Posts com Fotos

Índex* – Julho, 2017

Uma água de côco 

Um sonho nas mãos

Mas o sol

Se esconde por trás da

Chuva

E posso ouvir

A terra cantar

Da terra brotar

Flores particulares

 

Ainda ontem

Andei meu primeiro passo

Doei meu primeiro beijo 

E nem parece

Que o tempo passou

Ou passou

Nas gotas grossas de

Chuva

Que mergulham

Em meus cabelos

(“A trégua”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 10/07/17, cerca de 16h10)

Uma trégua para a Paz, para a Vida, para a Escrita Criativa no Índex de Julho do blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

Pequeno conto de sonhos | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

O FANTASMA DE LICÂNIA (PARTE XI) | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

Um conto e um poema de Alexandra Lopes Da Cunha (DF/RS – Brasil).

“Entre a neve e o deserto” | Gisela Rodriguez (RS – Brasil).

“Convalescente” | Magno Catão (RN – Brasil).

Serra da Capivara e seus mistérios | Mara Narciso (MG – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa | Diversos participantes.

Agradeço o carinho e a participação, a próxima postagem será em 27 de Agosto de 2017, grande abraço e até lá,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – July, 2017

A coconut water

A dream in the hands

But the sun

Hides behind the

Rain

And I can hear

The earth sing

From the earth to sprout

Private flowers

 

Yesterday

I walked my first step

I gave my first kiss

And it does not seem

That time passed

Or passed

In the thick drops of

Rain

Diving

Into my hair

(“The truce”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 10/07/17, about 4:10 p.m.)

 

A truce for Peace, for Life, for Creative Writing in the July Index of Patricia (Gonçalves) Tenório’s blog.

Small tale of dreams | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

THE GHOST OF LICHEN (PART XI) | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

A tale and a poem by Alexandra Lopes Da Cunha (DF / RS – Brasil).

“Between the snow and the desert” | Gisela Rodriguez (RS – Brasil).

“Convalescent” | Magno Catão (RN – Brasil).

Serra da Capivara and its mysteries | Mara Narciso (MG – Brasil).

Study Group in Creative Writing | Several participants.

Thank you for the affection and participation, the next post will be on August 27, 2017, big hug and until then,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Uma trégua para as Férias no inverno de Recife – PE. A truce for the Holidays in the winter of Recife – PE.

Grupo de Estudos em Escrita Criativa | Julho, 2017

Não lembro exatamente quando o nome me foi dedicado, mas lembro perfeitamente quem o dedicou. Meu avô paterno, O Major de meu primeiro livro,[1]  José Tenório de Albuquerque Lins, gostava de me contar estórias de uma corujinha que vivia nas matas do interior de Alagoas, e essa coruja possuía filhotes, e esses filhotes eram os mais lindos do mundo. Veio um gavião e os comeu, achando que não poderiam ser os filhotes da mãe-coruja, visto serem extremamente feios.

Foi assim, sentada no colo de meu avô, que ele me chamou  pela primeira vez de professorinha. Eu usava, desde os três anos, óculos de grau com arame atrás das orelhas, por causa de hipermetropia e astigmatismo. Sentada no colo de meu avô, ele profetizava o que, mais de quarenta anos depois, foi repetido pela segunda vez por minhas alunas do Grupo de Estudos em Escrita Criativa.

Alunas. Nome doce e ao mesmo tempo difícil de conciliar, quando lembramos da responsabilidade que carregamos em nossas costas – feito as asas de Ícaro –, por depender de nós toda uma tendência para o bem ou para o mal. O professor pode elevar o aluno ao mais alto grau de auto-estima, e de conhecimento, e de desenvolvimento próprio, como também pode destruir um potencial num piscar de olhos. Uma vez escrevi que as duas profissões que mais admiro no mundo são o médico e o professor. De maneiras diferentes – mas tão importantes quanto –, as duas profissões salvam ou condenam uma vida, curam ou matam. E o professor pode retirar de nós o melhor do ser humano. Isso tudo quando aplicando a aprendizagem que mais acredito, aquela que na língua francesa encontramos tão bem exemplificada com o verbo aprendre – de ensinar e aprender –, aquela que chamo de “aprendizagem pelo afeto”.

Nada melhor na aprendizagem pelo afeto do que um livro bom. Os nossos melhores amigos. Aqueles que não nos deixam sós, e dizem exatamente aquilo que gostaríamos de escutar naquele exato momento.

E nada melhor do que construir um livro bom. O cheiro de um livro bom. O som das páginas novas folheadas. O tato nas palavras recém-impressas. Sobre a Escrita Criativa. Essa é a experiência que estamos vivendo, eu e minhas alunas do Grupo de Estudos em Escrita Criativa. Foi proposto aos participantes do I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco[2] que escrevessem como a Escrita Criativa entrou em suas vidas, e estão surgindo textos em que se retoma toda a trajetória de seus processos de criação. Textos emocionantes, mas sem perder a qualidade teórica nem ficcional, pois navegar entre esses dois âmbitos, entre os dois pólos aparentemente contrários, mas que se comunicam, e se complementam, e se ajudam, é o que nos faz seres humanos. É o que nos faz escrever melhor.

Em agradecimento a esses participantes, e, principalmente, às minhas alunas Bernadete Bruto, Elba Lins, Luisa Bérard, Talita Bruto, dedico este post, e esse livro, e a minha história de vida, d’O Major até os dias de hoje.

Elas

Apareceram

De repente

Em minha vida

Todas

Transparecendo

Em algum momento

Uma ruptura

Um cansaço

Uma busca

 

Eu

Propus um tema

E todas

Me entregaram

As tarefas

Tão brilhantes

Tão limpinhas

 

Que foi só

Triunfo

Da Poética

Que se fez

Conto

Da História

Que floresceu

Assim

Como se nada

Aconteceu

 

(“As alunas”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 01/07/17, 17h15)

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(1) TENÓRIO, Patricia. O major – eterno é o espírito. Recife: Edição do Autor, 2005.

(2) Que acontecerá de 13 a 15/10/2017 na XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, Centro de Convenções, Recife – PE. Maiores informações: patriciatenorio@uol.com.br, rogerio@cia-eventos.com e sidneyniceas@gmail.com.

Índex* – Junho, 2017

Hoje

Ouvi estórias

Que me fizeram

Arrepiar

Que me fizeram

Acreditar

Em mera

Inspiração 

*

Mas 

Inspiração é

Carne

Inspiração é

Osso

Onde o frio

Penetra

Até o mais 

Insuportável 

*

De se criar

*

De se escrever

*

Uma estória criativa

Uma escrita criativa

A partir

De textos seus

Em busca

De textos meus

(“Ode à Escrita Criativa”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 07/06/17, 18h00)

Uma Festa da Escrita Criativa no Índex de Junho, 2017 do blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

Contos para uma Escrita Criativa | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

“Correr com rinocerontes” | Cristiano Baldi (RS – Brasil).

“O Jardim das Hespérides” | Daniel Gruber (RS – Brasil).

“O amor é um lugar estranho” | Luís Roberto Amabile (SP/RS – Brasil).

“Ocaso: contos de entreluz” | Ricardo Timm de Souza (RS – Brasil).

“Noite em clara: um romance (e uma mulher) em fragmentos” | Sidney Nicéas (PE – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa & I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco | Diversos.

Agradeço a participação e o carinho, a próxima postagem será em 30 de Julho de 2017, um grande abraço e até lá,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

 

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Index* – June, 2017

Today

I heard stories

That made me

Bristle

That made me

Believe

In mere

Inspiration

*

But

Inspiration is

Meat

Inspiration is

Bone

Where the cold

Penetrates

Until the

Unbearable

*

To create

*

To write

*

A Creative Story

A Creative Writing

Starting

From your texts

In search

Of my texts

(“Ode to the Creative Writing”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 06/07/17, 6:00 p.m.)

 

A Creative Writing Feast in the June, 2017 Index of Patricia (Gonçalves) Tenório’s blog.

Tales for a Creative Writing | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

“Running with rhinos” | Cristiano Baldi (RS – Brasil).

“The Garden of the Hesperides” | Daniel Gruber (RS – Brasil).

“Love is a strange place” | Luís Roberto Amabile (SP/RS – Brasil).

“Sundown: fairy tales” | Ricardo Timm de Souza (RS – Brasil).

“Clear night: a romance (and a woman) in fragments” | Sidney Nicéas (PE – Brasil).

Creative Writing Studies Group & I National Seminar on Creative Writing | Miscellaneous of authors.

Thanks for the participation and the affection, the next post will be on July 30, 2017, a big hug and until then,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** A Festa Criativa da turma Oficina de Criação Literária I – Narrativa, 2017.1, ministrada pelo Prof. Dr. Luiz Antonio de Assis Brasil, na PUCRS – Brasil. The Creative Feast of the Classroom of Literary Creation I – Narrative, 2017.1, taught by Prof. Dr. Luiz Antonio de Assis Brasil, at PUCRS – Brasil.

 

Índex* – Maio, 2017

Tempo morto

Aquele de

Se esperar

E nunca

Alcança

Aquele de

Ver o mar

E não enxergar

A paisagem 

Aquele de 

Abrir os olhos

E não ter

Porque viver

*

Tempo torto

Que vive

Embriagando

As minhas buscas

Que traça

A imensidão 

Do meu destino

E me deixa

Parada entre os caminhos

*

Tempo solto

Que faz

Endoidecer 

Os meus ouvidos

Que floresce

Nas saias de meus vestidos

E concede

Um pouco de paz

Um pouco de amor

(“Triplo presente”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 16/05/17, 07h40)

*

Tempo morto

quello per aspettare

e mai raggiungere

quello per vedere il mare

e non guardare il paesaggio

quello per aprire gli occhi

e non sapere perchè vivere

*

Tempo contorto

che ubriaca le mie ricerche

che traccia l’immensità del mio destino

lasciandomi ferma tra i percorsi

*

Tempo liberato

che fa impazzire le mie orecchie

che fiorisce tra le pieghe del mio vestito

e concede un po’ di pace

un po’ d’amore.

(TRIPLO PRESENTE (Patricia Tenorio), Traduzione dal portoghese: Alfredo Tagliavia, 21/05/2017)

*

O Tempo solto entre os Espaços, entre os Signos, entre as Artes no Índex de Maio, 2017 do blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

Conto intersemiótico | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

“Semiose poética” | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

“À Cidade” | Mailson Furtado (CE – Brasil).

A automedicação na prática | Mara Narciso (MG – Brasil).

A caixa e seus guardados | Marly Mota (PE – Brasil).

“Vida em veios”, de Regina Rapacci  (SP – Brasil) | Apresentação de Fred Linardi (SP/RS – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Maio, 2017 | Com Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PB/PE – Brasil).

Agradeço a atenção e delicadeza, a próxima postagem será em 25 de Junho, 2017, um abraço bem grande e até lá,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – May, 2017

Dead time

That of

Waiting

And never

Reaching

That of

Seeing the sea

And not seeing

The landscape

That of

Openning the eyes

And not having

A reason to live

*

Crooked time

That lives

Intoxicating

My searches

That traces

The immensity

Of my destiny

And leaves me

Stopped between the paths

*

Loose time

That goes 

Freaking out

My ears

That flourishes

In the skirts of my dresses

And grants

A little bit of peace

A little bit of love

(“Triple present”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 05/16/17, 07h40)

*

The Loose Time between Spaces, between the Signs, between the Arts in the Index of May, 2017 of the blog of Patricia (Gonçalves) Tenório.

Intersemiotic Tale | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

“Poetic Semiosis” | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

“To The City” | Mailson Furtado (CE – Brasil).

Self-medication in practice | Mara Narciso (MG – Brasil).

The box and its saved | Marly Mota (PE – Brasil).

“Life in veins”, by Regina Rapacci (SP – Brasil) | Presentation by Fred Linardi (SP/RS – Brasil).

Study Group on Creative Writing – May, 2017 | With Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PB/PE – Brasil).

Thanks for the attention and delicacy, the next post will be on June 25, 2017, a big hug and until then,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Entre Recife e Porto Alegre, a Teoria e a Ficção, a Vida e a Arte. Between Recife and Porto Alegre, Theory and Ficcion, Life and Art. 

“Semiose poética”* | Clauder Arcanjo** [et al.]

As imagens surgiam frente a mim, e eu não conseguia sequer respirar. Como se com receio de que aqueles “flagrantes” do poeta-fotógrafo se espantassem com a intromissão de qualquer sinal de “outra vida”.

Alumbrado, eu batia as pálpebras dos olhos, a demonstrar que me encontrava em vigília de êxtase, mas não suprimido da seiva do humano, do que nos singulariza como demasiadamente belos-humanos.

Em seguida, voltei a circunvagar pela casa, e as fotografias, em flashes de preto e branco, relampejavam por entre os meus pensamentos. A memória, cativa das fotos, se intrometia diante da minha visão, ferrando meu juízo, inquietando todo o corpo.

Quase febril, sentei-me diante do computador, e a tela vazia a se borrar de medo do meu verbo. Como, não sei, num caudal de claro e sombras, o verbo se apresentou: tímido, apático, tosco e roto no mais das vezes. Como se a “arte” do escritor maculasse a lírica (in)finitude daqueles instantes revelados (e eternizados).

Contudo, o mister de escrevinhador é ofício de fanatismo. Sim, fanatismo de não querer mudar de ideia, nem muito menos de mudar de assunto. O coordenador do exercício a cobrar-me e a instigar-me a cumprir com o fatal compromisso: apresentar minhas “revelações textuais” do que, antes, instantes antes, eram imagens.

Quis desistir de tudo, defender (com unhas e dentes, contudo sem verbo) que a tarefa de que me (en)carregaram era missão para algum deus do Olimpo encarnado.

Tranco-me no quarto, dispo-me de todas as vestes e tento dormir: vã tentativa de fugir de tudo, de me exilar no escuro profundo da noite longa e vazia. Qual o quê!… A madrugada dispõe-me um laboratório de inquietações, tal qual uma exposição fotográfica (diria dantesca, caso não se traduzisse no sublime) contínua. As dezenas de imagens surgem e ressurgem, ao tempo em que detecto que algumas reminiscências pululam na lente do juízo.

Suado, levantei-me e passei a conspurcar palavras, versos e sentenças (?) no meu computador.

Salvei (e salvei-me?) tudo. Com pouco mais, entreguei-me à paz dos alumbrados.

No crepúsculo, as imagens acalentavam-me no colo do novo alvorecer, enquanto o verbo enfiava-se por entre os espinhos de êxtase da cândida noite repartida.

Quando duas artes se aproximam, aprendi, há sempre um parto de luz, alumbramento, inveja, mistério e dor.

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* Semiose poética. Ângela Rodrigues Gurgel… [et al.]. Mossoró: Sarau das Letras, 2017.

** Contato: clauderarcanjo@gmail.com

Índex* – Abril, 2017

Perdi

A capacidade de dizer

Bom dia

Senti

A necessidade de dizer

Te amo

Mas as palavras 

Não estavam lá

Não estão aqui

Dentro do meu

Peito

Soltas na minha

Língua

Para saírem

Quando quiserem

Quando puderem

Fazer um mundo

Mais colorido

Trazer o sonho

Para o dia-a-dia

E amanhecer em mim 

Um gosto bom

De infância

(“O fim das lentes cor-de-rosa”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 23/04/17, 05h02)

 

A capacidade de transmutar Vida em Poesia no Índex de Abril, 2017 no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

Pequeno conto circense (e prefigural) | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

Sobre “Não há amanhã”, de Gustavo Melo Czekster (RS – Brasil).

Sobre “O livro dos cachorros”, de Luís Roberto Amabile (SP/RS – Brasil).

Un Poema de Rizolete Fernandes (RN – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Abril, 2017 | Com Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil), Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil).

Agradeço o carinho e participação, a próxima postagem será em 28 de Maio de 2017, um abraço bem grande e até lá,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – April, 2017

I’ve lost

The ability to say

Good Morning

I felt

The need to say

I love you

But the words

They were not there

They were not here

Inside my

Chest

Loose in my

Tongue

To get out

When they want

When they can

Make a world

More colorful

Bring the dream

To the day by day

And dawn on me

A good taste of

Childhood

(“The end of the pink lenses”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 04/23/17, 05h02)

 

The ability to transmute Life in Poetry in the Index of April, 2017 in Patricia (Gonçalves) Tenório’s blog.

Little circus (and prefigural) tale | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

About “There is no tomorrow”, from Gustavo Melo Czekster (RS – Brasil).

About “The Book of Puppies”, from Luís Roberto Amabile (SP/RS – Brasil).

A Poem by Rizolete Fernandes (RN – Brasil).

Study Group in Creative Writing – April, 2017 | With Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil), Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil).

Thank you for the affection and participation, the next post will be on May 28, 2017, a big hug and until then,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Transmutando Vida em Poesia no Jardim do Baobá, em Recife, PE – Brasil. Transmuting Life in Poetry in the Garden of Baobab, in Recife, PE – Brasil.

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Abril, 2017

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Um mês e parece um ano… Quanto aconteceu desde o último encontro do Grupo de Estudos em Escrita Criativa… Novas participantes. Novas leituras e inquietações.

Seguimos no rastro da Crítica Genética com a intuição de quando investigamos o nosso próprio processo criativo nos abrimos mais para investigarmos o do outro – assim como o cisco no olho do irmão que “vemos”, ao invés de “enxergarmos” a trave em nossos olhos nublados pela vaidade e prepotência, tão comuns nos escritores, nos artistas de uma maneira geral… Mas, principalmente: para melhor nos conhecer e sermos mais conscientes na nossa escrita.

No mês de abril, nos detivemos no esboço. O esboço que encontramos em O museu imaginário (1965), do escritor francês, nascido em Paris, André Malraux (1901-1976). Descobrimos que, além do Museu Imaginário ser aquele que insere obras desconhecidas em um contexto mais abrangente, o esboço, em certas obras, é infinitamente maior do que as obras ditas finalizadas. Outro teórico que analisa o esboço e que podemos acrescentar às nossas pesquisas chama-se Louis Hay, quando, em “Autobiografia de uma gênese”, investiga a gênese passo a passo de Os moedeiros falsos, do escritor francês, nascido em Paris, André Gide, a partir do seu Diário dos Moedeiros Falsos.

É com esse desafio que as participantes do Grupo de Estudos em Escrita Criativa “por vir” apresentam seus questionamentos sobre o próprio processo criativo, nessa tentativa de conciliação entre a Teoria e a Poesia, a Crítica e a Ficção, a Vida e a Arte, tentativa que acredito ser alimento à Criação.

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Bernadete Bruto

bernadete.bruto@gmail.com

CRÍTICA GENETICA DE TEXTO PRODUZIDO PARA O GRUPO DE ESTUDO DE ESCRITA CRIATIVA

Um texto são palavras imobilizadas no papel pela química da tinta.

O visível é apenas uma linha discreta que sugere o invisível,

o sem nome, o que não pode ser dito.

Estórias são como poemas. Não são para serem entendidas.

 (RUBEM ALVES in Lições de feitiçaria)

Passaremos a analisar, com base na Critica Genética, o primeiro texto que produzi para o Grupo de Estudos em Escrita Criativa, Jornada Rumo à Poesia da Vida, cujo esboço apresentamos abaixo:

jornada rumo a poesia da vida .cg_1 (1)

jornada rumo a poesia da vida .cg_2

jornada rumo a poesia da vida .cg_3

 

Observa-se que, no primeiro momento, após a ideia surgir em mente, ela foi transcrita para um caderno de anotações. Em primeiro lugar, nota-se o parágrafo inicial escrito com um tipo de caneta, para no seguinte ser escrito com outro  (provavelmente pela facilidade de escrita com caneta de ponta mais fina, a preferência da escritora). O que recordo é que o texto foi escrito num só momento. Nota-se que o titulo foi escrito após o encerramento do texto, pois a cor da caneta revela esta situação e é comum acontecer esta dinâmica no meu processo produtivo. As alterações observadas no texto são seguramente fruto de uma segunda leitura, reorganizadas em um segundo momento, inclusive aquela marcada por um asterisco (também me recordo desta ocorrência).

A elaboração do texto apresentada acima é indicada por Roberto Zular (1).

“Essas interferências entre um sistema e outro, da mesma forma que o diálogo entre texto e pensamento, entre notas de leitura e obra lida, embarcam o pesquisador em uma nova aventura: a estética da criação. Porque, ao comparar dois processos, já não estamos estudando o processo de criação de uma obra literária ou artística determinada. Estamos tentando encontrar matrizes da criação, ou diferenças, procurando entender o funcionamento dos processos criativos como um todo.”

Partindo desta análise, podemos constatar as palavras que foram trocadas, corrigidas, substituídas ou até mesmo suprimidas e podemos entender o processo criativo do escritor, como diz Cecilia Moreira Salles (2):

“O foco de interesse, portanto, é o valor que o artista dá aos diversos momentos da obra em construção, levando a optar por esta ou aquela versão. Ficamos conhecendo, assim, os valores (ou alguns valores) estéticos daquele artista que conduzem a construção de suas obras e não os valores do crítico.”

Ou seja, ela (2) afirma que: “O papel do crítico genético é, portanto, acompanhar o processo criador a partir de uma determinada perspectiva crítica, na busca por explicações sobre o ato criador.”

Afirmação confirmada com o primeiro olhar sobre o texto que analiso, quando me debruço sobre a observação do texto escrito e suas rasuras, fica aqui bem exemplificado quando Cecília (2) diz:

“Além disso, o crítico genético vê que o processo criativo não é feito só de insights inapreensíveis e indiscerníveis, como romanticamente alguns gostam de pensar. Há, sim, esses momentos sensíveis da criação, aos quais não temos acesso; momentos que são fonte de ideias novas, ou seja, momentos de criação. O crítico genético assiste à continuidade, no fluxo do processo criativo, desses instantes iluminados. A pesquisa genética concentra-se na continuidade do pensamento que se vai desenvolvendo em direção à concretização desses momentos de descoberta.”

Visto isso, passamos a analisar o texto digitado, percebendo que já é fruto de uma nova elaboração, decorrente das correções efetuadas da leitura em grupo, e ação da própria digitação que proporciona as correções devidas. Esta é a vantagem de fazer uma análise critica sobre uma obra própria. Poder recordar de algo que influenciou o texto e não se encontra registrado no papel. Talvez por isso, deduzo que num estudo de outro autor, fosse interessante uma entrevista sobre o seu processo criativo, antes de proceder à análise.

No caso em particular desta análise, houve o texto anterior escrito à mão. Muito embora não havendo, também se poderia pelos recursos da informática observar as modificações sofridas no texto digitado conforme bem explica Philippe Willemart (3)… 

“Destaca também o objeto da crítica genética que não é necessariamente o que antecede a obra, mas os processos de criação e, enfim, ressalta o lugar essencial da crítica genética na era do computador, já que o disco rígido mantém todas as mudanças provocadas pelas rasuras ou substituições se tiver o software adequado.”

Com relação ao processo histórico de nosso texto, notamos que foi digitado com data de 28 de julho de 2016, época em que foi produzido manualmente, pois a escritora tem o costume de colocar a data que realizou a produção escrita. O arquivo digital está salvo com a data de 20 de agosto de 2016, data em que foram efetuadas as últimas modificações do texto conforme veremos a seguir, podendo observar que houve um acréscimo de um pensamento antecedendo o texto, pensamento que foi incluído no sentido de enfatizar o dom de contar uma história e também foi modificada a ordem do título do texto ao final, modificação sugerida pela organizadora do grupo de estudos. Eis o texto final:

“O dom essencial da história tem dois aspectos: que no mínimo reste uma  criatura que saiba contar histórias e que, com esse relato, as forças maiores do amor, da misericórdia, da generosidade e da perseverança sejam continuamente invocadas a se fazer presentes no mundo .

(Clarissa Pinkola Estés in O dom da história)

 

“Eram uma vez palavras mal feitas, desordenadas à procura de um significado próprio que lhes concedesse uma estética ideal no profundo vazio da caneta e do papel submetido ao intrínseco inconsciente do Escrevinhador.

Um dia, a mente do Escrevinhador de tanto rodar à cata do ideal, mergulhou no universo íntimo das palavras, pronto para o desafio lançado pelo mundo exterior e, de repente, foram surgindo todo tipo de palavras!

As primeiras vieram manifestando-se no peso do negativismo assim: ”não sei!”, “não vai dar certo!”. Não! Não! Eram palavras que voam daquele universo esbarrando de encontro à mente do Escrevinhador.

Por algum tempo foi dessa maneira, até que timidamente foram surgindo alternadamente as palavras estrelares. Apareciam como luzinhas fracas, contudo de um brilho intenso a piscar e transformar-se em palavras coloridas, brilhantes que foram aumentando sua irradiação, aumentando, aumentando até capturarem aquelas cheias de negativismo no laço da verdade que lhes dizia: “vocês são mera ilusão”! “Por trás tudo é bom, belo e afirmativo!”

A partir daquele vislumbre consciente, como que por encanto, as palavras negativas, Puff! Sumiram! Podendo o Escrevinhador dizer com firmeza: “eu agora digo sim! Sim às palavras boas, criativas”. E foi nessa vibração que as palavras boas, as mesmas que os indígenas chamam Porã Hei, desceram em forma de um cocar multicolorido coroando a imaginação do Escrevinhador.

Daí então ele escreve cheio de energia palavras que brilham no papel. Não sabe ainda que essas palavras se organizam direito para fazer a prosa, no entanto, há algum tempo, vive cheio de alegria porque encontrou um caminho na vida e toda a sua poesia!”

(Jornada rumo à poesia da vida – Bernadete Bruto,- 28/Julho/2016)

Verificamos ainda que o texto foi digitado em uma fonte imitando a letra cursiva, no sentido de dar uma personalidade maior ao texto e aproximá-lo mais do leitor (torno a confirmar esta ideia). Tudo isso é objeto da Crítica Genética.

Da mesma forma poderíamos acrescentar à análise algumas observações da grafologia, no sentido de enriquecê-la. Para ficar menos tendenciosa a minha análise, foi solicitado a outra pessoa que identificasse as informações grafológicas  referenciadas na Internet (4). Assim a pessoa constatou haver uma pressão média na minha escrita, revelando uma pessoa relativamente calma e centrada (naquele momento, observação nossa). Também, ainda por esse motivo, há indicação de que a escritora pode ter uma boa percepção ou memória. Foi identificada uma leve inclinação para a direita no texto escrito, indicando que a escritora está ansiosa para escrever ou escrevendo de maneira rápida e enérgica (concordo com a maneira rápida). E em relação ao espaçamento do texto escrito, no caso, há um bom espaçamento entre as palavras, fator apontado por alguns grafólogos como indicativo de pessoa que demonstra pensamentos mais claros e mais organizados. Essas observações da grafologia podem servir como mais um estudo para contribuir à Crítica Genética, mas esses indicativos devem ser utilizados com muita ponderação, pois como o estudo informa, trata-se de uma indicativo, não uma certeza.

Inclusive, porque há uma tendência de no futuro tudo ser muito mais digital, havendo mais facilidade de investigar as modificações dos textos digitados, assim como destaca Philippe Willemart (3):  

“A primeira etapa de qualquer estudo genético com manuscritos – decifrar, datar, classificar e transcrever de um modo legível os textos – será dispensável. Nem precisará do estudo das filigranas, da análise da tinta e do papel para ajudar na datação das versões.”

No entanto, ainda se faz necessário este estudo para compreender melhor o processo criativo, pois no caso em particular, ainda houve o texto escrito.

Por fim, verifica-se com esta análise que, ao procurarmos seguir o raciocínio sugerido pelos geneticistas das palavras, que é o método de destrinchar o texto escrito e digitado, constatamos que na Critica Genética a real importância é o que diz Almuth Grésillon (4):

“Não é a psicologia do autor nem a biografia da obra que importaria narrar, mas é um antetexto, com o conjunto das marcas conservadas, que se deve estabelecer. A partir de então, o geneticista, assumindo sua própria subjetividade (portanto sem procurar imitar a do escritor), construirá hipóteses sobre a trajetória escritural do processo em questão.”

O que posso afirmar ao final desta análise, é que foi extremamente interessante observar na prática o que a teoria indicava. Comprovar na prática muitas das observações da Crítica Genética, o que possibilitou um entendimento muito melhor da parte teórica e um conhecimento do que seja Crítica Genética. Além de possibilitar outro olhar sobre mim, do meu processo criativo. O resto foi puro divertimento! Até as três frases de Rubem Alves, propositalmente escolhidas e apresentadas na abertura desta análise, brinca com tudo que foi dito. Como agora, ao assinar este texto nesta data, corroborando minhas conjecturas, além de ter arquivo digital como minha testemunha.

Recife, 1º de Abril de 2017.

______________________________________

  1. Zular, Roberto. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-106X2003000200012
  1. Salles, Cecilia Almeida. Crítica genética: fundamentos dos estudos genéticos sobre o processo de criação artística. 3ª ed. revista. São Paulo: EDUC, 2008.
  1. Philippe Willemart: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-106X2008000100010
  1. Grésillon, Almuth: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141991000100002
  1. http://pt.wikihow.com/Analisar-Caligrafia-(Grafologia)

______________________________________

Elba Lins

elbalins@gmail.com

 

DA LOUCURA –

Análise a partir da Crítica Genética

 

A proposta do GEEC para este mês é elaborar a Crítica Genética de um pequeno texto ou poema.

 

Algumas vezes a gênese de um texto e em especial dos poemas,  acontece na cabeça do escritor e já vai tomando  corpo, antes mesmo que se pegue o lápis ou computador. Eles são construídos, quase que completamente, a partir de uma ideia ou frase que surge não se sabe de onde. Depois que se  passa para o papel ou digita-se no computador, alterações julgadas necessárias vão sendo inseridas no texto original. Outras vezes já se inicia a digitação ou a escrita a partir da primeira fagulha que chega à mente. Rosa Monteiro em A Louca da Casa faz referência ao processo de criação que acontece com todo ser humano e suas lembranças, “É uma escrita, naturalmente, sem texto físico, mas qualquer narrador profissional sabe que se escreve sobretudo dentro da cabeça”. Sobre a Crítica Genética na construção de seus textos identificamos na pág. 12 “Já redigi muitos parágrafos, inúmeras páginas, incontáveis artigos (…) na minha cabeça vou deslocando as vírgulas, trocando um verbo por outro, afinando um adjetivo”.

 

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Escolho fazer a Crítica Genética do poema Da Loucura, escrito inicialmente como prosa, a partir da leitura do livro O Amante, de Marguerite Duras.

 Após concluir o texto manuscrito, marquei algumas palavras para escolha e substituição conforme assinalado na revisão 0:

Na parte do texto “…mas sem saber que era o falso Amor…” , fiquei inclinada a substituir mas por e, mas não o fiz e alterei para “…mas sem saber que ele era o falso Amor…”.  Fiz esta mudança para dar ao sujeito (falso Amor) mais personalidade.

Marquei vários verbos (perdia, deixava, suplicava, mendigava, se tornava, deixaram, traziam, duraria e fizesse) para decidir se alteraria o tempo verbal e na maior parte deles optei por uma ideia de término, de passado, de finalização e assim substituí o pretérito imperfeito para pretérito perfeito.

No caso específico dos verbos suplicar, mendigar deixei no pretérito imperfeito dando uma ideia de um calvário, e tornar deixei no pretérito perfeito fechando o resultado das duas ações acima.

As mudanças no texto original (rev. 0) foram feitas diretamente no computador mas incluí a revisão 1 para deixar mais didático as várias alterações que trouxe para a versão final digitada.

A revisão 1 nos mostra como ficou o texto a partir das decisões tomadas acima. Vale ressaltar ainda que :

O texto foi criado inicialmente como prosa mas alterado para poesia (ou prosa poética) para dar melhor ritmo na leitura.

Substituí “A partir daí já não era mais ela” por “A partir daí ela não era mais a Solidãopara caracterizar a situação da personagem antes de se envolver com o Amor.

Retirado do texto “se permitir”, “agora” e feitas mais algumas pequenas alterações para otimizar o poema.

 

“A Solidão encontrou o Amor e sem saber que ele era o falso amor, se deixou seduzir e ser invadida pela Paixão.

A partir daí, ela não era mais a Solidão, era um ser apaixonado, escravizado,

Que por medo de perder o estado de graça, de cair na desgraça, se deixou massacrar,

Se fez dependente, de uma palavra, de um gesto…

Suplicava amor,
Mendigava paixão,
Se tornou loucura.

E onde ficou seu orgulho, que a deixava aqui, ouvindo impropérios

Que não lhe permitia fugir da vergonha, da loucura,

De percorrer ruas vazias em busca do que pensava amor.

Ela agora trazia no corpo e na alma as marcas deste Amor/Desamor.
Que durou dias, meses, anos…
Até que a força do hábito a fez optar

E mudar outra vez o seu nome, para Solidão.”

(“Da Loucura” –
Elba Lins
02.01.2017
Durante a leitura de O Amante, de Marguerite Duras)

 

Índex* – Março, 2017

Foi às portas do

Inferno

E provou

O gosto árduo

De amar e

Não ser amada

*

Mesmo só

No infinito

Purgatório

Experimentou

Gotas de orvalho

Que desciam

Suavemente

Lá do

Céu

*

Avistou São Pedro

E suas chaves

Douradas

E os portões

Dourados

Que se abriam

De par em par

Como se para Beatriz

Fossem

Como se para Beatriz

Abrissem

Um sem fronteiras

De bênçãos

E felicidade

*

Pedro sorriu para Beatriz

Ele que negou

Três vezes

Ele que sofreu

Três vezes

O suplício de negar

A quem muito

Amava

*

Ele estendeu a mão

Ela se encolheu

Ele deu mais um passo

Ela compreendeu

Que o verdadeiro

Amor

É aquele que tudo

Com a consciência de talvez

Nunca

Receber nada em troca

(“Dante ao contrário”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 04/03/2017, 15h05)

O Amor sem receber nada em troca no Índex de Março, 2017 no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

A volta de um”A menina do olho verde” | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

Alfredo Pérez Alencart (Salamanca – Espanha) | Poemas.

Geórgia Alves (PE – Brasil) | “Reflexo dos Górgias”.

Grupo de Estudos em Escrita Criativa | Com Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PB/PE – Brasil).

Luís Augusto Cassas (MA – Brasil) | “A Poesia sou Eu”.

Marta Braier (Argentina) | Por Rolando Revagliatti (Argentina).

E os links do mês:

– O lançamento de “Não verás amanhã” (29/03/2017), de e no blog de Gustavo Melo Czekester (RS – Brasil): www.homemdespedacado.wordpress.com

– A fotografia de Tatiana Barroso de Oliveira (“Dona Mariana”) no Singular e Plural: www.singulareplural.wixsite.com

– A tradução e apresentação de Tiago Silva da escritora Namrata Poddar na Revista da UEPB: www.revista.uepb.edu.br/index.php/sociopoetica/article/view/3427/1873

Agradeço a participação e carinho, a próxima postagem será em 30 de Abril, 2017, grande abraço e até lá,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – March, 2017

 

She went to the doors of

Hell

And proved

The hard taste

Of loving and

Not being loved

*

Even alone

In the infinite

Purgatory

She tasted

Dew drops

That descended

Gently

There from

Heaven

*

She sighted St Peter

And his golden

Keys

And the golden

Gates

That opened

Wide

As for Beatriz

Were

As for Beatriz

Opened

One without borders

Of blessings

And happiness

*

Peter smiled at Beatriz

He who denied

Three times

He who suffered

Three times

The punishment of denying

Who he much

Loved

*

He held out his hand

She cringed

He took another step

She understood

That the true

Love

It’s the one which

One gives

With the consciousness of maybe

Never

Receive nothing in return

(“Dante to the contrary”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 04/03/2017, 15:05)

 

The Love without receiving anything in return in the Index of March, 2017 in the blog of Patricia (Gonçalves) Tenório.

The Return of a “The Green Eye Girl” | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

Alfredo Pérez Alencart (Salamanca – Spain) | Poems.

Georgia Alves (PE – Brasil) | “Reflection of the Gorgias”.

Study Group in Creative Writing | With Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PB/PE – Brasil).

Luís Augusto Cassas (MA – Brasil) | “Poetry is Me”.

Marta Braier (Argentina) | By Rolando Revagliatti (Argentina).

And the links of the month:

– The launch of “You will not see tomorrow” (03/29/2017), from and on the blog of Gustavo Melo Czekester (RS – Brasil): https://homemdespedacado.wordpress.com/

– The photo of Tatiana Barroso de Oliveira (“Dona Mariana”) in the Singular and Plural: http://singulareplural.wixsite.com

– The translation and presentation by Tiago Silva of the writer Namrata Poddar in the UEPB Magazine: http://revista.uepb.edu.br/index.php/sociopoetica/article/view/3427/1873

Thanks for the participation and affection, the next post will be on April 30, 2017, big hug and until then,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** A Crítica Genética de um Poema. The Genetic Critique of a Poem.

A volta de um”A menina do olho verde” | Patricia (Gonçalves) Tenório

A ALVORADA

(Extraído de A menina do olho verde, Recife: Editora Raio de Sol, 2016)

Os dois se olhavam através da Alvorada. Manoela, no deserto, adivinhava o rosto de Pedro na janela da casa de professora Mariana, de onde ele não saía mais. E Pedro sentia a menina do olho verde com o toque dos raios de Sol em seu rosto envelhecido.

Eles haviam envelhecido, cada qual no próprio Tempo. Mas possuíam ainda um coração de criança, um sentimento de menino e menina da cachoeira. Sabiam-se um ao outro pertencentes, sabiam-se um ao outro congruentes, e venciam aquele abismo de Tempo e Espaço só com a força do pensamento.

O pensamento os salvara de não se sentirem sós. Apesar da distância, apesar do silêncio, sabiam estar entre si conectados, entre si apaixonados, mesmo havendo o Mestre Desconhecido. Manoela não se lembrava mais do encontro com o Mestre Desconhecido. Parecia que havia acontecido com outra pessoa, com uma estranha, que buscava a origem do prazer. Mas o prazer pode assumir tantas formas, e mais se aproxima da plenitude quando se aproxima do Amor.

A menina-mulher resolveu subir o Monte das Respostas Perdidas. Não podia mais adiar. Que houvesse perigos, riscos e informações contraditórias: a todos enfrentaria. É preciso escolher um destino, escolher um caminho a seguir. E então, sem medo, sem qualquer arrependimento, subir o Monte, passo a passo, pé a pé.

Fez para si um sapato confortável para o Monte escalar. Era feito de fibras de algodão colhido no deserto que agora deserto não era mais. Manoela vivia na abundância e a abundância de sentido buscaria. Não mais temor de não ser suficiente, pois suficiente nunca se é. Nos aproximamos do suficiente, roçamos o suficiente, mas a nós alguma coisa sempre faltará.

E é nessa falta que se insere a Criação. É na falta mais intensa, na falta mais sofrida que a Palavra se apresenta como a salvação derradeira. Manoela sabia disso, aprendera isso naqueles dias no deserto, na solidão mais profunda. Aprendeu que veio só e voltará só para detrás da cachoeira. Mas antes de voltar para o lugar de onde veio havia uma missão a cumprir. E essa missão se completa em comunidade, não se completa só.

A subida do Monte era íngreme e lembrava Manoela uma subida anterior. Havia se esquecido de fatos antigos, de histórias que vivera como se houvesse escrito em um outro livro. E esse livro esquecido, o Livro da Vida Anterior da menina do olho verde precisava ser resgatado, para ao Passado entender, ao Presente aplicar, no Futuro encontrar o seu destino.

Na metade da subida parou para descansar um instante. Era dali muito bela aquela vista. O Espaço Imaginário criado por Manoela. E era tão bom criar… Um calor brotou de seu peito ainda jovem, ainda cheio de esperança da Resposta Perdida encontrar. E a encontraria, a menina afirmou no meio daquele Espaço, no meio da subida árdua que havia começado na Alvorada.

 

L’Alba

(Estratto dal’La bambina dagli occhi verdi, Milano: IPOC, 2016, Traduzione: Alfredo Tagliavia)

I due si guardavano attraverso l’Alba. Manoela, nel deserto, indovinava il viso di Pedro in finestra a casa della maestra Mariana, da dove non era più uscito. E Pedro sentiva la bambina dagli occhi verdi attraverso le carezze dei raggi di Sole sul suo viso invecchiato.

Erano invecchiati, ognuno nel proprio Tempo. Ma avevano ancora un cuore da bambini, il sentimento di quel bambino e di quella bambina del ruscello. Sapevano che appartenevano l’uno all’altra, sapevano che erano fatti l’uno per l’altra, e vincevano quell’abisso di Tempo e Spazio solo con la forza del pensiero.

Il pensiero li salvava dal sentirsi soli. Nonostante la distanza, nonostante il silenzio, sapevano stare insieme, innamorati, anche se c’era il Maestro Sconosciuto. Manoela non si ricordava più dell’incontro con il Maestro Sconosciuto. Sembrava fosse successo con un’altra persona, con un estraneo, che cercava l’origine del piacere. Ma il piacere può assumere tante forme diverse, e si avvicina alla pienezza quanto più si avvicina all’amore.

La bambina-donna salì il Monte della Risposta Perduta. Non poteva più rimandare. Ci fossero stati pericoli, rischi, e informazioni contradditorie : avrebbe affrontato tutto. È giusto scegliere un destino, scegliere un cammino da seguire. E dunque, senza paura, senza nessun pentimento, scalare il Monte, passo dopo passo, piede dopo piede.

Preparò per sé scarpe confortevoli per scalare il Monte. Erano fatte di fibra di cotone colto nel deserto che ora deserto non era più. Manoela viveva nell’abbondanza e cercava abbondanza di senso. Non più timore di non essere all’altezza, perché mai lo si è. Ci avviciniamo alla completezza, sfioriamo la completezza, ma qualcosa sempre ci mancherà.

Ed è in questa mancanza che si inserisce la Creazione. È nella mancanza più intensa, nella mancanza più sofferta che la Parola si presenta come la salvezza estrema. Manoela lo sapeva, lo aveva imparato in quei giorni nel deserto, nella solitudine più profonda. Imparò che era venuta dal ruscello e là sarebbe tornata. Ma prima di ritornare aveva una missione da compiere. E questa missione si compie in comunità, non da soli.

La salita al Monte era ripida e a Manoela ricordava una salita precedente. Si era dimenticata di fatti antichi, di storie che aveva vissuto come fossero state scritte in un altro libro. E questo libro dimenticato, il Libro della Vita Precedente della bambina dagli occhi verdi doveva essere riscattato, per capire il Passato, applicarlo al Presente, incontrare il suo destino nel Futuro.

A metà della scalata si fermò per riposare un istante. Da lì la vista era molto bella. Lo Spazio Immaginario creato da Manoela. E era così bello creare… Un calore bruciò il suo petto ancora giovane, ancora pieno di speranza di trovare la Risposta Perduta. E l’avrebbe trovata, la bambina disse in mezzo a quello Spazio, nel mezzo dell’ardua salita che aveva cominciato all’Alba.

 

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(A menina do olho verde na Livraria Cultura do Shopping RioMar – Recife – PE)

* BookTrailer:

* Livro físico: www.livrariacultura.com.br/p/a-menina-do-olho-verde-46286777?id_link=8787&adtype=pla&gclid=CJKZ2MX7mM4CFYUGkQodyYcEWw

* Livro virtual: www.livrariacultura.com.br/busca?N=102281&Ntt=A+menina+do+olho+verde 

Grupo de Estudos em Escrita Criativa | Com Bernadete Bruto & Elba Lins

Março, 2017

 

A volta às aulas, das férias, vem sempre carregada de novidades doces e tenras, feito um fruto bom.

O Grupo de Estudos em Escrita Criativa passou pelo período de recesso, de entre-meio de estudos e escritas, e, das profundezas do que apreendemos juntas, trago à tona duas propostas.

A da escritora e poetisa Elba Lins (PB/PE – Brasil) tenta conciliar a Prosa e a Poesia, a Crítica com a Ficção: analisa o romance Acais, de Valquíria Lins, e da análise brotam poemas-personagens-símbolos-do-nordeste.

A da escritora e poetisa Bernadete Bruto (PE – Brasil) mergulha na Teoria da viagem, do filósofo francês Michel Onfray (1959), uma das tarefas que propus para o período de férias, e desse mergulho brotam poemas-peregrinos.

A segunda fase do Grupo de Estudos em Escrita Criativa pretende se aproximar – e em quem participa aplicar – as Teorias da Crítica Genética, ciência iniciada em 1966 com a doação dos manuscritos do poeta alemão Henri Heine (1797-1856) à Bibliothèque Nationale de Paris, ciência trazida ao Brasil pelo escritor, artista plástico, crítico literário francês, especializado em Gustave Flaubert, Pierre-Marc de Biasi (1950), e reverberada pela doutora em Linguística Aplicada e Estudos de Línguas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Cecília Almeida Salles.

Aproveito para convidar aqueles(as) que também desejarem fazer parte desse grupo. Enviem para patriciatenorio@uol.com.br um breve Curriculum Vitae com informações (além dos dados básicos):

– Qual o seu interesse em participar do Grupo de Estudos em Escrita Criativa?

– Qual a sua formação?

– Um ou dois textos em Poesia ou Ficção; um ou dois textos em Análise Literária ou Criativa.

Os encontros estão acontecendo uma vez por mês, em Recife – PE. Limite máximo de participantes: 5. Próximo encontro: 28 de abril de 2017.

Um abraço bem grande em todos e até a próxima postagem,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

 

 

Elba Lins: elbalins@gmail.com

 

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IMPRESSÕES SOBRE O LIVRO “ACAIS”, DE VALQUÍRIA LINS

 

Somete agora pude me dedicar à leitura de Acais com o tempo necessário para um mergulho na saga do seu avô Antônio Ferreira. A partir daí, a leitura seguiu num só fôlego e me encantei ao descobrir seus os personagens. Alguns que realmente devem ter existido na vida real com todas as nuances retratadas por você –  reais, fortes, com traços por vezes violentos e machistas, embora muitas vezes com atitudes de bondade. Outros tão bem inseridos na trama que ficamos a imaginar se realmente existiram e até que ponto são reais ou engendrados pela escritora (Maria Preta, Zefa Mestra, Olívia e a cigana Lolô). E ainda, entre tantos personagens desconhecidos, tive a grata surpresa de reencontrar nossa avó Estelita, que embora jovem e com o nome de Analice teve sua história fielmente retratada – casada com Mamede, separada, oito filhos, seu lado espiritual e mediúnico, tudo ficou claro na sua história. A partir da leitura fica a ânsia de querer saber mais sobre a narrativa; Tia Bia é filha de Antônio Ferreira com Olívia, a “Flor da Mata”? E Nice é filha de quem? Elpídio e João Maçã são reais ou ficção? E a enfermeira?

Seu texto é de quem conhece sobre o que está falando. E assim, você consegue retratar com imensa riqueza de detalhes o ambiente rural e o provinciano onde a história se desenvolve.

À medida que prossigo a leitura me sinto como retornando à infância, tão bem caracterizadas as descrições sobre os costumes das cidades do interior e das fazendas. Consigo me reportar e sentir o clima, as características, os fatos tão presentes na minha meninice; seja nas lembranças de minha própria cidade, seja nas recordações de passeios à fazenda do meu avô. A sua prosa com traços de poesia me remete ao passado à medida em que leio:

“…apertando a mulata que cheirava a extrato…, deixou-se lambuzar pela banha de porco que dela escorria pelos cabelos.”

“…lavadeiras …carregando trouxas sobre rodilhas na cabeça.”

O fogão queimava a queriam, e os abanos de palha espalhavam e atiçavam brasas esfumaçadas.”

Rapé, bonecas de milho, água fria na cabaça, capins, coroas de frade, flores e frutos, cantigas de Lapinha, Pastoreio, dente de ouro, vaqueiros com seus berrantes tocando a boiada, água da quartinha, flores cultivadas em latas, rolete de cana, fumo de rolo, varrer o terreiro, crianças nuas e de barriga inchada, mulheres rezadeiras.

Balinhas Gasosa – que só de lembrar do seu sabor, me vem água na boca.

A caracterização das várias etnias envolvidas na trama, suas religiões, festas e costumes é um resgate do Caldeirão de Raças, que somos nós brasileiros.

As suas personagens femininas de forte personalidade, são marcadores da diversidade de raças que formaram a nossa gente:

Maria Preta, “negra, corpo cheio de curvas, rosto não tão bonito, mas selvagem, viçoso e exótico.”

Zefa Mestra, ruiva, a menina dos cabelos fogo, e curvas delineadas.

Olívia, cabocla de beleza selvagem, com cabelos negros e lisos que vão até a cintura e com longa franja, que parece uma Índia.

Nem mesmo da raça cigana tão presente no nosso imaginário, você esqueceu. E através da “Cigana Lolô”,  traz à nossa lembrança o medo e o fascínio por aquelas mulheres e homens de vida errante que povoaram nossa infância com seus vestidos de cores fortes, muitas pulseiras e colares dourados, suas danças e músicas e que por dinheiro queriam  ler o futuro nas nossas mãos.

Na história das Juremas e seu significado mítico, descubro no seu livro o quão perto de nós, em Acais e Alhandra este ritual é/era praticado. E vejo a nossa mitologia nativa e fascinante, da qual já tomara conhecimento  através das Danças Circulares que trabalham com as mais diversas tradições. Em muitas delas – como é o caso do “Juremar”, das danças africanas ou mesmo na Mandala de Tara de teor budista –, o foco maior é o resgate do feminino em seus diversos aspectos. Nestas ocasiões tomamos conhecimento da riqueza imensa de nossas tradições nativas e daquelas vindas de fora como a africana, europeia; lembrando-nos que muito antes dos homens terem todo o controle sobre as mulheres, fato tão bem retratado no seu livro, existiu um tempo em que o matriarcado dominava e daí provem grande parte da riqueza da nossa história tão bem representada em algumas lendas.  Terminando de ler seu livro corro para explorar um pouco mais desta riqueza mítica no livro de Maria Lalla Cy – Juremar Yacy Uaruá, que adquirira no último encontro de danças do Juremar.  Logo de início encontro “…conhecemos muito pouco sobre as deidades formadoras de nossa identidade cultural. Cy é a grande mãe brasileira e como tal agrega todos os aspectos do feminino criativo e da natureza exuberante do matriarcado Pindorama. Até então, eu não sabia nada sobre um matriarcado primitivo aqui no Brasil”. Ela continua dizendo que “cabe a nós fazer com que essa Sabedoria não seja tratada como um conjunto de lendas (….) e sim como um saber vivo, que pode e deve ser atualizado(…). E, como somos frutos de miscigenação, desde sempre, mestres em alquimia cultural, aqui neste Juremar, celebramos a unidade na diversidade de todas as faces da Deusa, honrando a sabedoria de todos que caminharam sobre a terra!”. Seu livro Acais, portanto, chega até mim como parte deste resgate, de quem somos nós.

Finalmente me chamou atenção a perspicácia da autora em colocar o final do romance nas mãos de uma Zefa Mestra já desgastada pelo tempo com lapsos de memória o que deixa nas mãos do leitor a fantasia de decidir, de imaginar como teria sido na realidade o final da história.

Ao terminar a leitura, volto mais uma vez a relê-lo para melhor captar todos os detalhes e já fico na expectativa de novas histórias que certamente virão.

Parabéns, Valquíria!!!

Grande abraço,

Elba Lins

 

“De roupa vermelha,

Colares dourados,

Tu giras.

Na dança,

Na vida,

Ao redor de mim,

Tu giras.

Tu queres saber

Da minha vida.

Tu queres me dar

O teu amor…

Mas tu giras,

E queres dinheiro,

As minhas moedas,

Só para me dizer,

Olhando minhas mãos,

Que eu te desejo.

Tu giras,

Ao redor de mim

Tu giras,

Na minha cabeça

Que gira.

Tu danças pra mim,

Tu giras.

Sou louco por ti,

Que gira,

Que vem até mim

E na dança do amor,

Giramos.”

 

 

(“Cigana – À Cigana Lolô”. Elba Lins – 19/12/2016. Após leitura de Acais, de Valquiria Lins)

 

 

“Tu és pura filha,

Da terra selvagem

De nome Brasil

De Pindorama

Fruto primitivo

Que chega até mim.

Vem, em visão sublime

Nos vapores da cacheira

És minha Vênus,

Afrodite nascendo

Das espumas sutis.

Em ti, vejo riquezas

Ainda escondidas

Dos olhos dos brancos

Teu cabelo negro

Minha noite sem fim

Teu corpo suave

Matriz geradora

Que vem até mim.”

 

 

(“Índia – À Cabocla Olívia, A Flor da Mata”. Elba Lins – 18/12/2016. Após leitura de Acais, de Valquíria Lins)

 

“Negra te vejo de longe

E eu do lado de cá

Miro teu sorriso branco

Um farol a me guiar.

 

Teu corpo preto retinto

Tuas ancas a balançar

Me sinto num tombadilho

Vendo o balanço do mar.

 

Tua dança quando olho

Já me faz aproximar

Tambores que me enlouquecem

Em transe pareço entrar.”

 

(“Negra – À Maria Preta”. Elba Lins – 06/12/2016. Após leitura de Acais, de Valquiria Lins)

 

“Enquanto danças

Teu cabelo de fogo

Rodopia em chamas

Fogueira que brilha

Faíscas que me atiçam

Que chegam até mim.

 

Não resisto ao teu chamado

E encosto em teus cabelos.

Que caem em rubras cascatas

Que queimam meu corpo inteiro.

 

Já sinto meu sexo em brasa

Que aflito espera o teu

Incêndio descontrolado

Teu fogo agora sou eu.”

 

(“Ruiva –  À Zefa Mestra,  A Cabelo de fogo”. Elba Lins – 06.12.2016. Após leitura de Acais, de Valquíria Lins)

 

 

 

Bernadete Bruto: bernadete.bruto@gmail.com

 

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Teoria da Viagem e o Caminho da Poesia

 

           

Todos os viajantes, escritores da viagem,

artistas do nomadismo, experimentam essa

evidência, pois todos iluminados, como

incendiados, incandescentes. (Michel Onfray)

Muito interessante a leitura do livro Teoria da Viagem: poética da geografia, pois pude constatar que existe uma dinâmica no processo de viagem, antes nunca pensada e que pude identificar essa ordem descrita, comparando com a minha produção anterior e posterior à viagem que realizei no período de 7 de fevereiro à 8 de março, como dever de casa do Grupo de Estudo em Escrita Criativa.

Ainda que a produção tenha ocorrido dentro do livre arbítrio, consegui enquadrar o escrito dentro da teoria. Achei bem mais proveitoso ter escrito livremente e só depois comparar com a teoria. Acredito que este método foi benéfico para minha criatividade, considerando que a escrita fluiu com base no sentimento, liberta de ideias pré-concebidas, assim acredito.

Antes da viagem, escrevo sobre o lugar em que vivo minha condição errante dentro da cidade, o gosto pelo movimento mesmo estando em casa como observamos nessa poesia anterior à partida:

 

Areias/Recife, 25 de Janeiro de 2017.

 

Mesmo caminho

 

O caminho é o mesmo

mas o olhar

modificou-se com o tempo

enxerga

a transitoriedade

daquela beleza

se encanta

e aprecia

Cotidianamente.

 

Nesta observação do caminho, a poetisa reflete o que Onfray explica com relação ao tempo: Quando põe o pé na estrada, ele obedece a uma força que, surgida do ventre e do âmago do inconsciente, lança-o no caminho, dando-lhe impulso e abrindo-lhe o mundo como um fruto caro, exótico e raro. (Pg. 15)

Apesar de certa resistência à mudança, que a própria viagem requer, já existe a consciência da condição do futuro movimento, o gérmen da viagem, que Onfray afirma estar enraizado na Gênese da errância: a maldição; genealogia da eterna viagem: a expiação – donde a anterioridade de uma falta sempre grudada no indivíduo. (Pgs. 11 e 12)

 

BR-101/Recife, 30 de janeiro de 2017

 

Citadina

 

Não quero uma casa no campo

pra lá

somente a passeio

nem quero uma casa na praia

naquele lugar

ainda passo um veraneio.

Quero permanecer na cidade

como esta velha árvore

fincada

não quero ser transplantada!

Gosto dessa mistura

de toda loucura

das grandes cidades.

 

Também, de outro modo, já se pode notar que acontece nas poesias escritas em vésperas da viagem, o que Onfray aponta:  A ausência de casa, de terra, de chão, supõe, a montante, um gesto deslocado, um sofrimento causado por Deus. (Pg. 12) Pois como ele afirma: Viajar solicita uma abertura passiva e generosa a emoções que advêm de um lugar a ser tomado em sua brutalidade primitiva. (Pg. 59)

 

Areias/ Recife, 30 de janeiro de 2017

 

Saudades do Sol

 

Já sinto saudades do sol

calor que me fortalece

luz iluminando minha vida

viajo do interno para o externo

nessas voltas ao redor do sol

já penso no retorno

meu corpo bronzeando

abandonando o cachecol

 

Rua Afonso Celso/ Recife, 7 de Fevereiro de 2017

 

Mulher Repartida

 

Dividida sempre

entre o inverno e o verão

entre o frio e quente

passado e presente

um coração se reparte

encontrando o bom

em cada parte

 

Entretanto como a viagem estava certa, para o local onde reside meu filho, nora e neta e com uma missão definida, não podendo escolher, o tempo, nem o momento para viajar. Fiquei sujeita àquilo que Onfray indica: o determinismo genealógico se impõe. Não escolhemos os lugares de predileção, somos requisitados por eles. (Pg. 20, grifo nosso).

Durante a viagem, no período que Onfray denomina de entremeio, observamos haver muito de experiência sensorial, como ele diz: No entremeio, quando os referenciais de civilização desaparecem, o corpo tende a reencontrar seus movimentos naturais e obedece mais ardentemente à soberania dos ritmos biológicos. (Pg. 38) Talvez por isso, por estar em um movimento diferente do que costumo ter no meu país, a poesia daquele período adquiriu este ritmo:

 

Vancouver, 15 de fevereiro de 2017

 

Impassível mente

 

Acompanha esta árvore

Ao teu lado

Oh, alma!

Impassível

No inverno

No verão

Árvore que deixa acontecer

Como deve a alma ser

Na chuva

Na neve

Perante cada estação

De inverno a verão

Impassível mente

 

Tempo ZEN

 

Tudo aqui

À distancia

É calma

É silencio

E a vida passa

Devagar

Sem pressa

A toda hora

Aqui e agora.

 

Com relação ao movimento de retorno da viagem, Onfray nos apresenta que há um outro entremeio: depois do tempo ascendente do desejo, depois do tempo excitante do acontecimento, chega o momento descendente de retorno. (Pg. 85) Nessa linha, encontro as poesias escritas sobre saudade:

 

Vancouver, 4 de Março de 2017

 

Saudades Canadense ano 3

 

Toda vez

Naquela hora

Na despedida

Acontece

Sem medida

A alma se abre em duas

A desaguar

sem cerimônia

Toda saudade

 

(Em 8 de Março de 2017)

 

Alma Repartida

 

Dia da partida

Coração aberto

Lágrimas nos olhos

A saudade inundando

Toda uma vida…

 

Como observa Onfray e consigo identificar nas poesias escritas durante a viagem: Não nos separamos do nosso ser, que nos habita e acompanha à maneira de uma sombra. Nas viagens, esse ser quer e vê, ordena e decide. (Pgs. 63 e 64)

Assim, depois dessa exposição maciça ao estrangeiro, pudemos constatar o que Onfray pressagia: Na fadiga do retorno preparam-se as sínteses por vir. (Pg. 91) O que me faz buscar nas minhas anotações, algum tempo após a viagem, a seguinte poesia:

 

Monteiro/Recife, 16 de Março de 2017.

 

No Campo

 

Aquela que vê

(e também lê)

Não é a mesma

depende

do tempo

do olhar

desse movimento

sempre

menos da mente

mais do que sente

 

Essa mesma poesia corrobora a observação de Onfray de que o nômade-artista sabe e vê como visionário, compreende e capta sem explicações, por impulso natural. (Pg. 61)

Por tudo isso, chegamos à conclusão que o caminho a seguir pelo escritor/poeta deve ser muito mais intuitivo e livre, cabendo à teoria oferecer um embasamento necessário, enriquecendo seu trabalho, sem embotar o processo criativo. Portanto, da mesma forma que existe uma Teoria da Viagem, também há o Caminho da Poesia. Este é percorrido nas profundezas do ser, produzindo o que há de mais puro, acredito, quando em sintonia com a música de seu coração:

 

Caminhando pelo Mundo (*)

 

Não vos digo

Que tudo que falo

Eu sigo…

Apenas garanto

Pelos sons das palavras pratico

Persigo a razão

Para qual existo

E acredito

Por isso mesmo

Insisto

Persisto

E prossigo.

 

Bernadete Bruto

 

Recife, 22 de Março de 2017.

 

* Poesia retirada do livro: Querido Diário Peregrino, de Bernadete Bruto, pg. 126.

** Foto da Viagem ao Canadá Fevereiro em 7  de fevereiro de 2017.