Posts com Arquitetura

EECs 2021 | Os mundos de dentro | Manuel Bandeira

Continuamos nessa viagem maravilhosa para “Os mundos de dentro” de autores e autoras super inspirador@s para a nossa escrita… Dessa vez, investigamos o país imaginário do poeta pernambucano, nascido em Recife, Manuel Bandeira:

Primeira Aula do Módulo 2:

Na primeira aula do módulo, constatamos a urgência e os olhos de estrangeiro com os quais Bandeira retratou o Recife em sua obra; navegamos com Plínio Santos-Filho e Francisco Carneiro da Cunha em “Um dia no Recife” e “Um dia em Olinda”; verificamos que João Cabral de Melo Neto está para o engenheiro enquanto Bandeira está para o arquiteto dos versos; experimentamos a antítese de Bandeira: sofrimento e Carnaval; e comparamos a técnica de Bandeira com a de Edgar Allan Poe – refrão, tom, efeito e intenção.

Segunda Aula do Módulo 2:

Continuamos na análise de alguns poemas de Bandeira, em especial, os do livro Libertinagem, entre eles, “Evocação do Recife” e a poesia-ícone “Vou-me embora pra Pasárgada”, relacionando o país imaginário de Bandeira com o país anterior do poeta francês Yves Bonnefoy, além da indicação de filmes sobre Manuel Bandeira;

Terceira Aula do Módulo 2 (Live com Altair Martins):

E o encontro virtual com um dos maiores apaixonados pela obra de Manuel Bandeira, o escritor, poeta e professor de Escrita Criativa Altair Martins (RS | Brasil):

https://youtu.be/nh5Dj9YZaxo

O próximo módulo será sobre a casa, a vida e a obra do poeta maranhense, nascido na ilha de São Luís, Ferreira Gullar, e contaremos com a participação especial do escritor, poeta e professor Antonio Aílton. A primeira e a segunda aulas do módulo 3 irão ao ar, respectivamente, em 03 e 10/03/2021 e o encontro virtual será em 31/03/2021, a partir das 19h – acompanhem nas redes sociais @estudosemescritacriativa (Instagram e Facebook). Não percam!

Exercícios de Desbloqueio:

Módulo 1 – Osman Lins:

Bernadete Bruto (Recife, PE | Brasil)

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

Lista de pequenos gestos diários

Minhas palavras morreram.

 Só os gestos sobrevivem.

(Osman Lins)

Já existia uma rotina que desenvolvera naquele tempo que iniciava ao desligar o despertador.  Através daqueles pequenos gestos diários pude me reconciliar com a minha casa, antes entregue a outra pessoa que não pôde vir por muito tempo. Então fiquei com todo o serviço doméstico mais o do meu trabalho. Penso que, de qualquer modo, foi bom estar em casa em tempos tão inseguros. Os objetos de consumo mais imprescindíveis eram as garrafas de álcool gel, de álcool 70, álcool em spray e a de água sanitária. Hoje, faço uma lista das atividades rotineiras daquele período.

Desligar o despertador do celular

Escovar os dentes

Vestir uma roupa leve

Fazer alongamento

Preparar o café

Fazer anotações

Dar comida ao cachorro

Limpar área de serviço

Colocar água sanitária no tapete da entrada

Organizar almoço

Lavar pratos

Ligar TV para ouvir um programa em inglês

Faxina sala quartos e banheiro

Aguar plantas

Limpar varanda

Tomar banho de sol

Tomar banho

Ligar computador

Cozinhar o almoço

Atualizar listas de compras, reparos

Programar despertador para sesta

Lavar pratos

Retornar ao computador e aguardar e-mails, Whatsapp ou telefonemas

Fechar o computador

Fazer o jantar

Ligar a TV

Preparar um lanche

Desligar TV

Lavar pratos

Recolher lixo

Apagar as luzes da casa

Acender luz do quarto

Tomar banho

Vestir o pijama

Ligar ventilador do quarto

Deitar na cama

Abrir um livro

Fazer anotações

Fechar e guardar livro

Programar despertador

Apagar luz

Era uma variação de gestos diários, dependendo das circunstâncias: meticulosos, firmes, caprichados, nervosos, apressados, cansados, displicentes… Mas sempre, rotineiramente, gestos ritmados para no final descobrir que você ainda era sua própria fiscal. Ha, ha, ha, em todo lugar observava pequenos defeitos que requereria mais gestos e listas e mais listas do que fazer, o que comprar, do que consertar…

Mesmo assim, foram aqueles pequenos gestos diários que me conduziam ao encontro comigo. A maior parte dos barulhos era proveniente dos gestos. Gestos que realizava no silêncio. Não silêncio como nos mosteiros, pois havia uma TV ligada, ou um celular vibrando, um cachorro latindo, os barulhos de fora. Mas gestos cadenciados na atenção plena. Aqueles gestos cotidianos me mantiveram no chão e pude enfrentar a pandemia, o isolamento, as tarefas externas e as grandes perdas que desabaram sobre minhas costas, pesaram meus ombros, oprimiram meu coração durante esses tempos tão sombrios.

E mesmo assim a minha casa foi o meu paraíso. 

*

Cilene Santos (Caruaru, PE | Brasil)

Contato: cilenecaruaru2013@gmail.com

O QUARTO

Era grande a casa; porém, não dividida a contento. Havia apenas dois quartos. O quarto do casal e o quarto das crianças, onde quatro camas compunham o mobiliário. O ambiente era aconchegante. Na parede, alguns quadros, de cores vivas, quebravam a seriedade da madeira. Uma cortina de voil abrandava a claridade do sol da manhã. Uma janela grande mostrava a paisagem da rua da frente: algumas casas, uma praça, onde as crianças brincavam ao final da tarde. Por ali, passavam o sorveteiro, o pipoqueiro e um senhor idoso vendia bolas de sopro. Da janela se via a igrejinha que, vez ou outra, quebrava o silêncio com o badalar nostálgico do sino. Naquele quarto havia também uma mesa, que servia de apoio nas tarefas escolares. Em todas as noites havia contação de histórias, para os menores. Eram quatro, ao todo. E o tempo foi passando lentamente, desfazendo a magia daquele quarto. Quando dei por mim, meus meninos não eram mais crianças. Haviam partido para o mundo. Cada um para o seu lado. Às vezes, nas noites, entro no quarto e sinto o cheiro do passado. Não tem mais a mesma aparência, mas a poesia daqueles momentos da infância ficou marcada nas paredes, no teto, no ar. Chego a escutar umas vozinhas reclamando: “Não, mamãe, não quero ir para a escola!” E eu, aturdida com o pensamento no passado, falo em voz alta: “Sim, meus filhos, precisam ir à escola. Hoje é dia de prova.”  Assustada comigo mesma, saio do quarto e entrego-me aos afazeres domésticos.

*

Dilma França (Caruaru, PE | Brasil)

Contato: dilma_franca@hotmail.com

O MEU JARDIM

03.06.2020

É diminuto…

Meu pequeno mundo

Meu pedacinho de céu

Minha constelação

Meu eu, meu tudo!…

Nele, costumo despir a alma,

O que me traz a calma,

Despojar-me de mim mesma,

Contemplar o interior

E ouvir a voz do coração!…

Numa maravilhosa sensação

De intimidade perfeita

Com o infinito, com o silêncio,

Com o Deus do amor,

Da esperança e da paz.

É glória… É louvor…

É tudo que me satisfaz: meu jardim!

Necessito dele

Porque me fascina

E me faz ver a beleza

De acreditar

Na luminosidade dos dias

E no colorido da Natureza.

Inspira-me a sonhar… E a poetizar…

Ensina-me que, mesmo na velhice

Retorcida pelo tempo,

Ainda é possível dar flor…

Nele, oxigeno a minha emoção,

Alimento a minha fé

E sinto a felicidade plena:

A libertação!

No meu jardim!

No meu jardim!…

*

Elba Lins (Recife, PE | Brasil)

Contato: elbalins@gmail.com

GESTOS QUE DEFINEM

Gestos – pequenos gestos, que dizem quem somos. Gestos que às vezes ficam para sempre gravados – para nos lembrar quem somos, para recordar quem fomos, para possibilitar que muito tempo depois possamos concluir se mudamos, ou se ainda somos os mesmos de outrora – capturados um dia pelas lentes amadoras de uma câmera.

A foto em preto e branco – antiga – é de uma época em que a família era completa e jovem. Época em que eu não ousava mostrar sentimentos. Minha irmã deixava transparecer toda sua amorosidade, seu carinho, seus gestos de aconchego – que eu quis inibir. O clique da máquina, entretanto, foi mais rápido que eu e deixou impressa a tentativa – inútil – de alterar o jeito se ser de minha irmã.

Sempre que olho a foto, lembro do meu movimento, do movimento que mostra alguém frio, ou que não ousava ser de outra forma…

No momento, não tenho a foto em mãos, mas quando pegá-la lembrarei novamente de como era meu jeito de ser e da sensação de reprovação pela atitude tão carinhosa e bonita de se mostrar inteira de minha irmã.

*

Fabíola Lucena (Porto | Portugal)

Contato: falucena@gmail.com

A segunda xícara

Os dias ficaram mais longos, mais lentos. Não importa se é hora de levantar e tomar banho. Não vou mais a correr apanhar o metrô. Agora eu converso com minha segunda xícara de café. A segunda porque agora temos tempo e ela me faz companhia. Ela sequer teve oportunidade algum dia de existir antes da pandemia. A casa ainda dorme e eu converso com ela. A conversa se desenrola enquanto olhamos as árvores frondosas da Quinta do Cisne que ficam em frente ao meu apartamento. Sinto vontade de caminhar por baixo delas, mas só posso admirá-las. Que bom que tenho um quadro vivo de muito verde! Mas sinto saudades da brisa que corre lá fora, só posso sentir do metro quadrado de varanda. A segunda xícara partilha comigo a vista verde no sol primaveril. Refletimos sobre os dias de isolamento, do medo, falamos muito da impotência que me resta junto com a tentativa de ter paciência. A segunda xícara me recorda os planos adiados, das férias em família canceladas com o vôo que nunca chegou e me vê chorar. E assim ela se vira derramando seu adoçado café em minha boca e diz:

– Então, você achava que dominava o tempo? Ou dominava teus atos? Não, querida, doce ilusão! Põe-te a traçar rumos novos dentro da tua cabeça. O que te preenche?

– Não sei (lágrimas travadas na porta dos olhos). Me recuso a chorar pela falta de domínio da minha própria vida. Não estava nos meus planos refazer novos planos. Desengavetar o que ficou à minha espera e eu nem sabia!

– Mas é o que te resta dentro desse concreto. Ou usa tua cabeça que hoje é teu único mundo onde é permitido caminhar, ou melhor, voar. Só assim consegues saltar essas paredes!

E assim foram dias e dias de muita conversa. A segunda xícara nunca me abandonou mesmo quando o mundo parecia pausado e os dias iguais. Foram nesses momentos pequenos e pingados que encontrei minhas novas versões, recheadas de inquietudes, crises, risos e lágrimas. Foi na segunda xícara que encontrei outros mundos meus, que nenhum vírus penetrou. Foi preciso mergulhar fundo, e isso eu sei bem fazer!

A segunda xícara me ensinou sobre o tempo. O tempo que se perdia em passadas largas e apressadas. Tempo do banho rápido, dos afazeres diários no automático, do café engolido, do tempo morrido.

A segunda xícara aguçou meus ouvidos ao canto dos pássaros, a avenida calada, a conversa do vento na varanda e aos burburinhos dos meus pensamentos! 

*

Ilana Kaufman (Porto Alegre, RS | Brasil)

Contato: ilakau7@gmail.com

O mês de março de 2020 parece ter terminado antes. O medo do desconhecido começava num dia que seria o último de tantos que não se repetiriam mais. As ruas, já repentinamente vazias, contrastavam com a pressa dos incertos momentos que se seguiriam. “… Uma ânsia jamais sentida tomou conta de mim…”. O riso irônico dos transeuntes deixava a inquietação tomar conta, quase esquecendo o motivo de ter saído de casa: comprar vitaminas. Na primeira farmácia adentrada, uma cliente tossia muito e pedia remédio para febre. “… Preciso sair. A pandemia está circulando pela população…” Não deu tempo para responder à balconista, quando a mesma bradou 10.  Os passos se tornaram acelerados e certeiros.   Ao chegar em casa, as mãos e os pés não tinham mais o vigor de outrora. “As multidões nunca me atraíram. No entanto, poder caminhar e sentir o ar tocando o rosto… Que saudades!”

*

Johany Medeiros (PE | Brasil)

Contato: johanymedeiros6@gmail.com

O calendário colado na parede com um durex barato, a faz lembrar que é junho. Só agora, antes de marcar mais um xis, percebe, que é dia de São João. O tempo, já parado há tempos, a faz viajar para uma época não tão distante. O peito aperta e palpita ao imaginar a fumaça e a boniteza das fogueiras que agita a criançada e os mais velhos; as pessoas fazendo fila para curtir a festa e a quadrilha animada, que sempre assiste ao lado do avô.

A respiração fica pesada, acaba sentando-se na cama bagunçada e colocando uma das mãos no coração acelerado. Mas o que está acontecendo? Por que parece que engoliu mil agulhas? Por que isso não para? Quer levantar-se, correr para o diário esquecido e listar todas as coisas que está sentindo nesse exato momento, como sempre faz quando uma crise bate à porta. Mas fecha os olhos. E ao fazê-lo, vê um par de olhos azuis encarando-a. Ele está feliz! Ele sempre está feliz quando presencia o salto colorido dos dançarinos de um lado para o outro.

O coração acalmou, as lágrimas escorreram e a vontade de escrever voltou a nascer. A saudade é mesmo um bicho estranho: não sabemos desenhá-la, mas podemos personificá-la em grandes olhos azuis.

*

Luciana Beirão de Almeida (Porto Alegre, RS | Brasil)

Contato: lubeirao@hotmail.com

Sol e chuva

17/01/2021

O sol atravessa a vidraça em meio à chuva, um raio de esperança iluminando a sala. O silêncio da casa vazia. Eu e os meus pensamentos, livros e estudos.  Aqui, escrevendo, me sinto acolhida pelo calor do sol, por sua luz, e vejo a minha sombra na parede. As gotas de chuva na janela me fazem lembrar que lá fora a vida acontece. Mas, por enquanto, neste instante, aproveito o encantamento do meu refúgio.

*

Sueli Agnelli (São Bernardo do Campo, SP | Brasil)

Contato: sbocciadi@gmail.com

Todos os dias eu via o ventilador de teto girando, me sentia assim, a cabeça girando com meus pensamentos acelerados, como um trem desgovernado. O cenário da internet era caótico, a tv nem se fala… A ansiedade resolveu ficar para o jantar. Até que eu resolvi fazer terapia, achava clichê demais conversar sobre o que eu sentia, mas a ansiedade me pediu para que tal ato fosse realizado. Lembro-me de ter adotado meu cachorrinho para a companhia dos dias cinzentos. Erguiam-se as placas em todos os lugares: “Seja criativo, produza”. Mas o que era difícil mesmo era parar, parecia que eu precisava correr mesmo eu clamando por uma pausa. O café ficou frio e melado como os meus dias. Até que meu amor chegou, aquele par de olhos castanhos, juntamente com meu cachorrinho, aquele focinho preto me trazendo abrigo em dias turbulentos. Eu só queria repousar minha cabeça no peito dele e falar sobre essa amiga falsa que chega sem avisar e bagunça toda minha vida. É, meu amor… essa tal da ansiedade faz esquecer o que temos de bom e perdemos o que temos para ganhar mais, que loucura, não é? Com um suspiro profundo, lembro-me de ver meu alívio de ansiedade aqui comigo. A casa era um silêncio tão obscurecido que dava pra ouvir a própria respiração, era cansativo se ouvir todos os dias. Meu refúgio para o caos era sentar na minha mesa e escrever qualquer bobagem, pode ser cartas que não serão endereçadas a alguém, poesias, ou qualquer coisa do tipo. Foi meu refúgio poder escrever e aliviar a tensão que meus dentes e meus ombros tinham durante todos os dias, escrever é meu bote salva-vidas, o cenário não é nada agradável, mas pelo menos a caneta dançando pelo papel faz tornar-se menos caótico possível.

Escrita Criativa em mim* | Patricia Gonçalves Tenório**

Janeiro, 2021

Capítulo 6 – Os mundos de dentro: residências de artistas e o ambiente acadêmico

            No capítulo 5, investigamos o que o dia a dia em uma editora – a preparação dos originais, a revisão do texto, a editoração do livro – pode acrescentar (e muito) na própria escrita.

            Em 2012, ingressei na Pós-graduação em Letras da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na condição de aluna ouvinte. Ao sair da Calibán (2010) e, ao término do espetáculo teatral As joaninhas não mentem (2011), senti novamente o vazio que Clarice Lispector narra em sua última entrevista,[1] como se estivesse falando de dentro de um túmulo.

            E quantas maravilhas encontrei na UFPE: colegas (Antonio Aílton, Fernando de Mendonça, Ricardo Nonato, entre inúmeros), professores (Maria do Carmo Nino, Lourival Holanda, Anco Márcio Vieira, entre tantos) e livros teóricos (Maurice Blanchot, Gaston Bachelard, Erich Auerbach, entre infinitos) – todos altamente queridos e poéticos. Haviam me alertado de o perigo da Teoria engessar a Poesia, de a Crítica paralisar a Ficção. Mas não aconteceu comigo. Ao contrário, a leitura e a escrita teóricos alimentaram mais ainda a minha veia artística, provocaram mais ainda em mim a criação.

            Em 2013, fui convidada para uma residência de artista em Val-David, Québec, Canadá. Conheci a poetisa romena Flavia Cosma através do poeta francês Denis Emorine, que por sua vez me foi apresentado pela poetisa francesa Isabelle Macor-Filarska – a mesma Isabelle do capítulo 2 da presente coluna. Tudo isso de maneira virtual, com exceção de Isabelle – é o que chamo de corrente do bem da Arte. Na residência de artista de Flavia Cosma, poderíamos realizar qualquer tipo de expressão (fotografia, pintura, escrita poética ou ficcional) que desejássemos. Permaneci dez dias na pequena cidade de Val-David, convivendo com os colegas artistas, culminando, coletivamente, no IV Festival Internacional de Val-David, e, em particular, na tradução do poeta argentino Luís Raúl Calvo e o seu A outra obscuridade, além da organização do meu Sans nom/Fără nume,[2] uma coletânea de crônicas, contos e poemas lançada em outubro 2013 na França (Paris) e em maio de 2014 na Romênia (Alba Iulia) – mas essa é uma outra história.

            Acabo de chegar da residência da minha professora e orientadora de mestrado Maria do Carmo Nino. Acabo de conhecer o anexo de sua residência de artista, e me encontrar com o colega-amigo-escritor-professor Fernando de Mendonça. Sim, a Teoria não paralisa a Poesia. Sim, as residências de artistas acolhem com afeto Os mundos de dentro[3] da Escrita Criativa em mim, em você, em todos nós.


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Festival Internacional de Val-David, Québec – Canadá, na residência de artista de Flavia Cosma, maio de 2013.

Futura residência de artista de Maria do Carmo Nino, Aldeia, PE – Brasil e o encontro com Fernando de Mendonça.

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* Coluna publicada mensalmente nos blogs www.veragora.com.br/tesaoliterario e www.patriciatenorio.com.br.      

** Escritora, vinte livros publicados, sendo um em formato vídeo-podcast, mestre em Teoria da Literatura (UFPE) e doutora em Escrita Criativa (PUCRS). Contatos: grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com e https://www.youtube.com/estudosemescritacriativa

[1] A última entrevista da autora de A hora da estrela encontra-se em Panorama com Clarice Lispector (1977): https://www.youtube.com/watch?v=ohHP1l2EVnU      

[2] CALVO, Luís Raúl. La Otra Oscuridad. A outra obscuridade. Tradução: Patricia Tenório. Mossoró, RN: Sarau das Letras, 2013, & TENÓRIO, Patricia. Sans nom/Fără nume. Trad. Français: Patricia Tenório et colab. Isabelle Macor-Filarska. Trad. Rom.: Flavia Cosma. Pref.: Christian Tămas. Romania: Ars Longa, 2013.        

[3] Os mundos de dentro é um projeto dos Estudos em Escrita Criativa On-line para 2021. Nele investigamos o processo de escrita em suas residências de escritores do século XX, tais como Osman Lins, Manuel Bandeira, Vinícius de Moraes, Hilda Hilst, e também compartilhamos o processo de criação de escritores contemporâneos, entre eles Adriano Portela, Altair Martins, Fernando de Mendonça, Maria do Carmo Nino. Maiores informações: www.estudosemescritacriativa.com, Instagram e Facebook (@estudosemescritacriativa).         

Escrita Criativa em mim* | Patricia Gonçalves Tenório**

Dezembro, 2020

Capítulo 5 – As editoras

            Para Ana Lucia Gusmão, Jaíne Cintra, Gisela Abad, Marivaldo Costa e Sandra Freitas

Apesar do distanciamento no tempo e no espaço, aprendi muito com a artista plástica pernambucana Karla Melo e o poeta cearense Majela Colares enquanto eu participava da editora Calibán, no Rio de Janeiro, de 2007 a 2010.

Quando retornei da França, em janeiro de 2007, recebi o convite do escritor pernambucano Cláudio Aguiar e do próprio Majela Colares para participar da editora carioca, sediada no bairro da Cinelândia, na av. Treze de Maio, ao lado do belíssimo Teatro Municipal – Karla Melo se juntou à equipe quando eu ingressei na editora. Foi todo um aprendizado do detalhe, de investigar a vírgula, a fonte da letra, a textura do papel, do miolo à capa, e o quanto essa experiência mudou o meu olhar de escritora iniciante.

O texto é imprescindível para que o livro nasça, e aquele de qualidade é o mais querido. Mas a forma como o texto virá ao mundo é também condição essencial. Quem nos lê pode passar adiante na prateleira de uma livraria, quer seja física ou virtual, apenas (e isso não significa pouco) por causa de uma apresentação pobre, desprovida de imaginação criadora em uma capa, na editoração de um texto.

Na organização dos originais já descobrimos a maravilha que é cuidar do livro do outro. E, com um pouco de sorte, evitamos alguns erros tipográficos na impressão, pois, como reza a lenda de Monteiro Lobato, “os erros tipográficos são como moleques peraltas: eles desaparecem na hora da revisão e aparecem saltitantes na hora da impressão”.

E, ao cuidar do livro do outro, apreendemos mais para os nossos próprios livros. Porque, formando um paradoxo com “amar a si para poder amar ao próximo”, o cuidado com o livro do outro desperta em nós o amor pelo que escrevemos, confirma o amor que sinto pela Escrita Criativa em mim.

Vista do belíssimo Teatro Municipal, ao lado da antiga editora Calibán, na av. Treze de Maio, n. 13, Cinelândia, Rio de Janeiro.

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* Coluna publicada mensalmente nos blogs www.veragora.com.br/tesaoliterario e www.patriciatenorio.com.br.      

** Escritora, vinte livros publicados, sendo um em formato vídeo-podcast, mestre em Teoria da Literatura (UFPE) e doutora em Escrita Criativa (PUCRS). Contatos: grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com e https://www.youtube.com/estudosemescritacriativa     

Índex* – Outubro, 2020

Quando leio

Os olhos teus

Têm passagens preciosas

Cenas misteriosas

De um tempo

Que não é

Meu

*

Eu caminho

Por veredas

Inesperadas

Vales

Montanhas

Escarpadas

E posso

Com a ponta

Dos meus dedos

Sentir a pele

Das palavras

De quando

A tua história

Se escreveu

(“Quando a escrita visita a leitura”, Patricia Gonçalves Tenório, 02/10/2020, 05h34)

Quando a escrita visita o Índex de Outubro, 2020 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa On-line – Outubro, 2020 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Companhia.

Escrita Criativa em mim – Capítulo 3 – Literatura e outras artes | Patricia Gonçalves Tenório.

Poema Trilingue de Antonio Aílton (MA – Brasil).

Poema de Cilene Santos (PE – Brasil).

Sinos = Campanas | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

Perfume de Elba Lins (PB/PE – Brasil) | Patricia Gonçalves Tenório.

apaguei a playlist / comecei a dançar | Fernando de Albuquerque (PE – Brasil).

E os links do mês:

“Corruíras” de Alcides Buss: http://www.alcidesbuss.com/

Curso de Narrativas de Terror com Andrezza Postay e Bibiana Simionato (RS/PE – Brasil): https://www.sympla.com.br/narrativas-de-terror__969064

Salomé, de Iaranda Barbosa (PE – Brasil): www.catarse.me/salome

Arte Agora – Entrevista de Patricia Gonçalves Tenório para Alexandre Santos e Bernadete Bruto (PE – Brasil):  https://youtu.be/VyB69WRZQX0

Obrigada pela atenção e pelo carinho de sempre, a próxima postagem será em 29 de Novembro, 2020, abraço bem grande e até lá,

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* October, 2020

When I read

Your eyes

There are precious passages

Mysterious scenes

From a time

That is not

Mine

*

I walk

By unexpected

Paths

Valleys

Rugged

Mountains

And I can

With the tip

Of my fingers

Feel the skin

Of words

Of when

Your story

Was wrote

(“When writing visits reading”, Patricia Gonçalves Tenório, 10/02/2020, 05h34 a.m.)

When writing visits the October Index, 2020 on Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

Online Creative Writing Studies – October, 2020 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Company.

Creative Writing in Me – Chapter 3 – Literature and other arts | Patricia Gonçalves Tenório.

Trilingual Poem by Antonio Aílton (MA – Brasil).

Poem by Cilene Santos (PE – Brasil).

Bells = Campana | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

Perfume of Elba Lins (PB/PE – Brasil) | Patricia Gonçalves Tenório.

I deleted the playlist / started dancing | Fernando de Albuquerque (PE – Brasil).

And the links of the month:

“Corruíras” by Alcides Buss: http://www.alcidesbuss.com/

Horror Narratives Course with Andrezza Postay and Bibiana Simionato (RS / PE – Brasil): https://www.sympla.com.br/narrativas-de-terror__969064

Salomé, by Iaranda Barbosa (PE – Brasil): www.catarse.me/salome

Arte Agora – Interview by Patricia Gonçalves Tenório to Alexandre Santos and Bernadete Bruto (PE – Brasil): https://youtu.be/VyB69WRZQX0

Thank you for your attention and affection, the next post will be on November 29, 2020, big hug and until then,

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma
questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Quando a escrita visita a leitura dos livros bons. When writing visits reading of good books.

Escrita Criativa em mim* – Outubro, 2020 | Patricia Gonçalves Tenório**

Capítulo 3 – Literatura e outras artes

“– Três gerações de mulheres são convidadas a salvar o Rei do Amor Perfeito. Ele está preso na mais alta torre da Vila do Castelo. Ariana é convidada a entregar-se a esse abismo, onde se ama e se é amado.”

Assim começava o espetáculo teatral As joaninhas não mentem, cuja estreia aconteceu em maio de 2011, no Palco Giratório do SESC de Casa Amarela, e depois seguiu, em junho do mesmo ano, para o Teatro Joaquim Cardozo no Derby.

No capítulo 2 de Escrita Criativa em mim, apreendemos em outra língua a maneira como Balzac, e Flaubert, e Baudelaire, e Proust construíam seus textos grandiosos. Fomos na fonte de alguns dos maiores autores da Literatura Ocidental, para nos alimentarmos, e fazermos crescer a nossa própria escrita.

Mas não somente de textos alimentamos a Escrita Criativa. Ela também é provocada (e muito) pela leitura dos quadros e das esculturas nos museus do mundo inteiro. E dos espetáculos de música, dança e teatro. Como eu disse, neste mês de outubro de 2020, em entrevista para a poetisa e escritora Bernadete Bruto (PE – Brasil):

“A escrita, por ser também uma arte, está ligada, inexoravelmente, às outras formas de expressão. Não consigo dissociá-la da música, das artes plásticas, do cinema, da fotografia. Para mim, elas provocam umas às outras, ajudam umas às outras a ampliarem as suas fronteiras. Por fazerem parte de um todo só.”

Então retornamos ao espetáculo teatral As joaninhas não mentem. As mesmas joaninhas que lançamos em Paris, na Librairie Portugal, no 146, Rue du Chevaleret. A proposta era adaptar para uma hora de espetáculo um livro de cem páginas.

A adaptação correu por conta e risco meus. O diretor Jorge Féo me convenceu de adaptar o texto para espaço e tempo reduzidos, e confesso que sofri muito cortando falas, modificando, na minha imaginação, o perfil físico e psicológico dos personagens, para se encaixarem nos jovens atores e atrizes que os interpretavam. Foram seis meses de ensaios, e cortes de falas pelos próprios atores e atrizes, até eles vestirem a pele dos personagens e nunca mais eu conseguirei ler meu livro sem pensar nessa montagem, como afirmo no vídeo abaixo.

O próximo capítulo desta coluna irá percorrer os corredores dos concursos literários, na busca pelo reconhecimento da Escrita Criativa em mim.      

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* Coluna publicada mensalmente nos blogs www.veragora.com.br/tesaoliterario e www.patriciatenorio.com.br.      

** Escritora, dezessete livros publicados, sendo um em formato vídeo-podcast, e mais três no prelo, mestre em Teoria da Literatura (UFPE) e doutora em Escrita Criativa (PUCRS). Contatos: grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com e https://www.youtube.com/estudosemescritacriativa     

    

Índex* – Agosto, 2020

Quando

Nada mais restar

Desse tão espaço

Meu

Buscarei

O vento

O mar

Chegarei

Ao que é

Seu

*

Esse mundo

Nosso ar

Uma vida

Bem antiga

*

Quando

Nada mais restar

Resta tudo

*

Minha amiga

(“A saudade é um tempo meu”, Patricia Gonçalves Tenório, 13/08/2020, 18h42)

Resta tudo no Índex de Setembro, 2020 do blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa On-line – Agosto, 2020 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Diversos.

“A baronesa” | Charles Allington (Reino Unido/Áustria) | Cinco últimos capítulos.

Escrita Criativa em mim | Patricia Gonçalves Tenório.

Simpósio 28 | Escrita Criativa para o século XXI | Abralic 2020 | Diversos.

Poemas de Cilene Santos (PE – Brasil).

“À noite, sonhamos” | Paulo Paiva (PE – Brasil).

E o link do mês:

Blog do psicanalista e escritor Pedro Gabriel (PE – Brasil): https://youtu.be/dhLLm7Sw2s8

Agradeço o carinho e a participação, a próxima postagem será em 27 de Setembro de 2020, abraço bem grande e até lá,

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – August, 2020

When

Nothing else remains

Of this so space

Of mine

I will seek

The wind

The sea

I will arrive

To what is

Yours

*

This world

Our air

A very old

Life

*

When

Nothing else remains

Everything remains

*

My friend

(“Saudade is my time”, Patricia Gonçalves Tenório, 08/13/2020, 6h42 p.m.)

Everything remains in the Index of September, 2020 on Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

Studies in Creative Writing Online – August, 2020 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Miscellaneous.

“The baroness” | Charles Allington (United Kingdom/Austria) | Last five chapters.

Creative Writing in Me | Patricia Gonçalves Tenório.

Symposium 28 | Creative Writing for the 21st Century | Abralic 2020 | Several.

Poems by Cilene Santos (PE – Brasil).

“At night, we dream” | Paulo Paiva (PE – Brasil).

And the link of the month:

Blog of the psychoanalyst and writer Pedro Gabriel (PE – Brasil):https://youtu.be/dhLLm7Sw2s8

I appreciate the affection and participation, the next post will be on September 27, 2020, big hug and until then,

Patricia Gonçalves Tenório.

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O gesto de Cris Mesquita, aluna da primeira turma de Especialização Lato Sensu em Escrita Criativa Unicap/PUCRS. The gesture of Cris Mesquita, student of the first class of Specialization Lato Sensu in Creative Writing Unicap/PUCRS.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma
questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Quando nada mais restar… Restará o bem querer.  When nothing else remains … It will remain good will.

Índex* – Julho, 2020

Amar é guerra

De medo e paz

De mel e fúria

Dos desesperados

Que se lançam

Ao mar de sonhos

Sem saber do

Amanhã

Se existe um

Amanhã

Onde possam

Pousar os pés no

Chão

E deixar a cabeça nas

Nuvens

Branquinhas

Branquinhas

Feito praia

Virgem

(“Quando Setembro chegar”, Patricia Gonçalves Tenório, 16/07/2020, 06h50)

Quando Agosto, Setembro… chegar no Índex de Julho, 2020 do blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa On-line – Julho, 2020 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Diversos.

“A baronesa” | Charles Allington (Inglaterra/Áustria) | Cinco primeiros capítulos.

“As viagens de Zequinha: no terreno dos chorões” | Marcia Maria Silva Feitosa (SP/PE – Brasil).

E o link do mês:

Como uma onda – ética e criação literária através da poesia | Gisela de Moraes Rodriguez (RS – Brasil): https://revistaseletronicas.pucrs.br/index.php/scriptorium/article/view/35758

Agradeço a atenção e o carinho de sempre, a próxima postagem será em 30 de Agosto de 2020, abraços cheios de Saúde & Luz e até lá,

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* July, 2020

Love is war

Of fear and peace

Of honey and fury

Of the desperate

That launch

To the sea of ​ ​dreams

Without knowing

Tomorrow

If there is a

Tomorrow

Where they can

Put their feet on

Floor

And leave their head in

Clouds

White

White

Like virgin

Beach

(“When September arrives”, Patricia Gonçalves Tenório, 07/16/2020, 06h50 a.m.)

When August, September … arrive at the July Index, 2020 from Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

Studies in Creative Writing Online – July, 2020 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Miscellaneous.

“The baroness” | Charles Allington (England / Austria) | First five chapters.

“Zequinha’s travels: in the field of chorões” | Marcia Maria Silva Feitosa (SP/PE – Brasil).

And the link of the month:

Like a wave – ethics and literary creation through poetry | Gisela de Moraes Rodriguez (RS – Brazil): https://revistaseletronicas.pucrs.br/index.php/scriptorium/article/view/35758

I thank you for your attention and affection, the next post will be on August 30, 2020, hugs full of Health & Light and until then,

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Quando o novo tempo chegar quero estar com vocês… When the new time comes I want to be with you …

“A baronesa” | Charles Allington | Cinco primeiros capítulos

Com Adriano Portela, Jaíne Cintra, Juliana Aragão, Mariana Guerra & Patricia Tenório.

Capítulo 1:

Na transição entre o fim do século XIX e início do século XX, Viena, capital da Áustria, vivenciava um fin-de-siècle dos mais profícuos, em que Sigmund Freud, Gustav Klimt, Hugo von Hofmannsthal, Arthur Schnitzler e Otto Wagner protagonizavam transformações que viriam a mudar radicalmente o pensamento ocidental.

Em uma efervescente cena cultural, as conexões entre variadas formas de cultura – psicanálise, artes plásticas, narrativa teatral, arquitetura e urbanismo – se reinventavam em meio a uma crise político-social. É nesse pano de fundo que se desenrola a trama de “A baronesa”, que narra a história de Natália Schoemberg, cantora de ópera e integrante na nobreza vienense às voltas diante da acusação pelo assassinato do marido.

Baixe aqui o primeiro capítulo de “A baronesa”

A novela, de minha autoria, é assinada por Charles Allington, um heterônimo meu que, ao mesmo tempo em que narra a história, participa dela como protagonista. A intrigante trama de “A baronesa” estreou em 28/06/2020 sob a forma de uma novela foto-áudio-ensaística em vídeos e podcasts narrada por mim e por Adriano Portela, com design de Jaíne Cintra, roteiro e divulgação de Juliana Aragão, edição de Mariana Guerra. Os dez capítulos do livro – uma trama marcada por detalhes e pelo mergulho profundo nos aspectos psicológicos dos personagens – serão postados semanalmente e estarão disponíveis para streaming e download no meu site.

Capítulo 2:

A Baronesa · A Baronesa – capítulo 2

Depois do primeiro capítulo em vídeo, lançamos mais um episódio de “A baronesa”, uma novela foto-áudio-ensaística de autoria de Patricia Tenório que, a partir de agora até o penúltimo capítulo, será publicada em formato de podcast.

Leia o segundo capítulo de “A baronesa”

Neste novo capítulo, acompanhamos a gravidez de Natália e a preocupação dos pais dela com o futuro da filha, que deveria se casar com o marquês de Timboury, a quem havia sido prometida. Por conta da paixão por Viktor – que carrega a fama de homem boêmio e namorador na sociedade vienense do fim do século XIX e início do século XX – e do filho que espera, Natália vai ver sua vida transformada.

O nascimento da criança, a fundação da companhia de ópera de Viktor, a estreia de Natália em “La Bohème” e uma descoberta que vai mudar profundamente a relação do casal conduzem a trama deste novo episódio.

Capítulo 3:

No terceiro capítulo de “A baronesa”, novela foto-áudio-ensaística de autoria de Patricia Tenório aqui apresentada sob a forma híbrida de podcasts e de vídeos, testemunhamos a Companhia Azul estrear a ópera Elektra, de Richard Strauss, com Natália no papel principal.

Ao mesmo tempo, acompanhamos o início das investigações sobre a suposta morte de Viktor, a cargo do detetive Charles Allington, ao mesmo tempo em que, intrigado, o investigador-narrador reflete sobre os sentimentos dúbios que afloram à medida que ele se aproxima da cantora, principal suspeita pelo desaparecimento do marido.

Leia o terceiro capítulo de “A baronesa”

Capítulo 4:

A Baronesa · capítulo 4

No quarto capítulo de “A baronesa”, somos levados de volta ao baile no qual Viktor e Natália – então prometida ao marquês de Timboury – se conhecem e, mais de dez anos depois, acompanhamos as primeiras suspeitas dela sobre as traições do marido. Testemunhamos o encontro de Natália com Lou Salomé, suas mudanças de postura e os esforços para ignorar as saídas noturnas de Viktor, cujos casos extraconjugais já não são segredo para ninguém em Viena.

Leia o quarto capítulo de “A baronesa”

E então vem o flagrante de uma das traições e as reflexões de Natália, que envolvem inveja e arrependimento, e as preocupações do filho do casal sobre a tristeza da mãe. Paralelamente, a trama narra o caminhar das investigações conduzidas por Charles Allington, que busca nos detalhes da festa onde o casal foi visto pouco antes do desaparecimento de Viktor indícios que possam ajudar a solucionar o mistério.

Capítulo 5:

A morte do pai de Charles Allington, ao mesmo tempo personagem e heterônimo da autora de “A baronesa“, traz um evento inesperado e contundente à vida do investigador, que costura a trama da novela durante a apuração dedicada e incansável do desaparecimento e possível morte do barão Viktor Shoemberg.

E enquanto Viena fervilha nas ruas e nas reuniões privadas como a que o pai de Natália participa na casa de Sigmund Freud, a novela nos faz viajar por vários tempos distintos. Acompanhamos as lembranças de Charles sobre a infância dele em Londres, quando nem nos maiores devaneios o investigador imaginaria que um dia estaria vivendo na Áustria e trabalhando em um dos casos mais emblemáticos de sua carreira.

Leia o quinto capítulo de “A baronesa”

A narrativa segue nos envolvendo no desenrolar da apuração do suposto crime, com o depoimento de Natália e o complexo trabalho de Charles na tentativa de juntar as pontas soltas da história enquanto a dubiedade dos sentimentos nutridos por ele com relação à principal suspeita do possível homicídio ganha corpo.

“A baronesa” | Uma novela foto-áudio-ensaística em duas vozes e dez capítulos

De Charles Allington

Com Patricia Tenório e Adriano Portela

 

É com imensa alegria que apresento A baronesa: Uma novela foto-áudio-ensaística em duas vozes e dez capítulos, de Charles Allington.

Durante a pandemia de Covid-19, cada pessoa em sua residência, eu e o escritor, professor e cineasta Adriano Portela fizemos a leitura dramatizada das vozes feminina e masculina de A baronesa, sob orientação da designer Jaíne Cintra (identidade visual), Mariana Moura (edição de áudio e vídeo) e Juliana Aragão (roteiro e divulgação).

A ideia é apresentar cada capítulo nos sábados à tarde, como se fossem aquelas rádio-novelas de antigamente.

O detetive Charles Allington narra a história da baronesa Natália Shoemberg, acusada de desaparecimento e assassinato do marido, o barão Viktor Schoemberg. O cenário é a Viena do final do século XIX, início do século XX, período áureo da cidade no qual eram contemporâneos os artistas Gustav Klimt e Kolom Moser, os arquitetos Otto Wagner e Adolf Loos, os escritores Arthur Schnitzler e Hugo von Hofmannsthal, a estilista Emilie Flöge, além do pai da Psicanálise, Sigmund Freud, e do compositor Gustav Mahler.

Com vocês: A baronesa.

 

A baronesa – Charles Allington – Capítulo 1 – PDF

 

Quadro Gustav Klimt - Portrait Of Emilie Floge - 1902

Retrato de Emilie Flöge, Gustav Klimt

Livraria Linardi y Risso | Fred Linardi*

Era para ser um dia de passagem rápida pelo terminal rodoviário de Montevidéu, mas decidimos sair de Colônia de Sacramento mais cedo. Antecipamos as passagens e saímos três horas antes. Das livrarias da capital uruguaia que gostaríamos de conhecer, a Linardi y Risso era a única na qual ainda não havíamos conseguido entrar. Além de ter sido uma dica da minha amiga Annie Piagetti Muller, a LyR carrega em seu nome o meu sobrenome.

É uma das mais antigas livrarias do país e, certamente, a mais antiga em atividade, aberta em 1944 por Adolfo Linardi Montero. Oito anos depois, ele se associou a outro descendente de italianos, Juan Ignacio Risso. Hoje, na segunda geração, é administrada pelos filhos Alvaro Risso e Andres Linardi.

No fim da tarde do dia 27 de dezembro, quando entramos lá, um senhor veio de uma das salas administrativas e nos deu boas-vindas. Eu arrisquei meu espanhol inexistente dizendo da minha satisfação de estar lá, não apenas pelo belo lugar, mas também por eu ser um Linardi. Eu não sabia, mas ele era o próprio Andrés, que parou o que tinha para fazer, me convidou a sentar numa das cadeiras de leitura e pediu para eu continuar falando em português mesmo – seria mais simples.

Contou-me dos primeiros anos da livraria, quanto era apenas uma pequena loja num outro prédio daquele mesmo centro de Montevidéu. De quando ele começou a trabalhar junto do seu pai, do início da sociedade e da compra daquele prédio onde eles estão hoje. A livraria, especializada em títulos latino-americanos, dos antigos ao mais modernos, também costuma lançar alguns livros com o selo próprio.

Eu, que já havia conhecido o Café Brasilero, frequentado por Eduardo Galeano e que fica na rua logo de trás, imaginei o tanto de outras mentes que haviam passado entre aquelas prateleiras. A resposta veio quando Andrés me mostrou uma foto do pai ao lado de Pablo Neruda numa foto na parede do escritório, ao lado de outros registros do lugar, cuja história recebeu a presença de outros como Mario Benedetti, Juan Carlos Onetti, Armonía Somers, Juan José Saer, Mario Vargas Llosa…

Perguntei-lhe se havia um livro sobre a história da loja, e ele me assentiu com a cabeça. Trouxe um exemplar único, que não estava à venda, produzido por eles próprios. Mas havia um outro, escrito por Patricia Demicher Ilaria, sobre famílias italianas no Rio da Prata. “Deste tenho vários. Pode levar como um presente.”

Impossível não me sentir em casa naquele ambiente e com aquela conversa. Falamos do que sabíamos dos nossos antepassados. Lembramos que há, na região da Calábria, uma forte concentração de Linardi. Era de lá que eu havia encontrado a documentação dos meus e, há alguns anos, havia descoberto que na cidade de Rossano é produzido um vinho chamado Linardi. Ele já conhecia e, há algum tempo atrás, haviam conseguido uma remessa de garrafas através de uma encomenda.

Ao final da conversa, o telefone tocou com latidos de cachorro. Era sua esposa, para quem começou a contar sobre a visita inusitada dos parentes brasileiros. Depois de desligar, contou para nós sobre o motivo do toque do telefone. “Ela cria sheepdogs”. Com livros, vinhos e cachorros, não há necessidade de melhores companhias e referências para encontrar laços que unem parentescos, mesmo que não tão próximos.

 

(Montevidéu, dezembro de 2018)

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* Contato: fred.linardi@gmail.com