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“A louca da casa”, de Rosa Monteiro: Possíveis Escritas Criativas | Patricia (Gonçalves) Tenório

09 a 10 de fevereiro, 2016

 

A dupla

Existem certos livros (e filmes) que nos assombram, nos atormentam a ponto de adiarmos o instante inaugural de leitura.

“Não sei por que demoro tanto a ler certos livros. Talvez por temer um abismo, pressentir uma perda de mim, uma perda do centro, uma desestruturação de meu ser. Isso aconteceu, por exemplo, com O Mar, de John Banville. Lembro de tomar o livro por diversas vezes, trazê-lo para junto de mim, para a mesa de cabeceira, mas algo que eu adivinhava na capa, ou na orelha, ou na pequena resenha do livro me impedia de abrir a primeira página e lê-lo de um fôlego só, horas e horas sem parar, e conseguir escrever no meu diário, ainda tomada pela emoção da leitura, que “uma espécie de vazio se instala em mim”.”[1]

O mesmo acontece com A louca da casa (2003), da escritora e jornalista espanhola, nascida em Madri, Rosa Montero (1951). Recebi de uma amiga das letras e da vida, a poeta e escritora Elba Lins, no lançamento de A menina do olho verde, em maio de 2016. Maio de 2016. Daqui a uns dias faz um ano. E me recusei esse tempo inteiro a tomá-lo nas mãos, “trazê-lo para junto de mim” e “lê-lo de um fôlego só”.

Investigo.

Composto por dezenove capítulos, Montero vai nos guiando por sua arte do escrever bem, um escrever bem quando “a louca da casa” toma conta de nosso ser, preenche plenamente nosso ser e podemos revelar a nossa verdade com todas as células.

“Sempre pensei que a narrativa é a arte primordial dos seres humanos. Para ser, temos que nos narrar, e nessa conversa sobre nós mesmos há muitíssima conversa fiada: nós nos mentimos, nos imaginamos, nos enganamos. O que contamos hoje sobre a nossa infância não tem nada a ver com o que contaremos dentro de vinte anos.”[2]

Desde a epígrafe, Rosa nos alerta das possibilidades do que está escrevendo. “Para Martina, que é e não é. / E que, não sendo, muito me ensinou.” Martina, supostamente, é a irmã gêmea de Rosa. Uma irmã gêmea tão diferente que bem poderia ser inventada, bem poderia ser uma personagem da escritora espanhola, que se autodenomina “a louca da casa”.

O título por si só é bem esclarecedor. “Caiu de paraquedas” para a autora vindo de uma frase de Santa Teresa, quando esta afirma que a “imaginação” é a louca da casa, e fica em um lugar escondido do nosso ser.  Lá para o final do livro, Montero faz uma retrospectiva na qual descobre que o texto não é somente sobre a literatura, mas sobre a imaginação, a loucura… Mas deixemos para “o final do texto” a descoberta dos verdadeiros temas de Rosa…

 

As máximas

Se pudéssemos organizar em máximas (mas de maneira aleatória, que faz sentido para mim, e o mais breve possível) para o “escrever bem” os inúmeros capítulos de A louca da casa – ato que, tenho certeza, muito incomodaria a autora, mas que tomo a licença poética para tentar descobrir o porquê dessa minha paralisia, desse meu congelamento diante de uma possível “dupla” ––, se pudermos organizar em máximas, quem sabe encontrássemos em cada capítulo…

1) “Nós inventamos nossas lembranças, o que é o mesmo que dizer que inventamos a nós mesmos”;[3]

2) “O escritor está sempre escrevendo”;[4]

3) “Ninguém vai se lembrar da maioria de nós dentro de alguns séculos”;[5]

4) “Medo de concretizar a ideia, de aprisioná-la, deteriorá-la, mutilá-la”;[6]

5) “A literatura é um caminho de conhecimento que precisamos percorrer carregados de perguntas, não de respostas”;[7]

6) “O romance se dá numa região turva e escorregadia; em torno de um romance sempre acontecem as coisas mais estranhas. Como, por exemplo, as coincidências”;[8]

7) “Por que um escritor perde o rumo?”;[9]

8) “Mas não creio que seja um assunto apenas literário; realmente, acho que o ambiente fraternal é o primeiro lugar onde você se mede como pessoa; para ser você mesmo, é preciso sê-lo, de algum modo, contra seus irmãos”;[10]

9) “Os romances são os sonhos da Humanidade, sonhos diurnos que o romancista tem de olhos abertos”;[11]

10) “Será que no fundo da nossa consciência sabemos que a paixão amorosa é um invento, um produto da nossa imaginação, uma fantasia? E que, portanto, essa dor que nos abrasa é de alguma maneira irreal?”[12]

11) a) “Isto é a escrita: o esforço de transcender a individualidade e a miséria humana, a ânsia de nos unir aos outros num todo, o desejo de sobrepor-nos à escuridão, à dor, ao caos e à morte”;[13]

b) “A poesia aspira à perfeição; o ensaio, à exatidão; o drama, à ordem estrutural. O romance é o único território literário em que reinam a mesma imprecisão e falta de limites que reinam na existência humana. É um gênero sujo, híbrido, agitado.”[14]

12) “Lembro da primeira vez em que percebi que a morte existia. Eu devia ter uns cinco anos e estava lendo O gigante egoísta, o lindo conto infantil de Oscar Wilde. […] E morrer, percebi de repente, era não estar em lugar algum. […] Imagino que esta foi mais uma das razões pelas quais virei escritora”;[15]

13) “Detesto a narrativa utilitária e militante, os romances feministas, ecologistas, pacifistas ou qualquer outro ista que se possa pensar, porque escrever para passar uma mensagem trai a função primordial da narrativa, seu sentido essencial, que é o da busca do sentido. Escreve-se, então, para aprender, para saber; e não é possível empreender essa viagem de conhecimentos levando previamente as respostas”;[16]

14) “O escritor, como qualquer outro artista, tenta dar uma espiada para fora das fronteiras dos seus conhecimentos, da sua cultura, das convenções sociais; tenta explorar o informe e o ilimitado, e esse território desconhecido se parece muito com a loucura”;[17]

15) “De modo que a imaginação não só pode vencer a morte (ou pelo menos conquistar um adiamento da pena), mas também nos cura, nos sana, nos torna melhores e mais felizes”;[18]

16) “Porque eu não acredito na existência de musas. Em primeiro lugar, penso que o sussurro da criatividade, o murmúrio do daimon e dos brownies é sempre conquistado na base do esforço (como dizia Picasso, que a inspiração te pegue trabalhando); e também estou convencida de que os musos e musas mais eficientes não são os verdadeiros amados, e sim as ilusões passionais. Quer dizer, a pura fabulação. Quanto mais longínquo, mais frustrado, mais impossível, mais irreal, mais inventado for o relacionamento sentimental, mais reaviva a imaginação, enfim, enquanto a realidade pura e dura, o ruído imediato da própria vida, é péssima influência literária”;[19]

17) “De fato, quando transcorre certo tempo, digamos vinte anos, de alguma coisa que lembro, às vezes é difícil distinguir se vivi aquilo, ou se sonhei, imaginei, ou talvez escrevi ( o que mostra, por outro lado, toda a força da fantasia: a vida imaginária também é vida)”;[20]

18) “Em geral, os seres humanos não se permitem outros delírios, mas aceitam o amoroso. A alienação passageira da paixão é uma doidice socialmente admitida. É uma válvula de escape que nos permite continuar sendo equilibrados em todo o resto”;[21]

19) “Talvez tenhamos dentro de nós outras possibilidades de ser; talvez até mesmo as desenvolvamos de algum modo, inventando e deformando o passado mil e uma vezes. Talvez cada um dos acontecimentos da nossa existência pudesse ter acontecido de dez maneiras diferentes”.[22]

 

Os diálogos

Michel de Montaigne (1533-1592) já dizia nos seus Ensaios[23] que escrevemos por cima do que já escrevemos – lembro do palimpsesto –, e o que escrevemos não tem nada de original: nos citamos uns aos outros.

Que me perdoe Montaigne, mas seria preciso retornarmos aos gregos, antes até mesmo de Sócrates e Platão, antes dos Pré-socráticos, ao primeiro ser humano que (ins)escreveu símbolos nas cavernas, tentando se comunicar uns com os outros, para sermos originais. Mas precisamos nos dizer, precisamos colocar para fora aquilo que somos para dentro, ou ao menos investigar o que somos para dentro no intuito de nos conhecermos mais e melhor.

E é com esse intuito que teço aguns diálogos com essa escritora espanhola que se auto-denomina A louca da casa, e que, tão loucamente, eu me sinto irmã.

Dialogo.

ROSA – “Nós inventamos nossas lembranças, o que é o mesmo que dizer que inventamos a nós mesmos”.

PATRICIA – Uma das maneiras de registrar o que ocorre no processo criativo encontra-se nos diários, blocos de anotações, …, o que a doutora em Linguística Aplicada e Estudos de Línguas da PUCSP, Cecília Almeida Salles, em Gesto inacabado: processo de criação artística,[24] chama de “registros de experimentação”.

ROSA – “O escritor está sempre escrevendo”.

PATRICIA – Não me canso de repetir – e a repetição leva à elaboração – as máximas do poeta, romancista, dramaturgo, crítico de arte paraibano radicado em Recife, PE, Ariano Suassuna (1927-2014), no seu Iniciação à Estética,[25] quando afirma que não basta a Forma, ou a imaginação criadora; é preciso a Técnica, ou estudo contínuo; e o Ofício, ou trabalho diário, para que o artista – e aqui tomamos o(a) escritor(a) – transforme em obra de arte e não mero artesanato o que tem em suas mãos.

ROSA – “A literatura é um caminho de conhecimento que precisamos percorrer carregados de perguntas, não de respostas”.

PATRICIA – Se eu pudesse eleger um único tema para as minhas investigações seria tentar responder à grande Pergunta, uma Pergunta Essencial: até onde o escritor pode transitar na Teoria sem perder a Ficção? A Escrita Criativa em Ambiente Acadêmico é esse grande desafio ao nos alimentarmos de Teoria para fazer Poesia, de Crítica para tecer Ficção, de Vida para moldar o barro da Arte.[26]

ROSA – “O escritor, como qualquer outro artista, tenta dar uma espiada para fora das fronteiras dos seus conhecimentos, da sua cultura, das convenções sociais; tenta explorar o informe e o ilimitado, e esse território desconhecido se parece muito com a loucura”

PATRICIA – De maneira oblíqua, tento dialogar com a questão da loucura e do conhecimento ao mesmo tempo. Penso que escrever é como se fosse lapidar um vidro em estado bruto, opaco a princípio, pois não nos conhecemos bem. Com o aprofundamento da escrita e do auto-conhecimento que ela nos fornece, vamos lapidando e lapidando esse vidro opaco de nós mesmos, até chegarmos ao cristal, puro, transparente, o mais próximo possível de nossa essência – porque nunca conseguimos atingir a nossa essência plenamente, apenas “vemos em parte” o que um dia “veremos face a face”, já nos dizia o apóstolo Paulo. E por estarmos tão próximos de nossa essência, por quase “roçá-la”, não nos contentamos com pouco, nunca mais aceitaremos menos do que desejamos. E isso é um risco imenso. É para “os poucos, os loucos, os bons” – já nos dizia Hermann Hesse.

Quanto à Loucura, escrevi um texto sobre o Elogio à Loucura, de Erasmo de Roterdam, e um dos trechos que mais me fascina é quando Erasmo trata do Amor-Paixão, um dos quatro temas – como prometi no início deste breve estudo: literatura, imaginação, loucura e amor – que Rosa Montero trata no seu A louca da casa, e que farei uma relação com o filme La La Land, de Damien Chazelle.[27]

 

O amor

Uma atendente de cafeteria que sonha em ser atriz. Um músico que sonha em ter um clube de jazz próprio. Sonhos que se misturam, se entrelaçam, na direção da maior das loucuras do ser humano: a loucura do amor.

Quando iniciei este breve estudo, falei de livros “que nos assombram, nos atormentam a ponto de adiarmos o instante inaugural de leitura”. Feito O Mar, de John Banville. Feito Um Detalhe em H e 23 de Novembro, de Fernando de Mendonça. Feito A louca da casa, de Rosa Montero. Mas tive o cuidado de pôr entre parênteses os filmes, e no caso de La La Land ocorreu comigo exatamente o contrário do que acontece com “certos livros”.

Fui levada, por acaso, por meu filho caçula, em um domingo de janeiro, 2016. E já é a segunda vez que o assisto, e a obsessão persiste, a paixão continua.

– “O amor tem razões que a própria razão desconhece” – já dizia William Shakespeare.

E Rosa Montero afirma que o Amor-Paixão é a única Loucura que é permitida – e incentivada, vide os Dias de Namorados, etc – pela sociedade.

ROSA – “Porque eu não acredito na existência de musas. Em primeiro lugar, penso que o sussurro da criatividade, o murmúrio do daimon e dos brownies é sempre conquistado na base do esforço (como dizia Picasso, que a inspiração te pegue trabalhando); e também estou convencida de que os musos e musas mais eficientes não são os verdadeiros amados, e sim as ilusões passionais. Quer dizer, a pura fabulação. Quanto mais longínquo, mais frustrado, mais impossível, mais irreal, mais inventado for o relacionamento sentimental, mais reaviva a imaginação, enfim, enquanto a realidade pura e dura, o ruído imediato da própria vida, é péssima influência literária”.

E Erasmo (Desidério) de Roterdam confirma no seu Elogio à Loucura, feito citei acima, e ele escreve abaixo.

“De fato, quem ama com ardor não vive mais em si mesmo, vive no objeto que ele ama; e, quanto mais se afasta de si mesmo para ligar-se a este objeto, mais ele sente aumentar sua alegria e sua felicidade. Ora, não é louco o homem quando seu espírito, elevando-se acima da matéria, parece sair do corpo para delirar? De outro modo, o que significariam estas expressões vulgares: Ele está fora de si… caia em si… ele voltou a si…? Enfim, quanto mais perfeito é o amor, maior a loucura e mais sensível a felicidade.”[28]

E Rosa se repete na narração dos possíveis encontros com M., um ator de Hollywood – qualquer semelhança com o sonho de Mia em La La Land não é coincidência, pois não acredito em coincidências –, feito uma obsessão, feito as possibilidades de Aristóteles na sua Poética, feito a escrita compulsiva deste texto em dois dias, ou um poema que escrevi diante do infinito mar, um poema que ofereço daqui, do outro lado do Oceano Atlântico, para A louca da casa Rosa Montero, que, feito Martina, bem poderia ser minha irmã.

Ofereço.

 

Cercada

Por animais

Eu me acordo em

Fevereiro

 

Lembro

Da menina de óculos

E meias

Até os joelhos

No primeiro

Dia de aula

 

Ela me diz

Algum segredo

Em voz baixa

Eu presto

Atenção

Para captá-lo

No ar

Para sorver

Na ponta

Dos dedos

O que fui

Outrora

Moldar em

Barro

E transmutar

Em personagem

 

Já fui

Princesa

Sacerdotiza

E jornalista

Agora sou

Uma simples

Escritora

A catar

Conchinhas de palavras

No mar aberto

De Maracaípe

 

(“Álbum de família”, Patricia (Gonçalves) Tenório,[29] 01/02/17, 06h02)

 

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(1) Vide “Sobre Um Detalhe em H, de Fernando de Mendonça” (http://www.patriciatenorio.com.br/?p=4809) e “A Epifania em Fernando de Mendonça” (http://www.patriciatenorio.com.br/?p=5923), 19/06/2013 e 04/01/2015, respectivamente.

(2) MONTERO, Rosa. A louca da casa. Tradução: Paulina Wacht e Ari Roitman. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 2015, p. 8.

(3) MONTERO, Rosa. Op. cit., p. 8.

(4) MONTERO, Rosa. Op. cit., p. 12.

(5) MONTERO, Rosa. Op. cit., p. 21.

(6) MONTERO, Rosa. Op. cit., p. 32.

(7) MONTERO, Rosa. Op. cit., p. 39.

(8) MONTERO, Rosa. Op. cit., p. 45.

(9) MONTERO, Rosa. Op. cit., p. 51.

(10) MONTERO, Rosa. Op. cit., p. 64.

(11) MONTERO, Rosa. Op. cit., p. 75.

(12) MONTERO, Rosa. Op. cit., p. 81.

(13) MONTERO, Rosa. Op. cit., p. 96.

(14) MONTERO, Rosa. Op. cit., p. 100.

(15) MONTERO, Rosa. Op. cit., p. 102, itálico da edição, colchetes nossos.

(16) MONTERO, Rosa. Op. cit., p. 109.

(17) MONTERO, Rosa. Op. cit., p. 122.

(18) MONTERO, Rosa. Op. cit., p. 129.

(19) MONTERO, Rosa. Op. cit., p. 137, itálico da edição.

(20) MONTERO, Rosa. Op. cit., p. 141.

(21) MONTERO, Rosa. Op. cit., p. 150.

(22) MONTERO, Rosa. Op. cit., p. 166.

(23) MONTAIGNE, Michel Eyquem de. Ensaios. Tradução: Sérgio Millet. Precedido de Montaigne – o homem e a obra, de Pierre Moreau. 2ª ed. Brasília: Editora Universitade de Brasília, Hucitec, 1987, p. 352.

(24) SALLES, Cecilia Almeida. Gesto inacabado: processo de criação artística. São Paulo: FAPESP: Annablume, 1998, p. 18.

(25) SUASSUNA, Ariano. Iniciação à estética. Texto revisado e cotejado por Carlos Newton Júnior. 5ª edição. Recife: Ed. Universitária da UFPE. 2002, pp. 235-240.

(26) Vide “A perda da aura nas Fotografias para imaginar, de Gilberto Perin (e a Escrita Criativa em Ambiente Acadêmico)”, http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7095, de 30/10/2015.

(27) La La Land. La La Land – Cantando Estações. 2016. EUA. 128 min. Direção: Damien Chazelle. Com Ryan Gosling, Emma Stone, John Legend, entre outros.

(28) DESIDÉRIO, Erasmo. Elogio da loucura. Tradução: Paulo Neves. Porto Alegre: L&PM, (1508 in) 2011), p. 131, itálico da edição.

(29)  Patricia (Gonçalves) Tenório escreve prosa e poesia desde 2004. Tem onze livros publicados: O major – eterno é o espírito2005, biografia romanceada, Menção Honrosa no Prêmios Literários Cidade do Recife (2005); As joaninhas não mentem, 2006, fábula, Melhor Romance Estrangeiro da Accademia Internazionale Il Convivio, Itália (2008); Grãos, 2007, contos, poemas e crônicas, Prêmio Dicéa Ferraz – UBE-RJ (2008); A mulher pela metade, 2009, ficção; Diálogos, contos, e D´Agostinho, poemas, 2010; Como se Ícaro falasse, ficção, Prêmio Vânia Souto Carvalho – APL-PE (2011), lançado em novembro de 2012. Em 2013, recebeu o Prêmio Marly Mota, da União Brasileira dos Escritores – RJ, pelo conjunto de sua obra, e lançou em Paris Fără nume/Sans nom, poemas, contos e crônicas em francês e romeno, pela editora romena Ars Longa. Em 2016 publicou Vinte e um/Veintiuno (Mundi Book, Espanha, abril, 2016), e A menina do olho verde (livros físico e virtual, Recife e Porto Alegre, maio e junho, 2016), traduzido para o italiano por Alfredo Tagliavia, La bambina dagli occhi verdi, publicado em setembro, 2016 pela editora IPOC – Italian Paths of Culture, de Milão.  Defendeu em 17 de setembro de 2015 a dissertação de mestrado em Teoria da Literatura, linha de pesquisa Intersemiose, na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, “O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural”, com o anexo o ensaio romanceado O desaprendiz de estórias (Notas para uma Teoria da Ficção), sob a orientação da Profª Dra. Maria do Carmo de Siqueira Nino, publicada em outubro de 2016 pela editora Omni Scriptum GmbH & Co. KG / Novas Edições Acadêmicas, Saarbrücken, Alemanha. Acaba de ingressar (2017.1) no Programa de Pós-Graduação em Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) no Doutorado em Escrita Criativa. Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e www.patriciatenorio.com.br

Índex* – Dezembro, 2016

No silêncio da cópia oculta

Agradeço

A cada um

A cada uma

Por tanto que

Me ajudaram

Na construção

Pedrinha por pedrinha

Desse ano de

2016

Ano difícil para

Todos nós

Mas que

Na certeza de que o

Dar-se as mãos

É a única saída

Espero que

Estejamos mais uma vez

Juntos

Em 2017

E em muitos outros

Que hão de vir

(“Construção”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 13/12/16, 05h57)

Na Construção de um Mundo Novo que há de vir, esperamos no Índex de Dezembro, 2016, no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

Rinascimento | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

Carta de Oleg Almeida (Bielo-Rússia / DF – Brasil).

Poems from Alan Britt (EUA).

“De paisagens e de outras tardes” | Ana Adelaide Peixoto (PB – Brasil).

“Condutor de tempestades” | Leonam Cunha (RN – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa | Com Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil) & Anjos de Teatro (PE – Brasil).

Agradeço a participação e o carinho, a próxima postagem será em 29 de Janeiro, 2017, um grande abraço e até lá,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – December, 2016

In the silence of the hidden copy

I thank you

Each man

Each woman

For everything

You helped me

In the construction

Little stone by little stone

Of that year

2016

Difficult year for

All of us

But what

In the certainty that the

Holding hands

It’s the only way out

I hope

That we’ll be one more time

Together

In 2017

And in many others

Who are to come

(“Construction“, Patricia (Gonçalves) Tenório, 12/13/16, 05:57)

 

In Construction of a New World to come, we look forward to the Index of December, 2016, in the blog of Patricia (Gonçalves) Tenório.

Rinascimento | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

Letter from Oleg Almeida (Belarus-Russia / DF – Brasil).

Poems from Alan Britt (USA).

“Of landscapes and other afternoons” | Ana Adelaide Peixoto (PB – Brasil).

“Storm driver” | Leonam Cunha (RN – Brasil).

Study Group in Creative Writing | With Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB / PE – Brasil) & Theater Angels (PE – Brasil).

Thanks for the participation and the kindness, the next post will be on January 29, 2017, a big hug and until then,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Construindo Mundos Novos, Recife, PE – Brasil, 2016. Constructing New Worlds, Recife, PE – Brasil, 2016.

Rinascimento* | Patricia (Gonçalves) Tenório**

09/10/2010 & 20/12/2016

Sempre me faço perguntas de vida e morte às vésperas do Ano Novo.

“Nada há de gratuito exceto a morte”. (Freud, extraído de O prazer do texto, Roland Barthes)

Varro os fatos de outros tempos, as fotos do aqui e agora e não posso supor, não posso imaginar o que me aguarda, o que me surpreenderá.

“O prazer do texto é esse momento em que meu corpo vai seguir suas próprias ideias, pois meu corpo não tem as mesmas ideias que eu.” (O prazer do texto, Roland Barthes)

Aguardo uma outra estrada, um país diverso onde possa espalhar sementes de alegria e colher ramalhetes de amizades…

 

 Mãe Natureza – D´Agostinho (CD com Carlos Ferrera & Karynna Spinelli)

 Mãe natureza

Patricia Tenório

(Extraído de D´Agostinho, 2010)

Gosto do cheiro

De terra molhada

Da única escolha –

Ficar lendo livros

Ouvindo a chuva cair

Forte

Grossa

Violenta

Deixo-me banhar

Pelas lágrimas

Que clamam

– Patricia, Patricia! Por que me abandonastes?

 

Lendo Mãe natureza

Stella Leonardos

Setembro/2010

 

À Patricia Tenório

 

Sinto esse cheiro

De ideia molhada

Viver sortilégio

Ficar lendo livros

Ouvindo irmã água

Leve

Fértil

Fraterna.

Entendo essa chuva

Riso e lágrima.

Segreda

– Patricia! Patricia do coração poeta!

        Procuro descobrir nos acontecimentos o sentido perdido nos textos, nas pessoas, na vida.

“Quando o trabalho que você faz tem vinculação com seu percentual de humanidade, você se conecta ao outro”. (Ismael Caldas, artista plástico em “Das sutilezas e fraquezas humanas”, Viver, Diário de Pernambuco, 08 de Setembro de 2010)

“O que ao leigo pode parecer uma obra-prima nunca chega a representar para o criador uma obra de arte completa, mas, apenas, a concretização insatisfatória daquilo que tencionava realizar; ele possui uma tênue visão da perfeição, que tenta sempre reproduzir sem nunca conseguir satisfazer-se.” (Sigmund Freud em “Leonardo da Vinci – uma lembrança da sua infância”)

Tento seguir o que em mim pulsa, o que em mim se parece com a Verdade e a sinto eclodir por todas as minhas células.

“A filosofia natural apaziguará os conflitos e as dissensões de opinião que atormentam, dilaceram e devastam a alma sem trégua. Mas ela os apaziguará, ordenando-nos não esquecer que a natureza nasce da guerra e que ela é, por tal razão, chamada por Homero de luta.” (“Oratio de dignitate hominis”, Giovanni Pico della Mirandola)

“A diferença não é aquilo que mascara ou edulcora o conflito: ela se conquista sobre o conflito, ela está para além e ao lado dele”. (O prazer do texto, Roland Barthes)

Tomo do lápis e papel e derramo todo o meu Ser Humana em palavras e contradições, na esperança que a Arte se faça, me salve. Exprima.

“… o texto: ele produz em mim o melhor prazer se consegue fazer-se ouvir indiretamente…” (O prazer do texto, Roland Barthes)

“… estamos sempre demasiadamente prontos a esquecer que, de fato, o que influi em nossa vida é sempre o acaso, desde nossa gênese a partir do encontro de um espermatozóide com um óvulo – acaso que, no entanto, participa das leis e necessidades da natureza, faltando-lhe apenas qualquer ligação com nossos desejos e ilusões.” (“Leonardo da Vinci – uma lembrança da sua infância”, Sigmund Freud)

Renasço a cada instante meu, a cada sorriso dado, a cada momento de partilha, experimentado, sem medos e vaidades, o que em mim possuo apesar de todos os detalhes…

Rinascimento*, Patricia Tenório

Filmado em Câmera Cannon 7D. Editado em Final Cut Program.

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* Apresentado na X Setimana della Lingua Italiana nel Mondo – “L´Italiano nostro e degli altri”, 18 a 24 Outubro 2010 – Dante Alighieri – Recife – PE – Brasil.

**  Patricia (Gonçalves) Tenório escreve prosa e poesia desde 2004. Tem onze livros publicados, O major – eterno é o espírito (2005), As joaninhas não mentem (2006), Grãos (2007), A mulher pela metade (2009), Diálogos e D´Agostinho (2010), Como se Ícaro falasse (2012),  Fără nume/Sans nom (Ars Longa, Romênia, 2013), Vinte e um/Veintiuno  (Mundi Book, Espanha, abril, 2016), e A menina do olho verde (livros físico e virtual, Recife e Porto Alegre, maio e junho, 2016), traduzido para o italiano por Alfredo Tagliavia, La bambina dagli occhi verdi, publicado em setembro, 2016 pela editora IPOC – Italian Paths of Culture, de Milão.  Defendeu em 17 de setembro de 2015 a dissertação de mestrado em Teoria da Literatura, linha de pesquisa Intersemiose, na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE,O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural”, com o anexo o ensaio romanceado O desaprendiz de estórias (Notas para uma Teoria da Ficção), sob a orientação da Profª Dra. Maria do Carmo de Siqueira Nino, publicada em outubro de 2016 pela editora Omni Scriptum GmbH & Co. KG / Novas Edições Acadêmicas, Saarbrücken, Alemanha. Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e www.patriciatenorio.com.br

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – 25/12/16 | Com Bernadete Bruto, Elba Lins & Anjos de Teatro

Patricia (Gonçalves) Tenório

22/12/2016

 

O desejo de viagem tem sua confusa origem nessa água lustral. Tépida, ele se alimenta estranhamente dessa superfície metafísica e dessa ontologia germinativa. Ninguém se torna nômade impenitente a não ser instruído, na carne, pelas horas do ventre materno, arredondado como um globo, um mapa-múndi. O resto é um pergaminho já escrito. (ONFRAY, 2009, p. 9)

 

Tudo começou em Agosto, 2016. Um encontro em uma Dança Circular. Três amigas que se propõem a estudar juntas, a navegar juntas pelo mundo das palavras, a viver juntas a Poesia e a Teoria de maneira inexorável e inseparável…

Incompreensível, irracional, mas sólido…

Foram essas palavras que me assombraram a madrugada de ontem para hoje, dia que me propus escrever sobre a experiência de 5 meses, 10 encontros e dezenas de textos críticos, poéticos, ficcionais que brotaram de Bernadete Bruto e Elba Lins no Grupo de Estudos em Escrita Criativa.

Por que me proponho a compartilhar nossa experiência, quando já existem tantas Oficinas Literárias, cursos de Escrita Criativa, acadêmicos ou não, pelo país, pelo mundo afora?

Lembrei esses dias da experiência com a adaptação de As joaninhas não mentem para o Teatro em 2011. O diretor Jorge Féo nos ensinou algo muito forte e presente até hoje nos meus estudos, na minha vida: aquele grupo, composto por aqueles atores, com aquela adaptação, era único. Foram 6 meses lapidando o texto, a vivência de cada personagem – não era interpretação nem representação – para germinar em 50 minutos de espetáculo.

Algo semelhante aconteceu com o GEEC. Nos servindo de teóricos tais como Christopher Vogler, Joseph Campbell, Carl Gustav Jung, Cecília Almeida Salles, Roland Barthes, Umberto Eco, até chegarmos aos teóricos do deslocamento, entre outros o autor da epígrafe Michel Onfray, e músicas, e pinturas, fotos, filmes, filmes e filmes, fomos nos alimentando e nos provocando a ponto de gerarmos inúmeros textos, dos quais selecionei do mês de Dezembro alguns a seguir. Textos que, como afirma Michel Onfray no seu Teoria da viagem, nos requisitam: “Não escolhemos os lugares de predileção, somos requisitados por eles” (ONFRAY, 2009, p. 20).

Certa vez, um repórter auspicioso perguntou a Ariano Suassuna se o que ele escrevia já estava na cultura popular, o que ele fazia afinal? Ariano respondeu brilhantemente:

– Você quer saber o que eu fiz, se tudo já estava aí, não é, rapaz?

O repórter mudo.

– Eu escrevi!

Então, tentando responder à pergunta que eu mesma fiz acima: “Por que me proponho a compartilhar nossa experiência, quando já existem tantas Oficinas Literárias, cursos de Escrita Criativa, acadêmicos ou não, pelo país, pelo mundo afora?”, e parodiando o saudoso Mestre Ariano Suassuna:

– Eu vivi!

 

Referências:

ONFRAY, Michel. Teoria da viagem: poética da geografia. Tradução: Paulo Neves. Porto Alegre, RS: L&PM, 2009.

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Bernadete Bruto

bernadete.bruto@gmail.com

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(“O violeiro”, Almeida Júnior, 1899, óleo sobre tela, 141 x 172 cm) 

 

A viola fala Alto

 

            Toda vez que se senta na janela e toca sua viola, algo me chama e largo tudo que estou fazendo,  encosto na sua janela para cantar. Canto com todo o coração:

É que a viola fala alto no meu peito humano
E toda moda é um remédio pros meus desenganos
É que a viola fala alto no meu peito, humano
E toda mágoa é um mistério fora deste plano
Pra todo aquele que só fala que eu não sei viver
Chega lá em casa pruma visitinha
Que no verso ou no reverso da vida inteirinha
Há de encontrar-me num cateretê(*)

Não sei o que se passa com aquele casal… Ele sintonizado com sua viola e ela seguindo a canção. Vejo que são UM na música. Dois artistas fora do palco, na mais pura expressão da arte, na vida cotidiana, em pleno interior de uma cidade qualquer. A viola é quem fala. Fala alto em qualquer peito humano quando seus acordes tocam no coração de cada um de nós. Eu mesma reconheço essa canção!

 

Recife, 4 de Dezembro de 2016

 

(*) Vide vida marvada de Rolando Boldrin

https://www.youtube.com/watch?v=9lw5EXnqOYc

 

(Câmara e edição: Bernadete Bruto)

HÁ SEMPRE UMA LUZ NO FINAL DO TÚNEL

Vós não sabeis de que espírito sois! O Filho do Homem não veio para perder, mas para salvar as almas” (Lucas 9:54).

Embora estejamos neste quadrado, embora tudo indique que não resta saída, somente a fé faz com que a vida seja amena. Ela perdeu seu ideal de família. Ele se perdeu da família. Ambos caminham aprisionados na alma. Ele e ela no fundo maldizem seu destino… São Tiago vela pelos peregrinos. Há uma rota que conduz a um túnel. É o túnel de fuga! Que maravilha!

Um túnel que lembra aquelas histórias de lugares mágicos! Um portal de luz! Por este túnel muitos escaparam. Por este mesmo túnel também passou em direção à morte Frei Caneca. Talvez ele e ela não tenham respostas mágicas. São Tiago, aquele do campo da estrela, foi até martirizado… A grade está fechada com um cadeado! Ele sabe bem o que é isso de estar preso… Ela sabe bem o que é ter um coração fechado. Deu de cara com sua chance de oferecer o perdão e virou-lhe as costas…

Mas há uma luz no final do túnel.  É preciso ter fé em meio à escuridão da alma. São Tiago aceitou o desafio e pregou o evangelho até o fim. Ainda hoje é patrono da Espanha e tem um caminho de peregrinação desde o tempo medieval que é feito pela pura fé.

Por aqui, na atualidade, Maria passa na frente e vai abrindo estradas e caminhos, abrindo portas e portões, abrindo casas e corações. (*) Ele está aprendendo a ter fé e ela precisa chegar no final do túnel e abrir a porta do perdão para ser realmente livre. Mesmo assim, ela envia uma mensagem para aquele menino de olhar vazio encoberto pela muralha. Uma linda mensagem, que tanto amparou outra alma que por 27 anos passou aprisionada. Um poema de William Henley que diz: EU SOU O DONO E SENHOR DE MEU DESTINO. EU SOU O COMANDANTE DA MINHA ALMA!(**) E um pequeno filme para acalentar o sonho de libertação.

Ela é mais velha e sabe seu dever de resgatar almas, mesmo que a sua ainda esteja evoluindo no  tempo e espaço. Ela tem fé que um dia a porta se abra e uma vida completa chegue para ambos. Pois sempre há uma luz no final do túnel e o segredo é tão simples há séculos: Fé e Esperança!

Recife, 15 de novembro de 2016.

 

(*) oração MARIA PASSA NA FRENTE

(**) Poema de William Henley

 

(Câmera e edição: Bernadete Bruto)

PASSAEANDO PELO POÇO DA PANELA

Num recanto bucólico e sombrio

Onde atenua a marcha o grande rio

À sombra de recurvas ingazeiras

Batem roupas, calejadas, lavadeiras

Trago ainda nos olhos: é bem ela.

            A passagem do Poço da Panela (…)

(Trecho da poesia  Poço da Panela de Olegário Mariano)

 

Neste domingo, assim como meus pés, meus olhos passeiam por esta parte da cidade. Entram no antigo arrabalde conservando resquícios de séculos passados, chamado de Poço da Panela. O seu nome se deve ao fato de lá ter sido construído um poço de agua potável em formato de panela.

Procuro o que resta do passado nesta rua que me dirijo a pé e o caminho chega até uma Igreja. Li que esta Igreja também foi erigida por Capitão Henrique Martins, que interessante! Aquele senhor devia ser um homem muito importante. Como era imenso o espaço para tão poucas pessoas! Hoje ao menos, este é dividido com mais gente. Caminho pelo mesmo espaço que Capitão Henrique já caminhou. Aquele senhor  que também construiu a Capela da Jaqueira. Caminho em direção  desta igreja chamada N.S. da Saúde. A Igreja foi construída em agradecimento pela melhora de sua esposa que se encontrava doente, dona Ana Clara. O amor de Henrique por Ana Clara toca meu coração. Duas igrejas construídas ficam como prova desse amor profundo. Vou caminhando pelos arredores, como talvez costumasse fazer Henrique há séculos atrás.

Pego o carro e me dirijo mais para frente e mais um pouco  chego na Rua Antônio Vitruvio. Já frequentei aquela rua nos anos 90, quando fazia Aikidô. Sabia que o final  dela chegaria à beira do rio. Queria olhar o rio. Aquela via, pois no passado o rio era muito usado e estou em busca do passado. Esse mesmo rio que nunca usei… Dois guardiões  encontram-se protegendo aquele lugar, esta parte do Capibaribe, coitado, hoje tão desprezado! A vista me dá essa impressão de que aquela área é especial e quem sabe seja um portal que nos leve de volta há outros tempos… Vejo um avô de bicicleta levando seu neto para conhecer o rio…O velho com o novo  olhando para o rio e sinto esperança. Me despeço dos guardiões pego o carro para conhecer mais do Poço da Panela.

Passo por esta rua de casarios antigos coloridos, rua onde mora Luzilá Gonçalves e penso que ela fez uma excelente escolha de moradia. Que local mais agradável! Fiquei até com vontade de ligar para ela e que me esperasse na porta, onde seria protagonista desta parte do filme, mas escolhi passar sem incomoda-la no domingo, um dia de descanso. Outro dia eu paro. Assim dirijo por  este caminho de casas antigas em direção ao futuro. Como é visível a mudança de construções e de ares! Tenho a impressão que o passado se despede e que o futuro não é tão romântico.

No fim do caminho, já beirando o bairro do Monteiro, volto a me encontrar com o Capibaribe. Deparo-me com uma vida diferente do outro lado do rio. Vida totalmente contraste com aquela que vejo no Poço da Panela atual. Uma comunidade muito pobre, sem infraestrutura adequada, à beira de um rio malcheiroso! Fico besta com esse afronte à vida.

Meus olhos enxergam aquele homem e a história que ele tem para contar.  Uma história que já estou até curiosa para ouvir. Vou perguntar. Tenho quase a certeza que ele poderá me apresentar à vida que existia ali antes e agora. Pois esse é o sentido da minha busca, neste domingo de manhã.

Nem sabia que do outro lado do rio era o bairro da Iputinga! Nem que havia aqui tão perto, um meio de transporte ligando Poço da Panela à Iputinga. O barco de seu José. Obrigada, Patrícia, por sugerir este passeio, ao Capitão Henrique pelo presente amoroso do passado, aos guardiões apontando para a esperança de sobrevivência do velho com o novo e ao senhor José por terminar minha história.

O final não é feliz, mas é verdade tudo que ele me diz. Até outro dia, Seu José!

 

Recife, 14 de novembro de 2016.

 

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Elba Lins

elbalins@gmail.com

 

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A partir da leitura do volume “Viajantes Contemporâneos” da Pinacoteca de São Paulo, surgiu a intenção de sentir Cartagena a partir do meu “olhar estrangeiro”.

Me imaginei chegando à cidade sem nada conhecer de sua história – via de regra, é o que acontece, chego ao destino sem nenhum preparo adicional ao que porventura já exista em mim. Vou sem muitas informações e  até juro fazer diferente na próxima oportunidade.

Desta vez, o desconhecimento, me proporcionaria uma maior legitimidade para fotografar ou descrever o sentimento advindo de olhar a cidade pela primeira vez.

Tal não foi minha surpresa quando ao sentar na poltrona do avião encontrar no bolsão à minha frente a revista de bordo com o artigo Cartagena: As Cores de Cartagena da Índia. A capa da revista me abraçava a partir da parede azul celeste misturada com verde piscina, se descascando para mostrar-me uma cor terra, original. E a pequena sacada pintada em cor lilás com muitas flores por trás das grades de madeira, me trazia o primeiro abraço, o acolhimento típico das cidades cujas vidas se traduzem através das cores.

Ao terminar de ler o texto no qual Cartagena se apresentou para mim nas suas cores e sabores, levanto o olhar já não tão estrangeiro e na tela à minha frente vejo o movimento da cidade que me convida a sentir o sabor dos seus frutos, dos seus sorvetes gelados bem conhecidos por todos que a visitam. Seus peixes, crustáceos, passeios em mercados me convidam a sentir seus sabores, a respirar as fragrâncias do seu povo, das suas flores e frutos e sentir as cores de Frida Kallo saírem do México para me receberem em Cartagena ao som da Rumba.

Referências:

* Viajantes Contemporâneos” da Pinacoteca de São Paulo.

* As Cores de Cartagena da Índia – Revista de bordo da LATAM, Novembro, 2016.

 

 

(Encontro com Cartagena – 25.11.2016

Para o GEEC – Grupo de Estudo em Escrita Criativa.

Escrito durante o vôo Recife-São Paulo que dali me levaria a Bogotá e posteriormente a Cartagena o objetivo principal da viagem.)

 

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(Lua do espetáculo “As joaninhas não mentem”)

 

Ontem dormi sozinha

A maior lua do século

Me deixou esperando

Sentada à beira-mar

E se escondeu por entre nuvens

 

E enquanto eu

Sentia nas pernas

As carícias do mar

Que na verdade não eram para mim

Tu lua

Te deitavas com estrelas…

Sim, com todas as estrelas.

 

Era isso que eu conseguia ver

Cada vez que o vento

Soprava e abria

As cortinas de nuvens,

Espessas,

Que guardavam, tua intimidade…

 

Mas hoje é um novo dia

E talvez te lembres de mim

Talvez te lembres do mar

Talvez hoje

Não nos deixes a esperar.

 

………………

 

 

(DE LUA E DE MAR – 17.12.2016

Para o Grupo de Escrita Criativa – G.E.E.C.)

 

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(Foto: Elba Lins)

Acordei e me vi sozinho, ou melhor, acompanhado do irmão, que quase siamês esteve comigo todos os dias da existência. Mas onde andaria aquele, com quem até o momento, caminháramos juntos?

A eternidade foi se tecendo, o tempo refazendo a realidade, e nosso aspecto se alterando. O lodo se alojou na nossa carne, na nossa pele; agora somos abrigo, refúgio de passarinhos que chegam e parecem fazer parte da nossa história. Durante todo o tempo esperamos em vão pelo retorno do nosso companheiro.

Algumas vezes, pensamos que O Esperado seria Manoel de Barros já que numa alegoria ao mestre estamos possuídos de lodo, algas, pássaros e plantas. Outros dias na nossa pele se desenharam os traços de Magritte. Também lembrei Van Gogh e me pergunto porque não me levou no seu caminho, para trilhar com ele sua loucura e solidão?

Assim me vi transformado em barro, e me questiono se o mesmo aconteceu ao Esperado.

Junto a mim, só chegam os pássaros que me fazem companhia e deixam em mim sementes de vida que brota no barro e me faz esquecer de tudo; esquecer até de ansiar pelo retorno de quem possívelmente já se fez barro.

 

(O Esperado –

Elba Lins 16.11.2016

Para o GEEC – Grupo de Estudo em Escrita Criativa.

A partir de uma experiência real criar o universo ficcional.

Lembrando a foto tirada na Casa Cor, Van Gogh, Magritte e Manoel de Barros)

 

 

Índex* – Novembro, 2016

Arabella cruzou o caminho mais estreito e nem percebeu o buraco da fechadura, a porta que atravessou, do passado para o futuro.

Ela se encantou com o belo dos olhos dele, que transpareciam a juventude cintilante de um menino azul.

Ele lhe ofereceu uma flor, era um simples girassol, que ao seu redor girou e girou, e desembocou nos lábios do primeiro beijo de amor-próprio de Arabella.

(“A estória de uma defesa”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 17/09/15, 16h30)

Estórias de Amor Perfeito no Índex de Novembro, 2016 no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

A Maestrina | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE, Brasil).

(des)carnaval(ha) | Patricia (Gonçalves) Tenório.

“Bífida e outros poemas” | Alexandra Lopes da Cunha (DF/RS, Brasil).

“Inferno Provisório” | Luiz Ruffato (MG/SP, Brasil).

Poeta de Meia-Tigela (CE, Brasil), Carlos Nóbrega (CE, Brasil) & “Pixo”.

Poema de Maria Rizolete (RN, Brasil).

Poema de Cristina Campeanu (Romênia).

“Estação das clínicas” | Iacyr Anderson Freitas (MG, Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – 27/11/16 | Com Bernadete Bruto (PE, Brasil) & Elba Lins (PB/PE, Brasil). 

Agradeço a participação de todos, a próxima postagem será em 25 de Dezembro, 2016, grande abraço e até lá,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – November, 2016

Arabella crossed the narrow path and did not even notice the keyhole, the door she had passed, from past to future.

She was enchanted by the beauty of his eyes, which showed the shimmering youth of a blue boy.

He offered her a flower, it was a simple sunflower, which swirled around her and turned to the lips of the first kiss of self-love of Arabella.

(“The Story of a Defense”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 09/17/15, 4:30 p.m.)

 

Perfect Love Stories in the Index of November, 2016 in the blog of Patricia (Gonçalves) Tenório.

The Maestrina | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE, Brasil).

(des)carnival(ha) | Patricia (Gonçalves) Tenório.

“Bifida and other poems” | Alexandra Lopes da Cunha (DF/RS, Brasil).

“Provisional Hell” | Luiz Ruffato (MG/SP, Brasil).

Poeta de Meia-Tigela (CE, Brasil), Carlos Nóbrega (CE, Brasil) & “Pixo”.

Poem by Maria Rizolete (RN, Brasil).

Poem by Cristina Campeanu (Romania).

“Clinic season” | Iacyr Anderson Freitas (MG, Brasil).

Study Group on Creative Writing – 11/27/16 | With Bernadete Bruto (PE, Brasil) & Elba Lins (PB/PE, Brasil).

Thanks for the participation of all, the next post will be on December 25, 2016, big hug and see you then,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** A porta estreita no bairro da Liberdade, em São Paulo, Brasil. The narrow door in the Liberdade neighborhood, in São Paulo, Brasil.

“La bambina dagli occhi verdi” | Patricia Tenório*

 

La bambina dagli occhi verdi

 

Patricia Tenório

Favola Lúdico-Adulta, 2016

IPOC (Italian Path Of Culture) – Milano, Italia / Milão, Itália

Tradução / Traduzione: Alfredo Tagliavia

ISBN: 978-88-6772-170-2

Preço / Prezzo: 15 euros

82 pagine / páginas

 

Inoltrandosi nelle pagine di questa “favola ludico-adulta”, il lettore concorderà, forse, nel pensare che la filosofia è di casa nella scrittura della brasiliana Patricia Gonçalves Tenório.

Non sempre, in un piccolo testo d’ispirazione fiabesca – denso di  importanti contenuti di riflessione sul mondo e sulla vita – si trovano con facilità riferimenti filosofici e metafisici diretti, quasi obbligati, come si può puntualmente verificare nel caso dello scritto in questione, che potrebbe anche definirsi una “favola esistenziale”.

(Alfredo Tagliavia)

Entrando nas páginas dessa fábula lúdico-adulta, o leitor concordará, talvez, em pensar que a filosofia está em casa na escrita da brasileira Patricia Gonçalves Tenório.

Não sempre, em um pequeno texto de inspiração fabulista – cheio de conteúdos e reflexões importantes sobre o mundo e a vida – se acham com facilidade referências filosóficas e metafísicas diretas, quase obrigatórias, como pontualmente pode-se verificar no caso do livro em questão, que poderia se definir também uma “fábula existencial”.

(Alfredo Tagliavia)

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* Patricia (Gonçalves) Tenório escreve prosa e poesia desde 2004. Tem dez livros publicados, O major – eterno é o espírito (2005), As joaninhas não mentem (2006), Grãos (2007), A mulher pela metade (2009), Diálogos e D´Agostinho (2010), Como se Ícaro falasse (2012),  Fără nume/Sans nom (Ars Longa, Romênia, 2013), Vinte e um/Veintiuno (Mundi Book, Espanha, abril, 2016), e A menina do olho verde (livros físico e virtual, Recife e Porto Alegre, maio e junho, 2016), traduzido para o italiano por Alfredo Tagliavia, La bambina dagli occhi verdi, publicado em setembro, 2016 pela editora IPOC – Italian Paths of Culture, de Milão.  Defendeu em 17 de setembro de 2015 a dissertação de mestrado em Teoria da Literatura, linha de pesquisa Intersemiose, na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, “O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural”, com o anexo o ensaio romanceado O desaprendiz de estórias (Notas para uma Teoria da Ficção), sob a orientação da Profª Dra. Maria do Carmo de Siqueira Nino, a ser publicada em outubro de 2016 pela editora Omni Scriptum GmbH & Co. KG / Novas Edições Acadêmicas, Saarbrücken, Alemanha. Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e www.patriciatenorio.com.br

 

 

Índex* – Agosto, 2016

Se eu fosse um

Passarinho 

Esqueceria as

Folhas mortas

Do passado

Arrancaria as

Ervas daninhas

Do presente

E passearia

Suavemente

No céu azul

*

Mas como

Não sou um 

Passarinho

Vivo à cata

De migalhas

Vivo em busca

De palavras

Assim

Pequenininhas 

Que possam

Traduzir

Por um segundo

A imensidão

De eternidade

Presa aqui

No meu peito

(“Quem escreve não se cansa de buscar”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 06/08/16, 07h55)

A busca sem fim pela Escrita Criativa no Índex de Agosto, 2016 do blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

Dois contos para uma Escrita Criativa | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE, Brasil).

O físico fica menor enquanto o mito cresce | Mara Narciso (MG, Brasil).

Projeto Pasárgada nos jardins da Academia | Marly Mota (PE, Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa | Com Bernadete Bruto (PE, Brasil) e Elba Lins (PB/PE, Brasil).

Agradeço a participação e carinho, a próxima postagem será em 25 de Setembro, 2016, grande abraço e até lá,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – August, 2016

If I were

A little bird 

I’d forget the

Dead leaves

From the past

I’d rip out the

Weeds

Of the present

And I’d walk

Gently

In the blue sky

*

But because

I’m not

A little bird

I live in seek

Of crumbs

I live in search

Of words

Like this

Little niggling

That can

Translate

For a second

The immensity

Of eternity

Trapped here

Inside my chest

(“Who writes doesn’t be tired of searching”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 08/06/16, 7:55 a.m.)

The endless search for Creative Writing in the Index of August, 2016 in the blog of Patricia (Gonçalves) Tenório.

Two short stories for a Creative Writing | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE, Brasil).

The physical gets smaller as the mith grows | Mara Narciso (MG, Brasil).

Pasargadae Project in the gardens of the Academy | Marly Mota (PE, Brasil).

Study Group in Creative Writing | With Bernadete Bruto (PE, Brasil) and Elba Lins (PB/PE, Brasil).

Thank you for participation and caring, the next post will be on September 25, 2016, a big hug and see you there,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** O Paraíso Perdido e Encontrado de Piracanga, BA, Brasil. The Lost and Found Paradise of Piracanga, BA, Brasil.

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – 28/08/16 | Com Bernadete Bruto* e Elba Lins**

Era uma tarde de Julho, 2016. Para ser exata, domingo 17. Estávamos no Parque da Jaqueira, Recife, Pernambuco, Bernadete Bruto, Elba Lins e eu, estávamos em um evento de Dança Circular. A caminho do parque, a ideia já havia brotado, a semente havia sido plantada na alma de quem vive sempre em busca de um solo fértil para uma Escrita Criativa.

A ideia era simples, feito semente de girassol, feito o caule do girassol que gira à procura do sol. Nos encontraríamos uma vez a cada quinze dias, ou uma vez por mês, para conversarmos sobre a arte de escrever. A partir de textos de teóricos tais como Joseph Campbell, Christopher Vogler, Carl Gustav Jung, mas também de depoimentos sobre seus “fazeres artísticos” de escritores tais como Orhan Pamuk, Virgínia Woolf, Albert Camus, Henry James, entre (muitos) outros, iríamos nos alimentando, alimentando a nossa escrita, e somente assim, cresceríamos como escritoras, poetisas, enfim, pensadoras.

Esse projeto tem a ver com a minha pesquisa desde 2004 no campo da Escrita Criativa. Acredito no crescimento na Arte através da Forma, da Técnica e do Ofício que Ariano Suassuna nos ensina no seu Iniciação à Estética. Ariano afirma que é preciso a Técnica, ou estudo contínuo, o Ofício, ou trabalho/escrita diário(a) para quando a “ave de rapina” da Inspiração Criadora, ou Forma, se manifestar em nós, estarmos prontos para “darmos o salto”, e não apenas sermos “meros artesãos”. De 2004 a 2010, participei de oficinas literárias no Brasil e no exterior; em 2012, busquei no ambiente acadêmico, no Programa de Pós-Graduação da UFPE, Mestrado em Teoria da Literatura, a matéria-prima para a minha escrita, e, atualmente, participando como Aluna Especial do Programa de Pós-Graduação da PUCRS, Doutorado em Escrita Criativa.

E, apesar de não estarmos (ainda) em um ambiente acadêmico, percebi nesses poucos encontros do mês de Agosto, 2016, o potencial dessas escritoras/poetisas Bernadete Bruto e Elba Lins. Todas as narrativas, quer sejam literárias, quer sejam cinematográficas se originam no Mito. Iniciando, portanto, com o estudo da Jornada do Herói, essas “escrevinhadoras” – termo utilizado por Bernadete em um dos textos produzidos – mostram que, ao cuidarmos “do alimento” para a nossa arte – textos teóricos, filmes e até músicas –, vamos “produzindo” pequenas pérolas em forma de textos teóricos/crônicas e textos poéticos/ficcionais, que, juntamente com “Dois contos para uma Escrita Criativa”, de minha autoria que abrem a edição de Agosto, 2016 deste blog, tenho o prazer e honra de lhes apresentar em uma seleção a seguir.

Patricia (Gonçalves) Tenório

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Bernadete Bruto

 

Memórias de uma Gueixa: todos os passos em direção ao amor

Recife, 12 de Agosto de 2016

 

“As grandes histórias nos recordam à nossa própria história, pois elas não contam somente a história de um ser humano qualquer: contam o que também comove, atinge, faz sofrer e torna felizes todos os seres humanos. Elas também são nossa história.”

(Bert Hellinger in Pensamentos a caminho)

 

Assisti em 2006 ao filme de produção de Steven Spielberg Memórias de uma Gueixa e imediatamente me apaixonei pelo filme.

Em primeiro lugar, já gostei porque o filme tinha sua história localizada no Japão, era um filme de época, coisa que me agrada bastante. Em segundo lugar, vinha mostrando as instituições japonesas antes da segunda guerra mundial, a vida das gueixas e a história particular de uma gueixa chamada Sayuri, um exemplo de persistência em direção ao amor de sua vida. E, finalmente, toda a produção do filme, fotografia, trilha sonora, foram fatores que concorreram para aumentar meu encantamento.

No filme, que é baseado num livro de escritor americano, a história é contada por  uma menina chamada Chyio Sakamoto, moradora de uma aldeia de pescadores japoneses, que é vendida pelo seu pai a uma casa de gueixas. Naquele lugar ela começa a fazer os serviços domésticos, como pedia a tradição. Um dia, ela ainda menina encontra-se com um homem poderoso que a trata com carinho e naquele exato instante ela se apaixona por ele. A partir daí, a história de Chyio, toma um sentido especial, buscando se tornar Sayuri, uma gueixa famosa, para poder chegar junto do seu amor. No entanto, até lá, passa por muitos percalços, encontra ajuda numa gueixa famosa, como também, inimigos em sua própria casa.

Hoje observo que a história segue um roteiro muito bem elaborado que pode encontrar base no modelo da Jornada do Herói apresentado por Christopher Vogler (pág. 46) conforme exponho em seguida.

No primeiro ato nossa heroína (Sayuri) ainda chamada Chyio moradora de uma vila de pescadores (MUNDO COMUM) é vendida à casa das gueixas (CHAMADO À AVENTURA). Num determinado momento ela se rebela por sua condição e sai à procura de sua família (RECUSA AO CHAMADO). Ao conhecer seu amado, ela tem o desejo de poder estar com ele, encontra  Mameha,  uma gueixa famosa que se oferece para ser sua tutora (ENCONTRO COM O MENTOR), começando o aprendizado para se tornar uma gueixa (TRAVESSIA DO PRIMEIRO LIMIAR). Nesse momento começam as rivalidades entre as gueixas, o difícil jogo dos homens poderosos para ficar com as gueixas, a ajuda de Mameha e do seu amado (PROVAS, INIMIGOS E ALIADOS)

No ato dois, a crise da história, no caso da nossa heroína, o momento que ela vai ser desmoralizada por um homem bem poderoso que utiliza de má fé na sua conduta (APROXIMAÇÃO DA CAVERNA SECRETA); o momento de ajuda para ela se recuperar; a chegada da guerra onde o mundo modificou totalmente e toda a esperança com relação ao amado também (A PROVAÇÃO); o fim da guerra e credibilidade readquirada (RECOMPENSA); no ato 3, observamos o retorno à vida pós-guerra (O CAMINHO DE VOLTA); a possibilidade de retornar o caminho em direção ao seu amor (RESSURREIÇÃO); o retorno ao MUNDO COMUM com o aprendizado deixado pela guerra (RETORNO COM O ELIXIR).

Duas cenas me tocaram profundamente. Uma foi por sua beleza artística: o debut de Sayuri quando ela se apresenta aos candidatos prováveis numa belíssima dança em cima dos tamancos de madeira. É indescritível a cena, somente vendo para poder apreciar verdadeiramente. A outra cena, foi por sua delicadeza romântica, quando no final do filme,  depois de todos os percalços, os amantes se encontram juntos e a protagonista responde a um questionamento do seu amado com esta afirmação: “Não vê que todos os passos que dei foram na sua direção?”

A história de amor, a dedicação daquela menina ao seu amor, a persistência dos protagonistas deram um gosto especial à história, e, até hoje, dez anos após ter assistido esse drama épico, experimento a mesma sensação de empatia com a vitória e completude com relação à conquista do amor.

Por fim, ao verificar essas conexões poderia ficar um pouco desanimada com relação ao filme, que foi pré-fabricado para poder gerar todos os sentimentos que senti ao assistí-lo em 2006. Mas foi muito mais do que isso. Este filme foi uma linda produção, uma obra de arte que ultrapassou a receita básica de se escrever uma história com finalidade de agradar ao público. Apesar das críticas que foram muitas, das polêmicas lançadas pelo Japão e China, que não vem ao caso me reportar agora, noto que  o produtor e demais envolvidos foram felizes em escolher uma boa história e fazê-la com gosto e arte.  O filme descreveu uma linda história com uma plasticidade encantadora e encheu meu coração de fé e esperança no amor naquele longínquo ano de 2006 quando eu mais precisava.

 

*

 

“O dom essencial da história tem dois aspectos: que no mínimo reste uma criatura que saiba contar histórias e que, com esse relato, as forças maiores do amor, da misericórdia, da generosidade e da perseverança sejam continuamente invocadas a se fazer presentes no mundo.”

 (Clarissa Pinkola Estés in O dom da história)

 

Eram uma vez palavras mal feitas, desordenadas à procura de um significado próprio que lhes concedesse uma estética ideal no profundo vazio da caneta e do papel submetido ao intrínseco inconsciente do Escrevinhador.

Um dia, a mente do Escrevinhador de tanto rodar à cata do ideal, mergulhou no universo íntimo das palavras, pronto para o desafio lançado pelo mundo exterior e, de repente foram surgindo todo tipo de palavras!

As primeiras vieram manifestando-se no peso do negativismo assim: “não sei!”, “não vai dar certo!”. Não! Não! Eram palavras que voam daquele universo esbarrando de encontro à mente do Escrevinhador.

Por algum tempo foi dessa maneira, até que timidamente foram surgindo alternadamente as palavras estrelares. Apareciam como luzinhas fracas, contudo de um brilho intenso a piscar e transformar-se em palavras coloridas, brilhantes que foram aumentando sua irradiação, aumentando, aumentando até capturarem aquelas cheias de negativismo no laço da verdade que lhes dizia: “vocês são mera ilusão”! “Por trás tudo é bom, belo e afirmativo!”

A partir daquele vislumbre consciente, como que por encanto, as palavras negativas, Puff! Sumiram! Podendo o Escrevinhador dizer com firmeza: “eu agora digo sim! Sim às palavras boas, criativas”. E foi nessa vibração que as palavras boas, as mesmas que os indígenas chamam Porã Hei, desceram em forma de um cocar multicolorido coroando a imaginação do Escrevinhador.

Daí então ele escreve cheio de energia palavras que brilham no papel. Não sabe ainda se essas palavras se organizam direito para fazer a prosa, no entanto, há algum tempo, vive cheio de alegria porque encontrou um caminho na vida e toda a sua poesia!

(Jornada rumo à poesia da vida, 28/Julho/2016)

 

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Elba Lins

 

O Físico

Na Idade Média, enquanto no Oriente a medicina se especializava e se desenvolvia, na Europa, todos os recursos na arte de curar, provenientes dos romanos, haviam sido abandonados e os doentes estavam entregues à própria sorte e aos barbeiros ambulantes – um misto de aprendiz de mágico e de palhaço. Estes barbeiros não tinham nenhum preparo para tratar qualquer enfermidade, que fosse além de arrancar um dente ou imobilizar um osso quebrado.

É nesse cenário que vive Rob Cole, é este seu Mundo Comum no qual sua mãe morre por falta de uma ajuda “médica” adequada. Na ocasião, sem saber como, Rob tem a visão da proximidade da morte da mãe, acometida da “Doença do Lado” e tenta sem sucesso obter a ajuda do barbeiro. Era uma época de resignação e trevas e qualquer tentativa de novas formas de cura era renegada pelo clero como bruxaria.

Por ser o maior dos seus irmãos nenhum dos vizinhos quer ficar com ele pois daria prejuízo. Ficando só, sua única opção é acompanhar o barbeiro mesmo não sendo aceito por ele. Aos poucos ele vai se tornando necessário e começa a se interessar em aprender a curar e em descobrir a causa do mal que matou sua mãe. Desde cedo ele tem curiosidade em saber o que existe internamente ao corpo humano. Esta é a fase de saída do seu Mundo Comum. Este é o seu primeiro Chamado à Aventura.

Quando o barbeiro queima as mãos e não consegue trabalhar é a primeira oportunidade de Rob substituí-lo. A partir daí aquele passa a considerá-lo um novo barbeiro e faz sua cerimônia de “batismo”. É a Travessia do Primeiro Limiar. Em seguida o barbeiro apresenta grandes problemas de visão. Nesta oportunidade eles tomam conhecimento de um judeu que poderia curar sua cegueira. Rob insiste e eles vão procurar o judeu que consegue curar os olhos do barbeiro. Através dele Rob descobre a existência do Madraçal, a escola onde o judeu estudou em Isfahan. A escola é dirigida por Ibn Sina o maior físico da época. É um Novo Chamado à Aventura e Rob decide viajar até a Pérsia em busca de Ibn Sina.

Somente depois de muita discussão, o barbeiro decide apoiá-lo. Apesar da dificuldade que irá enfrentar, hora nenhuma Rob Recusa o Chamado.

Ele parte para uma viagem inimaginável, primeiro por via marítima e depois uma longa travessia pelo deserto. Vários Testes ele precisa enfrentar: fazer uma circuncisão em si mesmo; se passar por judeu sem conhecer os costumes, além de uma tempestade no deserto, onde se perde dos demais. Esses são alguns desafios até chegar a Isfahan. Durante a travessia se apaixona por uma moça que está sendo transportada para a Pérsia na Caravana e se perde dela na tempestade.

Ao chegar no Madraçal novas dificuldades têm lugar, mas finalmente ele consegue se tornar aluno de Ibn Sina, se apresentando como judeu de nome Jesse. Seu grande interesse em aprender e em questionar logo o aproxima do seu Mentor Ibn Sina.

Como o destino prega peças, Rob, agora Jesse, reencontra a garota que na verdade vai casar com um importante Judeu.

Também a situação político-religiosa vem se agravando e um grupo religioso radical não apoia a política do Xá, mais voltada ao secular, e se alia aos Seljúcidas, um grupo sanguinário que pretende invadir a Pérsia. É neste clima que outro problema chega para afligir a todos: a peste negra.

Ibn Sina com a maioria dos alunos passa a combater a peste e a pesquisar as causas deste mal. Entre os infectados, Jesse cuida de sua amada que foi deixada para trás pelo marido por estar doente. Para Jesse este é mais um Teste que terá que enfrentar.

Como nada é tão fácil para Jesse, a garota é curada, a peste está controlada, mas para sua tristeza o marido volta e sua amada tem que retornar ao casamento. É quando eles finalmente fazem amor e, como veremos mais tarde, ela fica grávida.

A Aproximação da Caverna Oculta se dá a partir da morte de um Zoroastrista que lhe pede para deixar seu corpo para os abutres. Jesse aproveita para dissecá-lo e fazer desenhos dos órgãos internos. A partir destes estudos chega à conclusão sobre a causa “Doença do Lado” que hoje sabe-se ser apendicite. Cada dia ele se aprofunda nos estudos, mesmo sabendo que se for descoberto pelos mulás poderá ser condenado. E é o que acontece. Ele é descoberto e levado a julgamento pelos religiosos por estar praticando a necromancia. É a sua primeira Provação. A sorte, entretanto, vem ao seu encontro e na hora de sua decapitação é salvo pelos soldados do Xá que está acometido pela “Doença do Lado” e soube que Jesse pode salvá-lo. Esta é mais uma Provação que terá que enfrentar pois se o Xá morrer também será morto.

A cidade está sendo invadida pelos Seljúcidas, mas Jesse juntamente com Ibn e outro colega conseguem salvar o Xá que como recompensa proporciona a fuga de Jesse, agora já Rob novamente, com o povo judeu, entre eles, sua amada. É o Caminho de Volta ao Mundo Comum feliz por estar em companhia de sua amada e triste por ter perdido Ibn Sina que fica no Madraçal incendiado e toma um veneno. Antes, porém, entrega a Rob todas as anotações feitas ao longo da vida para que sejam corrigidas e ampliadas. Esta é a Recompensa, juntamente com a descoberta da “Doença do Lado”.

No caminho para casa, a moça fala para ele de um sonho que teve sobre um novo Madraçal a ser construído por eles. É sua Ressureição.

O filme termina quando o velho barbeiro sem cliente nenhum toma conhecimento de que agora vão ao hospital do Físico Cole. O Rato, como ele chamava, havia retornado com o Elixir.

 

(Resenha do filme The Physician, baseado no romance de Noah Gordon e inspirada em A jornada do escritor, de Christopher Vogler. Para o Grupo de Estudo em Escrita Criativa. Recife, 22/08/2016)

 

 

*

 

 

JORNADA

 

Recebi uma tarefa:

De uma Jornada falar

Não sabia o que dizer

E me quedei a pensar.

 

Eu no Mundo Comum

E a ideia sem chegar,

Eu precisava sair,

E começar a criar.

 

Me lembrei de outro curso

Um curso de ensinar

Histórias a construir

Ou histórias a contar.

 

Lembrei de uma tarefa

Que me pedia falar

Eu pegara o telefone

Começara a digitar.

 

Entendi neste momento

Que este era o sinal

O Chamado à aventura

Que estava a esperar.

 

Mas a dúvida persistiu

Continuei a pensar

Será que eu não devia

O chamado recusar?

 

Mas, como a ideia chegou

E insistiu em ficar

Levantei bem de mansinho

Comecei a digitar

E a pensar uma a uma

Etapas do caminhar.

 

 

Pouco a pouco eu já via

Algo a se estruturar

Mas eu tinha muitas dúvidas

Na mente a martelar.

 

Quem era meu Mentor?

Não sabia se eu mesma

Ou a tela do celular.

Mas estava empolgada

Pois sabia já passara

O Primeiro Limiar.

 

Resolvi fazer um Teste

Resolvi verificar

Tudo o que digitei

Se iria aproveitar.

 

Foi aí que a dúvida veio

O que tentava criar

Era poesia ou cordel?

Não soube classificar.

 

Entrei na Caverna Oculta

A dúvida a exasperar

E se a “professorinha”

Isto não considerar?

 

É esta a Provação

Que preciso enfrentar;

Se terei a Recompensa

Se poderei enfrentar;

Todo o Caminho de Volta

Trazendo ou não na bagagem

O Elixir de criar.

 

(Criação inspirada nas etapas da Jornada do Herói em A jornada do escritor, de Christopher Vogler. Para o Grupo de Estudo em Escrita Criativa. Recife, 22/08/2016)

 

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* Contato: bernadete.bruto@gmail.com

** Contato: elbalins@gmail.com

 

Índex* – Junho, 2016

Quando a vejo

Ao luar

Parece uma serpente 

Que por algum desvio

No destino

Perdeu o poder

De matar

*

Brilha a lua

Brilha a minha

Face obscura

Por saber

Que existe

Uma saída

Por sentir

Que insiste

Uma ideia

De vencer 

Um pouco mais

De mim mesma

(“Os dois lados da minha moeda”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 19/06/16, 17h20)

 

Vencendo um pouco mais de mim mesma no Índex de Junho, 2016 do blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

O homem despedaçado | Gustavo Melo Czekster (RS – Brasil).

Compulsão Agridoce | Antonio Aílton (MA – Brasil).

Coisas: poemas etc | Pedro Américo de Farias (PE – Brasil).

Memórias de um hiperbóreo & Antologia Cosmopolita | Oleg Almeida (Bielo-Rússia/DF – Brasil).

Pílulas para o silêncio | Píldoras para el silencio | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

 

E os links do mês:

Maria Rizolete Fernandes envia poeta e pintor salmantinos, Alfredo Alencart e Miguel Elias (Salamanca – Espanha)www.salamancartvaldia.es/not/119724/drama-refugiados-desde-sensibilidad-alencart-miguel-elias

O site de Laila Ribeiro Silva (MG/RS – Brasil)www.sobrelivros.com.br

 

Agradeço a participação, a próxima postagem será em 31 de Julho de 2016, um grande abraço e até lá,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

 

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Index* – June, 2016

 

When I see her

At the moonlight

She looks like a snake

Which for some deviation

In destiny

Lost power

To kill

*

Shines the moon

Shines my 

Hazy face

Knowing

That exists

An exit

Feeling

That insists

An ideia

To win 

A little more

From myself

(“Both sides of my coin”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 06/19/16, 5h20 p.m.)

 

Winning a little more of myself on the Index of June, 2016 in the blog of Patricia (Gonçalves) Tenório.

The broken man | Gustavo Melo Czekster (RS – Brasil).

Compulsion Bittersweet | Antonio Aílton (MA – Brasil).

Things: poems etc | Pedro Américo de Farias (PE – Brasil).

Memoirs of Hyperborean & Cosmopolitan Antology | Oleg Almeida (Belarus/DF – Brasil).

Pills for silence | Píldoras para el silencio | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

 

And the links of the month:

Maria Rizolete Fernandes sends the salmantins poet and painter Alfredo Alencart and Miguel Elias (Salamanca – Spain)www.salamancartvaldia.es/not/119724/drama-refugiados-desde-sensibilidad-alencart-miguel-elias

The site of Laila Ribeiro Silva (MG/RS – Brasil)www.sobrelivros.com.br

 

I thank for the participation, the next post will be on July 31, 2016, a big hug and see you there,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Os lançamentos de “A menina do olho verde” – Recife e Porto Alegre… The launchings of “The green eye girl” – Recife and Porto Alegre.

Índex* – Abril, 2016

 

Manoela inventou uma história em que tudo acaba bem: pais, irmãos, primos e tios, amigos e inimigos.

Ela fez circundar pelo seu corpo energias positivas que feito estrelinhas enfeitaram os seus cabelos. 

Lançou pelo ar o aroma dos lírios florescentes, e a pureza penetrou os corações.

E cantaram em ciranda a história da menina, de um tempo em que lua e sol, terra e água, todos misturados em um pontinho preto.

(“Na partícula de Deus”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 19/11/15, 19h35)

A história de Manoela no Índex de Abril, 2016 no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

“Uma voz vinda de outro lugar”, de Maurice Blanchot: Uma ópera em quatro atos e uma peça teatral | Patricia (Gonçalves) Tenório (Brasil).

Editora Raio de Sol, Livraria Cultura & Patricia (Gonçalves) Tenório convidam | lançamento de “A menina do olho verde”.

“Vinte e um” | “Veintiuno” | Patricia (Gonçalves) Tenório.

“Afinal o que é poesia?” | Elba Lins (Brasil).

“Acalanto – Entre o amor e o desencanto” | Siomara Reis de Teixeira (Brasil).

“Relicário” | Kalliane Amorim (Brasil).

“A dama do jardim” | Maria Dona (Brasil).

E os links do mês:

A surpresa de Oleg Almeida (Brasil) em www.lechasseurabstrait.com/revue/spip.php?article12084

O conto de Caroline Joanello (Brasil) em www.facebook.com/784123415049023/photos/a.786580608136637.1073741828.784123415049023/849551565172874/?type=3&theater

E muito obrigada pela participação e carinho, a próxima postagem será especialmente em 22 de Maio de 2016, um abraço bem grande e até lá,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index*, April, 2016

 

Manoela invented a story in which all ends well: mother and father, brothers and sisters, cousins and uncles, friends and enemies.

She did go around the body positive energy that made little stars grace her hair.

She launched in the air the scent of  blooming lilies, and purity penetrated the hearts.

And they sang in sieve the story of the girl, from a time that moon and sun, earth and water, all mixed in a black dot.

(“Na partícula de Deus”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 19/11/15, 19h35)

The story of Manoela in the Index of April, 2016 in the blog of Patricia (Gonçalves) Tenório.

“A voice from somewhere else”, from Maurice Blanchot: An opera in four acts and a play | Patricia (Gonçalves) Tenório (Brasil).

Publisher Raio de Sol, Livraria Cultura & Patricia (Gonçalves) Tenório invite | launching of “Green eye girl”.

“Twenty-one” | “Veintiuno” | Patricia (Gonçalves) Tenório.

“So what is poetry?” | Elba Lins (Brasil).

“Acalanto – Between love and disenchantement” | Siomara Reis de Teixeira (Brasil).

“Reliquary” | Kalliane Amorim (Brasil).

“The Garden Lady” | Maria Dona (Brasil).

And the links of the mounth:

The Oleg Almeida (Brasil) surprise in www.lechasseurabstrait.com/revue/spip.php?article12084

The short story from Caroline Joanello (Brasil) in www.facebook.com/784123415049023/photos/a.786580608136637.1073741828.784123415049023/849551565172874/?type=3&theater

And thank you very much for participation and care, the next post will be specially on May 22nd, 2016, a big hug and see you there,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Madri (Espanha): uma cidade “manoelina”… Madrid (Spain): a “manoelina” city…