Posts com Poesia

Índex* – Março, 2019

Hoje

A noite nasceu

Para mim

As estrelas

Enfeitam os

Meus cabelos

Os cometas

Tecem o

Meu vestido

E a lua

Brilha cheia

Inteira

Na imensidão

Dos meus sentidos

 

Hoje

O dia nasceu

Para mim

E o meio-dia

As cinco horas

O pôr-do-sol

Me avisando

Que nem tudo

Está perdido

Que ainda

Tenho a mim mesma

Inteira

Na imensidão

Dos meus sentidos

(“Decidi por mim”, Patricia Gonçalves Tenório, 23/03/2019, 06h51)

 

A imensidão da Escrita no Índex de Março, 2019 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa – Março, 2019 | Com Bernadete Bruto (PE), Elba Lins (PB/PE), João Alderney (PE), Maria Eduarda Fernandes (PE), Osmar Barbalho (PE), Raldianny Pereira (PE), Talita Bruto (PE).

O MEU PÉ DE HORTELÃ | Cilene Santos (PE).

Agradeço o carinho e a participação, a próxima postagem será em 28 de Abril, 2019, abraço grande e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Index*, 2019

 

Today

The night was born

For me

The stars

They adorn

My hair

The comets

They weave

My dress

And the moon

Glows full

Entire

In immensity

Of my senses

 

Today

The day was born

For me

And the noon

The five o’clock

The sunset

Let me know

That not all

It’s lost

That still

I have myself

Entire

In immensity

Of my senses

(“I decided for myself”, Patricia Gonçalves Tenório, 03/23/2019, 06:51 a.m.)

 

The immensity of Writing in the Index of March, 2019 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Studies in Creative Writing – March, 2019 | With Bernadete Bruto (PE), Elba Lins (PB / PE), João Alderney (PE), Maria Eduarda Fernandes (PE), Osmar Barbalho (PE), Raldianny Pereira (PE) and Talita Bruto (PE).

MY MINT FOOT | Cilene Santos (PE).

Thank you for the affection and participation, the next post will be on April 28, 2019, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** A noite e o dia na Escrita de si mesmo. The night and the day in Writing  of yourself.

 

Estudos em Escrita Criativa – Março, 2019

Nos Estudos de 16 de Março de 2019, mergulhamos nas águas de Sophia de Mello Breyner Andresen, nas profundidades de Fernando Pessoa, no fado do Madredeus, nos azuleijos, culinária, literatura, poesia portugueses. Visitamos a cidade do Porto, Sintra, Lisboa, e colhemos jardins de poemas, pérolas-frases de reflexão metafísica, e técnicas de Escrita Criativa extraídas dos livros estudados.

Recebemos os tão caríssimos escritores de Recife (Robson Teles) e de Porto Alegre (Moema Vilela) e os seus processos criativos.

Fomos agraciados, mais uma vez, com textos de altíssima qualidade literária dos participantes e que oferecemos a vocês que acompanham os nossos Estudos em Escrita Criativa em Ambiente Acadêmico, na Universidade Católica de Pernambuco, a Unicap.

E no próximo sábado, 06 de Abril de 2019, teremos mais um encontro que, tenho certeza, será maravilhoso. Iremos viajar pelo Brasil, com Clarice Lispector, Adélia Prado, Cida Pedrosa (PE) e Luiz Antonio de Assis Brasil (RS) – com o lançamento do seu Escrever ficção, o grande manual de Escrita Criativa no país.

Excelentes leitura e início de semana,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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PARA UMA MARIA EM MARÇO

Bernadete Bruto

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

 

“Fiz de mim o que não pude e o que poderia fazê-lo, não o fiz”… A frase perseguia aquela jovem. Achava bonita e ao mesmo tempo dolorida, soando lá no fundo, como um aviso.   Lembro bem a primeira vez que entrou em contato com o poema. Poema que nunca mais a deixou… A frase pronunciada para si em cada fase da vida, como se alguém lhe sussurrasse perto do ouvido instigando a viver. “Fiz de mim o que não pude e o que poderia fazê-lo não o fiz.”…

Hoje, sentadas na beira do mar, observo a senhora trabalhando em seu quadro. O jogo de tintas à disposição, a escolha das cores. As pinceladas vigorosas pintam toda uma história capturada, cheia de cores! Repleta de nuances como este mar. Mar que contemplo, sentindo no ar respirado uma existência inteira. O quebrar das ondas me transporta para longe, num passeio a milhares de eras. Passeio por vários lugares chegando sucessivamente em todos os portos desses mares já navegados.

Volto à praia. Olho para ela, a pintora de vida, ali, inteira, imersa em seu trabalho, enquanto o som do mar nos acompanha. No quadro de cores fortes e vibrantes, a prova concreta do quanto já realizou nesta existência. Fecho o livro de poemas aconchegado ao colo e sorrio. Justamente no mês dedicado à mulher desvendo uma delas – entre tantas – que fez tudo o que poderia fazer na vida e está feliz! Que assim seja para todas um dia.

 

DE SOPHIA, DE PESSOA E DE MIM

ELBA LINS

Contato: elbalins@gmail.com

 

Quem sou eu?

Nada!

 

Nada do que me dizem

Nada do que sinto

Pode me definir

Sou luz

Sou cor

Sou mar bravio

Sol forte

Que me levanta da cama

A cada dia

Sou nada

Sou apenas sonho

Que por vezes me queda

Na janela perdida do meu quarto

Quando penso nas viagens todas

Que podia fazer

Mas que se perdem

Na minha impossibilidade…

De levantar da cama e agir

Que se perdem no meu medo

De fluir

 

Quem sou eu?

 

Não sou nada.

Nunca serei nada.

Não posso querer ser nada.

À parte isso tenho em mim todos os sonhos do mundo.(*)

 

Eu sou inclusive

Sonhos de mar

De azul

De navegar

Em ondas bravias

E me agarrar

Nas crinas brancas das ondas

E me deixar levar

Ao desconhecido em mim.

 

(* F. Pessoa – Álvaro de Campos em Tabacaria)

 

 

O MAR DE POETAS

– QUINZE MINUTOS –

João Alderney

Contato: joaoalderney@hotmail.com

 

Sophia de Mello Breyner Andresen, a poeta portuguesa que conheci hoje nas palavras e na admiração de Patricia Gonçalves Tenório, deixou-me ansioso, ainda hoje quero conhecer um pouco mais, pesquisar a vida dela, ler a poesia que tanto entusiasma minha mestra de literatura. Quero ver, especialmente, como a lusitana consegue falar, em todos os poemas que cria, desse componente da natureza que todos amamos, o mar.

Quero ver se traz passagens poéticas como aquela do conto do literato uruguaio Eduardo Galeano, descrevendo o garoto Diego que morava do lado da montanha oposto ao oceano, mas o pai, pobre e atarefado, não podia atender ao pedido dele, para levá-lo a conhecer essa maravilha do planeta. Nada como um dia atrás do outro, até que chega o momento que Santiago lhe diz: Amanhã cedo te levo pra ver o mar, filho. Depois de muita caminhada, surge a imensidão azul de água à frente dos olhos do menino. Tal foi o deslumbramento, tal foi o fulgor sentido que o pequeno ser ficou mudo, da beleza. E quando finalmente conseguiu falar, trêmulo, gaguejando, pediu: “Pai, me ajuda a olhar!”

Cantador de viola, o cearense José Pretinho após apanhar feio do também poeta popular, o piauiense Manoel Vieira Machado, em décimas, no esquema de rimas abbaaccddc, do martelo agalopado, versos decassílabos, onde os pés, ou tônicas, caem nas sílabas métricas 3, 6 e 10 (exemplo: o meu barco trilhava mar sereno), voltou para Fortaleza e sentou-se, ainda pesaroso, para contemplar a Praia de Iracema, observou o movimento das ondas do mar, comparou o marulho ao som dos cavalos em galope e, para obter o que melhor os traduzia, valeu-se dos versos hendecassílabos no ritmo 2, 5, 8 e 11 (exemplo: amei tua voz, Clara Nunes, princesa) para criar o galope à beira-mar, excelência de canto, igualmente em décimas e mesmo esquema rímico. Esses repentes dos cantadores têm, ainda, “cantando galope na beira do mar”, como último verso, condição que permite parcas exceções, não inclusa a palavra mar, imprescindível. Criado o novo cântico, desafiou o algoz piauiense e devolveu a pisa, em dobro.

Agora me pergunto, quem amaria mais o mar? A poeta do Porto ou o menestrel nordestino? Acredito que esse jogo vai dar 1×1. Empate na cabeça!

 

O MAR

Maria Eduarda Fernandes

Contato: mefernandesdemelo@gmail.com

 

Da primeira vez que (lembro) botei os pés no mar, fui queimada por uma água-viva. Me recordo tão pouco daquele dia, naquela praia distante que não sei o nome, com um pai que não vejo há anos e uma irmã que, disseram, se formou em Direito mês passado.

Daquela água-viva, lembro bem. Era rosa e roxa, parecia um brinquedo, e por isso quis levá-la comigo. A dor foi imediata e o choro também. Naquela época, uma vida inteira atrás, meu pai corria quando eu gritava, com a preocupação de quem nunca iria embora. Por horas tentaram me acalmar, mas eu sabia que a dor nunca ia passar e pedia, do alto dos meus oito anos e com absoluta certeza já sabendo o que era melhor pra mim, que cortassem meu braço fora.

Mas a dor passou e deixou apenas a bolha da queimadura, marca que por semanas exibi com orgulho, atrelada à incrível história da menina que, sozinha, lutou contra o bicho esquisito da praia sem derramar uma lágrima.

Por anos, tive medo do mar e, quando finalmente o visitei novamente, não estava sozinha e a água salgada não foi a única coisa estranha que senti no meu corpo. Levei anos para me recuperar do que aconteceu, do que começou ali e terminou anos depois no quarto de hóspedes daquela casa de praia. Mas hoje, com ele longe e parte das pessoas que me viram crescer me acusando de arruinar a reputação de um bom homem, decidi fazer as pazes com o mar.

Cautelosamente, finquei os pés na areia com a certeza de que não sabia o que estava fazendo e fui hipnotizada pelas ondas quebrando, chegando sem pedir licença, fazendo um estardalhaço e agonizando, para enfim morrerem nas minhas pernas. Já eu fiz o caminho inverso: por tanto tempo morri, agonizei e agonizo, mas levantei e fiz barulho, passei derrubando quem estivesse na minha frente e quisesse me impedir de virar oceano.

Olhei de novo o mar, como se buscando coragem para me molhar. Mas lembrei que ondas não precisam provar nada para ninguém. E para mim, já me provei há muito tempo.

Virei as costas e fui embora. Sempre preferi piscina, mesmo.

 

1 É 2 3 É 5

Osmar Barbalho

Contato: osmarbarbalho@gmail.com

 

Todo dia. Seja por volta das 10 horas ou no final da tarde lá pelas 4 horas. Ele fica no início da ponte ou no final. Tanto faz. 1 é 2 3 é 5! Ele não para de repetir. Quando vem um grupo ele dispara: 1 é 2 3 é 5! De início você não entende o que significa 1 é 2 3 é 5!. Mas ele não para. 1 é 2 3 é 5. A medida que ele diz 1 é 2 3 é 5, seus olhos procuram outros olhos desatentos. Quando seu olhar encontra o olhar de alguém, aí ele diz enfático: 1 É 2 3 É 5! E num gesto, ele oferece o produto: um Cola Rato. 1 Cola Rato é 2 reais, 3 Colas Rato são 5 reais. Tem gente que compra. Mesmo vendendo ele não para. 1 é 2 3 é 5! Sempre em busca de um olhar. Sempre em busca de uma venda. Ele tá lá todos os dias. No início ou no final da Ponte da Boa Vista. 1é 2 3 é 5! Repete, repete, repete!

 

PARA SOPHIA

Raldianny Pereira

Contato: raldianny.pereira@gmail.com

 

Você me foi apresentada em outubro de 2016 quando assimilava uma grande e recente perda: a finitude da vida do meu amor. A encontrei tardiamente, considero. Mas antes tarde do que mais tarde. Tratava-se de um encontro científico, e não nego minha surpresa por você estar ali, num ambiente tão pouco afeito aos sentimentos e à poesia. Não nego também minha imensa felicidade por nosso encontro.

Quis logo saber quem era que tão profundamente conhecia minha alma. Era “poeta do outro lado do mar” e já não mais na mesma dimensão da minha existência. Fiquei triste. Não poderia alimentar o sonho de falar-lhe, abraçar-lhe, ter meus olhos nos teus. “Mas reconheço a sua voz há muitos anos. E digo ao silêncio o seus versos devagar”, de olhos fechados, desde então:

Escuto mas não sei

Se o que ouço é silêncio

Ou deus

 

Escuto sem saber se estou ouvindo

O ressoar das planícies do vazio

Ou a consciência atenta

Que nos confins do universo

Me decifra e fita

 

Apenas sei que caminho como quem

É olhado amado e conhecido

E por isso em cada gesto ponho

Solenidade e risco

(“Escuto”, Sophia de Mello Breyner Andresen)

 

 

Talita Bruto

Contato: talitabruto@gmail.com

 

Assim. Calados pensamentos.

Passando, sussurrando no toque.

Quanto tempo.

Correu. Em fim.

Olhos sob o verde olhar.

O azul

e branco

do céu

não se assustam pelo toque.

Luzia, luzia admirada.

Caindo sede aguada.

A face que roda

(redemoinho)

a fechadura.

E pisca atenção

ao que achou e viu, encantou.

E foi. Embora…já esteja

instante

onde sempre

fluiu

de dentro

o azul

e branco

do céu

norteando…

firmando…

se diziam isso,

ela quem ouvia.

 

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Sala de imprensa:

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Próximos encontros:

Cartaz A3 e Banner_PAlegre

Índex* – Fevereiro, 2019

Sobreviver

Passar pelo umbral

Das coisas

Dos acontecimentos

E não me sentir

 

Viver

O instante como se fosse

O último

O filho como se nascesse

Agora

O dia como se morresse

Em um segundo

 

Amar

Mesmo que não receba

Ainda que não se acabe

Apesar da vida inteira

E ao outro não poder

Tocar

(“Ainda”, Patricia Gonçalves Tenório, 02/02/2019, 05h11)

 

O ainda sem fim do processo criativo no Índex de Fevereiro, 2019 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa – Fevereiro, 2019 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Diversos.

Margaridas descalças | Alcides Buss (PR – Brasil).

Dois textos de Cilene Santos (PE – Brasil).

Fogo, terra, água e ar | Mara Narciso (MG – Brasil).

Agradeço a atenção e o carinho, a próxima postagem será em 31 de Março, 2019, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Index* Februrary, 2019

Survive

Go through the threshold

Of things

Of the events

And I do not feel

Lonely

 

Live

The instant as it were

The last

The son as if born

Now

The day as if it died

In a second

 

Love

Even if you do not receive

Even if it does not end

Despite a whole life

And the other can not

Touch

(“Still”, Patricia Gonçalves Tenório, 02/02/2019, 05:11)

 

The endless still of creative process in the Index of February, 2019 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Studies in Creative Writing – February, 2019 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Several.

Barefoot Daisies | Alcides Buss (PR – Brasil).

Two texts by Cilene Santos (PE – Brasil).

Fire, earth, water and air | Mara Narciso (MG – Brasil).

Thank you for the attention and the affection, the next post will be on March 31, 2019, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Flanando por Londres, a língua inglesa e a Escrita Criativa… Flanking in London, the English language and Creative Writing…  

Estudos em Escrita Criativa – Fevereiro, 2019

Realizamos um sonho.

Quando, em agosto de 2016, cursando como ouvinte e aluna especial o doutorado que defenderia em outubro de 2018, conversava com Bernadete Bruto e Elba Lins sobre o encantamento que sentia em relação à Escrita Criativa em ambiente acadêmico, não imaginávamos que, quase três anos depois, navegaríamos tantos mares, alcançaríamos essa praia, sentiríamos os grãos de areia dos versos e contos gestados pelos participantes durante o primeiro encontro dos Estudos em Escrita Criativa 2019 na Unicap.

Passeamos por Londres e a língua inglesa, pelo universo distópico de Margaret Atwood, Aldous Huxley; sorvemos a Beleza e a Verdade de Emily Dickinson, John Keats; começamos pelo fim do conto, do poema com Edgar Allan Poe. E fomos brindados com os processos criativos desses escritores/poetas maravilhosos das cidades queridas Recife e Porto Alegre, Elba Lins e Bernardo Bueno.

Prometemos mais. Cumpriremos mais. Em março, navegaremos com nossos pais portugueses, nas cidades e nos escritores, poetas, artistas lusitanos.

E quem sabe esteja mais próximo do que imaginamos a Escrita Criativa da PUCRS na cidade do Recife…

Abraço bem grande e até breve,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Os textos:

 

A  DEUS, OS SONHOS

Bernadete Bruto

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

 

ADEUS MEU SONHO

DE SEMPRE

CRIAR UMA VIDA

A MIM ENSINADA

DE CERTA FORMA

A CENA

COMO NUMA FOTOGRAFIA

ENQUADRADA

 

ADEUS AQUELE SONHO

ANTIGO

ANCESTRAL

REPETIDO

PELA HISTÓRIA CONTADA

DE BOCA A BOCA

REPASSADA

 

ADEUS AO PASSADO

HÁ UM TEMPO

A UM SONHO INCUTIDO

AGORA SOFRIDO

ADEUS

AO QUE NÃO FAZ MAIS SENTIDO

ADEUS, SO LONG, FAREWELL

E ENTREGOU

A DEUS, OS SONHOS

 

DESCONSTRUÇÃO

ELBA LINS 

Contatoelbalins@gmail.com

 

Ela suportou tudo com bravura,

A cada dia passei a respeitá-la…

Ela não era mais, a aia, a serva, a mulher ao meu dispor.

Ela, era brava

Admirável

Queria agora ficar com ela, tê-la junto a mim…

Mais tarde lhe diria isto.

 

Eu teria que reverter a situação atual, pois

Hoje, depois de muitos meses, recebemos a notícia reveladora

A notícia que esperamos tanto:

Ela estava grávida

Enfim teria o filho meu.

Desrespeitando todas as regras, corri para lhe falar.

Parei ao pé da porta,

Imaginei que estava ao banho,

De fora, ouvia os pingos d’água que lavaram seu corpo, caindo lentamente.

Cada pingo que caía, eu escutava e sabia estar mais próxima a hora

De ver frente a frente o fruto gerado.

 

E de repente ouvi/senti

Algo escorrer por baixo da porta

Algo viscoso

Algo vermelho

Algo que trazia junto de si

O que antes fora vida,

O que antes, alimentara,

O filho meu.

 

DE TRÁS PARA A FRENTE, DE FRENTE PARA TRÁS

Helena Bruto

Contatohelenabruto@gmail.com

 

DE FRENTE PARA TRÁS

 

– Quão bom é saber que tudo valeu a pena.

– Que felicidade é se encontrar no ponto final, olhar para trás e agradecer os ensinamentos do caminho.

– Agora tenho certeza!

– Não do passo adiante, mas daquilo que percorri. O destino é mais fácil de se entender quando muito foi vivido; quando se olha para trás e se vê as formas dos próprios passos.

– Por isso, não sofro mais com o futuro…

– Agradeço ao passado, aproveito o presente, sorrio e dou um passo adiante.

 

DE TRÁS PARA A FRENTE

– O que o futuro guarda para mim?

– Tenho medo. O caminho parece escuro e não sei o que me espera. Será que vai se abrir para mim? Será que conseguirei iluminá-lo, ou irei sucumbir?

– Tenho dúvidas…

– Não sei o que se encontra na minha frente, gostaria de poder enganar o tempo para saber o meu destino e, assim, tranquilizar o presente.

– Como é difícil não saber! Como é difícil se mover!

– Na falta de certezas, encontro abrigo na coragem. Com medo estampado no rosto, dou o primeiro passo e vou com fé.

 

ANÚNCIO NO JORNAL

João Alderney

Contatojoaoalderney@hotmail.com

 

Leio anúncio no jornal, logo cedo, sobre curso de Escrita Criativa e penso que é boa oportunidade de aprender mais sobre o assunto. O simples relacionamento com pessoas com o mesmo propósito já é enriquecedor.

Faço outras coisas da rotina da vida, inclusive convidar minha filha caçula pra fazer o curso comigo. À tarde, lembro do anúncio, vou pro computador fazer a inscrição, já estava esgotado. Que pena. Envio e-mail para a líder, Patrícia, informando e desejando sucesso, ela o retorna com entusiasmo e simpatia, isso só aumentou meu interesse. Ainda deu esperança que poderiam surgir vagas, e, se fosse o caso, eu seria avisado na semana seguinte. Ah, que bom se acontecer, pensei.

Aconteceu. Recebi e-mail de Miguel, informando, disse que surgiram quatro vagas, que eu me apressasse e que a inscrição teria que ser presencial. Mesmo sendo incorrigível descansado, tentei me apressar e consegui fazer a inscrição com o simpático Miguel que me informou que eu estava preenchendo a última vaga. Ufa.

Já na primeira aula vi que o entusiasmo de Patrícia é ainda maior do que eu pensara. Ah, isso vai dar bons frutos, salve!

 

 

Maria Eduarda Fernandes

Contatomefernandesdemelo@gmail.com

 

De todas as palavras que conheço, alguma tem de haver para explicar isso que sentimos todos os dias. Para explicar como acreditamos ser normal nos perdermos pelo meio do caminho, deixando pedaços de nós no trânsito da segunda-feira, na reunião da terça, nas quatro únicas horas de sono da quarta, no bar da quinta que a gente, exausto, só foi porque precisava provar para si mesmo que aguentava um pouco de vida no meio dos dias.

Alguma coisa tem que explicar o sumiço dos nossos interesses, o leitor assíduo que só abre livros no final de semana, o amante de música que não vai para shows, o enólogo que bebe o mesmo vinho há seis meses porque só consegue passar naquela loja por cinco minutos entre uma missão diária e outra.

Alguma expressão, palavra, ditado, momento, situação, história, reflexão precisa me explicar porque eu me perco de mim toda segunda-feira e só me encontro, eu, a quem eu tanto amo, dois dias na semana, e mal tenho tempo de contar a mim mesma tudo o que mudei enquanto estivemos longe.

 

Clichê, de Osmar Barbalho

Contatoosmarbarbalho@gmail.com

 

A primeira vez que eu a vi, Ela me chamou a atenção. Ela não era bonita. Mas a sua cara era pura tesão. Ao lado do Restaurante Leite, Ela e outras fazem ponto para vender e provocar emoções a quem quisesse pagar. Ela era diferente. Seu rosto é o que o IBGE chama de pardo! Pardo…? Ela tem os olhos pretos que quando olham para um possível cliente intimida de pronto. Eu acho Ela uma princesa. Um sorriso que sempre propõe alguma coisa. Sua boca tem os lábios grossos, carnudos e sempre tem um batom vermelho VERMELHO. Seu cabelo é curto, acho que é de chapinha. Mas o que chama atenção é o seu andar. Ah, isso chama. Todos os homens olham! “Quanto custa o programa?” pergunto. Ela diz. Não entendo. Ela repete: “…o quarto é quinze rial…” e o “…dela é trinta e cinco…”. “Tem de pagar antes.” Ela diz, “…nunca lhe vi por aqui…”. A partir desse dia, desse contato, sempre eu a via. E ficava imaginando coisas…!

 

Viagem inominável

Raldianny Pereira 

Contatoraldianny.pereira@gmail.com

 

Vivo em Shangri-la. Meu amor sempre assim designou nossa terra, nosso chão, nossa morada. Recém-chegada àquele lugar tecnológico, espantei-me com a multidão captada e cooptada por uma pequena tela. Inertes. Também inertes estavam os seres dentro daquela tela. Apenas um ser agia. E agia tão espantosamente inerte que o pavor visitava e apenas uma voz saia timidamente daquela imagem de horror. Horror. O horror em mim, visitante neófita e desavisada, vinda de Shangri-la, o horror atormenta minha alma deste então, desde aquele cartão postal desta viagem inominável. O horror não sai de mim. O horror de uma morte transmitida por aquela tela. O horror provocado por aqueles que fazem daquela tela, e do horror da morte transmitida por ela, seu meio de vida. Inertes. O ser humano é um bicho muito frágil, apesar de achar-se forte. Mata-se um ser humano muito facilmente. E muito rapidamente, em pouco mais de um minuto, no máximo três. Sem fazer força alguma. Dizia a tela. Inerte. Diziam na tela. Inertes. E não me sai da cabeça a horrenda, a terrível imagem daquele pobre menino pobre cujo peito foi deliberadamente sufocado pelo peso do peito de outro ser humano, um segurança de um supermercado. Segurança de quê? Segurança de quem? Não sei dos detalhes que não justificam um assassinato. Não me interessam. Mas tenho certeza. Tratava-se de um faminto. Um faminto, faminto de justiça que sucumbiu à força da segurança e do segurança. Vivo o horror do rosto inerte do garoto morto. Jovem. Muito jovem. Quantos anos terá resistido a esta vida? Mais horrível ainda a imagem do rosto inerte do segurança assassino. Terrível. Quisera jamais ter visto esta imagem. O horror do rosto inerte dos seres que assistiram no local do crime àquela morte infame. A inércia cúmplice nos rostos que não vi, mas visualizei nos passos fardados de outros seguranças assassinos. Penso no garoto pobre. Penso na mãe do garoto pobre. Penso na pobre mãe do segurança assassino. Penso no horror dessas cidades tecnológicas que me trouxeram este horror. Penso que gostaria muito que esta fosse apenas uma história inventada. Mas eu não criaria uma história de assassinato. Muito menos a história de um garoto assassinado diante das telas asfixiado por um segurança, corpo a corpo, peito a peito, rodeado por olhos, bocas, mãos, pernas, corpos, almas inertes. E penso… vou voltar para Shangri-la. E gostaria que Shangri-la se fizesse para toda gente.

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Unicap, 16/02/2019

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Sala de imprensa

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Diário de Pernambuco, coluna Opinião, 23/01/2019

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Jornal do Commércio, 05/02/2019

Próximos encontros:

Cartaz A3 e Banner_PAlegre

Margaridas descalças | Alcides Buss*

As cidades são sujas e barulhentas,
mas têm lugares limpos e agradáveis.
Com sorte, encontram-se flores vivas
e seu perfume.

Não se atire sempre ao pessimismo.
Manhãs douradas ainda existem.
Você as tem, muitas vezes,
porém raramente as vê.

Procure a sua enquanto é tempo
e dela faça o antídoto
secreto, inviolável, contra todas as mortes
que, visíveis ou invisíveis, impermeabilizam
os cinco sentidos.

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* Contatos: http://www.alcidesbuss.com/ e alcides-buss@hotmail.com

Dois textos de Cilene Santos*

O HOMEM

01/02/2019

 

Em frente à minha casa

Passou voando um pássaro

Passou um gato

Passou um cão

Não deixaram rastro

Passou um homem

Ficou uma casca de banana

Tomei a casca coloquei no lixo

E fiz um poema.

 

O MEU PÉ DE HORTELÃ

03/02/2019

 

Vez ou outra, vou à feira livre. Gosto de ver o colorido das frutas, das hortaliças e o branco da goma de tapioca, que mais parece um monte de neve. Na última vez em que estive lá, comprei um maço de hortelã miúda, cujas raízes foram preservadas pelo vendedor. Chegando a casa, resolvi salvar aquela plantinha. Em uma caqueira, fofei a terra e plantei aquele ser, supondo que ainda houvesse vida. Aguei com cuidado. Coloquei na varanda e aguardei Cheguei até a esquecer a minha plantação.

Numa tarde chuvosa, em um daqueles momentos em que a gente acha tudo uma chateza e procura o que fazer, peguei um livro e deitei na rede. Iniciei a leitura.

De repente, a personagem principal (descobri no caminhar da leitura) fala que havia tomado um “chazinho de hortelã” para curar a insônia. Olhei rápido para a caqueira ao lado, onde plantara as raízes. Surpresa e satisfação! Não é que haviam brotado algumas folhinhas de minha hortelã! Que alegria senti!  Passado o momento, me perguntei: como um fato tão corriqueiro me trouxe tanto prazer, em meio a um mundo cheio de tecnologia, inventos e eventos científicos?

Bem, dei um carinho à plantinha, coloquei água e retirei alguns talinhos, que não sobreviveram. Agora, sou proprietária de um pé de hortelã miúda. Colho folhinhas e faço chá, sucos, acompanhados de frutas, coloco na salada e saboreio feliz.

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* Contato: cilenecaruaru2013@gmail.com

Índex* – Janeiro, 2019

Hoje acordei

Com o mar

De Sophia Breyner 

O desassossego 

De Fernando Pessoa

E umas palavras

Pulsando no peito

Querendo nascer

 

Uma canção de infância

Uma dança de roda

Ver a lua nascer

Redonda

O sol brotar

Imenso

 

E eu

Na pequenez

Desses meus versos

Deitá-los na rede

E descansar

(“Férias”, Patricia Gonçalves Tenório, 06/01/2019, 05h54)

 

A volta das férias e início de escrita no Índex de Janeiro, 2019, no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa 2019 | Boas vindas! | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

O Fantasma de Licânia | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

Mi Salamanca: guía de un poeta nordestino | David de Medeiros Leite (RN – Brasil).

Por uma mobilidade performativa | Elilson (PE/RJ – Brasil).

Livraria Linardi y Risso | Fred Linardi (SP/RS – Brasil).

Vivendo na nuvem virtual | Mara Narciso (MG – Brasil).

 

Agradeço o carinho e a participação, a próxima postagem será em 24 de Fevereiro, 2019, abraço bem grande e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Index* January, 2019

I woke up today

With the sea

From Sophia Breyner

The unrest

From Fernando Pessoa

And a few words

Pulsing in the chest

Wanting to be born

 

A childhood song

A spinning dance

See the moon rise

Round

The sun will rise

Immense

 

And I

In the smallness

Of these my verses

Put them on the net

And rest

(“Holidays”, Patricia Gonçalves Tenório, 1/6/2019, 5:54 a.m.)

 

The return of the vacations and beginning of writing in the Index of January, 2019, in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Creative Writing Studies 2019 | Welcome! | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

The Phantom of Licânia | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

My Salamanca: guide of a northeastern poet | David de Medeiros Leite (RN – Brasil).

For a performative mobility | Elilson (PE / RJ – Brasil).

Linardi and Risso bookshop | Fred Linardi (SP / RS – Brasil).

Living in the virtual cloud | Mara Narciso (MG – Brasil).

 

Thank you for the affection and the participation, the next post will be on February 24, 2019, a big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Portugal, Brasil, Inglaterra, Japão, … e um oceano de palavras. Portugal, Brasil, England, Japan, … and an ocean of words.

Estudos em Escrita Criativa 2019 | Boas vindas!

Sejam bem-vindos(as) aos Estudos em Escrita Criativa 2019!

O grupo de Estudos nasceu em 2016, e vem se ampliando a cada ano no sentido de, a partir de teóricos de várias áreas de conhecimento (Literatura, Filosofia, Psicanálise, Semiótica…), e artistas de várias artes (Literatura, Poesia, Cinema, Fotografia, Teatro, Música…), alicerçarmos e provocarmos a nossa escrita para que ela floresça cada vez mais e melhor. Em 2018, tivemos encontros na Livraria Cultura do Recife e de Porto Alegre (cidade onde eu estava realizando até outubro de 2018 o doutorado em Escrita Criativa na PUCRS), e abordamos 8 temas, O tempo, O mito, A viagem, A música, O amor, O sonho, A imagem, O fogo. Na primeira parte do encontro, eu trazia teóricos, ficcionistas, poetas, artistas plásticos, cineastas para conversarmos sobre o tema do mês. Na segunda parte, fazíamos exercícios de desbloqueio relacionados com o tema. Na terceira parte, convidamos escritores locais para falarem sobre seus processos criativos.

Em 2019, trabalharemos a temática da viagem, com teóricos tais como Michel Onfray, Wladimir Krysinsk, Marcel Brion, Octavio Ianni, e ficcionistas/poetas selecionados por país/região/língua, tais como Margaret Atwood, Aldous Huxley, Emily Dickinson, Sophia de Mello Breyner Andresen, Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Adélia Prado, e muitos mais. Teremos novamente a primeira parte teórica; na segunda parte, escritores convidados de Recife e Porto Alegre falarão do tema do mês e/ou de seus processos criativos; na terceira parte, aplicaremos juntos, eu e os escritores convidados de cada encontro, exercícios de desbloqueio com os participantes.

As inscrições dessa vez serão realizadas diretamente no site da Unicap (http://www.unicap.br/universidade/pages/?p=1952), com número limitado de vagas, e certificado de participação. Informações: grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com

Espero encontrá-lo(a) nos nossos encontros, abraço bem grande e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

www.patriciatenorio.com.br

 

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Cartaz A3 e Banner_PAlegre

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Diário de Pernambuco, coluna Opinião, 23/01/2019

 

 

Livraria Linardi y Risso | Fred Linardi*

Era para ser um dia de passagem rápida pelo terminal rodoviário de Montevidéu, mas decidimos sair de Colônia de Sacramento mais cedo. Antecipamos as passagens e saímos três horas antes. Das livrarias da capital uruguaia que gostaríamos de conhecer, a Linardi y Risso era a única na qual ainda não havíamos conseguido entrar. Além de ter sido uma dica da minha amiga Annie Piagetti Muller, a LyR carrega em seu nome o meu sobrenome.

É uma das mais antigas livrarias do país e, certamente, a mais antiga em atividade, aberta em 1944 por Adolfo Linardi Montero. Oito anos depois, ele se associou a outro descendente de italianos, Juan Ignacio Risso. Hoje, na segunda geração, é administrada pelos filhos Alvaro Risso e Andres Linardi.

No fim da tarde do dia 27 de dezembro, quando entramos lá, um senhor veio de uma das salas administrativas e nos deu boas-vindas. Eu arrisquei meu espanhol inexistente dizendo da minha satisfação de estar lá, não apenas pelo belo lugar, mas também por eu ser um Linardi. Eu não sabia, mas ele era o próprio Andrés, que parou o que tinha para fazer, me convidou a sentar numa das cadeiras de leitura e pediu para eu continuar falando em português mesmo – seria mais simples.

Contou-me dos primeiros anos da livraria, quanto era apenas uma pequena loja num outro prédio daquele mesmo centro de Montevidéu. De quando ele começou a trabalhar junto do seu pai, do início da sociedade e da compra daquele prédio onde eles estão hoje. A livraria, especializada em títulos latino-americanos, dos antigos ao mais modernos, também costuma lançar alguns livros com o selo próprio.

Eu, que já havia conhecido o Café Brasilero, frequentado por Eduardo Galeano e que fica na rua logo de trás, imaginei o tanto de outras mentes que haviam passado entre aquelas prateleiras. A resposta veio quando Andrés me mostrou uma foto do pai ao lado de Pablo Neruda numa foto na parede do escritório, ao lado de outros registros do lugar, cuja história recebeu a presença de outros como Mario Benedetti, Juan Carlos Onetti, Armonía Somers, Juan José Saer, Mario Vargas Llosa…

Perguntei-lhe se havia um livro sobre a história da loja, e ele me assentiu com a cabeça. Trouxe um exemplar único, que não estava à venda, produzido por eles próprios. Mas havia um outro, escrito por Patricia Demicher Ilaria, sobre famílias italianas no Rio da Prata. “Deste tenho vários. Pode levar como um presente.”

Impossível não me sentir em casa naquele ambiente e com aquela conversa. Falamos do que sabíamos dos nossos antepassados. Lembramos que há, na região da Calábria, uma forte concentração de Linardi. Era de lá que eu havia encontrado a documentação dos meus e, há alguns anos, havia descoberto que na cidade de Rossano é produzido um vinho chamado Linardi. Ele já conhecia e, há algum tempo atrás, haviam conseguido uma remessa de garrafas através de uma encomenda.

Ao final da conversa, o telefone tocou com latidos de cachorro. Era sua esposa, para quem começou a contar sobre a visita inusitada dos parentes brasileiros. Depois de desligar, contou para nós sobre o motivo do toque do telefone. “Ela cria sheepdogs”. Com livros, vinhos e cachorros, não há necessidade de melhores companhias e referências para encontrar laços que unem parentescos, mesmo que não tão próximos.

 

(Montevidéu, dezembro de 2018)

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* Contato: fred.linardi@gmail.com

Índex* – Dezembro, 2018

O Menino

Continua

Crescendo, fortificando

 

Até o umbral

De um novo ano

Até os primeiros raios

Do dia

Em que

Nos levantamos

Nos renovamos

 

E transformamos

Ao redor em

Paz

Luz

Amor e

Poesia

(“Em mim, nasce o poema”, Patricia Gonçalves Tenório, 25/12/2018, 06h05)

 

O umbral do novo ano se aproxima no Índex de Dezembro, 2018 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa – 2019 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

O Natal de Bernadete Bruto (PE – Brasil) e Cilene Santos (PE – Brasil).

Facas na literatura | David de Medeiros Leite (RN – Brasil).

O fogo de Ina Melo (PE – Brasil).

Do fim | Geysiane Andrade (RS – Brasil).

Poemas de Márcia Maia (PE – Brasil).

Essa tal felicidade | Natália Setúbal (RS – Brasil).

E o desejo de um 2019 de muitos Sonhos realizados, Paz, Saúde, Luz, Amor & Alegria, a próxima postagem será em 27 de Janeiro, 2019, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – December, 2018

The Boy

Continues

Growing, fortifying

 

Until the threshold

Of a new year

Until the first rays

Of the day

On what

We get up

We renew

 

And we transformed

Around in

Peace

Light

Love and

Poetry

(“In me, the poem is born”, Patricia Gonçalves Tenório, 12/25/2018, 06:05 a.m.)

 

The threshold of the new year is approaching in the Index of December, 2018 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Studies in Creative Writing – 2019 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

The Christmas of Bernadete Bruto (PE – Brasil) and Cilene Santos (PE – Brasil).

Knives in literature | David de Medeiros Leite (RN – Brasil).

The fire of Ina Melo (PE – Brasil).

From the end | Geysiane Andrade (RS – Brasil).

Poems by Márcia Maia (PE – Brasil).

Such happiness | Natália Setúbal (RS – Brasil).

And the wish for a 2019 of many Dreams realized, Peace, Health, Light, Love & Joy, the next post will be on January 27, 2019, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Sonhos a se realizarem no Ano Novo que se aproxima. Dreams to be fulfilled in the approaching New Year.