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Estudos em Escrita Criativa – Março, 2018 – Recife – PE

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O primeiro encontro dos Estudos em Escrita Criativa em Recife – PE foi surpreendente. Sabíamos da demanda por um curso nesse formato, mas não esperávamos encontrar tantas pessoas interessadas, inteligentes e criativas em um mesmo espaço-tempo.

Tratamos do tempo em nosso primeiro encontro. Com teóricos e artistas relacionados ao tema na primeira parte do encontro, a apresentação de escritos próprios e de outros autores clássicos da literatura brasileira pela escritora e professora Flávia Suassuna, na parceria com a UBE, na terceira parte do encontro.

E os textos produzidos na segunda parte do encontro. Trago hoje alguns exemplos do “verdadeiro celeiro da nova literatura pernambucana” (Laura Cortizo).

Convidamos a participarem dos nossos próximos encontros de abril, 2018, tanto em Recife quanto, com a novidade da parceria com a PUCRS, também em Porto Alegre.

Agradecemos a atenção e o carinho, grande abraço e até breve,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Bernadete Bruto

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

 

NA CADÊNCIA DO TEMPO        

 

Olhou o relógio, restavam 15 minutos. A angústia lhe tomou a alma e lhe arrastou a mente para o vazio… Olhos parados, boca seca, daquelas onde um bom copo de água amainaria sua sede de histórias, sem muita complicação e num compasso do tempo em ritmo de valsa. Ah, um Danúbio Azul para se escrever ou uma Primavera…

Sente essa falta, com o peito arfando, a caneta deslizando no papel e os conceitos se misturando na cabeça. A autoestima ou sei lá o quê tolhe os sentidos. Talvez escrever seja um motivo para se mostrar importante, interessante aos olhos alheios…

Será que lutar contra o tempo nessa angústia compensa as cores do ócio? Não sabe. Está imersa numa roda viva que o caos da modernidade lhe carregou já faz 10 anos. O tempo, sempre o tempo…

Neste momento, ouve que tem mais cinco minutos! Então, larga a caneta. Sorrindo, deixa o papel assim mesmo rabiscado, porque sabe que tem uma vida inteira para aprender sem compromissos com o tempo. Uma existência na qual o tempo passará na cadência que seu coração bater.

 

Recife, 10 de março de 2018.

 

Cilene Santos

Contato: cilenecaruaru2013@gmail.com

 

Te Vi

 

Num momento

Criei a tua imagem

E te vi, vindo ao meu encontro.

Te abracei, senti-me amparada

E, abraçando-te,

Também fui abraçada.

Mas foi tão lépido

O tempo em que te tive

A tua imagem em mim

Se esvaiu.

E sumiste na estrada

Que criei.

Guardei em mim os pedaços do momento

Em que’stavas no mundo que inventei.

Olho o relógio,

Minha hora está chegada.

Quinze minutos eu tive

Pra pensar

Que o teu amor ainda era meu.

 

 

Gabi Cavalcanti

Contato: gabi.vieira.araujo@gmail.com

 

Acordar do desmaio foi estranho.

Primeiro vieram os sons, ainda confusos na escuridão de meus olhos fechados – as sirenes, os gritos de diferentes pessoas proferindo diferentes palavras, o sonoro cair das gotas de chuva.

A luz que invadiu minha visão poderia ter me cegado – os postes na beira da rua, a luz vermelha das ambulâncias e o brilho nos olhos daqueles que me rodeavam. E talvez hoje eu desejasse que a luz tivesse, sim, me cegado, para que não guardasse na memória a imagem aterrorizante do carro capotado, dos vidros quebrados em cacos que se espalhavam em solidariedade com os pedaços do meu coração. Meu coração, estilhaçado ao sentir a ausência daquele que estivera ao meu lado antes da chuva levá-lo para longe de mim.

Quem sabe, se tal visão não estivesse tão pregada em meus olhos – tão concentrados no passado – eu pudesse olhar para o futuro com a alma mais leve.

 

Ina Melo

Contato: inamelo2016@gmail.com

 

A Menina e o Tempo

Imagem de Ina Melo

Nina surgiu entre as flores do jardim. Branca como a luz da manhã! Leve como a brisa suave da Primavera! O cheiro exalado do pequeno corpo, lembrava os campos de alfazema. Trazia nas mãos morangos silvestres,  que vez por outra mordiscava deixando os lábios vermelhos. Pássaros arrulhavam ao redor e o riso fácil explodia naquele amanhecer, onde o tempo, de ontem, hoje e amanhã surgia abraçado numa só felicidade!

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O Tempo

 

O tempo pra mim é o momento. O hoje. O agora. Nele eu vejo passar o filme de toda uma vida. Da infância à maturidade, logo seguindo para o entardecer que é finalmente, a velhice. O tempo é vida. É prazer. É luz e acima de tudo, o tempo é amor! (Escrita Criativa. 10/03/018)

 

Inalda Dubeux Oliveira

Contato: inaldaoliveira@uol.com.br

 

O RESULTADO DA PRESSA

 

Era uma tarde de verão e eu chegara da feira, cansada, ainda sentindo o cheiro dos legumes, frutas, peixes e demais componentes do que seria consumido por todos.

Na sala, logo percebi a bagunça normal e feliz deixada pelos meus dois filhos de 7 e 9 anos. Brinquei um pouco com eles e percebi que tinha pouco tempo para me preparar para o casamento ao qual deveria comparecer à noitinha.

Vestido longo, sapato alto, cabelo penteado, escolhi um perfume mais cítrico. Gostei de ver que o tecido do vestido era macio e não facilmente “machucável”.  Quase pronta! Como todo marido, o meu ficou pronto antes e desceu para tirar o carro da garagem.  Logo começou a buzinar impacientemente.

Quando já ia descer, claro que os dois meninos pegaram uma briga com tapas e pontapés que logo tive que apartar. Nova buzinada. Pego minha bolsa e corro.

Chego à igreja me achando linda: desfilo feliz da vida pela nave central, cumprimento os conhecidos, encontro meu lugar num banco e deposito minha bolsa ao meu lado. E levo um susto: entre mim e meu marido está uma bolsa de feira de vime, grande, quadrada e com alças de cordas. Pergunto ao marido – “de quem é esta bolsa?” – embora já saiba a resposta. Com a calma da inocência masculina ele responde: ”É sua, é claro. Você acabou de botá-la aí”.

Quase morta de vergonha, descubro que ao apartar a briga dos filhos e na pressa para descer correndo, peguei a bolsa de feira em vez da bolsa de toalete. E pensar que desfilei pela nave central da igreja….!

Ainda bem que o marido concordou em sair e levar a maldita bolsa a tiracolo para escondê-la no carro.

 

Maria Eduarda Tenório de Oliveira e Silva

Contato: duda.tenorio@hotmail.com

 

Sentada no chão, me proponho a criar através da presença. Esta presença, porém, tem resquícios do presente do passado, com a sugestão que me foi feita de escrevê-la. Ao me propor escrever sobre o que acontece agora, para ser lido no futuro do presente, que é, no mais profundo, apenas especulativo, observo diversos pensamentos que me atravessam para me tirar daqui e outros que estão diretamente conectados com o que está acontecendo agora.

Sinto um profundo bem-estar e expansão da minha percepção a agir sem só me jogar para frente, mas sim para dentro.

Me questiono quão para dentro posso ir, com um intenso pedido de que seja muito. Se estou aqui, que eu esteja aqui. Muito aqui. Sinto em minha mão meus músculos e nervos sendo trabalhados por escrever continuamente, sinto a posição do meu corpo inteiro e as sensações que dele emanam. Minhas pernas estão em uma posição que sempre gostei de ficar – percebo como esse agrado é uma ponte entre o passado e o presente – minhas costas estão confortáveis e minha respiração me massageia por dentro.

Percebo também as cores que meu campo de visão alcança. Sinto uma sensação muito aconchegante dos meus pés. É engraçado o exercício de escrever o presente antes que vire passado. É um bom tipo de história para se construir. Volto às cores. A capa da apostila amarela, contrastando com o misto de roxo em tons claros e escuros e azul do chão que me deixa feliz. Amarelo me remete à alegria, e roxo me remete à profundidade. Essa mistura combina com o que sinto ao fazer esse exercício. Mistério. Roxo também é mistério. O mistério do eterno agora e o caminho dentro dele. A empolgação, e alegria, e a leveza do amarelo para temperar. Cores unidas e alegria, como uma música que ouvi no passado, mas se integra com o que acontece. E mais uma – passado presente, participo sendo o mistério do planeta.

 

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Programação – Recife e Porto Alegre:

Cartaz A3

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Sala de imprensa:

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Índex* – Fevereiro, 2018

O gosto 

De tarefa cumprida

Quando

Se escreve

Um teorema

No mais alto

Grau

Do mais profundo

Âmago

De minha alma

Poeta

Se refaz

O mundo inteiro

Se constrói 

A mesma história 

Mas de maneira

Diferente 

Como se eu

Nascesse de novo

E transmutasse

Carne

Em verbo

Com forma

Cheiro

E cor

(“Quando se escreveu uma tese”, Patricia Gonçalves Tenório, 14/02/2018, 18h50 e 19h36)

 

A forma, cheiro e cor da Escrita Criativa no Índex de Fevereiro, 2018 do blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa, 2018 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Homenagem a Jorge Tufic (AC – Brasil).

Mulheres fantásticas IV | A mulher papel | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

Mudando paradigmas | Mara Narciso (MG – Brasil).

“Avesso: o Livro da Insônia” | Henrique Beltrão de Castro (CE – Brasil).

“Crônicas de um sereno em duas rodas” | Tibério Pordeus (PE – Brasil).

Agradeço o carinho e atenção, a próxima postagem será em 25 de Março, 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – February, 2018

 

 

The taste

Of completed task

When

We write

A Theorem

At the top

Degree

From the deepest

Heart

Of my poet

Soul

Is remapped

The whole world

Is constructed

The same story

But in a different

Way

 

As if I was

Born again

And transmuted

Flesh

In verb

With shape

Smell

And color

(“When we wrote a thesis”, Patricia Gonçalves Tenório, 02/14/2018, 6:50 p.m. and 7:36 p.m.)

 

The shape, smell and color of Creative Writing in the Index of February, 2018 of Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

Studies in Creative Writing, 2018 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Homage to Jorge Tufic (AC – Brasil).

Fantastic Women IV | The woman paper | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

Changing Paradigms | Mara Narciso (MG – Brasil).

“The Book of Insomnia” | Henrique Beltrão de Castro (CE – Brasil).

“Chronicles of a Serene on Two Wheels” | Tiberius Pordeus (PE – Brasil).

Thanks for the care and attention, the next post will be on March 25, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** O arco-íris da Escrita Criativa em Recife, Pernambuco. The rainbow of Creative Writing in Recife, Pernambuco. 

Estudos em Escrita Criativa, 2018 | Patricia Gonçalves Tenório*

O que?

 

Os Estudos em Escrita Criativa nasceram em agosto de 2016 na necessidade de compartilhar tudo o quanto eu estava apreendendo na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS, tudo o quanto eu havia apreendido na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, tudo o quanto eu havia apreendido a vida inteira, desde que iniciei meus estudos em ambiente extra-acadêmico em 2005.

Cada escritor tem um processo diferente na preparação para construir a própria obra. No meu caso, sinto que a teoria literária alargou a poesia, a crítica engrandeceu a ficção. Foram barro para meus vasos em flor.

Existe ainda muito preconceito em relação à Escrita Criativa. De que os escritores não precisam estudar para criar. De que a teoria engessa a ficção. De que o escritor nasce pronto.

Mas a origem da Escrita Criativa vem dos tempos ancestrais. Reza a lenda que a mãe de Virgílio, o autor da Eneida, sonhou quando grávida com um loureiro. Consultou um mágico e este revelou, para alegria da futura mãe, que o filho seria um grande poeta. Mas advertiu: ela deveria enviá-lo para Roma para que aprendesse com os grandes poetas da época.

Guy de Maupassant bebia em Gustave Flaubert. Virgínia Woolf compartilhava os segredos em diários. Henry James derramava em cadernos a arte da ficção. Autran Dourado explicava as técnicas de carpintaria dos textos. João Cabral matematicamente limava os versos. Na França, encontramos os Ateliers d’Écritures, nos anos 60 do século XX com Elisabeth Bing; na Espanha, os Talleres, Factoria de Alquimia Literaria; no México, o Grupo El Paso, Maestria em Creación Literaria; na Argentina, Ricardo Piglia.

E quantas oficinas de poesia e de ficção pelo Brasil inteiro: Bernadete Bruto (PE), Raimundo Carreiro (PE), Sidney Nicéas (PE), Paulo Caldas (PE), Fernando de Mendonça (SP/SE), Igor Gadioli (PB/SE), Laura Erber (RJ), Luiz Rufatto (MG/SP), Marcelino Freire (PE/SP), Alexandra Lopes (DF/RS), Gustavo Czekster (RS), e inúmeros outros escritores, até chegarmos ao único Programa de Pós–graduação com mestrado e doutorado em Escrita Criativa do país na PUCRS com Luiz Antonio de Assis Brasil (RS).

Os Estudos em Escrita Criativa, 2018 vêm com a proposta de tentar englobar diversas técnicas. Nos alimentaremos do fazer artístico dos escritores clássicos, assim como da teoria da literatura e outras áreas de conhecimento (filosofia, psicanálise, semiótica), outras artes conjugadas (cinema, fotografia, artes plásticas), receberemos escritores locais e seus processos criativos, para que, lembrando o saudoso poeta e escritor Ariano Suassuna no seu Iniciação à estética, munidos da técnica, ou estudo contínuo, e do ofício, ou trabalho diário, quando a ave de rapina da inspiração criadora, ou forma, descer do sol com seu voo certeiro, estarmos preparados para dar o salto, e escrevermos uma obra de arte.

 

Quando?

 

Nossos Estudos começarão em 10 de março de 2018 na Livraria Cultura do Paço Alfândega, em Recife, PE. A próxima cidade a realizarmos nossos encontros será Porto Alegre, RS, cujas datas e escritores convidados serão informados em breve.

 

Como?

 

Os interessados devem enviar para o e-mail grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com uma pequena biografia, com dados para contato, produção de conteúdo (1 ou 2 contos/poesia) e responder à pergunta: Por que se interessa em participar dos EEC?. Outras informações serão disponibilizadas por e-mail e também nas redes sociais Facebook e Instagram(@estudosemescritacriativa).

 

Escritora, mestre em Teoria da Literatura (UFPE), doutoranda em Escrita Criativa (PUCRS).

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Cartaz A3

Índex* – Janeiro, 2018

As palavras

Fizeram um acordo

Com a minha boca

E dela não saem mais

Fizeram um acordo

Com os olhos

E eles vão ler

Silenciosos

Com os ouvidos

E eles vão escutar

Estrelas

*

Porém

As palavras

Não conseguem

Adormecer 

As minhas mãos

Acordar com as minhas mãos

Uma página em branco

*

As mãos

São o instrumento 

Que me faz

Sentir humana

E sonhar

E perceber 

E escrever

A imensidão 

Do meu vazio

(“O ser e o nada”, Patricia Gonçalves Tenório, 14/01/2018, 17h55)

 

Uma página em branco a ser preenchida no Índex de Janeiro, 2018 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Um conto | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“Contos de areia” | Chico Alves d’Maria (RN – Brasil).

“Rio de Fogo” | Bruno Lacerda (RN – Brasil) & David de Medeiros Leite (RN – Brasil).

Estudos em Escrita Criativa – 2018 | Diversos.

Agradecemos a atenção e o carinho, a próxima postagem será em 25 de Fevereiro, 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index*, January, 2018

The words

Made a deal

With my mouth

And they do not leave it any more

Made a deal

With the eyes

And they will read

Silent

With the ears

And they will listen

Stars

*

However

The words

They can not

Fall sleep

My hands

Wake up with my hands

A blank page

*

The hands

They are the instrument

That makes me

Feel human

And dream

And realize

And write

The immensity

Of my emptiness

(“Being and Nothing”, Patricia Gonçalves Tenório, 01/14/2018, 05:55 PM)

 

A blank page to be filled in the Index of January, 2018 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

A tale | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“Tales from the sand” | Chico Alves d’Maria (RN – Brasil).

“River of Fire” | Bruno Lacerda (RN – Brasil) & David de Medeiros Leite (RN – Brasil).

Studies in Creative Writing – 2018 | Miscellaneous.

Thanks for the attention and the affection, the next post will be on February 25, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Um verão em cor na praia de Boa Viagem – Recife – PE. A summer in color on Boa Viagem beach – Recife – PE.

Estudos em Escrita Criativa – 2018

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Escrita criativa para ampliar horizontes
Curso orienta sobre a técnica e estimula o prazer de escrever

Em tempos de redes sociais e muita tecnologia, restabelecer o prazer da escrita é um desafio que a premiada escritora pernambucana Patricia Gonçalves Tenório decidiu enfrentar. Para isso, criou os Estudos em Escrita Criativa (EEC), que promove este ano uma série de encontros mensais para discutir, estimular e difundir a técnica.

A primeira cidade a ser contemplada é Recife, PE, e os encontros serão realizados na Livraria Cultura do Paço Alfândega, sempre aos sábados, das 10h às 13h, mesclando conteúdos teóricos, exercícios práticos e apresentação de autores locais e seus processos criativos. Cada evento abordará um tema independente – possibilitando a participação não sequencial do público – e específico: O tempo (10/03); O mito (07/04); A viagem (12/05); A música (09/06); O amor (11/08); O sonho (01/09); A imagem (06/10) e O fogo (10/11).

Encantada pela Escrita Criativa, Patricia Tenório diz que o curso é voltado a todos que têm aproximação com a literatura e interesse na construção de ensaios teórico-poéticos, contos, romances, poemas. “A participação é ampla e irrestrita, sem limitação de idade, escolaridade ou qualquer outro impedimento”, explica.

Informações de inscrições pelo e-mail grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com. Os interessados devem enviar uma pequena biografia, com dados para contato, produção de conteúdo (1 ou 2 contos/poesia) e responder à pergunta: Por que se interessa em participar do EEC?. Outras informações serão disponibilizadas, ainda, nas redes sociais Facebook e Instagram(@estudosemescritacriativa).

A autora – Patricia Gonçalves Tenório (Recife/PE, 1969) escreve prosa e poesia desde 2004 e tem onze livros publicados, com premiações no Brasil e no exterior, entre elas, Melhor Romance Estrangeiro (2008) por As joaninhas não mentem, e Primo Premio Assoluto (2017) por A menina do olho verde, ambos pela Accademia Internazionale Il Convivio (Itália); Prêmio Vânia Souto Carvalho (2012) da Academia Pernambucana de Letras (PE) por Como se Ícaro falasse, e Prêmio Marly Mota (2013) da União Brasileira dos Escritores (RJ) pelo conjunto da obra. Mestre em Teoria da Literatura pela UFPE, atualmente é doutoranda em Escrita Criativa na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

Índex* – Dezembro, 2017

O menino

Se aproxima

E eu vejo

O seu andar

E eu sinto

O seu olhar

Bem aqui

Próximo ao meu

 

Passa o tempo

Passa a vida

Eu atrás 

Desse menino

Eu em busca

De uma história 

Que eu possa

Te contar

 

Para crer

Mais uma vez

Na bondade

Do menino

Na candura

De um Natal

Um Ano Novo

Que se aproxima 

Devagar

(“É outra vez”, Patricia Gonçalves Tenório, 13/12/2017, 05h20)

 

Um 2018 de muita Paz, Saúde, Luz & Escrita Criativa que se aproxima no Índex de Dezembro, 2017 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – 2018 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Maudie e Mamãe em 2017 | Bernadete Bruto (PE – Brasil).

O livro das recordações | Coordenação: Diógenes da Cunha Lima (PE – Brasil).

Presentes do Poeta de Meia-Tigela / Alves de Aquino (CE – Brasil).

 

E obrigada por tudo nesse 2017 que finaliza hoje…

Janeiro, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7092

Fevereiro, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7229

Março, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7333

Abril, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7401

Maio, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7449

Junho, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7514

Julho, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7556

Agosto, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7608

Setembro, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7666

Outubro, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7743

Novembro, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7816

 

… a próxima postagem será em 28 de Janeiro, 2018, um grande abraço, e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Index* – December, 2018

 

 

The boy

Gets closer

And I see

His walking

And I feel

His look

Right here

Next to mine

 

Passes the time

Goes the life

And I’m looking for

This boy

And I’m looking for

A story

That I can

Tell you

 

To believe

Once again

In the kindness

Of the boy

In the candidness

Of a Christmas

A New Year

That gets closer

Slowly

(“It’s another time,” Patricia Gonçalves Tenório, 12/13/2017, 05:20 a.m.)

 

A 2018 full of Peace, Health, Light & Creative Writing getting closer in the December Index, 2017 on Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

Study Group on Creative Writing – 2018 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Maudie and Mama in 2017 | Bernadete Bruto (PE – Brasil).

The book of memories | Coordination: Diógenes da Cunha Lima (PE – Brasil).

Gifts of the Poet of Half-Bowl / Alves de Aquino (CE – Brasil).

 

And thank you for everything in 2017 that ends today…

January, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7092

February, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7229

March, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7333

April, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7401

May, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7449

June, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7514

July, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7556

August, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7608

September, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7666

October, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7743

November, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7816

 

… the next post will be on January 28, 2018, a big hug, and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Um Ano Novo se aproxima. A New Year gets closer.

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – 2018

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O tempo                                     A viagem

                         O amor                            A imagem    

O mito                                        A música

                         O sonho                           O fogo

Encontros mensais e temáticos para, a partir da Teoria, estimular a Criatividade na Escrita de Ficção, Poesia, Ensaios Teórico-Poéticos. Em cada cidade, participação especial de escritores locais falando sobre seus processos criativos.

* Patricia Gonçalves Tenório é escritora, mestre em Teoria da Literatura (UFPE), doutoranda em Escrita Criativa (PUCRS). 

Maudie e Mamãe em 2017 | Bernadete Bruto*

(…) as esperanças vão conosco à frente e os desenganos vão ficando atrás…

(Trecho do poema CONTRASTE de Pe. Antonio Tomaz)

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Talvez, por “coincidência”, tenha assistido neste dia, 14 de dezembro de 2017, ao filme Maudie (2016) ou fiz uma associação imediata entre ela e minha mãe (Gracinha), porque sinto saudades da mamãe e muito mais hoje. Se viva estivesse seria o dia de seu aniversário, por isso a saudade bate mais forte hoje e vem com lágrima saltando nos olhos.

No filme, um primor de fotografia, que mais parece um cartão postal, a protagonista, uma mulher (artista), com corpo e mãos retorcidos pela artrite, transforma a vida cotidiana em arte, colorindo todo o espaço ao redor.  Esta mulher se chamava Maud Dowley e existiu realmente, tornando o filme ainda mais belo.

Bem ao final do filme, Maud responde a uma amiga sobre o que a motiva: Eu não quero muito. Enquanto eu tiver um pincel na minha frente eu não ligo. (…) É sempre mais a plenitude da vida já enquadrada. Bem ali.

Maudie e a visão sobre a vida, assim como os olhos brilhantes de minha mãe perante a existência. Ah, Dona Gracinha, como Maud, você enxergou a beleza na tela da vida, que tanto nos descrevia e para nós “pintava” todo santo dia: Repare naquele céu tão azul! Naquele mar, não é lindo? Esse vento que sopra. Este sol tão brilhante!  E quando não recitava pela casa o poema de Pe. Antonio Tomaz, de cuja frase fazia quase um mantra, muitas vezes pedia para tocar no violão a música Porque Deus é amor  para cantarmos juntos:

 

♪♪ Você sabe por que o céu é azul sem confim,

você sabe por que o mar nunca há de secar,

você sabe por que o sol  de sempre brilhar,

porque Deus é amor…♫

 

Assim como Maud, Gracinha, minha mãe, uma artista, nos mostrava a beleza da vida enquadrada bem ali à nossa frente e acredito, conseguimos, ainda hoje, contemplar a vida, assim colorida, porque foi assim, para nós, através de sua voz, pintada. Gratidão, Mamãe!

 

Recife, Salve, 14 de Dezembro de 2017!

 

Gracinha 14/12/1917

+ 20/08/2005

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* Bernadete Bruto (Recife/PE, 1958) é Bacharel e Licenciada em Sociologia, com Especializações na Área de Recursos Humanos e Direito Administrativo. É Analista de Gestão do Metro do Recife e Poeta Performática. Membro da União Brasileira de Escritores-UBE, da Associação do Amigos do Museu da Cidade do Recife – AMUC, parceira da Cultura Nordestina Letras e Artes e participa de grupos como a Confraria das Artes e Grupo de Estudos em Escrita Criativa. Tem quatro livros publicados, três coletâneas de poesias, Pura Impressão (2008), Um Coração de Canta (2011) e Querido Diário Peregrino (2014), e  o livro infantil bilíngue A menina e a árvore  (2017). Participou de antologias, assim como diversas apresentações poéticas e performáticas. Contatos: bernadetebruto@gmail.com e www.bernadetebruto.com

Índex* – Novembro, 2017

De Arabella

Se aproxima

O fim da sua estória

O fim da narração 

Em terceira pessoa 

Que ficcionaliza

A vida do autor

*

A morte do autor

Está em cada linha

Está em cada palavra

Contada

Narrada

Derramada

Na tela do computador 

Nas letras do teclado

Que protegem o eu

Do outro

E permitem imaginar

E concedem aproximar

O fim de uma estória 

À bordo de um avião

(“Arabella em apuro”, Patricia Gonçalves Tenório, 10/11/2017, 06h50)

 

O fim de uma estória, o fim de um ciclo e início de outro no Índex de Novembro, 2017 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Poemas de Viagem | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“A menina do olho verde” na Itália | Patricia Gonçalves Tenório.

Ewa Lipska (Pologne) & Krzyztof Siwczyk (Pologne) | Traduits par Isabelle Macor (France).

“Il Viaggio della Memoria” | M. Rosario Franco (Italia).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Novembro, 2017 & 2018.

E o link do mês: Clauder Arcanjo (RN – Brasil) e Alfredo Pérez  Alencart  (Salamanca, Espanha) em www.salamancartvaldia.es/not/164590/desde-lisboa-mossoro-dedican-poemas-salmantino-anibal-nunez/

 

Agradeço a atenção e carinho de sempre, a próxima postagem será em 31 de Dezembro de 2017, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – November, 2017

From Arabella

Get closer

The end of her story

The end of the narration

In third person

That fictionalizes

The life of the author

 *

The author’s death

It’s on every line

It’s in every word

Told

Narrated

Spilled

On the computer screen

In the letters of the keyboard

Who protect the self

From the other

And they let imagine

And they allow approach

The end of a story

Aboard an airplane

(“Arabella in style”, Patricia Gonçalves Tenório, 11/10/2017, 06:50 a.m.)

 

 

The end of a story, the end of one cycle and beginning of another in the Index of November, 2017 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Travel Poems | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“The girl with the green eye” in Italy | Patricia Gonçalves Tenório.

Ewa Lipska (Poland) & Krzyztof Siwczyk (Poland) | Translated by Isabelle Macor (France).

“Il Viaggio della Memoria” | M. Rosario Franco (Italy).

Group of Studies on Creative Writing – November, 2017 & 2018.

And the link of the month: Clauder Arcanjo (RN – Brasil) Clauder Arcanjo (RN – Brasil) and Alfredo Pérez  Alencart  (Salamanca, Spain) on www.salamancartvaldia.es/not/164590/desde-lisboa-mossoro-dedican-poemas-salmantino-anibal-nunez/

 

Thank you for the attention and affection of always, the next post will be on December 31, 2017, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** O fim de um ciclo e início de outro. The end of one cycle and beginning of another. 

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Novembro, 2017 & 2018

O nono encontro de 2017 do Grupo de Estudos em Escrita Criativa foi muito especial.

Foi especial, porque investigamos as estórias que já nos contaram e agora contamos de maneira diferente, imprimimos a nossa própria voz.

Foi especial, porque, como Teoria, utilizamos os “Cinco tipos de transtextualidades, dentre os quais a hipertextualidade” dos Palimpsestos: a literatura de segunda mão (1989), do crítico literário e teórico da literatura francês, nascido em Paris, Gérard Genette (1930)…

“A transtextualidade ultrapassa então e inclui a arquitextualidade, e alguns outros tipos de relações transtextuais, das quais uma única nos ocupará diretamente aqui, mas das quais é preciso inicialmente, apenas para delimitar o campo, estabelecer uma (nova) lista, que corre um sério risco, por sua vez, de não ser exaustiva, nem definitiva.” (GENETTE, 1989, p. 13-14)

… e aplicamos na Criação de uma “Ficção a partir de uma Ficção”, ou como apreendi na disciplina Literatura e Linguagem Digital ministrada pelo Prof. Bernardo Bueno no PPGL em Escrita Criativa da PUCRS, uma “Fanfiction”. Utilizamos como exemplo a Fanfiction apresentada neste blog em Outubro, 2017:

http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7565

 

Foi especial, porque último encontro do GEEC na minha residência.

O Grupo de Estudos em Escrita Criativa nasceu em Agosto, 2016 com o objetivo de, através do estudo dos grandes teóricos da Literatura e outras Artes (Fotografia, Cinema, Artes Plásticas), e diversas Áreas de Conhecimento (Filosofia, Sociologia, Psicanálise), estimular a Criação de Contos, Poemas, Romances.

Agosto, 2016: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=6788

Setembro, 2016: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=6829

Outubro, 2016: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=6924

Novembro, 2016: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=6990

Dezembro, 2016: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7049

Março, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7287

Abril, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7368

Maio, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7444

Junho, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7496

Julho, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7553

Agosto, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7595

Setembro, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7663

Graças ao Grupo, surgiu a ideia do I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco durante a XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, e, com o Seminário, a antologia de artigos dos participantes Sobre a escrita criativa.

http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7683

A partir de Março, 2018, todo segundo sábado do mês, teremos 01 encontro de 03 horas, a princípio, na Livraria Cultura do Paço Alfândega, em Recife – PE, com o objetivo de se estender para outras paragens do Brasil. Nos moldes dos encontros que ocorriam em minha residência, iremos ampliar para o grande público. Foi uma experiência muito gratificante no I Seminário a construção de 22 textos dos participantes, demonstrando a grande demanda por eventos nessa área da Escrita Criativa, e com o formato do GEEC.

Outubro, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7694

As inscrições estão abertas com maiores informações no grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com. As vagas são limitadas para dar maior e melhor atenção para cada participante. Os interessados devem enviar:

– Uma pequena biografia com dados de contato (Nome completo, Telefone, E-mail, Formação);

– 1 ou 2 contos/poesias;

– Por que se interessa em participar do Grupo de Estudos em Escrita Criativa?

E boa leitura das Fanfictions das minhas tão queridíssimas alunas!

 

Patricia Gonçalves Tenório*.

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Referências:

GENETTE, Gérard. Cinco tipos de transtextualidade, dentre os quais a hipertextualidade. Algumas precauções. In Palimpsestos: a literatura de segunda mão. Tradução: Luciene Guimarães e Maria Antônia Ramos Coutinho.

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Bernadete Bruto**

 

O legado de MOGLI

Foto 1 Berna 

 

Estava ali na divisória entre um bairro e outro. Do bairro das Graças onde viveu até agora, já vislumbra o bairro vizinho da fronteira…o Bairro do Espinheiro. Está com 8 anos.. A terrível morte “Sere Kan” já assolara aquele povo e a família lobo estava de luto…assim como o coração de Mogli. O grande pai Lobo fora se encontrar com seus ancestrais na Índia.

Foto 2 Berna

 

Mogli nasceu na família Raposo que era parente dos Lobos. Ele sempre soube que era diferente dos Lobos, apesar de ser parente… E quando junto aos Raposo, ele sabe que também é Lobo… Essas famílias se intercruzaram.  Na realidade seu nome é MOGLI LOBO RAPOSO. E estava na casa dos RAPOSO LOBO. Por isso a confusão na sua cabecinha de criança. E naquele ano, em particular, quando Mogli nasceu, foi o período difícil para um lar cheio de filhos e Mogli precisou sair ainda bebê e ser emprestado aos parentes Lobo, para receber os cuidados necessários. Já havia 10 raposinhas precisando de cuidados e chegaria em breve outro! Mamãe Raposo, as raposinhas maiores e Tia Kaa não podiam cuidar deste bebe…Tia Baguera Lobo poderia! Suas lobinhas, lobinhos estavam maiores na época e um bebê seria muito gostoso para um lar que amava crianças.

Foto 3 Berna

Foto 4 Berna

Na fronteira ele relembra. Sempre soube quem era e para onde devia ir, voltar, mas faltava coragem, vivendo naquele local tão cheio de graça, sob proteção de sua Tia Baguera e sua prima Balu. Pois naquele ninho, a vida era um conto de fadas cheio de livros e arte e calor humano.

Naquele tempo, Mogli se dividia entre uma casa e outra, estudava na mesma escola do bairro da Capunga, onde lá todos se misturavam e se misturavam nas férias na casa de praia em Olinda, e se misturavam nos aniversários. Mas sempre Mogli voltava ao seio dos Lobos e se sentia em casa no acolhimento amoroso daquela família.

Foto 5 Berna

Mogli agora na esquina da vida olha para trás e vê as duas, Tia Baguera e Balu, do seu canto acenando e dizendo volte sempre! Você tem um lugar aqui. E em nosso coração.

ELE receosamente voltará para os Raposos e pressente que enfrentará provas naquele bando de gente de todo tipo e tamanho, convivendo profundamente. É um clã imenso liderado pelo SR Raposo. Muitas provas Mogli passará….tia Kaa estará por lá com seu olhão lhe dizendo coisas muito duras que um menino naquela idade não consegue ainda entender. Também haverá ocasiões nas quais os Raposos e Raposas agirão como macacos loucos, até Mogli conseguir encontrar o seu lugar naquela casa. Dona Raposo será seu elo de ligação, com paciência tangendo Mogli para junto dos Raposinhos. Com ela e as irmãs Raposas ele também se conectará com a arte, isso irá ajudar muito no futuro ainda mais distante.

Foto 6 Berna

Na fronteira entre os bairros, com os olhos anuviados da perda, Mogli ainda não sabe que em outras ocasiões essa sua experiência lhe renderá belos frutos. Em passos acanhados, mas decididos, dirige-se ao Espinheiro, para o seu lugar naquela casa e, no futuro, para o seu lugar no mundo, após enfrentar todos espinheiros que a vida lhe trará na maturidade. Com apenas esse passo de hoje, no futuro Mogli compreenderá o que disse certa vez Rudyard Kipling(*) em seu famoso poema IF (SE):

 

(…)

                           Se consegues num único passo
arriscar tudo o que conquistaste
num lançamento de cara ou coroa,
perderes e recomeçares de novo
sem nunca suspirares palavras da tua perda.

 

                                               (…)

 

                        Tua é a Terra
e tudo o que nela existe
e mais ainda,
tu serás um Homem, meu filho!

 

 

Recife, 26 de Outubro de 2017.

 

Elba Lins***

 

Cedinho naveguei do mar em direção àquele rio. Não sei qual a razão dele ser conhecido como Rio de Janeiro. Suas águas claras e brilhantes trazem até mim a sensação de paz, de beleza, de algo mágico que não encontramos em todos os lugares. Suas águas ficam próximas ao mar; apenas uma larga faixa de areia de cor perolada separa o lugar mágico, do oceano – onde vivo com os seres semelhantes a mim. O rio me encanta. Nem mesmo o mar onde vivo desde que nasci me traz a sensação que encontro quando o percorro e atinjo suas partes mais profundas.

Hoje ao chegar, desci rapidamente para as profundezas, normalmente desertas. Me encanta aquela cidade submersa e abandonada há muitos milênios, que como diz a lenda foi a terra de lindas moças morenas que amavam o mar e o sol em um tempo em que as pessoas ainda precisavam estar na superfície para poder respirar.

No Rio já tenho um destino certo, não sei porque, mas os meus braços-nadadeiras me levam como um autômato para determinada casa onde sensações especiais tomam conta de minha alma, sensações que não sei identificar, nunca senti  e nem ouvi de ninguém um sentimento como este. Na minha família – cardúmica, mesmo dotados de alma e com sentimentos que nos levam a pensar no outro –, o convencional após certa idade é   passarmos alguns anos com um espécime masculino para termos filhos. Logo após este período os anciões nos direcionam a um novo relacionamento a fim de perpetuar a família. Há algum tempo algo de muito estranho acontece  comigo e esta mudança tem conexão direta com o início de minhas viagens ao fundo do rio e com o tempo que permaneço na casa que me fascina.

Cada vez que vou até a casa, passo horas inteiras tentando decifrar antigos papéis preservados, cujos estranhos rabiscos, que não sei o que significam, mas só me fazem pensar no Chico Peixe. É uma sensação tão estranha e tão gostosa que me dá vontade de estar sempre com ele, mesmo após o período de incubação. Quero sentir minhas escamas roçando as suas, minhas guelras sugando seu beijo, me aninhando inteira junto a ele. Sinto  como se aqueles símbolos e aquele som que insiste em vibrar no fundo do rio me levasse para outra dimensão, para outro tempo em que eu precisava respirar, uma época remota em que meus pés passeavam na beira de uma praia e me levavam correndo para encontrar o Chico e suas lindas  palavras, que encantavam a todos. É como se um sentimento que não sei definir e que não é meu na sua origem, chegasse de muito, muito tempo atrás, apenas para me ligar ao Chico Peixe. Sinto que os “futuros amantes, quiçá se amarão, sem saber com o amor” deixado no éter para outra que não era eu… vindo de outro Chico que não era o Peixe.

 

(DE ONDE VEM ESTE AMOR?

ELBA LINS 15.11.2017

Ouvindo a música “Futuros Amantes”, de Chico  Buarque)

 

 

Talita Bruto*****

 

Carta Aberta

 

Antes, Pai,

 

Escrevi um inventário que pudesse re-mover o concreto desta consciência. Pois sempre busquei as origens até das causas originais. A origem guarda. Haveria quem dissesse. Das nossas adversidades e elas como muros, fantásticas e verossímeis. Num mesmo espaço, matérias diferentes ocupando uma suspensão imaginária, difícil de alcançar. Muito além das leis físicas humanas. Gosto de ir, além…pensá-las como maravilhosas, cumprem com seu papel destinado pelo que é Divino. Instantes locomovem-se fatais. Ex machina. Cabe ressaltar a isso minha natureza vunerável, estarrecedora e humana, profundamente. Eis minhas motivações. Experenciar o conhecimento para torná-lo prático.

 

“E quem será
Nos arredores do amor que vai saber reparar que o dia nasceu”

 

Portanto, escrevo ao senhor. Torno de repente à realidade e abstraio a paisagem, isto é, aquilo que alcança o buraco negro dos meus olhos desmodalizados. Sou aquilo que tem ar de intrínseco. Esse céu azul límpido. Não fede, não cheira, não desmorona, pois que no há umidade. Flutua. Esse tal ar que apreende entre si, eco. E continua vibrando nos nossos ossos. Coisa forte e mesmo, quebradiça.

Sei que peguei do senhor a característica de fugidio, encara de frente mas quase não examina, perquere quase nunca, indaga, existe quase só como telespectador. E essa foi uma das ‘virtudes’. Causadora em mim, dos meus hábitos – achados hoje – inalienáveis, não me vejo sendo objetiva o bastante para chegar à conclusão proposital desta carta.

Meus problemas começaram quando se foram – os conhecidos.

 

“Sabe lá, o que é não ter e ter que ter pra dar”

 

É muito cliché e pragmático acreditar nos outros como os responsáveis pelas minhas ausências. Contrariamente, nunca tive medo disso. No entanto, encontrei-o algumas vezes. Como bem, a caminho da beira mar numa boa viagem, as garças voavam em grupo.

Tranco automaticamente as portas, carro ligado, chave na ignição, e o conhecimento teórico habilitado. Sou passageira. Poderia deixar o senhor. Mais que meus instintos as crenças não se deixam levar. Então vamos juntos. Sinto que a noção de coletividade há muito havia nos deixado e nem de lado estávamos, aquém. As dificuldades que eram os ossos abrindo armadilhas para se expandir conjuntamente às águas que sorviam da minha pele, feriam e saravam. Meandros. Ardia com o sal que salvava a corrupção dos meus sentidos. Vá, pai, não estamos de brincadeira.

Numa linha reta vejo que o senhor traça velocidades, sempre querendo escapar dos buracos, para que os pneus não furem. Fica a dúvida. Se a embreagem deve ser o lugar de troca entre o acelerador e o freio, como usar? Paro. Vou. Saio. Vôo. Pontos finais, vírgulas, estou dirigindo um meio termo de saber,dor,ia embora. Estar aqui é voltar aos dias que tocava as miúdas mãos de uma garotinha no nascer sem angústia tristeza receio que o senhor não esteja me entendendo. Sinto muito.

 

“Só eu sei as esquinas por que passei.”

 

Sol se maturando, cíclico, dia, tarde. Voltamos para beira do rio. A nascente da foz. Em meio ao quase mar que enfim, era turvo, sujo, morto, vivo. E meu pai, tentando. Primeiro vislumbre de um homem que busca ser marechal na vida. A cinquenta e quatro quilômetros por segundo quer me acompanhar nos meus vinte. Discrepância. Mas é bonito. O capibaribe nos perseguia sem obsessão. Momento. Nós rimos das nossas palhaçadinhas, novelas, festas. Pois fomos tudo isso em tão pouco tempo. Doo meus braços para os seus. Sou um bebê nesse minuto. “Não vou te abandonar”. Me observa com doçura. Sem acidente, chegamos. Ninguém dormiu de novo ao volante. Copiosamente reescrevo nos seus lábios o que sai dos meus dedos. “Eu te amo, minha filha, até à manhã”.

Agora todos os medos dizem, em frente, não se preocupe.

Querido pai, numa noite li um livro de conselhos, falava disso.

 

“O senhor é tão jovem, tem diante de si todo começo, e eu gostaria de lhe pedir da melhor maneira que posso, meu caro, para ter paciência em relação a tudo que não está resolvido em seu coração.”

 

 

Referências:

Cartas a um jovem poeta. Rainer Maria Rilke. Tradução: Paulo Rónal e Cecília Meirelles. São Paulo: Globo, (1953 in) 2001.

Esquinas. Djavan. 1984.

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* Patricia Gonçalves Tenório (Recife/PE, 1969) escreve prosa e poesia desde 2004. Tem onze livros publicados: O major – eterno é o espírito, 2005, biografia romanceada, Menção Honrosa no Prêmios Literários Cidade do Recife (2005); As joaninhas não mentem, 2006, fábula, Melhor Romance Estrangeiro da Accademia Internazionale Il Convivio, Itália (2008); Grãos, 2007, contos, poemas e crônicas, Prêmio Dicéa Ferraz – UBE-RJ (2008); A mulher pela metade, 2009, ficção; Diálogos, contos, e D´Agostinho, poemas, 2010; Como se Ícaro falasse, ficção, Prêmio Vânia Souto Carvalho – APL-PE (2011), lançado em novembro de 2012. Em 2013, recebeu o Prêmio Marly Mota, da União Brasileira dos Escritores – RJ, pelo conjunto de sua obra, e lançou em Paris Fără nume/Sans nom, poemas, contos e crônicas em francês e romeno, pela editora romena Ars Longa; Vinte e um/Veintiuno (Mundi Book, Espanha, abril, 2016), e A menina do olho verde (livros físico e virtual, Recife e Porto Alegre, maio e junho, 2016), traduzido para o italiano por Alfredo Tagliavia, La bambina dagli occhi verdi, publicado em setembro, 2016 pela editora IPOC – Italian Paths of Culture, de Milão, e recebeu o Primo Premio Assoluto, pela Accademia Internazionale Il Convívio na Itália (2017). Defendeu em 17 de setembro de 2015 a dissertação de mestrado em Teoria da Literatura, linha de pesquisa Intersemiose, na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, “O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural”, com o anexo o ensaio romanceado O desaprendiz de estórias (Notas para uma Teoria da Ficção), sob a orientação da Profª Dra. Maria do Carmo de Siqueira Nino, publicada em outubro de 2016 pela editora Omni Scriptum GmbH & Co. KG / Novas Edições Acadêmicas, Saarbrücken, Alemanha. Doutoranda em Escrita Criativa pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS, sob a orientação de Prof. Dr. Luiz Antonio de Assis Brasil. Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e www.patriciatenorio.com.br

 

** Bernadete Bruto (Recife/PE, 1958) é Bacharel e Licenciada em Sociologia, com Especializações na Área de Recursos Humanos e Direito Administrativo. É Analista de Gestão do Metro do Recife e Poeta Performática. Membro da União Brasileira de Escritores-UBE, da Associação do Amigos do Museu da Cidade do Recife – AMUC, parceira da Cultura Nordestina Letras e Artes e participa de grupos como a Confraria das Artes e Grupo de Estudos em Escrita Criativa. Tem três livros publicados, todas coletâneas de poesias: Pura Impressão (2008), Um Coração de Canta (2011) e Querido Diário Peregrino (2014), participação em antologias, assim como diversas apresentações poéticas e performáticas. Lança na Bienal A menina e a árvore (Novoestilo). Contatos: bernadetebruto@gmail.com e www.bernadetebruto.com

 

*** Elba Lins (Monteiro/PB, 1957) é formada em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Pernambuco (1979), fez MBA em Gestão de Negócios (EAD) pela PUC-PR. Trabalhou durante 34 anos na área de Telecomunicações da CHESF (Companhia Hidroelétrica do São Francisco). Atualmente aposentada, dedica-se à escrita. Fez curso de Contação de Histórias no Zumbaiar (Recife). Faz poesias e há um ano participa do GEEC – Grupo de Estudos em Escrita Criativa, sob a coordenação de Patricia Tenório. DO OUTRO LADO DO ESPELHO – O feminino em estado de poesia (2017) é seu primeiro livro. Contatos: elbalins@gmail.com

 

**** Luisa Bérard (Maceió/AL, 1975). O romance Nas montanhas do Marrocos é o livro que marca a estreia da alagoana Luisa Bérard no mundo literário. Participa desde 2017 do Grupo de Estudos em Escrita Criativa, coordenado por Patricia Tenório. Graduada em Direito pela Universidade Federal de Alagoas, atualmente trabalha como advogada e reside em Recife, no estado brasileiro de Pernambuco. Contatos: luisaberard@gmail.com

 

***** Talita Bruto é natural de Recife/PE, nascida em 1997, e graduanda em Letras Bacharelado com ênfase em estudos literários pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).  Algumas das áreas ambientadas na literatura pelas quais nutre interesses são o hermetismo, a psicanálise, as teorias da recepção, do efeito estético, da narrativa.  Além disso, participa atualmente, como aluna, de alguns grupos de estudo, dentre eles o Grupo de Estudos em Escrita Criativa ministrado mensalmente pela doutoranda Patricia Tenório. Contatos: talitabruto@gmail.com