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Índex* – Setembro, 2017

Foram derrubados os muros da cidade, o Muro Alto não existia mais.

Plantaram jardins conjuntos, escreveram livros para uns aos outros ler.

Era bom aquele começo, com a esperança no coração.

(“A Cidade Universitária”. In A menina do olho verde, Patricia Gonçalves Tenório)

Furono rubate le mura della città, il Muro Alto non esisteva più.

Piantarono giardini comunicanti, scrissero libri per leggerli gli uni agli altri.

Era buono quell’inizio, con la speranza nel cuore.

(“La Città Universitaria”. In La bambina dagli occhi verdi, Patricia Gonçalves Tenório,

Traduzione Alfredo Tagliavia, Milano, Italia: IPOC, 2016)

Os muros derrubados pela Escrita Criativa no Índex de Setembro, 2017 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Prêmio Il Convivio, 2017 & “A menina do olho verde” | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil). 

I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco & “Sobre a escrita criativa” | Diversos.

“Separação” | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

“Tecelãs” / “Tejedoras” | Rizolete Fernandes (RN – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Setembro, 2017 | Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil), Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil).

Agradeço a participação e carinho, a próxima postagem será em 29 de Outubro de 2017, grande abraço e até lá,

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – September, 2017

The walls of the city were overthrown, the High Wall no longer existed.

They planted joint gardens, wrote books for each other to read.

That beginning was good, with hope in the heart.

(“The University City”. In The Green Eye Girl, Patricia Gonçalves Tenório)

 

The walls overturned by the Creative Writing in the Index of September, 2017 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Prize Il Convivio, 2017 & “The Green Eye Girl” | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

I National Seminar on Creative Writing in Pernambuco & “About creative writing” | Miscellaneous.

“Separation” | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

“Weavers” / “Tejedoras” | Rizolete Fernandes (RN – Brasil).

Study Group on Creative Writing – September, 2017 | Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil), Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil).

Thanks for the participation and affection, the next post will be on October 29, 2017, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Os muros derrubados entre Recife e Porto Alegre no I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco. The walls overturned between Recife and Porto Alegre in the First National Seminar on Creative Writing in Pernambuco.

I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco & “Sobre a escrita criativa” | Diversos

cartaz_escrita_criativa (1)13/10/2017 10 horas – 13 horas

Oficina/workshop: “Mercado editorial e autopublicação”

Daniel Fernando Gruber (PUCRS) – Coordenador/Palestrante: “Autopublicação: um caminho possível”

Daniel Perroni Ratto (Ceará) – Palestrante: “Mercado editorial”

Cida Pedrosa (Pernambuco) – Palestrante: “Mercado editorial”

 

13/10/2017 15 horas – 18 horas

Oficina/workshop: “Estimulando a leitura através da Escrita Criativa”

Gustavo Melo Czekster (PUCRS) – Coordenador/Palestrante: “Leitura e Escrita Criativa”

Fernando de Mendonça (professor UFS) – Palestrante: “Experiência de Criação Literária: da sala de aula ao Clube de Leitura Criadora”

Igor Gadioli Cavalcante (professor UFS) – Palestrante: “Leitura de Prosa e Poesia: Alimentando a Escrita Criativa”

Lourival Holanda (professor UFPE) – Palestrante: “Leitura e Escrita Criativa”

 

13/10/2017 19 horas – 21 horas

Mesa: “A importância de um ambiente estimulante na Criação Artística”

Luís Roberto Amabile (PUCRS) – Coordenador/Palestrante: “Será Porto Alegre uma festa?”

Patricia Gonçalves Tenório (PUCRS) – Coordenadora/Palestrante: “Vida: uma experiência criativa”

Luiz Antonio de Assis Brasil (professor PUCRS) – Palestrante: “A Escrita Criativa no Brasil”

Valesca de Assis (Rio Grande do Sul) – Palestrante: “A mulher e o chamado da Literatura”

Sidney Nicéas (Pernambuco) – Palestrante: “Inspiração e ação: os gatilhos da Criatividade na Escrita e o sentir e o agir no Texto Literário”

Raimundo Carreiro (Pernambuco) – Palestrante: “A Escrita Criativa no Brasil”

Lançamento Sobre a escrita criativa,  Editora Raio de Sol, Recife-PE, 2017, Organização: Patricia Gonçalves Tenório, Prefácio: Luiz Antonio de Assis Brasil, com artigos dos participantes do Seminário.

 

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14/10/2017 10 horas – 13 horas

Oficina/workshop: “Grupo de Estudos em Escrita Criativa”

Patricia Gonçalves Tenório (PUCRS) – Coordenadora/Palestrante: “Grupo de Estudos em Escrita Criativa”

Bernadete Bruto (Pernambuco) – Palestrante: “Viagem ao fundo da Poesia: uma recomposição de trabalhos à luz da Teoria”

Elba Lins (Pernambuco) – Palestrante: “A Escrita Criativa – dando asas à minha Prosa e novas formas à Poesia”

Luisa Bérard (Pernambuco) – Palestrante: “Grupo de Estudos em Escrita Criativa”

Talita Albuquerque Bruto da Costa (UFPE) – Palestrante: “Grupo de Estudos em Escrita Criativa”

 

14/10/2017 15 horas – 18 horas

Oficina/workshop: “Devaneios Fílmicos, Cósmicos e Poéticos”

Fernando de Mendonça (professor UFS) – Coordenador/Palestrante: “Devaneios Fílmicos, Cósmicos e Poéticos”

Maria do Carmo de Siqueira Nino (professora UFPE) – Palestrante: “Pequenas narrativas com Aventura

Robson Teles (professor UNICAP) – Palestrante: “Olhos de Encenador frente a Intergenericidades Poéticas”

 

14/10/2017 19 horas – 21 horas

Mesa: “Era das narrativas e o herói cansado. Problematizações em torno da viagem do herói, suas possibilidades, limites e insuficiências.”

Daniel Fernando Gruber (PUCRS) – Coordenador/Palestrante: “O herói cansado”

María Elena Morán Atencio (PUCRS) – Coordenadora/Palestrante: “As histórias que (não) nos contam”

 

15/10/2017 10 horas – 13 horas

Oficina/workshop: “Oficina de Escrita Criativa – Poesia”

Alexandra Lopes Da Cunha (PUCRS) – Coordenadora/Palestrante: “A Poesia como percurso”

Cida Pedrosa (Pernambuco) – Palestrante: “Oficina de Poesia”

Carlos Enrique Sierra Mejía (Colômbia) – Palestrante: “A dificuldade da Escrita e o Prazer Criador”

 

15/10/2017 15 horas – 18 horas

Oficina/workshop: “Oficina de Escrita Criativa – Prosa – Contos e Roteiros”

Luís Roberto Amabile (PUCRS) – Coordenador/Palestrante: “Oficina de Contos e Roteiros”

María Elena Morán Atencio (PUCRS) – Coordenadora/Palestrante: “Oficina de Contos e Roteiros”

Guilherme Azambuja Castro (PUCRS) – Palestrante: “De onde vêm as histórias?

 

15/10/2017 19 horas – 21 horas

Mesa: “Quem tem medo da Literatura Fantástica?”

Gustavo Melo Czekster (PUCRS) – Coordenador/Palestrante: “Escrever Literatura Fantástica no Brasil do Século XXI”

Adriano Siqueira Ramalho Portela (professor ESM/FAMA-PE) – Palestrante: “Quando o Espírito é quem manda: um mergulho no Roteiro Fantástico de Osman Lins”

André Balaio (Pernambuco) – Palestrante: “Quem tem medo da Literatura Fantástica?”

 

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Setembro, 2017

O exercício do mês de Setembro de 2017 do Grupo de Estudos em Escrita Criativa foi “Escrever sobre escrever”, “Escrever sobre assistir”.

Trago ao centro dois textos que penso representarem bem esses “exercícios de desbloqueio”. Porque a escrita é um subir de montanhas, é subir “o monte da resposta perdida” para tentar encontrar a si mesmo, a sua própria voz, única, intransferível. Insubstituível.

Dois sonhos se encontram no mês de Setembro anunciando o mês de Outubro de 2017. O Primo Premio Assoluto da Accademia Internazionale Il Convivio, Itália para a fábula lúdico-adulta A menina do olho verde, livro que, entre as primeiras pessoas a acreditarem, estavam Bernadete Bruto e Elba Lins.

E o I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco, Seminário no qual vários(as) outros(as) escritores(as) do Brasil e exterior acreditaram, mas que é fruto, flor e árvore da semente plantada lá no início, em agosto de 2016, no Grupo de Estudos em Escrita Criativa, e que com imensa alegria estarão lançando seus primeiros livros – Elba Lins & Do outro lado do espelho – O feminino em estado de poesia, Luisa Bérard & Nas montanhas do Marrocos –, e o primeiro livro infantil de Bernadete Bruto, A menina e a árvore.

Boa leitura!

 

Patricia Gonçalves Tenório

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Bernadete Bruto

bernadete.bruto@gmail.com

 

A PAIXÃO PELA ARTE OU A ARTE DA PAIXÃO?

                                                                                                          

Hoje assisti a dois filmes:  A Arte da Paixão (2013) e  Effie Gray: uma paixão reprimida (2014) e passo a comentar visando apenas a forma de fazer arte.

No primeiro, há duas formas de conceber arte. Uma, viver intensamente a arte, expressá-la, vivenciá-la, fluir com ela. Na liberdade, assim como da mesma forma amar. Algo parecido com que Vinícius diz sobre o amor: “Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito, enquanto dure.” A outra forma, sentir a vida, introjetá-la e extravasar na escrita. Como se o diário fosse uma espécie de confessionário.

O filme A Arte da Paixão (Summer in February) trouxe visões distintas sobre a arte e como fazê-la. Baseado no diário pessoal de Gilbert Evans, conta a história do triângulo amoroso entre o pintor Alfred Munnings, seu amigo Evans e sua esposa Florence Carter-Wood, também pintora. A história se desenrola na Cornualha numa cidade que agrega um grupo de artistas denominado Grupo Lammorna. Uma história real, que gerou um livro escrito por Jonathan Smith, foi transformada num roteiro muito interessante, e em outro tipo de arte. (Que beleza!)

De cara me identifiquei com A.J., assim denominado Alfred Munnings. Sua sede de viver e de expressar a arte. Talvez até porque, logo no início do filme ele recita o poema “O corvo”, poema que muito aprecio, que além da beleza da forma, a recitação é primorosa e o ator o faz de maneira magistral. Eu, aqui do sofá, fui arrebatada! Muito embora tenha uma paixão pela expressão poética, reconheço que outras formas da linguagem têm igual valor. Como também a forma que os artistas queiram vivenciar a sua arte. Acredito não haver receitas. Depende das escolhas com que mais nos identifiquemos. Inclusive, porque o que apreciei em A.J. como artista, não morri de amores pelo homem! Neste assunto, a sensibilidade de Gilbert me atrairia mais.

No caso de A.J., ele era feliz ali naquela comunidade de artistas conforme declarou em discurso, que apresentamos em seguida e que fez sintonia no meu coração:

 

Meus amigos. Minha família da Cornualha por assim dizer.

Que encara o mundo como eu, que capta o seu pulsar, que vê a luz do mar, a pelagem brilhante de um cavalo e o esplendor de uma beldade em um lindo dia.

 

Não conhecia o artista A.J. Munnings e gostei de ver suas pinturas e saber algo sobre ele, sobre Florence e em especial a tela da mulher sobre o cavalo, e não é que descobri várias telas de mulheres a cavalo?

Foi um filme muito agradável e apesar do final triste, em algum momento A.J. até confessa que o casamento e a sua forma de viver a arte não estavam fluindo bem: era tudo tão fácil! Beber, pintar, andar a cavalo. Mas isso, acaba comigo. Deste filme, escolhi ficar com o exemplo do companheirismo de Laura e Harold Knight que viveram com autencidade tanto na arte quanto na vida, e extraí essa mensagem: “amar só não basta. Certas artes são como o sacerdócio e compatibilidades é o que mais necessitamos.”

O segundo filme, Effie Gray: uma paixão reprimida, novamente o triângulo amoroso entre um crítico de arte e crítico social britânico John Ruskin, sua esposa Euphemia “Effie” Gray e o artista John Everett Millais, também outra adaptação da uma história real sobre a primeira mulher na Inglaterra que pediu divórcio.

Embora o filme comece com a famosa frase ERA UMA VEZ, nada indicava um conto de fadas e romance. Tive a impressão que a protagonista era a arte e não Effie. A arte estava em primeiro lugar na vida de Ruskin, que também foi poeta e desenhista e vivia no pedestal que ele foi colocado pelos pais e pela sociedade. Seu conceito de arte apresentado num evento durante o filme, já nos remete à sua forma de vivenciá-la:

 

Qual o propósito da arte? Idealizar? Sentimentalizar? O propóstio da arte é revelar a verdade. É revelar Deus.

 

Talvez por Effie ter sido em criança sua musa, para quem ele escreveu um livro, não pudesse tornar-se nem mulher, nem real para ele, na sua concepção neurótica.  Também encontrei no filme uma alusão de que o artista faria um livro escrevendo sobre a “maldade” de sua mulher, o que me deixou a meditar se ela não estaria sendo um experimento para aquele futuro livro. Ruskin me deixou a impressão de que certos artistas se dedicam tanto à sua arte, que não há espaço para nada mais na vida.

No caso em particular, o final não foi feliz para Ruskin que teve sua vida exposta à sociedade da época, todavia Effie casou com Millais e teve 8 filhos. Isso, descobri em pesquisa, como outros detalhes sórdidos sobre Ruskin e Effie, que não interessam para a nossa análise. Um filme muito romântico, apesar dos momentos de infelicidade, e com final feliz, a marca registrada dos roteiros de Emma Thompson, que participa deste filme, assim como de outros que ela produz, roteiriza, e que me agrada bastante.

Por fim, porque ambos os filmes abordam o assunto da arte, fica a pergunta inicial no título de como se manifestou a arte e a vida nessas produções.

 

Recife, 20 de Agosto de 2017.

 

 

Elba Lins

elbalins@gmail.com

 

 

Por ser de lá do Sertão, lá do Cerrado
Lá do interior do mato
Da Caatinga do roçado.
Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigos
Eu quase que não consigo
Ficar na cidade sem viver contrariado.(2)

Gilberto Gil e Dominguinhos

 

 

 

A leitura do conto “Lonesome Town”(1), de Luís Roberto Amabile, me emocionou. Quiçá porque, tratando-se de uma paisagem seca, do sertão, mais especificamente do Sertão do Pajeú, me fez lembrar do meu próprio lugar incrustado no Sertão do Cariri.

Assim, comecei a ler e me identificar com a paisagem, a entender os sonhos de tantos que abandonam por instantes o pensar seco, árido e vazio e ousam voar em devaneios poéticos. Penso no dono do Café e no seu sonho de uma grande competição onde as vozes de Caetano Veloso, Bom Jovi e Laura Pausine cantam a solidão e enaltecem o nome do lugar, colocando luz e colorido na monotonia vigente.

E a inusitada imagem da Greta Garbo de Solidão, me trouxe lágrimas aos olhos. “Greta Garbo! A maior estrela de cinema da sua época, a mais reclusa entre todas as celebridades que já existiram. Greta Garbo, a mulher mais bonita de todos os tempos, que escolheu a solidão…” (AMABILE, 71). Greta Garbo, havia escolhido Solidão.

E eu, talvez por ser uma amante da dança e saber que num átimo, num passo de dança,  maravilhas acontecem, sonhos se realizam e diferentes solidões se entrelaçam e deixam-se levar num redemoinho cósmico, sinta tão fortemente essa imagem. Depois daquela dança a vida em Solidão jamais voltou a ser a mesma para aquela velha dama em azul. Aquela que num momento ímpar se “fez bonita como há muito tempo não queria ousar (3)”. Depois daquela dança, Solidão, Greta Garbo, e até mesmo eu nunca mais fomos os mesmos!

 

(TAMBÉM  EXISTEM SONHOS NO CAFÉ SOLIDÃO

Após a leitura do conto “Lonesome Town” no livro O amor é  um lugar estranho, de Luís Roberto AmabileElba Lins  18.09.2017)

 

Referências

1 – “Lonesome Town” no livro O amor é  um lugar estranho – Luís Roberto Amabile

2 – “Lamento Sertanejo” – Gilberto Gil e Dominguinhos

3 – “Valsinha” – Chico Buarque

Índex* – Março, 2017

Foi às portas do

Inferno

E provou

O gosto árduo

De amar e

Não ser amada

*

Mesmo só

No infinito

Purgatório

Experimentou

Gotas de orvalho

Que desciam

Suavemente

Lá do

Céu

*

Avistou São Pedro

E suas chaves

Douradas

E os portões

Dourados

Que se abriam

De par em par

Como se para Beatriz

Fossem

Como se para Beatriz

Abrissem

Um sem fronteiras

De bênçãos

E felicidade

*

Pedro sorriu para Beatriz

Ele que negou

Três vezes

Ele que sofreu

Três vezes

O suplício de negar

A quem muito

Amava

*

Ele estendeu a mão

Ela se encolheu

Ele deu mais um passo

Ela compreendeu

Que o verdadeiro

Amor

É aquele que tudo

Com a consciência de talvez

Nunca

Receber nada em troca

(“Dante ao contrário”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 04/03/2017, 15h05)

O Amor sem receber nada em troca no Índex de Março, 2017 no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

A volta de um”A menina do olho verde” | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

Alfredo Pérez Alencart (Salamanca – Espanha) | Poemas.

Geórgia Alves (PE – Brasil) | “Reflexo dos Górgias”.

Grupo de Estudos em Escrita Criativa | Com Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PB/PE – Brasil).

Luís Augusto Cassas (MA – Brasil) | “A Poesia sou Eu”.

Marta Braier (Argentina) | Por Rolando Revagliatti (Argentina).

E os links do mês:

– O lançamento de “Não verás amanhã” (29/03/2017), de e no blog de Gustavo Melo Czekester (RS – Brasil): www.homemdespedacado.wordpress.com

– A fotografia de Tatiana Barroso de Oliveira (“Dona Mariana”) no Singular e Plural: www.singulareplural.wixsite.com

– A tradução e apresentação de Tiago Silva da escritora Namrata Poddar na Revista da UEPB: www.revista.uepb.edu.br/index.php/sociopoetica/article/view/3427/1873

Agradeço a participação e carinho, a próxima postagem será em 30 de Abril, 2017, grande abraço e até lá,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – March, 2017

 

She went to the doors of

Hell

And proved

The hard taste

Of loving and

Not being loved

*

Even alone

In the infinite

Purgatory

She tasted

Dew drops

That descended

Gently

There from

Heaven

*

She sighted St Peter

And his golden

Keys

And the golden

Gates

That opened

Wide

As for Beatriz

Were

As for Beatriz

Opened

One without borders

Of blessings

And happiness

*

Peter smiled at Beatriz

He who denied

Three times

He who suffered

Three times

The punishment of denying

Who he much

Loved

*

He held out his hand

She cringed

He took another step

She understood

That the true

Love

It’s the one which

One gives

With the consciousness of maybe

Never

Receive nothing in return

(“Dante to the contrary”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 04/03/2017, 15:05)

 

The Love without receiving anything in return in the Index of March, 2017 in the blog of Patricia (Gonçalves) Tenório.

The Return of a “The Green Eye Girl” | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

Alfredo Pérez Alencart (Salamanca – Spain) | Poems.

Georgia Alves (PE – Brasil) | “Reflection of the Gorgias”.

Study Group in Creative Writing | With Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PB/PE – Brasil).

Luís Augusto Cassas (MA – Brasil) | “Poetry is Me”.

Marta Braier (Argentina) | By Rolando Revagliatti (Argentina).

And the links of the month:

– The launch of “You will not see tomorrow” (03/29/2017), from and on the blog of Gustavo Melo Czekester (RS – Brasil): https://homemdespedacado.wordpress.com/

– The photo of Tatiana Barroso de Oliveira (“Dona Mariana”) in the Singular and Plural: http://singulareplural.wixsite.com

– The translation and presentation by Tiago Silva of the writer Namrata Poddar in the UEPB Magazine: http://revista.uepb.edu.br/index.php/sociopoetica/article/view/3427/1873

Thanks for the participation and affection, the next post will be on April 30, 2017, big hug and until then,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** A Crítica Genética de um Poema. The Genetic Critique of a Poem.

Grupo de Estudos em Escrita Criativa | Com Bernadete Bruto & Elba Lins

Março, 2017

 

A volta às aulas, das férias, vem sempre carregada de novidades doces e tenras, feito um fruto bom.

O Grupo de Estudos em Escrita Criativa passou pelo período de recesso, de entre-meio de estudos e escritas, e, das profundezas do que apreendemos juntas, trago à tona duas propostas.

A da escritora e poetisa Elba Lins (PB/PE – Brasil) tenta conciliar a Prosa e a Poesia, a Crítica com a Ficção: analisa o romance Acais, de Valquíria Lins, e da análise brotam poemas-personagens-símbolos-do-nordeste.

A da escritora e poetisa Bernadete Bruto (PE – Brasil) mergulha na Teoria da viagem, do filósofo francês Michel Onfray (1959), uma das tarefas que propus para o período de férias, e desse mergulho brotam poemas-peregrinos.

A segunda fase do Grupo de Estudos em Escrita Criativa pretende se aproximar – e em quem participa aplicar – as Teorias da Crítica Genética, ciência iniciada em 1966 com a doação dos manuscritos do poeta alemão Henri Heine (1797-1856) à Bibliothèque Nationale de Paris, ciência trazida ao Brasil pelo escritor, artista plástico, crítico literário francês, especializado em Gustave Flaubert, Pierre-Marc de Biasi (1950), e reverberada pela doutora em Linguística Aplicada e Estudos de Línguas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Cecília Almeida Salles.

Aproveito para convidar aqueles(as) que também desejarem fazer parte desse grupo. Enviem para patriciatenorio@uol.com.br um breve Curriculum Vitae com informações (além dos dados básicos):

– Qual o seu interesse em participar do Grupo de Estudos em Escrita Criativa?

– Qual a sua formação?

– Um ou dois textos em Poesia ou Ficção; um ou dois textos em Análise Literária ou Criativa.

Os encontros estão acontecendo uma vez por mês, em Recife – PE. Limite máximo de participantes: 5. Próximo encontro: 28 de abril de 2017.

Um abraço bem grande em todos e até a próxima postagem,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

 

 

Elba Lins: elbalins@gmail.com

 

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IMPRESSÕES SOBRE O LIVRO “ACAIS”, DE VALQUÍRIA LINS

 

Somete agora pude me dedicar à leitura de Acais com o tempo necessário para um mergulho na saga do seu avô Antônio Ferreira. A partir daí, a leitura seguiu num só fôlego e me encantei ao descobrir seus os personagens. Alguns que realmente devem ter existido na vida real com todas as nuances retratadas por você –  reais, fortes, com traços por vezes violentos e machistas, embora muitas vezes com atitudes de bondade. Outros tão bem inseridos na trama que ficamos a imaginar se realmente existiram e até que ponto são reais ou engendrados pela escritora (Maria Preta, Zefa Mestra, Olívia e a cigana Lolô). E ainda, entre tantos personagens desconhecidos, tive a grata surpresa de reencontrar nossa avó Estelita, que embora jovem e com o nome de Analice teve sua história fielmente retratada – casada com Mamede, separada, oito filhos, seu lado espiritual e mediúnico, tudo ficou claro na sua história. A partir da leitura fica a ânsia de querer saber mais sobre a narrativa; Tia Bia é filha de Antônio Ferreira com Olívia, a “Flor da Mata”? E Nice é filha de quem? Elpídio e João Maçã são reais ou ficção? E a enfermeira?

Seu texto é de quem conhece sobre o que está falando. E assim, você consegue retratar com imensa riqueza de detalhes o ambiente rural e o provinciano onde a história se desenvolve.

À medida que prossigo a leitura me sinto como retornando à infância, tão bem caracterizadas as descrições sobre os costumes das cidades do interior e das fazendas. Consigo me reportar e sentir o clima, as características, os fatos tão presentes na minha meninice; seja nas lembranças de minha própria cidade, seja nas recordações de passeios à fazenda do meu avô. A sua prosa com traços de poesia me remete ao passado à medida em que leio:

“…apertando a mulata que cheirava a extrato…, deixou-se lambuzar pela banha de porco que dela escorria pelos cabelos.”

“…lavadeiras …carregando trouxas sobre rodilhas na cabeça.”

O fogão queimava a queriam, e os abanos de palha espalhavam e atiçavam brasas esfumaçadas.”

Rapé, bonecas de milho, água fria na cabaça, capins, coroas de frade, flores e frutos, cantigas de Lapinha, Pastoreio, dente de ouro, vaqueiros com seus berrantes tocando a boiada, água da quartinha, flores cultivadas em latas, rolete de cana, fumo de rolo, varrer o terreiro, crianças nuas e de barriga inchada, mulheres rezadeiras.

Balinhas Gasosa – que só de lembrar do seu sabor, me vem água na boca.

A caracterização das várias etnias envolvidas na trama, suas religiões, festas e costumes é um resgate do Caldeirão de Raças, que somos nós brasileiros.

As suas personagens femininas de forte personalidade, são marcadores da diversidade de raças que formaram a nossa gente:

Maria Preta, “negra, corpo cheio de curvas, rosto não tão bonito, mas selvagem, viçoso e exótico.”

Zefa Mestra, ruiva, a menina dos cabelos fogo, e curvas delineadas.

Olívia, cabocla de beleza selvagem, com cabelos negros e lisos que vão até a cintura e com longa franja, que parece uma Índia.

Nem mesmo da raça cigana tão presente no nosso imaginário, você esqueceu. E através da “Cigana Lolô”,  traz à nossa lembrança o medo e o fascínio por aquelas mulheres e homens de vida errante que povoaram nossa infância com seus vestidos de cores fortes, muitas pulseiras e colares dourados, suas danças e músicas e que por dinheiro queriam  ler o futuro nas nossas mãos.

Na história das Juremas e seu significado mítico, descubro no seu livro o quão perto de nós, em Acais e Alhandra este ritual é/era praticado. E vejo a nossa mitologia nativa e fascinante, da qual já tomara conhecimento  através das Danças Circulares que trabalham com as mais diversas tradições. Em muitas delas – como é o caso do “Juremar”, das danças africanas ou mesmo na Mandala de Tara de teor budista –, o foco maior é o resgate do feminino em seus diversos aspectos. Nestas ocasiões tomamos conhecimento da riqueza imensa de nossas tradições nativas e daquelas vindas de fora como a africana, europeia; lembrando-nos que muito antes dos homens terem todo o controle sobre as mulheres, fato tão bem retratado no seu livro, existiu um tempo em que o matriarcado dominava e daí provem grande parte da riqueza da nossa história tão bem representada em algumas lendas.  Terminando de ler seu livro corro para explorar um pouco mais desta riqueza mítica no livro de Maria Lalla Cy – Juremar Yacy Uaruá, que adquirira no último encontro de danças do Juremar.  Logo de início encontro “…conhecemos muito pouco sobre as deidades formadoras de nossa identidade cultural. Cy é a grande mãe brasileira e como tal agrega todos os aspectos do feminino criativo e da natureza exuberante do matriarcado Pindorama. Até então, eu não sabia nada sobre um matriarcado primitivo aqui no Brasil”. Ela continua dizendo que “cabe a nós fazer com que essa Sabedoria não seja tratada como um conjunto de lendas (….) e sim como um saber vivo, que pode e deve ser atualizado(…). E, como somos frutos de miscigenação, desde sempre, mestres em alquimia cultural, aqui neste Juremar, celebramos a unidade na diversidade de todas as faces da Deusa, honrando a sabedoria de todos que caminharam sobre a terra!”. Seu livro Acais, portanto, chega até mim como parte deste resgate, de quem somos nós.

Finalmente me chamou atenção a perspicácia da autora em colocar o final do romance nas mãos de uma Zefa Mestra já desgastada pelo tempo com lapsos de memória o que deixa nas mãos do leitor a fantasia de decidir, de imaginar como teria sido na realidade o final da história.

Ao terminar a leitura, volto mais uma vez a relê-lo para melhor captar todos os detalhes e já fico na expectativa de novas histórias que certamente virão.

Parabéns, Valquíria!!!

Grande abraço,

Elba Lins

 

“De roupa vermelha,

Colares dourados,

Tu giras.

Na dança,

Na vida,

Ao redor de mim,

Tu giras.

Tu queres saber

Da minha vida.

Tu queres me dar

O teu amor…

Mas tu giras,

E queres dinheiro,

As minhas moedas,

Só para me dizer,

Olhando minhas mãos,

Que eu te desejo.

Tu giras,

Ao redor de mim

Tu giras,

Na minha cabeça

Que gira.

Tu danças pra mim,

Tu giras.

Sou louco por ti,

Que gira,

Que vem até mim

E na dança do amor,

Giramos.”

 

 

(“Cigana – À Cigana Lolô”. Elba Lins – 19/12/2016. Após leitura de Acais, de Valquiria Lins)

 

 

“Tu és pura filha,

Da terra selvagem

De nome Brasil

De Pindorama

Fruto primitivo

Que chega até mim.

Vem, em visão sublime

Nos vapores da cacheira

És minha Vênus,

Afrodite nascendo

Das espumas sutis.

Em ti, vejo riquezas

Ainda escondidas

Dos olhos dos brancos

Teu cabelo negro

Minha noite sem fim

Teu corpo suave

Matriz geradora

Que vem até mim.”

 

 

(“Índia – À Cabocla Olívia, A Flor da Mata”. Elba Lins – 18/12/2016. Após leitura de Acais, de Valquíria Lins)

 

“Negra te vejo de longe

E eu do lado de cá

Miro teu sorriso branco

Um farol a me guiar.

 

Teu corpo preto retinto

Tuas ancas a balançar

Me sinto num tombadilho

Vendo o balanço do mar.

 

Tua dança quando olho

Já me faz aproximar

Tambores que me enlouquecem

Em transe pareço entrar.”

 

(“Negra – À Maria Preta”. Elba Lins – 06/12/2016. Após leitura de Acais, de Valquiria Lins)

 

“Enquanto danças

Teu cabelo de fogo

Rodopia em chamas

Fogueira que brilha

Faíscas que me atiçam

Que chegam até mim.

 

Não resisto ao teu chamado

E encosto em teus cabelos.

Que caem em rubras cascatas

Que queimam meu corpo inteiro.

 

Já sinto meu sexo em brasa

Que aflito espera o teu

Incêndio descontrolado

Teu fogo agora sou eu.”

 

(“Ruiva –  À Zefa Mestra,  A Cabelo de fogo”. Elba Lins – 06.12.2016. Após leitura de Acais, de Valquíria Lins)

 

 

 

Bernadete Bruto: bernadete.bruto@gmail.com

 

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Teoria da Viagem e o Caminho da Poesia

 

           

Todos os viajantes, escritores da viagem,

artistas do nomadismo, experimentam essa

evidência, pois todos iluminados, como

incendiados, incandescentes. (Michel Onfray)

Muito interessante a leitura do livro Teoria da Viagem: poética da geografia, pois pude constatar que existe uma dinâmica no processo de viagem, antes nunca pensada e que pude identificar essa ordem descrita, comparando com a minha produção anterior e posterior à viagem que realizei no período de 7 de fevereiro à 8 de março, como dever de casa do Grupo de Estudo em Escrita Criativa.

Ainda que a produção tenha ocorrido dentro do livre arbítrio, consegui enquadrar o escrito dentro da teoria. Achei bem mais proveitoso ter escrito livremente e só depois comparar com a teoria. Acredito que este método foi benéfico para minha criatividade, considerando que a escrita fluiu com base no sentimento, liberta de ideias pré-concebidas, assim acredito.

Antes da viagem, escrevo sobre o lugar em que vivo minha condição errante dentro da cidade, o gosto pelo movimento mesmo estando em casa como observamos nessa poesia anterior à partida:

 

Areias/Recife, 25 de Janeiro de 2017.

 

Mesmo caminho

 

O caminho é o mesmo

mas o olhar

modificou-se com o tempo

enxerga

a transitoriedade

daquela beleza

se encanta

e aprecia

Cotidianamente.

 

Nesta observação do caminho, a poetisa reflete o que Onfray explica com relação ao tempo: Quando põe o pé na estrada, ele obedece a uma força que, surgida do ventre e do âmago do inconsciente, lança-o no caminho, dando-lhe impulso e abrindo-lhe o mundo como um fruto caro, exótico e raro. (Pg. 15)

Apesar de certa resistência à mudança, que a própria viagem requer, já existe a consciência da condição do futuro movimento, o gérmen da viagem, que Onfray afirma estar enraizado na Gênese da errância: a maldição; genealogia da eterna viagem: a expiação – donde a anterioridade de uma falta sempre grudada no indivíduo. (Pgs. 11 e 12)

 

BR-101/Recife, 30 de janeiro de 2017

 

Citadina

 

Não quero uma casa no campo

pra lá

somente a passeio

nem quero uma casa na praia

naquele lugar

ainda passo um veraneio.

Quero permanecer na cidade

como esta velha árvore

fincada

não quero ser transplantada!

Gosto dessa mistura

de toda loucura

das grandes cidades.

 

Também, de outro modo, já se pode notar que acontece nas poesias escritas em vésperas da viagem, o que Onfray aponta:  A ausência de casa, de terra, de chão, supõe, a montante, um gesto deslocado, um sofrimento causado por Deus. (Pg. 12) Pois como ele afirma: Viajar solicita uma abertura passiva e generosa a emoções que advêm de um lugar a ser tomado em sua brutalidade primitiva. (Pg. 59)

 

Areias/ Recife, 30 de janeiro de 2017

 

Saudades do Sol

 

Já sinto saudades do sol

calor que me fortalece

luz iluminando minha vida

viajo do interno para o externo

nessas voltas ao redor do sol

já penso no retorno

meu corpo bronzeando

abandonando o cachecol

 

Rua Afonso Celso/ Recife, 7 de Fevereiro de 2017

 

Mulher Repartida

 

Dividida sempre

entre o inverno e o verão

entre o frio e quente

passado e presente

um coração se reparte

encontrando o bom

em cada parte

 

Entretanto como a viagem estava certa, para o local onde reside meu filho, nora e neta e com uma missão definida, não podendo escolher, o tempo, nem o momento para viajar. Fiquei sujeita àquilo que Onfray indica: o determinismo genealógico se impõe. Não escolhemos os lugares de predileção, somos requisitados por eles. (Pg. 20, grifo nosso).

Durante a viagem, no período que Onfray denomina de entremeio, observamos haver muito de experiência sensorial, como ele diz: No entremeio, quando os referenciais de civilização desaparecem, o corpo tende a reencontrar seus movimentos naturais e obedece mais ardentemente à soberania dos ritmos biológicos. (Pg. 38) Talvez por isso, por estar em um movimento diferente do que costumo ter no meu país, a poesia daquele período adquiriu este ritmo:

 

Vancouver, 15 de fevereiro de 2017

 

Impassível mente

 

Acompanha esta árvore

Ao teu lado

Oh, alma!

Impassível

No inverno

No verão

Árvore que deixa acontecer

Como deve a alma ser

Na chuva

Na neve

Perante cada estação

De inverno a verão

Impassível mente

 

Tempo ZEN

 

Tudo aqui

À distancia

É calma

É silencio

E a vida passa

Devagar

Sem pressa

A toda hora

Aqui e agora.

 

Com relação ao movimento de retorno da viagem, Onfray nos apresenta que há um outro entremeio: depois do tempo ascendente do desejo, depois do tempo excitante do acontecimento, chega o momento descendente de retorno. (Pg. 85) Nessa linha, encontro as poesias escritas sobre saudade:

 

Vancouver, 4 de Março de 2017

 

Saudades Canadense ano 3

 

Toda vez

Naquela hora

Na despedida

Acontece

Sem medida

A alma se abre em duas

A desaguar

sem cerimônia

Toda saudade

 

(Em 8 de Março de 2017)

 

Alma Repartida

 

Dia da partida

Coração aberto

Lágrimas nos olhos

A saudade inundando

Toda uma vida…

 

Como observa Onfray e consigo identificar nas poesias escritas durante a viagem: Não nos separamos do nosso ser, que nos habita e acompanha à maneira de uma sombra. Nas viagens, esse ser quer e vê, ordena e decide. (Pgs. 63 e 64)

Assim, depois dessa exposição maciça ao estrangeiro, pudemos constatar o que Onfray pressagia: Na fadiga do retorno preparam-se as sínteses por vir. (Pg. 91) O que me faz buscar nas minhas anotações, algum tempo após a viagem, a seguinte poesia:

 

Monteiro/Recife, 16 de Março de 2017.

 

No Campo

 

Aquela que vê

(e também lê)

Não é a mesma

depende

do tempo

do olhar

desse movimento

sempre

menos da mente

mais do que sente

 

Essa mesma poesia corrobora a observação de Onfray de que o nômade-artista sabe e vê como visionário, compreende e capta sem explicações, por impulso natural. (Pg. 61)

Por tudo isso, chegamos à conclusão que o caminho a seguir pelo escritor/poeta deve ser muito mais intuitivo e livre, cabendo à teoria oferecer um embasamento necessário, enriquecendo seu trabalho, sem embotar o processo criativo. Portanto, da mesma forma que existe uma Teoria da Viagem, também há o Caminho da Poesia. Este é percorrido nas profundezas do ser, produzindo o que há de mais puro, acredito, quando em sintonia com a música de seu coração:

 

Caminhando pelo Mundo (*)

 

Não vos digo

Que tudo que falo

Eu sigo…

Apenas garanto

Pelos sons das palavras pratico

Persigo a razão

Para qual existo

E acredito

Por isso mesmo

Insisto

Persisto

E prossigo.

 

Bernadete Bruto

 

Recife, 22 de Março de 2017.

 

* Poesia retirada do livro: Querido Diário Peregrino, de Bernadete Bruto, pg. 126.

** Foto da Viagem ao Canadá Fevereiro em 7  de fevereiro de 2017.

 

 

 

 

 

 

Índex* – Fevereiro, 2017

Cercada

Por animais

Eu me acordo em

Fevereiro

*

Lembro

Da menina de óculos

E meias

Até os joelhos

No primeiro

Dia de aula

*

Ela me diz

Algum segredo

Em voz baixa

Eu presto

Atenção

Para captá-lo

No ar

Para sorver

Na ponta

Dos dedos

O que fui

Outrora

Moldar em

Barro

E transmutar

Em personagem

*

Já fui

Princesa

Sacerdotiza

E jornalista

Agora sou

Uma simples

Escritora

A catar

Conchinhas de palavras

No mar aberto

De Maracaípe

(“Álbum de família”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 01/02/17, 06h02)

A Imaginação se irmana com a Prosa e a Poesia, Crítica e Ficção, Vida e Arte no Índex de Fevereiro, 2017, no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

“A louca da casa”, de Rosa Montero: Possíveis Escritas Criativas | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil) com Fernando de Mendonça (SP/PE – Brasil), Erasmo de Roterdam (Holanda), Ariano Suassuna (PB/PE – Brasil) e Cecília Almeida Salles (SP – Brasil).

Anco Márcio Tenório Vieira (PE – Brasil) | O vagão rosa.

Diego Mendes Souza (PI – Brasil) | Tinteiros rilkeanos.

Elba Lins (PB/PE – Brasil) | Impressões sobre o livro “O amante”, de Marguerite Duras.

Isabelle Macor (França) | “Lecteur d’emprentes digitales”/”Czytinik linii papilarnych”, Ewa Lipska (Polônia).

Jacques Rimbeboim (PE – Brasil) | Homenagem a Guita Charifker (PE – Brasil) com Abelardo da Hora (PE – Brasil).

Luiz Ruffato (MG/SP – Brasil) | “Redemoinho” & “Inferno Provisório”.

Marly Mota (PE – Brasil) | Homenagem a Luzilá Gonçalves (PE – Brasil) com Lourival Holanda (PE – Brasil).

Poeta de Meia-Tigela (CE – Brasil) | “acidade” digital.

Agradeço o carinho e participação, a próxima postagem será em 26 de Março, 2017, grande abraço e até lá,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – February, 2017

Surrounded

By animals

I wake up at

February

*

I remember

The girl with glasses

And socks

Up to the knees

In the first

Class day

*

She tells me

Some secret

In a low voice

I pay

Attention

To capture it

Up in the air

To drink

At the tip

Of the fingers

What I was

Once

Mold in

Clay

And transmute

In character

*

I was already

Princess

Priestess

And a journalist

Now I am

A simple

Writer

Picking up

Little shells of words

On the open sea

Of Maracaípe

(“Family Album”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 02/01/17, 06h02)

 

Imagination joins with Prose and Poetry, Criticism and Fiction, Life and Art in the Index of February, 2017, in the blog of Patricia (Gonçalves) Tenório.

“The madwoman of the house”, by Rosa Montero: Possible Creative Writing | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil) with Fernando de Mendonça (SP/PE – Brasil), Erasmus of Rotterdam (Netherlands), Ariano Suassuna (PB/PE – Brasil) and Cecília Almeida Salles (SP – Brasil).

Anco Márcio Tenório Vieira (PE – Brasil) | The pink wagon.

Diego Mendes Souza (PI – Brasil) | Rilkean ink cartridges.

Elba Lins (PB/PE – Brazil) | Impressions on the book “The Lover”, by Marguerite Duras.

Isabelle Macor (France) | “Lecteur d’emprentes digitales”/”Czytinik linii papilarnych”, Ewa Lipska (Poland).

Jacques Rimbeboim (PE – Brasil) | Homage to Guita Charifker (PE – Brasil) with Abelardo da Hora (PE – Brasil).

Luiz Ruffato (MG/SP – Brasil) | “Swirl” & “Provisional Hell”.

Marly Mota (PE – Brasil) | Homage to Luzilá Gonçalves (PE – Brasil) with Lourival Holanda (PE – Brasil).

Poet of Half-Bowl (CE – Brasil) | Digital “acidade”.

 

Thank you for the affection and participation, the next post will be on March 26, 2017, big hug and until then,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** A Imaginação Livre no Mar Aberto de Maracaípe, PE – Brasil. The Free Imagination in the Open Sea of Maracaípe, PE – Brasil.

Luiz Ruffato | “Redemoinho” & “Inferno Provisório”

From: luizruffato@uol.com.br [mailto:luizruffato@uol.com.br]
Sent: domingo, 5 de fevereiro de 2017 11:30
To: undisclosed-recipients:
Subject: Redemoinho

 

Na próxima quinta-feira, dia 9, estreia Redemoinho, primeiro longa-metragem do diretor José Luiz Villamarin. O filme, baseado em algumas histórias do meu romance Inferno provisório, tem roteiro de George Moura e, no elenco, conta com Irandhir Santos, Julio Andrade, Cássia Kis e Dira Paes.

Aqui, o trailer:

https://www.youtube.com/watch?v=34tRec6MnPU

E aqui a sinopse do livro (que está com nova edição “revista, reescrita, reestruturada” e “definitiva)”:

http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=87034

Abraços do

Luiz Ruffato

Toda quarta-feira, coluna na edição Brasil do jornal El País:
http://brasil.elpais.com/autor/luiz_fernando_ruffato_de_souza/a/

Poeta de Meia-Tigela | “acidade” digital

From: poeta de meia tigela [mailto:poetademeiatigela@yahoo.com.br]
Sent: domingo, 5 de fevereiro de 2017 19:16
To: O. Poeta de Meia-Tigela <opoetademeiatigela@gmail.com>
Subject: acidade digital

 

PMT

 

Cidadã(o)s.

Versão digital do livro “acidade”, 

parceria de verdade

com o poeta Carlos Nóbrega.

Para conferir

clicar aqui

 

https://issuu.com/opoetademeia-tigela/docs/acidade._carlos_n__brega_e_o_poeta_

 

Também

o ensaio de Dércio Braúna

nosso confrade

“Dizer-ver/a/cidade” 

 

https://issuu.com/opoetademeia-tigela/docs/d__rcio_bra__na._dizer-ver_a_cidade

 

Quem ainda não tiver

e quiser

o livro impresso

é só avisar

(a entrega é sem custos

e sem sustos:

sucesso)

 

abraços tigelíricos

do Poeta dmt

 

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Digamos que um dia

Eu queira e me cale

Tudo que eu não fale

Será Poesia

 

O Poeta de Meia-Tigela

 

Índex* – Maio, 2016

Que sabor tem um Beijo? Para ele? Para ela? Tem o gosto de encontro, encontro assim meio de lado, a cabeça de Manoela deitada de lado para receber o Beijo de Pedro. Era feito um aconchego, aquela cabeça deitada, no ombro de seu amado. O Beijo, assim torto parecia. Mas não era torto, era místico e ali se fazia um santuário.

            Naquele instante celestial, um Raio de Sol tocou a Cabeça de Manoela. A Cabeça da menina permanecendo deitada, pendendo assim para o lado, era mais fácil o Raio de Sol a tocar e se inserir no pensamento. Houve então uma Epifania. Todos os momentos vividos, o antes, o agora, o depois explodiram em Manoela, como se fossem um instante só. E a menina-mulher podia no corpo de Pedro entrar, no corpo do homem-menino penetrar, feito o ar em seus pulmões.

(Trecho de A menina do olho verde, de Patricia (Gonçalves) Tenório)

 

O Amor em cada instante do Índex de Maio, 2016 no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

Lembrete da Editora Raio de Sol, Livraria Cultura & Patricia (Gonçalves) Tenório (Recife, PE – Brasil) | lançamentos dos livros físico e virtual “A menina do olho verde”.

Entrevista e Crítica de Raúl Galache García (Madri, Espanha) | “Vinte e um” / “Veintiuno”, de Patricia (Gonçalves) Tenório).

Amor Amor | Alcides Buss (SC – Brasil).

A vaidade de Pedro | Clauder Arcanjo (Mossoró, RN – Brasil).

Pérolas em “Amor e outros desastres” | Alexandra Lopes da Cunha (Brasília, DF / Porto Alegre, RS – Brasil).

Convite de Antonio Aílton (São Luís, MA – Brasil) | “Compulsão agricode”.

Agradeço a participação e o carinho, a próxima postagem será em 26 de Junho de 2016, um abraço bem grande e até lá.

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – May, 2016

What flavor has a kiss? For him? For her? It has the taste of meeting, meeting so sideways, the head of Manoela lying on her side to receive the kiss of Peter. It was like a warmth, that lying head, on the shoulder of his beloved. The Kiss, so crooked it looked. But it was not crooked, it was mystical and there was made a sanctuary.

That heavenly moment a Sunbeam touched Manoela’s head. The girl’s head remained lying, and hanging to the side, it was easier the Sunbeam to touch her and insert in her thought. Then there was an epiphany. All moments lived, before, now, after burst into Manoela, like an only moment. And the girl-woman could enter in the body of Peter, in the man-boy’s body penetrate, like the air in his lungs.

(Excerpt from “The girl’s green eye”, Patricia (Gonçalves) Tenório)

Love in every moment of the Index of May, 2016 in Patricia (Gonçalves) Tenório’s blog.

Reminder from Raio de Sol Publisher, Livraria Cultura & Patricia (Gonçalves) Tenório (Recife, PE – Brasil) | launching of the physical and virtual books “The girl’s green eye”.

Interview and Critic from Raúl Galache García (Madrid, Spain) | “Twenty-one” / “Veintiuno,” Patricia (Gonçalves) Tenório).

Love Love | Alcides Buss (SC – Brasil).

Vanity Peter | Clauder Arcanjo (Mossoro, RN – Brasil).

Pearls in “Love and other disasters” | Alexandra Lopes da Cunha (Brasília, DF – Brasil / Porto Alegre, RS – Brasil).

Invitation Antonio Ailton (São Luis, MA – Brasil) | “Compulsion agricode”.

I appreciate the participation and kindness, the next post will be on June 26, 2016, a big hug and see you there.

Patricia (Gonçalves) Tenorio.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** O nascimento de um”A menina”… Fotos: Jaíne Cintra (Moreno, PE – Brasil). The birth of  “A girl”… Photos: Jaíne Cintra (Moreno, PE – Brasil).

Lembrete Editora Raio de Sol, Livraria Cultura & Patricia (Gonçalves) Tenório | lançamentos dos livros físico e virtual “A menina do olho verde” em Recife, PE e Porto Alegre, RS

Convite A menina do olho verde - Patricia (Gonçalves) Tenório

 

“Este livro pode ser lido

Como se fosse um filme de 90 minutos,

Como se fosse uma fábula lúdico-adulta,

Como se fosse você que entrasse na pele de

Manoela, Letícia, Pedro, Jonatas,

Professora Mariana, o Prefeito José,

E investigasse que lugar lhe pertence no mundo:

Um lugar do olho preto,

Ou um lugar do olho verde?”

 

Lançamentos dos livros físico e virtual “A menina do olho verde”, de Patricia (Gonçalves) Tenório

BookTrailer:

Ilustrações: DS Tenório

Design e Vídeo: Jaíne Cintra

Narração e Música: Karla Linck

 

Maiores informações: www.patriciatenorio.com.br

 

Evento Recife:

http://www.livrariacultura.com.br/loja/livraria-cultura-shopping-riomar-2100015/evento/lancamento-do-livro-a-menina-do-olho-verde-com-patricia-goncalves-tenorio-6007508

 

Evento Porto Alegre:

http://www.livrariacultura.com.br/loja/livraria-cultura-bourbon-shopping-country-2100008/evento/lancamento-do-livro-a-menina-do-olho-verde-6007415