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Índex* – Abril, 2017

Perdi

A capacidade de dizer

Bom dia

Senti

A necessidade de dizer

Te amo

Mas as palavras 

Não estavam lá

Não estão aqui

Dentro do meu

Peito

Soltas na minha

Língua

Para saírem

Quando quiserem

Quando puderem

Fazer um mundo

Mais colorido

Trazer o sonho

Para o dia-a-dia

E amanhecer em mim 

Um gosto bom

De infância

(“O fim das lentes cor-de-rosa”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 23/04/17, 05h02)

 

A capacidade de transmutar Vida em Poesia no Índex de Abril, 2017 no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

Pequeno conto circense (e prefigural) | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

Sobre “Não há amanhã”, de Gustavo Melo Czekster (RS – Brasil).

Sobre “O livro dos cachorros”, de Luís Roberto Amabile (SP/RS – Brasil).

Un Poema de Rizolete Fernandes (RN – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Abril, 2017 | Com Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil), Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil).

Agradeço o carinho e participação, a próxima postagem será em 28 de Maio de 2017, um abraço bem grande e até lá,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – April, 2017

I’ve lost

The ability to say

Good Morning

I felt

The need to say

I love you

But the words

They were not there

They were not here

Inside my

Chest

Loose in my

Tongue

To get out

When they want

When they can

Make a world

More colorful

Bring the dream

To the day by day

And dawn on me

A good taste of

Childhood

(“The end of the pink lenses”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 04/23/17, 05h02)

 

The ability to transmute Life in Poetry in the Index of April, 2017 in Patricia (Gonçalves) Tenório’s blog.

Little circus (and prefigural) tale | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

About “There is no tomorrow”, from Gustavo Melo Czekster (RS – Brasil).

About “The Book of Puppies”, from Luís Roberto Amabile (SP/RS – Brasil).

A Poem by Rizolete Fernandes (RN – Brasil).

Study Group in Creative Writing – April, 2017 | With Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil), Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil).

Thank you for the affection and participation, the next post will be on May 28, 2017, a big hug and until then,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Transmutando Vida em Poesia no Jardim do Baobá, em Recife, PE – Brasil. Transmuting Life in Poetry in the Garden of Baobab, in Recife, PE – Brasil.

Pequeno conto circense (e prefigural)* | Patricia (Gonçalves) Tenório**

12/04/2017 19h40

 

O problema era querer ser equilibrista e viver na mesma época de Kafka.

O problema era caminhar na corda bamba e ser observado o tempo inteiro por aquele sujeito alto, forte, e sorridente lá embaixo – porque ele, Kafka, era tudo isso, e não franzino, pequeno e triste.

O problema era saber-se objeto de contemplação do escritor inquietante de Praga, e perceber cada movimento sendo captado, sendo transformado em conto literário, conto que narra personagens circenses.

Josué assim sente, assim se emoldura. Ele sabe que de um lado a outro da corda bamba será transmutado em Pequena dor.

Pudera. Josué prefigura o que o personagem de Kafka preencherá, e, de repente, o equilibrista prova um gosto amargo na boca.

A mãe leva Josué ao médico. O pai procura a cartomante e ela prevê – que está próxima a queda do filho, o fim do equilibrista do circo Roskhóv.

Josué (Joshua) não aceita o seu destino. Atravessa a Praça da Staré Město, alcança o Relógio Astronômico, vai à Staroměstské Náměstí 22, e procura Franz (Frantisěk) Kafka. O primeiro se apresenta. O segundo convida a entrar. E sentam. E o chá é servido segundo os costumes da época.

A mãe de Kafka estranha aquele rapaz franzino, pequeno e triste que conversa com o filho na sala. Na realidade, o rapaz fala e o filho apenas toma notas numa caderneta de capa dura marrom.

O filho tosse um pouco.

A mãe se preocupa.

E pede ao rapaz franzino, pequeno e triste que volte um outro dia, quem sabe eles conversem uma outra hora sobre o problema que precisam resolver.

Mas ainda não.

Kafka, quando vê a mãe caminhando para a sala, adianta ao personagem:

– Da próxima vez em que atravessar a corda bamba, olhe para baixo como se fosse a última vez.

 

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Escrito a partir de: a-experiencia-de-uma-artista-da-fome-patricia-tenorio-270115

** Patricia Gonçalves Tenório escreve prosa e poesia desde 2004. Tem onze livros publicados e defendeu em 17 de setembro de 2015 a dissertação de mestrado em Teoria da Literatura pela Universidade Federal de Pernambuco, linha de pesquisa Intersemiose, “O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural”, sob a orientação da Prof. Dra. Maria do Carmo de Siqueira Nino. Acaba de ingressar (2017.1) no Programa de Pós-Graduação em Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) no Doutorado em Escrita Criativa.

Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e www.patriciatenorio.com.br