Posts com Escrita Criativa

Índex * – Novembro, 2020

Costuro

O poema

Como quem sabe

O que é vestir

A pura seda

Dos versos de

Gullar

Cozinho

O poema

Feito o café bom

De Bandeira

Os sequilhos

De Quintana

O pão de queijo

De Drummond

O doce de leite

De Moraes

Antes

Que a tarde

Me deite

Nua

Sobre as

Folhagens

De palavras

Que brotam

Durante a minha

Leitura

(“Os amantes”, Patricia Gonçalves Tenório, 06/11/2020, 11h57)

O Amor Perfeito à Poesia, à Literatura, à Escrita Criativa no Índex de Novembro de 2020 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Encontro de Poesia 51 | Edição de Aniversário | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Divers@s.

Coleção Quarentena | Depoimentos | Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil) & Raldianny Pereira (PE – Brasil).

Escrita Criativa em mim | Capítulo 4 – Os concursos literários | Patricia Gonçalves Tenório.

Poema de Altair Martins (RS – Brasil).

Amaro Nervo por Manuela Bertão (Porto – Portugal).

A poesia de Raquel Carrilho (PE – Brasil).

Poema de Rizolete Fernandes (RN – Brasil).

E os links do mês:

Ave Palavra, de Bernadete Bruto, com Patricia Tenório: https://open.spotify.com/episode/6753c80IqeScWXvcsWiuEZ

Bernardo Bueno (RS – Brasil) e a pré-venda da Antologia Quatro de Escrita Criativa da PUCRS:
https://www.bestiario.com.br/livros/escrita_criativa_4.html

Bruno Tenório de Oliveira e Silva (PE – Brasil) e o zumbido:
https://www.instagram.com/p/CHiO3SYL7bM/?igshid=m9foc9lxumnc

Folhinha Poética por Jorge Amaral de Oliveira (CE – Brasil): http://folhinhapoetica.blogspot.com/2020/11/10nov20-patricia-goncalves-tenorio.html#.X6x2Z8hKjIU

Excepcionalmente, antecipamos a News de Novembro, 2020. A próxima postagem será em 22 de Dezembro de 2020. Agradeço a atenção e o carinho de sempre, abraço bem grande e até lá,

Patricia Gonçalves Tenório.

____________________________________________

Index* – November, 2020

I sew

The poem

As who knows

What is dressing

The pure silk

From the verses of

Gullar

*

I cook

The poem

As the good coffee

From Bandeira

The sequels

From Quintana

The cheese bread

From Drummond

The milk candy

From Moraes

Before

That afternoon

Lay me down

Naked

About the

Foliage

Of words

That sprout

During my

Reading

(“The lovers”, Patricia Gonçalves Tenório, 11/06/2020, 11h57 a.m.)

The Perfect Love of Poetry, Literature, Creative Writing in the November, 2020 Index on Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

Poetry Meeting 51 | Anniversary Edition | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Several.

Quarantine Collection | Testimonials | Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil) & Raldianny Pereira (PE – Brasil).

Creative Writing in Me | Chapter 4 – Literary contests | Patricia Gonçalves Tenório.

Altair Martins’ Poem (RS – Brasil).

Amaro Nervo by Manuela Bertão (Porto – Portugal).

The poetry of Raquel Carrilho (PE – Brasil).

Poem by Rizolete Fernandes (RN – Brasil).

And the links of the month:

Ave Word, from Bernadete Bruto, with Patricia Tenório: https://open.spotify.com/episode/6753c80IqeScWXvcsWiuEZ

Bernardo Bueno (RS – Brasil) and the pre-sale of the Anthology Four of Creative Writing by PUCRS:
https://www.bestiario.com.br/livros/escrita_criativa_4.html

Bruno Tenório de Oliveira e Silva (PE – Brasil) and the buzz:
https://www.instagram.com/p/CHiO3SYL7bM/?igshid=m9foc9lxumnc

Poetic Leaflet by Jorge Amaral de Oliveira (CE – Brasil): http://folhinhapoetica.blogspot.com/2020/11/10nov20-patricia-goncalves-tenorio.html#.X6x2Z8hKjIU

Exceptionally, we anticipate the News of November, 2020. The next post will be on December 22, 2020. I thank you for your attention and affection always, a big hug and until then,

Patricia Gonçalves Tenório.

____________________________________________

____________________________________________

* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma
questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Os amantes perfeitos sobre a mesa. The perfect lovers over the table.

Encontro de Poesia 51 | Edição de Aniversário

Essa máquina

De sonhos

Que é o

Meu coração

Bombeia

Há 51 anos

Versos

Frases

Para quem

Der e

Vier

*

Mais perto

No riscar

Da letra

Preta

No papel

Em branco

*

Como se fossem

Poemas

Assim

Soltos

Como se fossem

Histórias de sorrir e de chorar

Como se eu fosse

*

Eterna

Verso

Prosa

Real

E ficção

*

Do tamanho

Do punho

Dessa mão

Que te escreve

(“Máquina de sonhos”, Patricia Gonçalves Tenório, 21/11/1969, 08h)

___________________________________

Foi um encontro maravilhoso o de ontem!

Gratidão infinita pela participação e pelos presentes poéticos e compartilho por aqui o nosso Encontro de Poesia em comemoração ao meu aniversário de 51 anos!

https://us02web.zoom.us/rec/share/6tjtwNyvqOXgimrxtb9npGseTrwqxQnTUNAHyg_RY125-x7H21BIINMhFc3iKRGq.Tkz8-C4T5EKdjhD4 

(Senha de acesso: pFZ^h823)

Abraços do tamanho dos nossos sonhos e até breve!

Patricia.

Coleção Quarentena | Depoimentos

Em 22 de dezembro de 2020, lançaremos a Coleção Quarentena aqui no blog. É uma trilogia de ficção, poemas e não ficção escrita por Patricia Gonçalves Tenório durante os primeiros seis meses da pandemia de Covid-19 e que foi imprescindível para a autora expurgar os medos mais profundos, mas também enxergar a beleza que sempre brota nos períodos sombrios da humanidade.

Patricia convidou três amigas-irmãs de Poesia para darem os seus depoimentos a partir da leitura dos livros. Com vocês, Bernadete Bruto, Elba Lins & Raldianny Pereira!

______________________________________

Exílio ou Diário depois do fim do mundo

Patricia Tenório descortina cada detalhe da experiência particular, perante o momento histórico, ao produzir Exílio ou Diário depois do fim do mundo. Por meio do relato diário, os dias são computados em ordem numérica e os acontecimentos exibidos por uma escrita cuidadosa e poética. Assim, confidencia-nos momentos de medo, incertezas, alegrias, tristezas, esperança, poesia e aprendizagem, na tentativa de abarcar os sentimentos que emergem no isolamento imposto. Ao transformar em livro o diário, entregando ao público a experiência pessoal, não só tem um gesto de coragem, mas, também, de amor à vida.

Recife, 13 de outubro de 2020

Bernadete Bruto

O Diário de Patricia não é apenas um espelho onde nos vemos a nós próprios e ao mundo inteiro neste período de pandemia. É uma lupa que amplia as nossas dificuldades, nossos problemas e que abre nossos olhos para as várias realidades – seja a nossa, a do outro ou a do planeta. O Diário nos leva a muitas reflexões sobre a vida, os relacionamentos, a fé, as amizades, os interesses individuais. É uma fotografia ampliada do que nós todos vivenciamos – “cada um na sua cela”.  O Exílio nos leva também por uma viagem mágica pelo mundo da literatura, das teorias sobre a escrita, dos filmes.  Sua leitura vai se tornando um prazer e confirmando que ela cria mundos – mesmo que estejamos presos em um único lugar.

Elba Lins

2020 nos deu uma rasteira. E, no isolamento social, desterro, Exílio em que, tal como no golpe de capoeira, vimos nossos pés perderem o chão e a Terra virar de cabeça para baixo depois do fim do mundo, Patricia traz para seu convívio mais íntimo seus amores e trava com eles diálogo diário e profundo. Assim nos permite partilhar seus sentimentos, mais que pensamentos, com seus parceiros da vida inteira, os livros, e neles, seus autores e autoras, amigos fiéis. Além disso, quiçá defrontando-se mais que nunca com a fragilidade e finitude da vida humana, revisita e conversa com a própria obra como que a perguntar: que tesouro é esse da vida que me ultrapassa? Será descoberto? Mais, será desvendado? Servirá para alguém? Faria o mundo melhor?

Recife, 15 de outubro de 2020

Raldianny Pereira

______________________________________

Poemas de cárcere

Patricia rabisca lírico diário                   

No silencioso papel em branco                      

Cintilantes esperanças                       

Despontam em poemas matutinos       

Como belos meninos: a temperança            

Perante a escuridão do momento                          

No cárcere do isolamento                 

Uma poética da resistência                      

Recife, 13 de outubro de 2020

Bernadete Bruto

Aprisionada entre paredes físicas pelo medo de um inimigo invisível, Patricia resiste e através da escrita encontra a chave que abre as portas da prisão – “O vírus/ Imobilizou o mundo/ Inteiro/ Mas não imobilizou/ A minha mão”. Assim, vai entrando num ritmo próprio e vendo o mundo com novo olhar, que a leva do medo à esperança; do exílio ao encontro final – “O amor/ Será um laço/ Atado pela distância/ Que nos separa (…) E o teu olhar/ Ah, o teu olhar/ Já me conhecendo inteira/ Depois do fim do mundo”. Ou que ainda fala de uma nova rotina que nos invade a todos, o que nos leva à compreensão do outro – “Estão/ Em minhas mãos/ Os calos nodosos/ As cicatrizes/ De acidentes domésticos/ Quando reaprendo/ A ser feliz”.

Elba Lins

Enquanto Patricia conta os dias de aprisionamento, poemas continuam brotando, a baronesa crescendo, o diário chega às 154 páginas e o isolamento ainda as ultrapassa em muito. A grande esperança pós-pandemia: as relações mudarão e agiremos segundo “e se fosse comigo?”. Depois do conforto da solidão da escrita na solidão imposta pela pandemia, o pânico com a iminente reabertura do mundo. O que será de nozes 2. O que será que será à flor da Terra. O dia nasceu com Poemas de cárcere, “Que um dia / Terei / Descanso / O silêncio / Invadirá / Os meus cantos / Mais profundos / E serei feliz”.

Recife, 16 de outubro de 2020

Raldianny Pereira

______________________________________

Setembro chega em forma de canção, envolvendo-nos em entrecortada narrativa atemporal na qual distinguimos a própria essência. Embora ficcional, a descrição é demasiadamente humana, causando uma inevitável identificação durante a leitura.  Não tem como não se deixar conduzir pelo ritmo da história. A voz narrativa infantojuvenil nos faz reconhecer angústias e anseios perante a vida, tão comum a tantos. É uma novela delicada, impregnada de afetos, que findamos a leitura com o coração em esperançoso acalanto a cantar: “Quando entrar setembro…”.

Recife, 14 de outubro de 2020

Bernadete Bruto

Inspirada ora em histórias reais ora em situações imaginárias, Patricia constrói uma narrativa de tempos de pandemia – que poderia estar acontecendo agora, com você, com seus filhos, com seus pais ou seus vizinhos. A partir de possibilidades vislumbradas, ela tece uma teia de encontros, desencontros, descobertas, perdas, paixões e despedidas. Surpreendemo-nos e nos assustamos, pois todas essas coisas podem ocorrer em dias normais, mas são amplificadas em tempos de solidão, envolvendo a todos num turbilhão sem controle.

Elba Lins

Setembro traz o tema da desintegração familiar que a pandemia provocou na ficção e, não raro, na não ficção. Além disso, Patricia evidencia a realidade da mulher usualmente colocada no centro das grandes responsabilidades domésticas na quase inabalável estrutura das relações familiares que atravessa séculos, notadamente na cultura patriarcal do Brasil. A novela fala sobre o abandono de menores, mas também sobre o que “no fim das contas, somos: todos seres carentes de afeto, de atenção, e o isolamento exacerba tudo isso”.

Recife, 21 de outubro de 2020

Raldianny Pereira

Escrita Criativa em mim* | Patricia Gonçalves Tenório**

Novembro, 2020

Capítulo 4 – Os concursos literários

            Foram derrubados os muros da cidade, o Muro Alto não existia mais.

Plantaram jardins conjuntos, escreveram livros para uns aos outros ler. Era

bom aquele começo, com a esperança no coração.

(“A cidade universitária” em A menina do olho verde, 2016)

*

No capítulo 3 de Escrita Criativa em mim, avisei da importância dos concursos literários.

Participar de concursos literários nos dá um norte, nos orienta para o olhar do outro, do que percebem em nossos textos, em nossa escrita. Quais os caminhos para melhor percorrer, mesmo que eles sejam “longos, perigosos, tortuosos”, como dizia Ariana na fábula de 2006 As joaninhas não mentem.

Mas é preciso ter cuidado para não encobrir a própria voz. Em 2015, participei de um concurso nacional com outra fábula, A menina do olho verde. Os personagens foram considerados mal construídos e, com isso, não venci o concurso. Porém, eu acreditava na minha história. Acreditava na voz de Manuela, a menina do olho verde e a publiquei em 2016. Em 2017, inscrevi o livro em um concurso internacional, o mesmo que As joaninhas não mentem venceu, em 2008, na categoria de melhor romance estrangeiro: o concurso da Accademia Internazionale Il Convivio, na Sicília, Itália. Recebi o Primo Premio Assoluto com a história de Manuela, Pedro, Letícia e Jonatas.



Recebendo de Ângelo Manitta o Primo Premio Assoluto da Accademia Internazionale Il Convivio (Sicília, Itália) por A menina do olho verde.

A leitura do outro é imprescindível para a Literatura, a Poesia acontecer. Mas o mais importante é acreditar na própria voz, na própria mão que se debruça no papel em branco e derruba os muros do espaço entre quem escreve e quem lê, na insistente, persistente, para sempre Escrita Criativa em mim.


__________________________________________

* Coluna publicada mensalmente nos blogs www.veragora.com.br/tesaoliterario e www.patriciatenorio.com.br.      

** Escritora, dezessete livros publicados, sendo um em formato vídeo-podcast, e mais três no prelo, mestre em Teoria da Literatura (UFPE) e doutora em Escrita Criativa (PUCRS). Contatos: grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com e https://www.youtube.com/estudosemescritacriativa     

Poema* de Altair Martins**

26. SOBRE UM CÃO NUMA ESTRADA DO SONHO*

No que dormi, apenas uma estrada de terra pela qual desce um cão e tantas coisas a dizer:

que vejo que perco a minha mão direita,

que olho o fim do braço até uma forma que chora até um vão onde dedos antigos se mexiam e desaparecem do espaço, dos retratos, mas ainda não do desconforto.

*

E logo a estrada e o cão me caminham

e a luz que vence os eucaliptos em fila

e desinfecta os desastres de cada passo

pergunta se acredito

e assim me perco entre a letra cursiva

e o que serei sem a mão direita.

Não acredito e não tenho orgulho.

*

Porque sei que a desconfiança acerca da estrada advém do que dela narram e de um cão que pode ser perigoso.

Mas nisso que é sonho e névoa,

me cheiro de coisa repetida que tanto enjoa.

Sou eu no cão na estrada e me vejo

na curva que se deita e dorme leve

com a esperança de que darei certo amanhã mesmo sem a mão crente que fecha as cortinas.

*

A estrada de chão e o cão: sou feito dessas margens que se seguram, que esperam que eu volte, esperam que eu chegue, pela frente, já aos lados, sem nenhuma desconfiança dos campos de soja.

O gosto de terra molhada na boca

ficará vestígio depois que grãos maiores rasparem o que será garganta e a mesa do escritório calar que eu sente.

*

Mas antes estarei sozinho sobre a cama,

e o tecido que as fronteiras do olho trouxerem se costurarão hoje numa roupa feita à medida para o dia de agora.

*

Sobre a estrada sobre o cão vai chover naquela noite de sonho.

Em qual das mãos a água cairá em mim?

Em qual discussão do ouvido

latirá o que vem com o sol depois

quando os eucaliptos soltarem sob a casca o cheiro de coisa imatura?

*

Sim, cão, nos faltará uma fé qualquer perdida para aceitar que matamos desarmados, que matamos dormindo e que a minoria é matematicamente maior.

Sem fé em ti, estrada de sonho,

não haverá mãos pretas que cortaram cana, não haverá mãos virgens que seguraram nojo, nem homens que enriqueceram a partir dos bens da família rica.

*

Mas não tenho fé sequer nesta minha mão direita:

está aqui sobre a mesa e ainda não a encontro.

Será preciso ensinar a esquerda a rezar pela irmã desaparecida, a ter destreza e assinar logo e sem questionamentos o que sempre é necessário.

___________________________________

_____________________________________

___________________________________

* Poemas postados no Jornal Nova Folha, Guaíba, RS. Fotografia: Valmir Michelon. www.novafolha.com.br/altair-martins

** Altair Martins (Porto Alegre, 1975). Bacharel em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) — ênfase em tradução de língua francesa —, mestre e doutor em Literatura Brasileira na mesma universidade. Ministrou a disciplina de Conto no curso superior de Formação de Escritores da UNISINOS entre 2007 e 2010. É professor da Faculdade de Letras e de Escrita Criativa da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), atuando no Programa de Pós-graduação. Coordena o projeto de pesquisa O fantástico em tradução. Tem textos publicados em Portugal, na Itália, França, Argentina, no Uruguai, na Espanha, Hungria, em Luxemburgo e nos Estados Unidos. Ganhou, entre outros prêmios, o São Paulo de Literatura (2009, com o romance A parede no escuro) e o Moacyr Scliar (2012, com os contos do Enquanto água). A peça teatral Hospital-Bazar (Porto Alegre: EdiPucrs, 2019) e o romance Os donos do inverno (Porto Alegre: Não editora, 2019) são suas últimas publicações. Ministrante, em setembro de 2019, da disciplina Oficina de Poesia na primeira turma de especialização Lato Sensu em Escrita Criativa Unicap/PUCRS (2019.2). Contatos: altairt.martins@pucrs.br; www.altairmartins.com.br

Amaro Nervo por Manuela Bertão*

___________________________________

* Manuela Bertão é uma exímia leitora do outro lado do Oceano Atlântico, na cidade do Porto, Portugal. 

A poesia de Rachel Carrilho

___________________________________

* Rachel Carrilho é Destaque Literário de Novembro, 2020 da Cultura Nordestina, um projeto de Bernadete Bruto, Taciana Valença e Salete do Rêgo Barros.

Poema de Rizolete Fernandes

Índex* – Outubro, 2020

Quando leio

Os olhos teus

Têm passagens preciosas

Cenas misteriosas

De um tempo

Que não é

Meu

*

Eu caminho

Por veredas

Inesperadas

Vales

Montanhas

Escarpadas

E posso

Com a ponta

Dos meus dedos

Sentir a pele

Das palavras

De quando

A tua história

Se escreveu

(“Quando a escrita visita a leitura”, Patricia Gonçalves Tenório, 02/10/2020, 05h34)

Quando a escrita visita o Índex de Outubro, 2020 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa On-line – Outubro, 2020 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Companhia.

Escrita Criativa em mim – Capítulo 3 – Literatura e outras artes | Patricia Gonçalves Tenório.

Poema Trilingue de Antonio Aílton (MA – Brasil).

Poema de Cilene Santos (PE – Brasil).

Sinos = Campanas | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

Perfume de Elba Lins (PB/PE – Brasil) | Patricia Gonçalves Tenório.

apaguei a playlist / comecei a dançar | Fernando de Albuquerque (PE – Brasil).

E os links do mês:

“Corruíras” de Alcides Buss: http://www.alcidesbuss.com/

Curso de Narrativas de Terror com Andrezza Postay e Bibiana Simionato (RS/PE – Brasil): https://www.sympla.com.br/narrativas-de-terror__969064

Salomé, de Iaranda Barbosa (PE – Brasil): www.catarse.me/salome

Arte Agora – Entrevista de Patricia Gonçalves Tenório para Alexandre Santos e Bernadete Bruto (PE – Brasil):  https://youtu.be/VyB69WRZQX0

Obrigada pela atenção e pelo carinho de sempre, a próxima postagem será em 29 de Novembro, 2020, abraço bem grande e até lá,

Patricia Gonçalves Tenório.

____________________________________________

Index* October, 2020

When I read

Your eyes

There are precious passages

Mysterious scenes

From a time

That is not

Mine

*

I walk

By unexpected

Paths

Valleys

Rugged

Mountains

And I can

With the tip

Of my fingers

Feel the skin

Of words

Of when

Your story

Was wrote

(“When writing visits reading”, Patricia Gonçalves Tenório, 10/02/2020, 05h34 a.m.)

When writing visits the October Index, 2020 on Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

Online Creative Writing Studies – October, 2020 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Company.

Creative Writing in Me – Chapter 3 – Literature and other arts | Patricia Gonçalves Tenório.

Trilingual Poem by Antonio Aílton (MA – Brasil).

Poem by Cilene Santos (PE – Brasil).

Bells = Campana | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

Perfume of Elba Lins (PB/PE – Brasil) | Patricia Gonçalves Tenório.

I deleted the playlist / started dancing | Fernando de Albuquerque (PE – Brasil).

And the links of the month:

“Corruíras” by Alcides Buss: http://www.alcidesbuss.com/

Horror Narratives Course with Andrezza Postay and Bibiana Simionato (RS / PE – Brasil): https://www.sympla.com.br/narrativas-de-terror__969064

Salomé, by Iaranda Barbosa (PE – Brasil): www.catarse.me/salome

Arte Agora – Interview by Patricia Gonçalves Tenório to Alexandre Santos and Bernadete Bruto (PE – Brasil): https://youtu.be/VyB69WRZQX0

Thank you for your attention and affection, the next post will be on November 29, 2020, big hug and until then,

Patricia Gonçalves Tenório.

____________________________________________

____________________________________________

* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma
questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Quando a escrita visita a leitura dos livros bons. When writing visits reading of good books.

Estudos em Escrita Criativa – Outubro, 2020

Os italianos

Patricia Gonçalves Tenório*

No sétimo módulo dos Estudos em Escrita Criativa On-line apresentamos o conceito do mise-en-abîme, inaugurado por André Gide, que, por sua vez, tomou emprestado da heráldica, “em que a reprodução de um escudo ad infinitum, um dentro do outro, gera a sensação de espelhamento que encontramos em dois espelhos um diante do outro, ou na impressão de ‘não acabar jamais’ de se extrair” das mamuskas.

Quando se termina a última página de Por que ler os clássicos, do escritor italiano, apesar de nascido em Santiago de las Vegas, Cuba, Italo Calvino (1923-1985), sente-se um mesmo estranhamento. Ou melhor, sente-se uma vertigem que nos acompanha antes, durante e depois da leitura do livro, assim como nos acompanha na leitura de certos livros bons.

Vem-nos à mente duas conexões. A primeira é com o livro já mencionado nos nossos Estudos, Mimesis: a representação da realidade na literatura ocidental, do filólogo alemão, nascido em Berlim, Erich Auerbach (1892-1957). A segunda tem a ver com um livro do próprio Calvino, Se um viajante numa noite de inverno.

Quando abrimos a primeira página de Se um viajante numa noite de inverno, do escritor “italiano”, “apesar de nascido em Cuba”, Italo Calvino, ficamos tontos,  presos em uma vertigem: o autor inicia afirmando que estamos começando “a ler o novo romance de Italo Calvino, Se um viajante numa noite de inverno”…

Feito em um jogo de espelhos, Calvino numera os doze capítulos que serão o fio condutor da narrativa, e intitula os seguintes com os nomes dos romances que vão sendo desfiados, que vão sendo apontados de um romance para o outro, sem contudo passar do primeiro capítulo.

E viajamos uma última vez no tempo e no espaço e encontramos a ubiquidade entre o medo e o desejo da viagem no quarto romance do diretor, cofundador da escola de escrita criativa Scuola Holden (Holden, de O apanhador no campo de centeio), escritor, nascido em Turim, Itália, Alessandro Baricco (1958): Seda.

Finalizamos o oitavo módulo e os Estudos em Escrita Criativa On-line 2020 com um exercício de desbloqueio a partir dos autores elencados, a sugestão de filmes relacionados com os italianos e a Escrita Criativa, e nos perguntamos: O que encontraremos a seguir? Que viagem empreenderemos em 2021? Que escritores nos guiarão? Continuem comigo, conosco, nessa busca sem fim por uma voz própria, uma expressão que abarque a imensidão de eternidade que existe dentro de nós…

E até a próxima!

______________________________________

* Escritora e doutora em Escrita Criativa (PUCRS). Contatos: grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com e http://www.estudosemescritacriativa.com/

______________________________________

Módulo 8 – Aula 1:


Módulo 8 – Aula 2:

Módulo 8 – Aula 3:

Módulo 8 – Aula 4:

Exercícios de desbloqueio:

Módulo 4 – Leste Europeu:

Luciana Beirão de Almeida

Contato: lubeirao@hotmail.com

POESIA SEM COR

A realidade nua e crua

Escancarada na nossa frente.

Bofetada na cara,

Soco no estômago,

Pedra no coração.

*

Gerando um mal-estar,

Vergonha do ser humano,

Vergonha de ser humano.

*

Um grito suspenso no ar,

Forte,

Sufocante.

Onde foi parar a poesia?

*

Módulo 5 – Japão:

Luciana Beirão de Almeida

IMPROVISO

O desassossego leva Macabéa até a esquina, onde encontra o corvo.

Silêncio.

Sua alma, antes pesada, sai da carcaça e põe-se a sonhar.

*

Módulo 6 – Os russos:

Luciana Beirão de Almeida

Focalização

Eu

Tu

Ele.

Ela.

Onipresente,

Onisciente.

Paciente.

Independente.

Simplesmente

Ardente,

Desesperadamente

Consciente.

Consistente ou Inconsequente?

*

Módulo 7 – Os franceses:

Luciana Beirão de Almeida

(IM)POSSÍVEL VIAJAR NO TEMPO?

A alma viaja.

*

Uma foto,

Uma música,

Uma memória

*

Basta fechar os olhos e se está lá.

*

O corpo não viaja?

*

O coração bate mais forte.

As mãos tremem,

A lágrima insistindo para vir à tona.

*

Podemos viajar no tempo, sim.

Revivendo com todas as forças o que passou.

Imaginando com igual deleite o que está por vir!

*

Somos donos do nosso destino?

*

Módulo 8 – Os italianos:

Bernadete Bruto

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

AO FIM DA VIAGEM

Como no Gênesis, no princípio de tudo era a escuridão do pensamento. Um silêncio profundo habitava o espírito das ideias. As palavras surgiam partidas, jogadas na angústia do tempo marcado que não aguarda a concatenação do pensamento. Depois, já aparece o conteúdo no jardim florido, um pomar de ideias que se tornou aquele lugar semeado por diversas nacionalidades de expressões. Um coral afinadíssimo de palavras ensaiando interessantes acordes. Hoje, já se colhe alguns bons frutos. Há luz na escuridão.

Também no princípio era o verbo, a fagulha inicial da criação, timidamente escondida, a receber um abano mensal transformando-se em fornalha criativa. Era a história prefigurada nos apóstolos da escrita alimentando o fogo criativo, agora semente germinada. Assim ela pensou ao desligar o áudio e ligar o cronômetro no celular. Esboçar um agradecimento por todo esse tempo, neste dia, escrever uma resposta à professora, caprichando para fazer sentido com o que foi ensinado, para em seguida digitar em letra bem bonita, porque, assim corrida no papel, a grafia está feia e é ininteligível.

Agora, no final da viagem, aparece uma escrita que se apropria de uma imagem para descrever o agradecimento, que surge em um avião no aeroporto da Itália aterrissando seu carinho. Na pista, como no filme Dio comme ti amo, em que Gigliola Cinquenti encontra com o ser amado, a aprendiz oferece um fraternal abraço, em gratidão após tantas viagens realizadas, mesmo neste espaço limitado, mesmo em tempos tão reclusos. E para encerrar a história dentro da história, retorna à Bíblia, recolhendo palavras do Evangelho segundo São Mateus: “Vós sois o sal da terra…” (…), para oferecer a flor da escrita à professora, aquela que traz luz ao mundo dos alunos com seu amor às letras.

Recife, 15 de Outubro de 2020.

*

Elba Lins

Contato: elbalins@gmail.com

Borboleta púrpura

Oh, alma minha!

Te queria leve.

Pluma suave.

Borboleta púrpura.

Voando pelos ares.

*

Por que não deixas

Este casulo?

Este tirano…

Que te mantém.

Mente insana

Que te impede de voar.

*

Vem, alma minha.

Singrar mares.

Romper os ares.

Em descobertas fatais.

*

Vem, alma minha.

Também quero viajar.

Nas tuas asas macias.

Na tua pele de seda.

Te dar meu beijo suave.

Impulsionar teu salto.

Para fora desta redoma.

*

Vem, alma minha,

Navegar comigo.

*

Deixa que eu infle as velas,

Enquanto abre tuas asas.

Singremos mares,

Por ti nunca navegados.

*

Joel Martins Cavalcante

Contato: jmartinscavalcante@gmail.com

A hora de Pedro

No dia que ele decidiu tirar a vida não choveu na cidade. Há dias, como é normal no mês de junho, chuvas fortes desciam em Alagoinha. Época de colheita de milho e feijão verde, festas dos santos mais devotados do Nordeste, como São Pedro, nome pelo qual foi batizado por sua mãe, uma devotada católica.

No dia que ele decidiu tirar a vida, como por essas coincidências do destino, a filha ligou para o orelhão da esquina de onde morava. Fazia tempo que não se falavam.

– Alô, pai, benção!

– Deus te abençoe, minha filha – respondeu a Marta.

– Como o senhor vai?

– Bem, com a graça de Deus.

– Pai, quero voltar aí no final do ano. Rever o senhor, os amigos, tia Júlia.

– Tudo bem, minha filha. Mas minha saúde não anda muito boa. Não sei se estarei vivo até dezembro – disse, rindo em seguida.

Falaram mais algumas coisas. A ligação não durou mais de dois minutos. Ela não citou como estava o irmão, João, que havia acabado de tornar-se pai pela segunda vez.

Desde que Maria, sua esposa morreu, há dez anos, que os dois únicos filhos partiram para o Rio de Janeiro, levando apenas poucas coisas nas costas, e querendo deixar os traumas da bebedeira do pai para trás. Marta havia acordado naquele dia com algum pressentimento. Ligou, antes de falar com o pai, para João. Ouviu do irmão o relato da noite insone e dos pesadelos que teve nos poucos momentos que conseguiu pregar os olhos. Mas ele não queria saber do pai.

Ele não bebeu no dia que decidiu tirar a vida. Acordou cedo. Foi na pocilga ver como estavam os porcos. Depois de colocar a lavagem para alimentar os animais, foi tomar banho. Colocou a melhor roupa que tinha no armário, comprada para a celebração do Crisma dos filhos gêmeos há quinze anos. Perfumou-se. Saiu pelas ruas da cidade.

– Pedro, tem carne de porco já?

– Não. Não venderei mais. Vou me matar – respondeu a um freguês, mas não foi levado a sério.

Chegou no principal bar no centro da cidade, perto do açougue onde vendia a carne suína. Pediu uma Coca-Cola.

– Tá de brincadeira, né? Não beber cana hoje? – perguntou o dono do bar.

– Vou me matar. Não quero ser encontrado com cheiro de cachaça, disse.

– Arrumado do jeito que tá você deve ter algum encontro.

– Com minha morte – respondeu, não sendo levado a sério.

A carne de porco que vendia era a melhor da região. Mas fazia muito tempo que havia se entregado ao alcoolismo. Já bebia antes de Maria morrer. Mas aumentou muito depois que os filhos foram embora. Diziam as más línguas que o câncer que ceifou a esposa foi causado pelas brigas e surras constantes que ela levava dele. Nem conseguia matar mais os animais. Nos últimos tempos pagava para alguém ficar vendendo em seu lugar.

– Até mais, Severino. Qualquer coisa a gente se encontra no outro lado da vida – disse após pagar a conta e sair do bar.

Foi em direção ao antigo prédio de um armazém abandonado. Pegou a corda escondida há três dias. Era por volta de duas e meia da tarde. Pouco movimento na rua. A maioria das pessoas tiram a soneca após o almoço, despertando por volta das três horas, com o toque do sino da igreja, convidando para o terço da misericórdia.

Amarrou a corda em um ferro alto perto da lavanderia do velho armazém. Pegou um tamborete. Subiu nele. Colocou a corda no pescoço. Rezou uma ave-maria, se benzeu, pediu perdão a Deus, e pulou para a sua viagem eterna.

Pouco depois, uns adolescentes que iam para o quintal do velho armazém pegar goiabas tiveram um susto ao ver o homem pendurado. Saíram correndo. Primeiro encontraram Severino, já que o bar ficava perto.

– Pedro tá pendurado no armazém – disseram.

Severino foi lá. Constatou. Aos poucos a notícia foi se espalhando na pequena cidade. Curiosos e conhecidos viram Pedro enforcado. Uns choravam, outros só comentavam da tristeza que ele expressava nos últimos tempos. O dono do bar falou do suicídio anunciado, mas ele não havia acreditado. Um pouco mais adiante o sino da igreja começou a repicar. No alto-falante da matriz começou a reza: “Pela sua dolorosa paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.”

*

Luciana Beirão de Almeida

Uma Viagem Inesquecível

Oito módulos,

Oito meses.

Viajando no tempo e no espaço.

Respirando arte,

Banhando-me em cultura.

Mamuskas, Macabéas, Kareninas,

Entre travesseiros e corvos eu sonho.

Embarco nessa viagem com muita curiosidade.

Vamos juntas trilhando

Caminhos repletos de beleza e novidades.

Chego ao destino final

Com a certeza de que há muito ainda a se explorar.

Me pergunto quando será a próxima aventura,

E duas palavras saem voando do meu peito

Para pousar no papel

Em forma de poesia.

Obrigada, Patrícia!

*

Paulo Roberto de Jesus

Contato: poujesus@hotmail.com

Vestida de noiva

Muitas dúvidas na cabeça de Jorge. Pensava que o dia em que passasse dessa para outra esfera teria certeza das coisas, dos conhecimentos, mas que nada.  O casamento marcado com Virna tinha tudo pra dar certo. Isto dito no duplo sentido. O casamento enquanto vivência a dois, ou seja, a vida de um casal que se ama e o casamento enquanto festa. Sim. Estava tudo finalizado para os comes e bebes. Igreja, salão de festas, comidas, bebidas e tudo o mais estava providenciado.

Jorge foi à casa de Virna para passar algumas horas com a noiva. Faltava uma semana para o casamento. Virna era só alegria. Jorge chegou de supetão e viu Virna experimentando o vestido de noiva. Fazendo os últimos ajustes com o auxílio da mãe Josélia. A mãe de Virna disse para Jorge sair porque não é de bom agouro que o noivo veja a noiva com o vestido de noiva antes do casamento. Jorge deu uma sonora gargalhada e disse pra sogra que isto é bobagem, superstição, coisa de gente que acredita em mula-sem-cabeça. Josélia respondeu que acreditava porque, como diz o povo, onde há fumaça há fogo, e não é de bom tom brincar com a sabedoria popular.  Jorge não deu ouvidos e inclusive ajudou a sogra a ajustar o vestido da amada. Aproveitava a ocasião para dar uns leves beliscões em Virna com o intuito de provocá-la.  A noiva também não gostou da ideia de Jorge ajudar no ajuste do vestido, mas como o noivo teimava em ficar, concordou.

Após o ajuste, lancharam e dona Josélia deixou o casal a sós. Trocaram beijos e carícias antes de Jorge retornar à casa.  Ao se despedir, o jovem beijou a noiva, subiu em sua moto e dirigiu-se para casa. Andava tranquilo e dentro da velocidade da via. A neblina, serração como chamamos em Curitiba, era alta e não deixava Jorge ter visibilidade do que estava a sua frente. O rapaz seguia tranquilo quando de repente bummmm. Tudo apagou. Tudo ficou escuro. Então Jorge viu a moto toda torta com a batida e um corpo estendido no chão. O corpo parecia ser o seu. Não entendia direito o que havia acontecido. Viu uma caçamba de resíduos deixada no meio da via e viu que a falta de visibilidade o impediu de ver a caçamba e, embora estivesse na velocidade recomendada, o choque foi o suficiente pra retirar-lhe a vida.                

Via o corpo no caixão sendo velado na capela. Via sua noiva inconsolável. A sogra e os amigos chorando. Todos lamentando o acontecido. Pensou quem será o infeliz que colocou aquela caçamba fora de lugar e provocou o fim de sua vida e o enorme sofrimento da noiva? De repente um silencio total e Jorge vê Josélia dizer para Virna e um grupo de pessoas que a rodeavam que ela havia prevenido o genro que não é de bom agouro ver a noiva com o vestido de casamento antes do casamento. O teimoso não acreditou.