Posts com Poesia

Índex* – Outubro, 2019

Você vai crescer

E vai entender

Que deixar de ser criança

Não perde a

Ternura

E com respeito aos pais

Se ganha sempre

 

Então procure

Não olhar para trás

E saber trilhar

O próprio caminho

E fazer soar

A própria voz

 

Sem culpar

Quem veio antes

Mesmo com todos

Os defeitos

Mesmo com algumas

Qualidades

 

Mesmo sendo

Os seus pais

(“Você vai crescer um dia”, Patricia Gonçalves Tenório, 12/10/2019, 16h37)

 

O crescimento da escrita a cada dia no Índex de Outubro, 2019 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Convite Lançamentos Cinco Livros | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“Janelas” | Patricia Gonçalves Tenório.

Sessenta e um poemas para uma vida | Bernadete Bruto (PE – Brasil).

Dicionário involucionário | Felipe Franklin de Lima Neto (CE – Brasil).

Lucas Oats e o segredo do 404 | Meire Fernandes (PE – Brasil).

Sumiço do ovo: contos e crônicas | Taciana Valença (PE – Brasil).

Muito obrigada pelo carinho de sempre, a próxima postagem será em 24 de Novembro de 2019, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – October, 2019

You will grow up

And you will understand

That stop being a child

Do not lose

Tenderness

And with respect to parents

One always wins

 

So search

Don’t look back

And know how to tread

Your own way

And make sound

Your own voice

 

Without blaming

Who came before

Even with every

Defects

Even with some

Qualities

 

Even they being

Your parents

(“You will grow someday”, Patricia Gonçalves Tenório, 10/12/2019, 4:37 pm)

 

The daily growth of writing in the October Index, 2019 in Patricia Gonçalves Tenório‘s blog.

Invitation Five Books Releases | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“Windows” | Patricia Gonçalves Tenório.

Sixty-one poems for a lifetime | Bernadete Bruto (PE – Brasil).

Involutionary Dictionary | Felipe Franklin from Lima Neto (CE – Brasil).

Lucas Oats and the 404 secret | Meire Fernandes (PE – Brasil).

Egg disappearance: tales and chronicles | Taciana Valença (PE – Brasil).

Thank you very much for the affection, the next post will be on November 24, 2019, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** O crescimento da escrita bem diante dos seus pais. The growth of writing right in front of your parents.

 

Convite Lançamentos Cinco Livros | Patricia Gonçalves Tenório

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Um amor cinquentenário à literatura

Escritora pernambucana Patricia Tenório lança coletânea no Recife e em Porto Alegre

 

Uma vida em cinco volumes. Uma história que não tem começo, nem fim, com textos que mesclam realidade, ficção, poesia e que registram o passo a passo de uma paixão à escrita criativa. Assim se pode definir a Coleção Cinco Livros, da escritora pernambucana Patricia Tenório, que não por acaso celebra seu cinquentenário com o lançamento de uma coletânea de obras reunindo seus principais livros, textos inéditos e outros quase.

A história contada nos cinco volumes é de um amor à literatura. 12 horas (prefácio de Assis Brasil – RS) é a tese de doutorado em Escrita Criativa na PUCRS. 13 (prefácio de Bernardo Bueno – RS) é uma proposta de escrever 50 contos em 30 dias. 14 (prefácio de Carlos Nóbrega e Alves de Aquino – CE) é uma seleção de 50 poemas escolhidos em meio a mais de 200 produzidos entre 2013 e 2018. 15 (prefácio de Fábio Varela Nascimento – RS) é um livro de ensaios produzidos de 2013 a 2018. E 7 por 11 (prefácio de Fábio Varela Nascimento – RS) é a seleção de trechos, contos e poemas de 7 dos 11 livros publicados pela autora até 2016.

Os lançamentos ocorrerão em Recife, no dia do aniversário de Patricia, 21 de novembro, na Livraria Cultura Riomar, a partir das 18h30; e em Porto Alegre, na Livraria Bamboletras, no 25 de novembro, a partir das 18h30.  Ambos terão, como atração especial, leituras dramatizadas com Bernadete Bruto, Dinaldo Lessa, Elba Lins, Raldianny Pereira, Taciana Valença e Vera Nóbrega em Recife, Fred Linardi, Gisela Rodriguez, Irka Barrios, Simone Vasconcellos, Taiane Maria Bonita e Tales Melati em Porto Alegre.

 

 

Sessenta e um poemas para uma vida* | Bernadete Bruto**

Primeiro Ato

 

Nascimento

 

Entre o amigo e o inimigo

Entre o pobre e o rico

Entre ele e ela

Entre o sólido e o líquido

Um coração dividido

 

Dividida pelos astros

No alvorecer

Do dia

Assim é

Entre opostos

Equilibrando-se

Pela vida.

 

Segundo Ato

 

Poema resposta

 

Por trás do rude

Da pedra

Da raiva

Há um ser

Temente da dor

Pois o doce

A flor

E a calma

É a própria alma

Simplesmente

Repleta

De amor.

 

Terceiro Ato

 

Puro agradecimento

 

Agradeço todo dia

Com alegria

Toda natureza

A contemplar

 

Agradeço ao amigo

Acolhendo-me

Com tanto carinho

Dando-me abrigo

 

Agradeço até ao inimigo

Cada dia a me guiar

Apontando para meu umbigo

Possibilitando melhorar.

 

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* Poemas extraídos de Sessenta e um poemas para uma vida. Bernadete Bruto. Prefácio: Taciana Valença. Posfácio: Maria das Graças Bruto da Costa Correia. Recife: Ed. do Autor, 2019.

** Bernadete Bruto (Recife/PE, 1958) é poeta performática, membra da União Brasileira de Escritores (UBE), da Associação dos Amigos do Museu da Cidade do Recife (AMUC), parceira da Cultura Nordestina Letras e Artes. É integrante dos grupos “Confraria das Artes” e “Grupo de Estudos em Escrita Criativa”. Seus três primeiros livros publicados são coletâneas de poemas, Pura Impressão (2008), Um Coração que Canta (2011), Querido Diário Peregrino (2014). Seu quarto livro trata do gênero infanto-juvenil e é bilíngue: A menina e a árvore – The girl and the tree (2017). Tem participação em várias apresentações poéticas e performáticas. Contatos: www.bernadetebruto.com e bernadete.bruto@gmail.com

Dicionário involucionário* | Felipe Franklin de Lima Neto**

Primeiro Verbete Involucionário: 1 – Homo Protestis.

 

A “Antropologia Pós-Moderna Brasileira” cunha o termo HOMO PROTESTIS: Com isso tenta ela cientificizar (tornar sérias) as tentativas de caricatura que a mídia corporativa promove frente aos fatos que vêm ocorrendo nas ruas reais e virtuais desse país durante a Guerra das Confederações e o Junho 13 Brasileiro.

 

Décimo Terceiro Verbete Involucionário: 13 – Quatro Estações.

 

Corriqueiramente associada à ópera pluviométrica e “inconformista” de Antônio Vivaldi; na subvariante musical também atrelada ao disco da banda candanga Legião Urbana; No caso político morfossintárico em rigor: se diz da radicalização anarquista e incendiária da midiática Primavera Brasileira.

 

Trigésimo primeiro Verbete Involucionário: 31 – Interlúdio.

 

Pausa na produção e criação intuitiva e improvisada do dicionário para auscultar e participar dos ruídos internos e externos inscritos no ritmo involucionário dos acontecimentos do Junho 13 Brasileiro e da Guerra das Confederações.

 

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* Verbetes extraídos de Dicionário involucionário. Felipe Franklin de Lima Neto. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2019.

** Felipe Franklin de Lima Neto; doravante Felipe Neto – como é chamado por todos aquelxs que o (des)conhecem desde antes o emergir totemtectônico e tsunâmico do mundo virtual; 4.3 quasares anos; cientista que sonha – para – além – desse – social; antropolírico; poeta político metido a; professor; dicionarista; aquele que taquigrafou isso até aqui; deu um ponto; afinal. Contato através do Poeta de Meia-Tigela Alves de Aquino: deaquinoalves@gmail.com

 

Índex* – Setembro, 2019

Escrevo

Porque

Não sei mais

Resistir

Não sei como

Desistir

Desses meus sonhos

Todos

 

Poeta

É quem

Faz sair

Do lugar

Próprio

Para um lugar

Outro

 

E acarinha

Com as palavras

Esse frágil

Corpo

Que é

Ser humano

(“Na fragilidade das horas”, Patricia Gonçalves Tenório, 21/09/2019, 09h33)

A fragilidade dos sonhos no Índex de Setembro, 2019 do blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Os sonhos nascem para todos | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Loucos, loucos | Alcides Buss (PR – Brasil).

Bernadete Bruto (PE – Brasil): Um brinde à vida | Patricia Gonçalves Tenório.

PÍLULAS PARA O SILÊNCIO (PARTE CXLIII) | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

Identidade, diáspora e exílio | Ricardo Timm de Souza (RS – Brasil).

E o link da entrevista de Patricia Gonçalves Tenório para Frederico Garcia Fernandes (PR – Brasil) no http://www.uel.br/uelfm/audios/29379-26-09-19_COLUNA_LITERATURA_VIVA.mp3

Agradeço a atenção e o carinho, a próxima postagem será excepcionalmente em 20 de Outubro de 2019, abraço bem grande e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – September, 2019

I write

Because

I don’t know anymore to

Resist

I don’t know how to

Give up

Of all

My dreams

 

A poet

Is someone who

Make it out

Of the place

Own

To a place

Other

 

And cherish

With words

This fragile

Body

That is a

Human being

(“In the fragility of the hours”, Patricia Gonçalves Tenório, 09/21/2019, 09:33 a.m.)

The fragility of dreams in the September Index, 2019 from Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

Dreams are born for everyone | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Crazy, crazy | Alcides Buss (PR – Brasil).

Bernadete Bruto (PE – Brasil): A Toast To Life | Patricia Gonçalves Tenório.

PILLS FOR SILENCE (PART CXLIII) | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

Identity, Diaspora and Exile | Ricardo Timm de Souza (RS – Brasil).

And the link of Patricia Gonçalves Tenório’s interview to Frederico Garcia Fernandes (PR – Brasil) in http://www.uel.br/uelfm/audios/29379-26-09-19_COLUNA_LITERATURA_VIVA.mp3

Thank you for your attention and affection, the next post will be exceptionally on October 20, 2019, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** A fragilidade e a perseverança dos sonhos. The fragility and perseverance of dreams.

 

Os sonhos nascem para todos | Patricia Gonçalves Tenório*

Olho da janela do meu quarto e vejo o mar.

E vejo os “longos, perigosos, tortuosos” caminhos para chegar até aqui. Não sei se consegui chegar a algum “Monte da Resposta Perdida”. Mas fui à beira do abismo, conversei com o corvo Graco, a flor Isabel, abri as asas de Ícaro acolhendo a sacerdotisa do sol Laura. Ajudei Ariana e Manoela a vencerem a vertigem, encontrarem Átila e Pedro, o Amor Perfeito e a própria Voz.

Confessei os meus pecados junto com D’Agostinho, estudei cinema nos meus Diálogos, fui à França com Sans Nom, à Romênia com Fără nume, à Espanha com Veintiuno, à Itália e os prêmios da Accademia Internazionale Il Convivio.

Tudo isso por meio da palavra escrita e tantos mestres: Raimundo Carreiro, Karla Melo, Maria do Carmo Nino, Lourival Holanda… Luiz Antonio de Assis Brasil.

Abri livrarias – a Domenico –, me embrenhei em editoras – a Calibãn –, vasculhei teorias no meio acadêmico da Universidade Federal de Pernambuco (a UFPE), compartilhei a Escrita Criativa da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul  (a PUCRS) com Bernadete Bruto, Elba Lins, Luisa Bérard, Talita Bruto no grupo de Estudos em Escrita Criativa, no I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco da XI Bienal do Livro em 2017, nos encontros das Livrarias Cultura de Recife e Porto Alegre em 2018, no curso de Extensão na Unicap no primeiro semestre de 2019, e na Especialização Lato Sensu em Escrita Criativa na parceria entre a Unicap e a PUCRS que nasceu em 16 de agosto deste ano.

E aqui me encontro, quinze anos de escrita, quase cinquenta de vida, um mundo de sonhos em minhas mãos. Pedrinhas de sonhos, muitas delas brilhantes, outras, nem tanto assim.

Olho da janela do meu quarto e vejo o mar. E vejo ondas crispadas, ou mesmo, águas calmas e cristalinas.

Tudo depende de se acreditar na própria escrita, na própria voz, que as pedrinhas brilhantes, ao menos para mim, fizeram sentido, acalmaram a alma, fizeram sobreviver mais um dia, e mais outro, e, em novembro de 2019, me lançar em cinco livros, quinze anos de escrita, cinquenta anos de vida, três filhos, e, quem sabe, respirar feliz.

Se eu fosse um

Passarinho

Esqueceria as

Folhas mortas

Do passado

Arrancaria as

Ervas daninhas

Do presente

E passearia

Suavemente

No céu azul

 

Mas como

Não sou um

Passarinho

Vivo à cata

De migalhas

Vivo em busca

De palavras

Assim

Pequenininhas

Que possam

Traduzir

Por um segundo

A imensidão

De eternidade

Presa aqui

No meu peito

(“Quem escreve não se cansa de buscar”. In 14. Patricia Gonçalves Tenório. Designer: Jaíne Cintra. Apresentação: Alves de Aquino e Carlos Nóbrega. Recife: Raio de Sol, novembro de 2019)

 

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Patricia Gonçalves Tenório (Recife/PE, 1969) escreve prosa e poesia desde 2004. Dezesseis livros, cinco no prelo, com premiações no Brasil e no exterior, entre elas Primo Premio Assoluto por A menina do olho verde (em outubro, 2017), pela Accademia Internazionale Il Convivio, Itália), e Prêmio Marly Mota (2013) da União Brasileira dos Escritores – RJ pelo conjunto da obra. Mestre em Teoria da Literatura (UFPE) e doutora em Escrita Criativa (PUCRS), ministrante dos Estudos em Escrita Criativa  desde 2016 e organizadora das coletâneas Sobre a escrita criativa I (2017), II (2018) e III (prelo, 2020). Contatos: patriciatenorio@uol.com.brwww.patriciatenorio.com.br

** Cinco Livros a serem lançados em 21/11/2019 (Recife) e 25/11/2019 (Porto Alegre):

7 por 11 (seleção de livros, apresentação Fábio Varela),

12 horas (tese de doutorado em Escrita Criativa, apresentação Assis Brasil),

13 (contos, apresentação Bernardo Bueno),

14 (poemas, apresentação Alves de Aquino e Carlos Nóbrega) e

15 (ensaios, apresentação Fábio Varela).

Loucos, loucos | Alcides Buss*

O amor é a coisa mais linda
do mundo, afirmam os ingênuos.

O amor não existe, garantem os aflitos.

A verdade afunda
no poço da saudade;
no fosso, advertem os desamados.

Soluços e quimeras
se juntam à flor da pele

e depois imergem
na fuligem dos ossos.

Viver é quase tudo, se dizem os loucos
enquanto se calam

e, dentro de si, escutam
o que nem eles sabem.
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* Contatos: http://www.alcidesbuss.com/ e alcides-buss@hotmail.com

Bernadete Bruto: Um brinde à vida* | Patricia Gonçalves Tenório[1]

Setembro, 2019

 

Octavio Paz já dizia no seu O arco e a lira[2]: “O artista é criador de imagens: poeta”.

Talvez esta seja a melhor tradução para Bernadete Bruto: artista criadora de imagens: poeta.

Nascida em Recife, Pernambuco, mas navegante de inúmeras cidades do mundo inteiro, essa metroviária, socióloga de formação, mãe de André e Helena e avó de Olívia, transmuta sua vida em arte, da mesma forma que a arte alimenta e mantém o seu viver.

Hoje já não me imponho

Me exponho!

Já não me encolho,

Canto.

Já não me espanto,

Aceito.

A vida,

As pessoas.

Na tranquilidade

Da maturidade

Não pergunto,

Vivo!

Não questiono

Para onde vou.

Hoje reverencio,

A mim,

O que sou.[3]

 

Tudo começou em 2008. Novo ciclo de vida, mudanças, busca de um espaço para se expressar. Com a herança da mãe que recitava de cor poemas e a admiração nos escritos da irmã mais velha, Berna se lança na poesia performática, se unindo a diversas instituições e grupos que fomentam a arte na cidade do Recife, a cidade do seu coração.

Minha cidade

Não é só paisagem

Para mim

Gosto e cor

Tem cara de festa

E som particular

O Recife do meu coração

É atemporal…

São muitas pessoas

Várias épocas

Tantos lugares…

Tantas imagens na memória

Também é história

A viver eternamente

Em minha recordação.[4]

 

Mas não é só a si mesma que Berna deseja expressar. É ao sonho antigo de outros poetas na cidade, poetas feito ela que procurou um lugar para espalhar suas sementinhas de poesia, seus afetos de palavras que reverberam em outras paisagens, outros mundos. Outros corações.

Neste mundo

Somos flores

Delicadas

Grandes

Pequenas

Coloridas

Diversificadas

Pelos canteiros da vida

precisamos ser

cuidadas

protegidas

Jamais despedaçadas![5]

 

E a vida lhe retorna em múltiplo com o nascimento da primeira netinha, em uma terra distante, lá no frio Canadá. Mas uma certa árvore acolhe a netinha e a poeta que sabe criar imagens.

Olívia nasceu em um lindo dia de outono, no Canadá.

Naquele momento, uma certa árvore estava vestida de marrom.

Aquela cuja folha é símbolo do Canadá: a Maple Tree. [6]

 

É hora de celebrar a vida de Berna, nossa Bernadete Bruto. Um brinde a esses doze anos de escrita, esses tantos de amizades. Esses Sessenta e um poemas para uma vida e que nos trazem a paz.

Quando a vida sucede em ordem

Tão tranquila e suave

Em tudo que se faz

Surge uma alma apaziguada

Seguindo serena na estrada

Sem se preocupar com nada

Chega enfim a estação da paz.[7]

 

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* Apresentação do Destaque Literário de Setembro, 2019 da Livraria Cultura Nordestina.

Bernadete Bruto é bacharel e licenciada em Sociologia, com especializações na área de Recursos Humanos e Direito Administrativo. É analista de gestão do metrô de Recife e poeta performática. Membro da União Brasileira de Escritores – UBE, da Associação dos Amigos do Museu da Cidade do Recife – AMUC, parceira da Cultura Nordestina Letras e Artes e participa da Confraria das Artes e dos Estudos em Escrita Criativa. Tem quatro livros publicados, todos coletâneas de poesias: Pura impressão (2008), Um coração que canta (2011), Querido diário peregrino (2014) e A menina e a árvore (2017). Participa de antologias, assim como de diversas apresentações poéticas e performáticas. Contatos: bernadetebruto@gmail.com e www.bernadetebruto.com

[1] Patricia Gonçalves Tenório é escritora, dezesseis livros (cinco no prelo), doutora em Escrita Criativa (PUCRS), ministrante dos Estudos em Escrita Criativa e organizadora das coletâneas Sobre a escrita criativa I (2017), II (2018) e III (prelo, 2020). Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e www.patriciatenorio.com.br

[2] PAZ, Octavio. O arco e a lira. Tradução: Ari Roitman e Paulina Wacht. São Paulo: Cosac Naify, 2012, p. 31.

[3] BRUTO, Bernadete. Auto retrato. In Pura impressão. Prefácio: Valéria Loreto. Recife: Comunigraf, 2008, p. 31.

[4] BRUTO, Bernadete. Recife atemporal. In Um coração que canta. Ilustrações da autora. Prefácio: Ana Paula Cavalcanti de Pontes. Recife: Comunigraf, 2011, p. 23.

[5] BRUTO, Bernadete. Somos Flores. In Querido diário peregrino. Fotografias: Wagner Okasaki. Prefácio: Elba Lins. Recife: Ed. do Autor, 2014, p. 64.

[6] BRUTO, Bernadete. A menina e a árvore. The girl and the tree. Ilustrações: André Bruto. Tradução: Dulce Albert. Prefácio: Salete Rêgo Barros. Recife: Ed. do Autor, 2017, p. 10.

[7] BRUTO, Bernadete. Tempo de paz. In Sessenta e um poemas para uma vida. Projeto gráfico, editorial e ilustração: Rozze Domingues. Produção gráfica e diagramação: Joselma Firmino. Revisão: Talita Bruto. Prefácio: Taciana Valença. Pósfácio: Maria das Graças Bruto da Costa Correia (Gracita). Recife: Companhia Editora de Pernambuco – Cepe, 2019, p. 87.

PÍLULAS PARA O SILÊNCIO (PARTE CXLIII)* | Clauder Arcanjo**

O setembro traz um vento que vem de longe. E essa ventania o silêncio me anuncia. Quem sabe o vazio de outras eras, em que a paz dos homens mais se nos havia.
O setembro me cheira a flores secas, guardadas num vaso sobre a escrivaninha, de uma antiga invernia. Quem sabe de um amor que murchou, mas que lá, num distante inverno, podia bradar que existia.

 

***

Na esquina da minha cidade, há um casal a avançar em passadas largas, sem se darem as mãos em harmonia. Ouço as pisadas lúgubres e sinto nelas o peso da desastrada rotina. Rotina que, cantante, enterra os ossos dos amantes, sem estes se darem conta da fatal litania.

***

Nada de pássaros nesta manhã ordinária. Nada de risos neste dia de sexta. Nada de surpresas no mundo da política; os mestres desta fazem a feira no erário, locupletam-se enquanto riem da nossa besteira: a fé e a crença no bem comum.

***

Os jornais de ontem, de hoje e de amanhã trazem a contínua manchete: jovens assassinados na esquina das drogas, digladiando-se entre si e em conluio com o oficial armamento. Quero rezar uma prece pelas mães que os gestaram; no entanto, confesso, devo ser parte deste vil momento. Se não por ação, ao menos por omissão no pensamento.

***

No campo da saudade, uma lágrima pungente me relembra de que já foram grandes os meus sonhos, nobres os meus intentos.
Abro a janela e vejo um Rembrandt na parede da sala, cópia da arte do pintor holandês. Sua paisagem me completa com uma melancolia que, de comum, havia nas terras de além-mar, nos tempos de um assaz antigamente.
O setembro traz um vento que vem de longe, de muito longe.

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* Publicado no Jornal Mossoroense, RN em 15 de Setembro de 2019: http://www.omossoroense.com.br/clauder-arcanjo-pilulas-para-o-silencio-parte-cxliii/

** Contato: clauderarcanjo@gmail.com

Identidade, diáspora e exílio | Ricardo Timm de Souza*

 

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Ricardo Timm de Souza é ensaísta e professor dos Programas de Pós-Graduação em Filosofia e Letras da PUCRS. Nascido em Farroupilha, RS, em 1962, tem se dedicado em sua formação especialmente à Música e às Ciências Humanas. Doutorou-se em Filosofia pela Universidade de Freiburg, Alemanha, em 1994. É autor de duas dezenas de livros e cerca de cento e cinquenta artigos, obras organizadas, capítulos, traduções e outras publicações. É consultor de publicações, de órgãos de fomento à pesquisa e de conselhos editoriais nacionais e internacionais e membro de várias sociedades científicas brasileiras e estrangeiras. Dedica-se especialmente às áreas de Ética, Estética e Filosofia Política. Contato: timmsouz@pucrs.br