Posts com Fotos

Índex* – Outubro, 2017

No pensamento 

O tempo sempre foi

Luta

Resistência 

 

Na imagem

De um menino 

Que foi um dia

Semente

Broto

Cápsula 

 

Aparece

Diante de mim

Formado

Amalgamado em

Corpo e alma

Com um sonho

Que tive um dia

Insistente

Persistente

 

Até

Nascer em mim

O pensamento 

Que lutou um dia

Que resistiu um dia

E se transformou

Em poesia

(“O pensamento luta”, Patricia Gonçalves Tenório, 05/10/2017, 05h01)

 

O sonho insiste e persiste no Índex de Outubro, 2017 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

A Cidade Universitária em “A menina do olho verde” | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco | Diversos.

“Sobre a escrita criativa” em Porto Alegre | Organização: Patricia Gonçalves Tenório. Prefácio: Luiz Antonio de Assis Brasil (RS – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Outubro, 2017 | Diversos.

E o link do mês: Paulo Caldas (PE – Brasil) fala sobre A menina do olho verde no http://revista.algomais.com/noticias/a-menina-do-olho-verde-vence-na-italia-por-paulo-caldas.

Agradecemos a participação e carinho.

Excepcionalmente, antecipamos a postagem para hoje. A próxima postagem será em 26 de Novembro, 2017.

Um grande abraço e até lá!

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Index* – October, 2017

 

In thought

The time has always been

Fight

Resistance

 

In the image

Of a boy

Who was one day

Seed

Bud

Capsule

 

Pops up

Before me

Formed

Amalgamated in

Body and soul

With a dream

I had one day

Insistent

Persistent

 

Up until

Born in me

The thought

Who fought one day

Who endured one day

And became

Poetry

(“The thought of struggle”, Patricia Gonçalves Tenório, 05/10/2017, 05:01)

 

The dream insists and persists in the Index of October, 2017 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

The University City in “The Green Eye Girl” | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

I National Seminar in Creative Writing in Pernambuco | Miscellaneous.

“About creative writing” in Porto Alegre | Organization: Patricia Gonçalves Tenório. Preface: Luiz Antonio de Assis Brazil (RS – Brasil).

Study Group on Creative Writing – October, 2017 | Miscellaneous.

And the link of the month: Paulo Caldas (PE – Brasil) talks about The girl with the green eye in the http://revista.algomais.com/noticias/a-menina-do-olho-verde-vence-na-italia-por-paulo-caldas.

We appreciate your participation and affection.

Exceptionally, we’ve anticipated the post for today. The next post will be on November 26, 2017.

A big hug and until then!

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** A insistência e a persistência de um sonho no I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco. The insistence and persistence of a dream in the First National Seminar in Creative Writing in Pernambuco.

I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco

13 a 15 de Outubro, 2017

Auditório Círculo de Ideias – Centro de Convenções, Olinda – PE

XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco

 

Foram 3 dias intensos de Escrita Criativa. Escritores de todo o Brasil e do exterior participaram intensamente do I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco. Com as mesas “A importância do ambiente estimulante na Criação Artística”, “Era das narrativas e o herói cansado”, “Quem tem medo da Literatura Fantástica?”, e oficinas do “Grupo de Estudos em Escrita Criativa”, “Mercado editorial e autopublicação”, “Devaneios Fílmicos, Cósmicos e Poéticos”, “Estimulando a Leitura na Escrita Criativa”, “Oficina de Poesia”, “Oficina de Contos e Roteiros”, contamos com a honra da presença dos escritores e professores Luiz Antonio de Assis Brasil (PUCRS), Lourival Holanda (UFPE), Maria do Carmo Nino (UFPE), Robson Teles (UNICAP-PE), e dos escritores e poetas Adriano Portela (PE), Alexandra Lopes da Cunha DF/RS),  André Balaio (PE), Bernadete Bruto (PE), Cida Pedrosa (PE), Carlos Enrique Sierra (Colômbia), Daniel Gruber (RS), Daniel Perroni Ratto (SP), Elba Lins (PB/PE), Fernando de Mendonça (SP/PE/SE), Guilherme Azambuja Castro (RS), Gustavo Melo Czekster (RS), Igor Gadioli (PB/SE), Luísa Bérard (AL/PE), Luiz Roberto Amabile (SP/RS), María Elena Móran (Venezuela/RS), Patricia Gonçalves Tenório (PE), Sidney Nicéas (PE), Talita Bruto (PE), Valesca de Assis (RS).

Temos a alegria de apresentar trechos de obras de alguns dos participantes dessa Festa Literária que foi o I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco!

Que venham outros!

 

Patricia Gonçalves Tenório

 

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Adriano Portela

“Olinda, 07.07.2017

A dor é o estágio da glória e o desabafo é o vômito dos inocentes.

Aqui, neste meu leito de quase-morte, lembro que o meu ardil é a vida e que depois dela todos os meus segredos podem ser jogados na cara da sociedade, assim como os nobres jogam o lixo aos porcos, mas esses resíduos só podem vir à tona se eu te contar e, no futuro, alguém te encontrar e te sugar ao máximo. […]”

(“O Beijo da Morte”. Adriano Portela. In Recife de Amores e Sombras. Recife: Gráfica Flamar, 2017)

 

Alexandra Lopes da Cunha

“[…] Mulheres são sempre casas:

Abrigam em suas fendas,

envolvem em seus abraços,

saciam sedes e fomes,

de seres unos, indivisíveis,

carentes de seiva e açúcar,

famintos ao nascimento. […]”

(“Bífida”. In Bífida e outros poemas. Alexandra Lopes da Cunha. Fotografia: Raul Krebs. São Paulo: Kazuá, 2016)

 

Bernadete Bruto

“[…] Olívia vai crescendo e, quando o tempo se veste de branco, estação que chamamos de Inverno, as folhas caem e a árvore fica sequinha.

Olivia was growing up while nature was getting dressed in white. All the leaves fall from the trees. It is Winter season. […]”

(Trecho de A menina e a árvore. The girl and the tree. Bernadete Bruto. Ilustrações: André Bruto. Tradução: Dulce Albert. Prefácio: Salete Rêgo Barros. Recife: Ed. do Autor, 2017)

 

Cida Pedrosa

“ela lava a calçada

como quem lava o mundo

 

[…]

 

cecília lava a calçada

e a espuma em pedra

é breve morada em seus pés

 

portas se abrem

olhos espiam

a vassoura se apressa

e varre a agonia

vivida durante a noite […]”

(“cecília”. In as filhas de lilith. Cida Pedrosa. Design: Jaíne Cintra. Rio de Janeiro: Calibán, 2009)

 

Daniel Gruber

“porque o mais terrível no amor, meu bem, é que inevitavelmente sempre chega o momento em que você deseja machucar o outro, e era como a euforia das abelhas em volta de um copo esquecido de refrigerante, naquele domingo de manhã, na cama, quando tu violentamente despertou esta coisa dentro de mim, esta coisa da humanidade simbólica que fere o corpo animal com mil desejos incompreendidos, me mostrou que o coração é um músculo que precisa ser exercitado, eu te falei que tudo isso é a maior transgressão desses tempos pós-qualquer-coisa, um instrumento de resistência contra os destinos medíocres da vida, um organismo cego, surdo e sem artérias, motor de uma engrenagem muito complexa, esse sentimento que então nos atravessaria impiedoso, trazendo a força das coisas que fazem sentido e a dor dos prazeres que teríamos que deixar para trás, porque antes de ser platônico, meu bem, nossa paixão era pré-socrática, cheia daquelas certezas vazias que compõem nossa ridícula intelectualidade pequeno-burguesa ocidental, e como a um reizinho impertinente tu me arrancou desse delírio coletivo, dizendo tudo isso naquela manhã de domingo […]”

(“o amor épico”. In O Jardim das Hespérides. Daniel Gruber. Porto Alegre: Daniel Fernando Gruber, 2017)

 

Daniel Perroni Ratto

“O Tempo é efêmero

quando cabe na solidão

 

O Espaço é finito

quando sabe de antemão

 

Que o amor é

o espaço-tempo

além dessa dimensão

 

Maluquices

Viagem ao

Superaglomerado

Perseus-Piesces!”

(“Supercordas”. In Vozmecê. Daniel Perroni Ratto. São Paulo: Patuá, 2016)

 

Elba Lins

“Sintonia

Não é paixão…

Não é tesão…

 

Encontro-te!

E no espelho

Vejo

Meu próprio retrato.

 

Universos concêntricos

Num salto quântico

Atinjo outro nível

Encontro minha TRIBO

 

Encontro-te!

E o que vejo

É um espelho

É o meu próprio retrato.”

(“Tribo”. In Do outro lado do espelho: O feminino em estado de poesia. Elba Lins. Prefácio: Patricia Tenório. Recife: Ed. do Autor, 2017)

 

Fernando de Mendonça

“[…] – (…) Mas, pela primeira vez, sinto que esbarro em algo realmente grande. Sabe estes livros que nos marcam de um jeito especial? Estes que parecem ter vindo com um remetente para nós? Estou até assustada com a pertinência deste para mim.

– Conte-me algum dos contos. O que mais gostou.

– Acho que não consigo. Não é apenas pelo que acontece nele. Vai mais fundo. E aqui eu sei que não estou confundindo gosto com costume, pois já os li, reli, e não me acostumei a eles.

– Aos melhores livros, a gente não se acostuma, mas sobrevive. […]”

(Trecho de 23 de Novembro. Fernando de Mendonça. Recife: Grupo Paés, 2014)

 

Guilherme Azambuja Castro

“[…] O Bebeto.

Mas por que seria famoso eu? Aí eu disse:

– Não sou famoso.

E ele:

– Ah, és… Muito famoso.

Disse isso afagando minha cabeça enquanto entrava no chalé, que é minha casa e de onde eu vi meu pai ir embora num dia calorento: saiu levando nosso carro e eu ali, sentadinho na varanda, os olhos baixos, matando formigas com os chinelos. O motor de repente desapareceu na BR e nunca mais.

Pois aqui ele chegou, o Bebeto, dizendo que eu era famoso. […]”

(Trecho de “O cheiro triste das bergamotas”. In O amor que não sentimos e outros contos. Guilherme Azambuja Castro. Recife: Cepe, 2016)

 

Gustavo Melo Czekster

“[…] Certo dia, Anton Lopez desapareceu. Restaram somente os seus desenhos de homens formados por moscas, obras que, pela simetria e noção do corpo humano, assemelhavam-se aos esboços de Leonardo da Vinci e aos quadros de Archimboldo. A última pessoa que viu Anton Lopez foi o homem que levava a comida uma vez por semana ao sítio. De acordo com a sua versão: “O senhor Lopez estava vestido, o que não era normal, e as moscas estavam dentro da sua roupa, mexendo de um lado para o outro. Às vezes, uma saía da boca, outra do nariz, outra da orelha. Ele não parava de andar e não dizia coisa com coisa”. Infelizmente, a veracidade do depoimento nunca foi confirmada: dias depois, encontraram a testemunha dentro de um valo, coberta de moscas. […]”

(Trecho de Um mundo de moscas. Gustavo Melo Czekster. In O homem despedaçado. Porto Alegre: Dublinense, 2011)

 

Luisa Bérard

“[…] A luminosidade do dia clareava o ambiente. Os tons azulados dos estofados das duas poltronas, próximas às altas janelas de esquadrias brancas do quarto, agora tinham uma cor vibrante. Os lençóis rendados e as colchas da aconchegante cama de dossel dourada, inclusive os matizes coloridos das flores, diligentemente organizadas num vaso de opalina sobre a cômoda encostada na parede, também estavam bem perceptíveis, em face do adiantado da hora. Não restava dúvida: eu estava terrivelmente atrasada![…]”

(Trecho de Nas montanhas do Marrocos. Luisa Bérard. 1ª ed. Recife, PE: Ed. do Autor, 2017)

 

Luís Roberto Amabile

“[…] O senhor K. seria um sonhador, mas, como sonhava apenas pesadelos, era mais um pesadelador. Podia fazer, o senhor K., esse uso do idioma, agregando palavras, porque o falava de um modo alternativo, sobretudo incomum. Na verdade, não era o seu idioma, e não o era duplamente. O senhor K. pertencia a um outro país, a um outro povo, e apenas por falta de opção, e por coerção, praticava aquele idioma.”

(Trecho de O livro dos cachorros. Luís Roberto Amabile. São Paulo: Patuá, 2015)

 

Patricia Gonçalves Tenório

“[…] Eu fiquei muda, sozinha com as minhas palavras silenciosas. Por que elas não falavam? Por que não manifestavam o que eu sentia, o que eu pedia, meu desejo mais profundo? De tanto pedir caí no sono, ali, na sala de visitas, ali, no colo da babá.

E sonhei com um outro espaço. Onde tudo que eu tocava falava por conta própria e eu não precisava mais falar: a cadeira, o sofá, o tapete reclamava todo passo que eu dava. E o Pedro pulava de alegria, pois não ia mais assustar a tia Clara com as palavras que nem mesmo ele quis falar. As coisas por si falavam, as coisas por nós falavam e todos nos entendiam, babá, a cozinheira, tia Clara, mamãe, papai… […]”

(Trecho de “Alice no espelho”. In Vinte e um/Veintiuno. Patricia Gonçalves Tenório. Madrid, España: Mundibook Ediciones, 2016)

 

Sidney Nicéas

“[…] Um estremecer sacudiu o velho. Não havia mais palavras naquele momento. Ele abriu-se como página. Ela fechou-se em dicionário. Um silêncio d’água ecoou. E persistiu por minutos naquele casebre muito mais simples do que a época que os abrigava – a vida, que ia ficando mais complexa naquela beirada de novo milênio, era contraste com toda a simplicidade do lugar. Mãos a se encostar. Quatro olhos não mirados entre si. Muitos silêncios emitidos que não se tocavam. Ambos numa mudez de nádegas encostadas. Mas toda quietude frágil tente a ruir. […]”

(Trecho de Noite em clara: um romance (e uma mulher) em fragmentos. Sidney Nicéas. São Paulo: Scortecci, 2016)

 

Valesca de Assis

“É do silencio e da perda da voz que se revela / desvela a história do casal Marga e Rudy Treibel, trinta e três anos de casados, moradores de Cruzeiro, uma cidade 50 mil habitantes, pais de Vivian e de de Walter, avós de Renate e de Rudinho (Rude Neto). O enredo tem como ponto de partida o capítulo “Do fim ao começo”, antecedido pelo “Depois do almoço”, texto de abertura, que sinaliza para aquele que é o tema central do quarto romance de Valesca de Assis: a violência doméstica e o silenciamento da(s) vitima(s) femininas – “No melhor dos casos, a menina sentiria, no rosto, a mão ardente do pai. Deus foi muito bom, fazendo-a calar-se a tempo. […] Tinha vontade de gritar a notícia: não morreu […] Então gritou apenas para dentro de si.”

A ponta do silêncio. Valesca de Assis. Porto Alegre: BesouroBox, 2016.

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Sala de Imprensa

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JC II

JC III

 

 

“Sobre a escrita criativa” em Porto Alegre| Organização: Patricia Gonçalves Tenório. Prefácio: Luiz Antonio de Assis Brasil

Apresentação de Sobre a escrita criativa no XII Seminário Internacional de História da Literatura – PUCRS – 18/10/2017, 17h30, Sala 305, Bloco 8

Patricia Gonçalves Tenório

9788594339003

 

Este livro é uma questão de fé.

Tudo começou em 12 de abril de 2017 quando Annie Müller, Daniel Gruber, Gustavo Czekster, María Elena Morán e eu, conversando no restaurante do bloco 15, imaginávamos de que maneira poderíamos divulgar o trabalho que desenvolvíamos aqui na PUCRS em outras paragens do Brasil. A nós se juntou Alexandra Lopes da Cunha, Luís Roberto Amabile e Guilherme Azambuja Castro.

Levamos o projeto de um Encontro Nacional em Escrita Criativa para a Bienal Internacional do Livro de Pernambuco nas figuras de Rogério Robalinho e Sidney Nicéas. Eles acreditaram.

Apresentamos o projeto ao tão caríssimo Prof. Luiz Antonio de Assis Brasil que nos abriu as portas da PUCRS juntamente com as caríssimas Profs. Cláudia Brescancini e Maria Eunice Moreira e transladaram para o I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco. Eles acreditaram.

Tivemos a ideia de antecipar os textos a serem proferidos nas mesas e oficinas do Seminário para aproveitarmos a oportunidade única de lançarmos uma coletânea com todos reunidos em Recife. Convidamos os 25 participantes e tivemos a grata surpresa de contarmos com uma adesão de 20 artigos e ensaios. Eles acreditaram.

Agradecemos, mesmo à distância, à equipe incansável que tornou este livro possível: Jaíne Cintra (Designer), Wilma Nóbrega (Catalogação), Ana Lúcia Gusmão e Sandra Freitas (Revisão), Deborah Barros (Contabilidade da Editora Raio de Sol), Ricardo Barbosa (Gráfica Provisual); aos Profs. Alexandre Furtado (UPE), Anco Márcio Tenório Vieira (UFPE), Marcelo Coutinho (UFPB), Márcia Ivana de Lima e Silva (UFRGS) e Maria Eunice Moreira (PUCRS), por gentilmente aceitarem o convite de comporem o Conselho Editorial dessa publicação, e, com isso, validarem os nossos textos no Lattes.

E, antes de tudo, a infinita gratidão ao Prof. Luiz Antonio de Assis Brasil, esse baluarte da Escrita Criativa no país, que, lá atrás, na lonjura e no outrora de 2006, acolheu como ouvinte em sua Oficina Literária esta que agora vos fala.

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Sobre a escrita criativa. Prefácio: Luiz Antonio de Assis Brasil. Organização: Patricia Gonçalves Tenório. Recife, PE: Raio de Sol, 2017.

À venda no https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/literatura-nacional/ensaios/sobre-a-escrita-criativa-46741313?id_link=8787&adtype=pla&id_link=8787&adtype=pla&gclid=EAIaIQobChMIgO-ineaB1wIVUAiRCh0oiA8-EAQYASABEgLcFfD_BwE

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Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Outubro, 2017

I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco

XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco

14/10/2017 – 10h00 – 13h00

 

No segundo dia do I Seminário Nacional em Escrita Criativa inserido na XI Bienal Internacional dos Livros de Pernambuco começamos nos apresentando e o porquê da busca pela Escrita Criativa em nossas vidas. As participantes do Grupo de Estudos em Escrita Criativa se apresentaram e convidaram as demais pessoas presentes a também se apresentarem.

Começamos abrindo o olhar com o Modos de ver, do romancista, crítico de arte, pintor inglês, nascido em Londres, John Berger (1926-2017).

“Ver precede as palavras. A criança olha e reconhece, antes mesmo de poder falar” (BERGER, 1999, p. 9).

Falamos um pouco do pintor belga, nascido em Lessines, René Magritte (1898-1967) quando Berger cita o abismo entre as palavras e a imagem de A chave dos sonhos (1930).

“Olhar é um ato de escolha. Como resultado dessa escolha, aquilo que vemos é trazido para o âmbito do nosso alcance – ainda que não necessariamente ao alcance da mão. Tocar alguma coisa é situar-se em relação a ela. (Feche os olhos, mova-se ao redor do aposento e verifique como a faculdade do toque é uma forma estática, limitada, de visão.) Nunca olhamos para uma coisa apenas; estamos sempre olhando para a relação entre as coisas e nós mesmos. Nossa visão está continuamente ativa, continuamente em movimento, continuamente captando coisas num círculo à sua própria volta, constituindo aquilo presente para nós do modo como estamos situados.” (BERGER, 1999, p. 10-11)

Como em toda Escrita Criativa, nos preparamos com a Teoria para alavancar a Poesia, nos alimentamos de Crítica para forjar a Ficção. Fomos buscar a base do nosso primeiro exercício prático no conceito de ekphrasis retirado da dissertação de mestrado em Teoria da Literatura, linha de pesquisa Intersemiose, “O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural”.

“[…] ekphrasis – do grego εκφραζειν, “explicar até o fim”, ou seja, um fenômeno da representação verbal de uma representação visual.

Muitos são os exemplos de ekphrasis no Ocidente, tendo sua origem na descrição de Homero do escudo de Aquiles, na Ilíada, passando pelos românticos com o poeta inglês John Keats, em “Ode a uma urna grega”, manifestando-se na prosa de Fiódor Dostoievski, em O idiota, quando descreve o quadro “O corpo do Cristo morto”, de Hans Holbein, até chegarmos a O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde.” (TENÓRIO, 2015, p. 5)

O primeiro exemplo citado foi o escudo de Aquiles descrito na Ilíada, reunida por Homero, escudo realizado por Hefesto à pedido de Téles, mãe de Aquiles. O escudo original de Aquiles fora emprestado à Pároclo, o amigo morto por Heitor. No escudo novo encontramos a representação do Universo em cinco camadas.

“Fez primeiro um escudo grande e robusto,

todo lavrado, e pôs-lhe à volta um rebordo brilhante,triplo e refulgente, e daí fez um talabarte de prata. Cinco eram as camadas do próprio escudo; e nele cinzelou muitas imagens com perícia excepcional.

Nele forjou a terra, o céu e o mar; o sol incansável e a lua cheia; e todas as constelações, grinaldas do céu: as Plêiades, as Híades e a Força de Oríon; e a Ursa, a que chamam Carro, cujo curso revolve sempre no mesmo sítio, fitando Oríon. Dos astros só a Ursa não mergulha nas correntes do Oceano.”

O segundo exemplo de ekphrasis encontramos no poeta romântico inglês, nascido em Moorgate, Londres, John Keats (1795-1821), na sua “Ode a uma urna grega” ou “Ode sobre uma urna grega” em algumas traduções. Estudiosos afirmam que Keats se inspirou nos mármores gregos do Museu Britânico. Outros que se inspirou em um livro de P. Piranesi, na reprodução de um vaso de Sosíbio do Louvre. O fato é que todo o poema é uma espécie de narrativa de uma festa dionisíaca.

“Tu, ainda não violada noiva do repouso,

Criança, de que o silêncio e o tardo tempo cuidam,

Silvestre historiadora, que assim podes exprimir

Um florido conto com maior doçura do que a nossa rima:

Que legenda franjada de folhagens te rodeia a forma

De divindades ou mortais, ou de umas e outros,

Pelo vale de Tepe ou nos da Arcádia?

Que homens são esses ou que deuses? Que virgens relutantes?” (KEATS, (1819 in) 2010, p. 47)

 

O terceiro e último exemplo refere-se novamente ao objeto de pesquisa da dissertação acima apresentada: a ekphrasis entre único romance do escritor, poeta, dramaturgo, crítico de arte irlandês, nascido em Dublin, Oscar Fingal O’Flahertie Wills Wilde (1854-1900), O retrato de Dorian Gray, e a tela à óleo (1943) de mesmo nome, que encontra-se hoje no Art Institut of Chicago, do pintor do realismo mágico americano, nascido em North Valley, Illinois, Ivan Albright (1897-1983).

“Teve uma sensação de dor ao pensar na profanação que aguardava o belo rosto no quadro. Certo dia, numa zombaria juvenil de Narciso, ele havia beijado, ou fingira beijar, aqueles lábios pintados que agora sorriam tão cruelmente para ele. Manhã após manhã, sentara-se diante do retrato contemplando sua beleza, parecendo quase enamorado dela em certos momentos. Iria se alterar agora respondendo às mudanças em seu estado de espírito? Iria porventura se tornar algo repugnante e odioso a ser escondido num quarto trancado, sem acesso à luz do sol, que tantas vezes tornava ainda mais dourada a maravilha ondulada de seu cabelo? Que pena! Que pena!” (WILDE, (1890 in) 2013, p. 195)

 

Os exercícios propostos foram:

1) A partir de cartões postais com pinturas, fotografias, escolhidas no momento da oficina, escrever uma pequena narrativa ou poema, de maneira descritiva ou metafórica;

2) A partir de dois textos e um vídeo da própria ministrante, o conto “Reverência” de Grãos (2007), o poema “Escarlate”, de D’Agostinho (2010) e o vídeo-conto “Prisão perpétua” de Diálogos (2010), escrever uma continuidade do texto/vídeo que mais lhe tocou.

 

 

Referências bibliográficas

 

BERGER, John. Modos de ver. Tradução: Lúcia Olinto. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

HOMERO. Ilíada. XVIII vv.478-608. https://pt.scribd.com/document/213376064/Homero-Descricao-do-Escudo-de-Aquiles-Iliada.

KEATS, John. Ode sobre uma urna grega. In Ode sobre a melancolia e outros poemas. Organização e tradução: Péricles Eugênio da Silva Ramos. São Paulo: Hedra, (1819 in) 2010.

TENÓRIO, Patricia Gonçalves. O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural. Saarbrücken, Alemanha: Novas Edições Acadêmicas / OmniScriptum GmbH & Co, 2016.

_________________________. Reverência. In Grãos. Rio de Janeiro: Calibán, 2007.

_________________________. Escarlate. In D’Agostinho. Rio de Janeiro: Calibán, 2010.

_________________________. Prisão perpétua. In Diálogos. Rio de Janeiro: Calibán, 2010. Vídeo no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=EAAPVLPxN98

WILDE, Oscar. O retrato de Dorian Gray. Organizador: Nicholas Frankel. Tradutor: Jorio Dauster. Ed. anotada e não censurada. São Paulo: Globo, (1890 in) 2013 – Biblioteca Azul.

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Exercício I

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GEEC 3

GEEC 4

Exercício I

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Índex* – Setembro, 2017

Foram derrubados os muros da cidade, o Muro Alto não existia mais.

Plantaram jardins conjuntos, escreveram livros para uns aos outros ler.

Era bom aquele começo, com a esperança no coração.

(“A Cidade Universitária”. In A menina do olho verde, Patricia Gonçalves Tenório)

Furono rubate le mura della città, il Muro Alto non esisteva più.

Piantarono giardini comunicanti, scrissero libri per leggerli gli uni agli altri.

Era buono quell’inizio, con la speranza nel cuore.

(“La Città Universitaria”. In La bambina dagli occhi verdi, Patricia Gonçalves Tenório,

Traduzione Alfredo Tagliavia, Milano, Italia: IPOC, 2016)

Os muros derrubados pela Escrita Criativa no Índex de Setembro, 2017 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Prêmio Il Convivio, 2017 & “A menina do olho verde” | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil). 

I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco & “Sobre a escrita criativa” | Diversos.

“Separação” | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

“Tecelãs” / “Tejedoras” | Rizolete Fernandes (RN – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Setembro, 2017 | Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil), Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil).

Agradeço a participação e carinho, a próxima postagem será em 29 de Outubro de 2017, grande abraço e até lá,

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – September, 2017

The walls of the city were overthrown, the High Wall no longer existed.

They planted joint gardens, wrote books for each other to read.

That beginning was good, with hope in the heart.

(“The University City”. In The Green Eye Girl, Patricia Gonçalves Tenório)

 

The walls overturned by the Creative Writing in the Index of September, 2017 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Prize Il Convivio, 2017 & “The Green Eye Girl” | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

I National Seminar on Creative Writing in Pernambuco & “About creative writing” | Miscellaneous.

“Separation” | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

“Weavers” / “Tejedoras” | Rizolete Fernandes (RN – Brasil).

Study Group on Creative Writing – September, 2017 | Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil), Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil).

Thanks for the participation and affection, the next post will be on October 29, 2017, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Os muros derrubados entre Recife e Porto Alegre no I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco. The walls overturned between Recife and Porto Alegre in the First National Seminar on Creative Writing in Pernambuco.

Índex* – Agosto, 2017

As palavras

Dos outros

Atravessam

As minhas mãos

Atravessam

Os meus ouvidos

E já não 

Posso dizer

Se são minhas

Se são desses

Escritores

Que me escrevem

E me impelem

A ser uma

Pessoa maior

E me cedem

Um pouco de

Inspiração 

E ofício 

E técnica

Para o que

Escrevo

Soar melhor

Em minhas mãos

(Sobre a Escrita Criativa, Patricia Gonçalves Tenório, 02/08/17, 18h06)

 

 

As palavras dos outros que me atravessam no Índex de Agosto, 2017 do blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Quando Capitu chorou | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Fernando Luz (AL – Brasil).

Diálogos | Bernadete Bruto (PE – Brasil), Carlos Sierra (Colômbia), Elba Lins (PB/PE – Brasil) & Patricia Gonçalves Tenório.

“Exercícios literários: Café & Poesia” | Com Célia Medeiros (RN – Brasil) & Clauder Arcanjo (RN – Brasil), entre outros.

“O amor que não sentimos e outros contos” | Guilherme Azambuja Castro (RS – Brasil).

“Demorei a gostar da Elis” | Alexandra Lopes da Cunha (DF/RS – Brasil).

“Demônios domésticos” | Tiago Germano (PB/RS – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa | Bernadete Bruto, Elba Lins, Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil), Marcos Torres (PE – Brasil) & Uilian Novaes (BA – Brasil). 

A partir de 28 de Agosto de 2017 estarão abertas as inscrições para o I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco (PUCRS – Brasil) que acontecerá de 13 a 15 de Outubro de 2017 na XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco. As inscrições são gratuitas, vagas limitadas, e realizadas, com maiores informações, no link:

http://www.bienalpernambuco.com/i-seminario-nacional-em-escrita-criativa-de-pernambuco/

O lançamento do livro Sobre a Escrita Criativa, com artigos dos participantes do Seminário, será em 13 de Outubro de 2017, às 19h00.

Agradeço a participação e carinho, a próxima postagem será em 24 de Setembro de 2017, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* August, 2017

The words

Of the others

They cross

My hands

They cross

My ears

And no longer

I can say

If they are mine

If they are from these

Writers

That write to me

That urge on me

To be a

Greater person

And give me

A bit of

Inspiration

And craft

And technique

For what

I write

Sound better

In my hands

(About Creative Writing, Patricia Gonçalves Tenório, 08/02/17, 6:06 p.m.)

 

 

The words of the others that cross me in the Index of August, 2017 of the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

When Capitu wept | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Fernando Luz (AL – Brasil).

Dialogues | Bernadete Bruto (PE – Brasil), Carlos Sierra (Colombia), Elba Lins (PB/PE – Brasil) & Patricia Gonçalves Tenório.

“Literary Exercises: Coffee & Poetry” | With Célia Medeiros (RN – Brasil) & Clauder Arcanjo (RN – Brasil), among others.

“The love we do not feel and other tales” | Guilherme Azambuja Castro (RS – Brasil).

“I took too long to like Elis” | Alexandra Lopes da Cunha (DF/RS – Brasil).

“Domestic Demons” | Tiago Germano (PB/RS – Brasil).

Study Group on Creative Writing | Bernadete Bruto, Elba Lins, Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil), Marcos Torres (PE – Brasil) & Uilian Novaes (BA – Brasil). 

From August 28, 2017 it will be opened the entries for the 1st National Seminar on Creative Writing of Pernambuco (PUCRS – Brasil), which will take place from October 13 to 15, 2017 at the XI International Book Biennial of Pernambuco. Entries are free, limited and made available, with more information, in the link:

http://www.bienalpernambuco.com/is-seminario-nacional-em-escrita-criativa-de-pernambuco/

The launch of the book About Creative Writing, with articles by participants of the Seminar, will be on October 13, 2017 at 7:00 p.m.

Thanks for the participation and affection, the next post will be on September 24, 2017, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** O Guaíba de Porto Alegre se encontrando com o Capibaribe de Recife formando o Oceano Atlântico do I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco. The Guaíba of Porto Alegre meeting with the Capibaribe of Recife forming the Atlantic Ocean of the 1st National Seminar on Creative Writing of Pernambuco.

 

Quando Capitu chorou* | Patricia Gonçalves Tenório** & Fernando Luz***

 

I Capítulo – Um passeio pelo parque

 

Ela saiu do flat bem cedinho para receber os primeiros raios de sol no Parque Farroupilha.

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Era nova ali. Era uma nova vida. Passara na seleção de mestrado em Escrita Criativa e só conhecia Porto Alegre de retrato.

Saiu do flat bem cedinho e levou o celular escondido no casaco, apesar dos conselhos da mãe. Não saia com o celular à vista, Capitu!, a mãe lhe disse, a mãe lhe orientou. Mas Capitu queria fotografar os cantos daquela cidade nova.

A caminho do parque, viu a Faculdade de Medicina com os portões frondosos, frondosos feito as árvores que iria encontrar no Parque da Redenção.

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O Parque da Redenção era o outro nome do Parque Farroupilha, e o parque recebeu aquele outro nome por causa da precoce redenção da escravatura na cidade em 1884. Enquanto que Farroupilha se deve à revolução de mesmo nome, quando a várzea do parque ficou fora dos domínios da Vila de Porto Alegre.

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Uma senhora praticava sozinha yoga quando Capitu entrou no parque. O frio da manhã arrepiava o corpo encolhido dentro do casaco, apesar dos primeiros raios de sol.

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Lá estava ele. O sol. Desnudando os cabelos castanhos, a pele morena clara, os olhos da ressaca de tantas horas de avião.

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De Recife para Porto Alegre eram seis horas de avião. Isso quando não atrasava. Em Recife, quem levou Capitu para o aeroporto foi Bentinho – o pai e a mãe da menina não paravam de chorar.

Bentinho, silencioso. Bentinho, casmurro feito iria ser um dia. E é justamente para Bentinho que a moça da ressaca tira no celular aquelas fotografias do Parque da Redenção.

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* Exercício em Wattpad da disciplina Literatura e Linguagem Digital ministrada no doutorado em Escrita Criativa do PPGL da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS pelo Prof. Dr. Bernardo Bueno em 2017.2.

** Patricia Gonçalves Tenório (Recife/PE, 1969) escreve prosa e poesia desde 2004. Tem onze livros publicados, com premiações no Brasil e no exterior, entre elas, Melhor Romance Estrangeiro da Accademia Internazionale Il Convivio, Itália (2008) por As joaninhas não mentem, e Prêmio Marly Mota (2013) da União Brasileira dos Escritores – RJ pelo conjunto da obra. Defendeu em 17 de setembro de 2015 a dissertação de mestrado em Teoria da Literatura pela Universidade Federal de Pernambuco, linha de pesquisa Intersemiose, “O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural”, sob a orientação da prof. dra. Maria do Carmo de Siqueira Nino. Acaba de ingressar (2017.1) no Programa de Pós-Graduação em Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), no doutorado em Escrita Criativa, sob a orientação do prof. dr. Luiz Antonio de Assis Brasil. Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e www.patriciatenorio.com.br

*** Publicidade da Dior enviada por Fernando Luz. Contato: fernandinholuz@hotmail.com

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Agosto, 2017 | Bernadete Bruto, Elba Lins, Luisa Bérard, Talita Bruto, Marcos Torres & Uilian Novaes

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Agosto, 2017

Patricia Gonçalves Tenório

 

Em 19 de Agosto de 2017, expliquei para as minhas alunas/companheiras de estudo o porquê de trazer os assuntos estudados no doutorado em Escrita Criativa da PUCRS para as nossas aulas/encontros: para compartilhar com elas o meu aprendizado, e, juntas, ampliarmos nossos caminhos de escritoras/poetisas.

Na Newsletter de Agosto, 2017 encontramos diversos diálogos. E foi, a partir do livro-diálogo Portugueses do Brasil & Brasileiros de Portugal (2016), da jornalista, romancista portuguesa, e licenciada em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Leonor Xavier (1943), que estou estudando para a disciplina Literatura Portuguesa, ministrada pelo Prof. Dr. Paulo Kralik, que iniciamos, eu e minhas alunas, a nossa aula.

Com dezenove entrevistas que remetem à época em que viveu no Brasil, Leonor nos brinda com depoimentos tais como os de Caetano Veloso, Carlos Drummond de Andrade, Fernanda Montenegro, Júlio Pomar, Marília Pêra, Ruth Escobar, sobre a relação de brasileiros com Portugal, de portugueses com o Brasil, e, principalmente, dos seus processos criativos. Trago ao centro um trecho do depoimento do filósofo, poeta e ensaísta George Agostinho Baptista da Silva (1906-1994), ou simplesmente Agostinho da Silva, nascido em Porto e falecido em Lisboa.

Agostinho fala dos dois mundos, não só Brasil e Portugal, mas do que poderemos aproximar do exercício que sugeri às minhas alunas e que apresentarei mais adiante.

“Espero que essa coisa de ver o mundo exista em todos os portugueses, pelo menos naqueles que não perderam a qualidade de ser português. Temos de pensar que há dois mundos para ver: o de fora e o de dentro, que é outro mundo interessante. E com uma complicaçãozinha, é que não sabemos se o mundo de fora brota do mundo de dentro, ou o contrário.” (DA SILVA apud XAVIER, (1988 in) 2016, p. 16)

Em 17 de Agosto de 2017, conheci a exposição Chão arejado, com livro de mesmo nome, do poeta Marcos Torres, com interpretações gráficas de Uilian Novaes. Marcos, através da artista plástica, professora da UFPE e minha orientadora de mestrado Maria do Carmo Nino, organizou um seminário no qual a escritora carioca Paloma Vidal, o professor da UFPB Marcelo Coutinho, e eu, conversávamos sobre amálgamas no processo criativo.

E foi a partir da imagem de capa de Chão arejado que minhas tão queridas alunas compuseram, a oito mãos, utilizando algo semelhante ao que estou apreendendo na outra disciplina da PUCRS, Literatura e Linguagem Digital (post “Quando Capitu chorou”), que propus à Bernadete, Elba, Luisa e Talita que criassem, em ordem alfabética, um texto (escolheram em forma de poesia) no nosso grupo de WhatsApp.

Então vamos à(s) leitura(s).

 

Referências bibliográficas

DA SILVA, Agostinho. In: Portugueses do Brasil e Brasileiros de Portugal. Alfragide, Portugal: Oficina do Livro, 2016.

TORRES, Marcos. Chão arejado. Interpretações gráficas de Uilian Novaes. Guaratinguetá, SP: Penalux, 2017.

 

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Chão arejado

 

A fome que envergou meu corpo e reverbera no fundo.

Ai!!! Tenho Fome!

Uma fome imensa de vida, de luz, de ser…

 

(Bernadete Bruto, 19/08/17, 12h28, bernadete.bruto@gmail.com)

 

Queria voar como estes pássaros que esperam minha morte.

Queria fluir livre no céu azul

Encontrar minha tribo perdida

Minha paz

Mas meu sangue flui para esta terra seca

E estes pássaros não me deixam voar

Preciso lutar!

Preciso fugir!

Preciso viver!

 

(Elba Lins, 19/08/17, 12h31, elbalins@gmail.com)

 

E na efêmera existência,

Que o tempo impiedosamente devora,

A urgência dos sonhos gritam

Exigem espaço e luz

Tenho pressa!

Tenho sede de vida!

Tenho…

 

(Luisa Bérard, 19/08/17, 12h44, luisaberard@gmail.com)

 

Esquálidos. Eu. Os corvos. Não corvos, urubus.

Mais do que solidão, mais que um severino, mais do que Poe em nossas vistas.

Fica a pergunta irrepreendida: viver, imediatismo?

Tragédia escassa.

Somos sem conteúdos pra nos abastecer

Esquálidos. Eu.

A massa fina virando comida.

Ossos. Detritos.

Urubus.

A máquina pavorosa dos tempos decompostos.

O que somos.

O que temos.

O que viramos.

 

(Talita Bruto, 19/08/17, 12h49, talitabruto@gmail.com)

(Exercício do Grupo de Estudos em Escrita Criativa a partir da imagem extraída de NOVAES, 2017, p. 81)

 

E na página 83 o poeta Marcos Torres responde…

 

epiderme exposta

 

nunca ouvi dizer que urubu é sinônimo de cor de epiderme.

tenho muitas cores.

eu, fico aqui, paralisado e em choque, com minha cabeça nua.

vendo daqui esta terra em decomposição me enchendo de náusea.

 

diante deste céu calado e mouco

desloco-me em longos voos sobre as planícies frias,

em meio a este ar rarefeito e quente que sopra dum chão ardente.

um movimento fatigante.

enxergo tudo com esta minha visão panorâmica.

 

sou atraído pelo monte de carne amontoada sobre as valas.

nem sei o que aconteceu por aqui e ali.

nunca me dizem nada.

faço isso para deixar o chão arejado.

Índex* – Julho, 2017

Uma água de côco 

Um sonho nas mãos

Mas o sol

Se esconde por trás da

Chuva

E posso ouvir

A terra cantar

Da terra brotar

Flores particulares

 

Ainda ontem

Andei meu primeiro passo

Doei meu primeiro beijo 

E nem parece

Que o tempo passou

Ou passou

Nas gotas grossas de

Chuva

Que mergulham

Em meus cabelos

(“A trégua”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 10/07/17, cerca de 16h10)

Uma trégua para a Paz, para a Vida, para a Escrita Criativa no Índex de Julho do blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

Pequeno conto de sonhos | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

O FANTASMA DE LICÂNIA (PARTE XI) | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

Um conto e um poema de Alexandra Lopes Da Cunha (DF/RS – Brasil).

“Entre a neve e o deserto” | Gisela Rodriguez (RS – Brasil).

“Convalescente” | Magno Catão (RN – Brasil).

Serra da Capivara e seus mistérios | Mara Narciso (MG – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa | Diversos participantes.

Agradeço o carinho e a participação, a próxima postagem será em 27 de Agosto de 2017, grande abraço e até lá,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – July, 2017

A coconut water

A dream in the hands

But the sun

Hides behind the

Rain

And I can hear

The earth sing

From the earth to sprout

Private flowers

 

Yesterday

I walked my first step

I gave my first kiss

And it does not seem

That time passed

Or passed

In the thick drops of

Rain

Diving

Into my hair

(“The truce”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 10/07/17, about 4:10 p.m.)

 

A truce for Peace, for Life, for Creative Writing in the July Index of Patricia (Gonçalves) Tenório’s blog.

Small tale of dreams | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

THE GHOST OF LICHEN (PART XI) | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

A tale and a poem by Alexandra Lopes Da Cunha (DF / RS – Brasil).

“Between the snow and the desert” | Gisela Rodriguez (RS – Brasil).

“Convalescent” | Magno Catão (RN – Brasil).

Serra da Capivara and its mysteries | Mara Narciso (MG – Brasil).

Study Group in Creative Writing | Several participants.

Thank you for the affection and participation, the next post will be on August 27, 2017, big hug and until then,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Uma trégua para as Férias no inverno de Recife – PE. A truce for the Holidays in the winter of Recife – PE.

Grupo de Estudos em Escrita Criativa | Julho, 2017

Não lembro exatamente quando o nome me foi dedicado, mas lembro perfeitamente quem o dedicou. Meu avô paterno, O Major de meu primeiro livro,[1]  José Tenório de Albuquerque Lins, gostava de me contar estórias de uma corujinha que vivia nas matas do interior de Alagoas, e essa coruja possuía filhotes, e esses filhotes eram os mais lindos do mundo. Veio um gavião e os comeu, achando que não poderiam ser os filhotes da mãe-coruja, visto serem extremamente feios.

Foi assim, sentada no colo de meu avô, que ele me chamou  pela primeira vez de professorinha. Eu usava, desde os três anos, óculos de grau com arame atrás das orelhas, por causa de hipermetropia e astigmatismo. Sentada no colo de meu avô, ele profetizava o que, mais de quarenta anos depois, foi repetido pela segunda vez por minhas alunas do Grupo de Estudos em Escrita Criativa.

Alunas. Nome doce e ao mesmo tempo difícil de conciliar, quando lembramos da responsabilidade que carregamos em nossas costas – feito as asas de Ícaro –, por depender de nós toda uma tendência para o bem ou para o mal. O professor pode elevar o aluno ao mais alto grau de auto-estima, e de conhecimento, e de desenvolvimento próprio, como também pode destruir um potencial num piscar de olhos. Uma vez escrevi que as duas profissões que mais admiro no mundo são o médico e o professor. De maneiras diferentes – mas tão importantes quanto –, as duas profissões salvam ou condenam uma vida, curam ou matam. E o professor pode retirar de nós o melhor do ser humano. Isso tudo quando aplicando a aprendizagem que mais acredito, aquela que na língua francesa encontramos tão bem exemplificada com o verbo aprendre – de ensinar e aprender –, aquela que chamo de “aprendizagem pelo afeto”.

Nada melhor na aprendizagem pelo afeto do que um livro bom. Os nossos melhores amigos. Aqueles que não nos deixam sós, e dizem exatamente aquilo que gostaríamos de escutar naquele exato momento.

E nada melhor do que construir um livro bom. O cheiro de um livro bom. O som das páginas novas folheadas. O tato nas palavras recém-impressas. Sobre a Escrita Criativa. Essa é a experiência que estamos vivendo, eu e minhas alunas do Grupo de Estudos em Escrita Criativa. Foi proposto aos participantes do I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco[2] que escrevessem como a Escrita Criativa entrou em suas vidas, e estão surgindo textos em que se retoma toda a trajetória de seus processos de criação. Textos emocionantes, mas sem perder a qualidade teórica nem ficcional, pois navegar entre esses dois âmbitos, entre os dois pólos aparentemente contrários, mas que se comunicam, e se complementam, e se ajudam, é o que nos faz seres humanos. É o que nos faz escrever melhor.

Em agradecimento a esses participantes, e, principalmente, às minhas alunas Bernadete Bruto, Elba Lins, Luisa Bérard, Talita Bruto, dedico este post, e esse livro, e a minha história de vida, d’O Major até os dias de hoje.

Elas

Apareceram

De repente

Em minha vida

Todas

Transparecendo

Em algum momento

Uma ruptura

Um cansaço

Uma busca

 

Eu

Propus um tema

E todas

Me entregaram

As tarefas

Tão brilhantes

Tão limpinhas

 

Que foi só

Triunfo

Da Poética

Que se fez

Conto

Da História

Que floresceu

Assim

Como se nada

Aconteceu

 

(“As alunas”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 01/07/17, 17h15)

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(1) TENÓRIO, Patricia. O major – eterno é o espírito. Recife: Edição do Autor, 2005.

(2) Que acontecerá de 13 a 15/10/2017 na XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, Centro de Convenções, Recife – PE. Maiores informações: patriciatenorio@uol.com.br, rogerio@cia-eventos.com e sidneyniceas@gmail.com.