Posts com Română

Índex* – Novembro, 2016

Arabella cruzou o caminho mais estreito e nem percebeu o buraco da fechadura, a porta que atravessou, do passado para o futuro.

Ela se encantou com o belo dos olhos dele, que transpareciam a juventude cintilante de um menino azul.

Ele lhe ofereceu uma flor, era um simples girassol, que ao seu redor girou e girou, e desembocou nos lábios do primeiro beijo de amor-próprio de Arabella.

(“A estória de uma defesa”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 17/09/15, 16h30)

Estórias de Amor Perfeito no Índex de Novembro, 2016 no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

A Maestrina | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE, Brasil).

(des)carnaval(ha) | Patricia (Gonçalves) Tenório.

“Bífida e outros poemas” | Alexandra Lopes da Cunha (DF/RS, Brasil).

“Inferno Provisório” | Luiz Ruffato (MG/SP, Brasil).

Poeta de Meia-Tigela (CE, Brasil), Carlos Nóbrega (CE, Brasil) & “Pixo”.

Poema de Maria Rizolete (RN, Brasil).

Poema de Cristina Campeanu (Romênia).

“Estação das clínicas” | Iacyr Anderson Freitas (MG, Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – 27/11/16 | Com Bernadete Bruto (PE, Brasil) & Elba Lins (PB/PE, Brasil). 

Agradeço a participação de todos, a próxima postagem será em 25 de Dezembro, 2016, grande abraço e até lá,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – November, 2016

Arabella crossed the narrow path and did not even notice the keyhole, the door she had passed, from past to future.

She was enchanted by the beauty of his eyes, which showed the shimmering youth of a blue boy.

He offered her a flower, it was a simple sunflower, which swirled around her and turned to the lips of the first kiss of self-love of Arabella.

(“The Story of a Defense”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 09/17/15, 4:30 p.m.)

 

Perfect Love Stories in the Index of November, 2016 in the blog of Patricia (Gonçalves) Tenório.

The Maestrina | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE, Brasil).

(des)carnival(ha) | Patricia (Gonçalves) Tenório.

“Bifida and other poems” | Alexandra Lopes da Cunha (DF/RS, Brasil).

“Provisional Hell” | Luiz Ruffato (MG/SP, Brasil).

Poeta de Meia-Tigela (CE, Brasil), Carlos Nóbrega (CE, Brasil) & “Pixo”.

Poem by Maria Rizolete (RN, Brasil).

Poem by Cristina Campeanu (Romania).

“Clinic season” | Iacyr Anderson Freitas (MG, Brasil).

Study Group on Creative Writing – 11/27/16 | With Bernadete Bruto (PE, Brasil) & Elba Lins (PB/PE, Brasil).

Thanks for the participation of all, the next post will be on December 25, 2016, big hug and see you then,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** A porta estreita no bairro da Liberdade, em São Paulo, Brasil. The narrow door in the Liberdade neighborhood, in São Paulo, Brasil.

Poema de Cristina Campeanu

Delante el Tribunal de jurados

Y heme aquí recto, delante el Tribunal de jurados:
„Díganos la verdad, me dicen frunciendo el ceño,
¿por qué pisó sobre la hierba?, ¿por qué miró la
alba en llamas?
¿por qué se nutrió con las estrellas y con el cielo?
¿por qué se creyó infinito?, ¿cómo se atrevió?…”
„Condenamos usted a la más dura pena:
De vivir una vez más todo lo que ya vivió”.

FELIZ CUMPLEANOS!

(21/11/2016)

Índex* – Julho, 2016

Me perguntam

Se o passado

Por acaso

Já passou

E deixou as suas

Marcas

Por acaso

Incandescentes 

Por enquanto

Incongruentes 

Nesse mapa

De tarô

Eu aqui

Em meio ao

Sono

Lembrando o

Sonho

Que passou

Vejo uma

Estrela cadente

Vejo um

Dia nascente

Com seu rastro

De temor

De que eu

Não consiga

Mais

Nesse dia

Espelhar

O rosto que trago 

Guardado

No suave

Despertar

(“O sonho não acabou”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 15/07/16, 05h03)

 

Que o sonho nunca acabe no Índex de Julho de 2016 no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

O que estão falando sobre “A menina do olho verde”, de Patricia (Gonçalves) Tenório (Recife – PE, Brasil).

“Ensaios de Transcendência” | Camilo Matar Raabe (Porto Alegre – RS, Brasil).

Dois poemas | Dos poemas | Two poems | Două poezii | Cristiana Campeanu (Romênia).

El buitrero | Iacyr Anderson Freitas (Juiz de Fora – MG, Brasil).

Última aula de Teorias da Criação Poética | com Marcelo Maldonado (Rio de Janeiro – RJ/Porto Alegre – RS, Brasil).

E o link de Rizolete Fernandes (Natal – RN, Brasil):

www.crearensalamanca.com/poemas-para-despertar-conciencias-benavides-uruguay-dregrazia-brasil-fernandes-brasil-y-naranjo-colombia/

Muito obrigada pela participação, a próxima postagem será em 28 de Agosto de 2016, um abraço bem grande e até lá,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – July, 2016

They ask me

If the past

By chance

Has passed by

And left its

Marks

By chance

Incandescents 

For a while

Incongruents 

In this map

Of  tarot

I’m here

In the middle of the

Sleep

Remembering the

Dream

That passed by

I see a 

Falling star

I see a

Rising day

With its trail

Of fear

That I

Get

No longer

In this day

Reflect

The face I bring 

Garded

In the soft

Awake

(“The dream isn’t over”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 07/15/16, 05h03 a.m.)

That dream is never over in the Index of July, 2016 in the blog of Patricia (Gonçalves) Tenório.

What are they talking about “The green eye girl”, from Patricia (Gonçalves) Tenório (Recife – PE, Brasil).

“Trancendents Essays” | Camilo Matar Raabe (Porto Alegre – RS, Brasil).

Dois poemas | Dos poemas | Two poems | Două poezii | Cristiana Campeanu (Romênia).

El buitrero | Iacyr Anderson Freitas (Juiz de Fora – MG, Brasil).

Last class of Poetic Creation Theories | with Marcelo Maldonado (Rio de Janeiro – RJ/Porto Alegre – RS, Brasil).

And the link of Rizolete Fernandes (Natal – RN, Brasil):

www.crearensalamanca.com/poemas-para-despertar-conciencias-benavides-uruguay-dregrazia-brasil-fernandes-brasil-y-naranjo-colombia/

Thank you for the participation, the next post will be on  August 28, 2016, a big hug and see you there,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** O nascer (1) e o pôr-do-sol (2 e 3) são os mesmos em Recife – PE, Brasil (1 e 3) e Salvador – BA, Brasil (2). Sunrise (1) and sunset (2 and 3) are the same in Recife – PE, Brasil (1 and 3) and Salvador – BA, Brasil (2).

Dois poemas | Dos poemas | Two poems | Două poezii | Cristiana Campeanu

JUL
1
Como un rayo / Ca o rază

Como un rayo pasamos, amada mía, por el mundo
como una chispa ardiente en un horizonte
encendido por un soplo presuroso bajo la luna roja
en el tumulto del mar perdidos en la lejanías seremos
llevados sobre las olas de los azules tardíos…

Te acuerdas como, enlazados,
llevamos nuestro óbolo a tantas aduanas enemigas,
como nuestro vuelo no fue quebrado por las
tempestades crueles
Como si existiéramos desde el principio del mundo
como si por la brisa del mar compitiéramos muchas
veces con los vencejos,
mujer olvidada por el tiempo en mi beso,
enviada desde el Paraíso para dar fruta
en mi sangre,
Beata que naciste, que me tuviste y que te tuve,
rica para siempre desde el principio
hecha para dar gozo al instante que duele
en el nacimiento de todo lo que nace y muere
!Ay!, si podría hacer regresar el tiempo
para que seamos en el mundo solo nosotros dos,
para que nos amemos de nuevo con locura
en el mar
estremeciendo las estrellas fugaces del cielo…
Sobre las cumbres de luz volemos los dos
permaneciendo allí en alto para vigilar la tarde,
nosotros, dos acontecimientos destinados a doler…

Ca o rază

Ca o rază am trecut noi, Iubito, prin lume
ca un licăr fierbinte pe-o zare încinsă
de-o boare grăbită sub luna aprinsă
în mugetul mării pierduţi în departe vom fi purtaţi
pe valuri de albastruri târzii…
ţi-aduci aminte că-ngemănaţi ca unul singur
am dat obolul atâtor vămi vrăşmaşe
că zborul nu ni l-au înfrânt furtunile vrăşmaşe
Parc-am fi fost de la-nceputul lumii parcă prin briza mării
ne-ntreceam adesea cu lăstunii
femeie uitată de timp în sărutul meu, trimisă din Rai
să rodeşti în sângele meu
Prea fericito că te-ai născut,
că m-ai avut şi te-am avut
bogată-n vecie de la început
făcută să bucuri clipa ce doare
în zămislirea a tot ce naşte şi moare

O, de-aş putea să dau timpu-napoi
pe lume să fim doar noi doi
ca doi nebuni să ne iubim iarăşi în mare
înfiorând stele pe cer căzătoare…

(din volumul bilingv român-spaniol Poemas Paganos, în traducerea scriitorului Christian Tămaş)

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JUL
12
As if / Ca şi cum

As if I pretended to be asleep
to stop time in my dreams
As if the happy dream gave birth to me again
to make me rule over Everything and Nothing
As if rains of light bear fruit
blossoming in my soul on the plain
As if cortèges of butterflies made love
to the cherry-trees boiling with soft flowers
As if I wanted to have you
wrapped up in longing beside me
for us to be in the always of all
and make Sahara blossom within ourselves…
As if everything existed only in imagination
dancing like a fog carried away by wind
As if, my darling, I waited for you forever
to take our oath at the margins of light…

Ca şi cum

Ca şi cum m-aş preface că dorm
timpul în somn să-l opresc
Ca şi cum visul fericit m-ar renaşte
peste Tot şi Nimic să domnesc
Ca şi cum ploi de lumină rodesc
în sufletu-mi înflorind pe câmpie
Ca şi cum alaiuri de fluturi nuntesc
cireşii clocotind de floarea ce-adie
Ca şi cum aş vrea să te am
pierdută de dor lângă mine
în mereul din toate să fim
Sahara din noi s-o-nflorim…
Ca şi cum totul există doar în închipuire
dansând ca o ceaţă purtată de vânt
Ca şi cum, Iubito, te-aştept de-o vecie
la marginea luminii să facem legământ…

“Uma voz vinda de outro lugar”, de Maurice Blanchot: Uma ópera em quatro atos e uma peça teatral | Patricia Tenório*

05 e 06/04/2016

 

I Ato – Louis-René des Forêts

Encontro-me no Theatro (São Pedro?) Estadual. Aguardo para assistir ao espetáculo Uma voz vinda de outro lugar,[1] conduzida pelo maestro-escritor-ensaísta- romancista-crítico de literatura francês nascido em Quain, Saône-et-Loire, Maurice Blanchot (1907-2003). As cortinas da primeira página estão cerradas e não sei ao certo que tipo de espetáculo irei encontrar nesse teórico-poeta de O livro por vir,[2] livro que me falava de Joubert, o escritor do Não tratado em “O Bartleby que nos habita ou Uma voz vinda de outro lugar”.[3]

Começo pelo silêncio. Escolho algumas cenas desse palco-livro-espetáculo. Blanchot tem o dom de se amalgamar ao texto poético ao mesmo tempo que o analisa. Ele emite um primeiro acorde com Louis-René des Forêts em Ostinato.

Um sonho, mas existe algo mais real do que um sonho?”.[4]

O poema de Forêts remete ao sonho, ao silêncio, ao nada. “O próprio silêncio diz mais do que as palavras”.[5] Descubro agora que me encontro em uma ópera, com todos esses sons e silêncios, todos esses nadas e vazios. Uma ópera duodecafônica. E minha mente sai em busca de (quase) infinitas conexões.

Louis-René des Forêts (1916-2000) foi um escritor francês que nasceu e morreu em Paris, França. Escreveu, entre outros, Les Mendiants (1941-1943), Bavard (1946), La Chambre des Enfants (1960) que é agraciado com o Prix des Critiques. Blanchot escolhe um outro texto de Forêts, Ostinato, da mesma maneira que vimos com Paul Valéry em “Poesia e pensamento abstracto” – para viver uma experiência poético(-musical) muito mais do que compreender a arte.

Escrevi este comentário (o que parece fazer as vezes de um comentário) e, enquanto o escrevia, conduzido pelo movimento que é o dom do poema, fechava os olhos a essa falta que é transformar o poema (os poemas) numa prosa aproximada. Não há alterações mais graves. Esses poemas de Samuel Wood têm sua voz, que é preciso ouvir antes de acreditar compreendê-los. “Tocamos o verso.”[6]

Ostinato é a última obra de Forêts. Publicada em 1997 pela Mercure de France, Blanchot deseja “falar dessa obra, mas sem palavras, numa linguagem que me obceca ao me escapar”.[7] E nesse silêncio-som-obstinado, descobrimos que o título do livro de poemas de Forêts é um termo musical. É um “motivo obstinado que volta e não volta” em Alban Berg escutando Schumann; no “rigor obstinado” de Leonardo da Vinci que encantou “o jovem Paul Valéry”. Mas é exatamente no próprio Louis-René des Forêts que essa “obstinação” transforma-se numa “catástrofe imensa”: quando um “abismo”, um “desastre absoluto” que parece ter acontecido em sua vida o transformou em um escritor do Não (feito sai à caça Enrique Vila-Mattas em Bartleby e companhia[8]), e feito diz Blanchot, “foi privado do dom da escrita”.[9]

Maurice Blanchot fala de dentro do primeiro ato de nossa ópera “Louis-René des Forêts”. Foram amigos de juventude e o afeto também se amalgama junto à poesia de um e análise poética do outro. Blanchot narra o “naufrágio” do amigo, quando ele pára de escrever. E o momento em que reconhece que “para não escrever mais, seria preciso continuar a escrever, uma escrita sem fim até o fim ou a partir do fim”.[10] Ou uma escrita de um livro que nunca será escrito por Joubert, que Blanchot (também) analisou em O livro por vir.

“Só existem os espaços em branco se houver o negro, só há silêncio se houver a palavra e o barulho produzindo-se para cessar”.[11]

Os sons da música de Forêts/Blanchot me transportam a uma conexão com Agostinho de Hipona (354-430) em suas Confissões quando trata da permissividade de Deus quanto à existência do Mal.

Que são as trevas senão a ausência da luz? Se houvesse luz, onde é que ela poderia existir se não iluminasse nem aclarasse a superfície da terra? E quando a luz ainda não existia, o que era a presença das trevas, senão a ausência da luz?

As trevas reinavam sobre o abismo, porque a luz não brilhava sobre ele, do mesmo modo que reina o silêncio onde não há som. E que significa haver silêncio senão o não haver som?[12]

Ao não haver luz, a escuridão predomina. Ao não haver som, o silêncio perpassa todo o ser. Ostinato é uma obra de “organização fragmentária”. Por isso essa impressão de estar desconectada em relação ao todo, numa “falta de continuidade”. Seria uma autobiografia de Forêts? Está escrito no presente, ancorado no presente, feito não possuísse duração. E lembramos novamente de Agostinho quando nas suas mesmas Confissões interroga sobre “O que é, pois, o tempo?” e nos remete para o instante anterior à Criação, os tempos ainda não existiam, apenas habitava o Eterno, e o único, inexorável, absoluto Presente.

 

II Ato – Anacruse

(Maurice) Blanchot traz ao centro do palco um texto do filósofo francês nascido em Versalhes (Jean-François) Lyotard (1924-1998) sob o título de “O sobrevivente”. O texto filosófico lança luz sobre os poemas de (Louis-René) des Forêts.

Blanchot faz uma pergunta agostiniana: “Onde é o começo? É alguém ou alguma coisa que começa?”.[13] Ele nos ensaia uma resposta com Hegel, quando o “eu” já não pode falar por si mesmo, mas em forma de “nós”, como se fossem outros. O “eu” de então e o “eu” de agora. O “eu” do Eterno e não havia o Tempo, o “eu” na Criação de todos os Tempos.

Nos “Poèmes de Samuel Wood”, Forêts trata dessas “duas extremidades” do nosso percurso terrestre. A “dor de nascer”. A morte que, somente “os mortos, eles, sim, terminaram de morrer”.

O maestro Blanchot, o amigo Maurice nos apresenta em Les mégéres de la mer (1967) “Essa pátria inexistente” de Forêts, esse “País anterior” de um outro amigo de Louis-René, que em 1967 fundou juntamente com ele, Paul Celan, Jacques Dupin, entre outros, a revista L’Éphémere : o poeta-crítico-tradutor francês nascido em Tours, Indre-et-Loire, Yves Bonnefoy (1923).

O país que sonhei sob esse nome [o País Anterior], seria uma parte de nosso mundo, ou seja, qualquer coisa tão real quanto o lugar onde eu viveria com as mesmas árvores, as mesmas pedras. Ele, por exemplo, poderia ter uma de suas regiões num vale no meio daquela Itália central que, outrora, eu percorria. […] O país-anterior, no meu livro, no meu pensamento, é essencialmente, um devaneio sobre a linguagem.[14]

Esse “País Anterior” à linguagem, esse “filho arrancado de sua mãe”, “mátria”, “não pode portanto parar de nascer”: é condenado a uma “sentença de nascimento”.[15] Blanchot continua a perguntar-se – e na pergunta que encontra sua resposta se perfaz o Mito, já dizia André Jolles em Formas simples[16] –: “Por que não terminamos de nascer?”. E mais adiante nos apresenta a Anacruse.

Do termo grego anakrousis, nota ou sequência de notas que precedem o primeiro tempo forte do primeiro compasso de uma música. Blanchot faz soar em des Forêts que, “através da anacruse, se sustenta o silêncio daquilo que ainda se ouve ou vai ouvir-se naquilo que não se ouve”.[17] A “pergunta-resposta” mitológica de Jolles, o “País Anterior” de Bonnefoy complementam a melodia de Louis-René des Forêts no “lugar onde a criança que fui deixou suas marcas”, marcas “não daquilo que aconteceu”, alerta o maestro Blanchot, “mas do que jamais se passou”.[18] Da ficção.

A criança atormenta Louis-René des Forêts naquilo que “está prestes a nascer”, nesse “porvir”, “por vir” da escrita, que é tempo suspenso, sem Lei, e sem Pai, “escrevendo apenas para apagar o que já foi escrito”. Ou “a letra órfã do Pai ausente ou escondido do discurso” do filósofo francês nascido em Argel Jacques Rancière (1940) em seu Políticas da escrita.

Entre o sopro imaterial do oráculo e o sentido gravado na materialidade das coisas fica, é claro, o grande paradigma da Escritura confirmada pela encarnação. O que vem, duravelmente, realizar o resgate da letra e sustentar todos os sonhos de uma escrita mais que escrita é a encarnação cristã do Verbo, dando à letra seu espírito. Só um corpo vivo, um corpo que sofre, é capaz, em última instância, de garantir a escrita. Mas o grande  paradigma do resgate da letra também é o lugar do paradoxo reconhecido como verdadeiro. Somente o livro dá garantia que a verdade do livro foi apresentada pela carne. Somente as palavras vêm atestar que é mesmo escrita o que se realiza nas chagas de uma carne como no sopro do vento, nas estrias da pedra ou na estrada de ferro. Somente um excesso de escrita “morta” pode incluir a “voz viva” na escrita morta.[19]

“Há sempre algo por nascer”, conduz Blanchot. E desse “nascimento endividado consigo mesmo” alcançamos o timbre certo, o contratempo justo, contratempo que é “a espera do olhar para trás por meio de uma retrospeção em que se cria a ilusão de um presente que esteve desde sempre perdido, pois jamais existiu”.[20] Uma ficção. “Uma voz vinda de outro lugar”.

 

III Ato – A Besta Inominável, de René Char

Acelera-se o ritmo. Mas ainda é uma ópera. No terceiro ato da ópera Uma voz vinda de outro lugar, Blanchot nos transporta para Fedro, de Platão, que por sua vez é a transposição em palavra escrita da palavra falada por Sócrates no seu diálogo com o jovem protagonista título do livro.

Sócrates, o maior ágrafo de todos os tempos, tenta convencer Fedro – a partir das próprias conclusões do jovem – que a verdadeira linguagem é “a linguagem falada, em que a palavra está segura de encontrar viva na presença daquele que a pronuncia uma garantia”.[21]

Dizem que realmente nos tribunais ninguém se importa com a verdade de tais matérias, mas com o que é convincente, o que é chamado de probabilidade, de modo que aquele que pretende ser um artista do discurso precisa ter seu olhar fixo na probabilidade. De fato, às vezes, esteja tu acusando ou defendendo, não deves sequer relatar o que realmente sucedeu, se era improvável que sucedesse, mas o que era provável. Em resumo, um orador deve sempre ter em mira a probabilidade, não se importando com a verdade. A totalidade da arte consiste em acatar esse método ao longo de todo o discurso.[22]

A palavra escrita para Sócrates/Platão/Blanchot é “palavra morta, palavra do esquecimento”. Da mesma forma que a Palavra Sagrada, “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós”, não sabemos de onde ela vem, seu autor, e, justamente por isso, “remete a algo mais original”, a Palavra dando “voz à ausência”.[23]

O poeta francês nascido em L’Isle-sur-Sorgue, Vaucluse, René Char (1907-1988) nos fornece um contratempo a essa ideia da Palavra Sagrada respeitada por Sócrates/Platão, enunciada por Maurice Blanchot na análise de “A Besta Inominável”. Char “renuncia a toda linguagem voltada para a origem”. Ele renuncia ao Deus encarnado na Palavra. Mas canta o “pressentimento”, a “promessa”, o “despertar”. Como se unisse no presente – e somente no presente –, no “espaço que o pressentimento retém, a palavra ao impulso”.[24]

A poesia unida ao futuro através do próprio impulso de René Char, “sua essência sempre por vir”, “ voz que ainda nada disse”, uma “palavra iniciante”, “força aquele que a escuta a se arrancar de seu presente” e “nos retira de nós mesmos”.[25]

Encontramos uma nova variação sobre o mesmo tema. A palavra que “não é vidente” (Rimbaud), mas “previdente” (Char), “palavra em que a origem se faz começo”,[26] nos remete a História e mito do filósofo, filólogo e professor universitário luso-brasileiro nascido em Lisboa e radicado em Brasília Eudoro de Souza (1911-1987), quando trata da diferença entre “lonjura” e “outrora”.

Lonjura e outrora negam espaço e tempo determinados, mas quanto mais nos afastamos desse âmbito do indeterminado, mais eles se afirmam em sua determinação; ou, pelo menos, assim parece. Se digo “lonjura”, não nego só a proximidade, mas a proximidade e a distância, porque o distante sempre se poderá volver em próximo; basta caminhar de próximo em próximo, para que próximo nos venha a ser qualquer distante. […] O mesmo se diria do outrora. Ou quase. Se digo “outrora”, nego o “agora”, nego esta hora, por força da afirmação de outra. Situo-o fora ou para além de todos os “agoras” que se alinham, para trás e para frente, direito ao passado ou ao futuro da hora presente.[27]

Palavra que, em René Char e as águas irretornáveis de Heráclito, realiza “esse duro combate com o que é anterior” (a “lonjura” e o “outrora” de Souza), “sofrendo uma dupla violência, parece iluminar-se através do silêncio nu do pensamento”.[28]

E pára.

 

IV Ato – O último a falar: Paul Celan

 

O último ato de nossa ópera Uma voz vinda de outro lugar nos apresenta, nu, cego e mudo, o poeta, tradutor, ensaísta romeno nascido em Cernăuţi Paul Celan (1920-1970), pseudônimo de Paul Pessakh Anstschel.

Estamos “cercados de branco”, em um “vazio saturado de vazio”, esses “olhos cegos para o mundo, olhos que a palavra submerge até a cegueira”, “a eternidade nasce cheia de olhos”, esse “fora / no não país, no não tempo (o contratempo)”,[29]  e o maestro Maurice Blanchot reúne todos os “músicos-poetas” (Agostinho, Bonnefoy, Jolles, Rancière, Sócrates, Souza), todos os “cantos-previdentes” no palco de nossa ópera duodecafônica que iniciamos com o barulho ao redor, com vários pensadores, e poetas e teorias por nós conectados, até chegarmos ao silêncio de Blanchot que não nos permite dizer mais nada.

A morte, a palavra. Nos fragmentos de prosa que Celan afirma seu projeto poético, ele jamais chega exatamente a renunciar a um projeto. Em seu discurso em Bremen: Os poemas estão sempre em movimento, estão em relação a alguma coisa, inclinam-se na direção de alguma coisa. Na direção de quê? De algo que se mantém aberto e que poderia ser habitado, de um Tu a quem seria possível talvez falar, de uma realidade próxima de uma palavra. É nesse mesmo pequeno discurso que, com extrema simplicidade e sobriedade, Celan faz alusão ao que poderia significar para ele – e, através dele, para nós – a possibilidade que não lhe foi retirada de escrever poemas naquela língua através da qual a morte se abateu sobre ele, sobre os seus próximos, sobre os milhões de judeus e não judeus, um evento sem resposta.[30]

 

Uma peça teatral – Michel Foucault

            Maio de 1968. Numa mudança (nem tão) radical de tom, da Poesia para a Prosa, para o “pensamento abstracto” (de Paul Valéry), nos descobrimos agora em forma de peça teatral em Uma voz vinda de outro lugar. Blanchot narra um encontro imaginário com o filósofo, historiador de ideias, teórico social, filólogo, crítico literário francês nascido em Poitiers Michel Foucault (1926-1984). No pátio da Sorbonne eles se encontrariam, “quando cada um podia falar ao outro, anônimo, impessoal, um homem entre homens, acolhido sem outra justificativa além de ser outro homem”.[31]  Descobrimos no final do livro de Blanchot a “forma” do nosso ensaio poético-musical-teatral: uma ficção do possível.

Foucault foi apresentado a Blanchot por Roger Callois que talvez considerasse o jovem pensador francês feito um “espelho em que discerne não seu duplo, mas aquele que gostaria de ter sido”.[32] Blanchot considera que desde o primeiro livro Foucault aborda questões referentes à filosofia (razão/desrazão), mas sob o “prisma” da história e da sociologia. Este tenta descobrir os perigos a que estamos expostos “para tentar ganhar tempo”, para tentar, através de estratégias, enveredar por caminhos mais desiludidos.

O “historiador de ideias” evita o estruturalismo porque “pressente um aroma do transcendentalismo”. Ele ancora-se na “superfície”, nega as “armadilhas da subjetividade”, “não rejeita a história, mas distingue nela descontinuidades”.[33] Notamos que Blanchot, agora em uma peça teatral, repete o mesmo “cânone” do Ostinato de Louis-René des Forêts, a mesma “organização fragmentária”, a mesma “falta de continuidade” da ópera em quatro atos, primeira parte do nosso ensaio, como que unindo as duas pontas da Prosa e da Poesia, do Teórico e do Ficcional, da Vida e da Arte.

Em A ordem do discurso, sua aula inaugural no Collège de France (onde, em princípio, dizem o que será feito nas aulas seguintes, mas que vão dispensar-se de fazer porque acabou de ser dito e porque o que foi dito não suporta ser desenvolvido), Foucault enumera, de forma mais clara e talvez menos estrita (seria preciso investigar se essa perda de rigor se deve apenas às exigências de um discurso magistral ou então a um princípio de dessinteresse diante da própria arqueologia), as noções que devem servir a uma nova análise. Assim, propondo o acontecimento, a série, a regularidade e a condição de possibilidade, ele usará esses termos para opô-los, um a um, aos princípios que, de acordo com ele, dominaram a história tradicional das ideias, opondo assim o acontecimento à criação, a série à unidade, a regularidade à originalidade e a condição de possibilidade aos significados – ao tesouro escondido dos significados ocultos.[34]

Foucault trata da noção de sujeito na produção literária. Essa “não-obra”, esse “não-autor”, essa “não-unidade-criadora”, não significa o desaparecimento do sujeito. Significa antes o questionamento da unidade, a fragmentação do todo, “essa nova maneira de ser que é o desaparecimento”,[35] “desaparecimento” que já vimos com o maestro-Blanchot quando regia o primeiro ato de sua ópera, quando conduzia-nos através dos acordes da poesia de Louis-René des Forêts e esse “escrevendo apenas para apagar o que já foi escrito”[36] que tratamos na página 5 de nosso ensaio.

Chegamos a Vigiar e punir, e não chegamos inocentes. Blanchot narrou A arqueologia do saber, A ordem do discurso, nessa peça teatral de linha condutória única, apesar de fragmentária. Descobrimos em Vigiar que “o confinamento é o princípio arqueológico da ciência médica”, que “a soberania tem origens obscuras”, e pressentimos que “Foulcault quase preferiria as épocas assumidamente bárbaras, quando os suplícios não dissimulam em nada sua atrocidade”.[37]

Foucault em Blanchot atualiza os conceitos de punição e poder e que não estão tão distintos daquela época “bárbara” quanto imaginamos. Ele nos recorda Heidegger quando nos remete à “analítica da consciência moral”, nossa “herança aristotélica” e que “no nosso interior, há uma palavra que se faz sentença, veredicto, afirmação absoluta. Isso é dito, e essa afirmativa primeira, removida de qualquer diálogo, é a palavra da lei, que ninguém tem o direito de contestar”.[38] E nos lembramos da “letra órfã de Pai ausente ou escondido do discurso” de Jacques Rancière (também) citado na página 5 do presente estudo.

No “contratempo” à Sociedade do Sangue, a Sociedade do Saber. Sangue hereditário. Saber sexual. A História da sexualidade de Foucault nos desafia “a recusar as pretensões da Lei”, porque o “sangue reabsorveu o sexo”. Mas tomemos cuidado. A peça teatral chega ao fim e o nazismo aparece fantasmagoricamente em História para nos lembrar das “fantasias do sangue com o paroxismo disciplinar”. Só resta a Foucault fazer as pazes com a psicanálise de Freud e a restauração da antiga Lei da aliança, quando este “devolveu à Lei seus direitos anteriores”.[39]

Só nos resta entender a última obra de Michel Foucault que foi ele mesmo. Na sua busca por uma genealogia da sexualidade na Antiguidade Grega, busca “passar dos tormentos da sexualidade à simplicidade dos prazeres”. Por quê? Porque a doença anuncia os seus últimos dias, anuncia as nossas últimas linhas desse ensaio, dessa ópera em quatro atos e uma peça teatral que chama-se Uma voz vinda de algum lugar. Blanchot se despede do encontro imaginário com o homem que admira, e nós nos despedimos deste ensaio com a fase final da vida de Foucault e seu cuidado com si, que foi cuidado com os outros.

Os livros que vai escrever sobre temas que lhe são muito próximos são, à primeira vista, livros de historiador estudioso mais do que obras de investigação pessoal. Até o estilo é diferente: calmo, apaziguado, sem a paixão que queima em tantos de seus outros textos. Entrevistado por Hubert Dreyfus e Paul Rabinow e interrogado sobre seus projetos, ele exclama, de repente: “Oh, eu vou primeiro cuidar de mim!” Declaração que não é fácil de esclarecer, mesmo se pensarmos um pouco apressadamente que, seguindo a Nietzsche, ele estivesse inclinado a fazer de sua existência – daquela que lhe restava viver – uma obra de arte.[40]

 

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* Para baixar o arquivo em PDF: Uma voz vinda de outro lugar – Uma ópera em quatro atos e uma peça teatral – Patricia (Gonçalves) Tenório – 05 e 060416

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* Patricia (Gonçalves) Tenório escreve prosa e poesia desde 2004. Tem nove livros publicados, O major – eterno é o espírito (2005), As joaninhas não mentem (2006), Grãos (2007),  A mulher pela metade (2009), Diálogos e D´Agostinho (2010), Como se Ícaro falasse (2012),  Fără nume/Sans nom (2013)), Vinte e um / Veintiuno (lançado em 11 (Lisboa) e 13 (Madri) de abril de 2016),  e, no prelo, A menina do olho verde (a ser lançado na Livraria Cultura RioMar Recife em 28 de maio de 2016 e possivelmente na Livraria Cultura Bourbon Porto Alegre em 11 de junho de 2016).  Defendeu em 17 de setembro de 2015 a dissertação de mestrado em Teoria da Literatura, linha de pesquisa Intersemiose, na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, “O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural”, com o anexo, o ensaio romanceado O desaprendiz de estórias (Notas para uma Teoria da Ficção), sob a orientação da Prof. Dra. Maria do Carmo de Siqueira Nino. Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e www.patriciatenorio.com.br

(1) BLANCHOT, Maurice. Uma voz vinda de outro lugar. Tradução: Adriana Lisboa. Rio de Janeiro: Rocco, (2002 in) 2011.

(2) BLANCHOT, Maurice. O livro por vir. Tradução: Leila Perrone-Moisés. São Paulo: Martins Fontes, (1959 in) 2005.

(3) Vide http://www.patriciatenorio.com.br/?p=6502. Escrito em 12/03/2016. Última atualização: 27 de março de 2015.

(4) FORÊTS, Louis-René des apud BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 16, itálico da edição.

(5) FORÊTS, Louis-René des apud BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 18, itálico da edição.

(6) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 21, itálico da edição.

(7) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 25.

(8) VILA-MATAS, Enrique. Bartleby e companhia. Tradução: Maria Carolina de Araújo e Josely Vianna Baptista. São Paulo: Cosac & Naify, (2000 in) 2004.

(9) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 25.

(10) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 26.

(11) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 26.

(12) AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução: L. Oliveira e A. Ambrósio de Pina. 2. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, (397 in) 2013 – (Vozes de Bolso), livro XII, p. 293.

(13) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 31.

(14) BONNEFOY, Yves. Entrevista: Yves Bonnefoy: A Poesia Pode Criar um Novo Céu e uma Nova Terra. In Calibán: uma revista de cultura. Entrevista e tradução: Isabelle Macor-Filarska e Patricia (Gonçalves) Tenório. N. 10. Rio de Janeiro: Calibán, 2007, p. 9-10, itálico e colchetes nossos.

(15) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 35.

(16) JOLLES, André. Formas simples: Legenda, Saga, Mito, Advinha, Ditado, Caso, Memorável, Conto, Chiste. Tradução: Álvaro Cabral. São Paulo: Cultrix, (1930 in) 1976, p. 83-108.

(17) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 36-37.

(18) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 38.

(19) RANCIÈRE, Jacques. Políticas da escrita. Tradução: Raquel Ramalhete… [et al]. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1995, p. 12.

(20) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 43.

(21) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 53.

(22) SÓCRATES in PLATÃO. Fedro. Tradução, apresentação e notas: Edson Bini. São Paulo: EDIPRO, 2012, p. 112.

(23) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 55.

(24) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 60.

(25) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, respectivamente, p. 62, 63 e 64.

(26) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 66.

(27) SOUZA, Eudoro de. História e mito. Brasília, Editora Universidade de Brasília, 1981, p. 3.

(28) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 69.

(29) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, respectivamente, p. 75, 77, 79, 83, 86.

(30) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 103, itálico da edição.

(31) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 113.

(32) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 115.

(33) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, respectivamente, p. 118, 121, 123.

(34) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 103, itálico da edição.

(35) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 127.

(36) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 41.

(37) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, respectivamente, p. 133 e 136.

(38) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 139.

(39) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, respectivamente, p. 145-147, 148, 149, 150-151.

(40) BLANCHOT, Maurice. Op. cit., (2002 in) 2011, p. 158.

“Notas sobre o Talento na Criação Literária”* | Patricia Tenório**

14/06/13

 

A pergunta

Na décima quarta aula de “A poética do ensaio”, disciplina ministrada pelo professor Lourival Holanda, no Centro de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Pernambuco foi levantada uma questão para mim instigante. Digamos mais do que instigante, desconcertante.

– Existe talento?

À questão se juntaram outras e outras, feito um fio de novelo sem fim que desfiamos.

– Todos podem escrever?

– Não existe vocação, mas vocações?

– O talento está morto? O que existe é o trabalho e o estudo?

Tentei dar respostas, ali, à queima-roupa, sem parar, sem investigar o motivo do incômodo gerado em mim, a inquietação talvez por não ter certeza daquelas palavras que saíam de minha boca, talvez por me fazer uma(s) outra(s) pergunta(s) que eu não desejava fazer naquele instante.

– Por que sou escritora?

– Será que tenho talento para escrever?

– Alguém nasce escritor ou torna-se escritor?

Durante os três meses em que estudamos sobre “A poética do ensaio” navegamos por entre diversos teóricos, tentamos trazer para perto de nós uma forma de escrever ensaio de maneira leve, mas sempre fundada na teoria, no que foi construído anteriormente, mas buscando o nosso olhar próprio. Individual.

Mas antes de tudo precisava responder a mim mesma a grande questão, a maior de todas.

– Por que preciso escrever?

Lembro-me das Cartas a um jovem poeta, em que Rainer Maria Rilke escreve ao iniciante Franz Xavier Kappus que lhe apresenta seus primeiros poemas na expectativa de um conselho, de algum reconhecimento. Mas Rilke lhe responde com uma nova pergunta.

 

“O senhor está olhando para fora, e é justamente o que menos deveria fazer neste momento. Ninguém o pode aconselhar ou ajudar – ninguém. Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever?”[1]

 

Pois bem, caro Rilke, a pergunta está lançada. Mas como respondê-la, como organizá-la em aproximadamente dez páginas?

Assim como em “O Filme-Ensaio” de Arlindo Machado,[2] devo “eleger um ponto de vista”, recortar um tempo e um espaço para nesta “quadratura do círculo” concentrar a investigação, potencializá-la até o máximo, e dela sair com alguma espécie de conhecimento próprio, pensado por mim. Ou ao menos organizado por mim.

Sigo a intuição e a primeira coisa que busco é a origem da palavra “talento”. É de origem latina. Refere-se à tendência que o indivíduo possui para exercer uma determinada atividade. Mais à frente descubro que a primeira aparição da palavra foi no cristianismo, com A Parábola dos Talentos. Nela um senhor precisa viajar e deixa com seus servos: cinco talentos com o primeiro, dois com o segundo e um talento com o terceiro. O primeiro e o segundo servos exercem os talentos, frutificando-os e duplicando-os, o que gera uma enorme satisfação ao senhor que, ao voltar de viagem, os convida para “regozijar-se” com ele. Quanto ao terceiro… O terceiro servo, por temer “a dureza” de seu senhor, esconde o único talento na terra para devolvê-lo intacto quando de seu retorno. Não precisamos contar o resto da história para saber que “esse servo inútil” será “jogado nas trevas exteriores” onde “haverá choro e ranger de dentes”.[3]

Continuo seguindo a intuição e ela me elenca livros. Livros que li recentemente, livros que há tempos respirei suas páginas, aspirei a seus ensinamentos e que, de maneira sub-reptícia, fazem parte de mim agora. Assim como Auguste Rodin sugere aos seus discípulos.

 

“Apoderai-vos das regras da técnica, e depois esquecei-as todas e cedei à inspiração.”[4]

 

“Apoderai-vos das regras da técnica.” Mas se “todos podem ser escritores”, se “o talento está morto”, “se não existe uma vocação, mas vocações”, o que diferenciaria um escritor de um engenheiro, de um médico, de um advogado? Ou melhor, todos poderiam ser engenheiros, médicos, advogados?

 

Perdoando Deus

A pergunta ainda angustia. Mas a dúvida nos põe em movimento e “a dúvida é a mãe do ensaio”, ouvi em aula, e introjectei. Introjectei e me enxerguei naquela frase, “porque ela já estava dentro de mim”, e ela “quebrou as minhas certezas”, porque nada mais mórbido do que o inquestionável. A dúvida que Clarice/Personagem Lispector se faz em “Perdoando Deus”. A dúvida por passear distraidamente pela avenida Copacabana no Rio de Janeiro e se sentir tão “boa”, e “livre”, e “a mãe de Deus” é bruscamente interrompida pela visão de um rato no meio do caminho. A dúvida que a faz pensar se é isso mesmo o que deseja veementemente, com todas as suas forças, com todas as suas células.

– Morreria, se lhe fosse vedado escrever?

Adélia Prado questiona também essa “mão de Deus” quando escreve. Essa inspiração? Esse talento? Essa vocação? Quando em “Oráculos de maio” diz da sina de todo poeta.

 

“Ao escolher palavras com que narrar minha

angústia,

eu já respiro melhor.

A uns Deus os quer doentes,

a outros quer escrevendo.”

 

Mas como se “perdoando Deus” por esta sina…

 

“Sei que Deus mora em mim

como em sua melhor casa.

Sou sua paisagem,

sua retorta alquímica

e para sua alegria

seus dois olhos.

Mas esta letra é minha.” [5]

 

No filme de Milos Forman, Amadeus (1984), Antonio (F. Murray Abraham) Salieri não perdoa a Deus por entregar o dom, o talento da música ao jovem e indecente Amadeus (Tom Hulce) Mozart. “O talento se vê no rosto?”, ele pergunta. Por que os esforços de Salieri, que dedica toda uma vida, a sua própria castidade para ser agraciado por Deus com o gênio, a nota justa, a música que eleve o ser humano da sua condição de rés do chão ao mais alto e divino cume do desejo: a eternidade?

Talvez Milos Forman em Amadeus tentasse impingir sua filosofia da genialidade. De que uns nascem com a tendência, com a espontaneidade, com a liberdade para escrever partituras inteiras apenas na mente, e, ao transpô-las para o papel, não há rasuras. Outros penam, e suam, e se esforçam noites a fio para retirar uma simples nota do silêncio. Mas busquemos o equilíbrio. Vamos aos livros, vamos aos mestres e escutemos o que Ariano Suassuna tem a nos dizer.

 

A ave de rapina

Não sei se foi pessoalmente ou de ouvir falar sobre uma “quase” pergunta que um jornalista capcioso fez ao escritor paraibano, radicado no Recife, Ariano Suassuna.

– As histórias que o senhor escreve estão nos cordéis, nos contos populares…

Ariano, com o seu jeito irônico e perspicaz, intuiu de pronto.

– O senhor quer dizer, se as histórias estavam todas aí, na boca do povo, o que é que eu fiz mesmo?

O jornalista, em silêncio.

– Eu escrevi, rapaz!

Se as histórias de Ariano poderiam ser contadas, e narradas, e escritas por qualquer um, por que foi que justamente ele tomou papel e lápis e “elegeu um ponto de vista” no tempo e espaço e se apropriou dos personagens e os deu vida feito se fossem seus?

Mas em Iniciação à estética[6] o próprio Ariano Suassuna nos alerta para o que é essencial.

 

“… no ofício e na técnica está tudo o que numa Arte pode ser ensinado, tudo aquilo que é governado pelas vias certas e determinadas da Arte, coisa indispensável ao iniciante, mas que, no máximo, forma um bom artesão.”

 

Ariano bebe em Notions d’Esthétique, de Charles Lalo, que define o ofício como “a parte material da Arte”, enquanto “a técnica é o ofício vivo adaptado”. Tomando o ofício como “tudo o que pode ser ensinado”, Ariano concorda com Auguste Rodin quando afirma que esse “tudo” deve ser apreendido até ser esquecido, até entrar no sangue, até ser o “leão” com “o carneiro assimilado” de Paul Valéry. Quanto à técnica, seria para Lalo a busca pela voz própria do artista, seu caminho único, individual:

 

“No ser organizado que é uma obra, o ofício aprendido é o corpo, o ideal imaginário é a alma e a técnica viva é a Arte, corpo e alma.”

 

Mas Ariano Suassuna vai além de Charles Lalo quando considera um terceiro campo da criação artística: o campo da forma. A forma governada pela “imaginação criadora” não anuncia dia e hora, não escolhe local ou situação para se manifestar. É preciso estar atento, mas ao mesmo tempo distraído, porque “a originalidade” somente se manifesta de maneira “verdadeira” quando prontos e distraídos caminhamos pela avenida Copacabana do Rio de Janeiro e “a imaginação criadora” desce “do sol como uma ave de rapina” em nosso chão, e não temos mais chão, e não possuímos mais certezas, a dúvida nos faz uma pergunta e somos tomados, o corpo inteiro, a alma inteira, por essa única e grandiosa pergunta.

 

O ponto cego

Edgar Allan Poe investiga em “A filosofia da composição”[7] como o seu poema mais célebre, “O Corvo”, é construído. Navegando na busca do tom, extensão, forma e clímax, Poe procura provocar um efeito o mais universal possível para o seu leitor, efeito que para ele é o da tristeza, da melancolia pela perda da mulher amada, a Beleza como “província do poema”. O poeta descreve os passos, os desvios, os caminhos percorridos na construção de sua torre de marfim, torre alva que contrasta com a plumagem de seu “Corvo”, provocando a reação esperada, a catarse prevista para todo e qualquer ser humano.

Mas seria o artista detentor de tal poder? Teria ele a condição de, à medida que escreve, ou esculpe, ou pinta, ou dedilha um instrumento tentando arrancar dele “uma simples nota do silêncio”, enxergar esse ponto cego?

O fato é que, independentemente de o conseguir ou não, “enxergar o ponto cego”, o artista, e tomando aqui especificamente o caso do escritor, só tem condições de “ao menos roçar” esse ponto cego ao entrar, ao mergulhar em si, no seu interior.

Sabemos o quanto essa tarefa é quase impossível na sociedade em que vivemos. Sociedade do espetáculo, do simulacro, em que é preciso ser visto para ser lido, em que nos transformamos apenas em uma imagem de nós mesmos; o escritor é infinitamente tentado   a aparecer mais do que ser, aparecer em congressos, feiras literárias, debates e palestras. Não sobra tempo, enfim, para ser o que mais interessa, que é ser escritor, ou melhor, para exercer o que seu próprio nome exige: escrever.

Ah, se retornássemos aos clássicos, aos grandes – e este é sempre o principal conselho nas oficinas literárias, nos cursos universitários ou não de formação de escritores… Se déssemos ouvidos ao filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860) talvez nem fôssemos escritores na “sociedade do espetáculo” em que vivemos. Pois para ele, para Schopenhauer:[8]

 

“(…) ninguém se dedicaria seriamente a um assunto se não fosse impelido pela necessidade, pela fome.”

 

Ele fala da fome (a necessidade premente de Rilke), ele fala da individuação (a letra “própria” de Adélia). Mas essa fome e essa individuação necessitam da ponte do mergulho em si, o mergulho nessas águas turbulentas em que não há garantias de se retornar lúcido e são, assim como nos dizeres da entrada do Centro Psiquiátrico Pedro II no Rio de Janeiro, onde a prof. dra. Nise da Silveira fundou o Museu do Inconsciente:

 

“A diferença entre o louco e o artista é que o artista vai e volta; o louco não.”

E o artista volta maior, trazendo em suas mãos, “em suas tão dolorosas mãos”, o conhecimento que a arte lhe dá de maneira gratuita, assim como de maneira gratuita recebemos do amor.

 

Pensar por si mesmo

Schopenhauer critica veementemente os eruditos, aqueles que, assim como ele mesmo cita Alexander Pope, vivem “sempre lendo para nunca serem lidos”. Claro que Schopenhauer não está criticando a leitura, especialmente dos antigos, da fonte, dos gregos, da Bíblia, dos textos que nos constituíram. Mas o filósofo alemão está criticando a falta de coragem para ousar “caminhar com as próprias pernas”, mesmo que sujeito a mais quedas que acertos, mais desvios que sucessos. Porque esses “longos, perigosos e tortuosos caminhos” nos plasmam, são nossos, únicos e de mais ninguém.

É preciso conhecer o antigo para, se assim o desejar, desconstruí-lo. É preciso ler para escrever, assim como é preciso ingerir para digerir. Mas é preciso o tempo da digestão, da decantação, da escolha do que me apetece, do que me interessa, para poder desse algo produzir frutos bons e próprios.

O que faríamos se estivéssemos exilados em um país distante, distantes de nossa biblioteca particular, de tudo o que lemos e seguidamente retornamos, e consultamos, e frequentamos para termos a certeza de que estamos no caminho certo?

Isso ocorreu com Eric Auerbach no momento em que escreveu a sua obra mais (re)conhecida, Mimesis, a representação da realidade na literatura ocidental. Segundo Roland Bourneuf,[9] estava Auerbach exilado em Istambul, judeu que era fugindo da perseguição nazista, e desprovido de seus livros e/ou edições suficientemente boas para apoiá-lo e servir-lhe de âncora para seu pensamento. Mas Borneuf considera isso uma “sorte”, por abandonar Auerbach “frente a frente” com seu “texto nu”, tal ele precisasse retirar das entranhas a sua matéria-prima e plasmá-la a partir do que foi apreendido e “assimilado” feito o “carneiro” de Valéry – repito-me, mas esta é uma das imagens que mais representa o aprendizado para mim.

Interessante Auerbach tratar da história da “representação da realidade na literatura ocidental” tendo que lidar diretamente com os signos das lembranças dos textos incrustados em si, e não com a sua “representação” escrita nos livros. Ou como Schopenhauer afirma:

 

“(…) aqueles que são estimulados pelas próprias coisas têm seu pensamento voltado para elas de modo direto.”[10]

 

E leiamos “as próprias coisas” de Schopenhauer como um “pensar por si mesmo”, escalar o próprio monte, ainda que correndo o risco de no cume dessa montanha mais alta, de ar mais puro e rarefeito, encontrarmos nada mais nada menos que o eco do nosso próprio nome.

 

A poesia é o que nos escapa

 

Mário Quintana insistia em um verso seu que “não perguntasse qual era o assunto de um poema: um poema sempre fala de outra coisa”.

Tentei aqui, “aproximadamente em dez páginas”, buscar as “apostas às respostas” que me “fiz um dia”.

A poesia, a literatura, o ensaio, é o que nos escapa. Pensamos em escrever um texto e descobrimos outro. Iniciamos um diálogo, e não sabemos o que diremos daqui a um minuto, daqui a um segundo, daqui a uma página, daqui a cinco palavras. Entramos no jogo do texto de maneira diferente de um jogo tradicional: sem querer vencer, sem querer o fim do jogo, o encontro do significado, pois com ele estagnamos e cristalizamos e criamos raízes tão profundas na pedra que já não nos sabemos gente ou pedra, vivos ou inertes, dinâmicos ou estáticos, e precisamos, por sermos curiosos, por sermos espantados, precisamos sempre continuar, sempre buscar a origem dessa “fome que nos come”, desse “verme que nos corrói”, dessa “angústia criadora” que nos põe em movimento, o poema que nos roça, o rio heraclitiano em que somos diversos e ainda somos os mesmos, o Uno no Diverso de Huberto Rohden.

Volto ao início. Volto ao dicionário no qual busquei a origem da palavra “talento”. Procuro a sua palavra irmã “vocação” e descubro uma curiosidade: no sentido jurídico, “vocação” remete à “convocação feita a alguém para que esta pessoa tome posse daquilo que lhe pertence por direito”.

“Tomar posse daquilo que me pertence por direito.” Talvez seja essa uma das respostas. Talvez seja nessa exaustão em que me encontro onde “apascentarei a alma” e descortinarei algum repouso. Repouso que pressinto ser passageiro, o silêncio após a sinfonia, a estiagem após a tempestade, a brisa após o vendaval.

Para, quem sabe, depois de tudo, de esvaziar o pensamento, de alicerçar tantos estudos, tantos autores, tantas vozes, os ruídos, de algum lugar, longe, longe, e lá de dentro eu escutar, e auscultar um bum-bum-bum que é meu, e só meu, de mais nada e mais ninguém. Um doce murmúrio chamado escrita.

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* O presente texto refere-se ao trabalho final da disciplina “A poética do ensaio”, ministrada pelo prof. dr. Lourival Holanda, no período de março a junho de 2013, no Centro de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Pernambuco, que cursei como aluna ouvinte.

** Patricia (Gonçalves) Tenório é escritora desde 2004. Escreve poesias, romances, contos. Tem oito livros publicados: O major – eterno é o espírito, 2005, biografia romanceada, Menção Honrosa no Prêmios Literários Cidade do Recife (2005); As joaninhas não mentem, 2006, fábula, Melhor Romance Estrangeiro da Accademia Internazionale Il Convivio, Itália (2008); Grãos, 2007, contos, poemas e crônicas, Prêmio Dicéa Ferraz – UBE-RJ (2008); A mulher pela metade, 2009, ficção; Diálogos, contos, e D´Agostinho, poemas, 2010; Como se Ícaro falasse, ficção, Prêmio Vânia Souto Carvalho – APL-PE (2011), lançado em novembro de 2012. Em 2013, recebeu o Prêmio Marly Mota, da União Brasileira dos Escritores – RJ, pelo conjunto de sua obra, e lançou em Paris Fără nume/Sans nom, poemas, contos e crônicas em francês e romeno, pela editora romena Ars Longa. Está no prelo, a ser lançado em fevereiro de 2016 pela editora espanhola Mundi Book Ediciones, Vinte e um, uma coletânea em português e espanhol de vinte e um contos escritos entre novembro de 2011 e janeiro de 2014. Mantém o blog www.patriciatenorio.com.br, no qual dialoga com diversos artistas, em diversas linguagens. Defendeu em 17 de setembro de 2015 a dissertação de mestrado em Teoria da Literatura, linha de pesquisa Intersemiose, na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural, sob a orientação da Prof. Dra. Maria do Carmo de Siqueira Nino.  Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e www.patriciatenorio.com.br

(1) RILKE, Rainer Maria. Cartas a um jovem poeta e A canção de amor e de morte do porta-estandarte Cristóvão Rilke. Tradução: Paulo Rónai e Cecília Meirelles. São Paulo: Globo, 2001, p. 26.

(2) MACHADO, Arlindo. “O Filme-Ensaio”. Em http://www.slideshare.net/ArquivoColetivo/filmeensaio-por-arlindo-machado.

(3) Evangelho Segundo São Mateus, 25, 14-30.

(4) RODIN, Auguste in ROHDEN, Huberto. Filosofia da arte. São Paulo: Martin Claret, 2007, p. 35.

(5) PRADO, Adélia. Oráculos de maio in Cadernos de Literatura Brasileira. Número 9. São Paulo: Instituto Moreira Salles. 2000, p. 96.

(6) SUASSUNA, Ariano. Iniciação à estética. Texto revisado e cotejado por Carlos Newton Júnior. 5ª edição. Recife: Ed. Universitária da UFPE. 2002, pp. 235-240.

(7) POE, Edgar Allan. Poemas e ensaios. Tradução: Oscar Mendes, Milton Amado. Revisão e notas: Carmen Vera Cirne Lima. 3ª ed. revista. São Paulo: Globo, 1999, pp. 101-114.

(8) SCHOPENHAUER, Arthur. A arte de escrever. Tradução, organização, prefácio e notas: Pedro Süssekind. Porto Alegre: L&PM, 2007, pp. 19-54.

(9) http://id.erudit.org/iderudit/500105ar referente a Erich Auerbach, Mimésis, la représentation de la réalité dans la littérature occidentale, Roland Bourneuf. Traduzido do alemão por Cornélius Heim. Paris: Gallimard, 1968, 559 p.

(10) Idem (8), p. 58.

Índex* – Maio, 2014

O escritor é uma pessoa que passa anos tentando descobrir com paciência um segundo ser dentro de si,

e o mundo que o faz ser quem é: quando falo de escrever,

o que primeiro me vem à mente não é um romance, um poema ou a tradição literária,

mas uma pessoa que fecha a porta, senta-se diante da mesa e, sozinha, volta-se para dentro:

cercada pelas suas sombras, constrói um mundo novo com as palavras.

(A maleta do meu pai, Orhan Pamuk)

– Eu sempre quis que vocês admirassem meu jejum – disse o artista da fome.

– Nós o admiramos – retrucou o inspetor – por que não haveríamos de admirar?

– Mas não deviam admirar – disse o jejuador.

– Bem, então, não admiramos – disse o inspetor. Por que é que não devemos admirar?

– Porque eu preciso jejuar, não posso evita-lo – disse o artista da fome.

 (O artista da fome, Franz Kafka)

A experiência da fome no Índex de Maio, 2014 do blog de Patricia Tenório.

“Sans nom/ Fără nume” | Patricia Tenório (PE-Brasil).

Festival Alba Transilvania, Alba Iulia, Romênia, Maio, 2014.

“As Crônicas de Aia” | José Augusto Nobre de Medeiros (RN-Brasil).

Une vraie histoire | Enviada por Youcef Amier (França).

XVIII Jornada de Estudos Traços Freudianos Veredas Lacanianas Escola de Psicanálise (PE-Brasil).

Agradeço a participação de todos(as), a próxima postagem será em 29 de Junho de 2014.

Até lá,

Patricia Tenório.

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Index* – May, 2014

The writer is someone who spends years patiently trying to discover a second being inside him,

and the world that makes you who you are : when I speak of writing,

what first comes to mind is not a novel, a poem, or literary tradition,

but a person who closes the door, sits down at the table, and alone, turns inward:

surrounded by their shadows, builds a new world with words.

( The case of my father, Orhan Pamuk )

 I always wanted you to admire my fasting – said the hunger artist .

 We admire – said Inspector – why should not we admire ?

 But you should not admire – said the fasting person .

 Well then , we don’t admire – the inspector said . Why should not we admire ?

 Because I need to fast , I can not avoid it – said the hunger artist .

(The Hunger Artist , Franz Kafka )

The experience of hunger in the Index of May, 2014 in the blog of Patricia Tenório.

“Sans nom/ Fără nume” | Patricia Tenório (PE-Brasil).

Festival Alba Transilvania, Alba Iulia, Romania, May, 2014.

“The Cronicles of Aia” | José Augusto Nobre de Medeiros (RN-Brasil).

One true history | Sent by Youcef Amier (France).

XVIII Jorney of Studies Freudian Traces Lacanian Paths School of Psychoanalysis (PE-Brasil).

I appreciate the participation of all, the next post will be on 29th June, 2014.

See you there,

Patricia Tenório.

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Praga III

Praga VI

Praga VII

Praga VIII

**

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* Índex foi traduzido apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated into English only as a matter of the extension of the post.

**Imagens de Praga, terra natal d”O artista da fome”, Franz Kafka. Images of Prague, birth land from “The hunger artist”, Franz Kafka.

“Sans nom/ Fără nume” | Patricia Tenório

Fara nume

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poemas, Contos e Crônicas, 2013 / Poèmes, histoires et croniques, 2013

Francês e Romeno / Français et Roumain

ISBN: 978-973-148-145-6

Preço / Prix: 10,00 euros

100 páginas / pages

 

O oitavo livro da escritora brasileira Patricia Tenório vem para consolidar seu caminho pelo mundo das palavras desde 2004, há quase 10 anos. Desta vez, contos, poemas e crônicas publicados, na maior parte, em seus sete livros anteriores aparecem aqui em outras línguas: o francês (tradução efetuada pela própria autora com a colaboração da tradutora e poetisa francesa Isabelle Macor-Filarska) e o romeno (traduzido pela tradutora e poetisa romena Flavia Cosma).

Com o selo da editora romena Ars Longa, Sans nom/ Fără nume vem ao encontro do desejo de todo artista de se comunicar com o Outro, com “diversos artistas”, em “diversas linguagens”.

Le huitième livre de l’écrivain brésilien Patricia Tenorio vient consolider son chemin à travers le monde des mots, depuis 2004, il y a presque dix ans. Cette fois-ci, des histoires, des poèmes et des chroniques publiées, la plupart, de ses sept livres précédents apparaissent ici dans d’autres langues: en français (traduction faite par l’auteur en collaboration avec la traductrice et poète française Isabelle-Macor Filarska) et en roumain (traduit par la traductrice et poète roumaine Flavia Cosma).

Avec l’empreinte de la Maison d’Edition Roumanie Ars Longa, Sans nom/ Fără nume vient pour répondre au désir de chaque artiste de communiquer avec l’Autre, avec “différents artistes” dans “différentes langues”.

 

Un nume

 

Vroiam să iau numele tău

Şi să-l ascund în adâncul cel mai adânc al fiinţei mele

Unde pot să-ţi caut rostul şi să descopăr

De ce nu-mi ieşi din gânduri

Să găsesc un loc liniştit

Unde să-l las în anonimat

Eu întreb şi tu nu răspunzi

Pentru că tu ştii, oh, dragostea mea

Tu ştii că nu există adevăr.

Decembrie 2006

 

 Nom

Je voudrais prendre ton nom

Et le cacher dans la profondeur de moi-même

Où je peux chercher ton sens et découvrir

Pourquoi tu ne sors pas de mes pensées

Trouver un lieu tranquille

Pour l’y laisser anonyme

Je demande et tu ne réponds pas

Parce que tu sais, oh, mon cher

Tu sais qu’il n’y a pas de vérité.

Décembre 2006

Traduit de « Grãos », Maison d´Edition Calibán, Brésil, 2007

   

      Nome             

 

Eu queria prender teu nome

E guardar na profundidade de mim

Onde eu possa procurar teu sentido e descobrir

Porque não sais de meus pensamentos

Encontrando um lugar tranqüilo

Para ali deixar anônimo

Eu pergunto e não respondes

Porque tu sabes, oh, meu querido

Tu sabes que não existe a verdade.

Extraído de « Grãos », Editora Calibán, Brasil, 2007

Perna

  

In fiecare zi de îndată ce răsare soarele, ei vin să-mi dea un pupic în pat. Sosesc pas cu pas, ca şi cum n-ar dori nimic, ori simplu ca şi cum ar vrea să-mi facă o surpriză. Şi iată, eu deschid ochii, decepţia se aşterne pe feţele lor, farsa e jucată.

Când copii mei intră în camera mea ca să-mi spună: “La revedere mamă, mergem la şcoală”, simt o plăcere de neuitat, atât în zilele când sunt obosită pentru că am revenit prea târziu de la muncă, sau în zilele când am petrecut bine cu o seară înainte.  Ei sosesc aducându-mi o amintire dintr-un timp foarte depărtat şi în acelaşi timp foarte apropiat…

Timpul în care eram şi eu aşa de mică, când intram în camera părinţilor mei şi mă strecuram între ei sub cearceafurile de bumbac, căutând o mângâiere, un sărut pe păr, parfumul de iasomie al mamei, parfumul de lavandă a tatălui meu, şi mă simţeam persoana cea mai în siguranţă din lume.

Copii mei au plecat la şcoală. O lacrimă se scurge încet pe faţa mea şi moare pe pernă.

 

Mai 2007

L´Oreiller

            Tous les jours, sitôt le soleil levé, ils viennent me donner un baiser au lit. Pas à pas, ils arrivent, comme s’ils ne voulaient rien, ou simplement comme s’ils voulaient faire une surprise. Et voilà, j’ouvre les yeux, la déception se peint sur leur visage, la pièce est jouée.

Quand mes enfants entrent dans ma chambre pour dire « Au revoir, maman, nous allons à l’école », j’éprouve un plaisir inoubliable, aussi bien les jours où je suis fatiguée quand je rentre trop tard du travail, que les jours où j’ai passé une bonne soirée. Ils arrivent avec le souvenir d’un temps très lointain et en même temps si proche…

Le temps où j’étais aussi petite, quand j’entrais dans la chambre de mes parents et me glissais entre eux deux sous les draps de coton, en cherchant une caresse, un bisou dans mes cheveux, l’odeur de jasmin de ma mère, le parfum de lavande de mon père, et je me sentais la personne la plus sûre du monde.

Mes enfants sont partis à l’école. Une larme roule lentement sur mon visage et meurt sur l’oreiller.

 

Mai 2007

Traduit de « Grãos », Maison d´Edition Calibán, Brésil, 2007

O Travesseiro

  

Todos os dias, assim que o sol nasce, eles vêm me dar um beijo na cama. Passo a passo chegam, como se não quisessem nada, ou simplesmente como se quisessem fazer uma surpresa. Então eu abro os olhos, a decepção estampada nos rostos, a peça está montada.

Quando meus filhos entram no meu quarto para dizer um Até logo, mamãe, nós vamos à escola, eu provo um prazer inesquecível, tanto nos dias em que estou cansada quando chego muito tarde do trabalho, quanto naqueles em que saí com meus amigos. Eles chegam com a lembrança de um tempo tão distante e ao mesmo tempo tão próximo.

O tempo em que eu era também pequena, quando entrava no quarto de meus pais e me escorregava entre os dois sob os lençóis de algodão, procurando um carinho, um beijo nos meus cabelos, o cheiro de jasmim de minha mãe, um perfume de lavanda de meu pai, e eu me sentia a pessoa mais segura do mundo.

Meus filhos partiram para a escola. Uma lágrima rola lentamente sobre meu rosto e morre no travesseiro.

 

Extraído de « Grãos », Editora Calibán, Brasil, 2007

Fără nume

 

 

Fetiţa căuta cuvântul perfect

Care în treacăt i-a atins pielea într-un vis

Pe când porii ei răspândeau aroma de iasomie

Şi literele îmbălsămate în uleiuri ancestrale

Cădeau pe gâtul ei

Cerându-i să le legene,

Să le lase să-i spună poveşti

Pentru a adormi într-un somn nou

Pentru a visa stele, galaxii pierdute

Şi acel cuvânt perfect, rătăcitor prin spaţiu

Martie 2009

Sans nom

La petite fille cherchait le mot parfait

Qui lui avait effleuré la peau dans un rêve

Ses pores exhalaient l´arôme du jasmin

Et les lettres embaumées dans les huiles ancestrales

Tombèrent sur son cou

Lui demandant de la bercer,

De lui raconter des histoires

Pour dormir d’un sommeil nouveau

Rêver des étoiles, des galaxies perdues

Et le mot parfait vaquait dans l’espace

Mars 2009

 

Sem nome

A menina buscava a palavra perfeita

Que lhe roçara a pele num sonho

Os poros exalavam aroma de jasmim

E as letras embalsamadas nos óleos ancestrais

Tombaram em seu colo

Pedindo ninar, contar histórias

Para dormir um sono novo

Sonhar estrelas, galáxias perdidas

E a palavra perfeita vagando pelo espaço

 

 Março 2009

 

 

Festival Alba Transilvania, Alba Iulia, Romênia/Roumanie, Maio/Mai, 2014

É com imensa alegria que posto alguns textos, poemas de escritores, poetas, e antes de tudo, pessoas extraordinárias que tive o prazer de conhecer quando da minha passagem pela Romênia… Agradeço o carinho com que me receberam e espero encontrá-los em breve…

Patricia Tenório.

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C’est avec une grande joie que je vous mets quelques textes, poèmes par des auteurs, des poètes, et surtout des gens extraordinaires qui j’ai eu le plaisir de connaître quand de mon passage à travers la Roumanie … J’apprécie la gentillesse que j’ai reçu et j’espère les trouver dans bientôt …

Patricia Tenório.

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Le silence blanc, Christian Tămaș. Traduction Christian Tămaș. Iași: Ars Longa, 2013.

I

La ville

 

Il montait, sans bruit, les marches de l’escalier étroit, en les comptant mentalement, comme d’habitude, et en s’arrêtant de temps en temps pour reprendre son souffle. Pendant qu’il montait, il avait l’impression que le grondement de dehors se faisait moins sentir, interrompu parfois par le hurlement agaçant des sirens et par des coups de feu isolés. Après s’être arrêté trois fois, il monta les dernières marches et se s’arrêta devant une porte massive em chêne ou noyer (il ne se rappelait plus três bien les paroles du propriètaire à ce sujet au moment où il s’était installé dans l’appartement trois mois auparavant). Mais le loyer il l’avait payé um mois seulement, car, deux semaines plus tard, la grande folie, comme il lui plaisait de s’exprimer, avait commencé et tout avait éclaté…

[…]

Psaumes, Dorel Vișan. Traduction et preface Christian Tămaș. Iași: Ars Longa, 2013.

 

152 Seigneur, depuis une éternité…

 

Seigneur, je te chante depuis une éternité

Et tout comme une toupie je tourne

Sans cesse autour de Toi…

Et je ne sais pas dans la nuit

Si c’est Toi ou c’est moi qui crie (?)

Est-ce que

je m’agenouille humblement devant Toi

Ou vainement je cherche à regarder en moi (?)

Je suis seul, Seigneur,

Mais pas tant seul

Que je ne puisse lever

Afin d’ajouter une pierre à Ta construction

Je crains la viellesse

J’ai peur de ne pas pouvoir cueillir

Les fruits de mes yeux, de mes oreilles…

Chiures perdues parmi les étoilles…

Indigne serviteur sans renom que je suis

Indigne d’être ton tapis

Sur lequel Tu puisses marcher à la Dernière Cène

Accepte-moi, Segneur, pour l’amour

Et la haine que j’éprouve pour Toi

Et chausse-Toi de moi…

Jette-moi dans l’abîme

Afin de donner un sens à tes œuvres.

Mais Céleste Père

Dans la dernière nuit

Fais-moi sortir de la foule à la lumière…

Lave-moi, essuie-moi, lange-moi

Afin que je puisse brûler comme l’étoile du berger

Et Te bercer dans mes bras

Comme si Tu étais mon enfant…

 

Între Răsărit și Apus  / Entre le Lever et le Coucher, Sonia Elvireanu. Traduction Sonia Elvireanu.  Iași: Ars Longa, 2014.

 

Entre le lever et le coucher

 

Entre moi et toi,

le coucher du soleil,

une trace sur le sable brûlant,

le vert éclatant de la mer,

égaré sur la plage,

la morsure du jour,

un cris dans les paumes,

le seuil entre le ciel et la terre.

*

Je fais une pirouette dans les nuages,

je t’aperçois dans le coucher,

sur l’île en flames,

le saut du blesse.

*

Je suis encore le lever.

 

Poème du silence / Poemul tăcerii, Ioan Hădărig. Alba Iulia: Altip, 2013.

 

ce temps chassé dans

le bruit de la scie

partage la rivière

en silence et vie

en nuit de brouillard

et les pas des voyageurs

qui rejoignent les yeux fânés.

 

je ressens l’impuissance de me dévorer

à travers les paroles attachés aux larmes

comme le bourdonnement d’une chandelle

 

et je me tais

 

le brouillard a enseveli mes yeux

dans le silence d’une saison chassée par les murmures

 

j’existe encore.

 

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Alba Iulia I

 

Alba Iulia VI

Alba Iulia VII

 

 

Alba Iulia II

 

 * Imagens de (1) Alba Iulia, (2) Dorel Vișan, Christian Tămaș, Flavia Cosma, Patricia Tenório, Rodica Chira e  Sonia Elvireanu no Festival Alba Transilvânia, (3)  Christian Tămaș, Brandusa Tămaș, Flavia Cosma e Patricia Tenório no Festival Alba Transilvânia, (4) Mosteiro próximo a Alba Iulia.   Images de (1) Alba Iulia, (2) Dorel Vișan, Christian Tămaș, Flavia Cosma, Patricia Tenório, Rodica Chira et  Sonia Elvireanu dans le Festival Alba Transilvania, (3)  Christian Tămaș, Brandusa Tămaș, Flavia Cosma et Patricia Tenório dans le Festival Alba Transilvânia, (4) Monastère près de Alba Iulia.  

Índex* – Abril, 2014

Viver é muito perigoso.

(Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa)

O perigo e a beleza da vida no Índex de Abril, 2014 do blog de Patricia Tenório.

“Diálogos” | Patricia Tenório (PE – Brasil).

Convite Alba Iulia, Romênia | Sans nom Fără nume, Patricia Tenório.

“A última volta do ponteiro” | Adriano Portela (PE – Brasil).

“Querido Diário Peregrino” | Poemas de Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Fotografias de Wagner Okasaki (SP – Brasil).

NAUvoadora (PE – Brasil).

E o novo link de Fred Caju (PE – Brasil): www.fredcaju.blogspot.com

Agradeço a participação de todos(as).  A próxima postagem será em 25 de Maio de 2014.

Grande abraço e até lá!

Patricia Tenório.

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Index* – April, 2014

Living is very dangerous.

(Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa)

The danger and the beauty in the Index of April, 2014 from the blog of Patricia Tenório.

“Dialogues” | Patricia Tenório (PE – Brasil).

Invitation to Alba Iulia, Romênia | Sans nom Fără nume, Patricia Tenório.

“The last lap of the pointer” | Adriano Portela (PE – Brasil).

“Dear Diary Pilgrim” | Poems from Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Photos from Wagner Okasaki (SP – Brasil).

NAUvoadora (PE – Brasil).

And the new link from Fred Caju (PE – Brasil): www.fredcaju.blogspot.com

I thank you for the participation of all.  The next post will be on 25th May, 2014.

Big hug and see you there!

Patricia Tenório.

foto (2)

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* Índex foi traduzido apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated into English only as a matter of the extension of the post.

** O farol que nos guia nas veredas perigosas da vida. Enviada por Luciana Tenório Carvalho (AL – Brasil). The lighthouse that guides us in the dangerous paths of life. Sent by Luciana Tenório Carvalho (AL – Brasil) .