Posts com Artes Plásticas

Poemas de Viagem | Patricia Gonçalves Tenório*

Desenho Lisboa

Em palavras

E as palavras

Insistem para

Ficarem sós

 

Sós com a 

Cidade

Sós com

Os aromas

Os sabores

O frescor da

Rosa

Em pleno 

Outono

 

Passa o tempo

E eu não 

Consigo

Deixar de me

Espantar

Com Lisboa

E seus casarios

E suas incertezas

Nas ladeiras

Nos azulejos 

No canto de um fado 

 

A praça da Alfândega 

O Chiado

Cidade Baixa

Fundação Gulbenkian

E tudo me encanta

E tudo parece novo

Outra vez

 

Assim como

Um poema 

De Pessoa

Que tu soletraste

Hoje no meu ouvido

 

(“Lisboa, meu amor”, Patricia Gonçalves Tenório, 26/10/2017, 17h15)

 

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Hoje 

Vi Keats

E Wilde

No mesmo 

Lugar

Ao mesmo

Tempo

Em um apartamento 

Da Piazza di Spagna

Número 126

 

222 anos

Keats faria ontem

Se vivo fosse

E 163 em 16 de outubro

O seu fiel

Seguidor

 

Enquanto eu

Aqui

Na Trinitá del Monti

Vejo o sol

Se por

Nas colinas

De Roma

 

(“Ode aos meus poetas mortos”, Patricia Gonçalves Tenório, 01/11/2017, 17h16)

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Patricia Gonçalves Tenório (Recife/PE, 1969) escreve prosa e poesia desde 2004. Tem onze livros publicados, com premiações no Brasil e no exterior, entre elas, Melhor Romance Estrangeiro por As joaninhas não mentem (em Outubro, 2008) e Primo Premio Assoluto por A menina do olho verde (em Outubro, 2017), ambos pela Accademia Internazionale Il Convivio, Itália, e Prêmio Marly Mota (2013) da União Brasileira dos Escritores – RJ pelo conjunto da obra. Defendeu em 17 de setembro de 2015 a dissertação de mestrado em Teoria da Literatura pela Universidade Federal de Pernambuco, linha de pesquisa Intersemiose, “O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural”, sob a orientação da prof. dra. Maria do Carmo de Siqueira Nino. Doutoranda em Escrita Criativa (2017.1) no Programa de Pós-Graduação em Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), sob a orientação do prof. dr. Luiz Antonio de Assis Brasil. Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e www.patriciatenorio.com.br

 

Índex* – Outubro, 2017

No pensamento 

O tempo sempre foi

Luta

Resistência 

 

Na imagem

De um menino 

Que foi um dia

Semente

Broto

Cápsula 

 

Aparece

Diante de mim

Formado

Amalgamado em

Corpo e alma

Com um sonho

Que tive um dia

Insistente

Persistente

 

Até

Nascer em mim

O pensamento 

Que lutou um dia

Que resistiu um dia

E se transformou

Em poesia

(“O pensamento luta”, Patricia Gonçalves Tenório, 05/10/2017, 05h01)

 

O sonho insiste e persiste no Índex de Outubro, 2017 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

A Cidade Universitária em “A menina do olho verde” | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco | Diversos.

“Sobre a escrita criativa” em Porto Alegre | Organização: Patricia Gonçalves Tenório. Prefácio: Luiz Antonio de Assis Brasil (RS – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Outubro, 2017 | Diversos.

E o link do mês: Paulo Caldas (PE – Brasil) fala sobre A menina do olho verde no http://revista.algomais.com/noticias/a-menina-do-olho-verde-vence-na-italia-por-paulo-caldas.

Agradecemos a participação e carinho.

Excepcionalmente, antecipamos a postagem para hoje. A próxima postagem será em 26 de Novembro, 2017.

Um grande abraço e até lá!

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Index* – October, 2017

 

In thought

The time has always been

Fight

Resistance

 

In the image

Of a boy

Who was one day

Seed

Bud

Capsule

 

Pops up

Before me

Formed

Amalgamated in

Body and soul

With a dream

I had one day

Insistent

Persistent

 

Up until

Born in me

The thought

Who fought one day

Who endured one day

And became

Poetry

(“The thought of struggle”, Patricia Gonçalves Tenório, 05/10/2017, 05:01)

 

The dream insists and persists in the Index of October, 2017 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

The University City in “The Green Eye Girl” | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

I National Seminar in Creative Writing in Pernambuco | Miscellaneous.

“About creative writing” in Porto Alegre | Organization: Patricia Gonçalves Tenório. Preface: Luiz Antonio de Assis Brazil (RS – Brasil).

Study Group on Creative Writing – October, 2017 | Miscellaneous.

And the link of the month: Paulo Caldas (PE – Brasil) talks about The girl with the green eye in the http://revista.algomais.com/noticias/a-menina-do-olho-verde-vence-na-italia-por-paulo-caldas.

We appreciate your participation and affection.

Exceptionally, we’ve anticipated the post for today. The next post will be on November 26, 2017.

A big hug and until then!

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** A insistência e a persistência de um sonho no I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco. The insistence and persistence of a dream in the First National Seminar in Creative Writing in Pernambuco.

“A Cidade Universitária”* em “A menina do olho verde” | Patricia Gonçalves Tenório***

A CIDADE UNIVERSITÁRIA*

 

Foram derrubados os muros da cidade, o Muro Alto não existia mais. Plantaram jardins conjuntos, escreveram livros para uns aos outros ler. Era bom aquele começo, com a esperança no coração. Inventaram para o Barulho Extremo músicas dessas para relaxar. Ouviam baixinho antes, durante e após as refeições. Conseguiam fazer suas tarefas mais difíceis, das que precisam de uma concentração profunda, usando aquelas músicas que aquietavam.

O filho do prefeito, era João o seu nome, inventou uma outra ferramenta para ao Barulho abafar. Era o Riso, ele dizia, que se mal não faz, bem então fará. No princípio, todos riam assim forçados, todos riam desanimados só para agradar ao menino. Mas depois descobriram que rir era mais fácil que imaginavam e rir fazia imaginar. Imaginavam dias luminosos, coloridos, as árvores cheias de folhas, as abelhas retornando às colmeias, o néctar de flor em flor.

E foram aos poucos e persistentes, exercitando aquele Riso, e transformando o pensamento em positivo cada vez mais. Se reuniam na pracinha da cidade, debaixo da sombra do Carvalho, e riam uns dos outros, de si mesmos e dos animais, que passeavam livremente, meio espantados no começo, por verem aquele sorriso contínuo. Sentiam-se ridículos, é verdade, os habitantes da cidade. Mas sentiam-se jovens, intrépidos, relaxados, e brincavam uns com os outros, e faziam cócegas uns nos outros para o Riso fomentar.

Voltavam para casa cansados, o rosto vermelho, os olhos brilhantes. E nem mesmo na hora da refeição, conseguiam parar o Riso – ele já contagiava. A cidade era assim transformada, de uma cidade comum que vivia nas cinzas, no Barulho Extremo, em uma Cidade Universitária.

As disciplinas estudadas pelas crianças na Escola, levadas em tarefas para casa eram multidisciplinares. Sabiam entre si estudar das mais fáceis às mais difíceis, e retornavam às mais fáceis para melhor aprender. Os adultos começaram a sentir necessidade em retornar aos estudos, para aos filhos ajudar, para aos filhos fazer admirar, do menorzinho ao mais velho.

Mas professora Mariana alertou que não era esse o caminho. Que não deveriam estudar somente para aos outros agradar. Precisavam encontrar um propósito, um propósito original, um sentido essencial, que agradasse a si próprio em primeiro lugar. Para então, aos pouquinhos, às crianças ajudar, aos seus filhos ensinar com o Aprendizado pelo Afeto.

Era o Aprendizado mais eficiente, aquele que perpassa o Tempo, transpõe Espaços e quem recebe carrega para a vida inteira. Ninguém do aluno ou da aluna pode retirar. Quando se entrega um Ensinamento coberto de Carinho, esse Carinho se entranha no Ensinamento, se entranha em quem recebe para nunca mais acabar. A Memória permanece fiel ao Ensinamento, pois com o Afeto se tornaram irmãos. Irmãos gêmeos, siameses, e espelham um no outro o que o Carinho envolveu, o que o Afeto transmutou em ondas de Aprendizado perpétuo.

 

La Città Universitaria**

Furono rubate le mura della città, il Muro Alto non esisteva più. Piantarono giardini comunicanti, scrissero libri per leggerli gli uni agli altri. Era buono quell’inizio, con la speranza nel cuore. Inventarono per il Frastuono Estremo musiche, di quelle che rilassano. Le ascoltavano piano all’inizio, prima e dopo i pasti. Riuscirono a svolgere i compiti più difficili, quelli che avevano bisogno di una concentrazione profonda, usando quelle musiche che quietavano.

Il figlio del sindaco, il suo nome era João, inventò un altro strumento per placare il Frastuono. Era il Riso, diceva, che se non faceva male, allora avrebbe fatto bene. All’inizio tutti ridevano forzatamente, tutti ridevano tristi, solo per far piacere al ragazzo. Ma poi scoprirono che ridere era più facile di quel che immaginavano e ridere faceva immaginare. Immaginavano giorni luminosi, colorati, alberi pieni di foglie, api che ritornavano agli alveari, nettari di fiore in fiore.

E a poco a poco, persistevano nel praticare quel Riso, trasformando il pensiero in positivo, ogni volta un po’ di più. Si riunivano nella piazzetta della città, sotto l’ombra della Quercia, e ridevano gli uni degli altri, di loro stessi e degli animali, che passeggiavano liberamente, un po’ spaventati all’inizio, nel vedere quel sorriso continuo. Si sentivano ridicoli, è vero, gli abitanti della città. Ma si sentivano giovani, intrepidi, rilassati, e scherzavano gli uni con gli altri, e si facevano il solletico gli uni con gli altri per fomentare il Riso.

Tornavano a casa stanchi, il viso rosso, gli occhi brillanti. Nemmeno all’ora del pasto riuscivano a fermare il Riso – che subito li contagiava. La città così era trasformata da una città comune, che viveva sulle sue ceneri, nel Frastuono Estremo, in una Città Universitaria.

Le materie studiate dai bambini della Scuola, i compiti a casa, erano multidisciplinari. Sapevano studiare per conto loro le cose più facili e quelle più difficili, poi ritornavano a quelle più facili per impararle meglio. Gli adulti cominciavano a sentire il bisogno di riprendere gli studi, per aiutare i figli, per farsi ammirare dai figli, dal più piccino al più grande.

Ma la maestra Mariana avvisò che non era questa la strada. Che non avrebbero dovuto studiare solo per far piacere agli altri. Dovevano avere uno scopo, un proposito originale, un senso essenziale, che facesse piacere a se stessi in primo luogo. Per poi, a poco a poco, aiutare i bambini, insegnare ai propri figli l’Apprendimento dell’Affetto.

Era l’Apprendimento più efficiente, quello che trapassa il Tempo, trascende lo Spazio, e che chi riceve, porta con sé per tutta la vita. Nessuno lo potrà togliere dall’alunno o dall’alunna. Quando si dà un insegnamento pieno d’Affetto, questo Affetto si introietta nell’Insegnamento, si introietta in chi lo riceve per non distaccarsene più. La Memoria rimane fedele all’Insegnamento, perché  si è affratellato con l’Affetto, è diventato un Fratello Gemello, siamese, così che si rispecchiano uno nell’altro come ciò che il Sentimento ha legato, ciò che l’Affetto ha trasformato in onda di Apprendimento perpetuo.

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Capítulo de A menina do olho verde. Patricia Gonçalves Tenório. Recife, PE: Raio de Sol, 2016. Primo Premio Assoluto – Libro edito in portoghese – Accademia Internazionale Il Convivio, Outubro, 2017.

** Capitolo de La bambina dagli occhi verdi. Patricia Gonçalves Tenório. Traduzione: Alfredo Tagliavia. Milano, Italia: IPOC, 2016.

*** Patricia Gonçalves Tenório (Recife/PE, 1969) escreve prosa e poesia desde 2004. Tem onze livros publicados, com premiações no Brasil e no exterior, entre elas, Melhor Romance Estrangeiro por As joaninhas não mentem (em Outubro, 2008) e Primo Premio Assoluto por A menina do olho verde (em Outubro, 2017), ambos pela Accademia Internazionale Il Convivio, Itália, e Prêmio Marly Mota (2013) da União Brasileira dos Escritores – RJ pelo conjunto da obra. Defendeu em 17 de setembro de 2015 a dissertação de mestrado em Teoria da Literatura pela Universidade Federal de Pernambuco, linha de pesquisa Intersemiose, “O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural”, sob a orientação da prof. dra. Maria do Carmo de Siqueira Nino. Doutoranda em Escrita Criativa (2017.1) no Programa de Pós-Graduação em Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), sob a orientação do prof. dr. Luiz Antonio de Assis Brasil. Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e www.patriciatenorio.com.br

**** Possível ilustração de DS Tenório para A menina do olho verde.

 

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Outubro, 2017

I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco

XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco

14/10/2017 – 10h00 – 13h00

 

No segundo dia do I Seminário Nacional em Escrita Criativa inserido na XI Bienal Internacional dos Livros de Pernambuco começamos nos apresentando e o porquê da busca pela Escrita Criativa em nossas vidas. As participantes do Grupo de Estudos em Escrita Criativa se apresentaram e convidaram as demais pessoas presentes a também se apresentarem.

Começamos abrindo o olhar com o Modos de ver, do romancista, crítico de arte, pintor inglês, nascido em Londres, John Berger (1926-2017).

“Ver precede as palavras. A criança olha e reconhece, antes mesmo de poder falar” (BERGER, 1999, p. 9).

Falamos um pouco do pintor belga, nascido em Lessines, René Magritte (1898-1967) quando Berger cita o abismo entre as palavras e a imagem de A chave dos sonhos (1930).

“Olhar é um ato de escolha. Como resultado dessa escolha, aquilo que vemos é trazido para o âmbito do nosso alcance – ainda que não necessariamente ao alcance da mão. Tocar alguma coisa é situar-se em relação a ela. (Feche os olhos, mova-se ao redor do aposento e verifique como a faculdade do toque é uma forma estática, limitada, de visão.) Nunca olhamos para uma coisa apenas; estamos sempre olhando para a relação entre as coisas e nós mesmos. Nossa visão está continuamente ativa, continuamente em movimento, continuamente captando coisas num círculo à sua própria volta, constituindo aquilo presente para nós do modo como estamos situados.” (BERGER, 1999, p. 10-11)

Como em toda Escrita Criativa, nos preparamos com a Teoria para alavancar a Poesia, nos alimentamos de Crítica para forjar a Ficção. Fomos buscar a base do nosso primeiro exercício prático no conceito de ekphrasis retirado da dissertação de mestrado em Teoria da Literatura, linha de pesquisa Intersemiose, “O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural”.

“[…] ekphrasis – do grego εκφραζειν, “explicar até o fim”, ou seja, um fenômeno da representação verbal de uma representação visual.

Muitos são os exemplos de ekphrasis no Ocidente, tendo sua origem na descrição de Homero do escudo de Aquiles, na Ilíada, passando pelos românticos com o poeta inglês John Keats, em “Ode a uma urna grega”, manifestando-se na prosa de Fiódor Dostoievski, em O idiota, quando descreve o quadro “O corpo do Cristo morto”, de Hans Holbein, até chegarmos a O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde.” (TENÓRIO, 2015, p. 5)

O primeiro exemplo citado foi o escudo de Aquiles descrito na Ilíada, reunida por Homero, escudo realizado por Hefesto à pedido de Téles, mãe de Aquiles. O escudo original de Aquiles fora emprestado à Pároclo, o amigo morto por Heitor. No escudo novo encontramos a representação do Universo em cinco camadas.

“Fez primeiro um escudo grande e robusto,

todo lavrado, e pôs-lhe à volta um rebordo brilhante,triplo e refulgente, e daí fez um talabarte de prata. Cinco eram as camadas do próprio escudo; e nele cinzelou muitas imagens com perícia excepcional.

Nele forjou a terra, o céu e o mar; o sol incansável e a lua cheia; e todas as constelações, grinaldas do céu: as Plêiades, as Híades e a Força de Oríon; e a Ursa, a que chamam Carro, cujo curso revolve sempre no mesmo sítio, fitando Oríon. Dos astros só a Ursa não mergulha nas correntes do Oceano.”

O segundo exemplo de ekphrasis encontramos no poeta romântico inglês, nascido em Moorgate, Londres, John Keats (1795-1821), na sua “Ode a uma urna grega” ou “Ode sobre uma urna grega” em algumas traduções. Estudiosos afirmam que Keats se inspirou nos mármores gregos do Museu Britânico. Outros que se inspirou em um livro de P. Piranesi, na reprodução de um vaso de Sosíbio do Louvre. O fato é que todo o poema é uma espécie de narrativa de uma festa dionisíaca.

“Tu, ainda não violada noiva do repouso,

Criança, de que o silêncio e o tardo tempo cuidam,

Silvestre historiadora, que assim podes exprimir

Um florido conto com maior doçura do que a nossa rima:

Que legenda franjada de folhagens te rodeia a forma

De divindades ou mortais, ou de umas e outros,

Pelo vale de Tepe ou nos da Arcádia?

Que homens são esses ou que deuses? Que virgens relutantes?” (KEATS, (1819 in) 2010, p. 47)

 

O terceiro e último exemplo refere-se novamente ao objeto de pesquisa da dissertação acima apresentada: a ekphrasis entre único romance do escritor, poeta, dramaturgo, crítico de arte irlandês, nascido em Dublin, Oscar Fingal O’Flahertie Wills Wilde (1854-1900), O retrato de Dorian Gray, e a tela à óleo (1943) de mesmo nome, que encontra-se hoje no Art Institut of Chicago, do pintor do realismo mágico americano, nascido em North Valley, Illinois, Ivan Albright (1897-1983).

“Teve uma sensação de dor ao pensar na profanação que aguardava o belo rosto no quadro. Certo dia, numa zombaria juvenil de Narciso, ele havia beijado, ou fingira beijar, aqueles lábios pintados que agora sorriam tão cruelmente para ele. Manhã após manhã, sentara-se diante do retrato contemplando sua beleza, parecendo quase enamorado dela em certos momentos. Iria se alterar agora respondendo às mudanças em seu estado de espírito? Iria porventura se tornar algo repugnante e odioso a ser escondido num quarto trancado, sem acesso à luz do sol, que tantas vezes tornava ainda mais dourada a maravilha ondulada de seu cabelo? Que pena! Que pena!” (WILDE, (1890 in) 2013, p. 195)

 

Os exercícios propostos foram:

1) A partir de cartões postais com pinturas, fotografias, escolhidas no momento da oficina, escrever uma pequena narrativa ou poema, de maneira descritiva ou metafórica;

2) A partir de dois textos e um vídeo da própria ministrante, o conto “Reverência” de Grãos (2007), o poema “Escarlate”, de D’Agostinho (2010) e o vídeo-conto “Prisão perpétua” de Diálogos (2010), escrever uma continuidade do texto/vídeo que mais lhe tocou.

 

 

Referências bibliográficas

 

BERGER, John. Modos de ver. Tradução: Lúcia Olinto. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

HOMERO. Ilíada. XVIII vv.478-608. https://pt.scribd.com/document/213376064/Homero-Descricao-do-Escudo-de-Aquiles-Iliada.

KEATS, John. Ode sobre uma urna grega. In Ode sobre a melancolia e outros poemas. Organização e tradução: Péricles Eugênio da Silva Ramos. São Paulo: Hedra, (1819 in) 2010.

TENÓRIO, Patricia Gonçalves. O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural. Saarbrücken, Alemanha: Novas Edições Acadêmicas / OmniScriptum GmbH & Co, 2016.

_________________________. Reverência. In Grãos. Rio de Janeiro: Calibán, 2007.

_________________________. Escarlate. In D’Agostinho. Rio de Janeiro: Calibán, 2010.

_________________________. Prisão perpétua. In Diálogos. Rio de Janeiro: Calibán, 2010. Vídeo no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=EAAPVLPxN98

WILDE, Oscar. O retrato de Dorian Gray. Organizador: Nicholas Frankel. Tradutor: Jorio Dauster. Ed. anotada e não censurada. São Paulo: Globo, (1890 in) 2013 – Biblioteca Azul.

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Exercício I

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Exercício I

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Índex* – Setembro, 2017

Foram derrubados os muros da cidade, o Muro Alto não existia mais.

Plantaram jardins conjuntos, escreveram livros para uns aos outros ler.

Era bom aquele começo, com a esperança no coração.

(“A Cidade Universitária”. In A menina do olho verde, Patricia Gonçalves Tenório)

Furono rubate le mura della città, il Muro Alto non esisteva più.

Piantarono giardini comunicanti, scrissero libri per leggerli gli uni agli altri.

Era buono quell’inizio, con la speranza nel cuore.

(“La Città Universitaria”. In La bambina dagli occhi verdi, Patricia Gonçalves Tenório,

Traduzione Alfredo Tagliavia, Milano, Italia: IPOC, 2016)

Os muros derrubados pela Escrita Criativa no Índex de Setembro, 2017 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Prêmio Il Convivio, 2017 & “A menina do olho verde” | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil). 

I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco & “Sobre a escrita criativa” | Diversos.

“Separação” | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

“Tecelãs” / “Tejedoras” | Rizolete Fernandes (RN – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Setembro, 2017 | Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil), Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil).

Agradeço a participação e carinho, a próxima postagem será em 29 de Outubro de 2017, grande abraço e até lá,

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – September, 2017

The walls of the city were overthrown, the High Wall no longer existed.

They planted joint gardens, wrote books for each other to read.

That beginning was good, with hope in the heart.

(“The University City”. In The Green Eye Girl, Patricia Gonçalves Tenório)

 

The walls overturned by the Creative Writing in the Index of September, 2017 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Prize Il Convivio, 2017 & “The Green Eye Girl” | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

I National Seminar on Creative Writing in Pernambuco & “About creative writing” | Miscellaneous.

“Separation” | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

“Weavers” / “Tejedoras” | Rizolete Fernandes (RN – Brasil).

Study Group on Creative Writing – September, 2017 | Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil), Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil).

Thanks for the participation and affection, the next post will be on October 29, 2017, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Os muros derrubados entre Recife e Porto Alegre no I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco. The walls overturned between Recife and Porto Alegre in the First National Seminar on Creative Writing in Pernambuco.

I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco & “Sobre a escrita criativa” | Diversos

cartaz_escrita_criativa (1)13/10/2017 10 horas – 13 horas

Oficina/workshop: “Mercado editorial e autopublicação”

Daniel Fernando Gruber (PUCRS) – Coordenador/Palestrante: “Autopublicação: um caminho possível”

Daniel Perroni Ratto (Ceará) – Palestrante: “Mercado editorial”

Cida Pedrosa (Pernambuco) – Palestrante: “Mercado editorial”

 

13/10/2017 15 horas – 18 horas

Oficina/workshop: “Estimulando a leitura através da Escrita Criativa”

Gustavo Melo Czekster (PUCRS) – Coordenador/Palestrante: “Leitura e Escrita Criativa”

Fernando de Mendonça (professor UFS) – Palestrante: “Experiência de Criação Literária: da sala de aula ao Clube de Leitura Criadora”

Igor Gadioli Cavalcante (professor UFS) – Palestrante: “Leitura de Prosa e Poesia: Alimentando a Escrita Criativa”

Lourival Holanda (professor UFPE) – Palestrante: “Leitura e Escrita Criativa”

 

13/10/2017 19 horas – 21 horas

Mesa: “A importância de um ambiente estimulante na Criação Artística”

Luís Roberto Amabile (PUCRS) – Coordenador/Palestrante: “Será Porto Alegre uma festa?”

Patricia Gonçalves Tenório (PUCRS) – Coordenadora/Palestrante: “Vida: uma experiência criativa”

Luiz Antonio de Assis Brasil (professor PUCRS) – Palestrante: “A Escrita Criativa no Brasil”

Valesca de Assis (Rio Grande do Sul) – Palestrante: “A mulher e o chamado da Literatura”

Sidney Nicéas (Pernambuco) – Palestrante: “Inspiração e ação: os gatilhos da Criatividade na Escrita e o sentir e o agir no Texto Literário”

Raimundo Carreiro (Pernambuco) – Palestrante: “A Escrita Criativa no Brasil”

Lançamento Sobre a escrita criativa,  Editora Raio de Sol, Recife-PE, 2017, Organização: Patricia Gonçalves Tenório, Prefácio: Luiz Antonio de Assis Brasil, com artigos dos participantes do Seminário.

 

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14/10/2017 10 horas – 13 horas

Oficina/workshop: “Grupo de Estudos em Escrita Criativa”

Patricia Gonçalves Tenório (PUCRS) – Coordenadora/Palestrante: “Grupo de Estudos em Escrita Criativa”

Bernadete Bruto (Pernambuco) – Palestrante: “Viagem ao fundo da Poesia: uma recomposição de trabalhos à luz da Teoria”

Elba Lins (Pernambuco) – Palestrante: “A Escrita Criativa – dando asas à minha Prosa e novas formas à Poesia”

Luisa Bérard (Pernambuco) – Palestrante: “Grupo de Estudos em Escrita Criativa”

Talita Albuquerque Bruto da Costa (UFPE) – Palestrante: “Grupo de Estudos em Escrita Criativa”

 

14/10/2017 15 horas – 18 horas

Oficina/workshop: “Devaneios Fílmicos, Cósmicos e Poéticos”

Fernando de Mendonça (professor UFS) – Coordenador/Palestrante: “Devaneios Fílmicos, Cósmicos e Poéticos”

Maria do Carmo de Siqueira Nino (professora UFPE) – Palestrante: “Pequenas narrativas com Aventura

Robson Teles (professor UNICAP) – Palestrante: “Olhos de Encenador frente a Intergenericidades Poéticas”

 

14/10/2017 19 horas – 21 horas

Mesa: “Era das narrativas e o herói cansado. Problematizações em torno da viagem do herói, suas possibilidades, limites e insuficiências.”

Daniel Fernando Gruber (PUCRS) – Coordenador/Palestrante: “O herói cansado”

María Elena Morán Atencio (PUCRS) – Coordenadora/Palestrante: “As histórias que (não) nos contam”

 

15/10/2017 10 horas – 13 horas

Oficina/workshop: “Oficina de Escrita Criativa – Poesia”

Alexandra Lopes Da Cunha (PUCRS) – Coordenadora/Palestrante: “A Poesia como percurso”

Cida Pedrosa (Pernambuco) – Palestrante: “Oficina de Poesia”

Carlos Enrique Sierra Mejía (Colômbia) – Palestrante: “A dificuldade da Escrita e o Prazer Criador”

 

15/10/2017 15 horas – 18 horas

Oficina/workshop: “Oficina de Escrita Criativa – Prosa – Contos e Roteiros”

Luís Roberto Amabile (PUCRS) – Coordenador/Palestrante: “Oficina de Contos e Roteiros”

María Elena Morán Atencio (PUCRS) – Coordenadora/Palestrante: “Oficina de Contos e Roteiros”

Guilherme Azambuja Castro (PUCRS) – Palestrante: “De onde vêm as histórias?

 

15/10/2017 19 horas – 21 horas

Mesa: “Quem tem medo da Literatura Fantástica?”

Gustavo Melo Czekster (PUCRS) – Coordenador/Palestrante: “Escrever Literatura Fantástica no Brasil do Século XXI”

Adriano Siqueira Ramalho Portela (professor ESM/FAMA-PE) – Palestrante: “Quando o Espírito é quem manda: um mergulho no Roteiro Fantástico de Osman Lins”

André Balaio (Pernambuco) – Palestrante: “Quem tem medo da Literatura Fantástica?”

 

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Setembro, 2017

O exercício do mês de Setembro de 2017 do Grupo de Estudos em Escrita Criativa foi “Escrever sobre escrever”, “Escrever sobre assistir”.

Trago ao centro dois textos que penso representarem bem esses “exercícios de desbloqueio”. Porque a escrita é um subir de montanhas, é subir “o monte da resposta perdida” para tentar encontrar a si mesmo, a sua própria voz, única, intransferível. Insubstituível.

Dois sonhos se encontram no mês de Setembro anunciando o mês de Outubro de 2017. O Primo Premio Assoluto da Accademia Internazionale Il Convivio, Itália para a fábula lúdico-adulta A menina do olho verde, livro que, entre as primeiras pessoas a acreditarem, estavam Bernadete Bruto e Elba Lins.

E o I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco, Seminário no qual vários(as) outros(as) escritores(as) do Brasil e exterior acreditaram, mas que é fruto, flor e árvore da semente plantada lá no início, em agosto de 2016, no Grupo de Estudos em Escrita Criativa, e que com imensa alegria estarão lançando seus primeiros livros – Elba Lins & Do outro lado do espelho – O feminino em estado de poesia, Luisa Bérard & Nas montanhas do Marrocos –, e o primeiro livro infantil de Bernadete Bruto, A menina e a árvore.

Boa leitura!

 

Patricia Gonçalves Tenório

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Bernadete Bruto

bernadete.bruto@gmail.com

 

A PAIXÃO PELA ARTE OU A ARTE DA PAIXÃO?

                                                                                                          

Hoje assisti a dois filmes:  A Arte da Paixão (2013) e  Effie Gray: uma paixão reprimida (2014) e passo a comentar visando apenas a forma de fazer arte.

No primeiro, há duas formas de conceber arte. Uma, viver intensamente a arte, expressá-la, vivenciá-la, fluir com ela. Na liberdade, assim como da mesma forma amar. Algo parecido com que Vinícius diz sobre o amor: “Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito, enquanto dure.” A outra forma, sentir a vida, introjetá-la e extravasar na escrita. Como se o diário fosse uma espécie de confessionário.

O filme A Arte da Paixão (Summer in February) trouxe visões distintas sobre a arte e como fazê-la. Baseado no diário pessoal de Gilbert Evans, conta a história do triângulo amoroso entre o pintor Alfred Munnings, seu amigo Evans e sua esposa Florence Carter-Wood, também pintora. A história se desenrola na Cornualha numa cidade que agrega um grupo de artistas denominado Grupo Lammorna. Uma história real, que gerou um livro escrito por Jonathan Smith, foi transformada num roteiro muito interessante, e em outro tipo de arte. (Que beleza!)

De cara me identifiquei com A.J., assim denominado Alfred Munnings. Sua sede de viver e de expressar a arte. Talvez até porque, logo no início do filme ele recita o poema “O corvo”, poema que muito aprecio, que além da beleza da forma, a recitação é primorosa e o ator o faz de maneira magistral. Eu, aqui do sofá, fui arrebatada! Muito embora tenha uma paixão pela expressão poética, reconheço que outras formas da linguagem têm igual valor. Como também a forma que os artistas queiram vivenciar a sua arte. Acredito não haver receitas. Depende das escolhas com que mais nos identifiquemos. Inclusive, porque o que apreciei em A.J. como artista, não morri de amores pelo homem! Neste assunto, a sensibilidade de Gilbert me atrairia mais.

No caso de A.J., ele era feliz ali naquela comunidade de artistas conforme declarou em discurso, que apresentamos em seguida e que fez sintonia no meu coração:

 

Meus amigos. Minha família da Cornualha por assim dizer.

Que encara o mundo como eu, que capta o seu pulsar, que vê a luz do mar, a pelagem brilhante de um cavalo e o esplendor de uma beldade em um lindo dia.

 

Não conhecia o artista A.J. Munnings e gostei de ver suas pinturas e saber algo sobre ele, sobre Florence e em especial a tela da mulher sobre o cavalo, e não é que descobri várias telas de mulheres a cavalo?

Foi um filme muito agradável e apesar do final triste, em algum momento A.J. até confessa que o casamento e a sua forma de viver a arte não estavam fluindo bem: era tudo tão fácil! Beber, pintar, andar a cavalo. Mas isso, acaba comigo. Deste filme, escolhi ficar com o exemplo do companheirismo de Laura e Harold Knight que viveram com autencidade tanto na arte quanto na vida, e extraí essa mensagem: “amar só não basta. Certas artes são como o sacerdócio e compatibilidades é o que mais necessitamos.”

O segundo filme, Effie Gray: uma paixão reprimida, novamente o triângulo amoroso entre um crítico de arte e crítico social britânico John Ruskin, sua esposa Euphemia “Effie” Gray e o artista John Everett Millais, também outra adaptação da uma história real sobre a primeira mulher na Inglaterra que pediu divórcio.

Embora o filme comece com a famosa frase ERA UMA VEZ, nada indicava um conto de fadas e romance. Tive a impressão que a protagonista era a arte e não Effie. A arte estava em primeiro lugar na vida de Ruskin, que também foi poeta e desenhista e vivia no pedestal que ele foi colocado pelos pais e pela sociedade. Seu conceito de arte apresentado num evento durante o filme, já nos remete à sua forma de vivenciá-la:

 

Qual o propósito da arte? Idealizar? Sentimentalizar? O propóstio da arte é revelar a verdade. É revelar Deus.

 

Talvez por Effie ter sido em criança sua musa, para quem ele escreveu um livro, não pudesse tornar-se nem mulher, nem real para ele, na sua concepção neurótica.  Também encontrei no filme uma alusão de que o artista faria um livro escrevendo sobre a “maldade” de sua mulher, o que me deixou a meditar se ela não estaria sendo um experimento para aquele futuro livro. Ruskin me deixou a impressão de que certos artistas se dedicam tanto à sua arte, que não há espaço para nada mais na vida.

No caso em particular, o final não foi feliz para Ruskin que teve sua vida exposta à sociedade da época, todavia Effie casou com Millais e teve 8 filhos. Isso, descobri em pesquisa, como outros detalhes sórdidos sobre Ruskin e Effie, que não interessam para a nossa análise. Um filme muito romântico, apesar dos momentos de infelicidade, e com final feliz, a marca registrada dos roteiros de Emma Thompson, que participa deste filme, assim como de outros que ela produz, roteiriza, e que me agrada bastante.

Por fim, porque ambos os filmes abordam o assunto da arte, fica a pergunta inicial no título de como se manifestou a arte e a vida nessas produções.

 

Recife, 20 de Agosto de 2017.

 

 

Elba Lins

elbalins@gmail.com

 

 

Por ser de lá do Sertão, lá do Cerrado
Lá do interior do mato
Da Caatinga do roçado.
Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigos
Eu quase que não consigo
Ficar na cidade sem viver contrariado.(2)

Gilberto Gil e Dominguinhos

 

 

 

A leitura do conto “Lonesome Town”(1), de Luís Roberto Amabile, me emocionou. Quiçá porque, tratando-se de uma paisagem seca, do sertão, mais especificamente do Sertão do Pajeú, me fez lembrar do meu próprio lugar incrustado no Sertão do Cariri.

Assim, comecei a ler e me identificar com a paisagem, a entender os sonhos de tantos que abandonam por instantes o pensar seco, árido e vazio e ousam voar em devaneios poéticos. Penso no dono do Café e no seu sonho de uma grande competição onde as vozes de Caetano Veloso, Bom Jovi e Laura Pausine cantam a solidão e enaltecem o nome do lugar, colocando luz e colorido na monotonia vigente.

E a inusitada imagem da Greta Garbo de Solidão, me trouxe lágrimas aos olhos. “Greta Garbo! A maior estrela de cinema da sua época, a mais reclusa entre todas as celebridades que já existiram. Greta Garbo, a mulher mais bonita de todos os tempos, que escolheu a solidão…” (AMABILE, 71). Greta Garbo, havia escolhido Solidão.

E eu, talvez por ser uma amante da dança e saber que num átimo, num passo de dança,  maravilhas acontecem, sonhos se realizam e diferentes solidões se entrelaçam e deixam-se levar num redemoinho cósmico, sinta tão fortemente essa imagem. Depois daquela dança a vida em Solidão jamais voltou a ser a mesma para aquela velha dama em azul. Aquela que num momento ímpar se “fez bonita como há muito tempo não queria ousar (3)”. Depois daquela dança, Solidão, Greta Garbo, e até mesmo eu nunca mais fomos os mesmos!

 

(TAMBÉM  EXISTEM SONHOS NO CAFÉ SOLIDÃO

Após a leitura do conto “Lonesome Town” no livro O amor é  um lugar estranho, de Luís Roberto AmabileElba Lins  18.09.2017)

 

Referências

1 – “Lonesome Town” no livro O amor é  um lugar estranho – Luís Roberto Amabile

2 – “Lamento Sertanejo” – Gilberto Gil e Dominguinhos

3 – “Valsinha” – Chico Buarque

Índex* – Agosto, 2017

As palavras

Dos outros

Atravessam

As minhas mãos

Atravessam

Os meus ouvidos

E já não 

Posso dizer

Se são minhas

Se são desses

Escritores

Que me escrevem

E me impelem

A ser uma

Pessoa maior

E me cedem

Um pouco de

Inspiração 

E ofício 

E técnica

Para o que

Escrevo

Soar melhor

Em minhas mãos

(Sobre a Escrita Criativa, Patricia Gonçalves Tenório, 02/08/17, 18h06)

 

 

As palavras dos outros que me atravessam no Índex de Agosto, 2017 do blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Quando Capitu chorou | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Fernando Luz (AL – Brasil).

Diálogos | Bernadete Bruto (PE – Brasil), Carlos Sierra (Colômbia), Elba Lins (PB/PE – Brasil) & Patricia Gonçalves Tenório.

“Exercícios literários: Café & Poesia” | Com Célia Medeiros (RN – Brasil) & Clauder Arcanjo (RN – Brasil), entre outros.

“O amor que não sentimos e outros contos” | Guilherme Azambuja Castro (RS – Brasil).

“Demorei a gostar da Elis” | Alexandra Lopes da Cunha (DF/RS – Brasil).

“Demônios domésticos” | Tiago Germano (PB/RS – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa | Bernadete Bruto, Elba Lins, Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil), Marcos Torres (PE – Brasil) & Uilian Novaes (BA – Brasil). 

A partir de 28 de Agosto de 2017 estarão abertas as inscrições para o I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco (PUCRS – Brasil) que acontecerá de 13 a 15 de Outubro de 2017 na XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco. As inscrições são gratuitas, vagas limitadas, e realizadas, com maiores informações, no link:

http://www.bienalpernambuco.com/i-seminario-nacional-em-escrita-criativa-de-pernambuco/

O lançamento do livro Sobre a Escrita Criativa, com artigos dos participantes do Seminário, será em 13 de Outubro de 2017, às 19h00.

Agradeço a participação e carinho, a próxima postagem será em 24 de Setembro de 2017, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* August, 2017

The words

Of the others

They cross

My hands

They cross

My ears

And no longer

I can say

If they are mine

If they are from these

Writers

That write to me

That urge on me

To be a

Greater person

And give me

A bit of

Inspiration

And craft

And technique

For what

I write

Sound better

In my hands

(About Creative Writing, Patricia Gonçalves Tenório, 08/02/17, 6:06 p.m.)

 

 

The words of the others that cross me in the Index of August, 2017 of the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

When Capitu wept | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Fernando Luz (AL – Brasil).

Dialogues | Bernadete Bruto (PE – Brasil), Carlos Sierra (Colombia), Elba Lins (PB/PE – Brasil) & Patricia Gonçalves Tenório.

“Literary Exercises: Coffee & Poetry” | With Célia Medeiros (RN – Brasil) & Clauder Arcanjo (RN – Brasil), among others.

“The love we do not feel and other tales” | Guilherme Azambuja Castro (RS – Brasil).

“I took too long to like Elis” | Alexandra Lopes da Cunha (DF/RS – Brasil).

“Domestic Demons” | Tiago Germano (PB/RS – Brasil).

Study Group on Creative Writing | Bernadete Bruto, Elba Lins, Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil), Marcos Torres (PE – Brasil) & Uilian Novaes (BA – Brasil). 

From August 28, 2017 it will be opened the entries for the 1st National Seminar on Creative Writing of Pernambuco (PUCRS – Brasil), which will take place from October 13 to 15, 2017 at the XI International Book Biennial of Pernambuco. Entries are free, limited and made available, with more information, in the link:

http://www.bienalpernambuco.com/is-seminario-nacional-em-escrita-criativa-de-pernambuco/

The launch of the book About Creative Writing, with articles by participants of the Seminar, will be on October 13, 2017 at 7:00 p.m.

Thanks for the participation and affection, the next post will be on September 24, 2017, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** O Guaíba de Porto Alegre se encontrando com o Capibaribe de Recife formando o Oceano Atlântico do I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco. The Guaíba of Porto Alegre meeting with the Capibaribe of Recife forming the Atlantic Ocean of the 1st National Seminar on Creative Writing of Pernambuco.

 

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Agosto, 2017 | Bernadete Bruto, Elba Lins, Luisa Bérard, Talita Bruto, Marcos Torres & Uilian Novaes

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Agosto, 2017

Patricia Gonçalves Tenório

 

Em 19 de Agosto de 2017, expliquei para as minhas alunas/companheiras de estudo o porquê de trazer os assuntos estudados no doutorado em Escrita Criativa da PUCRS para as nossas aulas/encontros: para compartilhar com elas o meu aprendizado, e, juntas, ampliarmos nossos caminhos de escritoras/poetisas.

Na Newsletter de Agosto, 2017 encontramos diversos diálogos. E foi, a partir do livro-diálogo Portugueses do Brasil & Brasileiros de Portugal (2016), da jornalista, romancista portuguesa, e licenciada em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Leonor Xavier (1943), que estou estudando para a disciplina Literatura Portuguesa, ministrada pelo Prof. Dr. Paulo Kralik, que iniciamos, eu e minhas alunas, a nossa aula.

Com dezenove entrevistas que remetem à época em que viveu no Brasil, Leonor nos brinda com depoimentos tais como os de Caetano Veloso, Carlos Drummond de Andrade, Fernanda Montenegro, Júlio Pomar, Marília Pêra, Ruth Escobar, sobre a relação de brasileiros com Portugal, de portugueses com o Brasil, e, principalmente, dos seus processos criativos. Trago ao centro um trecho do depoimento do filósofo, poeta e ensaísta George Agostinho Baptista da Silva (1906-1994), ou simplesmente Agostinho da Silva, nascido em Porto e falecido em Lisboa.

Agostinho fala dos dois mundos, não só Brasil e Portugal, mas do que poderemos aproximar do exercício que sugeri às minhas alunas e que apresentarei mais adiante.

“Espero que essa coisa de ver o mundo exista em todos os portugueses, pelo menos naqueles que não perderam a qualidade de ser português. Temos de pensar que há dois mundos para ver: o de fora e o de dentro, que é outro mundo interessante. E com uma complicaçãozinha, é que não sabemos se o mundo de fora brota do mundo de dentro, ou o contrário.” (DA SILVA apud XAVIER, (1988 in) 2016, p. 16)

Em 17 de Agosto de 2017, conheci a exposição Chão arejado, com livro de mesmo nome, do poeta Marcos Torres, com interpretações gráficas de Uilian Novaes. Marcos, através da artista plástica, professora da UFPE e minha orientadora de mestrado Maria do Carmo Nino, organizou um seminário no qual a escritora carioca Paloma Vidal, o professor da UFPB Marcelo Coutinho, e eu, conversávamos sobre amálgamas no processo criativo.

E foi a partir da imagem de capa de Chão arejado que minhas tão queridas alunas compuseram, a oito mãos, utilizando algo semelhante ao que estou apreendendo na outra disciplina da PUCRS, Literatura e Linguagem Digital (post “Quando Capitu chorou”), que propus à Bernadete, Elba, Luisa e Talita que criassem, em ordem alfabética, um texto (escolheram em forma de poesia) no nosso grupo de WhatsApp.

Então vamos à(s) leitura(s).

 

Referências bibliográficas

DA SILVA, Agostinho. In: Portugueses do Brasil e Brasileiros de Portugal. Alfragide, Portugal: Oficina do Livro, 2016.

TORRES, Marcos. Chão arejado. Interpretações gráficas de Uilian Novaes. Guaratinguetá, SP: Penalux, 2017.

 

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Chão arejado

 

A fome que envergou meu corpo e reverbera no fundo.

Ai!!! Tenho Fome!

Uma fome imensa de vida, de luz, de ser…

 

(Bernadete Bruto, 19/08/17, 12h28, bernadete.bruto@gmail.com)

 

Queria voar como estes pássaros que esperam minha morte.

Queria fluir livre no céu azul

Encontrar minha tribo perdida

Minha paz

Mas meu sangue flui para esta terra seca

E estes pássaros não me deixam voar

Preciso lutar!

Preciso fugir!

Preciso viver!

 

(Elba Lins, 19/08/17, 12h31, elbalins@gmail.com)

 

E na efêmera existência,

Que o tempo impiedosamente devora,

A urgência dos sonhos gritam

Exigem espaço e luz

Tenho pressa!

Tenho sede de vida!

Tenho…

 

(Luisa Bérard, 19/08/17, 12h44, luisaberard@gmail.com)

 

Esquálidos. Eu. Os corvos. Não corvos, urubus.

Mais do que solidão, mais que um severino, mais do que Poe em nossas vistas.

Fica a pergunta irrepreendida: viver, imediatismo?

Tragédia escassa.

Somos sem conteúdos pra nos abastecer

Esquálidos. Eu.

A massa fina virando comida.

Ossos. Detritos.

Urubus.

A máquina pavorosa dos tempos decompostos.

O que somos.

O que temos.

O que viramos.

 

(Talita Bruto, 19/08/17, 12h49, talitabruto@gmail.com)

(Exercício do Grupo de Estudos em Escrita Criativa a partir da imagem extraída de NOVAES, 2017, p. 81)

 

E na página 83 o poeta Marcos Torres responde…

 

epiderme exposta

 

nunca ouvi dizer que urubu é sinônimo de cor de epiderme.

tenho muitas cores.

eu, fico aqui, paralisado e em choque, com minha cabeça nua.

vendo daqui esta terra em decomposição me enchendo de náusea.

 

diante deste céu calado e mouco

desloco-me em longos voos sobre as planícies frias,

em meio a este ar rarefeito e quente que sopra dum chão ardente.

um movimento fatigante.

enxergo tudo com esta minha visão panorâmica.

 

sou atraído pelo monte de carne amontoada sobre as valas.

nem sei o que aconteceu por aqui e ali.

nunca me dizem nada.

faço isso para deixar o chão arejado.

Índex* – Junho, 2017

Hoje

Ouvi estórias

Que me fizeram

Arrepiar

Que me fizeram

Acreditar

Em mera

Inspiração 

*

Mas 

Inspiração é

Carne

Inspiração é

Osso

Onde o frio

Penetra

Até o mais 

Insuportável 

*

De se criar

*

De se escrever

*

Uma estória criativa

Uma escrita criativa

A partir

De textos seus

Em busca

De textos meus

(“Ode à Escrita Criativa”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 07/06/17, 18h00)

Uma Festa da Escrita Criativa no Índex de Junho, 2017 do blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

Contos para uma Escrita Criativa | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

“Correr com rinocerontes” | Cristiano Baldi (RS – Brasil).

“O Jardim das Hespérides” | Daniel Gruber (RS – Brasil).

“O amor é um lugar estranho” | Luís Roberto Amabile (SP/RS – Brasil).

“Ocaso: contos de entreluz” | Ricardo Timm de Souza (RS – Brasil).

“Noite em clara: um romance (e uma mulher) em fragmentos” | Sidney Nicéas (PE – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa & I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco | Diversos.

Agradeço a participação e o carinho, a próxima postagem será em 30 de Julho de 2017, um grande abraço e até lá,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

 

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Index* – June, 2017

Today

I heard stories

That made me

Bristle

That made me

Believe

In mere

Inspiration

*

But

Inspiration is

Meat

Inspiration is

Bone

Where the cold

Penetrates

Until the

Unbearable

*

To create

*

To write

*

A Creative Story

A Creative Writing

Starting

From your texts

In search

Of my texts

(“Ode to the Creative Writing”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 06/07/17, 6:00 p.m.)

 

A Creative Writing Feast in the June, 2017 Index of Patricia (Gonçalves) Tenório’s blog.

Tales for a Creative Writing | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

“Running with rhinos” | Cristiano Baldi (RS – Brasil).

“The Garden of the Hesperides” | Daniel Gruber (RS – Brasil).

“Love is a strange place” | Luís Roberto Amabile (SP/RS – Brasil).

“Sundown: fairy tales” | Ricardo Timm de Souza (RS – Brasil).

“Clear night: a romance (and a woman) in fragments” | Sidney Nicéas (PE – Brasil).

Creative Writing Studies Group & I National Seminar on Creative Writing | Miscellaneous of authors.

Thanks for the participation and the affection, the next post will be on July 30, 2017, a big hug and until then,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** A Festa Criativa da turma Oficina de Criação Literária I – Narrativa, 2017.1, ministrada pelo Prof. Dr. Luiz Antonio de Assis Brasil, na PUCRS – Brasil. The Creative Feast of the Classroom of Literary Creation I – Narrative, 2017.1, taught by Prof. Dr. Luiz Antonio de Assis Brasil, at PUCRS – Brasil.