Posts com Entrevista

Índex* – Agosto, 2017

As palavras

Dos outros

Atravessam

As minhas mãos

Atravessam

Os meus ouvidos

E já não 

Posso dizer

Se são minhas

Se são desses

Escritores

Que me escrevem

E me impelem

A ser uma

Pessoa maior

E me cedem

Um pouco de

Inspiração 

E ofício 

E técnica

Para o que

Escrevo

Soar melhor

Em minhas mãos

(Sobre a Escrita Criativa, Patricia Gonçalves Tenório, 02/08/17, 18h06)

 

 

As palavras dos outros que me atravessam no Índex de Agosto, 2017 do blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Quando Capitu chorou | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Fernando Luz (AL – Brasil).

Diálogos | Bernadete Bruto (PE – Brasil), Carlos Sierra (Colômbia), Elba Lins (PB/PE – Brasil) & Patricia Gonçalves Tenório.

“Exercícios literários: Café & Poesia” | Com Célia Medeiros (RN – Brasil) & Clauder Arcanjo (RN – Brasil), entre outros.

“O amor que não sentimos e outros contos” | Guilherme Azambuja Castro (RS – Brasil).

“Demorei a gostar da Elis” | Alexandra Lopes da Cunha (DF/RS – Brasil).

“Demônios domésticos” | Tiago Germano (PB/RS – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa | Bernadete Bruto, Elba Lins, Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil), Marcos Torres (PE – Brasil) & Uilian Novaes (BA – Brasil). 

A partir de 28 de Agosto de 2017 estarão abertas as inscrições para o I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco (PUCRS – Brasil) que acontecerá de 13 a 15 de Outubro de 2017 na XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco. As inscrições são gratuitas, vagas limitadas, e realizadas, com maiores informações, no link:

http://www.bienalpernambuco.com/i-seminario-nacional-em-escrita-criativa-de-pernambuco/

O lançamento do livro Sobre a Escrita Criativa, com artigos dos participantes do Seminário, será em 13 de Outubro de 2017, às 19h00.

Agradeço a participação e carinho, a próxima postagem será em 24 de Setembro de 2017, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* August, 2017

The words

Of the others

They cross

My hands

They cross

My ears

And no longer

I can say

If they are mine

If they are from these

Writers

That write to me

That urge on me

To be a

Greater person

And give me

A bit of

Inspiration

And craft

And technique

For what

I write

Sound better

In my hands

(About Creative Writing, Patricia Gonçalves Tenório, 08/02/17, 6:06 p.m.)

 

 

The words of the others that cross me in the Index of August, 2017 of the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

When Capitu wept | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Fernando Luz (AL – Brasil).

Dialogues | Bernadete Bruto (PE – Brasil), Carlos Sierra (Colombia), Elba Lins (PB/PE – Brasil) & Patricia Gonçalves Tenório.

“Literary Exercises: Coffee & Poetry” | With Célia Medeiros (RN – Brasil) & Clauder Arcanjo (RN – Brasil), among others.

“The love we do not feel and other tales” | Guilherme Azambuja Castro (RS – Brasil).

“I took too long to like Elis” | Alexandra Lopes da Cunha (DF/RS – Brasil).

“Domestic Demons” | Tiago Germano (PB/RS – Brasil).

Study Group on Creative Writing | Bernadete Bruto, Elba Lins, Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil), Marcos Torres (PE – Brasil) & Uilian Novaes (BA – Brasil). 

From August 28, 2017 it will be opened the entries for the 1st National Seminar on Creative Writing of Pernambuco (PUCRS – Brasil), which will take place from October 13 to 15, 2017 at the XI International Book Biennial of Pernambuco. Entries are free, limited and made available, with more information, in the link:

http://www.bienalpernambuco.com/is-seminario-nacional-em-escrita-criativa-de-pernambuco/

The launch of the book About Creative Writing, with articles by participants of the Seminar, will be on October 13, 2017 at 7:00 p.m.

Thanks for the participation and affection, the next post will be on September 24, 2017, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** O Guaíba de Porto Alegre se encontrando com o Capibaribe de Recife formando o Oceano Atlântico do I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco. The Guaíba of Porto Alegre meeting with the Capibaribe of Recife forming the Atlantic Ocean of the 1st National Seminar on Creative Writing of Pernambuco.

 

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Agosto, 2017 | Bernadete Bruto, Elba Lins, Luisa Bérard, Talita Bruto, Marcos Torres & Uilian Novaes

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Agosto, 2017

Patricia Gonçalves Tenório

 

Em 19 de Agosto de 2017, expliquei para as minhas alunas/companheiras de estudo o porquê de trazer os assuntos estudados no doutorado em Escrita Criativa da PUCRS para as nossas aulas/encontros: para compartilhar com elas o meu aprendizado, e, juntas, ampliarmos nossos caminhos de escritoras/poetisas.

Na Newsletter de Agosto, 2017 encontramos diversos diálogos. E foi, a partir do livro-diálogo Portugueses do Brasil & Brasileiros de Portugal (2016), da jornalista, romancista portuguesa, e licenciada em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Leonor Xavier (1943), que estou estudando para a disciplina Literatura Portuguesa, ministrada pelo Prof. Dr. Paulo Kralik, que iniciamos, eu e minhas alunas, a nossa aula.

Com dezenove entrevistas que remetem à época em que viveu no Brasil, Leonor nos brinda com depoimentos tais como os de Caetano Veloso, Carlos Drummond de Andrade, Fernanda Montenegro, Júlio Pomar, Marília Pêra, Ruth Escobar, sobre a relação de brasileiros com Portugal, de portugueses com o Brasil, e, principalmente, dos seus processos criativos. Trago ao centro um trecho do depoimento do filósofo, poeta e ensaísta George Agostinho Baptista da Silva (1906-1994), ou simplesmente Agostinho da Silva, nascido em Porto e falecido em Lisboa.

Agostinho fala dos dois mundos, não só Brasil e Portugal, mas do que poderemos aproximar do exercício que sugeri às minhas alunas e que apresentarei mais adiante.

“Espero que essa coisa de ver o mundo exista em todos os portugueses, pelo menos naqueles que não perderam a qualidade de ser português. Temos de pensar que há dois mundos para ver: o de fora e o de dentro, que é outro mundo interessante. E com uma complicaçãozinha, é que não sabemos se o mundo de fora brota do mundo de dentro, ou o contrário.” (DA SILVA apud XAVIER, (1988 in) 2016, p. 16)

Em 17 de Agosto de 2017, conheci a exposição Chão arejado, com livro de mesmo nome, do poeta Marcos Torres, com interpretações gráficas de Uilian Novaes. Marcos, através da artista plástica, professora da UFPE e minha orientadora de mestrado Maria do Carmo Nino, organizou um seminário no qual a escritora carioca Paloma Vidal, o professor da UFPB Marcelo Coutinho, e eu, conversávamos sobre amálgamas no processo criativo.

E foi a partir da imagem de capa de Chão arejado que minhas tão queridas alunas compuseram, a oito mãos, utilizando algo semelhante ao que estou apreendendo na outra disciplina da PUCRS, Literatura e Linguagem Digital (post “Quando Capitu chorou”), que propus à Bernadete, Elba, Luisa e Talita que criassem, em ordem alfabética, um texto (escolheram em forma de poesia) no nosso grupo de WhatsApp.

Então vamos à(s) leitura(s).

 

Referências bibliográficas

DA SILVA, Agostinho. In: Portugueses do Brasil e Brasileiros de Portugal. Alfragide, Portugal: Oficina do Livro, 2016.

TORRES, Marcos. Chão arejado. Interpretações gráficas de Uilian Novaes. Guaratinguetá, SP: Penalux, 2017.

 

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Chão arejado

 

A fome que envergou meu corpo e reverbera no fundo.

Ai!!! Tenho Fome!

Uma fome imensa de vida, de luz, de ser…

 

(Bernadete Bruto, 19/08/17, 12h28, bernadete.bruto@gmail.com)

 

Queria voar como estes pássaros que esperam minha morte.

Queria fluir livre no céu azul

Encontrar minha tribo perdida

Minha paz

Mas meu sangue flui para esta terra seca

E estes pássaros não me deixam voar

Preciso lutar!

Preciso fugir!

Preciso viver!

 

(Elba Lins, 19/08/17, 12h31, elbalins@gmail.com)

 

E na efêmera existência,

Que o tempo impiedosamente devora,

A urgência dos sonhos gritam

Exigem espaço e luz

Tenho pressa!

Tenho sede de vida!

Tenho…

 

(Luisa Bérard, 19/08/17, 12h44, luisaberard@gmail.com)

 

Esquálidos. Eu. Os corvos. Não corvos, urubus.

Mais do que solidão, mais que um severino, mais do que Poe em nossas vistas.

Fica a pergunta irrepreendida: viver, imediatismo?

Tragédia escassa.

Somos sem conteúdos pra nos abastecer

Esquálidos. Eu.

A massa fina virando comida.

Ossos. Detritos.

Urubus.

A máquina pavorosa dos tempos decompostos.

O que somos.

O que temos.

O que viramos.

 

(Talita Bruto, 19/08/17, 12h49, talitabruto@gmail.com)

(Exercício do Grupo de Estudos em Escrita Criativa a partir da imagem extraída de NOVAES, 2017, p. 81)

 

E na página 83 o poeta Marcos Torres responde…

 

epiderme exposta

 

nunca ouvi dizer que urubu é sinônimo de cor de epiderme.

tenho muitas cores.

eu, fico aqui, paralisado e em choque, com minha cabeça nua.

vendo daqui esta terra em decomposição me enchendo de náusea.

 

diante deste céu calado e mouco

desloco-me em longos voos sobre as planícies frias,

em meio a este ar rarefeito e quente que sopra dum chão ardente.

um movimento fatigante.

enxergo tudo com esta minha visão panorâmica.

 

sou atraído pelo monte de carne amontoada sobre as valas.

nem sei o que aconteceu por aqui e ali.

nunca me dizem nada.

faço isso para deixar o chão arejado.

Índex* – Março, 2017

Foi às portas do

Inferno

E provou

O gosto árduo

De amar e

Não ser amada

*

Mesmo só

No infinito

Purgatório

Experimentou

Gotas de orvalho

Que desciam

Suavemente

Lá do

Céu

*

Avistou São Pedro

E suas chaves

Douradas

E os portões

Dourados

Que se abriam

De par em par

Como se para Beatriz

Fossem

Como se para Beatriz

Abrissem

Um sem fronteiras

De bênçãos

E felicidade

*

Pedro sorriu para Beatriz

Ele que negou

Três vezes

Ele que sofreu

Três vezes

O suplício de negar

A quem muito

Amava

*

Ele estendeu a mão

Ela se encolheu

Ele deu mais um passo

Ela compreendeu

Que o verdadeiro

Amor

É aquele que tudo

Com a consciência de talvez

Nunca

Receber nada em troca

(“Dante ao contrário”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 04/03/2017, 15h05)

O Amor sem receber nada em troca no Índex de Março, 2017 no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

A volta de um”A menina do olho verde” | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

Alfredo Pérez Alencart (Salamanca – Espanha) | Poemas.

Geórgia Alves (PE – Brasil) | “Reflexo dos Górgias”.

Grupo de Estudos em Escrita Criativa | Com Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PB/PE – Brasil).

Luís Augusto Cassas (MA – Brasil) | “A Poesia sou Eu”.

Marta Braier (Argentina) | Por Rolando Revagliatti (Argentina).

E os links do mês:

– O lançamento de “Não verás amanhã” (29/03/2017), de e no blog de Gustavo Melo Czekester (RS – Brasil): www.homemdespedacado.wordpress.com

– A fotografia de Tatiana Barroso de Oliveira (“Dona Mariana”) no Singular e Plural: www.singulareplural.wixsite.com

– A tradução e apresentação de Tiago Silva da escritora Namrata Poddar na Revista da UEPB: www.revista.uepb.edu.br/index.php/sociopoetica/article/view/3427/1873

Agradeço a participação e carinho, a próxima postagem será em 30 de Abril, 2017, grande abraço e até lá,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – March, 2017

 

She went to the doors of

Hell

And proved

The hard taste

Of loving and

Not being loved

*

Even alone

In the infinite

Purgatory

She tasted

Dew drops

That descended

Gently

There from

Heaven

*

She sighted St Peter

And his golden

Keys

And the golden

Gates

That opened

Wide

As for Beatriz

Were

As for Beatriz

Opened

One without borders

Of blessings

And happiness

*

Peter smiled at Beatriz

He who denied

Three times

He who suffered

Three times

The punishment of denying

Who he much

Loved

*

He held out his hand

She cringed

He took another step

She understood

That the true

Love

It’s the one which

One gives

With the consciousness of maybe

Never

Receive nothing in return

(“Dante to the contrary”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 04/03/2017, 15:05)

 

The Love without receiving anything in return in the Index of March, 2017 in the blog of Patricia (Gonçalves) Tenório.

The Return of a “The Green Eye Girl” | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

Alfredo Pérez Alencart (Salamanca – Spain) | Poems.

Georgia Alves (PE – Brasil) | “Reflection of the Gorgias”.

Study Group in Creative Writing | With Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PB/PE – Brasil).

Luís Augusto Cassas (MA – Brasil) | “Poetry is Me”.

Marta Braier (Argentina) | By Rolando Revagliatti (Argentina).

And the links of the month:

– The launch of “You will not see tomorrow” (03/29/2017), from and on the blog of Gustavo Melo Czekester (RS – Brasil): https://homemdespedacado.wordpress.com/

– The photo of Tatiana Barroso de Oliveira (“Dona Mariana”) in the Singular and Plural: http://singulareplural.wixsite.com

– The translation and presentation by Tiago Silva of the writer Namrata Poddar in the UEPB Magazine: http://revista.uepb.edu.br/index.php/sociopoetica/article/view/3427/1873

Thanks for the participation and affection, the next post will be on April 30, 2017, big hug and until then,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** A Crítica Genética de um Poema. The Genetic Critique of a Poem.

Marta Braier | por Rolando Revagliatti

From: Rolando Revagliatti [mailto:revadans@yahoo.com.ar]
Sent: sábado, 4 de março de 2017 18:00
To: Revista Azahar (de España) <revista_azahar@hotmail.com>; trajineros.blogspot.com <colectivotrajin@gmail.com>
Cc: Carlos Gallardo Guarniz <revistaelsoldelperu@hotmail.com>; Víctor M. Falco <vittoriofa9@hotmail.com>
Subject: Marta Braier: sus respuestas y poemas

 

Marta Braier: sus respuestas y poemas

 

Entrevista realizada por Rolando Revagliatti

 

Marta Braier nació el 19 de junio de 1947 en San Miguel de Tucumán, provincia de Tucumán, República Argentina, y reside en la Ciudad Autónoma de Buenos Aires. Es Profesora en Letras desde 1972, con la distinción Summa Cum Laude, por la Facultad de Filosofía y Letras de la Universidad Nacional de Tucumán. Especializada en Creatividad y Crítica Literaria, coordina talleres de escritura. Entre 2003 y 2015 dirigió el Taller Literario para Jóvenes de la Biblioteca Nacional. Ha sido traducida al francés, catalán y portugués. Colaboró, entre otros, en el suplemento cultural del diario “Clarín” (1976-1987). Cuentos suyos fueron incluidos en el volumen colectivo “Sociedad de sueños” (1992), así como textos poéticos en las antologías “Poemas y relatos desde el Sur” (con prólogo de Aitana Alberti, en Barcelona, España, 2001) y “Antología de poesía argentina contemporánea. 18 poetas” (compilada por Cristina Madero, Mario Jorge Buchbinder y Daniel Calmels, Reflet de Lettres, de Francia, y Alción Editora, de Argentina, 2012). Dirigió en 1998 un ciclo de narrativa y poesía en “Liberarte / Bodega Cultural”. Poemarios publicados: “Gestos de minué” (Libros de Tierra Firme, 1999), “Ésta es la tierra, corazón” (Ediciones Último Reino, 2005) y “El río secreto” (Premio Único de la Ciudad Autónoma de Buenos Aires en Poesía Inédita, Bienio 2010-2011, Ediciones El Jardín de las Delicias, 2016).

 

 

1 — Confieso que no he visitado tu provincia.

 

         MB — Donde nací de cara al Aconquija. En el éxtasis de la belleza, en las primeras preguntas ante la incertidumbre de lo vital, surgió el misterio de la poesía y desde muy niña leí con pasión. Recuerdo haber llorado a mares con “Corazón” de Edmundo de Amicis y el temprano compromiso con la palabra poética en mis clases de Declamación, como se decía en aquella época. También leí por entonces “Juan Cristóbal” de Romain Rolland (varios tomos) y “Bonjour tristesse” —inolvidable— de Françoise Sagan. Eran libros de mamá, dedicados, que aún conservo, con sus tapas antiguas. Viví en el seno de una familia judía acomodada, con mis dos hermanos. Papá, médico ginecólogo nacido en Buenos Aires, migró a Tucumán desde Rosario, donde hizo la carrera universitaria; y mamá —hija de tenderos prestigiosos de la calle San Luis, de Rosario, fina y elegante, la más coqueta del barrio— tenía devoción por el teatro y solía recitarnos a lo Berta Singerman. El piano sonaba en casa a cualquier hora en la interpretación de mi hermano Lalo; y esa escucha fijó en mí, tempranamente, las músicas y letras notables de los tangos de la guardia vieja, sustento lingüístico y filosófico que flota con cierta melancolía, tragicidad e ironía, en mi primer poemario. De esos tangos que escuché cantados por mi hermano y en la voz de Carlos Gardel, evoco con una sonrisa tres de gran potencia sentimental: “Ladrillo”, “Caminito” y “Si se salva el pibe” (este último con letra de Celedonio E. Flores). El segundo poemario es de otro momento de mayor aceptación; el discurso es llano y realista, aunque siempre revestido de “levedad”, ese lirismo que es un rasgo primordial en mi dicción, cierta contemplación de lo vital rodeada de un aura de conciliación. Y del tercero, de octubre del año pasado, lo autorreferencial se constituye en centro de la historia, desde una oralidad elaborada alrededor de una adolescente y su relación con el entorno familiar y social. Lo menciono ahora, porque en esta obra anticonvencional, casi una nouvelle, entramado de narrativa y poesía, está expuesta mi adolescencia, con toda la frescura y pavor que caracterizan esa época de la vida, la mismísima intemperie ante los mandatos sociales y familiares, y la subjetividad constituyéndose en atormentados combates interiores. El texto de contratapa es de la extraordinaria cineasta salteña Lucrecia Martel, influencia muy importante en mi carrera. Su filmografía revela la hipocresía de una sociedad, en este caso la del Norte argentino, que manipula e intenta ocultar el deseo y el verdadero sentir. El “murmullo” social ocupa un lugar relevante como intrínseco de la identidad (el famoso “qué dirán”). Cito una frase de mi libro: “Mirá que las mujeres quedan marcadas”.

 

2 — Ése dedicado a tus hermanos, Lalo y Sofi, “por aquella casa que nos habitó”.

 

MB  — Sí, “El río secreto”. Cuando se vendió mi casa de infancia y adolescencia en San Miguel de Tucumán, en el 2005, la casa me dejó oír una voz, enraizada en el habla provinciana, que parecía dictarme los textos que componen la nouvelle y yo escribí esta obra —memoria deslumbrada, silencioso devenir de un alma— bajo el amparo de esa melodía, como homenaje a mis hermanos y a esa “casa de la Avenida Mitre”, por necesidad de testimonio, de legado. Los textos fueron madurando a lo largo de una década: mandé la obra al Concurso Municipal en 2011, me entregaron el premio en 2016 y recién ese año, que decidí la publicación, dejé de modificarla. El cruce de géneros surgió naturalmente —hasta hay escenas en clave de grotesco, cuando se trata de describir la relación con la madre—  y en la yuxtaposición de los textos y las voces, se fue perfilando la trama. Nada es totalmente nítido pero todo está allí. “El deseo es algo que fluye, evitarlo es una actitud muy clase media”  —dice Lucrecia Martel. “El río secreto” tiene que ver con esta cita.

Mientras transcurría el secundario, la carrera de Letras, las letras de tango, los grandes descubrimientos literarios, el cine, cantantes de entonces: todo entra en juego y nutre ese miasma emocional que luego será núcleo y génesis de mi creación poética. De los cantantes que alimentaron mi romanticismo innato te menciono al chileno Antonio Prieto, a Leonardo Favio y a Sandro, claro, el de “Penumbras”. Y además, las canciones mexicanas apasionadas: “Me cansé de rogarle / Me cansé de decirle / que yo sin ella / de pena muerooooo”… Me refiero a “Ella”, de José Alfredo Jiménez, nacido en Guanajuato.

Cursé el secundario en la Escuela y Liceo Vocacional Sarmiento, donde fui abanderada, con mucho orgullo. No olvido ese 9 de julio de 1965, cuando desfilé con la bandera rumbo a la Casa Histórica. De allí evoco a un eminente profesor de filosofía, Néstor Grau; a “la Lucioni”, mi profesora de Física, materia que me atraía muchísimo por su misterio, y en especial a mi profesora de Literatura, María Rosa Garbero, que marcó mi camino hacia la literatura; tanto es así que, al finalizar esos estudios, me inscribí, decidida, en la carrera de Letras en marzo de 1966. “La Garbero” nos hizo leer —hasta me acuerdo del patio de la escuela y el sol picando a la hora de la siesta— nada menos que “El sonido y la furia” de William Faulkner y “La metamorfosis” de Kafka. Entrar a los dieciocho años en el dramático universo familiar de los Compson de Faulkner, o en el siniestro y desventurado mundo de Gregorio Samsa, significó para mí el encuentro con la Gran Literatura, el descubrimiento de las posibilidades inauditas de la Palabra Literaria, la sorpresa de una realidad textual que me conmovía hasta los tuétanos y que me devolvía al mundo más calma y “crecida”: empezaba a intentar “comprender”. Con esa misma profesora tuve la oportunidad en 1971, por esas cosas azarosas del transcurrir, de viajar a Salónica, Grecia, con un grupo de estudiantes, becados por la Universidad Nacional de Tucumán y la Universidad Aristotélica de Salónica, para realizar estudios de Lengua y Literatura Griega Modernas. Ese viaje (residí en Salónica durante más de seis meses), lo hicimos en barco, ida y vuelta, fue un hito en mi vida. Mis padres me dejaron ir, a regañadientes; así como habían cuestionado mi decisión de estudiar Letras porque —según papá— “qué iba a hacer con esa carrera, me moriría de hambre”. En Salónica estudié con pasión el Griego Moderno —ya había estudiado el griego clásico en la Facultad— y tuve un encuentro deslumbrante con la Poesía al leer por primera vez a Odisseas Elytis y a Yorgos Seferis en su propia lengua. (En la Facultad me había imbuido de “Edipo Rey” de Sófocles, en griego clásico, y esa emoción aún la atesoro, como germen de mi fervor poético.) De ambas situaciones de lectura, recuerdo la hora del día, el asiento que ocupaba en el aula de la Facultad, y las fulguraciones de la luz filtrándose por la ventana.

 

3 — ¿Y cuando regresaste de Grecia?

 

         MB — Me recibí, me casé con el novio de Tucumán, y vinimos en 1972 a vivir a Buenos Aires, incitados por mi viejo, que amaba a su ciudad. (Tengo dos hijos: una mujer, la mayor, Silvina, y el varón, Demián, cinco años menor. Cuatro nietos.) Los años de la adolescencia y de estudio de la carrera de Letras fueron fundantes y gloriosos, a pesar de problemas personales. Estaba encantada con el estudio, la Facultad, los libros. A Julio Cortázar su madre lo llevó a un médico, preocupada porque “leía demasiado”. A mí también, a un neurólogo, porque sufría de dolores de cabeza y el médico me preguntaba: “Pero, ¿usted pasea, se distrae…?” Y en realidad yo estudiaba y leía en demasía. Me presenté para una ayudantía en Lingüística y quedé segunda; escribí mi primer ensayito sobre una “novela de la tierra”, venezolana, “Doña Bárbara”, de Rómulo Gallegos, y otro, apasionante, sobre el significado de la palabra Kátarsis, en la definición de Aristóteles de Tragedia Griega. Para este ensayo leí a un gran humanista, Pedro Laín Entralgo (“La curación por la palabra en la antigüedad clásica”) y a Albin Lesky en su obra “La tragedia griega”, entre otros. Lo cual me abrió la comprensión del poder “sanador” de la palabra; ya sabemos que las representaciones trágicas en la época de oro de la tragedia griega, tenían un valor curativo, educativo, transformador, y por eso mismo formaban parte de las fiestas que congregaban al pueblo y a los soberanos: las llamadas Fiestas Dionisíacas.

Esto del poder sanador de la palabra lo relaciono con mi trabajo como coordinadora de talleres de escritura y literatura. Abracé esta tarea muy tempranamente (1982); y siempre consideré que mi trabajo, más allá de dar herramientas para perfeccionar la escritura e iluminar la lectura, mejora la vida. Uno está trabajando con aquello que nos toca profundamente a todos. Nunca soy fría enseñando. El vínculo con el otro me dignifica y hace crecer. Me interesa ayudar a reconocer la calidad de una obra literaria, a discernir sobre la buena o mala literatura, el compromiso con la vocación escritural. Pero también —como te dije— me interesa el vínculo que se establece: uno comparte el embrión, lo creativo en estado puro, el arranque entrañable de la emoción, la música del pensamiento, del recuerdo, del corazón.

En la cátedra de griego clásico leo por primera vez en una versión espléndida “La Ilíada” y “La Odisea”. “La Ilíada” sigue siendo un libro de cabecera. Esa poesía estuvo siempre en mí. W. H. Auden hace referencia a la solemnidad trágica de esos versos medidos, ese hallazgo musical para expresar el dolor por la muerte de Patroclo; la majestuosa dignidad y belleza de los Cantos homéricos.

Me pidieron que fuera ayudante en la Cátedra de Griego I, pero a mí me atraía la literatura; y si bien estudié la española del Siglo de Oro y francesa contemporánea, lo que más me cautivaba era la literatura argentina y latinoamericana. Fue con un profesor paraguayo, Mariano Moriñigo, con quien descubrí a José Martí, a José Lezama Lima, “La vorágine” de Eustasio Rivera, “El indio” de Gregorio López y Fuentes, “Los de abajo” de Mariano Azuela, entre tantos autores que me conectaron con el sustrato indígena, el campesinado, el sometimiento, y la dignidad de seres en condiciones de vida muy precarias. También por entonces descubrí a Juan Rulfo y me consubstancié con el ensayo “El laberinto de la soledad” de Octavio Paz.

El tema de la marginalidad y las diferencias sociales lo trato en mi último libro, en el cual el personal doméstico —las muchachas— cobran protagonismo, en oposición a una burguesía —adinerada— que se empeña en ocultar y en aparentar.

Patricio Esteve y Rodolfo Modern, profesores porteños, dieron algunos cursos en la Universidad de Tucumán y con ellos me embarqué en Samuel Beckett, Eugène Ionesco, Antonin Artaud, el expresionismo alemán y el Teatro de la Crueldad en Michel de Ghelderode. Y otro, como materia extracurricular, con un profesor comprovinciano, Octavio Corbalán, y así accedí al primer Mario Vargas Llosa (el mejor): “La ciudad y los perros”, “Los cachorros”, y al primer Carlos Fuentes: “La muerte de Artemio Cruz”.

 

 

4 — Ya habrías descubierto al mencionado Cortázar.

 

         MB — Mucho antes. Y sus libros me esperaban en la mesita de luz. Él significó mucho para mí, y de eso quiero hablarte en relación a su humanismo redentor, su ideal de un hombre nuevo, apartado de la Gran Costumbre. Sus cuentos me subyugaron, dicté cursos sobre su cuentística y la novela mosaico, “Rayuela”, y en parte, sus principios los encontré hace pocos años materializados en el pensamiento de un psicólogo chileno, Rolando Toro, inventor de la Biodanza. Cuando la empecé a conocer me hallé con “los cronopios”, con mi manada. Digo esto porque papá desvalorizaba mi afectividad desbordante, el hecho de que yo centrara mi existencia en el lugar de la emoción. La Biodanza me permitió expresarla y ubicarla en el lugar que yo quería. En el centro de mi Vida. Eso no es fácil en la sociedad tecnológica en la que confluimos, pero por lo menos lo atesoro como ideal. Con Jorge Ariel Madrazo [1931-2016], amigo del alma, que conocí poco después de publicar mi primer poemario y que extraño muchísimo, solíamos hablar de esto. Del desgaste de la afectividad en el mundo de hoy, de la falta de contacto real. Del teléfono de línea mudo, de la comunicación por celular, etc. Yo me quejaba. Él, no. Me decía: “Vos tenés que entrar a Facebook.” Desde allí fue un militante fervoroso e incansable. Y para mí él fue un compañero de vida, un extraordinario interlocutor, un grandísimo poeta. Le presenté uno de sus libros de la última etapa e hice un prólogo para su “Obra reunida”, que finalmente no se pudo editar, en ciudad de México. Parte de ese prólogo se difundió en una edición especial, “Madrazo en el Corazón”, un homenaje de 92 páginas, en el número 37, agosto 2016, de la revista de poesía “Trilce”, que dirige desde Chile el poeta Omar Lara. Aprovecho para comentarte que me sentí orgullosa de que Jorge Ariel me eligiera para presentarlo y reseñar su trayectoria en la sala Borges de la Biblioteca Nacional, cuando recibió el Premio Rosa de Cobre otorgado en 2014 por la citada Institución.

 

5 — Ciertas expresiones artísticas, claramente, han influido en tu obra.

 

         MB — Mucho. El cine, la pintura, la escultura. En mi último libro, antes del final, el lector se encuentra con una glosa, a modo de intertexto, de una película china, “El río”, de Tsai Ming Liang. En el anterior, en la tapa, está la foto de “Hombre que camina”, escultura de Alberto Giacometti. Y en el primero hay un retrato de mujer, una carbonilla, “Melancolía”, del pintor argentino José Marchi. Fue un impacto el descubrimiento de estas figuras alargadas y frágiles de Giacometti, con una expresión feroz en el rostro, que yo diría radica en la determinación para vivir, el impulso de vida del hombre en una contemporaneidad que nos condena a una inorgánica soledad. Observarlas en el Museo Miró de Barcelona me produjo una emoción que decantó en el segundo poemario y que ya desde el título anuncia una aceptación de lo real desde una madurez que duele. Sin embargo, el dolor de “saber” trae consigo una mansa reparación y el poema “Çest si bon”, con el que concluyo el libro, lo describe. A Gyula Kósice lo conocí, me adentré en sus esculturas acuáticas y está presente en mi búsqueda de sosiego y como remanente en algunos textos. Una instalación de un artista veneciano, Fabrizio Plessi, es la base de uno que se titula “Nana para tía Elvira”. Además tengo otro que siempre gusta en las lecturas, inspirado en Edward Hooper, en su cuadro “Mujer sentada”. Y en “El río secreto” el primer epígrafe es del escultor rumano Constantin Brancussi: “Toda mi vida he buscado la esencia del vuelo. El vuelo. Qué felicidad.” Su obra escultórica me inspiró, quizás porque me identifico con su exploración de un mundo más armónico. Sobre él dice Mircea Eliade: “Basta dejarse llevar por la potencia de las obras de Constantin Brancussi para recuperar la beatitud olvidada de una existencia libre de todo sistema de condicionamientos.”

 

         6 — ¿Cuándo comenzaste a escribir poesía?

 

         MB — Cuando regresé de Grecia. Durante un tiempo había llevado un Diario Íntimo, había intentado algunos poemas sueltos, y trabajos para la Facultad. Con continuidad me aboco en Buenos Aires, cuando empiezo a dictar clases de Literatura en el Instituto Mariano Moreno, para la carrera de Periodismo. En 1975 me sorprendo con “Residencia en la tierra” de Pablo Neruda: “Sucede que me canso de ser hombre…” En la Facultad, poco de poesía. Leopoldo Lugones, entre otros. Por ejemplo, Ricardo E. Molinari: “Quien no haya oído al viento lamentándose en el hielo / no sabe lo que es el recuerdo. / Yo tengo los labios húmedos / de mirar por una ventana.”

Descubro a Louis Ferdinand Celine por una colaboración que me piden para “La Gaceta de Tucumán” (diario en el que durante 1972 publico reseñas literarias). Y a un cuentista que después conocí en “Clarín”: Ignacio Xurxo (seudónimo). También al paraguayo Elvio Romero. Se publican artículos míos sobre ellos en la Gaceta. Que es cuando empiezo a colaborar en la sección Bibliográficas del suplemento cultural de “Clarín”. El director era Fernando Alonso. Por el diario, en plena dictadura militar, leo con devoción a Juan José Saer y reseño una antología que él mismo seleccionó, “Juan José Saer por Juan José Saer”, Editorial Celtia, 1986,  con un exhaustivo estudio de María Teresa Gramuglio. “El limonero real” constituye un hito en mi condición de lectora. Él es un narrador eminentemente poético, con sus innovaciones formales audaces. Y llega a mis manos, también para comentar en el diario, una antología sobre Juan L. Ortiz, editada en Rosario, con estudio preliminar de Edelweiss Serra (Juan L. Ortiz, Antología Poética, Coquena  Ediciones, 1982). Ese volumen me despierta a una poesía leve, contemplativa, con una sintaxis particularmente extendida; una poética trascendente y también social, que habría de incidir en mi poeticidad. Ya bastante más adelante continué con lecturas de Arnaldo Calveyra, también, como Juanele, entrerriano, atento a lo que podríamos definir como “registro de la percepción”, y que se nos fue a residir y a morir en París. De él prefiero “El libro de las mariposas”.

En 1982 me separo, empiezo a dictar talleres de narrativa y poesía como medio de vida, actividad que sigo amando como el primer día. Me satisface guiar a los alumnos, sorprenderlos con lecturas esenciales, colaborar en reelaboraciones de los textos, ayudarlos a objetivar lo que escriben, a “desenamorarse” (la lectura en voz alta es una herramienta imprescindible en este sentido). Todavía en aquel año había pocos talleres literarios. Y escribo poesía sin apuro en publicar, porque estoy aplicada a la docencia y a criar a mis hijos. Un año después me deslumbro con Oliverio Girondo, Felisberto Hernández, César Vallejo, Edgar Bailey, Enrique Molina y Joaquín Giannuzzi. Conozco a algunos escritores en el taller que coordinaba la narradora Syria Poletti. Ese grupo deviene en un grupo de pertenencia: nos reunimos para escribir (y yantar). Nos llamamos “Los Imaginantes”. Hacemos recitales de poesía en el Teatro Municipal General San Martín, en bares de la ciudad de San Isidro, en el Club El Progreso, de la calle Sarmiento. Publicamos y presentamos el volumen de cuentos “Sociedad de sueños”. Allí está el germen de la voz lírico-narrativa de mi último libro: en dos cuentos: “La chica Agüero” y “La equilibrista”.

 

7 — ¿Por dónde más transitaste?

 

         MB — Cursé escritura, lectura y teoría literaria con Nicolás Bratosevich. Y durante un tiempo breve con la dramaturga Diana Raznovich. Escribía ya con regularidad y descubro poesía de mujeres: Liliana Lukin, Irene Gruss, Susana Villalba, Delia Pasini, Susana Thénon, Idea Vilariño. De Gruss tengo presente su poema “Mientras tanto”, esa escritura depurada, austera: plena dictadura y el encierro doméstico mientras acuna al hijo. Tomé un curso en el Centro Cultural Ricardo Rojas con Jorge Panesi, sobre Felisberto Hernández, y otro en la Facultad de Filosofía y Letras de la Universidad de Buenos Aires con Ricardo Piglia (y así me involucro más profundamente con Jorge Luis Borges y Manuel Puig). Diego Viniarsky, amigo querido fallecido trágicamente a los cuarenta años, me invita a leer en la sede de la UBA de la calle Puán (es una de mis primeras lecturas en público) y escribo a pedido de él un artículo para la hermosa revista que dirigía: “El Perseguidor” (2002). Trataba sobre el lenguaje “sesgado” de la poesía de los ochenta, la ineludible mordaza de los años oscuros.

Fue a partir de un encuentro fortuito con el poeta y ensayista Santiago Kovadloff que en 1999, después de dos décadas, publico mi primer libro. Me dijo: “¿Vos qué esperás para salir de la clandestinidad?”. Ese mismo año, el poeta Alex Pausides, vicepresidente por entonces de la  U. N. E. A. C. (Unión de Escritores y Artistas de Cuba), me invita a su país. Fue una experiencia incentivadora. Leo la ponencia “13 Jornadas para un Taller Literario” (la mesa desborda de “escritos desesperados”, pedidos de devolución en papeles arrugados, recibidos en galpones y salitas de escuela, muy precarios). Numerosos coordinadores me agasajan: allí los talleres son una institución y están organizados por jerarquías, niveles. Conocí, además, en La Habana a una poeta que admiro: Reina María Domínguez. Al año siguiente coordino un Taller de Poesía en la ciudad de La Plata: “Del surrealismo a la poesía actual”, invitada por la Dirección de Cultura de la Municipalidad de La Plata (encuentro organizado por la escritora Martha Berutti). En el nº 9, de junio de 2003, poemas míos se publican en la revista-libro “Hablar de Poesía”. Leo en 2004 en “La Anguila Lánguida”, la muestra de poesía que vos organizaste, y en el XII Festival Internacional de Poesía de Rosario. Del Festival me conmueven la solemnidad de ese auditorio multitudinario, la escucha de esa mezcla de escritores y público no especializado, pero interesado.

 

 

8 — Siendo el poeta Horacio Salas el director de la Biblioteca Nacional comenzaste allí a coordinar un Taller de Poesía para Jóvenes.

 

         MB — Sí, en 2003. Y después del breve período de Elvio Vitali como director, continué con Horacio González, ensayista, sociólogo, docente y novelista, quien llevó a cabo una gestión excelente, ampliando los talleres a la comunidad. Mi quehacer con jóvenes me vincula con una poesía menos frecuentada hasta ese momento por mí. La tarea es exigente. Aprendo de ellos. Son ávidos, rapidísimos en la asimilación, entusiastas y dramáticos. Escriben bien. Les atrae la desarmonía, el presente, el coloquialismo. Ausencia de nostalgia. Argentinos y numerosos latinoamericanos. Lamenté dejar de tener esa ventana al mundo cuando me despidieron las nuevas autoridades a principios de 2016. Gran bajón: había trabajado durante trece años. Me estimulaba aquel contacto, el desparpajo, la espontaneidad, las ganas, el talento incipiente. Los textos de ellos se fueron publicando en la revista “Coartadas” de la Biblioteca Nacional.

 

9 — Mencionaste a la Biodanza.

 

         MB — Darle bolilla al cuerpo, y al alma. Accedo a ella en 2005 y en 2010 me recibo de Facilitadora de Biodanza, título otorgado por la International Byocentric Foundation. El cuerpo me pide movimiento. Muchas horas sentada, dando clases o en la computadora, escribiendo; los músculos se tensan demasiado. Una vez por mes viajo a San Antonio de Areco durante cinco años a estudiar en una escuela de Biodanza que dirigen Jorge Terrén y Betina Ber: una indagación liberadora. “Una poética del encuentro” que después quise incorporar a mis clases, y de hecho lo logré durante un lustro. Talleres de creatividad literaria, de ahondamiento en la instancia inspiradora, a partir del movimiento, la música y la poesía. La práctica de esta disciplina me conectó con una mayor naturalidad y alegría en mi trabajo de Taller.

 

10 — Alegría.

 

          MB — Sí, porque el movimiento libera, ayuda a deponer el “ego”, a soltar lo cortical y te conecta con la alegría del cuerpo: la danza, la música y el encuentro con el otro. Y por otra vertiente, siento tristeza: por el país y por el mundo. La película italiana “La grande bellezza” de Paolo Sorrentino me encantó y me ronda. Ya decantará en mis textos su resonancia. Inicié mi cuarto libro, el que se perfila también como nouvelle.

Te cuento que estoy leyendo a Sharon Olds nuevamente y a Selva Almada. Me duelen las dos. Soy de leer tanto narrativa como poesía. Y el ensayo me fascina. También vi una Instalación del artista y músico británico Brian Eno: me empezó a “repiquetear”. Creo en la dignidad del arte para llegar al Ser. Ya dijo Heidegger: “Los poetas son los guardianes del fuego sagrado del hombre, los guardianes del Ser”. Uso esta frase en el Taller para “ablandar”, poner en órbita, que se agiten los fantasmas, las obsesiones más recónditas . La Poesía, flecha que se dirige a un blanco: Tensar la lengua hasta acercarse a Eso que se quiere decir y que uno desconoce. Estamos subsumidos en la incertidumbre pero saberlo consuela. Como dice Roberto Juarroz: “Quizá debamos aprender que lo imperfecto / es otra forma de la perfección: / la forma que la perfección asume / para poder ser amada”. Siempre con la lectura como telón de fondo esencial. No hay otra.

 

 

11 — ¿¡Así que naciste en la misma ciudad que Juan Bautista Alberdi (1810-1884), Leda Valladares (1919-2012), Tomás Eloy Martínez (1934-2010) y Mercedes Sosa (1935-2009)!?…

 

         MB — Sin desmerecer en nada a las figuras insignes que nombraste y que descollaron en el ámbito nacional e internacional, Rolando, me interesa Leda Valladares: poeta, compositora, cantante e investigadora musical. ¿Sabés?, me atraen su bajo perfil y su rebeldía frente al tradicionalismo provinciano. Ella, que provenía de una familia “paqueta” de Tucumán, se abocó al rescate de la música recóndita del norte argentino, despreciada por cierta élite de gustos europeístas. Se interesó por la baguala, la copla —cantos dolientes que tanto dicen— y los grabó, los recopiló, los cantó. Recuerdo versos suyos que aprendí de memoria en mi adolescencia y que no sé si están musicalizados: “La música me hace vasija / concavidad de barro antigüo / retumbo angustioso de lejanías.”

 

 

12 — Suelo interesarme por los artículos y ensayos concebidos por poetas argentinos, inéditos o difundidos circunstancialmente, a veces sólo de modo oral. Es tu caso, Marta. ¿“Dan” como para reunirlos en un volumen?

 

MB — Debo confesarte que el ensayo es mi género preferido. No sé si se debe a mi formación en Letras y al hábito de investigación que la facultad fomentó; pero la realidad es que atesoro recuerdos maravillosos de numerosas lecturas. Este género, personalmente, me aquieta, me ordena, me abre hacia niveles de pensamiento esclarecedores y lúcidos. Qué placer leer “La originalidad artística de La Celestina” de María Rosa Lida de Malkiel; o “El Hamlet de Shakespeare” de Salvador de Madariaga, “Onetti. Los procesos de construcción del relato” de Josefina Ludmer, “Sófocles y la personalidad de sus coros” de Ignacio Errandonea y tantos otros que, nombrarlos, alargaría demasiado este diálogo. Tu pregunta me atañe muchísimo. Te diría que, además de los  trabajos que he ido mencionando, guardo entre mis escritos un ensayo breve sobre el hermosísimo cuento “Los novios” de Haroldo Conti, autor que admiro y que aconsejo leer en mis clases por su peculiar uso de la “levedad”. Y para concluir: claro que me gustaría publicar mis ensayos; pero por ahora  no está entre mis  proyectos inmediatos.

 

 

        13 — ¿Y tus cuentos…? ¿Has seguido escribiendo narrativa?

 

         MB — Sí, estoy escribiendo una nouvelle en el estilo de “El río secreto”, con esa voz niña de intensidad poética cercana a la “percepción”. Me crió una niñera, Hortensia Juárez, tucumana mestiza de tierra adentro, sufrida, trabajadora. Su persona me ronda y ya he concebido algún diálogo, recuperándola. En este caso, otra vez el cine me dispara creación: en la película “La grande bellezza”, en la que ya me detuve, el personaje protagónico, un escritor, que vagabundea desencantado por las calles de Roma bajo la tenue luz de la madrugada, se confiesa con su empleada doméstica, Ramona, mientras ella lava los platos o, apartado, en una gran fiesta galante sobre una magnífica terraza de la Ciudad Eterna.

 

 

14 — ¿Puedo pedirte que sopeses lo que de cuatro escritores voy a encomillar y nos trasmitas lo que adviertas de mayor proximidad con tu pensamiento, con tu sentir, y reflexiones?…: Roberto D. Malatesta: “La poesía, se sabe, desprecia al impaciente.” Edna Pozzi: “…La poesía que no nos hace mejores ni distintos, sólo demuestra, por reducción al absurdo, la infinita vulnerabilidad del ser y sus símbolos y en definitiva la precaria condición de la palabra en un mundo de sordos necesarios.” Alfredo Palacio: “La poesía nace del exceso, la desmesura, con la búsqueda insaciable por lo vedado.” Astrid Lander: “La poesía no se escribe, / lo escrito es apenas / un esbozo / de lo que en verdad es poesía.”

 

         MB — Siento próxima la frase de Alfredo Palacio, Rolando. Además, aprovecho para decirte que me alegra que lo hayas nombrado porque es un amigo de la poesía y de la vida. No sé cómo entender “lo vedado”. Quizás como ese “todo” al que no se llega nunca y que la poesía intenta alcanzar, por cierto. Lo que me toca de su definición es la idea de “desmesura”. “Desmesura” en griego clásico se corresponde con el vocablo Hybris, y este vocablo del universo de la gran Tragedia Griega, señala una acción condenada por los dioses para el que osaba ir más allá de los límites o desafiarlos. Se consideraba, en la Grecia Clásica, que el que desafiaba a los dioses cometía el pecado de soberbia y era condenado por ello. Digo, ¿no podemos pensar al poeta como un rebelde que crea “otra” realidad con el lenguaje y con ello pretende hacer más visible lo real y transformarlo? ¿Y la famosa frase de Saint John Perse: “El poeta es la mala conciencia de su tiempo”? ¿Y no sería entonces el poeta un “desmesurado”, que se aventura en su quehacer con empecinamiento inaudito, persistiendo, sin vacilar? Y concluyo con Juan Gelman con algo de humor: “¿…pero quién me manda / a esperar un verso / en una esquina?”

 

         15 — ¿Poetas valorables y con mucha obra con los que no hayas podido “comulgar”?…

 

         MB — Tiempo atrás, no podía entrar en la poesía de Arturo Carrera, hasta que para un cumpleaños, Rita Kratsman, poeta y amiga, me regaló de ese autor “Vigilámbulo” (Poesía Reunida), y la lectura de “El vespertillo de las Parcas” (1997) me deslumbró.

 

 

          16 — En un texto titulado o conocido como “Olga por Olga” se pregunta Olga Orozco (1920-1999): “¿Me fui del todo alguna vez?”, refiriéndose a Toay, la localidad pampeana en la que había nacido. ¿Te has ido del todo, Marta, de San Miguel de Tucumán?

 

         MB — En verdad, no. “Si siempre estoy llegando”, dice la letra del tango compuesto y recitado por Aníbal Troilo (“Nocturno a mi barrio”). Siento añoranza, aunque también me reconozco muy porteña. (Los años en Buenos Aires superan ampliamente los vividos en Tucumán.) “La infancia, esa lluvia de la que nunca nos secamos” —supo discernir Juan José Saer. Cito esta frase porque considero que la infancia efectivamente está siendo siempre. De modo que mi corazón mira hacia el pago. Por las reminiscencias y sobre todo, por el paisaje perdido. Lo que más extraño es la presencia del Aconquija desde cualquier bocacalle de la ciudad de San Miguel de Tucumán. Qué privilegio divisar el Cerro San Javier. Ese azul cordón montañoso, punto lejano de sosiego y anclaje, horizonte a contemplar para ensanchar la vista y el alma. Y extraño los azahares de los naranjos en octubre, el “terco e invencible olor de los azahares” (Enrique Molina). De hecho, el escenario de “El río secreto” es la ciudad de San Miguel de Tucumán; y acabo de presentarlo allá, antes que en Buenos Aires. ¿No dice, acaso, Atahualpa Yupanqui: “Cuando se abandona el pago / y se empieza a repechar / tira el caballo adelante / y el alma tira pa´ trás.”?

 

 

         17 — ¿Algunos trazos sobre la producción literaria y pictórica en tu provincia?

 

         MB — Mirá, aprovecharía este espacio para recordar a un narrador tucumano olvidado que se llama Fausto Burgos (1888-1953). Leí de joven un cuento que me marcó, con personajes de la Puna. Entre otras personalidades podría nombrarte a Genié Valentié (1920-2009), o María Eugenia Valentié, profesora, en mi época de Facultad, filósofa y traductora; Emilio Carilla (1914-1995), lingüista erudito, también profesor universitario; David Lagmanovich (1927-2010), escritor y crítico literario. En el campo pictórico opto por nombrar a Gerardo Ramos Gucemas, español nacido en Extremadura, pero residente desde hace mucho en mi provincia. Gucemas es representante de una pintura única, original, fuerte, comprometida con los derechos humanos. Se reconoce “hijo de Goya”. Dice en una nota: “El cuadro que vale es el que aporta alguna inquietud, algún malestar; algo que haga sospechar que las cosas, que el mundo, no están bien.”

 

 

          18 — Es a la crítica literaria a quien le transfiero interrogantes que se formula en el Nº 21, julio 2005, de la revista “La Bota Literaria”, Claudio González Baeza: “¿Es necesaria la crítica literaria? ¿A dónde lleva el leerla? ¿Los autores necesitan de ella para continuar produciendo?”

 

         MB — En mi caso particular, los comentarios críticos que recibí por  mis dos primeros libros, me ayudaron a reconocer mi propia estética y mis búsquedas. Uno no sabe bien lo que escribe: uno escribe; y, a veces, la crítica —seria y fundamentada— te abre hacia conceptos, emociones o herramientas lingüísticas que uno tiene en su haber sin reconocerlos. Por otra parte, siempre ejerzo y he ejercido la crítica literaria —en reseñas para diarios, en las clases de taller, en devoluciones a amigos y no tan amigos; es parte de mi vida, la respeto como disciplina, siempre y cuando se realice, como dije, con honestidad ética e intelectual.

 

 

*

 

Marta Braier selecciona poemas de su autoría para acompañar esta entrevista:

 

 

 

Mujer sentada

 

 

Pero sé que debo hablar de esa puerta,

en un hotel para turistas de la calle Cangallo.

 

Recuerdo con nitidez un finísimo rayo de sol

y las partículas del aire jugando con la luz.

(Ah el sencillo fulgor de una habitación en penumbras.)

 

Estoy sentada sobre un sucio cobertor.

 

El conserje me entregó la llave de la diecinueve

y miró con cara de nada

cuando le hablé de tiempo de sosiego.

 

Cerró la puerta y me dejó queriendo comprender.

 

(Los mosaicos hacían muecas con su geometría.)

 

Poco importa si por la calle pasa un hombre,

si hay una fábrica, un frigorífico o muchos árboles.

Pero, el aire. ¿Entra por los pulmones, sale o permanece?

 

¿Qué hago, qué hago aquí,

en un cuadrado sórdido y ajeno?

Ajeno. Sórdido. Agujero del mundo, digo.

 

Sentada sobre un sucio cobertor.

 

                                                                   

 

                                   (de “Gestos de minué”)

 

*

La carcoma

 

en la madrugada

sube por las calles

un lied de Schubert

 

sube      baja     gime

 

es Ella otra vez

Canta

 

entre cartones canta

en una lengua extraña

 

y corre baba, ¿oís?

 

un himno grotesco

mece la ciudad.

 

 

                               (de “Ésta es la tierra, corazón”)

 

 

*

 

 

C´est  si  bon

 

 

El piano

dejaba oír suaves notas

y la casa latía

 

Era  cierta la tarde

en la ventana

 

Ahora

todo es precario, leve, azaroso

bellamente humano

 

Acaso

el peso de mi cuerpo

sea la única certeza

 

Ésta es la tierra, corazón:

hebras de luz

un acorde sencillo.

 

(de “Ésta es la tierra, corazón”)

 

*

 

Es la llegada de los panaderos del aire

 

la abuela dice que hay que pedir un deseo y soplar fuerte

para que el deseo se cumpla

 

ella pide:      ahí va

 

 

(el deseo)

 

                           (de “El río secreto”)

 

*

 

Algo se gesta en la sala de espera     algo que flota sobre los

cuerpos y las cosas y el aire del verano es aún más denso

 

las voces han ido apagándose entre las mujeres y la tarde se hace

pesada y cómplice

 

nadie se mira      hay ojos estacionados en un punto y un sabor

amargo en las bocas

 

gatos hambrientos     las mujeres dejan soltar una mueca hostil

y melancólica

                                                                      

                                          (de “El río secreto”)

 

*

 

El techo del comedor de lujo gotea

 

Antonia ha puesto un balde y el padre ha subido a la terraza

para encontrar el origen

 

qué origen      no hay origen     hay un agua que corre y no cesa

 

las gotas son cada vez más anchas y la casa hace música de

goterones

 

el balde en el centro como un dios indiferente

 

 

                                                          (con música de Cage)

 

                                                       (de “El río secreto”)

 

*

Entrevista realizada a través del correo electrónico: en la Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Marta Braier y Rolando Revagliatti, 2017.

 

http://www.revagliatti.com.ar/070106_a.html

http://www.revagliatti.com.ar/070106_b.html

http://www.revagliatti.com.ar/991209.html

http://www.revagliatti.com.ar/040308.html

 

*

Libro Braier 1 - Gestos de minué - Tapa más grande

Libro Braier 2 - Ésta es la tierra, corazón

Libro Braier 3 - El río secreto

Marta Braier 3

Índex* – Outubro, 2016

Que o mais breve dia

Pareça o 

Leve farfalhar do

Espírito

(“Axioma 1”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 26/10/16, 05h30)

O leve farfalhar da Palavra no Índex de Outubro, 2016 no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

“La bambina dagli occhi verdi” | Patricia Tenório.

“‘O retrato de Dorian Gray’, de Oscar Wilde: Um romance indicial, agostiniano e prefigural” | Patricia Gonçalves Tenório.

Fernando Py (RJ – Brasil) & “A menina do olho verde”.

Entrevista con Luis Raúl Calvo (Argentina) en “Generación Abierta” – 18/10/16.

“Ancoradouros” | Kiko Alves (RN – Brasil).

Um diálogo com Maria Cláudia Gastal Ramos (RS – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – 30/10/16 | Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PB/PE – Brasil).

Agradeço a participação e carinho, a próxima postagem será em 27 de Novembro de 2016, grande abraço e até lá,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – October, 2016

That the shortest day

Seem the

Rustle of

Spirit

(“Axiom 1”, Patricia (Gonçalves) Tenorio, 26/10/16, 5:30 a.m.)

 

The rustle of the Word in the Index of October 2016 on Patricia (Gonçalves) Tenório‘s blog (PE – Brasil).

“La bambina dagli occhi verdi” | Patricia Tenório.

“‘The Picture of Dorian Gray’ by Oscar Wilde: An indicial, Augustinian and prefigural novel” | Patricia Gonçalves Tenorio.

Fernando Py (RJ – Brasil) & “The green eye girl”.

Interview with Luis Raul Calvo (Argentina) in “Generación Abierta” – 10/18/16.

“Mooring” | Kiko Alves (RN – Brasil).

A dialogue with Maria Cláudia Gastal Ramos (RS – Brasil).

Group of Studies in Creative Writing – 10/30/16 | Bernadette Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PB / PE – Brasil).

I appreciate the participation and caring, the next post will be on November 27, 2016, big hug and see you there,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** “O observador”, DS Tenório (PE – Brasil), Aquarela, 24/10/16. “The observer”, DS Tenório (PE – Brasil), Watercolor, 10/24/16.

Contato/Contact: https://m.facebook.com/profile.php?id=1712916668938186&tsid=0.8382744737900794&source=typeahead 

Entrevista con Luis Raúl Calvo en “Generación Abierta” – 18/10/16

generacion-abierta-en-radio-martes-18-de-octubre-de-2016

Índex* – Maio, 2016

Que sabor tem um Beijo? Para ele? Para ela? Tem o gosto de encontro, encontro assim meio de lado, a cabeça de Manoela deitada de lado para receber o Beijo de Pedro. Era feito um aconchego, aquela cabeça deitada, no ombro de seu amado. O Beijo, assim torto parecia. Mas não era torto, era místico e ali se fazia um santuário.

            Naquele instante celestial, um Raio de Sol tocou a Cabeça de Manoela. A Cabeça da menina permanecendo deitada, pendendo assim para o lado, era mais fácil o Raio de Sol a tocar e se inserir no pensamento. Houve então uma Epifania. Todos os momentos vividos, o antes, o agora, o depois explodiram em Manoela, como se fossem um instante só. E a menina-mulher podia no corpo de Pedro entrar, no corpo do homem-menino penetrar, feito o ar em seus pulmões.

(Trecho de A menina do olho verde, de Patricia (Gonçalves) Tenório)

 

O Amor em cada instante do Índex de Maio, 2016 no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

Lembrete da Editora Raio de Sol, Livraria Cultura & Patricia (Gonçalves) Tenório (Recife, PE – Brasil) | lançamentos dos livros físico e virtual “A menina do olho verde”.

Entrevista e Crítica de Raúl Galache García (Madri, Espanha) | “Vinte e um” / “Veintiuno”, de Patricia (Gonçalves) Tenório).

Amor Amor | Alcides Buss (SC – Brasil).

A vaidade de Pedro | Clauder Arcanjo (Mossoró, RN – Brasil).

Pérolas em “Amor e outros desastres” | Alexandra Lopes da Cunha (Brasília, DF / Porto Alegre, RS – Brasil).

Convite de Antonio Aílton (São Luís, MA – Brasil) | “Compulsão agricode”.

Agradeço a participação e o carinho, a próxima postagem será em 26 de Junho de 2016, um abraço bem grande e até lá.

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – May, 2016

What flavor has a kiss? For him? For her? It has the taste of meeting, meeting so sideways, the head of Manoela lying on her side to receive the kiss of Peter. It was like a warmth, that lying head, on the shoulder of his beloved. The Kiss, so crooked it looked. But it was not crooked, it was mystical and there was made a sanctuary.

That heavenly moment a Sunbeam touched Manoela’s head. The girl’s head remained lying, and hanging to the side, it was easier the Sunbeam to touch her and insert in her thought. Then there was an epiphany. All moments lived, before, now, after burst into Manoela, like an only moment. And the girl-woman could enter in the body of Peter, in the man-boy’s body penetrate, like the air in his lungs.

(Excerpt from “The girl’s green eye”, Patricia (Gonçalves) Tenório)

Love in every moment of the Index of May, 2016 in Patricia (Gonçalves) Tenório’s blog.

Reminder from Raio de Sol Publisher, Livraria Cultura & Patricia (Gonçalves) Tenório (Recife, PE – Brasil) | launching of the physical and virtual books “The girl’s green eye”.

Interview and Critic from Raúl Galache García (Madrid, Spain) | “Twenty-one” / “Veintiuno,” Patricia (Gonçalves) Tenório).

Love Love | Alcides Buss (SC – Brasil).

Vanity Peter | Clauder Arcanjo (Mossoro, RN – Brasil).

Pearls in “Love and other disasters” | Alexandra Lopes da Cunha (Brasília, DF – Brasil / Porto Alegre, RS – Brasil).

Invitation Antonio Ailton (São Luis, MA – Brasil) | “Compulsion agricode”.

I appreciate the participation and kindness, the next post will be on June 26, 2016, a big hug and see you there.

Patricia (Gonçalves) Tenorio.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** O nascimento de um”A menina”… Fotos: Jaíne Cintra (Moreno, PE – Brasil). The birth of  “A girl”… Photos: Jaíne Cintra (Moreno, PE – Brasil).

Entrevista e Crítica de Raúl Galache García (Madri, Espanha) | “Vinte e um” / “Veintiuno”, de Patricia (Gonçalves) Tenório).

VEINTIUNO_2 (1)

Entrevista:

http://www.azayartmagazine.com/entrevista-a-la-escritora-patricia-tenorio/

Link para compra de Vinte e um / Veintiuno:

http://www.mundibook.com/producto/vinte-e-um-veintiuno/

 

Raúl Galache García

Escritor, profesor de Lengua y Literatura y crítico literario

13/04/2016

 

Llega este libro de la mano de Editorial Mundibook en edición bilingüe. Acierta la editorial al ofrecer la palabra original y la traducida, pues es esta, la palabra, sin duda, una de las protagonistas de la obra.

Patricia (Gonçalves) Tenório no es nueva en esto de la literatura. Escritora desde 2004, cuenta con ocho obras publicadas. Una autora polifacética que se mueve con soltura en la poesía, la novela y el cuento, seguramente porque, al fin y al cabo, la creación es una para quien se vale de la palabra bien forjada. No en vano su obra ha sido galardonada en varias ocasiones.

Veintiuno es un libro de veintiún relatos breves, de esos en los que la condensación juega a favor de la autora y del lector. Como bien dice el escritor Diego Vadillo en su esclarecedor prólogo:

“Los relatos que el lector encontrará en este libro pertenecen a un universo —ese, particular, de la autora que los concibió—, un universo atrapado en el universo-libro“.

Pero no solo es eso. Más bien, cada cuento configura su propio universo, su propia realidad alumbrada y limitada por el lenguaje. Por ello, no es de extrañar que el primero de los relatos, “Alicia en el espejo”, tenga como argumento el de la primera palabra pronunciada por una niña. “Al principio existía la palabra”, dice la cita bíblica. Y así es. Solo conocemos la realidad por medio del lenguaje y solo el lenguaje configura la realidad; como dijo Wittgenstein: “Los límites de mi lenguaje son los límites de mi mundo”. En este primer relato, vemos cómo la protagonista ya conoce su propia realidad y se la explica a sí misma. El paso que da del lenguaje interior al lenguaje exterior lo hace, meramente, por complacer a los adultos. Tras este primer cuento, que abre el libro a modo de “Génesis”, comienza una serie de piezas de fuerte expresividad. En todas ellas destaca la capacidad de Patricia Tenório para crear un microcosmos sólido en un espacio muy breve. Son sus personajes los que crean esa realidad a la que asiste el lector. Es una palabra artística, o lo que es lo mismo, poética; es decir, creadora. Leemos en “Alicia ante el espejo”:

“Me desperté con el bigote de mi padre dándome un beso. No sé de dónde vino, tal vez fue el sofá, blandito, bonito, que juntó una ppp con la aaa y las colocó en mi boca, para complacer a papá”.

Pero, como decíamos, el lenguaje tiene dos dimensiones: la interior y la exterior. El lenguaje interior es el que nos explica nuestro pensamiento. Es este otro de los puntos clave del libro. Los personaje deVeintiuno crean su propia realidad, pero esta acaba enfrentada a la del mundo. Lo vemos en el segundo relato, “María-María”:

“No podían besarse, abrazarse, acariciarse. Pero se miraban la una a la otra como para teletransportase, y miraban bien a lo lejos y cada vez más cerca la piscina azulada creada a través de la cantera”.

La protagonista queda suspendida en el vacío y es su propia mente la que da sentido a ese momento, al margen de lo que el resto de personajes que asiste a la escena entienden que sucede.

Las ensoñaciones forman parte fundamental de la obra. En “Una mirada hacía Estambul”, el título lo dice todo. La forma de mirar la realidad de la protagonista crea la ciudad. La narradora se imagina en otro tiempo, presa en “el harén del palacio de Topkapi”, y la imagen se carga de tal fuerza que el lector la da por cierta.

Al fin y al cabo, no hay más certeza que la que uno ve, no hay más realidad que la que cada cual contempla y crea. En “Estudio 2100″, asistimos a una distopía, un futuro en el que “los libros están registrados bajo el derecho de autor y el orden elegido por la Curia Mayor de Intelectuales”. En tal mundo, el protagonista se sabe escritor:

“Siente las letras pulsando por sus venas, pidiendo pasar de las manos al papel, de los sueños a la realidad”.

“Pasar de los sueños a la realidad”; tal vez sea este el secreto de la escritura para Patricia Tenório. La ensoñación se hace cierta al materializarse en palabras. Como dice el narrador de este mismo cuento:

“Escribe para coger estrellas”.

El don de la palabra creadora, que solo es dado a algunos, pero, eso sí, a cambio de un precio, como le sucede a Pedro, el protagonista de “Estudio 2100″: “De tanto amar, está triste”.

Como ya podrá intuirse, los personajes de Tenório viven a corazón abierto. Se dejan traspasar por la vida, y, al mismo tiempo, la toman al asalto. “El club de los suicidas” tiene como protagonista a José, cuya pasión por vivir ahuyenta las ansias de morir. Dice así el narrador:

“Y algunos de los suicidas, en vez de arrojarse, iban allí, bien callados, a escuchar los sueños de José, los sueños que él no sabía escribir, solo contar; no sabía el porqué, solo recordaba”.

Precisamente en este cuento, “El club de los suicidas”, apreciamos otra de las habilidades de la autora: su capacidad para configurar una realidad onírica, a veces cercana a la pesadilla, lindando en ocasiones con el Surrealismo; y lo hace con muy pocas palabras. Así comienza, por ejemplo, “Incendio”:

“Había cadáveres, allí tumbados, arrojados, dejados en el suelo. En el pasillo del hospital, se veían niños, adultos, viejitos con los rostros medio quemados, medio cortados, medio lavados por el fuego portentoso”.

Patricia Tenório crea imágenes vibrantes y potentes, de las que atrapan al lector y no lo sueltan hasta que concluye el relato. Acudimos de nuevo al prólogo de la obra, donde dice Diego Vadillo, con mayor acierto que nosotros:

“No sabría decir con exactitud si en estos relatos se hace cotidiano lo inaudito o, al contrario, se empuja a lo cotidiano hacia el borde del precipicio de la más sugestiva e imprevisible dislocación lírica”.

Finalmente, el conjunto de palabras, personajes, imágenes y situaciones —microcosmos, en suma—crea una visión particular de la realidad, la de Patricia Tenório, una mirada trascendente. De nuevo acudimos a Vadillo, que dice así:

“Cada relato es un flanco existencial contemplado trascendentemente por Tenório”.

Nada es superficial en este libro. Como en toda buena obra literaria, se le deja al lector la opción de elegir. Él es quien decidirá hasta qué punto quiere ahondar en este universo-libro que es Veintiuno.

(Em www.azayartmagazine.com/veintiun-microcosmos-de-palabras-veintiuno-mundibook-2016-de-patricia-goncalves-tenorio/)

“Uma voz vinda de outro lugar”, de Maurice Blanchot: Uma ópera em quatro atos e uma peça teatral | Patricia Tenório*

05 e 06/04/2016

 

I Ato – Louis-René des Forêts

Encontro-me no Theatro (São Pedro?) Estadual. Aguardo para assistir ao espetáculo Uma voz vinda de outro lugar,[1] conduzida pelo maestro-escritor-ensaísta- romancista-crítico de literatura francês nascido em Quain, Saône-et-Loire, Maurice Blanchot (1907-2003). As cortinas da primeira página estão cerradas e não sei ao certo que tipo de espetáculo irei encontrar nesse teórico-poeta de O livro por vir,[2] livro que me falava de Joubert, o escritor do Não tratado em “O Bartleby que nos habita ou Uma voz vinda de outro lugar”.[3]

Começo pelo silêncio. Escolho algumas cenas desse palco-livro-espetáculo. Blanchot tem o dom de se amalgamar ao texto poético ao mesmo tempo que o analisa. Ele emite um primeiro acorde com Louis-René des Forêts em Ostinato.

Um sonho, mas existe algo mais real do que um sonho?”.[4]

O poema de Forêts remete ao sonho, ao silêncio, ao nada. “O próprio silêncio diz mais do que as palavras”.[5] Descubro agora que me encontro em uma ópera, com todos esses sons e silêncios, todos esses nadas e vazios. Uma ópera duodecafônica. E minha mente sai em busca de (quase) infinitas conexões.

Louis-René des Forêts (1916-2000) foi um escritor francês que nasceu e morreu em Paris, França. Escreveu, entre outros, Les Mendiants (1941-1943), Bavard (1946), La Chambre des Enfants (1960) que é agraciado com o Prix des Critiques. Blanchot escolhe um outro texto de Forêts, Ostinato, da mesma maneira que vimos com Paul Valéry em “Poesia e pensamento abstracto” – para viver uma experiência poético(-musical) muito mais do que compreender a arte.

Escrevi este comentário (o que parece fazer as vezes de um comentário) e, enquanto o escrevia, conduzido pelo movimento que é o dom do poema, fechava os olhos a essa falta que é transformar o poema (os poemas) numa prosa aproximada. Não há alterações mais graves. Esses poemas de Samuel Wood têm sua voz, que é preciso ouvir antes de acreditar compreendê-los. “Tocamos o verso.”[6]

Ostinato é a última obra de Forêts. Publicada em 1997 pela Mercure de France, Blanchot deseja “falar dessa obra, mas sem palavras, numa linguagem que me obceca ao me escapar”.[7] E nesse silêncio-som-obstinado, descobrimos que o título do livro de poemas de Forêts é um termo musical. É um “motivo obstinado que volta e não volta” em Alban Berg escutando Schumann; no “rigor obstinado” de Leonardo da Vinci que encantou “o jovem Paul Valéry”. Mas é exatamente no próprio Louis-René des Forêts que essa “obstinação” transforma-se numa “catástrofe imensa”: quando um “abismo”, um “desastre absoluto” que parece ter acontecido em sua vida o transformou em um escritor do Não (feito sai à caça Enrique Vila-Mattas em Bartleby e companhia[8]), e feito diz Blanchot, “foi privado do dom da escrita”.[9]

Maurice Blanchot fala de dentro do primeiro ato de nossa ópera “Louis-René des Forêts”. Foram amigos de juventude e o afeto também se amalgama junto à poesia de um e análise poética do outro. Blanchot narra o “naufrágio” do amigo, quando ele pára de escrever. E o momento em que reconhece que “para não escrever mais, seria preciso continuar a escrever, uma escrita sem fim até o fim ou a partir do fim”.[10] Ou uma escrita de um livro que nunca será escrito por Joubert, que Blanchot (também) analisou em O livro por vir.

“Só existem os espaços em branco se houver o negro, só há silêncio se houver a palavra e o barulho produzindo-se para cessar”.[11]

Os sons da música de Forêts/Blanchot me transportam a uma conexão com Agostinho de Hipona (354-430) em suas Confissões quando trata da permissividade de Deus quanto à existência do Mal.

Que são as trevas senão a ausência da luz? Se houvesse luz, onde é que ela poderia existir se não iluminasse nem aclarasse a superfície da terra? E quando a luz ainda não existia, o que era a presença das trevas, senão a ausência da luz?

As trevas reinavam sobre o abismo, porque a luz não brilhava sobre ele, do mesmo modo que reina o silêncio onde não há som. E que significa haver silêncio senão o não haver som?[12]

Ao não haver luz, a escuridão predomina. Ao não haver som, o silêncio perpassa todo o ser. Ostinato é uma obra de “organização fragmentária”. Por isso essa impressão de estar desconectada em relação ao todo, numa “falta de continuidade”. Seria uma autobiografia de Forêts? Está escrito no presente, ancorado no presente, feito não possuísse duração. E lembramos novamente de Agostinho quando nas suas mesmas Confissões interroga sobre “O que é, pois, o tempo?” e nos remete para o instante anterior à Criação, os tempos ainda não existiam, apenas habitava o Eterno, e o único, inexorável, absoluto Presente.

 

II Ato – Anacruse

(Maurice) Blanchot traz ao centro do palco um texto do filósofo francês nascido em Versalhes (Jean-François) Lyotard (1924-1998) sob o título de “O sobrevivente”. O texto filosófico lança luz sobre os poemas de (Louis-René) des Forêts.

Blanchot faz uma pergunta agostiniana: “Onde é o começo? É alguém ou alguma coisa que começa?”.[13] Ele nos ensaia uma resposta com Hegel, quando o “eu” já não pode falar por si mesmo, mas em forma de “nós”, como se fossem outros. O “eu” de então e o “eu” de agora. O “eu” do Eterno e não havia o Tempo, o “eu” na Criação de todos os Tempos.

Nos “Poèmes de Samuel Wood”, Forêts trata dessas “duas extremidades” do nosso percurso terrestre. A “dor de nascer”. A morte que, somente “os mortos, eles, sim, terminaram de morrer”.

O maestro Blanchot, o amigo Maurice nos apresenta em Les mégéres de la mer (1967) “Essa pátria inexistente” de Forêts, esse “País anterior” de um outro amigo de Louis-René, que em 1967 fundou juntamente com ele, Paul Celan, Jacques Dupin, entre outros, a revista L’Éphémere : o poeta-crítico-tradutor francês nascido em Tours, Indre-et-Loire, Yves Bonnefoy (1923).

O país que sonhei sob esse nome [o País Anterior], seria uma parte de nosso mundo, ou seja, qualquer coisa tão real quanto o lugar onde eu viveria com as mesmas árvores, as mesmas pedras. Ele, por exemplo, poderia ter uma de suas regiões num vale no meio daquela Itália central que, outrora, eu percorria. […] O país-anterior, no meu livro, no meu pensamento, é essencialmente, um devaneio sobre a linguagem.[14]

Esse “País Anterior” à linguagem, esse “filho arrancado de sua mãe”, “mátria”, “não pode portanto parar de nascer”: é condenado a uma “sentença de nascimento”.[15] Blanchot continua a perguntar-se – e na pergunta que encontra sua resposta se perfaz o Mito, já dizia André Jolles em Formas simples[16] –: “Por que não terminamos de nascer?”. E mais adiante nos apresenta a Anacruse.

Do termo grego anakrousis, nota ou sequência de notas que precedem o primeiro tempo forte do primeiro compasso de uma música. Blanchot faz soar em des Forêts que, “através da anacruse, se sustenta o silêncio daquilo que ainda se ouve ou vai ouvir-se naquilo que não se ouve”.[17] A “pergunta-resposta” mitológica de Jolles, o “País Anterior” de Bonnefoy complementam a melodia de Louis-René des Forêts no “lugar onde a criança que fui deixou suas marcas”, marcas “não daquilo que aconteceu”, alerta o maestro Blanchot, “mas do que jamais se passou”.[18] Da ficção.

A criança atormenta Louis-René des Forêts naquilo que “está prestes a nascer”, nesse “porvir”, “por vir” da escrita, que é tempo suspenso, sem Lei, e sem Pai, “escrevendo apenas para apagar o que já foi escrito”. Ou “a letra órfã do Pai ausente ou escondido do discurso” do filósofo francês nascido em Argel Jacques Rancière (1940) em seu Políticas da escrita.

Entre o sopro imaterial do oráculo e o sentido gravado na materialidade das coisas fica, é claro, o grande paradigma da Escritura confirmada pela encarnação. O que vem, duravelmente, realizar o resgate da letra e sustentar todos os sonhos de uma escrita mais que escrita é a encarnação cristã do Verbo, dando à letra seu espírito. Só um corpo vivo, um corpo que sofre, é capaz, em última instância, de garantir a escrita. Mas o grande  paradigma do resgate da letra também é o lugar do paradoxo reconhecido como verdadeiro. Somente o livro dá garantia que a verdade do livro foi apresentada pela carne. Somente as palavras vêm atestar que é mesmo escrita o que se realiza nas chagas de uma carne como no sopro do vento, nas estrias da pedra ou na estrada de ferro. Somente um excesso de escrita “morta” pode incluir a “voz viva” na escrita morta.[19]

“Há sempre algo por nascer”, conduz Blanchot. E desse “nascimento endividado consigo mesmo” alcançamos o timbre certo, o contratempo justo, contratempo que é “a espera do olhar para trás por meio de uma retrospeção em que se cria a ilusão de um presente que esteve desde sempre perdido, pois jamais existiu”.[20] Uma ficção. “Uma voz vinda de outro lugar”.

 

III Ato – A Besta Inominável, de René Char

Acelera-se o ritmo. Mas ainda é uma ópera. No terceiro ato da ópera Uma voz vinda de outro lugar, Blanchot nos transporta para Fedro, de Platão, que por sua vez é a transposição em palavra escrita da palavra falada por Sócrates no seu diálogo com o jovem protagonista título do livro.

Sócrates, o maior ágrafo de todos os tempos, tenta convencer Fedro – a partir das próprias conclusões do jovem – que a verdadeira linguagem é “a linguagem falada, em que a palavra está segura de encontrar viva na presença daquele que a pronuncia uma garantia”.[21]

Dizem que realmente nos tribunais ninguém se importa com a verdade de tais matérias, mas com o que é convincente, o que é chamado de probabilidade, de modo que aquele que pretende ser um artista do discurso precisa ter seu olhar fixo na probabilidade. De fato, às vezes, esteja tu acusando ou defendendo, não deves sequer relatar o que realmente sucedeu, se era improvável que sucedesse, mas o que era provável. Em resumo, um orador deve sempre ter em mira a probabilidade, não se importando com a verdade. A totalidade da arte consiste em acatar esse método ao longo de todo o discurso.[22]

A palavra escrita para Sócrates/Platão/Blanchot é “palavra morta, palavra do esquecimento”. Da mesma forma que a Palavra Sagrada, “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós”, não sabemos de onde ela vem, seu autor, e, justamente por isso, “remete a algo mais original”, a Palavra dando “voz à ausência”.[23]

O poeta francês nascido em L’Isle-sur-Sorgue, Vaucluse, René Char (1907-1988) nos fornece um contratempo a essa ideia da Palavra Sagrada respeitada por Sócrates/Platão, enunciada por Maurice Blanchot na análise de “A Besta Inominável”. Char “renuncia a toda linguagem voltada para a origem”. Ele renuncia ao Deus encarnado na Palavra. Mas canta o “pressentimento”, a “promessa”, o “despertar”. Como se unisse no presente – e somente no presente –, no “espaço que o pressentimento retém, a palavra ao impulso”.[24]

A poesia unida ao futuro através do próprio impulso de René Char, “sua essência sempre por vir”, “ voz que ainda nada disse”, uma “palavra iniciante”, “força aquele que a escuta a se arrancar de seu presente” e “nos retira de nós mesmos”.[25]

Encontramos uma nova variação sobre o mesmo tema. A palavra que “não é vidente” (Rimbaud), mas “previdente” (Char), “palavra em que a origem se faz começo”,[26] nos remete a História e mito do filósofo, filólogo e professor universitário luso-brasileiro nascido em Lisboa e radicado em Brasília Eudoro de Souza (1911-1987), quando trata da diferença entre “lonjura” e “outrora”.

Lonjura e outrora negam espaço e tempo determinados, mas quanto mais nos afastamos desse âmbito do indeterminado, mais eles se afirmam em sua determinação; ou, pelo menos, assim parece. Se digo “lonjura”, não nego só a proximidade, mas a proximidade e a distância, porque o distante sempre se poderá volver em próximo; basta caminhar de próximo em próximo, para que próximo nos venha a ser qualquer distante. […] O mesmo se diria do outrora. Ou quase. Se digo “outrora”, nego o “agora”, nego esta hora, por força da afirmação de outra. Situo-o fora ou para além de todos os “agoras” que se alinham, para trás e para frente, direito ao passado ou ao futuro da hora presente.[27]

Palavra que, em René Char e as águas irretornáveis de Heráclito, realiza “esse duro combate com o que é anterior” (a “lonjura” e o “outrora” de Souza), “sofrendo uma dupla violência, parece iluminar-se através do silêncio nu do pensamento”.[28]

E pára.

 

IV Ato – O último a falar: Paul Celan

 

O último ato de nossa ópera Uma voz vinda de outro lugar nos apresenta, nu, cego e mudo, o poeta, tradutor, ensaísta romeno nascido em Cernăuţi Paul Celan (1920-1970), pseudônimo de Paul Pessakh Anstschel.

Estamos “cercados de branco”, em um “vazio saturado de vazio”, esses “olhos cegos para o mundo, olhos que a palavra submerge até a cegueira”, “a eternidade nasce cheia de olhos”, esse “fora / no não país, no não tempo (o contratempo)”,[29]  e o maestro Maurice Blanchot reúne todos os “músicos-poetas” (Agostinho, Bonnefoy, Jolles, Rancière, Sócrates, Souza), todos os “cantos-previdentes” no palco de nossa ópera duodecafônica que iniciamos com o barulho ao redor, com vários pensadores, e poetas e teorias por nós conectados, até chegarmos ao silêncio de Blanchot que não nos permite dizer mais nada.

A morte, a palavra. Nos fragmentos de prosa que Celan afirma seu projeto poético, ele jamais chega exatamente a renunciar a um projeto. Em seu discurso em Bremen: Os poemas estão sempre em movimento, estão em relação a alguma coisa, inclinam-se na direção de alguma coisa. Na direção de quê? De algo que se mantém aberto e que poderia ser habitado, de um Tu a quem seria possível talvez falar, de uma realidade próxima de uma palavra. É nesse mesmo pequeno discurso que, com extrema simplicidade e sobriedade, Celan faz alusão ao que poderia significar para ele – e, através dele, para nós – a possibilidade que não lhe foi retirada de escrever poemas naquela língua através da qual a morte se abateu sobre ele, sobre os seus próximos, sobre os milhões de judeus e não judeus, um evento sem resposta.[30]

 

Uma peça teatral – Michel Foucault

            Maio de 1968. Numa mudança (nem tão) radical de tom, da Poesia para a Prosa, para o “pensamento abstracto” (de Paul Valéry), nos descobrimos agora em forma de peça teatral em Uma voz vinda de outro lugar. Blanchot narra um encontro imaginário com o filósofo, historiador de ideias, teórico social, filólogo, crítico literário francês nascido em Poitiers Michel Foucault (1926-1984). No pátio da Sorbonne eles se encontrariam, “quando cada um podia falar ao outro, anônimo, impessoal, um homem entre homens, acolhido sem outra justificativa além de ser outro homem”.[31]  Descobrimos no final do livro de Blanchot a “forma” do nosso ensaio poético-musical-teatral: uma ficção do possível.

Foucault foi apresentado a Blanchot por Roger Callois que talvez considerasse o jovem pensador francês feito um “espelho em que discerne não seu duplo, mas aquele que gostaria de ter sido”.[32] Blanchot considera que desde o primeiro livro Foucault aborda questões referentes à filosofia (razão/desrazão), mas sob o “prisma” da história e da sociologia. Este tenta descobrir os perigos a que estamos expostos “para tentar ganhar tempo”, para tentar, através de estratégias, enveredar por caminhos mais desiludidos.

O “historiador de ideias” evita o estruturalismo porque “pressente um aroma do transcendentalismo”. Ele ancora-se na “superfície”, nega as “armadilhas da subjetividade”, “não rejeita a história, mas distingue nela descontinuidades”.[33] Notamos que Blanchot, agora em uma peça teatral, repete o mesmo “cânone” do Ostinato de Louis-René des Forêts, a mesma “organização fragmentária”, a mesma “falta de continuidade” da ópera em quatro atos, primeira parte do nosso ensaio, como que unindo as duas pontas da Prosa e da Poesia, do Teórico e do Ficcional, da Vida e da Arte.

Em A ordem do discurso, sua aula inaugural no Collège de France (onde, em princípio, dizem o que será feito nas aulas seguintes, mas que vão dispensar-se de fazer porque acabou de ser dito e porque o que foi dito não suporta ser desenvolvido), Foucault enumera, de forma mais clara e talvez menos estrita (seria preciso investigar se essa perda de rigor se deve apenas às exigências de um discurso magistral ou então a um princípio de dessinteresse diante da própria arqueologia), as noções que devem servir a uma nova análise. Assim, propondo o acontecimento, a série, a regularidade e a condição de possibilidade, ele usará esses termos para opô-los, um a um, aos princípios que, de acordo com ele, dominaram a história tradicional das ideias, opondo assim o acontecimento à criação, a série à unidade, a regularidade à originalidade e a condição de possibilidade aos significados – ao tesouro escondido dos significados ocultos.[34]

Foucault trata da noção de sujeito na produção literária. Essa “não-obra”, esse “não-autor”, essa “não-unidade-criadora”, não significa o desaparecimento do sujeito. Significa antes o questionamento da unidade, a fragmentação do todo, “essa nova maneira de ser que é o desaparecimento”,[35] “desaparecimento” que já vimos com o maestro-Blanchot quando regia o primeiro ato de sua ópera, quando conduzia-nos através dos acordes da poesia de Louis-René des Forêts e esse “escrevendo apenas para apagar o que já foi escrito”[36] que tratamos na página 5 de nosso ensaio.

Chegamos a Vigiar e punir, e não chegamos inocentes. Blanchot narrou A arqueologia do saber, A ordem do discurso, nessa peça teatral de linha condutória única, apesar de fragmentária. Descobrimos em Vigiar que “o confinamento é o princípio arqueológico da ciência médica”, que “a soberania tem origens obscuras”, e pressentimos que “Foulcault quase preferiria as épocas assumidamente bárbaras, quando os suplícios não dissimulam em nada sua atrocidade”.[37]

Foucault em Blanchot atualiza os conceitos de punição e poder e que não estão tão distintos daquela época “bárbara” quanto imaginamos. Ele nos recorda Heidegger quando nos remete à “analítica da consciência moral”, nossa “herança aristotélica” e que “no nosso interior, há uma palavra que se faz sentença, veredicto, afirmação absoluta. Isso é dito, e essa afirmativa primeira, removida de qualquer diálogo, é a palavra da lei, que ninguém tem o direito de contestar”.[38] E nos lembramos da “letra órfã de Pai ausente ou escondido do discurso” de Jacques Rancière (também) citado na página 5 do presente estudo.

No “contratempo” à Sociedade do Sangue, a Sociedade do Saber. Sangue hereditário. Saber sexual. A História da sexualidade de Foucault nos desafia “a recusar as pretensões da Lei”, porque o “sangue reabsorveu o sexo”. Mas tomemos cuidado. A peça teatral chega ao fim e o nazismo aparece fantasmagoricamente em História para nos lembrar das “fantasias do sangue com o paroxismo disciplinar”. Só resta a Foucault fazer as pazes com a psicanálise de Freud e a restauração da antiga Lei da aliança, quando este “devolveu à Lei seus direitos anteriores”.[39]

Só nos resta entender a última obra de Michel Foucault que foi ele mesmo. Na sua busca por uma genealogia da sexualidade na Antiguidade Grega, busca “passar dos tormentos da sexualidade à simplicidade dos prazeres”. Por quê? Porque a doença anuncia os seus últimos dias, anuncia as nossas últimas linhas desse ensaio, dessa ópera em quatro atos e uma peça teatral que chama-se Uma voz vinda de algum lugar. Blanchot se despede do encontro imaginário com o homem que admira, e nós nos despedimos deste ensaio com a fase final da vida de Foucault e seu cuidado com si, que foi cuidado com os outros.

Os livros que vai escrever sobre temas que lhe são muito próximos são, à primeira vista, livros de historiador estudioso mais do que obras de investigação pessoal. Até o estilo é diferente: calmo, apaziguado, sem a paixão que queima em tantos de seus outros textos. Entrevistado por Hubert Dreyfus e Paul Rabinow e interrogado sobre seus projetos, ele exclama, de repente: “Oh, eu vou primeiro cuidar de mim!” Declaração que não é fácil de esclarecer, mesmo se pensarmos um pouco apressadamente que, seguindo a Nietzsche, ele estivesse inclinado a fazer de sua existência – daquela que lhe restava viver – uma obra de arte.[40]

 

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* Para baixar o arquivo em PDF: Uma voz vinda de outro lugar – Uma ópera em quatro atos e uma peça teatral – Patricia (Gonçalves) Tenório – 05 e 060416

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* Patricia (Gonçalves) Tenório escreve prosa e poesia desde 2004. Tem nove livros publicados, O major – eterno é o espírito (2005), As joaninhas não mentem (2006), Grãos (2007),  A mulher pela metade (2009), Diálogos e D´Agostinho (2010), Como se Ícaro falasse (2012),  Fără nume/Sans nom (2013)), Vinte e um / Veintiuno (lançado em 11 (Lisboa) e 13 (Madri) de abril de 2016),  e, no prelo, A menina do olho verde (a ser lançado na Livraria Cultura RioMar Recife em 28 de maio de 2016 e possivelmente na Livraria Cultura Bourbon Porto Alegre em 11 de junho de 2016).  Defendeu em 17 de setembro de 2015 a dissertação de mestrado em Teoria da Literatura, linha de pesquisa Intersemiose, na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, “O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural”, com o anexo, o ensaio romanceado O desaprendiz de estórias (Notas para uma Teoria da Ficção), sob a orientação da Prof. Dra. Maria do Carmo de Siqueira Nino. Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e www.patriciatenorio.com.br

(1) BLANCHOT, Maurice. Uma voz vinda de outro lugar. Tradução: Adriana Lisboa. Rio de Janeiro: Rocco, (2002 in) 2011.

(2) BLANCHOT, Maurice. O livro por vir. Tradução: Leila Perrone-Moisés. São Paulo: Martins Fontes, (1959 in) 2005.

(3) Vide http://www.patriciatenorio.com.br/?p=6502. Escrito em 12/03/2016. Última atualização: 27 de março de 2015.

(4) FORÊTS, Louis-René des apud BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 16, itálico da edição.

(5) FORÊTS, Louis-René des apud BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 18, itálico da edição.

(6) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 21, itálico da edição.

(7) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 25.

(8) VILA-MATAS, Enrique. Bartleby e companhia. Tradução: Maria Carolina de Araújo e Josely Vianna Baptista. São Paulo: Cosac & Naify, (2000 in) 2004.

(9) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 25.

(10) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 26.

(11) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 26.

(12) AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução: L. Oliveira e A. Ambrósio de Pina. 2. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, (397 in) 2013 – (Vozes de Bolso), livro XII, p. 293.

(13) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 31.

(14) BONNEFOY, Yves. Entrevista: Yves Bonnefoy: A Poesia Pode Criar um Novo Céu e uma Nova Terra. In Calibán: uma revista de cultura. Entrevista e tradução: Isabelle Macor-Filarska e Patricia (Gonçalves) Tenório. N. 10. Rio de Janeiro: Calibán, 2007, p. 9-10, itálico e colchetes nossos.

(15) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 35.

(16) JOLLES, André. Formas simples: Legenda, Saga, Mito, Advinha, Ditado, Caso, Memorável, Conto, Chiste. Tradução: Álvaro Cabral. São Paulo: Cultrix, (1930 in) 1976, p. 83-108.

(17) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 36-37.

(18) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 38.

(19) RANCIÈRE, Jacques. Políticas da escrita. Tradução: Raquel Ramalhete… [et al]. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1995, p. 12.

(20) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 43.

(21) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 53.

(22) SÓCRATES in PLATÃO. Fedro. Tradução, apresentação e notas: Edson Bini. São Paulo: EDIPRO, 2012, p. 112.

(23) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 55.

(24) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 60.

(25) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, respectivamente, p. 62, 63 e 64.

(26) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 66.

(27) SOUZA, Eudoro de. História e mito. Brasília, Editora Universidade de Brasília, 1981, p. 3.

(28) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 69.

(29) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, respectivamente, p. 75, 77, 79, 83, 86.

(30) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 103, itálico da edição.

(31) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 113.

(32) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 115.

(33) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, respectivamente, p. 118, 121, 123.

(34) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 103, itálico da edição.

(35) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 127.

(36) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 41.

(37) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, respectivamente, p. 133 e 136.

(38) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 139.

(39) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, respectivamente, p. 145-147, 148, 149, 150-151.

(40) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 158.

Índex* – Dezembro, 2013

Hoje antes do amanhecer subi numa colina e contemplei o céu abarrotado,

E disse a meu espírito, Quando abraçarmos essas esferas, junto com o prazer

e o conhecimento de tudo o que nelas existe, estaremos satisfeitos e realizados?

E meu espírito disse Não, vencemos esta fase só para seguir em frente. 

(Walt Whitman, Folhas de Relva)

A Busca Infinita de Conhecimento & Poesia no Índex do Blog de Patricia Tenório.

O último Revisitando Patricia Tenório (PE-Brasil) Nossa última aula… “A poética do ensaio”, Prof. Lourival Holanda (PE-Brasil) – Junho, 2013.

Poemas Postais | O Poeta de Meia-Tigela (CE-Brasil).

Poemas de Rizolete Fernandes (RN-Brasil).

Doce amargo | Newma Cynthia (PE-Brasil).

Il Convivio | Anno XIV numero 3 Luglio – Settembre 2013 (Itália).

Generatión Abierta – Entrevista a Patricia Tenório | Por Flavia Cosma (Romênia/Canadá) y Luis Raúl Calvo (Argentina).

E os novos links de:

José Neto (PE-Brasil) (http://borapralacomigo.blogspot.com.br/)

Oleg Almeida (DF-Brasil) (https://sites.google.com/site/olegalmeida/).

Agradeço a participação de todos, espero que tenham passado um Feliz Natal e desejo um 2014 de muita Paz, Saúde, Luz, Amor, Alegria & Poesia…

A próxima postagem será em 26 de Janeiro de 2014.

Até lá!

Patricia Tenório.

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Index* – December, 2013

This day before dawn I ascended a hill and looked at the crowded heaven,

And I said to my spirit, When we become the enfolders of those orbs and the pleasure and

knowledge of every thing in them, shaw we be filled and satisfied then?

And my spirit said No, we level that lift to pass and continue beyond.

( Walt Whitman, Leaces of Grass)

 

 

The Infinit Search of Knowledge & Poetry in the Index of the Blog of Patricia Tenório.

The last Revisiting Patricia Tenório (PE-Brasil) Our last class… “The poetics of the essay”, Prof. Lourival Holanda (PE-Brasil) – June, 2013.

Poem Cards | The Poeta de Meia-Tigela (CE-Brasil).

Poems from Rizolete Fernandes (RN-Brasil).

Bittersweet | Newma Cynthia (PE-Brasil).

Il Convivio | Year XIV number 3 July – September 2013 (Italy).

Opened Generation – Interview to Patricia Tenório | By Flavia Cosma (Romania/Canada) and Luis Raúl Calvo (Argentina).

And the new links of:

José Neto (PE-Brasil) (http://borapralacomigo.blogspot.com.br/)

Oleg Almeida (DF-Brasil) (https://sites.google.com/site/olegalmeida/).

I appreciate the participation of all, I hope you spent a Merry Christmas and I wish you a 2014 with a lot of Peace, Health, Light, Love, Joy & Poetry…

The next post will be on January 26, 2014.

Up there!

Patricia Tenório.

Foto Livros

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* Índex foi traduzido apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated into English only as a matter of the extension of the post.

** “As esferas” do prazer e conhecimento de 2013, PE-Brasil. “The orbs” of pleasure and knowledge of 2013, PE-Brasil.