiago França: t.fdp@hotmail.com

Convites de Nelson de Oliveira

Enviado por Nelson de Oliveira: oliveira.e.cia@uol.com.br