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Estudos em Escrita Criativa – Março, 2019

Nos Estudos de 16 de Março de 2019, mergulhamos nas águas de Sophia de Mello Breyner Andresen, nas profundidades de Fernando Pessoa, no fado do Madredeus, nos azuleijos, culinária, literatura, poesia portugueses. Visitamos a cidade do Porto, Sintra, Lisboa, e colhemos jardins de poemas, pérolas-frases de reflexão metafísica, e técnicas de Escrita Criativa extraídas dos livros estudados.

Recebemos os tão caríssimos escritores de Recife (Robson Teles) e de Porto Alegre (Moema Vilela) e os seus processos criativos.

Fomos agraciados, mais uma vez, com textos de altíssima qualidade literária dos participantes e que oferecemos a vocês que acompanham os nossos Estudos em Escrita Criativa em Ambiente Acadêmico, na Universidade Católica de Pernambuco, a Unicap.

E no próximo sábado, 06 de Abril de 2019, teremos mais um encontro que, tenho certeza, será maravilhoso. Iremos viajar pelo Brasil, com Clarice Lispector, Adélia Prado, Cida Pedrosa (PE) e Luiz Antonio de Assis Brasil (RS) – com o lançamento do seu Escrever ficção, o grande manual de Escrita Criativa no país.

Excelentes leitura e início de semana,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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PARA UMA MARIA EM MARÇO

Bernadete Bruto

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

 

“Fiz de mim o que não pude e o que poderia fazê-lo, não o fiz”… A frase perseguia aquela jovem. Achava bonita e ao mesmo tempo dolorida, soando lá no fundo, como um aviso.   Lembro bem a primeira vez que entrou em contato com o poema. Poema que nunca mais a deixou… A frase pronunciada para si em cada fase da vida, como se alguém lhe sussurrasse perto do ouvido instigando a viver. “Fiz de mim o que não pude e o que poderia fazê-lo não o fiz.”…

Hoje, sentadas na beira do mar, observo a senhora trabalhando em seu quadro. O jogo de tintas à disposição, a escolha das cores. As pinceladas vigorosas pintam toda uma história capturada, cheia de cores! Repleta de nuances como este mar. Mar que contemplo, sentindo no ar respirado uma existência inteira. O quebrar das ondas me transporta para longe, num passeio a milhares de eras. Passeio por vários lugares chegando sucessivamente em todos os portos desses mares já navegados.

Volto à praia. Olho para ela, a pintora de vida, ali, inteira, imersa em seu trabalho, enquanto o som do mar nos acompanha. No quadro de cores fortes e vibrantes, a prova concreta do quanto já realizou nesta existência. Fecho o livro de poemas aconchegado ao colo e sorrio. Justamente no mês dedicado à mulher desvendo uma delas – entre tantas – que fez tudo o que poderia fazer na vida e está feliz! Que assim seja para todas um dia.

 

DE SOPHIA, DE PESSOA E DE MIM

ELBA LINS

Contato: elbalins@gmail.com

 

Quem sou eu?

Nada!

 

Nada do que me dizem

Nada do que sinto

Pode me definir

Sou luz

Sou cor

Sou mar bravio

Sol forte

Que me levanta da cama

A cada dia

Sou nada

Sou apenas sonho

Que por vezes me queda

Na janela perdida do meu quarto

Quando penso nas viagens todas

Que podia fazer

Mas que se perdem

Na minha impossibilidade…

De levantar da cama e agir

Que se perdem no meu medo

De fluir

 

Quem sou eu?

 

Não sou nada.

Nunca serei nada.

Não posso querer ser nada.

À parte isso tenho em mim todos os sonhos do mundo.(*)

 

Eu sou inclusive

Sonhos de mar

De azul

De navegar

Em ondas bravias

E me agarrar

Nas crinas brancas das ondas

E me deixar levar

Ao desconhecido em mim.

 

(* F. Pessoa – Álvaro de Campos em Tabacaria)

 

 

O MAR DE POETAS

– QUINZE MINUTOS –

João Alderney

Contato: joaoalderney@hotmail.com

 

Sophia de Mello Breyner Andresen, a poeta portuguesa que conheci hoje nas palavras e na admiração de Patricia Gonçalves Tenório, deixou-me ansioso, ainda hoje quero conhecer um pouco mais, pesquisar a vida dela, ler a poesia que tanto entusiasma minha mestra de literatura. Quero ver, especialmente, como a lusitana consegue falar, em todos os poemas que cria, desse componente da natureza que todos amamos, o mar.

Quero ver se traz passagens poéticas como aquela do conto do literato uruguaio Eduardo Galeano, descrevendo o garoto Diego que morava do lado da montanha oposto ao oceano, mas o pai, pobre e atarefado, não podia atender ao pedido dele, para levá-lo a conhecer essa maravilha do planeta. Nada como um dia atrás do outro, até que chega o momento que Santiago lhe diz: Amanhã cedo te levo pra ver o mar, filho. Depois de muita caminhada, surge a imensidão azul de água à frente dos olhos do menino. Tal foi o deslumbramento, tal foi o fulgor sentido que o pequeno ser ficou mudo, da beleza. E quando finalmente conseguiu falar, trêmulo, gaguejando, pediu: “Pai, me ajuda a olhar!”

Cantador de viola, o cearense José Pretinho após apanhar feio do também poeta popular, o piauiense Manoel Vieira Machado, em décimas, no esquema de rimas abbaaccddc, do martelo agalopado, versos decassílabos, onde os pés, ou tônicas, caem nas sílabas métricas 3, 6 e 10 (exemplo: o meu barco trilhava mar sereno), voltou para Fortaleza e sentou-se, ainda pesaroso, para contemplar a Praia de Iracema, observou o movimento das ondas do mar, comparou o marulho ao som dos cavalos em galope e, para obter o que melhor os traduzia, valeu-se dos versos hendecassílabos no ritmo 2, 5, 8 e 11 (exemplo: amei tua voz, Clara Nunes, princesa) para criar o galope à beira-mar, excelência de canto, igualmente em décimas e mesmo esquema rímico. Esses repentes dos cantadores têm, ainda, “cantando galope na beira do mar”, como último verso, condição que permite parcas exceções, não inclusa a palavra mar, imprescindível. Criado o novo cântico, desafiou o algoz piauiense e devolveu a pisa, em dobro.

Agora me pergunto, quem amaria mais o mar? A poeta do Porto ou o menestrel nordestino? Acredito que esse jogo vai dar 1×1. Empate na cabeça!

 

O MAR

Maria Eduarda Fernandes

Contato: mefernandesdemelo@gmail.com

 

Da primeira vez que (lembro) botei os pés no mar, fui queimada por uma água-viva. Me recordo tão pouco daquele dia, naquela praia distante que não sei o nome, com um pai que não vejo há anos e uma irmã que, disseram, se formou em Direito mês passado.

Daquela água-viva, lembro bem. Era rosa e roxa, parecia um brinquedo, e por isso quis levá-la comigo. A dor foi imediata e o choro também. Naquela época, uma vida inteira atrás, meu pai corria quando eu gritava, com a preocupação de quem nunca iria embora. Por horas tentaram me acalmar, mas eu sabia que a dor nunca ia passar e pedia, do alto dos meus oito anos e com absoluta certeza já sabendo o que era melhor pra mim, que cortassem meu braço fora.

Mas a dor passou e deixou apenas a bolha da queimadura, marca que por semanas exibi com orgulho, atrelada à incrível história da menina que, sozinha, lutou contra o bicho esquisito da praia sem derramar uma lágrima.

Por anos, tive medo do mar e, quando finalmente o visitei novamente, não estava sozinha e a água salgada não foi a única coisa estranha que senti no meu corpo. Levei anos para me recuperar do que aconteceu, do que começou ali e terminou anos depois no quarto de hóspedes daquela casa de praia. Mas hoje, com ele longe e parte das pessoas que me viram crescer me acusando de arruinar a reputação de um bom homem, decidi fazer as pazes com o mar.

Cautelosamente, finquei os pés na areia com a certeza de que não sabia o que estava fazendo e fui hipnotizada pelas ondas quebrando, chegando sem pedir licença, fazendo um estardalhaço e agonizando, para enfim morrerem nas minhas pernas. Já eu fiz o caminho inverso: por tanto tempo morri, agonizei e agonizo, mas levantei e fiz barulho, passei derrubando quem estivesse na minha frente e quisesse me impedir de virar oceano.

Olhei de novo o mar, como se buscando coragem para me molhar. Mas lembrei que ondas não precisam provar nada para ninguém. E para mim, já me provei há muito tempo.

Virei as costas e fui embora. Sempre preferi piscina, mesmo.

 

1 É 2 3 É 5

Osmar Barbalho

Contato: osmarbarbalho@gmail.com

 

Todo dia. Seja por volta das 10 horas ou no final da tarde lá pelas 4 horas. Ele fica no início da ponte ou no final. Tanto faz. 1 é 2 3 é 5! Ele não para de repetir. Quando vem um grupo ele dispara: 1 é 2 3 é 5! De início você não entende o que significa 1 é 2 3 é 5!. Mas ele não para. 1 é 2 3 é 5. A medida que ele diz 1 é 2 3 é 5, seus olhos procuram outros olhos desatentos. Quando seu olhar encontra o olhar de alguém, aí ele diz enfático: 1 É 2 3 É 5! E num gesto, ele oferece o produto: um Cola Rato. 1 Cola Rato é 2 reais, 3 Colas Rato são 5 reais. Tem gente que compra. Mesmo vendendo ele não para. 1 é 2 3 é 5! Sempre em busca de um olhar. Sempre em busca de uma venda. Ele tá lá todos os dias. No início ou no final da Ponte da Boa Vista. 1é 2 3 é 5! Repete, repete, repete!

 

PARA SOPHIA

Raldianny Pereira

Contato: raldianny.pereira@gmail.com

 

Você me foi apresentada em outubro de 2016 quando assimilava uma grande e recente perda: a finitude da vida do meu amor. A encontrei tardiamente, considero. Mas antes tarde do que mais tarde. Tratava-se de um encontro científico, e não nego minha surpresa por você estar ali, num ambiente tão pouco afeito aos sentimentos e à poesia. Não nego também minha imensa felicidade por nosso encontro.

Quis logo saber quem era que tão profundamente conhecia minha alma. Era “poeta do outro lado do mar” e já não mais na mesma dimensão da minha existência. Fiquei triste. Não poderia alimentar o sonho de falar-lhe, abraçar-lhe, ter meus olhos nos teus. “Mas reconheço a sua voz há muitos anos. E digo ao silêncio o seus versos devagar”, de olhos fechados, desde então:

Escuto mas não sei

Se o que ouço é silêncio

Ou deus

 

Escuto sem saber se estou ouvindo

O ressoar das planícies do vazio

Ou a consciência atenta

Que nos confins do universo

Me decifra e fita

 

Apenas sei que caminho como quem

É olhado amado e conhecido

E por isso em cada gesto ponho

Solenidade e risco

(“Escuto”, Sophia de Mello Breyner Andresen)

 

 

Talita Bruto

Contato: talitabruto@gmail.com

 

Assim. Calados pensamentos.

Passando, sussurrando no toque.

Quanto tempo.

Correu. Em fim.

Olhos sob o verde olhar.

O azul

e branco

do céu

não se assustam pelo toque.

Luzia, luzia admirada.

Caindo sede aguada.

A face que roda

(redemoinho)

a fechadura.

E pisca atenção

ao que achou e viu, encantou.

E foi. Embora…já esteja

instante

onde sempre

fluiu

de dentro

o azul

e branco

do céu

norteando…

firmando…

se diziam isso,

ela quem ouvia.

 

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Sala de imprensa:

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Próximos encontros:

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Índex* – Fevereiro, 2019

Sobreviver

Passar pelo umbral

Das coisas

Dos acontecimentos

E não me sentir

 

Viver

O instante como se fosse

O último

O filho como se nascesse

Agora

O dia como se morresse

Em um segundo

 

Amar

Mesmo que não receba

Ainda que não se acabe

Apesar da vida inteira

E ao outro não poder

Tocar

(“Ainda”, Patricia Gonçalves Tenório, 02/02/2019, 05h11)

 

O ainda sem fim do processo criativo no Índex de Fevereiro, 2019 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa – Fevereiro, 2019 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Diversos.

Margaridas descalças | Alcides Buss (PR – Brasil).

Dois textos de Cilene Santos (PE – Brasil).

Fogo, terra, água e ar | Mara Narciso (MG – Brasil).

Agradeço a atenção e o carinho, a próxima postagem será em 31 de Março, 2019, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Index* Februrary, 2019

Survive

Go through the threshold

Of things

Of the events

And I do not feel

Lonely

 

Live

The instant as it were

The last

The son as if born

Now

The day as if it died

In a second

 

Love

Even if you do not receive

Even if it does not end

Despite a whole life

And the other can not

Touch

(“Still”, Patricia Gonçalves Tenório, 02/02/2019, 05:11)

 

The endless still of creative process in the Index of February, 2019 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Studies in Creative Writing – February, 2019 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Several.

Barefoot Daisies | Alcides Buss (PR – Brasil).

Two texts by Cilene Santos (PE – Brasil).

Fire, earth, water and air | Mara Narciso (MG – Brasil).

Thank you for the attention and the affection, the next post will be on March 31, 2019, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Flanando por Londres, a língua inglesa e a Escrita Criativa… Flanking in London, the English language and Creative Writing…  

Estudos em Escrita Criativa 2019 | Boas vindas!

Sejam bem-vindos(as) aos Estudos em Escrita Criativa 2019!

O grupo de Estudos nasceu em 2016, e vem se ampliando a cada ano no sentido de, a partir de teóricos de várias áreas de conhecimento (Literatura, Filosofia, Psicanálise, Semiótica…), e artistas de várias artes (Literatura, Poesia, Cinema, Fotografia, Teatro, Música…), alicerçarmos e provocarmos a nossa escrita para que ela floresça cada vez mais e melhor. Em 2018, tivemos encontros na Livraria Cultura do Recife e de Porto Alegre (cidade onde eu estava realizando até outubro de 2018 o doutorado em Escrita Criativa na PUCRS), e abordamos 8 temas, O tempo, O mito, A viagem, A música, O amor, O sonho, A imagem, O fogo. Na primeira parte do encontro, eu trazia teóricos, ficcionistas, poetas, artistas plásticos, cineastas para conversarmos sobre o tema do mês. Na segunda parte, fazíamos exercícios de desbloqueio relacionados com o tema. Na terceira parte, convidamos escritores locais para falarem sobre seus processos criativos.

Em 2019, trabalharemos a temática da viagem, com teóricos tais como Michel Onfray, Wladimir Krysinsk, Marcel Brion, Octavio Ianni, e ficcionistas/poetas selecionados por país/região/língua, tais como Margaret Atwood, Aldous Huxley, Emily Dickinson, Sophia de Mello Breyner Andresen, Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Adélia Prado, e muitos mais. Teremos novamente a primeira parte teórica; na segunda parte, escritores convidados de Recife e Porto Alegre falarão do tema do mês e/ou de seus processos criativos; na terceira parte, aplicaremos juntos, eu e os escritores convidados de cada encontro, exercícios de desbloqueio com os participantes.

As inscrições dessa vez serão realizadas diretamente no site da Unicap (http://www.unicap.br/universidade/pages/?p=1952), com número limitado de vagas, e certificado de participação. Informações: grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com

Espero encontrá-lo(a) nos nossos encontros, abraço bem grande e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

www.patriciatenorio.com.br

 

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Cartaz A3 e Banner_PAlegre

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Diário de Pernambuco, coluna Opinião, 23/01/2019

 

 

Índex* – Dezembro, 2018

O Menino

Continua

Crescendo, fortificando

 

Até o umbral

De um novo ano

Até os primeiros raios

Do dia

Em que

Nos levantamos

Nos renovamos

 

E transformamos

Ao redor em

Paz

Luz

Amor e

Poesia

(“Em mim, nasce o poema”, Patricia Gonçalves Tenório, 25/12/2018, 06h05)

 

O umbral do novo ano se aproxima no Índex de Dezembro, 2018 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa – 2019 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

O Natal de Bernadete Bruto (PE – Brasil) e Cilene Santos (PE – Brasil).

Facas na literatura | David de Medeiros Leite (RN – Brasil).

O fogo de Ina Melo (PE – Brasil).

Do fim | Geysiane Andrade (RS – Brasil).

Poemas de Márcia Maia (PE – Brasil).

Essa tal felicidade | Natália Setúbal (RS – Brasil).

E o desejo de um 2019 de muitos Sonhos realizados, Paz, Saúde, Luz, Amor & Alegria, a próxima postagem será em 27 de Janeiro, 2019, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – December, 2018

The Boy

Continues

Growing, fortifying

 

Until the threshold

Of a new year

Until the first rays

Of the day

On what

We get up

We renew

 

And we transformed

Around in

Peace

Light

Love and

Poetry

(“In me, the poem is born”, Patricia Gonçalves Tenório, 12/25/2018, 06:05 a.m.)

 

The threshold of the new year is approaching in the Index of December, 2018 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Studies in Creative Writing – 2019 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

The Christmas of Bernadete Bruto (PE – Brasil) and Cilene Santos (PE – Brasil).

Knives in literature | David de Medeiros Leite (RN – Brasil).

The fire of Ina Melo (PE – Brasil).

From the end | Geysiane Andrade (RS – Brasil).

Poems by Márcia Maia (PE – Brasil).

Such happiness | Natália Setúbal (RS – Brasil).

And the wish for a 2019 of many Dreams realized, Peace, Health, Light, Love & Joy, the next post will be on January 27, 2019, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Sonhos a se realizarem no Ano Novo que se aproxima. Dreams to be fulfilled in the approaching New Year.

 

Estudos em Escrita Criativa – 2019

Os Estudos em Escrita Criativa nasceram em 2018 a partir do I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco que ocorreu de 13 a 15/10/2017 no Pavilhão do Centro de Convenções, em Olinda.

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Com o apoio da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS, através dos Profs. Luiz Antonio de Assis Brasil, Cláudia Brescancini e Maria Eunice Moreira, e da XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, em nome de Rogério Robalinho, foram realizadas diversas oficinas e mesas, entre elas “Estimulando a leitura através da Escrita Criativa”, “A importância de um ambiente estimulante na Criação Artística”, “Devaneios Fílmicos, Cósmicos e Poéticos” e “Grupo de Estudos em Escrita Criativa”. Levamos para Recife escritores graúchos, tais como Assis Brasil, Valesca de Assis, Gustavo Melo Czekster, Daniel Gruber, María Elena Morán, e trocamos experiências com autores pernambucanos e de outros estados do país, entre eles Lourival Holanda, Maria do Carmo Nino, Igor Gadioli, Fernando de Mendonça, Cida Pedrosa, Robson Teles.

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O resultado extremamente positivo do I Seminário em 2017 nos incentivou a ampliarmos o projeto e levarmos para as Livrarias Cultura de Recife e Porto Alegre em 2018. Criamos encontros mensais, temáticos e independentes: O tempo, O mito, A viagem, A música, O amor, O sonho, A imagem e O fogo.

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Os encontros foram divididos em três partes. Na primeira parte, ministrada por Patricia Gonçalves Tenório, apresentamos, sob a temática do mês, teóricos de várias áreas de conhecimento (Teoria da Literatura, Filosofia, Psicanálise, Semiótica), artistas de diversas áreas de arte (Literatura, Cinema, Fotografia, Música, Artes Plásticas). Na segunda parte estimulamos os participantes a realizarem exercícios de desbloqueio relacionados com o tema. Na terceira parte convidamos escritores locais para apresentarem seus processos criativos, entre eles, em Recife, Flávia Suassuna, Fátima Quintas, Jacques Ribemboim, Ana Maria César e Adriano Portela, em Porto Alegre, Alexandra Lopes da Cunha, Andrezza Postay, Camilo Mattar Raabe, Luís Roberto Amabile, Annie Muller, Fred Linardi, Gisela Rodriguez, Júlia Dantas, Guilherme Azambuja Castro, Tiago Germano e Débora Ferraz. Firmamos parceria em Recife com a União Brasileira de Escritores – PE, em nome de Alexandre Santos e Bernadete Bruto, e em Porto Alegre com a PUCRS no sentido de convidarmos os escritores locais e termos o projeto apoiado por uma instituição relacionada com a Literatura.

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O resultado foi surpreendente. Houve uma recepção além do esperado nas duas cidades. Chegamos a ter mais de 30 participantes por encontro e constatamos a eficiência do método na qualidade dos textos elaborados, a maioria das vezes, no instante mesmo da parte prática. E lançamos, no último encontro do ano em cada cidade, a coletânea de artigos Sobre a escrita criativa II com textos dos escritores convidados e escritores/professores do Brasil inteiro que fazem a Escrita Criativa acontecer.

Em 2019, daremos continuidade ao nosso grupo de Estudos em Escrita Criativa de Recife. Em breve estaremos anunciando o local e a data de início dos nossos encontros que estão sendo construídos com muito carinho. Aguardem!

E, em comemoração aos cinquenta anos de vida e quinze anos de escrita, serão lançados cinco livros bem especiais em Novembro, 2019. Aguardem também!

Desejo um Ano Novo de muita Paz, Saúde, Luz & Sonhos realizados, grande abraço e até breve!

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

 

Índex* – Novembro, 2018

Fecham

As portas

Do avião

De Porto Alegre

Para Recife

E não estou

Mais lá

Não estou 

Ainda aqui

Nesse trânsito 

Entre dois mundos

Dois amores

 

Duas saídas

Para um mar de estrelas 

Oceano de vontades

Papel e lápis

E escrever

Me inscrever

Crer…

Crer…

(“Oceano”, Patricia Gonçalves Tenório, 09/11/2018, 06h54)

 

Água e Fogo, Teoria e Poesia, Crítica e Ficção na edição de aniversário do Índex – Novembro, 2018 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

O fogo da criação | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

DE CRIAÇÃO E FOGO DA MEMÓRIA | Bernadete Bruto (PE – Brasil).

O FOGO CAMONIANO | Cilene Santos (PE – Brasil).

Fogo – Do Barro à Pira, Companheiro de Vida | Elba Lins (PE – Brasil).

Sobre o fogo | Gabi Vieira (PE – Brasil).

O fogo de Gabriel Nascimento (RS – Brasil).

O fogo | João Orlando Alves (PE – Brasil).

Estudos em Escrita Criativa 2018 – Recife e Porto Alegre | Diversos.

Agradeço imensamente o carinho e a força, a próxima postagem será em 30 de Dezembro, 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Index* – November, 2018

Close

The doors

From the airplane

From Porto Alegre

To Recife

And I’m not

More there

I’m not

Still here

In this passage

Between two worlds

Two loves

 

Two exits

For a sea of stars

Ocean of wills

Paper and pencil

And write

Sign me up

Believe…

Believe…

(“Ocean”, Patricia Gonçalves Tenório, 11/10/2018, 06h54)

 

Water and Fire, Theory and Poetry, Criticism and Fiction in the anniversary edition of the Index – November, 2018 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

The fire of creation | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

OF CREATION AND FIRE OF MEMORY | Bernadete Bruto (PE – Brasil).

THE CAMONIAN FIRE | Cilene Santos (PE – Brasil).

Fire – From Mud to Pira, Companion of Life | Elba Lins (PE – Brasil).

About fire | Gabi Vieira (PE – Brasil).

The fire of Gabriel Nascimento (RS – Brasil).

The fire | João Orlando Alves (PE – Brasil).

Creative Writing Studies 2018 – Recife and Porto Alegre | Several.

Thank you immensely for the affection and the strength, the next post will be on December 30, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Em 2018, um oceano de vontades para o bem escrever. In 2018, an ocean of wills for well write.  

Estudos em Escrita Criativa 2018 – Recife e Porto Alegre

Se sou feita de palavras, elas agora transparecem gratidão por tudo o quanto aprendi nesse ano de 2018 com vocês.

E não foram apenas os oito temas, e os teóricos, os artistas, ficcionistas e poetas. Foi antes de tudo as palavras que vocês me deram, o abraço de cada um de vocês a embalar esse meu sonho.

Um sonho de pessoa tímida que a dupla face do ato de ensinar tornou realidade, apesar das minhas limitações.

No mês de novembro de 2018, vocês estão em cada cantinho do blog, espaço no qual espareço a solidão tão própria a quem escreve, mas que é tão bom compartilhar palavras, ideias, afetos.

Espero encontrá-los novamente em 2019, e pelos anos que a vida nos presenteie, em Recife ou em Porto Alegre, ou em algum lugar todo especial onde a Escrita Criativa prevalesça e permaneça no coração de cada um de nós.

 

Um abraço bem grande e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Março, 2018 – O tempo

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Recife, 10/03/2018

Abril, 2018 – O mito

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Recife, 07/04/2018

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Porto Alegre, 25/04/2018

Maio, 2018 – A viagem

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Recife, 12/05/2018

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Porto Alegre, 16/05/2018

Junho, 2018 – A música

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Recife, 09/06/2018

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Porto Alegre, 13/06/2018

Agosto, 2018 – O amor

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Recife, 11/08/2018

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Porto Alegre, 15/08/2018

Setembro, 2018 – O sonho

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Recife, 01/09/2018

EEC Setembro POA

Porto Alegre, 12/09/2018

Outubro, 2018 – A imagem

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Recife, 06/10/2018

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Porto Alegre, 10/10/2018

Novembro, 2018 – O fogo

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Porto Alegre, 07/11/2018

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Recife, 10/11/2018

Curtas “Sobre a escrita criativa II”

Adriano Portela

Bernadete Bruto

Bernado Bueno

Elba Lins

Fernando de Mendonça

Índex* – Setembro, 2018**

Não fugir 

Das minhas perdas

Enfrentar 

Os obstáculos 

E mesmo assim

Considerar-me

 

Como vim

À vida

Como voltarei 

Ao mundo

Das palavras

 

E me tornarei

Vestígios de sentido

Que a minha mão

Tomou papel e tinta

E reverberou no universo

(“A partícula de Deus”, Patricia Gonçalves Tenório, 15/09/2018, 05h50)

 

Enfrentar os obstáculos da Escrita Criativa no Índex de Setembro, 2018 do blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Uma escrita coletiva | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“Cadê Miguel?” | Carol Bradley (PE – Brasil).

“A cigarra e a formiga” | Cilene Santos (PE – Brasil).

Ed Arruda em “O Silêncio das palavras” (PE – Brasil).

“Algumas rimas” | José Genecy Monte (RN – Brasil).

“Ipê amarelo” | Raldianny Pereira (PB/PE – Brasil).

Estudos em Escrita Criativa – Setembro, 2018 – Recife e Porto Alegre | Diversos.

Agradeço a atenção e o carinho, a próxima postagem será, excepcionalmente, em 21 de Outubro, 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Index* – September, 2018

 

Do not run away

Of my losses

Face

The obstacles

And yet

Consider myself

Lonely

 

How did I come to

Life

How do i come back

To the world

Of the words

 

And I will become

Powder

Traces of meaning

That my hand

Took paper and ink

And reverberated in the universe

(“The particle of God”, Patricia Gonçalves Tenório, 09/15/2018, 05:50 a.m.)

 

Facing the obstacles of Creative Writing on Index of  September, 2018 of Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

A collective writing | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“Where’s Miguel?” | Carol Bradley (PE – Brasil).

“The cicada and the ant” | Cilene Santos (PE – Brasil).

Ed Arruda in “The Silence of Words” (PE – Brasil).

“Some rhymes” | José Genecy Monte (RN – Brasil).

“Yellow Ipê” | Raldianny Pereira (PB/PE – Brasil).

Studies in Creative Writing – September, 2018 – Recife and Porto Alegre | Several.

Thank you for the attention and the affection, the next post will be, exceptionally, on October 21, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Foto Índex

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Eu, uma partícula de Deus (Sairé, PE – Brasil). I, a particle of God (Sairé, PE – Brasil).

 

Estudos em Escrita Criativa – Setembro, 2018 | Recife e Porto Alegre

Nos aproximamos dos últimos encontros de 2018 dos Estudos em Escrita Criativa em Recife e Porto Alegre.

E que alegria ver o resultado dessa construção… Textos ficcionais e poéticos de beleza ímpar, inspirados nos teóricos, ficcionistas e artistas da primeira parte dos encontros, nos depoimentos, na terceira parte, dos escritores convidados em parceria com a UBE em Recife, com a PUCRS em Porto Alegre.

Em Setembro, 2018 trabalhamos O sonho. Navegamos pelo inconsciente de Jung, Freud, a ficção de Arthur Schnitzler, Chistopher Nolan, e tantos outros. Recebemos Ana Maria César nas terras pernambucanas. Voamos para nos encontrar com Gisela Rodriguez e Fred Linardi no pampa gaúcho.

Outubro, 2018 será muito especial. Trabalharemos teóricos e ficcionistas, artes plásticas, cinema, música sob o tema da imagem. Receberemos em Recife, no dia 06/10, das 10h às 13h, a nossa queridíssima orientadora de mestrado na UFPE, a artista plástica, professora, curadora Maria do Carmo Nino. Em Porto Alegre, os doutorandos em Escrita Criativa também queridíssimos da PUCRS, María Elena Morán e Daniel Gruber, na noite de 10/10, das 18h30 às 21h. E muito mais!

E apresento os textos maravilhosos dos participantes dos encontros sobre O sonho de Recife e Porto Alegre, já sentindo o gostinho de quero mais que os nossos Estudos em Escrita Criativa vão deixar em todos nós…

Um abraço bem grande da

Patricia Gonçalves Tenório.

 

EEC Setembro Recife

Recife, 01/09/2018

 

Bernadete Bruto

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

 

SONHO DE UMA NOITE DE SONHOS

 

Estaria participando daquela festa? Parecia um palco e nele um aglomerado de pessoas ensaiando várias apresentações. Todas unidas para dar certo, colaborando entre si para o trabalho conjunto.

O local parecia uma quadra. Estava escuro e não dava para observar nitidamente as pessoas. Intuía que fossem várias: homens, mulheres, jovens, crianças. Estaria naquele espaço um pouco distante, como se fosse uma observadora, embora ciente de que entraria, em breve, para junto daquela multidão superatarefada, parecendo um enxame de abelhas de tanto movimento.

Mais além um casal estaria lhe observando os movimentos em outro espaço contíguo ao palco dos artistas. Olhou para o casal, ciente que se uniria a eles numa dança para voltar completa.

De volta ao palco, juntar-se-ia àquela multidão e se dissolveria totalmente naquela coreografia, alegre, vibrante, agora colorida.

Abriu os olhos e pensou que, talvez, um dia (ou mesmo numa noite), enxergaria bem melhor o sonho da verdadeira dança da vida.

 

 

Cilene Santos

Contato: cilenecaruaru2013@gmail.com

 

A PROVA DO CRIME QUE NÃO COMETI

 

Dos sonhos que tive, poucos eu me lembro. Mas, dos poucos, um me atordoou. Os acontecimentos foram tão claros, decisivos e inequívocos que eu mesma tive que lutar comigo, para me convencer de que eu era inocente. Estava voltando para a minha cidade, quando recebi uma mensagem de uma amiga, do tempo do internato. Naquele final de semana eu ficaria em casa de parentes, que residiam no interior, mas o convite era irrecusável: um final de semana na casa daquela amiga, cuja morada ficava entre as serras. Amigos se encontrariam para uma comemoração, da qual, o motivo seria mantido em segredo. Até a chegada de todos. Comuniquei aos familiares e desviei a minha rota.

Cheguei ao destino no finalzinho da tarde da sexta-feira. Fui recebida pelo dono da casa, que me deixou muito à vontade. A minha amiga Carol, era esse o seu nome, não se encontrava, havia ido ao salão de beleza, preparar-se para a grande noite.  Fui levada à suíte que ocuparia. Aproveitei para relaxar um pouco. Estava cansada da viagem. Quando acordei, já era noite. Tomei um banho quente, estava frio o tempo. Botei uma roupa apropriada para o momento, fiz uma leve maquiagem e desci ao térreo, onde ficava a sala de recepções. Lá, muitos convidados já se encontravam. O ambiente ricamente decorado. Flores, as mais belas. Lindos lustres iluminavam cada recanto da casa. Na varanda, uma orquestra tocava bonitas canções. Alguns casais dançavam. E lá no alto, entre as montanhas, uma lua cheia completava o lindo quadro.

Num momento, a orquestra parou e ouvimos a voz de Carol agradecendo a presença de todos e dando a grande notícia: “estava grávida!” Dali, seguiram-se abraços, beijos, sorrisos e lágrimas de alegria. A orquestra voltou a tocar e o jantar foi servido. Pratos saborosos, acompanhados  de um bom vinho animaram mais aquele momento. À meia-noite, despediram-se os últimos convidados.

Recolhi-me aos aposentos. Dormi rápido e, como sempre, acordei cedo. O sol não havia ainda saído de todo. Só alguns raios sugeriam o amanhecer. Abri as janelas para aproveitar aquele ar puro. Tamanha foi a minha surpresa, ao olhar a piscina, que perdi o controle emocional: um corpo boiava!  Corri ao banheiro, botei um vestido, peguei a bolsa e saí rápido. Ninguém me viu. O temor e o terror dificultaram-me pôr a chave na ignição. Saí a toda velocidade. Já havia me distanciado quando lembrei que havia deixado a roupa de dormir no banheiro. E lembrei também que, desde o tempo do internato, adquirira o hábito de colocar no avesso das minhas vestimentas, as iniciais do meu nome. Acordei apavorada.

 

Elba Lins

Contato: elbalins@gmail.com

 

DESASSOSSEGO NOTURNO

 

Lembraria por muito tempo, o desassossego.

Vindo de noites longínquas…

E buscaria explicar, tentaria entender

O significado de tudo aquilo

Eram tentativas inúteis

De expulsar de si

O conteúdo estranho…

Que se nada fosse feito

Bloquearia sua garganta

Se nada fizesse lhe sufocaria…

A cada noite

Se repetiria o gesto

Abriria a boca e puxaria para fora de si

A gosma aparentemente sem fim

Que mesmo depois de muito retirada,

Ainda permaneceria no interior de sua garganta

Sufocando-a…

Acordaria mais um dia e não entenderia o significado do sonho

Buscaria novamente, inutilmente, explicações

E estas viriam por fim no sentido de trair segredos

De expor razões

De mostrar verdades

Que enfim chegariam à luz pela escrita

Que por fim lhe esvaziaria por inteiro.

E lhe preencheria de luz.

 

Gabi Vieira

Contato: gabi.vieira.araujo@gmail.com

 

não conseguia dormir.

horas se passavam e

o teto que encarava

não se mexia

e ela começava a

considerar que ele

teimaria em assim permanecer

 

sentia saudades do tempo

em que sonhava.

um tempo de sono fácil

e mundos inteiros criados

no universo de seus olhos fechados.

 

ela ansiava perguntar

o que acontecera

para perder a capacidade de sonho

mas temia que a

mais dolorosa resposta

seria a única verdadeira.

 

então, no fim das contas,

fecharia os olhos em mais

uma tentativa frustrada

de o sono chamar

e só o que desejaria

era poder viver

tudo que um dia

fora capaz de sonhar.

 

 

Guilherme Augusto

Contato: guilhermetrekke@gmail.com

 

estava acordado?

estava dormindo?

não sei ao certo, mas sei que estava voando.

não sei se era sonho.

não sei se era realidade.

mas sei que estava voando.

isso é possível?

como poderia, eu, estar voando?

isso deve ser um sonho.

isso deve ser a realidade.

deve ser a junção do real e do imaginário.

são tantos questionamentos

comecei a cair

senti um peso se instalando em meu peito.

devo continuar levantando?

devo cair?

continuei a cair

então, eu compreendi

a paz que estava em mim me fez voar.

a guerra que estava em mim me fez cair.

no fim, quem iria vencer?

eu quero voar, mas não posso abandonar meus questionamentos

foi quando voltei a voar

decidindo viver no equilíbrio

abri meus olhos

com um sorriso no rosto

pois havia entendido

meu corpo estava na cama

mas minha alma voava

entre a paz, a guerra, o sonho, o real, a razão e o amor.

 

Ina Melo

Contato: ina.melo2016@gmail.com

Imagem de Ina Melo

 

Gostaria de sonhar com um amor encantado nas galáxias e no seu forte e poderoso abraço! Todas as vezes que nos encontrávamos era como se os tentáculos de um polvo me esmagasse. Nessa fusão de corpo e alma tudo era permitido. O amor se fazia  com leveza. A chama ardente do desejo nos oferecia um mundo de emoções do qual não queríamos sair.

Tudo acontecia com os corpos colados e os corações batendo em descompasso!  Mãos ansiosas se encontravam no toque. Bocas sedentas mergulhavam uma na outra deixando as línguas enroladas num mundo de sensações. Naquele  momento o sonho se fazia realidade e um era o outro, respirando o mesmo ar e provando o mesmo sabor doce do amor! Ah! Saudades! Ainda bem que os sonhos são sonhados!

 

João Orlando Alves

Contato: joaoorlandoalves@yahoo.com.br

 

UM SONHO

 

O sonho da vez seria aquele contido na anterioridade da memória consciente. Transcendendo, haveria o personagem Carlitos, expondo à humanidade, por meio de situações adversas, a capacidade do humano de não se aferrar às agruras, emprestando beleza à vida.

Essa evocação teria sido despertada em uma escola de música e dança na periferia da cidade carente de suporte material: crianças e adolescentes em trajes rotos e sem ferramentas adequadas, no entanto, vencendo esses infortúnios com alegria e comprometimento com a arte. O sorriso indicava um ser feliz.

Haveria o sonho possível, às vezes imemorial. Nasceria aquela escola desse evento. Teria um dos protagonistas mirins, sonhado com a música e arrastado tantos outros ao aprendizado.

Sugere-se estaria aquém da percepção imediata de ocorrência de atividade psíquica de que o indivíduo se apropria, àquela com elementos substanciais que levariam ao criar.

Enfim, o sonho além de pacificar a mente, também alcança a dimensão como a de José no Egito antigo.

Cada pessoa é um sonho!

 

Rackel Quintas

Contato: rackelquintas@gmail.com

 

CARTA DE UM IN-SONHE AO AMOR

 

Eu queria que todos os sons. E luzes. E planetas. Me dessem a dignidade de uma noite insone. Gostaria que o amor, assim como o sonho meio-morte, fosse feito de descanso e virtude, como uma maçã durinha, cheia de suco até a semente. Gostaria de cantar hinos, clamores de comemoração a um amor frágil, enlaçado pelo desejo cansado, de permanecer vivo, semeando, gerando. Gostaria que esse amor fosse contado em rede nacional, na rede, no quintal de uma casa feita pra ele crescer. Gostaria que meu dentro não fosse tão barulhento, que aceitasse a chuva fininha, que não mal-dissesse os dias de verão. Gostaria de mais banhos de chuva, e praças escondidas em lugares óbvios da cidade. Gostaria de crises de sinusite, de riso, de choro, com o lugar do desespero ancorado em alguma certeza de que não se sabe, mas se ama.

Gostaria de um véu de leite condensado e rosas, a dar a todas as crianças que ali comparecessem, para aprenderem como é doce, longo e terminável o amor que cura. Gostaria da textura permanente das cadeiras habitadas e depois vazias porque horas, minutos, dias, se contaram a fio até que sumisse para sempre o amor de outrora. Gostaria que as conversas fossem feito amoras, que tivessem sempre uma fogueira como testemunha das prosas, que houvesse tempo de aconchego, e amor. Gostaria de ter coragem de admitir-me berço e vontade, de discriminar as cores das minhas próprias palavras; de poder dizer azul ao amargo e vermelho ao sangue carne da vida que nos apetece. Gostaria de dizer que mesmo sabendo que vivo sem o amor, ainda assim o desejo, para o quanto de vida tiver a gastar. Gostaria, gostava, gosto. Da inveja aos olhos alheios, do som na varanda suspensa e na taça. Das taças. Nossas. Já há algum tempo. Desmascarando mentiras que eu mesma inventei para não amar. Pra bem-dizer o destino amaldiçoado. Eu queria que todas as noites insones me rendessem alguma poesia, mas é o passarinho de barriguinha cheia que pousa em mim, na minha janela, e encanta a vida como se eu quisesse vivê-la e não dormi-la. Como se sonhar fosse uma vida pra dentro e querer uma vida pra fora. Hoje, gosto de Caetano e Chico, do grande amor que não se acaba assim. Hoje, sonho e benzo o amor, Carmim. Puro e machucado por ele, por mim. Hoje eu gostaria. Quero. Um amor assim.

EEC Setembro POA

Porto Alegre, 12/09/2018

 

Ana Paula Bardini

Contato: apbardini@terra.com.br

 

 

A sensação de angústia persistiria pelo longo do dia. Nem bem acordara e já tinha esta certeza. Como poderia uma mãe abrir mão de seu próprio filho? Negando-lhe amor e cuidado, estando tão perto e disponível para o outro filho, irmão gêmeo deste, que acolhera com todo o seu coração? Seria instinto ou egoismo? Enquanto isso, o infante preterido dormia serenamente alheio ao que o destino lhe preparara. No momento ainda não sabia, mas viria a sentir na pele – e calaria na alma –  a dor do abandono materno. Jamais descobriria o motivo de tanto desamor. Cresceria à própria sorte, ainda que em família. Seria isso o bastante? Quais seriam as suas chances perante tamanha barbárie? Estar perto sem estar realmente próximo?

Um desconforto crescente a fez despertar, o sonho lhe parecera tão vívido que custara a acreditar que voltara à realidade. Ainda ofegante, lembrava flashes e revivia o sofrimento que comungara com aquela pobre e indefesa criança. De alguma forma ela se sentira conectada à dor dele que também era sua.

Neste instante o despertador a lembraria de seus compromissos da manhã. Eram muitos nesta quarta-feira chuvosa. Desligou. Aliviada pela bem-vinda interrupção, como quem retorna de um mundo distante, levantou. Organizou mentalmente as tarefas por ordem de prioridade. Primeiro prepararia um café, bem forte, com certeza a ajudaria a distanciar-se do sonho e a encarar o dia. Depois, a rotina se encarregaria do resto. Apostava nisso e  secretamente um pensamento lhe acompanharia pelo restante da semana: Amor de mãe deveria ser obrigatório.

 

*

 

Ando tendo sonhos…

Destes que inquietam

De novos caminhos

Onde se arquitetam

 

Vidas mais leves

Sorrisos mais fáceis

Amores menos breves

 

Ando tendo sonhos…
Destes que acalentam

Intensos, advinhos

E também desassossegam.

 

#APB

 

 

Gabriela Guragna

Contato: gabi_guaragna@hotmail.com

Enquanto as folhas, regadas a vinho tinto, se contorciam em ardor, ela correria buscando as paradas de ônibus da vida. Embarcaria para a Austrália. No rolar das escadas que a conduziriam ao subsolo, perceberia a falta do passaporte.

Entregaria a carteira de identidade da irmã para ela, e a carteira de motorista do pai para ele. A bolsa ficaria leve e encontraria a própria identidade, borrada pelo vinho que banhava as folhas ocultas. Correria pela mata do aeroporto, e puxaria de uma máquina a lista de amores antigos separados por categorias.

Família em segunda-feira

Trabalho em feira de domingo

E ele ali na feira destaque do dia de agora.

 

 

Kênia Medeiros

Contato: kenia_poa@yahoo.com.br

 

PÓS-CRÉDITOS

 

Os créditos começavam a subir, quando a luz foi acessa. Enquanto alguns, preguiçosamente, se dirigiam à saída, outros esperavam adaptar os olhos à claridade. No entanto, fiquei esperando por uma última cena, como um bis num show musical.

Não demorou para que surgisse na tela o herói que, misteriosamente, havia desaparecido em uma das cenas finais do filme. Ele despertaria à beira do rio no qual, imaginava-se, havia se afogado. Quando começou a se levantar, ainda sem saber onde estava, uma luz repentina quase me cegou. Ouvi um barulho estridente, que fez meu coração disparar. De repente, era eu na margem daquele rio. Desorientado, assustado, com medo do que estaria por vir.

Quando, enfim, me acostumei à claridade, percebi onde estava. Já não era um lugar estranho, mas o medo do que viria permaneceu. Estava em meu quarto, com o despertador tocando e com o sol brilhando através da janela. E, diferente do herói que se levantou pronto para encarar qualquer perigo, me levantei resignado para a batalha diária de uma vida sem ação.

 

Susi Franke

Contato: susifrankett@gmail.com

 

Eles são maravilhosos, um casal muito especial, muito amados. Ela, artista, trabalhando xilogravura, telas, filha de produtores de café, do interior paulista. Ele, húngaro, que veio para o Brasil à procura da realização de um sonho, trabalhar com aviação. Acabou se transformando num famoso projetista da Embraer.

Encontrei-os num sonho.

Apesar da idade avançada, continuaram encantadores, cheios de vida, com um sorriso no rosto.

Sairiam para um passeio na casa de campo, numa fazenda aeródromo do interior paulista. Passariam lá alguns dias, com amigos. Um era meteorologista, sua esposa médica, vegetariana, que traria muitos ensinamentos sobre nutrição. Outros, pilotos, sempre os grupos se formando com conversas animadas e um bom violão para animar ainda mais o encontro.

Estariam todos prontos para decolar?

Desapareceriam no azul do céu?

 

Sala de imprensa

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Folha de Pernambuco, 08 e 09/09/2018

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Jornal do Commércio, 26/09/2018

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Encontros mensais e temáticos para, a partir da Teoria, estimular a Criatividade na Escrita de Ficção, Poesia, Ensaios Teórico-Poéticos. Em cada cidade, participação especial de escritores locais falando sobre seus processos criativos.

* Patricia Gonçalves Tenório é escritora, mestre em Teoria da Literatura (UFPE), doutoranda em Escrita Criativa (PUCRS).