Posts com Arquitetura

Índex* | Dezembro, 2021

Desfaço

O tempo

Como quem

Desfaz

A morte

E retira

Aqueles

Nozinhos de

Amargura

Que os maus

Momentos

Nos dão

*

Invento

A vida

Como quem

Escreve

Um verso

Cheio de

Ternura

E ao mundo

Inteiro

Presentear

*

(“A vida por um segundo”, 11/12/2021, 07h48)

A vida por um segundo no último Índex do ano, em Dezembro de 2021, no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa On-line | Dezembro, 2021 | Patricia Gonçalves Tenório (PE/Brasil) & Diversos.

Rio a quatro mãos | Adriano Portela (PE/Brasil) & Patricia Gonçalves Tenório.

As filhas do adeus | Patricia Gonçalves Tenório.

Dois livros por mês | Dezembro, 2021 | Frutar, de Rizolete Fernandes (PE/Brasil) & A caixa-preta, de Geórgia Alves (PE/Brasil).

“As casas” | Com Jaíne Cintra (PE/Brasil), Juliana Aragão (PE/Brasil) & Mariana Guerra (PE/Brasil).

Poema de Altair Martins (RS/Brasil).

Um panorama da Escrita Criativa | Patricia Gonçalves Tenório & Raldianny Pereira (PE/Brasil).

Agradeço imensamente a atenção, a força e o carinho durante todo ano de 2021, a próxima postagem será em 30 de Janeiro de 2022, abraços cheios de Sonhos, Saúde & Poesia e até lá!

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* | December, 2021

Undo

The time

As we

Undo

The death

And withdraw

Those little nodes

Bitterness

That the bad

Moments

Give us

*

I invent

Life

As we

Write

One verse

Full of

Tenderness

And to the entire

World

We give

*

(“Life for a second”, 12/11/2021, 7:48 am)

Life for a second in the last Index of the year, in December 2021, on Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

Studies in Creative Writing Online | December, 2021 | Patricia Gonçalves Tenório (PE/Brasil) & Miscellaneous.

Rio in four hands | Adriano Portela (PE/Brasil) & Patricia Gonçalves Tenório.

Farewell’s daughters | Patricia Gonçalves Tenório.

Two books a month | December, 2021 | Frutar, by Rizolete Fernandes (PE/Brasil) & A black box, by Georgia Alves (PE/Brasil).

“The houses” | With Jaíne Cintra (PE/Brasil), Juliana Aragão (PE/Brasil) & Mariana Guerra (PE/Brasil).

Poem by Altair Martins (RS/Brasil).

An Overview of Creative Writing | Patricia Gonçalves Tenório & Raldianny Pereira (PE/Brasil).

I am immensely grateful for your attention, strength and affection throughout the year of 2021, the next post will be on January 30th, 2022, hugs full of Dreams, Health & Poetry and see you there!

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** A viagem poético-afetiva pelo centro de Porto Alegre (RS/Brasil) e pela PUCRS, fechando mais um ciclo de ano e vida. The poetic-affective journey through the center of Porto Alegre (RS/Brasil) and by PUCRS, closing another cycle of year and life.

Estudos em Escrita Criativa On-line | Dezembro, 2021

E chegamos ao fim do curso on-line e gratuito “Os mundos de dentro”, curso que faz parte dos Estudos em Escrita Criativa em 2021. No mês de dezembro, nos deslocamos pelas casas de oito escritores brasileiros, aterrizamos na Porto Alegre de Mario Quintana, visitamos o hotel Majestic e a casa da poetisa performática, escritora, atriz, diretora de teatro, mestre e doutoranda em Escrita Criativa pela PUCRS, a gaúcha-carioca Gisela Rodriguez.

*

Primeira Aula do Módulo 12:

*

*

Na primeira aula do módulo 12, descobrimos que Os mundos de dentro de Mario Quintana nos ajudam a sair para Os mundos de fora; degustamos a tranquilidade profunda de seus poemas; confirmamos a temática da casa permeando sua escrita com a professora Tania Carvalhal; nos encantamos com o quanto o autor valorizava a obra acima da própria vida; percebemos o isolamento de Quintana na casa-hotel Majestic como metáfora para o mergulho nos mundos de dentro de nós, escribas, especialmente, durante a pandemia;

*

Segunda Aula do Módulo 12:

*


*

Na segunda aula do módulo 12, acompanhamos a entrevista de Mario Quintana para Edla Van Steen e a impressão de fluxo simultâneo na escrita do autor gaúcho; traçamos diálogos possíveis com a poesia de Quintana: Alberto Caeiro, Carlos Pena Filho, Hermann Hesse; visitamos virtualmente antecipando a visita presencial à casa de Quintana no Hotel Majestic; constatamos a dificuldade de Quintana em sair para o mundo, após uma infância enclausurada por questões de saúde, semelhante ao que vivemos na pandemia; sugerimos filmes e o último exercício de desbloqueio.

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Terceira Aula do Módulo 11:

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E foi com imensa alegria que fechamos com chave de ouro, na quarta-feira 15/12/2021, em Porto Alegre, o nosso curso na casa da queridíssima Gisela Rodriguez, com direito a sarau poético, lançamento da coletânea Estudos em Escrita Criativa (abaixo) e da novela policial Rio a quatro mãos (em outro post) e a presença de dois escritores convidados de Os mundos de dentro: Altair Martins (Manuel Bandeira) e Adriano Portela (Osman Lins). Agradecemos a atenção e o carinho de todos e todas vocês, continuem trilhando esse caminho tão lindo da Escrita Criativa, nos mundos de dentro e nos mundos de fora da literatura e da poesia mundial e brasileira! No post “As casas”, vocês podem conferir um vídeo de retrospectiva do curso preparado com todo carinho pelas meninas super poderosas Jaíne Cintra, Juliana Aragão e Mariana Guerra! Boas viagens!

*

https://www.youtube.com/estudosemescritacriativa

*

*

Exercícios de desbloqueio:

*

Módulo 10 – Carlos Drummond de Andrade:

*

Elba Lins

Contato: elbalins@gmail.com

Bom dia, Drummond

Mesmo te conhecendo desde cedo através de alguns poemas, nunca me senti à vontade para conversar contigo como se conversa com um amigo íntimo. Jamais pensei em um papo descontraído num dos bancos da calçada de uma praia no Rio de Janeiro – jamais! Sempre me intimidou tua presença altiva e distante de mim.

Agora tive a oportunidade de te conhecer um pouco mais e mesmo assim tenho receio de parecer inconveniente. E mais agora, que te sei “triste, orgulhoso, de ferro” como as calçadas da tua Itabira. Mesmo agora, te vejo inacessível aos simples mortais, talvez por estares no cume da montanha, da qual ainda tentamos vencer as pedras do meio do caminho.

Mas apesar de tudo, te escrevo, e aproveito para perguntar: E agora, Drummond?

Com esta tarefa, só me resta voltar no tempo e te dizer que por aqui as coisas não mudaram muito e, com a pandemia, nunca foram tão verdadeiras as suas palavras:

“o povo sumiu,

a festa acabou

a luz apagou

o povo sumiu”

Sim, Drummond, nunca foi tão atual esta incerteza, esta desesperança – a cada dia tentamos escalar montanhas, mas ligamos a TV e caímos de volta ao fundo do poço.

É a COVID,

A variante Delta,

A Amazônia em chamas,

O Pantanal deserto.

É o Ômicron,

É a fome,

O desgoverno – Tinha realmente uma pedra no meio do caminho…

Só nos resta esperar,

Por um novo dia – que por enquanto, tarda a chegar.

Pois é, caro Drummond:

O dia não veio,

O bonde não veio

O riso não veio,

Não veio a utopia

E tudo acabou.”

E agora, Drummond?

*

Módulo 11 – João Guimarães Rosa:

*

Elba Lins

Exercício de desbloqueio relativo ao mês de novembro de 2021

Sinopse

Jovem narra a história de sua vida, sua relação com as palavras, e a dificuldade em lidar com o afastamento da natureza depois de ter sido resgatada ainda criança do local em que viveu com sua mãe surda-muda.

Personagem

Luna é jovem, dona de um corpo esbelto, forte e flexível e sua voz é doce, mas cortante. Viveu até os oito anos na floresta onde aprendeu a se movimentar como os animais. Sua voz doce, tem notas cortantes, pois até o resgate tudo que aprendeu veio do convívio com os pássaros e com a observação das feras.

Lista de Providências e Planejamento –

Desenvolver o personagem e planejar como será sua relação com as pessoas que lhe resgataram.

Assistir ao filme Nell com Jodie Foster para observar alguns traços da personagem exposta ao mesmo ambiente que Luna.

A questão essencial do personagem

A questão essencial do personagem é que só teve uma única forma de aprendizado – a observação dos animais e da natureza.

Lista de Providências e Planejamento –

Recolher exemplos sobre como este aprendizado era feito. Exemplo: dançar – através da observação dos pássaros, das águas, do vento e do fogo. Cantar – através do canto dos pássaros e rugir das feras.

Assistir a alguns episódios sobre animais e sua vida na floresta.

O conflito da narrativa

O conflito vai surgir quando Luna precisar se relacionar com as pessoas e desenvolver novas formas de aprendizado. Já que tudo era feito a partir da observação dos animais e da natureza e com bastante tempo para observar, Luna estranhará a pressa como deve aprender a partir de agora e sempre dependendo de outra pessoa para lhe ensinar.

O enredo e a estrutura

O enredo é a trajetória de Luna e mostrará a partir de sua própria escrita todas as dificuldades em aprender a se comunicar, aprender novos signos, novos sinais. É a construção de uma nova forma de vida. Sua decisão de colocar em papel sua história é outro desafio para Luna.

A estrutura da narrativa será fragmentada levando o leitor e a própria autora a uma viagem do presente ao passado, a uma expectativa de como será seu futuro. Neste trajeto da escritura Luna avaliará o caminho trilhado até aqui e as possíveis bifurcações.

A focalização

Será interna na 1ª pessoa quando se tratar do tempo passado e dos planos para o futuro.

Será externa na 3ª pessoa quando se tratar do presente.

O espaço

Lista de Providências e Planejamento –

Tipo de espaço de cenário a ser utilizado em cada cena da época atual e da infância.

O tempo 

O tempo do passado será medido pelas estações e o presente será medido em minutos gastos nas atividades.

O estilo  

A escrita deverá ser bem compacta quando ela fala no presente e bastante completa quando relembra do passado. A estrutura deverá ser diferente do esperado. Agora que ela dispõe de maior vocabulário ela falará de forma racional e suscinta e quando fala do passado ela descreve tudo com detalhes vibrantes. É como se ao invés de usar os recursos gramaticais e ortográficos agora disponíveis, ela buscasse traduzir o que está na sua alma quando fala de cada situação.

Módulo 12 – Mario Quintana:

*

Bernadete Bruto

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

CRÔNICA SOBRE UMA VIAGEM NÃO REALIZADA

                                                           Será simplesmente o tempo ou

                                                a memória do homem que transforma

a história em lenda?

(Richard Henning)

            Passeio os dedos pelo teclado para escrever sobre uma viagem, como tarefa final dessa também viagem pelos mundos de dentro proporcionada pela escrita e conto sobre o que se segue. Houve viagens inesquecíveis, no Brasil ou no exterior, repleta de histórias bem interessantes. Todas, frutos de sonhos realizados. Mas houve uma em particular que foi sonhada num tempo passado e que não foi concretizada. Esta é a crônica para a pretensa viagem à Ilha de Páscoa e acerca de sonhos não realizados.

           Sempre me interessei por história. Qualquer história! E se ela vem com castelos de contos de fadas desenhados em nossa imaginação, ou monumentos sobre o qual possa ver no concreto (e imaginar) outras histórias, que maravilha! A Ilha de Páscoa tem muitos desses monumentos imponentes que nos fazem sonhar, pensar o que verdadeiramente significavam. Aquelas imensas figuras encravadas na ilha, os moais, pela disposição, pareciam estar protegendo o povo. Como alguns povos antigos, restaram a nós esses monumentos e pouca história, o que nos faz sonhar, especular e imaginar sobre aquele espaço. Um pedacinho da Polinésia perto da América do Sul.

           Recordo que por volta do final dos anos setenta, ao assistir o filme Eram os deuses astronautas, filme baseado no livro de Erick Von Daniken, fui tocada pela curiosidade acerca daquela ilha, a sua magia. Bateu a curiosidade de ver de perto aquelas criaturas rochosas imensas!!!! Uma feitiçaria despertada também pelas leituras do livro que havia recebido no Natal me falava sobre os enigmas do universo. Mas, somente após muitas viagens realizadas, chegaria o momento de estar bem perto e ir ou não ir à Ilha de Páscoa.

           Faz alguns anos que viajo com amigas durante o carnaval. Fugimos da folia e vamos conhecer outras coisas nesse momento, apesar de amarmos nosso carnaval. Assim, em 2013, entrou nos planos a viagem à Santiago do Chile. Foi quando voltou a ideia de aproveitar para conhecer a Ilha de Páscoa. Estaríamos separadas por apenas mais um voo. Do trio ou quarteto dessas viagens, restamos duas. Então propus a esticada à ilha. No entanto, minha amiga explicou que teríamos pouco tempo para fazer mais uma viagem, não tinha vontade de conhecer a ilha e, como não era algo que justificasse eu me separar um período para poder ir ver a ilha e voltar, escolhi não ir. Penso que as escolhas sempre são de nossa responsabilidade e que uma amizade e um planejamento conjunto sobre qualquer atividade deve ter concessões de ambas as partes e assim foi. A viagem a Santiago foi inesquecível! Cheia de histórias interessantes que merece outra crônica. E, acredito, que só assim aconteceu porque tivemos o tempo necessário lá. Afinal eram somente oito dias.

           Mal podia imaginar que tanta coisa me esperava, embora fosse com o coração cheio de poesia para encontrar com o admirável poeta Neruda! E ele não me decepcionou! Ao visitar suas casas reencontrei suas poesias, lá bem nos seus mundos de dentro! Houve o engraçado encontro (mais de uma vez) com grupos de brasileiros (recifenses) também fugindo do carnaval….,  o encontro com Nossa Senhora da Concepcion no Morro de Santa Lucia e o futuro milagre na vida da minha amiga; o muito mais engraçado “Valentine Day” que participamos em um jantar “romântico” minha amiga e eu , quando descobrimos a comemoração;  o gosto ainda na boca da empanada e tortilha que trocamos  na hora de experimentar, mas provamos um pouco do gosto  da civilização andina nos tocando;  e a vinícola Concha e Toro e a história do Casillero del Diabo…. a música nas ruas, na feira, escutando de Roberto Carlos ao Condor passa!

           Mas foi em Valparaíso, aquele outro local que sempre sonhei ver, somente por conta de Neruda, que tudo aconteceu. Receber a maresia ventando no rosto; o passeio à casa da praia do poeta, entrar no seu quarto, olhar a mesma vista… Quantas histórias numa só viagem! Até que me deparei com um MOAI sacado da ilha. O guia explicou porque ele foi para lá…sinceramente, não me recordo mais porque, mas recordo de ter aperreado para descer e fui até lá para ver de perto aquele imenso ser rochoso: eu VI de perto um MOAI!!!!!  Já havia visto os de madeira, mas aquele foi especial. E como se não bastasse, perto de voltar, já em Santiago, fui àqueles shows feito para turista ver e tive a grata surpresa de assistir a várias danças folclóricas do povo da Ilha de Páscoa. As belas dançarinas encantaram a todos, mas os homens, ah, aqueles vigorosos homens tomaram o lugar das dançarinas e nunca mais esquecerei da dança vigorosa dos homens da Ilha de Páscoa!  E também da exclamação da minha amiga que me confessa: Berna, estou viva!  Estávamos vivas, alegres e dançantes naquele prazeroso encontro. Diz o ditado: “Se Maomé não vai à montanha”…. Pois foi assim: a ilha veio até mim naquela bela viagem a Santigo do Chile. Dei-me por satisfeita. Sou sempre feliz por tantos sonhos realizados. Alguns que não realizei, eu sei bem o porquê. No que dependeu de mim, sinto-me feliz do que pude ter. Não lamento o que não pude, deixo que a vida se encarregue de me mostrar o melhor caminho e sigo feliz. E sou feliz quando outro (a) realiza seus sonhos. Por quê? Porque a felicidade e a infelicidade não são exclusivas de ninguém e a todos pertencem. Foi nesse entendimento que escrevi, em 2014, o poema “Mea Culpa”:

Nunca houve real empecilho

Nesta minha via

O que não fui

– por falta de ousadia –

O que não fiz

– por covardia –

Não posso apontar ninguém

Foi tudo por opção

Escolha

Responsabilidade

Ou exclusivamente

Culpa minha!

            O livro que recebi no Natal de 1975 se chamava Os grandes enigmas do universo de autoria de Richard Henning. Na dedicatória, o pai de nossas amigas, nossas vizinhas lá em Olinda, me estimulava a procurar meu caminho profissional. Um dos caminhos que ele apontava foi o que segui inicialmente e que me serve até hoje na minha antropologia da poética. Talvez, por muitas dessas experiências, penso que sonhos e boas palavras é o que devemos deixar para os outros. Aquelas palavras ainda hoje estão comigo! A infelicidade particular reservo uma boa expurgação poética e deixo-a lá com parte minha.

            Quanto à viagem à Ilha de Pascoa que pude experienciar em Santiago do Chile, bastou para mim. A memória encantou essa viagem não realizada. Não me arrependo por esta escolha e, como diria minha amiga, quando, em nossas viagens, não vale o esforço de fazer algo em nossa programação: Dei por visto! Assim, no ponto final despeço da viagem não realizada com aquela canção de Santiago do Chile que diz assim: Adios, Santiago querido, me voy, me voy! E vou por aqui, compartilhando sonhos, histórias e na poesia da vida, enquanto durar minha viagem rumo ao desconhecido.

                                                                               Recife, 18 de Dezembro de 2021.

                ÁLBUM DA VIAGEM NÃO REALIZADA


*

Elba Lins

Mundos de dentro

Paredes fechadas

Espaços que explodem

Em possibilidades.

Sonhos

Mídias

Pensamentos

E eu vôo para onde não sei

Para espaços que me sugam

Ou para situações que me lançam

Num tempo só meu.

*

Às vezes me comprimo

Em interstícios –

Precipícios,

Espaço-tempo cortante

Grutas e labirintos…

*

Busco pelo espaço

Espaço vazio

Amplidão

E fantasio a saída

Para tecer a vida

Fora de mim

Para navegar

Em nuvens de possibilidades

Escalar estrelas encobertas

Mergulhar em pensamentos profundos

Ou saltar de paraquedas

No tempo-livre do sonho

Ou no mergulhar de cabeça

No espaço concreto

Da realidade em construção

*

Elenara Leitão

Contato: arqstein@gmail.com

A verdadeira arte de viajar…

A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,

Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.

Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali…

Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!

Mário Quintana

*

Rompendo com a estagnação me diz a carta do tarot. Tudo bem que é jogo virtual como tudo o que fazemos hoje. Viramos nós as nuvens que confundimos com as ânsias de vida que nos percorrem. Nossas perguntas, nossas respostas todas viram dados em números binários. Será que se entrecruzam com outros dados em um metaverso, já que o nosso se tornou tão virulento?

*

Romper com a estagnação, diz a carta, enquanto ouço a voz de Mario Quintana falando do desamparo do anjo Malaquias. A janela que enquadra o mundo já se torna prisão. Hora de romper com as inércias, abrir portas e percorrer os mundos de fora.

*

Olho o globo, presente de meu pai. O mundo é vasto. Lembro que vou fazer 65 anos em 2022. Qual melhor presente que me presentear com uma viagem? Qual melhor maneira de romper amarras que deixar de lado o virtual e seguir passo a passo em outras paragens?

*

Aonde ir?

*

Giro o globo. Talvez apenas isso, girar e deixar o dedo apontar.

*

E se cair no meio do oceano? Se pousar no Everest? Se acabar voltando ao lar?

Para aonde ir?

*

Cabo-verde aponta o dedo matreiro.

*

Cabo-verde? Não sei nada sobre Cabo Verde. Mais fácil Holanda e Bélgica onde moram amigos queridos. Portugal com a mesma língua. Alemanha de onde partiu o avô missionário…

*

Uma rápida passada pelo Google me mostra um arquipélago com lindas praias. Colonização portuguesa, a língua crioula cabo/verdiana falada por lá não deve ser tão difícil de entender. Quem quer comunicar sempre dá um jeito, aprendi na vida.

*

Uma viagem começa por uma possibilidade. Diria mais, começa em uma curiosidade. Antes da decisão, há que se pesquisar. O que conhecer em determinado lugar? Qual o mês mais adequado? Qual a comida e os costumes. Como vive a gente de lá? Uma viagem começa bem antes da decisão. Bem antes de marcar passagens e hotéis. Há que se projetar. Não tudo, que é preciso deixar espaço para o imponderável. Afinal viajar é se lançar ao mundo. Deixar o porto seguro, içar velas feito marinheiro que descobre novos mundos.  

*

Sorrio ao pensar que, depois de dois anos de vida reclusa, imaginar o mundo assim tão aberto é alguma ilusão. Ou muita. A vida gira como o globo. Talvez nossas nuvens interajam com as nuvens virtuais. Talvez não. Talvez a vida se faça de sortes ao acaso, como um dedo pousado em um globo determinando uma rota. Talvez eu me negue. Talvez eu me abra. Talvez a derradeira viagem esteja ao meu lado, esperando para me embalar em seus sonhos de promessas nunca realizadas. Talvez apenas esteja esperando que eu abra as portas e rompa as estagnações. Talvez  

 *

Viagem futura

Um dia aparecerão minhas tatuagens invisíveis:

marinheiro do além, encontrarei nos portos

caras amigas, estranhas caras, desconhecidos tios mortos

e eles me indagarão se é muito longe ainda o outro mundo…

Mario Quintana

Rio a quatro mãos | Adriano Portela & Patricia Gonçalves Tenório

Dois convites e um sonho

            Tudo começou com dois convites e um sonho. O primeiro deles foi do professor da PUCRS Ricardo Barberena, que estava angariando textos (poéticos ou ficcionais) para a homenagem ao bicentenário de nascimento do escritor russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881). O segundo convite veio do meu afilhado literário, o escritor, cineasta, professor Adriano Portela. Ele me convidou a escrever a quatro mãos.

            Interessante percebermos o quanto a literatura tem de coincidências – que não são tão coincidentes assim. No ano do bicentenário de nascimento do autor de Notas do subsolo, no dia seguinte ao convite de Adriano, veio à mente (e ao sono) um sonho com assassinato e esquartejamento, bem ao estilo de Crime e castigo, também de Dostoiévski. Compartilhei a ideia com meu afilhado, que, prontamente, aceitou o desafio – essa prontidão em embarcar nos meus sonhos vem desde que nos conhecemos, lá nos idos de 2014, na disciplina Tópicos da Crítica Literária, com a sua futura orientadora de mestrado, professora Ermelinda Ferreira.

            Mas colocar em prática uma escrita a quatro mãos é muito mais difícil e delicado do que se imagina. É preciso humildade de ambos os lados, aceitação da forma de escrita do outro, com seu vocabulário próprio, suas ideias e provocações. A princípio, pensamos em escrever doze capítulos, um capítulo para um e o seguinte para o outro (com exceção do último), e que os títulos destes seriam cômodos de uma residência, a começar, é claro, pelo “Subsolo”.

            O cuidado com as contradições e os erros de entendimento foram solucionados com a revisão do texto inteiro a cada capítulo novo escrito. Adriano traçou os perfis físico e psicológico dos personagens para ver se combinavam com os do meu sonho. Fomos ajustando à medida que escrevíamos, e sabíamos de antemão quem seria o personagem-assassino.

            Aprendi muito nesse processo. Havia trabalhado diversas vezes com Adriano – no I Seminário Nacional de Escrita Criativa de Pernambuco (2017), nos cursos da Livraria Cultura (2018), na especialização em Escrita Criativa (Unicap/PUCRS, 2019/2020), no videopodcast de A baronesa (2020), e em tantos outros projetos em comum. Mas nada se compara a ler a alma do outro que a escrita a quatro mãos nos propicia. É um exercício para a vida inteira, que recomendo a todas as pessoas que desejem, cada vez mais, bem escrever.

Patricia Gonçalves Tenório

Sherlock Holmes joga o fio

Anos atrás, quando comecei a rabiscar e encarar a profissão de escritor com a seriedade que ela merece, descobri que o ofício exige conhecimento de um misto de atividades, indo da bruxaria à artilharia de ponta. Um desses conhecimentos é a investigação, o autor precisa ser detetive, e um Sherlock necessita planejar, conhecer e confiar. E assim é a minha relação com a artista com quem divido esta obra. Autora há mais tempo do que eu, dedicada às letras antes mesmo de eu escrever ao menos uma linha, ela, a talentosa Patricia Tenório, foi quem, na verdade, me achou, me investigou e decidiu fazer de mim o seu Watson. Patricia é uma espécie de mentora e um exemplo para todos nós, um exemplo de como respeitar e amar a literatura.

Como pupilo, lancei o desafio para a mestra, ela me devolveu com o fio para eu poder entrar no labirinto e não perdê-la. Convidei Patricia para escrever uma obra a quatro mãos, ela aceitou e me intimou a um trabalho sério e muito prazeroso. Começamos a escrita já com organização e data de lançamento. Era o fim do “ahhh, amanhã eu escrevo”.

Mãos à obra. Criamos um método para a produção da novela, batizei-o de “crime por correspondência”. Funcionou e achei o máximo. Eu, que sempre fui um apaixonado por cartas, estava encantado. Toda vez que eu enviava um capítulo, esperava ansioso, nervoso e inquieto o retorno da minha madrinha autora. “Como será que ela vai resolver isso? Joguei uma bomba para ela desenvolver…”, pensava enquanto o texto não chegava, e, quando ele regressava, era uma explosão de felicidade. O jogo virava: “Como será que eu vou resolver? Ela me jogou uma bomba nas costas.” Fizemos isso por semanas, num respeitar britânico de horários até… até que eu travei no último capítulo.

Passei dias pensando como iria abrir o texto, rabisquei inúmeras situações em meu caderno de rascunhos, solicitei reunião com Patricia, escrevi, escrevi, escrevi, apaguei, apaguei, apaguei. Não quis ler coisas similares, achava que seria pior, porém, assisti a muita referência. Joguei meus planos para minha esposa Camylla, pedi a sua opinião, implorei por ideias. Estava mesmo desesperado. Patricia, calmamente, me aguardava. Até que, no dia 30 de junho de 2021, depois de finalizar a escrita de uma série para o streaming e enviá-la ao cliente, sentei em frente ao computador e soltei o dedo de uma vez só. Foi um alívio. Uma felicidade imensa poder concluir e entregar uma obra. É, outro jargão super certo, a escrita é cheia de dor e amor ao mesmo tempo.

Nestas minhas últimas linhas, quero dedicar meus capítulos e a obra como um todo a minha Sherlock Holmes. E aproveito para revelar ao caro leitor, ou leitora, que com este livro eu aprendi várias coisas, entendi que a famosa solidão do trabalho do escritor pode ter “cura” e o autor precisa de algo mais do que somente “papel, caneta e intuição”. Descobri também que para lançar mais uma obra ficcional no mercado me faltavam três coisas: parceria, organização e determinação.  E, por fim, compreendi que não poderia morrer sem antes publicar uma novela com Patricia Tenório. Recomendo a todos! 

Adriano Portela

“As casas”

Mistérios

Vêm do passado

Antecipam o futuro 

E aterrizam

Suavemente 

No presente 

No instante

Que abro

O caderno

Em branco

Tomo a caneta

Na mão

E escrevo

Um rio de

Saudade

(“Casa”, Patricia Gonçalves Tenório, 13/12/2021, 15h18)

De 03 a 16 de dezembro de 2021, para fechar com chave de ouro o curso “Os mundos de dentro”, percorri oito casas de escritores e escritoras brasileiros, e foi uma alegria infinita. Estar no mesmo espaço que esses monstros sagrados da literatura e da poesia brasileiras é uma honra, especialmente no aprendizado de seus processos de criação, mesmo e principalmente dentro das quatro paredes de suas casas, que contêm e provocam suas criações.

E, com a ajuda dessas meninas super poderosas Jaíne Cintra, Juliana Aragão e Mariana Guerra, apresento uma retrospectiva do curso que tanto prazer me proporcionou, com a participação dos escritores convidados lendo os respectivos escritores estudados.

Muito obrigada, meus queridos!

Patricia.

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Espaço Pasárgada (Recife, PE) | Manuel Bandeira

Casa de Osman Lins em Vitória do Santo Antão, PE.

Casa de Cora Coralina, Goiás Velho, GO.

Casa de Mário de Andrade, São Paulo, SP.

Casa do Sol, de Hilda Hilst, Campinas, SP.

Casa de Carlos Drummond de Andrade, Itabira, MG.

Casa de João Guimarães Rosa, Cordisburgo, MG.

Hotel Majestic, casa de Mario Quintana, Porto Alegre, RS.

Índex* | Novembro, 2021

Quando olho

O ano inteiro

Nem parece

Que acabou

Nem merece

Uma tristeza

Vinda

De qualquer

Parte

Só amor

Só amor

Só amor

*

(“21 de novembro”, Patricia Gonçalves Tenório, 18/11/2021, 14h33)

*

Na edição de aniversário, no Índex de Novembro, 2021, no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa On-line | Novembro, 2021 | Patricia Gonçalves Tenório (PE/Brasil) & Diversos.

Dois livros por mês | Artemísias: vozes de libertação (Organização: Iaranda Barbosa, PE/Brasil) & Amora (Natalia Borges Polesso, RS/Brasil).

O jogo das contas de vidro, Hermann Hesse | Texto: Patricia Gonçalves Tenório. Fotografias: Angeli Soares (AL/Brasil).

Poema e foto de Altair Martins (RS/Brasil).

Poemas de Angelo Manitta (Itália).

Exposição de George Barbosa (PE/Brasil).

A arte de Rozze Domingues (PE/Brasil).

Agradeço a atenção e o carinho de sempre, a próxima postagem será em 26 de Dezembro de 2021, grande abraço e até lá,

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* | November, 2021

When I look

The whole year

Does not seem

That ended

Neither deserves

A sadness

Coming

Of any

Part

Just love

Just love

Just love

*

(“November 21”, Patricia Gonçalves Tenório, 11/18/2021, 2:33 pm)

*

In the anniversary edition, at Index of November, 2021, on Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

Studies in Creative Writing Online | November, 2021 | Patricia Gonçalves Tenório (PE/Brasil) & Miscellaneous.

Two books a month | Artemísias: voices of liberation (Organization: Iaranda Barbosa, PE/Brasil) & Amora (Natalia Borges Polesso, RS/Brasil).

The Glass Bead Game, Hermann Hesse | Text: Patricia Gonçalves Tenório. Photographs: Angeli Soares (AL/Brasil).

Poem and photo by Altair Martins (RS/Brasil).

Poems by Angelo Manitta (Italy).

Exhibition by George Barbosa (PE/Brasil).

The art of Rozze Domingues (PE/Brasil).

Thank you for your attention and affection, the next post will be on December 26th, 2021, big hug and until then,

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Uma nova etapa de vida, poesia, literatura e amor. A new stage in life, poetry, literature and love.

Estudos em Escrita Criativa On-line | Novembro, 2021

No mês de novembro de 2021, navegamos pelas veredas do segundo escritor mineiro do nosso curso, de Cordisburgo para o mundo, João Guimarães Rosa, e com o escritor gaúcho Gustavo Melo Czekster.

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Primeira Aula do Módulo 11:

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Na primeira aula do módulo 11, iniciamos a “Travessia” de Milton Nascimento na obra icônica de João Guimarães Rosa, Grande sertão: veredas, que condensa a vida inteira do autor, assim como nosso curso on-line, não somente “Os mundos de dentro” em 2021, mas desde o começo em 2020; constatamos a intergenericidade de Guimarães (poesia, conto, romance, ensaio) numa mesma obra e a inovação linguística, com as diversas técnicas de escrita criativa encontradas no livro; analisamos os diversos temas possíveis de Grande sertão; comparamos a técnica do refrão, encontrada em “A filosofia da composição”, de Edgar Allan Poe com “Viver é muito perigoso” e “O diabo na rua, no meio do redemoinho…” que Guimarães nos presenteia para não nos perdermos na narrativa caudalosa e intensificar o texto até atingirmos a catarse no final;

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Segunda Aula do Módulo 11:

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Na segunda aula do módulo, constatamos o fazer fazendo do livro com a presença do alterego de Guimarães no rapaz da cidade, que encontramos também em Amar, verbo intransitivo: idílio, de Mário de Andrade estudado no módulo 9; falamos mais uma vez sobre os diversos temas possíveis de Grande sertão; observamos o ziguezague da narrativa, semelhante às associações livres defendidas por Sigmund Freud; identificamos a semelhança com Hilda Hilst (módulo 8) nas crônicas e com Vinicius de Moraes (módulo 5) nas músicas; concordamos com a técnica de Assis Brasil de saber o fim de um romance para irmos aprendendo, durante a leitura, como o escritor construiu sua história; verificamos a circularidade do romance de Guimarães, tendo como símbolo máximo o infinito; visitamos virtualmente a casa museu de Guimarães em Cordisburgo, MG; apresentamos a teoria-pergunta de Gustavo Melo Czekster em A nota amarela: Devo ser o/a autor/a do romance que imaginei?; sugerimos filmes e exercício de desbloqueio.

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Terceira Aula do Módulo 10:

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E foi com imensa alegria que recebemos o advogado, escritor, doutor (PUCRS) e professor de Escrita Criativa Gustavo Melo Czekster na última quarta-feira 24/11/2021 na live sobre João Guimarães Rosa do nosso canal do YouTube. O próximo e último escritor a ser estudado no nosso curso é Mario Quintana e a escritora convidada é Gisela Rodriguez, além de um lançamento muito especial! Não percam!

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https://www.youtube.com/estudosemescritacriativa

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Exercícios de desbloqueio:

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Módulo 5 – Vinicius de Moraes:

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Luciana Beirão de Almeida

Contato: lubeirao@hotmail.com  

VEM

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Vem ouvir Vinicius

Vem viver a vida.

Não a vida inventada,

Mas a vida de verdade.

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Vem ouvir Vinícius

Vem viver a vida.

Não a vida virtual,

Mas a vida visceral.

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Vem ouvir Vinícius,

Vem evitar o vazio.

Sem vacilar.

Vem!

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Módulo 7 – Cora Coralina:

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Diego Pereira

Contato: diegopereiranoleto@hotmail.com

As pequenas que cantam de lá

O homem só aumentou o volume. Bastou. A dois passos de chegar, fugiu-me um pouco de ar do peito, e me sentei no meio-fio ajustando os braços sobre o colo e as mãos em concha ao redor das orelhas. Era Tânia, e eu a ouvia numa voz bem calma e áspera, como o tipo de grama macia que você toca com os pés e sente a textura arranhando sua pele.

Minha mulher me deixou para trás, e, dez passos à frente, já bem perto do vendedor, voltou-se para me ver sentado. Levantou os braços. “Que foi?” Parou ao lado da barraca de vendas.

Mas eu ouvia Tânia – o som de sua voz vindo até mim – e, através dos meus poros, sua música extinguia por alguns segundos o mundo de cá, essa enorme avenida por onde outras pessoas caminhavam e corriam, suas sombras se projetando nas minhas costas e no chão; e extinguia também o céu do final da tarde, esse mar de cores do poente, e o meu cansaço.

Enxuguei o suor das têmporas e um pouco de água nas sobrancelhas, que cobriam e manchavam meus olhos, e desciam até o queixo e me davam um gosto na boca. Era salgado. Salgado como aquelas ondas que vinham rebentar na calçada, com uma pancada imensa espalhando gotas brilhosas de sal, suas ondas com espuma branca chegando até a areia da encosta.

Esqueci essa imagem do mar; esqueci onde estava. Qual foi a última vez? Tânia cantando numa tarde na casa dos meus pais.

Sempre o rádio naquela sintonia, e era o prelúdio para tudo que íamos fazer em casa, desde a manhã até à noite, como um alerta, para mim, de que já era dia – que eu via claro através das brechas da janela – e os primeiros raios de sol pareciam sempre melodias úmidas de orvalho de alguma música suave que saia pelo pequeno aparelho de rádio sob a máquina de lavar e que me brindavam rascantes pelo peito.

Mas não ouço mais nosso programa favorito. Mudei de cidade, mudei de casa duas vezes, pensava, pegando um pouco a carne engelhada da perna, e achei diferente da pele que me habitava. Mas essa lembrança de agora, esse som de bolero que se confunde com o respiro do mar, me diz um nome, numa pronúncia suave de todas as letras que me deram quando criança, e pelas sombras no chão eu revia os números douradas do nosso antigo endereço. Por que parei? Queria ouvir aquelas canções. Pus as mãos no chão, queria sentir o tremor do aparelho de som sobre a máquina ou a bancada da cozinha, o tremor suave nos talheres, e um pouco de chiado; quero sentir, porque cada nova nota é aquela surpresa do desagradável e a felicidade dos momentos em que meus pais podiam dançar juntos – como em sua juventude – ou uma melodia em que mamãe podia cantarolar, como sempre fazia aos sábados pela manhã.

Gosto de música porque eles cantavam para mim quando eu era criança. Lembrei os discos empilhados em suas capas colorias, seus passos de dança do bolero da Tânia Alves, um quadro de Chet Baker na parede como marcas e… uma linha do Jazz de um compositor branquelo. Meu pai dizia que aquele outro não cantava, e a voz do Cartola se arrastando, craquelada, o som da agulha raspando o disco. “O que você acha? Qual sua opinião?”, perguntava.

“Eu amo”, foi o que respondi.

“O quê?”, perguntou Ana. Ouviu de forma mais nítida só a última palavra. Escapou um sorriso de sua boca.

Eu amo essa distância. Talvez tivesse dito.

Ela tinha nas mãos uma garrafa de água. O homem da barraca olhava para nós. A música que vinha do seu rádio já era outra, também distante.

Levantei-me, olhei o aparelho do homem ali, um radinho pequeno e marrom, que me fez sorrir. Tomei sua mão e fomos juntos até o carro.

“Tudo bem com você?”

“Sim”, respondi. Sentia saudades de casa, só isso.

E nos distanciamos dali por um caminho longo e já há muito silencioso.

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Módulo 8 – Hilda Hilst:

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Márcia Regina Araújo

Contato: marcia.araujo@ifpi.edu.br

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O meu mundo, exausto, desistiu.

Quantos amores viram abortos forçados

Extraídos à violência de impedimentos fúteis?

Quanta vida é abandonada

Pela morte trágica

Linha habitual do não dever?

Quanto sonho é vilipendiado

Pela realidade cinza do cotidiano…

                        medíocre?!

Quantos corações são implodidos

Violentamente pelo dever de

Permanecer?

Existe morte e crueza no limite

Imposto pela realidade                      

                        (a que me coube!)

A fraqueza me revolta!

                        Eu choro

                                    ela

Um lamento pelo compulsório

Caminho miserável de

Não viver e seguir…

                        indo!

Sem alma!

Precipício e abandono!

A minha vida me ama!

Mas o que eu faço dela

                        me odeia!

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Módulo 9 – Mário de Andrade:

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Elba Lins

Contato: elbalins@gmail.com

Exercício de desbloqueio relativo ao mês de setembro de 2021

Sinopse

Arqueólogo com especialização em espeleologia descobre túnel inexplorado que pode mudar a história dos deslocamentos humanos na face da Terra, mas ao mesmo tempo em que se aproxima do sonho de fazer história, vê exacerbado o medo de pequenos espaços.

Personagem

Tremendamente obstinado, não abre mão dos objetivos, não desanima facilmente, grande bagagem teórica, dando os primeiros passos nas pesquisas de campo. É bastante observador – qualidade indispensável no seu trabalho. Petrus é alto, forte e sempre se dedicou aos esportes radicais ao ar livre. Mas tem um problema que o persegue desde cedo e que ele insiste em manter em segredo: o medo de pequenos espaços.

Lista de Providências e Planejamento – Desenvolver o personagem, como são suas relações com os companheiros de trabalho, os amigos, as mulheres etc. Sua família que se resume ao pai, já que perdeu a mãe ao nascer.

A questão essencial do personagem.

O medo dos pequenos espaços e sua dificuldade em encarar o problema.

Lista de Providências e Planejamento –

Buscar informações sobre o tipo de fobia de Petrus.

O conflito da narrativa

O conflito vai surgir exatamente por conta da dificuldade em expressar o medo de pequenos espaços e este será o espaço quase que permanente dos seus próximos meses.

O enredo e a estrutura

O enredo tratará do caminho a ser percorrido por Petrus. Enquanto se empolga com os resultados do trabalho de exploração dos túneis, ele entra em contato com seu lado mais obscuro e vai descobrindo a própria história e as raízes dos seus medos.

A estrutura da narrativa deve ser fragmentada levando o leitor do presente ao passado numa exploração da vida de Petrus. Em paralelo este mesmo caminho leva à possível descoberta da história do ser humano na face da terra.

Lista de Providências e Planejamento – Mesmo sabendo tratar-se de ficção estudar sobre o assunto para dar maior credibilidade à história a ser inventada.

O enredo e a estrutura

Para trabalhar o enredo poderemos utilizar uma fundamentação baseada na jornada do herói. Sem, no entanto, ficar totalmente condicionada a este.  A conclusão final pode ser o retorno com o elixir ou a danação total.

Vale salientar que ao mesmo tempo tentaremos abordar a escrita por Petrus do seu caderno de observações dos trabalhos que de forma não programada trará no seu conteúdo muitos aspectos psicológicos e comportamentais vivenciados e anotados por Petrus.

A focalização

A princípio haverá dois tipos de focalização:

– interna na 1ª pessoa, quando se tratar do tempo presente,

– externa na 3ª pessoa quando se tratar de flashback

O espaço

 Lista de Providências e Planejamento –

Tipo de espaço de cenário a ser utilizado em cada cena.

O tempo 

O tempo será marcado por cada etapa dos trabalhos de exploração de túneis não faz muito e também com todo o processo que levou ao nascimento de Petrus.

O estilo  

O estilo será intermediário entre o essencial e o abundante (sem chegar a tanto), já que envolverá aspectos de comportamento humano.

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Módulo 10 – Carlos Drummond de Andrade:

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Bernadete Bruto

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

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Carta a Carlos Drummond de Andrade

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Ilmo. Sr.

Carlos Drummond de Andrade

Praça do Centenário, 137, Centro –

Itabira/MG – CEP: 35900-023

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Prezado Drummond,

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            Passei uma hora tentando escrever uma carta para você, Carlos! Mas os dedos não conseguem digitar a escrita desta mulher, que por traz do computador não é nada séria, essa mulher por traz do computador que é meio moleque, apesar da idade! Além disso, tem boas amigas e amigos dentro de seu coração.  Uma senhora de coração aberto seria rima e solução neste vasto mundo. Desde o princípio gostei dessa possibilidade de um mundo vasto onde mais vasto seria meu coração. Que vibração boa entregaste para uma adolescente. A mulher não esqueceu, apesar de escrever esta carta meio atravessada, misto de exercício de escrita e de brincadeira.

            Se no meio do caminho da escrita existe a pedra, eu penso que seja a pedra bruta que preciso lapidar como me ensinaram. Devo desbastar o texto deixando a pérola. A pedra do meio do caminho da vida, ficou lá como semente de textos catárticos e de alma lavada! Aquela que te escreve hoje sabe que a palavra montanhosa é galeria vertical varando o ferro para chegar ao âmago da escrita. O que dizer para o ilustre itabirano, oitenta por cento de ferro? Eu que sou mar aberto esparramado na costa da existência? Somente conjugando o verbo amar seu lado, querido poeta! Amar simplesmente amar e esquecer, amar e malamar. Amar, desamar, amar!

Passei uma hora tentando escrever essa carta para entender que o processo criativo leva também a energia de cada momento de seus poemas que inundam a minha vida inteira. Então, não serei uma poeta de um mundo caduco, aprendo contigo e com todos poetas que passam pela minha vida formando uma escrita camaleoa. De agora em diante, não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Gratidão, essa palavra-tudo!

Ciao!

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Bernadete Bruto

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Cilene Santos

Contato: cilenecaruaru2013@gmail.com  

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INFÂNCIA

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   Era criança. À tardinha, os irmãos sentávamos na soleira da porta. Havia, perto da casa, um sítio ou era uma fazenda. Não lembro. Lembro bem que, em todas as tardes, passava em nossa porta, um carro de bois, carregado de palmas, para a alimentação do gado. As rodas eram de madeira e arrastavam-se cansadas, pela terra. O seu rangido parecia um lamento. A força e o peso da carroça dilaceravam as pedrinhas. Não esqueci aquele chiado que lembrava o atrito da pedra mó, quando moíamos o milho. E os meus olhos acompanhavam a carroça até o final da rua, quando ela dobrava a esquina. Minha atenção voltava-se agora para o alto. Lá no horizonte, o sol se punha, dourando a tarde fresca de verão. Uma revoada de arribaçãs passava no céu, à procura de abrigo. Eram milhares e voavam juntas. Revolteavam em movimentos sincronizados, formando imagens estranhas, em seu bailado. Enormes, fantasmagóricas. Esquecia aquelas imagens e voltava-me para a noite, com um céu sertanejo respingado de estrelas. Pouco a pouco, escurecia. Hora de entrar para a ceia. Todos ao redor da mesa. Havia silêncio. Tínhamos medo de papai. Após a ceia, ficávamos na sala.

   Sempre surgia alguém para ler um Cordel, à luz do candeeiro. Papai ou um vizinho fazia a leitura. As crianças ainda não frequentavam a escola. Eu ouvia atenta aquelas histórias. Umas alegres, outras bem tristes. Algumas me emocionavam, ao ponto de me fazerem chorar, como a história de um pintinho que se perdeu de sua mãe e sofreu muito, até reencontrá-la. Nas noites de Cordel, eu dormia e sonhava com personagens das histórias lidas. Sem saber, eu já estava entrando no maravilhoso mundo da palavra.

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Diego Pereira

São Luís, 30 de outubro, 2021

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Querida Dêva…

Prometi te escrever, não o fiz, e essas palavras estão já há anos-luz de distância. Por isso não sei por onde começar. Aqui chove, aquela garoa de fim de tarde, que invade a varanda e as janelas. É o vento forte, muito forte e às vezes gelado, tão diferente do nosso calor. Te falo da chuva porque na última vez em que fui até aí, uma torrencial me pegou na volta. Era aquela de agosto, a mesma que antecede a colheita das mangas. Lembra-te? A gente se encontrava na praça, no banco laranja, esperando o cimento da calçada esfriar, para nos sentar no piso e comermos as mangas doces de fiapo. E enquanto voltava para casa as gotas de chuva no vidro da janela fechada me trouxe você e teus olhos marejados, tua boca curva e trêmula, teu peito inquieto e tua mão que desenhava não sei quê para mim. Faz tanto tempo? Não, e para mim é como um gosto rápido no palato, ou cheiro que vem de uma brisa às cinco da tarde, e quase tua mão na minha, uns sons da Sarah Voughan que posso jurar ser tua voz.

Tenho saudades. Aqui ainda é tudo muito silêncio, de amor e de gente, de avenidas iluminadas pelos carros que exalam seu vapor. Acho que ainda estou nascendo por aqui, descobrindo cores e palavras. Não travei muitos amigos, não me sentei nos cafés. Mas quero, porque é preciso dar abraços ao abraço, e essa cidade me põe em seu colo, como se abrisse no peito uma brecha a me conter. Tudo sorri: tem casarões lindos, prédios históricos, lendas de rua e de água, e, ao final do dia, as luzes amarelas se acendem e a gente pensa estar em algum mês do século XIX ou num cenário de filme francês. E tem o pôr do sol. Essa cidade é o pôr do sol, e, em cada escadaria, nas dunas, no palácio do governo ou na enseada, entre barcos de pobres pescadores, é possível ver o pôr do sol, o mais lindo que tu poderias ver.

Eu o vejo sempre que posso – e quando quero – porque é tudo saudade. Então é comum que eu saia para andar um pouco no centro, e entre num sebo ou numa loja de bricabraque, e depois desço ao Palácio dos Leões de onde se pode disputar a beleza de mais um adeus. Queria que estivesses aqui, sei que tu a amaria também, como eu já a amo. Íamos à praia, ver o mar e os enormes cargueiros que à noite parecem vagalumes. É lindo. Vem, e assim a solidão se torna um fardo leve, até prazeroso e romântico. Ontem mesmo fui ver o mar, e via longe aqueles barcos cheios de gente. Pensei naqueles corações solitários e distantes, eles também, de muita coisa. Isso me reconfortou. Sim, deixou-me um pouco feliz, e menos sozinho ao reconhecê-los tão iguais a mim. Vem, se puderes – se quiseres – mas não tarda, porque a vida cansa e às vezes não abençoa, e eu sigo bem devagar na companhia dos que ainda esperam.

Diego Noleto

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Ilana Kaufman

Contato: ilakau7@gmail.com

Prezado Carlos Drummond de Andrade,

Espero encontrá-lo em paz. Escrevo esta carta com o intuito de contar um pouco sobre o meu fazer literário.                                   

Um lápis, um caderno e o meu tão sonhado e nem sempre possível lugar em que haja silêncio.                                            

Dois autores latino-americanos, Gabriel Garcia Marquez e Alejo Carpentier, me encantaram com suas histórias. Ao ler os seus livros, conseguia me transportar para dentro das narrativas e era sublime.  Também são em dois os autores norte-americanos que me influenciaram, um modernista e realista, Ernest Hemingway e o outro, pós-modernista, Paul Auster.                                      

Procuro, também, sempre que possível, ler estes autores na língua na qual escreveram. Me parece mais verdadeiro.                           

E o poeta que mais me tem acompanhado é Fernando Pessoa, com uma certa predileção pelo heterônimo Alberto Caieiro.               

Termino esta carta com uma parte de um poema dele:

“Não basta abrir a janela                                                                           

  Para ver os campos e o rio.

  Não é bastante não ser cego

  Para ver as árvores e as flores.

  É preciso também não ter filosofia nenhuma.

  Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.

  Há só cada um de nós, como uma cave.

  Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;

  E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,

  Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.”

                              Cordiais saudações, 

                                              Ilana Kaufman

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Módulo 11 – João Guimarães Rosa:

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Bernadete Bruto

MARIA: A GUARDIÃ DE HISTÓRIAS 

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  Espie, moça! Vou ti contá uma istória passada num tempo não muito distante. Eu merma mi alembro da história que se passô aqui nu Récife. Arrudeio pelo juízo para retorná ao passado beim pertinho de mim nu fundo di meu coração. Conto nesse linguajá, apesar de sê pessoa estudada, porque faço o execicio di iscrevê como falu, pra contá mode vai esta istória. Pensano bem, num ixiste uma uniformidade na língua e sim, vários dizeres por lugá. Você que mi iscuta qui te explicano logo mais o desenrolá dessa istória. Agora que to falando daqui deste meu canto entendo que “da vida, assim como na missa, não se sabe um terço”… Intão vamo divagarinho porque num vô iscrevê no meu sabê di menina criada em Récife, qui istá aprendendo com se conta istórias no papel. Faço a tentativa entrano não pelos sertões e veredas de Minas Gerais e seu falá. Mais no falá da cidade qui moro e que tem aqui mermo muitas formas, dependeno du lugá. Procuro a linguage certa para iscrever do presente sobre o passado sobre a istória de Maria. Talveiz iscreva na forma aprendida na iscola, cum palavras daqui do Nordeste. Mais esse cumeçu a istoria vai sair meiu estabanada nesse dizê porque vem com todo gosto da fala daquelas muleres qui serviam nas casas e que contaru muitas istorias para todas nós, fique aqui pra sabê. Muleres que viviam pertinho da gente, mas moravam tão longi e sem as mermas condições da gente. Longi na vida e na linguage, que agora nos aproxima quando estou a dizê assim…” Para bom entendedor, meia palavra basta”. Maria era uma dessas muleres que moravam nos arrabaldes da cidade. Uma minina que vinha com sua mãe que trabalhava numa casa grande cheia de gente. Eita vida de opostos num mermo ispaço que nem mistura crianças! Quem vê quem? “Só alcançamos o valor da água depois que a fonte seca”. Mais eu vi Maria naquele santo dia. Num tempo que num se pensava nu futuro, nem nu passado. Ali era um tempo eterno quando estamo in fazeres ispeciais.

 Maria era a filha de Guiomar, qui trabalhava como doméstica. Mulé de uma força danada mermo sendo tão magra e seca. Guiomá e sua linguage ininteligível… Maria era uma de seus três filhos. Era a filha do meio entre homins. Ela morava com seus pais num arrabalde desta cidade, longi de onde a mãe trabalhava. O bairro tinha um nome muito simpático, se chamava “Águas Compridas”.  Ficava beim perto do bairro de Beberibe e era tambeim pertu di um outro de nome ainda mais curioso: “Linha do Tiro”! E de lá vinha Maria de Guiomar para o bairro do Espinheiro. Vinha com Guiomar pra brincá e intretê os filhos daquela casa, que eram tantas crianças. Tempo de brincá num era para todas crianças, hoje eu entendo. “O que não tem remédio, remediado está”. Fazê o que agora? Lamentar u distino… Fique de orelha inqui vou cumeçá do cumeço, professora-doutora. Volto pra esse lugá onde realembro Maria, na primeira vez qui dispertô minha atenção. Escute que ao cumeçá minha fala, me transporto para um terraço da casa grande e lá está Maria! Desdi ali dava pra que ela tinha algo beim ispecial. Maria uma menina cor de jambo do Pará, cheinha de corpo, na flô da idade! Longus cabelus pretus, dum cumpridu que escorria pelas costas parecendo um manto.  Maria está sentada nu chão, num canto do longu terraço que circunda metade da casa grande. Está rodeada de crianças.  Ao sentá no chão pra contá istórias, ganhava um brilho especial porque nela é que havia um baú cheiu di istórias de reis, princesas, de bruxas, de fadas. É daí que enxergo Maria. Lá está, di costas para meu recordá, sentada com crianças a sua volta. Seu longu cabelu prêtu cobrino o vestido branco. Como era alvo seu coração naqueles tempos de minina na casa da patroa de sua mãe! Naquele momento, Maria ainda ocupava um ispaço longi da cunzinha. Naquele tempo Maria era mais especial das mocinhas nu olhá das crianças da casa. Ela era a contadora di istórias. Pois fique comigo para sabê qui “Uma longa viagem começa por um passo”. Caminhe então nu meu contá.

PROPOSTA DO ROMANCE

Personagens: narradora, interlocutora e Maria.

A história se passa em Recife, onde se mistura presente e passado em várias épocas. Conta a trajetória de vida de Maria, mulher pobre que morava nos arrabaldes do Recife e que tinha o dom de contar histórias.

Maria mulher, moradora dos arrabaldes da cidade do Recife. Morena de olhos cheios de vida que em criança acompanha a mãe ao trabalho domestico, que depois de anos assume, para poder sustentar os filhos que teve de dois casamentos. Depois ela vai trabalhar como servente num hospital. Maria tem o dom de contar histórias, mas a falta de oportunidades a tantas mulheres pobres moradoras de arrabaldes das grandes cidades lhe obriga a ter um emprego que supra suas necessidades. A sua habilidade é suplantada em outros afazeres, mas ela, no fundo de seu coração, tem a dó de não ter conseguido repassar para ninguém as histórias que tão bem contava.

A narrativa é um exercício baseado no livro Grande sertão: veredas dessa forma, tem a narradora-personagem que relata a história de Maria para uma interlocutora (Professora de escrita criativa), também a narrativa se desenvolverá em um fluxo oral e da mesma forma, também não haverá capitulação. E a escrita vem, muitas vezes, inspirada pela linguagem falada, algumas de uso regional do Nordeste e traz alguns também alguns ditados populares, para amparar as reflexões sobre a existência.

Recife, 15 de novembro de 2021.

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Diego Pereira

Nossos círculos

Narrativa em 1ª Pessoa. Diego é fotógrafo e descobre, através das imagens que registra e admira, como as coisas são circulares em sua vida. Será o mesmo para todos? Talvez seja possível mudar meu próprio destino – e me redimir dos erros – sabendo que a vida dá sempre a mesma volta, como uma oportunidade que renasce a cada novo ciclo.

Mas e se vivêssemos no “Eterno retorno”? Se nunca fôssemos capazes de sair da nossa roda e da nossa rota?

Não percebemos o quanto os pequenos acontecimentos da vida passam por nós e não o desfrutamos completamente. Amamos, mas nunca achamos que seja um sentimento completo e de forma perfeita até uma outra pessoa surgir em nosso caminho e nos darmos conta de que aquele novo sentimento é único. Assim também é com nossos temores. Estamos sempre fugindo deles, mas que se renovam a cada novo ciclo e mudam de nome e mudam de casa, mas que estão ali para nos atormentar.

É quando percebo o ciclo da minha vida. É engraçado como sempre volto aos mesmos temas, como o mar, amor, hereditariedade e a fotografia. Mas só depois de um olhar profundo para mim mesmo, em meus acertos e em meus erros, percebo que as coisas sempre voltam.

Abro o álbum de infância e me vejo na foto com os meus pais, encostados na coluna em forma de leão, numa cidade onde fomos passar férias. Eu era um garoto ainda, oito anos talvez. Mas, coincidentemente, é a cidade onde moro hoje, depois de 25 anos. Isso me faz pensar no meu primeiro ensaio fotográfico, há dez anos, onde retrato o mar – uma de minhas maiores paixões – com pessoas entregues em um dia de sol. Hoje, posso desfrutar o mar a cada nova hora do dia; posso senti-lo em seus pés em dias de calor; posso ouvi-lo na solidão.

Em primeiro de março de 1962 nascia meu pai. Era o terceiro dos oitos filhos de uma família rural, do interior do estado do Maranhão.  Muda-se para Teresina, capital do Piauí, no final da década de 70, indo atrás do sonho da cidade grande.

Cinquenta anos depois que ele sai do Maranhão – sua terra natal – eu faço a viagem de volta, e é como se visse reminiscências de meu pai em cada lugar, como se fosse ele, e não eu, a desfrutar as ruas e os caminhos. Estou dentro de um círculo, talvez reproduzindo seus anseios e medos, talvez vivendo uma vida que ele mesmo sonhou, mas que outro vai agora realizar.

Mas não é assim. Somos pessoas diferentes, com desejos diferentes, profissões também diferentes, o que nos faz ver o mundo também de formas quase opostas. Estamos apenas na mesma roda, e o ciclo me perturba, esse voltar sempre aos mesmos reflexos e sombras, e mesmo vendo outro caminho à frente – longe demais do que foi meu (ante)passado – eu quero saber onde o círculo me leva, e me pergunto: PARA ONDE SEMPRE VOLTAMOS? O que puder decifrar, como experiência, digo agora, porque posso compreender a mim e iniciar uma nova etapa sem rancor. 

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Elenara Leitão

A guria que não gostava de Guimarães Rosa

(ou como não se ama o que não se conhece)

 1.        Introdução

Lhes conto como me aprocheguei no mundo dos Rosas. Joãozinho, que também era o Guimarães. o foi pela obra e graça de sua Ara. Deixa lhes dizer como foi essa trajetória de conhecimento, e estranhamento, entre os mundos de dentro e de fora nas veredas de vida e obra.

Gostava não do Guimarães, leitura posta goela abaixo em tempos de pouca liberdade. Mas eis que uma cabra pernambucana, meio vinda dos sertões, me desafia a entender mais da escrita do mineiro e me faz sair tentando entender quem era o homem atrás da obra. Dá para julgar e gostar de algo sem entender os processos de vida do criador? Lhes deixo com essa pulguinha enquanto narro, sem palavras pomposas, um pouco da minha própria trajetória e como cheguei a gostar, ou não, do Guimarães Rosa.   

Assim começa a introdução que leva Violeta, guria do interior do RS, a  revisitar sua infância, juventude e maturidade, passando por tempos de lutas políticas e transformações culturais nas cidades onde morou. E lutas internas de descobrimento e, por final, redescobrimentos onde os mundos de dentro e de fora se tocam e se harmonizam. E como os Rosas se encaixam na sua percepção de mundo, com a escrita de José Guimarães Rosa e a ação de Aracy de Carvalho Guimarães Rosa.

 2.        infância

“– A vida é boba. Depois é ruim. Depois, cansa. Depois, se vadia. Depois a gente quer alguma coisa que viu. Tem medo. Tem raiva do outro. Depois cansa. Depois a vida não é de verdade… Sendo que é formosa!”  João Guimarães Rosa, da novela “Cara-de-Bronze”. em “No Urubuquaquá, no Pinhém”, no livro Corpo de Baile, 1965.

*

Cidade/leituras/expectativas

Cidade e sua cultura

Violeta não nasceu na cidade dos primeiros anos. As duas, porém, se assemelhavam. Cidades pequenas, mas promissoras, cuja origem era de imigrantes. Alemães em sua maioria, mas também poloneses, judeus e russos. Traçar um rumo da arquitetura e cultura e de como isso influenciava a protagonista em suas expectativas de mundo. Complementar com fotos e pesquisas sobre a cidade. Mudança para a capital e vivências de outras escalas de cidade.

Leituras

As primeiras leituras, o mundo dos contos de fadas clássicos e a casa onde os livros ficavam ao alcance das mãos ávidas da pequena, que crescia entre acenos à liberdade e o medo das pessoas. Falar sobre os livros em voga e os clássicos que sua família lia em breves pinceladas. Mundo brasileiro surgindo nos livros de Monteiro Lobato, se contrapondo aos contos europeus a que estava acostumada. 

Expectativas de mundo

Anos 60 e sua pré ebulição cultural em contraponto com as certezas conservadoras de suas aldeias, cidade, capital, país. A ditadura e o cerceamento da liberdade vistos pelos olhos da criança com seus pais preocupados com abastecimento e futuro. Estudantes sendo contidos em passeatas, sob seus olhos de criança, vendo da sacada de sua casa enquanto começa a adolescer e a se estranhar como mulher. E a sonhar com o amor.

 3.        juventude

“- Pior, pior… Começamos a olhar o medo…o medo grande e a pressa…O medo é uma pressa que vem de todos os lados, uma pressa sem caminho… É ruim ser boi de carro. É ruim viver perto dos homens… As coisas ruins são do homem: tristeza, fome, calor – tudo pensado é pior…” João Guimarães Rosa – ‘Sagarana’.

*

Cidade/sagarana/obrigação

Cidade capital

Mudança dos mundos de capital de estado para capital do país. Violeta, adolescente, vive as inquietações do crescimento e suas angústias, ao mesmo tempo em que convive com os bastidores e benesses do poder militar que domina a cena nacional. Espaços arquitetônicos diferentes de tudo o que já viveu e pessoas de todos os estados do Brasil tornam a sua realidade mais ampla e a fazem amar mais o seu estado natal.

Sagarana

Primeiro contato com Guimarães Rosa. Imposto por listas de leitura. Violeta sente um estranhamento e repulsa pelo livro, pelo tema, consequentemente pelo autor. São tempos de rebeldia e certezas absurdas sobre amor e ódio. Não há espaço para a cultura do povo do interior no seu descobrimento dos mundos do conhecimento do exterior.

Obrigação

Violeta sente as dualidades do desejo e convenções. Rebela-se com as normas impostas, a censura. O futuro é ao mesmo tempo, assustador e fascinante. Vive entre as promessas de paixão e os namoros de conveniência.

 4.        maturidade

*

“Amar é a gente querer se abraçar com um pássaro que voa.” – João Guimarães Rosa, Ave, palavra.

*

Cidade/amor proibido/conhecimento

Cidade de volta

O mundo de fora de Violeta volta a se encontrar com o mundo de dentro em uma pandemia que transforma o mundo conhecido. Mora na sua velha e conhecida cidade. Vê o mundo de sua janela e observa. Seu país e o mundo envolto em velhas e conhecidas lutas de repressão.

Amor proibido

Já quase avó, Violeta passou por amores e guardou um em especial. É sobre ele que resolve escrever seu romance após RE descobrir Guimarães Rosa, não o escritor, mas o homem apaixonado que se encontra em seu segundo e definitivo amor, Aracy. Ele descreve Diadorim e Violeta pensa em Miguel, seu eterno amor proibido, encontro de tardes furtivas, casado que era com outra e que soube morrer na pandemia. Resolve enfim escrever e gritar seu nome, tantas vezes reprimido e omitido, enquanto aprende como Aracy não teve medo de fazer o que era certo e não o que era imposto pelas leis da época em que viveu. Coragens intensas de uma mulher que apenas deixou seu coração generoso falar mais alto que as convenções e políticas.

Conhecimento

Violeta parte em busca de si, em uma visita pelos seus mundos da infância e juventude, agora com o olhar da maturidade. E inicia seu romance falando de como o conhecimento do homem a levou a compreender a obra. Termina com sua abertura de asas para que voe sobre as cidades.

A arte de Rozze Domingues

Fiz primeiro um desenho (sem usar o racional) conversando com Fernando, meu professor na FBAUL e meu orientador, sobre a matéria da escola de Belas Artes, sobre arte, exposições, sobre como está a vida em Lisboa e no Brasil, sobre possíveis projetos etc …
Quando finalizamos a conversa (por telefone) tinha diante de mim, um desenho que foi feito sem que tivesse pensado, nem por um segundo, se seria melhor assim ou de outro jeito – minha mão apenas desenhava enquanto eu conversava com ele.

Depois, fotografei o desenho e inseri em um programa onde posso escolher as cores e pintar com a minha mão.

Em seguida, passei pelos filtros e edições digitais – usando comandos como saturação de cores, definição, contraste, calidez, etc.

E o resultado final foi este.

Se imprimo em papel ou em canvas e se faço grandes formatos, não sei…

É tudo uma experiência onde o processo, após o que você intuitivamente desenhou, é prazeroso. O objetivo é se colocar nesse processo e vivê-lo sem amarras, sem preconceitos e modelos, permitindo que o resultado – que pode nunca ter um final, ou nunca chegar, a não ser sob sua decisão de parar – se apresente a você.
Aprendi que arte não necessariamente é comunicação – ela é a expressão do divino que existe em seu espírito. E que o mundo vê, se você mostra; aprendi isso lendo A Guerra da Arte, de Steven Pressfield e constatei na prática com meu professor Fernando Quintas, estudando e praticando essa arte, em Lisboa.

* Contato: http:/rozzedomingues.com.br/

Índex* | Outubro, 2021

O que está

Enternecido

Enternecido

Ficará

Nos meus sonhos

Na minha vontade

De tornar o mundo

*

Melhor

Para os meus filhos

Os seus

Os nossos

*

E poder

Caminhar tranquila

Na beira-mar

De Boa Viagem

*

(“Você é o mundo que lhe contém”, Patricia Gonçalves Tenório, 01/10/2021, 05h18)

*

O mundo em nossas mãos no Índex de Outubro, 2021 do blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa On-line | Patricia Gonçalves Tenório (PE/Brasil) & Diversas.

Dois livros por mês | O lado que não era visível para quem estava na estrada (Luís Roberto Amabile, SP/RS/Brasil) & Catálogo de pequenas espécies (Tiago Germano, PB/RS/Brasil).

Poema de Altair Martins (RS/Brasil).

Literatura & Psicanálise | Traço Freudiano Veredas Lacanianas | Com Elizabete Siqueira (PE/Brasil) e Patricia Gonçalves Tenório.

Agradeço a atenção e o carinho de sempre, a próxima postagem será em 28 de Novembro de 2021, grande abraço e até lá,

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index | October, 2021

What is

Tender

Tender

Will stay

In my dreams

In my will

To make the world

*

Better

For my children

For yours

Ours

*

Then I can

Walk calmly

At the seaside

Of Boa Viagem

*

(“You are the world that contains you”, Patricia Gonçalves Tenório, 10/01/2021, 5:18 am)

*

The world in our hands in the October Index, 2021 from Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

Studies in Creative Writing Online | Patricia Gonçalves Tenório (PE/Brasil) & Miscellaneous.

Two books a month | The side that was not visible to those on the road (Luís Roberto Amabile, SP/RS/Brasil) & Catalog of small species (Tiago Germano, PB/RS/Brasil).

Poem by Altair Martins (RS/Brasil).

Literature & Psychoanalysis | Freudian Trait Lacanian Paths | With Elizabete Siqueira (PE/Brasil) and Patricia Gonçalves Tenório.

Thank you for your attention and affection, the next post will be on November 28, 2021, big hug and until then,

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Um mundo melhor para todos. Fotografias: George Barbosa. A better world for everyone. Photographs: George Barbosa.

Estudos em Escrita Criativa On-line | Outubro, 2021

No mês de outubro de 2021, visitamos, em Itabira, MG, um dos maiores escritores brasileiros, Carlos Drummond de Andrade, e recebemos a escritora pernambucana e uma das tias do curso Estudos em Escrita Criativa, Bernadete Bruto.

*

Primeira Aula do Módulo 10:

*

*

Na primeira aula do módulo 10, apreendemos o ABC de Drummond com a coleção de livros para jovens; investigamos o entrelaçamento das crônicas em As palavras que ninguém diz; nos maravilhamos com o dom mágico de criar e narrar histórias fascinantes e diversas técnicas de escrita criativa em suas crônicas; constatamos a intergenericidade dos textos de Drummond; apreciamos a transposição para a linguagem das características dos personagens, assim como Hilda Hilst, no módulo 8 do curso; relacionamos a paixão de Drummond pelos contos e o desafio que me propus com 13 (cinquenta contos em um mês), lançado no meu aniversário de 50 anos, em 2019; adentramos a majestosa poesia de Drummond;

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Segunda Aula do Módulo 10:

*

*

Na segunda aula do módulo, apresentamos Sentimento de mundo, e a sensação de tempo e espaço unos na escrita de Drummond; comparamos o filme Radioactive, a apresentação de Silviano Santiago em Sentimento de mundo e a simultaneidade que nos referimos na escrita de Drummond; comparamos com a Teoria da Relatividade de Einstein; constatamos o sentimento que une tempo e espaço e que permeia toda a obra de Drummond: o amor; constatamos a viagem no tempo e no espaço de Drummond no aniversário de 50 anos de outro escritor de nosso curso, Manuel Bandeira e a comparamos com um poema de 14, “E as joaninhas não mentem”, também lançado no meu aniversário de 50 anos; visitamos a casa-museu de Drummond e os “drummonzinhos”.

*

Terceira Aula do Módulo 10:

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E foi com imensa alegria que recebemos a poetisa, escritora e especialista em Escrita Criativa Bernadete Bruto na última quarta-feira 27/10/2021 na live sobre Carlos Drummond de Andrade do nosso canal do YouTube. O próximo escritor a ser estudado é João Guimarães Rosa e o escritor convidado é Gustavo Melo Czekster. Não percam!

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https://www.youtube.com/estudosemescritacriativa

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Exercícios de desbloqueio:

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Módulo 4 – Graciliano Ramos:

*

Luciana Beirão de Almeida

Contato: lubeirao@hotmail.com  

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Módulo 9 – Mário de Andrade:

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Bernadete Bruto

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

Uma linguagem nada comportada

Última flor do Lácio, inculta e bela, És, a um tempo, esplendor e sepultura(…)

(Olavo Bilac)

*                              

Já faz algum tempo que essa história anda lhe perseguindo com seu português “rabo de cabra”, aqui da pós-modernidade. A narradora anda meio aperreada por conta dessa linguagem tão inculta lhe assediando, assim como o tal personagem frenético que cisma em ir para onde ela não programou…

            Se esse personagem conhecesse o poema “Cântico Negro” de José Régio retrucaria logo de imediato: “Não, não vou por aí. Só para onde me levam os meus próprios passos…” Mas ele nem precisa disso. Se desata de todo modo da narrativa pré-estabelecida, da linguagem rebuscada e segue seu rumo sob o olhar atônito da narradora, que nem teve tempo para emaranhá-lo na escrita erudita.

            A pobre escritora havia feito todo o esquema para organizar uma história impecável!  Aconteceria no sul do país, lá em São Paulo, terra do Mário de Andrade. O personagem seria contemporâneo do autor e não integrante do movimento modernista. Apreciaria uma escritura baseada nos cânones da linguagem e pronta para orgulhar qualquer português. Seria uma narrativa linear, numa linguagem bem rebuscada. O personagem principal entraria em confronto com o movimento modernista e a narrativa também refletiria sobre as dificuldades de uma mudança cultural e a ampliação da criação literária.  Mas quem consegue segurar seus personagens?  O dela foi rebelde desde o início rejeitando até o nome por ela escolhido: Abelardo Drummond e Andrade. Alcunha que foi logo descartada: Oxi Minina, isso lá é nome? Meu nome é Severino. Sou severo como o sertão. Tome nota aí, Dona Maria: Severino Severo. Num moro nesta terra que num dá futuro para gente comu eu. Nasci pra lá dos cafundó de Judas do Nordeste. Eu nasci num lugá tão longi qui você, nunquinha deu com os pé por lá. Num venha me butar nessa cidade de fala cumplicada, de um povo de fala engrolada. Vôte!

Foi assim que Severino, com sua linguagem peculiar, se impôs à narradora. O que será que vai acontecer com esse pobre nordestino em pleno século XXI? Se interroga em voz alta a narradora: Que personagem mais desvairado! Como sobreviverá com essa língua tão inculta e hedionda? Ô narradora metida a besta, diz Sevé. Aqui em riba, cá dondi moru, todu mundo apreceia minha fala qui é longi bem longi desse negocio de computadô e de uma coisa de consertá o escrevê de nomi esquisito: corretô o-to-glá-fi-co. num seria mió a burracha? Prá quê prendê as palavra?

            A narradora compreende sua pasmaceira. percebe o quanto a linguagem falada pode contribuir, principalmente para a simplicidade da escrita. Desvairada somente ela própria no seu esforço de ser letrada, em querer escrever de forma para agradar aos outros. Certo estava Mário de Andrade, os modernistas ao deglutirem a nossa língua, nosso modo de ser. Ensinaram que devemos nos orgulhar de quem somos.  Foi assim que a narradora exclamou: Grata, Severino, por me lembrar que essa linguagem também é minha. Assim liberta o fluxo da narrativa. Até eu da minha onisciência respiro aliviada, posso pegar o bonde da história.

            Assim nesse tempo distante do modernismo, quem narra pode ousar por meio de muitos experimentos. Inclusive pode até construir uma história dentro de uma história. Hoje, compreende-se a relevância do movimento e é possível iscrevê como se fala. redescobri a língua malemolente, macumaniamamente cadenciada, cheia dos amores no transitivo, que pode ser modificada com o tempo e o espaço. Eita língua bonita, inculta, mas muito bela. A língua do povo forte e resiliente do Nordeste! A linguagem cheia de simplicidade que também é a da narradora! Pode até inriquecê o processo criativo! E quem não gostá vá que procurá o abaporu!

Recife, 17 de setembro de 2021, modificada em 25 de setembro de 2021 e 30 de setembro de 2021.

*

RESUMO DA HISTÓRIA

Esboço de uma história sobre a importância da língua falada na escrita. uma história de uma narradora (que é a própria narradora) que organiza uma história para refletir sobre a escrita mais adequada para uma narrativa e como fazer uma estruturação de romance. Seus personagens e enredo são pré-concebidos, mas o personagem principal se rebela e muda de nome, tempo, lugar da narrativa e fala numa linguagem bem coloquial do Nordeste o que faz a narradora refletir sobre a importância de incorporar na escrita a língua falada, sobre para quem escreve as suas histórias e também a possibilidade de mudar o curso da estrutura programada dando uma certa leva ao processo produtivo, sem perder o foco do assunto a ser tratado. Além de nas entrelinhas recomendar a simplicidade das palavras na narrativa.

*

Estrutura da história

Prólogo – dois primeiros parágrafos

Capitulo 1 – a narradora – terceiro parágrafo

Capitulo 2 – o personagem – quarto parágrafo

Capitulo 3 – a linguagem nordestina – quinto parágrafo

Capitulo 4 – a língua portuguesa – sexto parágrafo

Capitulo 5 – a escrita da narradora – sétimo parágrafo

Epílogo – a língua nordestina – reflexões na escrita corriqueira com sotaque, como também sobre o processo criativo.

*

Cilene Santos

Contato: cilenecaruaru2013@gmail.com

Parafraseando o Descobrimento, de Mário de Andrade

*

      Estou em minha casa. Confortavelmente instalada. Olhando pela vidraça da janela, tenho uma delicada paisagem das montanhas, de onde acompanho, todos os dias o Sol, ao nascer. E, mensalmente, o deslumbre da Lua Cheia.

Na praça em frente, vejo um jardim florescente que apraz os meus olhos, quando Primavera.

Na paz do ambiente, Penso em meus filhos. São quatro. Sei onde estão: em seus lares. Fico contente por saber que estão felizes.

Entristeço bruscamente ao lembrar que num bairro, da mesma cidade, uma mulher, igual a mim, também mãe, sofre porque, em seu lar, existe a fome. E os filhos? Perdeu-os para as drogas e para o crime. Ela não sabe onde encontrá-los.

*

Diego Pereira

Contato: diegopereiranoleto@hotmail.com

Projeto de Romance 1

Título: “Para teus olhos enterrados”

Argumento: Gilbert vai até a Índia deixar as cartas de Shankar, seu amigo que morreu em um navio no litoral do Nordeste.

Conflito: com a morte de Shankar, Gilbert passa a se corresponder com a viúva do amigo, de onde surge um sentimento entre eles.

Elementos do texto:

Narrativa epistolar e memórias de Gilbert

Trama:

Brasil. É o ano de 1958. Shankar sai da Índia para uma viagem de navio cargueiro para o nordeste do Brasil, para o porto de Itaqui, em São Luís. Recém-casado, deixa a esposa, para uma expedição de quase um ano e meio longe de casa. Nesse tempo o mundo é acometido por um vírus mortal (Gripe espanhola / Corona Vírus?) que acaba por obrigar as pessoas a ficarem em casa. Paralização da vida como conhecemos e mudança no comportamento social, os civis em quarentena, intervenções médicas, vacinas, muitas vítimas.

O vírus mortal atinge a população e impede que os navios estrangeiros atraquem, para descarregar suas mercadorias. Isso faz com que o tripulante indiano, Shankar, fique em quarentena no navio contaminado que veio da Índia, com mais 27 tripulantes. Infelizmente, ele não sobrevive 

É década de 50 do século 20. As comunicações ainda estão em desenvolvimento, por isso ainda há o uso de correspondências entre as pessoas. Shankar mantinha correspondências com a sua mulher na Índia, e mais de um ano longe de casa somam-se 13 cartas.

Gilbert, um dos tripulantes, e amigo de Shankar, é quem tem que avisar à sua mulher que já espera mais de mês por notícias, agora, infelizmente, ruins.

Gilbert se sente responsável por ser portador dessas notícias e decide levar todas as cartas pessoalmente para a viúva, na Índia. Resolve, assim, manter um diálogo com a esposa do amigo. Aqui começa uma nova remessa de cartas, envolvendo os dois numa relação sensível entre o luto, a veneração e uma possível amizade/amor. Será que passam a se amar mesmo que próximos do falecido? É possível nascer amor depois de uma perda, de um luto tão recente? Esse amor é justo e puro ou é imoral?

São questões que devem ser respondidas pela amizade, pela atenção dedicada entre os dois, pelas confidências e outros sentimentos que podem nascer de momentos tão difíceis.

Projeto de romance 2

Título: “O búfalo cai” (A ideia de que um animal tão grande e forte pode também perecer)

Argumento: O neto viaja de volta a cidade natal para o enterro da avó e rever os familiares, incluindo o avô e o próprio pai.

Conflito: Uma relação difícil com o avô. Os dois não se falam. O que leva a um relacionamento de desafeto com o próprio pai.

Elementos do texto:

Narrador em Primeira pessoa

Trama: Ricardo Simão volta para o enterro da avó e reencontra os familiares. Essa volta é, na verdade, o reencontro com o próprio passado, e a busca por uma redenção, diante do relacionamento difícil que tem com o avô e com o pai. De alguma forma ele é escolhido (ou se propõe já que precisa se sentir parte da própria família – como se tivesse na obrigação de fazer alguma coisa) a escrever algumas palavras, fazer um discurso, em homenagem à falecida e parte numa busca por informações e na descoberta do passado da sua família. A partir desse ponto ele vai adentrar a personalidade rude do velho avô, sua forma ríspida e seu espírito destituído de prazer e sentimentos, e descobre a vida difícil que levavam seus antepassados, moldados por trabalho forçado para manter um sustento, presos nas convenções sociais, as intrigas, o abandono do lar na busca por um lugar melhor e outros tantos pequenos dramas que vão culminar na vida “seca” daquelas pessoas tão atarefadas e egoístas que agora estão desprovidas de sentimentos, e de como esse vazio foi passado do avô aos filhos (seus tios) e ao seu pai (também quase um retrato do avô) e, quem sabe, a ele mesmo. Nesse resgate, Ricardo Simão vai reavaliar seus próprios privilégios, sua vida de regalias a custo de um esforço do pai disposto a manter as aparências, e daí também seu tempo livre a pensar naquele sentimento que um dia buscou e não teve, e seu lugar de fala e de onde pode – ele mesmo – refletir sobre um passado tão duro que acabou moldando a relação de todos os familiares. Nesse percurso ele pode pensar que há uma relação entre ter tempo livre para pensar na vida (Ele Ricardo Simão) ou viver duramente e manter as convenções e obrigações sociais (vida do avô e do pai). No final, ele também cai, porque desce do seu altar e usa da compaixão para entender a sua vida e dos outros ao redor e precisa entender como as relações familiares e de afeto se constroem e vai reescrever a própria história.

Então é o Búfalo, animal que se acha e se sente forte, mas que também pode cair em algum momento.

*

Elenara Leitão

Contato: arqstein@gmail.com

*

Gestação de memórias

“Eu afirmo que a ‘criação livre’ é uma quimera, porque ninguém não é feito de nada, nem de si mesmo apenas; e a criação não é nem uma invenção do nada, mas um tecido de elementos memorizados, que o criador agencia de maneira diferente e quando muito leva mais adiante. Estou insistindo numa lapalissada. A criação, com toda a sua liberdade de invenção, que eu não nego, não passa de uma reformulação de pedaços de memória.” (ANDRADE, Mário de. O banquete)

1- Memorial descritivo

1- Das motivações

Resgate da memória de tantas mulheres, que anônimas, fizeram e fazem a vida acontecer. Não é um romance clássico, embora tenha dramas, amores e suspenses. Não é uma biografia apenas atenta a fatos. São retalhos de memórias e histórias que foram relatadas de boca em boca, em forma de cartas. São buscas pela vida e pelas mulheres que nos precederam.

As pesquisas que fazemos na história de nossa genealogia nos abrem mundos e curiosidades sobre avós e bisavós. Talvez algumas das coisas que serão aqui relatadas misturem ficção e realidade. Colchas de retalhos sobre fatos, relatos e sentimentos, muitos dos quais assoprados em nossos ouvidos. Talvez por elas, que nos usam como ferramenta para que suas vidas sejam conhecidas pelas suas descendentes.

São histórias que mesclam épocas. Entram no final do século XIX, onde nasceram algumas. Adentra pelo século XX, passando por revoluções e guerras, até chegar aos nossos dias, acompanhando as mudanças pelas quais passaram essas mulheres.

*

pudores sentimos

mulheramente transgressoras

rompendo véus

gritando ardores

*

é preciso que alguém se importe

para ir atrás de nós

vozes adormecidas em lares

que há muito não mais existem

*

2-Prólogo – Dos cenários

Lares. As casas, os mundos de dentro e a situação do mundo nos tempos em que viveram essas mulheres de vida comum.

Descrição dos cenários do interior de uma Alemanha, que ainda não era um país como hoje conhecemos. Aldeias milenares com suas vidas, onde a rotina era quebrada por lutas religiosas, convulsões políticas e pobreza reinante. Tanta que muitos se lançaram ao mar, em busca de novas vidas, em travessias perigosas e um mundo novo, deixando família para trás, sem nunca mais voltar.

Os portugueses e sua situação em Chamuscas e nos Açores, origem das mulheres que me arquitetaram. O Brasil de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul com suas lutas armadas, onde mulheres tinham que arcar com o comando de suas casas, muitas vezes sem preparo e sem profissão.

E o mundo e o que oferecia às mulheres de então. As novas gerações, já nascidas em direitos, não conhecem as limitações e poucas escolhas que suas antepassadas tiveram. Mas mesmo assim, construíram suas vidas. E lançaram sementes para as nossas.

*

Módulo 10 – Carlos Drummond de Andrade:

Elenara Leitão

Carta para Drummond

Porto Alegre-se… em um dia no meio de um outono estranho e ventoso como soem ser as primaveras em solo gaúcho

Meu caro poeta!

Tempos idos minha saudosa cunhada pediu um verso que, de certa forma, me representasse. Adivinha o que escolhi:

A verdade essencial é o desconhecido que me habita e a cada amanhecer me dá um soco.

C. Drummond de Andrade

Confesso, Poeta, a Vida me dá vários socos. Talvez por isso essa minha necessidade de colocar para fora. Escrever, mesmo sem rumo, mesmo sem gurus ou mestres. Inspirações? O que vier no momento. Clarice, Caio e Lya quando mais jovem. Uma pitada de Hilda mais tarde. O Assis Brasil sempre. De ti, Poeta, não lembro de haver mergulhado profundamente. Talvez em um conto mais sacana, desses que a gente escreve para um amor especial, muito corpo, mas também alma.

Mas, se o teu coração, Drummond, pode crescer dez metros, sem arrebentar, o que será de mim? E agora, moça calada?

O céu empedrado, a utopia mofada, os afetos escondidos, a vida que geme. E agora, dona moça das patéticas palavras?

Escutar a ti, poeta mineiro, não me fará escrever melhor. Vai talvez, quem sabe, acordar fagulhas há tempos adormecidas.

As sutilezas jazem no campo nem tão santo dos dias que correm. Gentileza e luminosidade se acabam nas ilusões rotas das malas desfeitas.

E agora, me indago, moça encantada que ainda sou? Espelhos me mostram outro rosto, não o meu, tão ainda cadente. O reflexo ressoa trilhas de décadas de sonhos carpidos.

Um tanto de culturas, para mim exóticas. Mas não, apenas outras formas de ver o mundo. Sentir o tempo. Colher a semente.

Colheita pungente de minutos que escorrem nas águas nascentes. Tocantes sons misturando palavras e voos. Canto de pássaros, buzinas de ônibus, passos apressados, olhares assustados. Memórias e vidas lacrimejam.

E agora, moça? Ainda resta espaço para poesia na minha alma?

Desculpa, Carlos, essas divagações à toa. São o canto dos pássaros, as manicacas que voam alegres nos telhados vizinhos. Talvez os cheiros da manhã que se adivinha sonolenta como tarde com pão de queijo e café quentinho na mesa da casa da mãe.

Se me atrevo, é porque o desconhecido que me habita cada vez se torna mais essencial.

Abraços carinhosos, saudações a todos.

PS: Um beijo especial em Clarice que ainda – e sempre – me companha em inspirações. 

Índex* | Agosto, 2021

Escrevo

Um livro novo

Feito palavra

Em flor

Feito botão

De rosa

Desabrochando

Em meus

Sentidos

*

Com tato

Paladar

E o aroma

Das frases

Chega

Em visão

Harmoniosa

Canção cheia

De sustenidos

E lá bemol

*

Para aquietar

O sexto

Sentido

Aquele

Da intuição

De artista

Que avisa

Para começar

Tudo

Outra vez

*

(“Comecei a escrever um livro novo”, Patricia Gonçalves Tenório, 14/08/2021, 06h34)

*

O recomeço da escrita a cada dia no Índex de Agosto, 2021 do blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa On-line | Agosto, 2021 | Patricia Gonçalves Tenório (PE/Brasil) & Diversos.

Dois livros por mês: tática operacional para sobreviver ao cotidiano (Lara Ximenes, PE/Brasil) apaguei a playlist / comecei a dançar (Fernando de Albuquerque, PE/Brasil) | Patricia Gonçalves Tenório.

Poema de Altair Martins (RS/Brasil).

Palco Iluminado | Bernadete Bruto (PE/Brasil), Alexandre Santos (PE/Brasil) & Patricia Gonçalves Tenório.

Agradeço a participação e o carinho de sempre, a próxima postagem será em 26 de Setembro de 2021, grande abraço e até lá,

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* | August, 2021

I write

A new book

Like word

In flower

Like pink

Button

Blooming

In my

Senses

*

With tact

Taste

And the scent

Of the sentences

It arrives

In harmonious

Vision

Song full

Of sharps

And la flat

*

To quieten

The sixth

Sense

That one

From intuition

Of artist

That warns

To begin

Everything

Again

*

(“I started writing a new book”, Patricia Gonçalves Tenório, 08/14/2021, 06:34)

*

The restart of writing every day in the August Index, 2021 on Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

Online Creative Writing Studies | August, 2021 | Patricia Gonçalves Tenório (PE/Brasil) & Miscellaneous.

Two books a month: operational tactics to survive everyday life (Lara Ximenes, PE/Brasil) I deleted the playlist / I started dancing (Fernando de Albuquerque, PE/Brasil) | Patricia Gonçalves Tenório.

Poem by Altair Martins (RS/Brasil).

Illuminated Stage | Bernadette Bruto (PE/Brasil), Alexandre Santos (PE/Brasil) & Patricia Gonçalves Tenório.

Thank you for your participation and affection, the next post will be on September 26, 2021, big hug and until then,

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Um novo dia, uma nova chance, para a escrita, para a vida. A new day, a new chance, to writing, to life.