Posts com Crônica

Índex* – Outubro, 2018

Você pode

Nem me ver

Nem me enxergar

Mas o sol 

Brilha mais forte

No céu

Mais azul

Deslizam nuvens

Branquinhas

A me chamar

Você pode

Não me ouvir

Não me escutar

Mas o bem-te-vi

Cantou mais cedo

O som das folhas nas árvores

A brisa a me contar

Que hoje

É dia de sim

Dia de se acordar

Sair para a vida

De peito aberto

Pés descalços 

Abraçar o mar

(“Porque, afinal, o mar existe”, Patricia Gonçalves Tenório, 28/09/2018, 07h37)

 

O infinito mar da Escrita Criativa no Índex de Outubro, 2018 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

“Doze horas”: O mito individual em uma autobioficção | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Uma crônica e um poema de viagem | Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PE/PB – Brasil).

Convite | “Sobre a escrita criativa II” | Diversos.

Amizade de teclado | Mara Narciso (MG – Brasil).

Estudos em Escrita Criativa – Outubro, 2018 | Recife e Porto Alegre | Diversos.

Agradeço a atenção e o carinho, a próxima postagem será em 25 de Novembro, 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – October, 2018

 

You can

Do not see me

Do not even see me

But the sun

Shines stronger

In the sky

Bluer

Slip clouds

Bright white

Call me

You can

Do not listen to me

Do not even listen to me

But the nightingale

Sang early

The sound of the leaves in the trees

The breeze to tell me

That today

It’s a yes day

Day to wake up

Go out to life

Open-breasted

Bare feet

*

Embrace the sea

(“Because, after all, the sea exists”, Patricia Gonçalves Tenório, 09/28/2018, 07h37)

 

The infinite sea of Creative Writing in the Index of October, 2018 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

“Twelve Hours”: The Individual Myth in an Autobiography | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

A Chronicle and a Traveling Poem | Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PE/PB – Brasil).

Invitation | “About Creative Writing II” | Several.

Keyboard Friendship | Mara Narciso (MG – Brasil).

Studies in Creative Writing – October, 2018 | Recife and Porto Alegre | Several.

Thank you for the attention and the affection, the next post will be on November 25, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Esse infinito mar chamado Vida. Fotografia: George Barbosa (PE – Brasil). This infinite sea called Life. Photography: George Barbosa (PE – Brasil).  

 

Uma crônica e um poema de viagem | Bernadete Bruto* & Elba Lins**

DOZE HORAS EM TRÊS DIAS

 

                                                                                                           Bernadete Bruto

 

Primeiro dia

 

Em Recife, dia de eleição, o bairro estava lotado de carros, um senhor engarrafamento…xiii acho que calculei o tempo errado.… Enquanto ligava para minha amiga informando do atraso, pensava que talvez perdesse o voo…como chegar a tempo? No trajeto, combinava a possibilidade da amiga pegar o voo sozinha e me maldizia! Nunca foi tão atemporal esse percurso! A angústia desse entremeio me fazia repetir comigo: deveria ter saído às 12 horas! Mas finalmente às 13:42 entrei no aeroporto, justamente na hora do embarque. Na verdade, DOIS MINUTOS APÓS O PRAZO PARA EMBARCAR…  Ainda bem que Ela havia imprimido os tíquetes. Ainda bem que ela chegou antes… e me prometo que nunca, nunca mais vou me atrasar!

E depois, só na tranquilidade de um bom papo e um bom vinho, encerramos o dia em outro estado às doze horas!

 

Segundo dia

 

Naquele estado, dentro de um estado de espirito favorável, há sempre de novidade, mundo novo, outros olhares. Foi assim o passeio delas pela cidade até as doze horas. Depois a defesa de uma tese. Era por uma história que estavam ali… Aquela história iniciada lá trás. Na sala, as duas viajando em fragmentos de uma história dentro de outra. Estavam apenas orientadas pelo prospecto de instruções de voo e teorias. O veredito, um orgulho. Logo após, uma palestra, na mesma sala gelada, esquentando  suas almas. Falava sobre arte, dos livros de artistas e caligramas!

E depois, só na tranquilidade de um bom papo e um bom vinho, encerraram o dia em outro estado, naquela noite que se celebrava uma história em doze horas!

 

Terceiro dia

 

Um passeio pela cidade, uma visão do alto, como se estivessem no Olimpo, quatro pernambucanas. Depois só na tranquilidade, um bom papo, um bom vinho, o dia em outro estado encerrando as doze horas!

Durante a conexão, em Campinas, uma pensava que ia para São Paulo, em pensamento, já ensaiava até a canção: “alguma coisa acontece no meu coracão….”. A outra sabia que iam para Minas!  Risos sobre essas pequenas besteiras que dão graça à vida.

Em Minas, um ótimo pretexto para comprar o doce de leite que uma delas levará aos colegas uma lembrança nada significativa do local de onde vieram. Com toda certeza perguntarão: Você foi mesmo para onde?

Ainda em Minas, a felicidade de ir na prioridade, uma faz algo que leva a outra retrucar: se fui pobre não lembro.

No terceiro voo do terceiro dia, as duas riam de qualquer situação. Até de um livro que a moça ao lado riscava de vermelho com tanta agonia, como grafada estava a autoria. Tantos erros de português e o quanto mais a moça pintava, mais parecia um livro de artista! Enquanto o avião seguia em direção ao Recife, as duas riam sem motivo, por qualquer coisa, como duas meninas que aproveitam a vida.

Antes, ao embarcar e pelo caminho,  agradeciam a oportunidade oferecida pela vida, de realizarem um passeio no meio do cotidiano, em apenas três dias… Dentro de uma sala, presenciaram uma linda história, sobre uma bela pessoa que se passava em doze horas e falava de um caminho de uma vida inteira.

 

Fecho meu caderninho de notas desta viagem ao Rio Grande do Sul refletindo o quanto podemos aproveitar da vida em três dias, o quanto podemos vivenciar num voo e o quanto pode acontecer apenas em doze horas! Não vejo a hora de ler o livro!

 

Recife, 10 de outubro de 2018.

 

 

Já votei

Já fui a Porto Alegre

Já voltei

Já cheguei

Já recebi irmãs

Já viajei para João Pessoa

Já caí

Já levantei

Já me aperriei

Já me animei

Já me preocupei

Já me politizei

Já tento a esperança

Já li

Já ouvi

Já chorei

Já pensei

Já estou aqui

Já espero o sol

Já espero a luz

 

————–

 

ELBA LINS, ESSA VIAGEM CHAMADA VIDA, 18/10/2018, 07:15

 

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* Bernadete Bruto (Recife/PE, 1958) é bacharel e licenciada em Sociologia, com especializações na área de Recursos Humanos e Direito Administrativo. É analista de gestão do metrô de Recife e poeta performática. Membro da União Brasileira de Escritores – UBE, da Associação dos Amigos do Museu da Cidade do Recife – AMUC, parceira da Cultura Nordestina Letras e Artes e participa da Confraria das Artes e dos Estudos em Escrita Criativa. Tem quatro livros publicados, todos coletâneas de poesias: Pura impressão (2008), Um coração que canta (2011), Querido diário peregrino (2014) e A menina e a árvore (2017). Participa de antologias, assim como de diversas apresentações poéticas e performáticas. Contatos: bernadetebruto@gmail.com e www.bernadetebruto.com

 

** Elba Santa Cruz Lins (Monteiro/PB, 1957) é formada em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Pernambuco (1979), fez MBA em Gestão de Negócios (EAD) pela PUC-PR. Trabalhou durante 34 anos na área de Telecomunicações da CHESF (Companhia Hidroelétrica do São Francisco). Atualmente aposentada, dedica-se à escrita. Fez curso de Contação de Histórias no Zumbaiar (Recife). Faz poesias e há dois anos participa dos Estudos em Escrita Criativa, sob a coordenação de Patricia Gonçalves Tenório. Lançou em 2017 seu primeiro livro de poemas, Do outro lado do espelho: O feminino em estado de poesia. Contato: elbalins@gmail.com

 

 

Amizade de teclado | Mara Narciso*

11 de outubro de 2018

 

Cultivando amizades virtuais desde 2001, desperto e tenho afetos despertados através de letras. Nessa esteira, conheci Pedro João Bondaczuk, escritor e jornalista em fevereiro de 2007, quando, no curso de Jornalismo conheci o site Comunique-se. Logo me aproximei da sessão de Literatura. Pedro era um dos editores desde anos antes. Insatisfeito com as atualizações, que ele queria diárias, criou o Blog Literário, no qual atualizou como queria, somando 12 anos. Naquele espaço fui publicada semanalmente, desde sua criação.

Eu li Pedro Bondaczuk todos os dias, especialmente o Editorial. Assustei-me com a sua morte, pois desconhecia estar doente. Aos 75 anos, a partida se deu no dia nove de outubro, e no dia oito tinha postado no Blog Literário e no Facebook. Pasmada, mão no queixo, agradeço o quanto ganhei com esse convívio virtual. Escrevendo com qualidade, de forma compulsiva e na primeira pessoa, trazia informações de preciosa credibilidade. O seu cérebro destacado, somado ao afã por conhecimento, vivia pesquisando. Em cada um dos seus textos éramos convidados a refletir. Um absurdo perder tudo isso num fechar de olhos.

Quem escreve como ele escrevia já se imortalizou. Estas sede e fome de escrever miravam a justa imortalidade, tema preferencial, assim como a imensidão do universo e a morte. Ele não acreditava em nada depois dela. Discreto, íntegro, colocando a correta informação em primeiro lugar, evitava se abater com a pouca resposta dos leitores nos blogs (tinha também o Escrevinhador) e redes sociais. Estóico, imbatível, insistente, continuava seu caminho pelo prazer de semear ideias.

No Facebook, em meio às desconstruções, escrevia sobre temas edificantes. Utilizou a estratégia de dividir abordagens complexas em fragmentos e fotos, numa postagem atraente, aumentando os acessos. Os comentários cresciam quando reclamava de algo. Publicava em todas as mídias, jornais virtuais, impressos, blogs e Twitter, o local onde ele se manifestava politicamente.

Não comentava obras que não gostava, assim como não contava enredos. Apresentava autores do mundo todo e de várias épocas, especialmente os premiados. Falou muito dos não agraciados com o Prêmio Nobel de Literatura. Ensinava de forma profunda e simples, para se aproximar do leitor, um destinatário misterioso que sofria transformações. Seus escritores preferidos eram Jorge Luiz Borges, seu guru dos espelhos e dos labirintos e o poeta Mário Sampaio, seu amigo, entre centenas de outros novos e velhos.

Reverberava muito do seu pensamento e pouco da sua vida pessoal, a não ser sobre sua caótica biblioteca de mais de três mil livros e sobre sua rotina matinal de banho, café puro, jornal e meditação. Escreveu centenas de poemas à “Sua Doce Amada”, recebedora de amor e elogios pela sua ação humanitária, cujo nome só soube agora: Maria Ignês.

Campeão das citações e considerado arrogante pelo excesso de erudição, foi por mim citado em meu TCC de Jornalismo: Entrevista: paralelo entre a prática jornalística e a prática médica. Eu li tanto Pedro Bondaczuk, que ele se tornou um pouco meu, assim, sei mais sobre o que ele pensa do que sobre o que eu penso. Admito não conhecer ninguém tão bem quanto conheço Pedro, que dizia que as pessoas não querem pensar.

Andava de muletas devido à sequelas de Poliomielite contraída aos seis anos. Para salvá-lo, a família partiu de Horizontina no RS para São Paulo. Queria ser médico, foi jornalista de ponta, editor de Política Internacional. Queria ser jogador de futebol pela Ponte Preta, sua paixão, e foi técnico de futebol. Deu milhares de palestras. Doou ao CCV os direitos autorais do seu livro “Por uma Nova Utopia”.  Publicou “Lance Fatal” e “Cronos & Narciso”. Queria publicar “Copas ganhas e perdidas” e “Dimensões infinitas”. Não deu tempo. O que sei dele, conheci através do seu teclado criativo, e nunca ouvi a sua voz de profissional do rádio.

Quem vai me ofertar gratuitamente informação segura, útil e fresquinha? Está sofrido, com se eu tivesse perdido um tio. Partiu, deixando seus pensamentos filosóficos imortalizados, não só na Academia Campinense de Letras, sua outra casa, como também em mim, que pranteio sua perda. Eu não o enxergava, mas ele estava lá. Agora, se esgotou a mais doce e generosa fonte.

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Mara Narciso é médica e escritora de Montes Claros (MG) e toda semana, desde 2012, também me presenteia com suas crônicas belíssimas. Contato: yanmar@terra.com.br

Estudos em Escrita Criativa – Outubro, 2018 | Recife e Porto Alegre

Os Estudos em Escrita Criativa 2018 estão chegando à fase final. Em novembro teremos o nosso último encontro sobre O fogo, e receberemos escritores maravilhosos: em Porto Alegre, na noite de 07/11/2018, a mestranda em Escrita Criativa Andrezza Postay (PUCRS), e o doutorando em Teoria da Literatura Camilo Mattar Raabe (PUCRS); em Recife, no dia 10/11/2018, o tão caríssimo professor da UFPE Lourival Holanda. Além do lançamento do nosso Sobre a escrita criativa II, coletânea de artigos dos escritores participantes dos encontros e outros que estão fazendo, com todo esforço e amor à causa, uma Escrita Criativa no país.

Em outubro, 2018, navegamos, juntamente com os escritores convidados, a queridíssima Prof. Maria do Carmo Nino (UFPE), em Recife, e, em Porto Alegre, com os doutorandos em Escrita Criativa María Elena Morán (PUCRS) e Daniel Gruber (PUCRS), em busca da noss’A imagem essencial, aquela provocada por tantas imagens exteriores, mas que no mergulho interior encontramos a própria voz reverberada em poesia, ficção, imagens poéticas.

E são essas imagens que apresento em seguida, para serem lidas, degustadas, e que sirvam de provocações para outras explosões de fogos de criação.

Abraço bem grande e boa leitura,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Recife, 06/10/2018

 

Bernadete Bruto

Escrita compartilhada*

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

                                                                                              

A direção

Logo cedo

Desponta

Reflete

A imagem

O  caminho

A se desdobrar

Na minha frente

Rumo

Busca

Encontro

De uma escrita

Que revela

A mim

E o outro

Sempre.

 

Recife, 6 de outubro de 2018.

*fotografia do celular tirada hoje pela manhã

20181006_091032 - Foto Berna

 

 

Coração afegão**

Intensa mirada

A Expor

Todo um ser

A agonia silenciosa

Do povo afegão

Deixa entrever

O que vai ao coração

Na transparência

Deste olhar

Límpido

Claro

A denunciar

Para a fotografia

Uma condição

Apenas num mirar

Expressa

Inteiramente

O que não é preciso dizer.

O que não pode falar…

O que não deve calar!

 

Recife, 6 de outubro de 2018.

**fotografia d’A Menina Afegã

 

ELBA LINS

BELEZA E MEDO*

Contato: elbalins@gmail.com

 

Olhos felinos

Ferozes

E mortos de medo…

Avançar, lutar

Ou se esconder

Em si mesma?

 

Rosto perfeito

Selvagem…

Roto,

Manchado,

Marcado pela vida

 

Capa a te proteger

A te exibir

A exibir perante meus olhos

Tua imagem bela

Tua imagem forte

O azul dos teus olhos-medo

O azul dos teus olhos-luz

 

A luz, que capturo

Quando busco o belo.

E te vejo

Beleza e medo…

 

**Inspirada na foto “A Menina Afegã” de Steve McCurry na National Geografic)

 

RALDIANNY PEREIRA

Contato: raldianny@gmail.com

 

Menina dos olhos verdes

Quem ilumina

Teu verde olhar?

Quem afaga a esperança?

Haverá esperança

Ou só susto

Em teu olhar?

Será tua face

Para o mundo

Esperança?

O que o futuro trará

Ao teu olhar?

O tempo, este artista

Modela tua face.

Traça linhas em teu rosto.

Nele persiste

Teu verde olhar.

Medo.

E esperança.

 

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“Menina afegã” (1984)

Steve McCurry (Darby, Pensilvânia, EUA, 1950)

 

CILENE SANTOS

ILUSÃO

Contato: cilenecaruaru2013@gmail.com

 

Imaginei a forma de tê-lo novamente.

Reinventei você.

Em minha recriação,

A tua imagem se fez.

Na minha imperfeição,

Te fiz perfeito para mim.

Imitei a Divindade,

Satisfiz meu ego

E te enclausurei.

Não te dei a liberdade da escolha,

Roubei-te a tua completude.

Querias ser de carne e osso,

Mas eu te quis platônico.

Maldisseste a minha criação

Porque segui apenas a minha intuição.

A imagem se desfez, enfim.

Te perdi mais uma vez

E desta vez dentro de mim.

 

JOÃO ORLANDO ALVES

IMAGEM

Contato: joaoorlandoalves@yahoo.com.br

 

Vejo-me na frente de uma fotografia, “uma coisa necessariamente real que foi colocada diante da objetiva” e traduzo o que feriu os sentidos ao observar o quadro instalado e um sentir lúdico.

Um gesto insano, para os puritanos, quando um casal de namorados ou amigos deleita-se num encontro casual na rua e, instintivamente, abraça-se, beija-se em uma coreografia extasiante de balé, por um momento, sem a percepção dos sons ao redor, somente a música da alma.

A beleza ali produzida sugere um movimento de eloquência juvenil, uma implícita generosidade, de voluntariedade e alegria de viver. É preciso lançar-se ao sublime do cotidiano, às vezes, sofridos. “Vivemos pelo prazer”, formula a neurocientista Susana Herculano Houzel.

Os passantes, sem preconceitos, não se detém àquele fluir estético, talvez pela pressa do dia a dia, por um bastar à luminosidade da representação ou absorto em suas preocupações, mas levando o que se lhe afigura belo.

Fotografado esse instante, mostra a exuberância do flagrante, imagem a se perpetuar como inspiração à vida e possibilidades de se encantar.

Nada de insano.

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“V-J Day na Times Square” (1945)

Alfred Eisenstaed (Dirschau, antiga Prússia, 1898-1995)

MONIQUE BECHER

Contato: moniquebecher@hotmail.com

 

POESIAS.

IMAGEM

 

A imagem fascina.

Perpetua-se no tempo.

Amarra-se às ideias.

Tatua-se nos ícones.

Busca o referente, os símbolos.

Na imagem me contemplo.

Admiro-me , resplandeço, reverbero.

Sou múltipla.

Sou espelhos superpostos.

Sou prosa, poesia, cinema, tecnologia.

Realidade, aliança, carnaval.

Mulher, Veneza, vendaval.

Capturo imagens na ficção:

Foto, som, computador, televisão.

Radiografo-as.

Aprisiono-as

Nos meus olhos abertos:

Janelas do mundo em evolução.

Minhas percepções?

Desnudo-as nos ensaios.

Metamorfoseio-as em átomos.

Liberto-as em contos.

Há resistência.

Busco resiliência.

Elas reverberam.

Que plasticidade!

Veem-se altaneiras.

Quiçá, alvissareiras.

Descolam-se da fotografia.

Livres, resplandescentes!

Em tubos plásticos maleáveis

Alimentam devaneios ficcionais,

Quimeras existenciais.

Multiplicam-se.

Entrelaçam-se.

Imagens?

Somos nós:

Água, terra, fogo, ar.

Inventividade.

Imagens …

Homens em busca da Felicidade.

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Noruega, Região dos Fiordes

 

RILKIA AMARAL

Contato: rikiaamaral@hotmail.com

Texto de Rilkia

 

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Porto Alegre, 10/10/2018

 

ANA PAULA BARDINI

Contato: apbardini@terra.com.br

 

primeiro, a surpresa

 

balões em tons violeta

corações, bolas, brilhos

enfeitam a sala

ocupam espaços

preenchem vazios

 

em seguida, a alegria

 

carinho, cuidado, afeto

de longe, por quem

sempre se faz perto

da alma, de alma

emoção, choro, renovação

 

pelas bênçãos do caminho,

pelo toque do outro,

pelo espelho da vida,

gratidão.

 

#APB

Ana Paula Bardini

PATRÍCIA LASCH

Contato: patricialasch@bb.com.br

Parque NP1

 

Parque NP2

Parque NP3

Parque do Imigrante, Nova Petrópolis, Serra Gaúcha – RS

 

SUSI FRANKE

Contato: susifrankett@gmail.com

PHOTO-2018-10-13-11-07-10 - Susi Franke

 

 

Índex* – Setembro, 2018**

Não fugir 

Das minhas perdas

Enfrentar 

Os obstáculos 

E mesmo assim

Considerar-me

 

Como vim

À vida

Como voltarei 

Ao mundo

Das palavras

 

E me tornarei

Vestígios de sentido

Que a minha mão

Tomou papel e tinta

E reverberou no universo

(“A partícula de Deus”, Patricia Gonçalves Tenório, 15/09/2018, 05h50)

 

Enfrentar os obstáculos da Escrita Criativa no Índex de Setembro, 2018 do blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Uma escrita coletiva | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“Cadê Miguel?” | Carol Bradley (PE – Brasil).

“A cigarra e a formiga” | Cilene Santos (PE – Brasil).

Ed Arruda em “O Silêncio das palavras” (PE – Brasil).

“Algumas rimas” | José Genecy Monte (RN – Brasil).

“Ipê amarelo” | Raldianny Pereira (PB/PE – Brasil).

Estudos em Escrita Criativa – Setembro, 2018 – Recife e Porto Alegre | Diversos.

Agradeço a atenção e o carinho, a próxima postagem será, excepcionalmente, em 21 de Outubro, 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Index* – September, 2018

 

Do not run away

Of my losses

Face

The obstacles

And yet

Consider myself

Lonely

 

How did I come to

Life

How do i come back

To the world

Of the words

 

And I will become

Powder

Traces of meaning

That my hand

Took paper and ink

And reverberated in the universe

(“The particle of God”, Patricia Gonçalves Tenório, 09/15/2018, 05:50 a.m.)

 

Facing the obstacles of Creative Writing on Index of  September, 2018 of Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

A collective writing | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“Where’s Miguel?” | Carol Bradley (PE – Brasil).

“The cicada and the ant” | Cilene Santos (PE – Brasil).

Ed Arruda in “The Silence of Words” (PE – Brasil).

“Some rhymes” | José Genecy Monte (RN – Brasil).

“Yellow Ipê” | Raldianny Pereira (PB/PE – Brasil).

Studies in Creative Writing – September, 2018 – Recife and Porto Alegre | Several.

Thank you for the attention and the affection, the next post will be, exceptionally, on October 21, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Foto Índex

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Eu, uma partícula de Deus (Sairé, PE – Brasil). I, a particle of God (Sairé, PE – Brasil).

 

Uma escrita coletiva | Patricia Gonçalves Tenório*

Dizem que a Odisséia, um dos textos atávicos da literatura ocidental, foi recolhida de histórias da narrativa oral e inscrita sob a égide de Homero.

Em 2013, estava eu na Universidade Federal de Pernambuco como ouvinte/aluna especial na disciplina A poética do ensaio, sob os cuidados de Prof. Lourival Holanda (PE). Estava me preparando para a seleção do Mestrado em Teoria da Literatura, linha de pesquisa Literatura e Intersemiose, orientada pela Prof. Maria do Carmo Nino (PE). Contava com colegas brilhantes e acolhedores, que, além de teóricos, eram belíssimos poetas, ficcionistas. Entre eles, Ricardo Nonato (BA), Antonio Aílton (MA), Hudson Silva (PI), Cassiana Grigoletto (RS), Fernando Ivo (PE), André Santos (RJ), Vinícius Gomes (PE), Ingrid Rodrigues (PE), Adriano Portela (PE), Cilene Santos (PE), Joanita Baú (PA), Fernando de Mendonça (SP/PE), e tantos outros, compartilhando os ensinamentos de Holanda, e nos provocando. Estimulando a escrita de textos teóricos, mas, principalmente, poético-ficcionais. Nascia na época o Coffee-Break, grupo de Facebook onde criávamos, quase que diariamente, poemas, contos, de maneira individual, mas mergulhados nessa alma coletiva.

Em 2016, me lancei a outras pairagens. Dessa vez como ouvinte/aluna especial no doutorado do Programa de Pós-graduação em Escrita Criativa da PUCRS, ingressando como aluna vínculo em 2017. Sob a batuta do Prof. Luiz Antonio de Assis Brasil (RS) nas suas Oficinas de Criação I – Narrativa, conheci poetas e ficcionistas do Brasil inteiro, mas principalmente do Rio Grande do Sul, tais como Alexandra Lopes da Cunha (DF/RS), Gustavo Melo Czekster (RS), Annie Müller (RS), Luís Roberto Amabile (SP/RS), María Elena Moran (Venezuela/RS), Daniel Gruber (RS), Guilherme Azambuja Castro (RS), Tiago Germano (PB/RS), Débora Ferraz (PE/RS), Júlia Dantas (RS), Andrezza Postay (RS), Camilo Mattar (RS), Fred Linardi (SP/RS), Gisela Rodriguez (RS). E tantos outros, e muitos mais, que também me acolheram e descortinaram esse infinito de possibilidades da Escrita Criativa em Ambiente Acadêmico no país.

Duas cidades. Dois universos tão próximos graças ao amor à literatura, ao desejo extremo do bem escrever. E esses meus dois amores me impulsionaram a tentar uní-los, a realizar em outubro de 2017, em parceria com a XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, na figura de Rogério Robalinho (PE), e com a PUCRS, nas figuras dos Profs. Assis Brasil, Maria Eunice Moreira (RS) e Cláudia Brescancini (RS), o I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco, trazendo autores gaúchos para conhecer, e trocar, e começar a construir juntos com autores pernambucanos esse meu sonho-ponte de uma Pós-graduação em Escrita Criativa no Recife.

Para tentar tornar real aquilo que prefigurei em A menina do olho verde (2016) no capítulo A cidade universitária: “Foram derrubados os muros da cidade. O Muro Alto não existia mais. Plantaram jardins conjuntos, escreveram livros para uns aos outros ler. Era bom aquele começo, com a esperança no coração”.

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* Patricia Gonçalves Tenório (Recife/PE, 1969) escreve prosa e poesia desde 2004. Tem onze livros publicados, com premiações no Brasil e no exterior, entre elas Melhor Romance Estrangeiro por As joaninhas não mentem (em outubro, 2008) e Primo Premio Assoluto por A menina do olho verde (em outubro, 2017), ambos pela Accademia Internazionale Il Convivio, Itália); Prêmio Vânia Souto Carvalho (2012) da Academia Pernambucana de Letras (PE) por Como se Ícaro falasse, e Prêmio Marly Mota (2013) da União Brasileira dos Escritores – RJ pelo conjunto da obra. Mestre em Teoria da Literatura (UFPE) e, a partir de outubro de 2018, doutora em Escrita Criativa (PUCRS). Contatos: patriciatenorio@uol.com.brwww.patriciatenorio.com.br

 

Ed Arruda* em “O Silêncio das palavras”

Presente do presente**

O tempo é surdo às censuras: tempo ruim, escorregadio, de crise ou guerra, não importa. Está na companhia festiva da luz do sol, das escuras nuvens carregadas de eletricidade ou lua de brilho leitoso e sombras de mistério a esconder amor e ódio, o bem e o mal, regentes da história humana.

O Bispo de Hipona filosofa quando diz: “Os vossos anos não vão nem vêm”. Deixa clara a existência única do tempo presente. No futuro estão os sonhos, desejos desse instante que aguardam consumação. O passado ocupa depósito da memória. Lá, frustrações e momentos felizes aguardam despacho no presente, onde o verbo grava a ferro e fogo a história, as marcas: desgaste da vestimenta natural dos animais, queda de folhagem, mudança de posição das pedras, nascimento e morte dos frutos. Eternas, as práticas humanas do poder, violência e credo.

O bem e o mal ocupam lugares na alma nos três compartimentos: presente do futuro, presente do presente e presente do passado, onde protegidos pela armadura da imortalidade, travam batalha de convivência.

A caverna, significativa morada, mereceu alegoria. Hoje, o homem mora nas ruas, favelas e edificações, a alma repousa no distante abrigo e assistem as sombras sem compreensão. Permanece sentada, falta aptidão e entendimento da força coletiva para remover a pedra que obstrui o caminho ou encontrar a passagem secreta por onde saem e entram os manipuladores das crenças. O tempo é criança, a maldade jovem sedutora que vestida de alta costura, desfila nos salões da moda.

O povo, presente do presente, na idade da pedra de craque, picado por insetos; bate panelas, pisca luzes nas cavernas, envia sinais de fumaça através de celular e dinheiro à China.

A organização do crime de pavio aceso e armas em punho rouba via internet, apaga do mapa agências bancárias e envia à funerária quem lhe atravesse o caminho. Falsos profetas retalham o mundo com explosivos sob a justificativa que a destruição da felicidade alheia é doutrinária. O moderno viaja pelo espaço, sentado em foguete e luneta rente aos olhos, à procura de outra moradia. Quando a terra perder atrativos se mudará com a família e amigos. Por enquanto, acompanha através do GPS a movimentação de aliados e adversários. Eles que se atrevam.

Arrocho para alma pequena que se curva, aceita a titulação de emergente, rasteja ao fingir estar de pé, e, por moeda de troca, oferta o labor e sangue de quem, por ignorar, aferrou a alma às simuladas crenças. O verbo é ação, o tempo é presente, onde se colhe o que germinou do plantio no presente passado. A humanidade constrói o destino, assim, através de milênios, a oferta do trabalho e vida pelos crédulos pode ser doação pelo elevado grau de entendimento do papel na história e falta às aulas magistrais do escritor uruguaio.

Quanto menos for o saber, a quantidade de pão, de moradias e mais intensa, a dor e a sangria, mais se multiplicarão em resistência ao extermínio e ausência às aulas magistrais da Escola do Mundo ao Avesso, nos quesitos de “impunidade dos caçadores de gente, dos exterminadores do planeta, do sagrado motor”.

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* Ed Arruda é do Recife – PE, especialista em telecomunicações. Há três anos se dedica à literatura e possui onze publicações em antologias: Editora Bagaço – PE (3), Scortecci Editora – SP (4), A. R. Publisher Editora – PR (1) e Litteris Editora – RJ (3). É participante dos Estudos em Escrita Criativa de Recife. Contato: etrecife@yahoo.com.br

** Extraído de O Silêncio das palavras: antologia Scortecci poesia contos e crônicas. São Paulo: Scortecci, 2018, p. 86-87.

Estudos em Escrita Criativa – Setembro, 2018 | Recife e Porto Alegre

Nos aproximamos dos últimos encontros de 2018 dos Estudos em Escrita Criativa em Recife e Porto Alegre.

E que alegria ver o resultado dessa construção… Textos ficcionais e poéticos de beleza ímpar, inspirados nos teóricos, ficcionistas e artistas da primeira parte dos encontros, nos depoimentos, na terceira parte, dos escritores convidados em parceria com a UBE em Recife, com a PUCRS em Porto Alegre.

Em Setembro, 2018 trabalhamos O sonho. Navegamos pelo inconsciente de Jung, Freud, a ficção de Arthur Schnitzler, Chistopher Nolan, e tantos outros. Recebemos Ana Maria César nas terras pernambucanas. Voamos para nos encontrar com Gisela Rodriguez e Fred Linardi no pampa gaúcho.

Outubro, 2018 será muito especial. Trabalharemos teóricos e ficcionistas, artes plásticas, cinema, música sob o tema da imagem. Receberemos em Recife, no dia 06/10, das 10h às 13h, a nossa queridíssima orientadora de mestrado na UFPE, a artista plástica, professora, curadora Maria do Carmo Nino. Em Porto Alegre, os doutorandos em Escrita Criativa também queridíssimos da PUCRS, María Elena Morán e Daniel Gruber, na noite de 10/10, das 18h30 às 21h. E muito mais!

E apresento os textos maravilhosos dos participantes dos encontros sobre O sonho de Recife e Porto Alegre, já sentindo o gostinho de quero mais que os nossos Estudos em Escrita Criativa vão deixar em todos nós…

Um abraço bem grande da

Patricia Gonçalves Tenório.

 

EEC Setembro Recife

Recife, 01/09/2018

 

Bernadete Bruto

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

 

SONHO DE UMA NOITE DE SONHOS

 

Estaria participando daquela festa? Parecia um palco e nele um aglomerado de pessoas ensaiando várias apresentações. Todas unidas para dar certo, colaborando entre si para o trabalho conjunto.

O local parecia uma quadra. Estava escuro e não dava para observar nitidamente as pessoas. Intuía que fossem várias: homens, mulheres, jovens, crianças. Estaria naquele espaço um pouco distante, como se fosse uma observadora, embora ciente de que entraria, em breve, para junto daquela multidão superatarefada, parecendo um enxame de abelhas de tanto movimento.

Mais além um casal estaria lhe observando os movimentos em outro espaço contíguo ao palco dos artistas. Olhou para o casal, ciente que se uniria a eles numa dança para voltar completa.

De volta ao palco, juntar-se-ia àquela multidão e se dissolveria totalmente naquela coreografia, alegre, vibrante, agora colorida.

Abriu os olhos e pensou que, talvez, um dia (ou mesmo numa noite), enxergaria bem melhor o sonho da verdadeira dança da vida.

 

 

Cilene Santos

Contato: cilenecaruaru2013@gmail.com

 

A PROVA DO CRIME QUE NÃO COMETI

 

Dos sonhos que tive, poucos eu me lembro. Mas, dos poucos, um me atordoou. Os acontecimentos foram tão claros, decisivos e inequívocos que eu mesma tive que lutar comigo, para me convencer de que eu era inocente. Estava voltando para a minha cidade, quando recebi uma mensagem de uma amiga, do tempo do internato. Naquele final de semana eu ficaria em casa de parentes, que residiam no interior, mas o convite era irrecusável: um final de semana na casa daquela amiga, cuja morada ficava entre as serras. Amigos se encontrariam para uma comemoração, da qual, o motivo seria mantido em segredo. Até a chegada de todos. Comuniquei aos familiares e desviei a minha rota.

Cheguei ao destino no finalzinho da tarde da sexta-feira. Fui recebida pelo dono da casa, que me deixou muito à vontade. A minha amiga Carol, era esse o seu nome, não se encontrava, havia ido ao salão de beleza, preparar-se para a grande noite.  Fui levada à suíte que ocuparia. Aproveitei para relaxar um pouco. Estava cansada da viagem. Quando acordei, já era noite. Tomei um banho quente, estava frio o tempo. Botei uma roupa apropriada para o momento, fiz uma leve maquiagem e desci ao térreo, onde ficava a sala de recepções. Lá, muitos convidados já se encontravam. O ambiente ricamente decorado. Flores, as mais belas. Lindos lustres iluminavam cada recanto da casa. Na varanda, uma orquestra tocava bonitas canções. Alguns casais dançavam. E lá no alto, entre as montanhas, uma lua cheia completava o lindo quadro.

Num momento, a orquestra parou e ouvimos a voz de Carol agradecendo a presença de todos e dando a grande notícia: “estava grávida!” Dali, seguiram-se abraços, beijos, sorrisos e lágrimas de alegria. A orquestra voltou a tocar e o jantar foi servido. Pratos saborosos, acompanhados  de um bom vinho animaram mais aquele momento. À meia-noite, despediram-se os últimos convidados.

Recolhi-me aos aposentos. Dormi rápido e, como sempre, acordei cedo. O sol não havia ainda saído de todo. Só alguns raios sugeriam o amanhecer. Abri as janelas para aproveitar aquele ar puro. Tamanha foi a minha surpresa, ao olhar a piscina, que perdi o controle emocional: um corpo boiava!  Corri ao banheiro, botei um vestido, peguei a bolsa e saí rápido. Ninguém me viu. O temor e o terror dificultaram-me pôr a chave na ignição. Saí a toda velocidade. Já havia me distanciado quando lembrei que havia deixado a roupa de dormir no banheiro. E lembrei também que, desde o tempo do internato, adquirira o hábito de colocar no avesso das minhas vestimentas, as iniciais do meu nome. Acordei apavorada.

 

Elba Lins

Contato: elbalins@gmail.com

 

DESASSOSSEGO NOTURNO

 

Lembraria por muito tempo, o desassossego.

Vindo de noites longínquas…

E buscaria explicar, tentaria entender

O significado de tudo aquilo

Eram tentativas inúteis

De expulsar de si

O conteúdo estranho…

Que se nada fosse feito

Bloquearia sua garganta

Se nada fizesse lhe sufocaria…

A cada noite

Se repetiria o gesto

Abriria a boca e puxaria para fora de si

A gosma aparentemente sem fim

Que mesmo depois de muito retirada,

Ainda permaneceria no interior de sua garganta

Sufocando-a…

Acordaria mais um dia e não entenderia o significado do sonho

Buscaria novamente, inutilmente, explicações

E estas viriam por fim no sentido de trair segredos

De expor razões

De mostrar verdades

Que enfim chegariam à luz pela escrita

Que por fim lhe esvaziaria por inteiro.

E lhe preencheria de luz.

 

Gabi Vieira

Contato: gabi.vieira.araujo@gmail.com

 

não conseguia dormir.

horas se passavam e

o teto que encarava

não se mexia

e ela começava a

considerar que ele

teimaria em assim permanecer

 

sentia saudades do tempo

em que sonhava.

um tempo de sono fácil

e mundos inteiros criados

no universo de seus olhos fechados.

 

ela ansiava perguntar

o que acontecera

para perder a capacidade de sonho

mas temia que a

mais dolorosa resposta

seria a única verdadeira.

 

então, no fim das contas,

fecharia os olhos em mais

uma tentativa frustrada

de o sono chamar

e só o que desejaria

era poder viver

tudo que um dia

fora capaz de sonhar.

 

 

Guilherme Augusto

Contato: guilhermetrekke@gmail.com

 

estava acordado?

estava dormindo?

não sei ao certo, mas sei que estava voando.

não sei se era sonho.

não sei se era realidade.

mas sei que estava voando.

isso é possível?

como poderia, eu, estar voando?

isso deve ser um sonho.

isso deve ser a realidade.

deve ser a junção do real e do imaginário.

são tantos questionamentos

comecei a cair

senti um peso se instalando em meu peito.

devo continuar levantando?

devo cair?

continuei a cair

então, eu compreendi

a paz que estava em mim me fez voar.

a guerra que estava em mim me fez cair.

no fim, quem iria vencer?

eu quero voar, mas não posso abandonar meus questionamentos

foi quando voltei a voar

decidindo viver no equilíbrio

abri meus olhos

com um sorriso no rosto

pois havia entendido

meu corpo estava na cama

mas minha alma voava

entre a paz, a guerra, o sonho, o real, a razão e o amor.

 

Ina Melo

Contato: ina.melo2016@gmail.com

Imagem de Ina Melo

 

Gostaria de sonhar com um amor encantado nas galáxias e no seu forte e poderoso abraço! Todas as vezes que nos encontrávamos era como se os tentáculos de um polvo me esmagasse. Nessa fusão de corpo e alma tudo era permitido. O amor se fazia  com leveza. A chama ardente do desejo nos oferecia um mundo de emoções do qual não queríamos sair.

Tudo acontecia com os corpos colados e os corações batendo em descompasso!  Mãos ansiosas se encontravam no toque. Bocas sedentas mergulhavam uma na outra deixando as línguas enroladas num mundo de sensações. Naquele  momento o sonho se fazia realidade e um era o outro, respirando o mesmo ar e provando o mesmo sabor doce do amor! Ah! Saudades! Ainda bem que os sonhos são sonhados!

 

João Orlando Alves

Contato: joaoorlandoalves@yahoo.com.br

 

UM SONHO

 

O sonho da vez seria aquele contido na anterioridade da memória consciente. Transcendendo, haveria o personagem Carlitos, expondo à humanidade, por meio de situações adversas, a capacidade do humano de não se aferrar às agruras, emprestando beleza à vida.

Essa evocação teria sido despertada em uma escola de música e dança na periferia da cidade carente de suporte material: crianças e adolescentes em trajes rotos e sem ferramentas adequadas, no entanto, vencendo esses infortúnios com alegria e comprometimento com a arte. O sorriso indicava um ser feliz.

Haveria o sonho possível, às vezes imemorial. Nasceria aquela escola desse evento. Teria um dos protagonistas mirins, sonhado com a música e arrastado tantos outros ao aprendizado.

Sugere-se estaria aquém da percepção imediata de ocorrência de atividade psíquica de que o indivíduo se apropria, àquela com elementos substanciais que levariam ao criar.

Enfim, o sonho além de pacificar a mente, também alcança a dimensão como a de José no Egito antigo.

Cada pessoa é um sonho!

 

Rackel Quintas

Contato: rackelquintas@gmail.com

 

CARTA DE UM IN-SONHE AO AMOR

 

Eu queria que todos os sons. E luzes. E planetas. Me dessem a dignidade de uma noite insone. Gostaria que o amor, assim como o sonho meio-morte, fosse feito de descanso e virtude, como uma maçã durinha, cheia de suco até a semente. Gostaria de cantar hinos, clamores de comemoração a um amor frágil, enlaçado pelo desejo cansado, de permanecer vivo, semeando, gerando. Gostaria que esse amor fosse contado em rede nacional, na rede, no quintal de uma casa feita pra ele crescer. Gostaria que meu dentro não fosse tão barulhento, que aceitasse a chuva fininha, que não mal-dissesse os dias de verão. Gostaria de mais banhos de chuva, e praças escondidas em lugares óbvios da cidade. Gostaria de crises de sinusite, de riso, de choro, com o lugar do desespero ancorado em alguma certeza de que não se sabe, mas se ama.

Gostaria de um véu de leite condensado e rosas, a dar a todas as crianças que ali comparecessem, para aprenderem como é doce, longo e terminável o amor que cura. Gostaria da textura permanente das cadeiras habitadas e depois vazias porque horas, minutos, dias, se contaram a fio até que sumisse para sempre o amor de outrora. Gostaria que as conversas fossem feito amoras, que tivessem sempre uma fogueira como testemunha das prosas, que houvesse tempo de aconchego, e amor. Gostaria de ter coragem de admitir-me berço e vontade, de discriminar as cores das minhas próprias palavras; de poder dizer azul ao amargo e vermelho ao sangue carne da vida que nos apetece. Gostaria de dizer que mesmo sabendo que vivo sem o amor, ainda assim o desejo, para o quanto de vida tiver a gastar. Gostaria, gostava, gosto. Da inveja aos olhos alheios, do som na varanda suspensa e na taça. Das taças. Nossas. Já há algum tempo. Desmascarando mentiras que eu mesma inventei para não amar. Pra bem-dizer o destino amaldiçoado. Eu queria que todas as noites insones me rendessem alguma poesia, mas é o passarinho de barriguinha cheia que pousa em mim, na minha janela, e encanta a vida como se eu quisesse vivê-la e não dormi-la. Como se sonhar fosse uma vida pra dentro e querer uma vida pra fora. Hoje, gosto de Caetano e Chico, do grande amor que não se acaba assim. Hoje, sonho e benzo o amor, Carmim. Puro e machucado por ele, por mim. Hoje eu gostaria. Quero. Um amor assim.

EEC Setembro POA

Porto Alegre, 12/09/2018

 

Ana Paula Bardini

Contato: apbardini@terra.com.br

 

 

A sensação de angústia persistiria pelo longo do dia. Nem bem acordara e já tinha esta certeza. Como poderia uma mãe abrir mão de seu próprio filho? Negando-lhe amor e cuidado, estando tão perto e disponível para o outro filho, irmão gêmeo deste, que acolhera com todo o seu coração? Seria instinto ou egoismo? Enquanto isso, o infante preterido dormia serenamente alheio ao que o destino lhe preparara. No momento ainda não sabia, mas viria a sentir na pele – e calaria na alma –  a dor do abandono materno. Jamais descobriria o motivo de tanto desamor. Cresceria à própria sorte, ainda que em família. Seria isso o bastante? Quais seriam as suas chances perante tamanha barbárie? Estar perto sem estar realmente próximo?

Um desconforto crescente a fez despertar, o sonho lhe parecera tão vívido que custara a acreditar que voltara à realidade. Ainda ofegante, lembrava flashes e revivia o sofrimento que comungara com aquela pobre e indefesa criança. De alguma forma ela se sentira conectada à dor dele que também era sua.

Neste instante o despertador a lembraria de seus compromissos da manhã. Eram muitos nesta quarta-feira chuvosa. Desligou. Aliviada pela bem-vinda interrupção, como quem retorna de um mundo distante, levantou. Organizou mentalmente as tarefas por ordem de prioridade. Primeiro prepararia um café, bem forte, com certeza a ajudaria a distanciar-se do sonho e a encarar o dia. Depois, a rotina se encarregaria do resto. Apostava nisso e  secretamente um pensamento lhe acompanharia pelo restante da semana: Amor de mãe deveria ser obrigatório.

 

*

 

Ando tendo sonhos…

Destes que inquietam

De novos caminhos

Onde se arquitetam

 

Vidas mais leves

Sorrisos mais fáceis

Amores menos breves

 

Ando tendo sonhos…
Destes que acalentam

Intensos, advinhos

E também desassossegam.

 

#APB

 

 

Gabriela Guragna

Contato: gabi_guaragna@hotmail.com

Enquanto as folhas, regadas a vinho tinto, se contorciam em ardor, ela correria buscando as paradas de ônibus da vida. Embarcaria para a Austrália. No rolar das escadas que a conduziriam ao subsolo, perceberia a falta do passaporte.

Entregaria a carteira de identidade da irmã para ela, e a carteira de motorista do pai para ele. A bolsa ficaria leve e encontraria a própria identidade, borrada pelo vinho que banhava as folhas ocultas. Correria pela mata do aeroporto, e puxaria de uma máquina a lista de amores antigos separados por categorias.

Família em segunda-feira

Trabalho em feira de domingo

E ele ali na feira destaque do dia de agora.

 

 

Kênia Medeiros

Contato: kenia_poa@yahoo.com.br

 

PÓS-CRÉDITOS

 

Os créditos começavam a subir, quando a luz foi acessa. Enquanto alguns, preguiçosamente, se dirigiam à saída, outros esperavam adaptar os olhos à claridade. No entanto, fiquei esperando por uma última cena, como um bis num show musical.

Não demorou para que surgisse na tela o herói que, misteriosamente, havia desaparecido em uma das cenas finais do filme. Ele despertaria à beira do rio no qual, imaginava-se, havia se afogado. Quando começou a se levantar, ainda sem saber onde estava, uma luz repentina quase me cegou. Ouvi um barulho estridente, que fez meu coração disparar. De repente, era eu na margem daquele rio. Desorientado, assustado, com medo do que estaria por vir.

Quando, enfim, me acostumei à claridade, percebi onde estava. Já não era um lugar estranho, mas o medo do que viria permaneceu. Estava em meu quarto, com o despertador tocando e com o sol brilhando através da janela. E, diferente do herói que se levantou pronto para encarar qualquer perigo, me levantei resignado para a batalha diária de uma vida sem ação.

 

Susi Franke

Contato: susifrankett@gmail.com

 

Eles são maravilhosos, um casal muito especial, muito amados. Ela, artista, trabalhando xilogravura, telas, filha de produtores de café, do interior paulista. Ele, húngaro, que veio para o Brasil à procura da realização de um sonho, trabalhar com aviação. Acabou se transformando num famoso projetista da Embraer.

Encontrei-os num sonho.

Apesar da idade avançada, continuaram encantadores, cheios de vida, com um sorriso no rosto.

Sairiam para um passeio na casa de campo, numa fazenda aeródromo do interior paulista. Passariam lá alguns dias, com amigos. Um era meteorologista, sua esposa médica, vegetariana, que traria muitos ensinamentos sobre nutrição. Outros, pilotos, sempre os grupos se formando com conversas animadas e um bom violão para animar ainda mais o encontro.

Estariam todos prontos para decolar?

Desapareceriam no azul do céu?

 

Sala de imprensa

PHOTO-2018-09-10-09-25-58

Folha de Pernambuco, 08 e 09/09/2018

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Jornal do Commércio, 26/09/2018

Próximos encontros:

Cartaz A3 e Banner_Recife

Estudos em Escrita Criativa - Porto Alegre - RS

Índex* – Agosto, 2018

Descubro

Na palavra

Um suporte 

No qual me apoiar

Um alívio

Em desabafar

A angústia 

De não ter controle

A Patricia

Sem linha

Caneta

E cor

 

Na palavra

Me descubro

Inteira

Portadora

Do segredo

Mais íntimo

Mais âmago 

Que nem eu mesma

Sabia

 

Sorrio

Quando

A caneta

Sulca o papel

Em letra de forma

E reconheço ali

Todo um sentido

(“Toda poesia”, Patricia Gonçalves Tenório, 14/08/2018, 15h34)

 

O amor à Escrita no Índex de Agosto, 2018 do blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Uma autobioficção | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Um poema de escrita | Cilene Santos (PE – Brasil).

PALAVRA DE VIAJANTE (Lisboa) | Fred Linardi (SP/RS – Brasil).

Sete anos | Raldiany Pereira (PE – Brasil).

Catopelando | Mara Narciso (MG – Brasil).

“A mulher faminta” | Tiago Germano (PB/RS – Brasil).

Estudos em Escrita Criativa – Agosto, 2018 – Recife e Porto Alegre | Diversos.

E o link do mês com um poema de Alcides Buss (SC – Brasil): http://www.alcidesbuss.com

Agradeço o carinho e a participação, a próxima postagem será em 30 de Setembro, 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Index* – August, 2018

 

 

I discover

In the word

A support

To support me

A relief

To vent

The anguish

Of not having control

A Patricia

Without line

Pen

And color

 

In the word

I discover myself

Entire

Bearer

Of the most intimate

Secret

More core

Like myself even

Knew

 

I smile

When

The pen

Groove the paper

In shape letters

And I recognize there

A whole sense

(“All poetry”, Patricia Gonçalves Tenório, 08/14/2018, 3h34 p.m.)

 

The love of Writing in the Index of August, 2018 on the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

An autobiofiction | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

A writing poem | Cilene Santos (PE – Brasil).

WORD OF TRAVELER (Lisbon) | Fred Linardi (SP / RS – Brasil).

Seven years | Raldiany Pereira (PE – Brasil).

Catopelling | Mara Narciso (MG – Brasil).

“The Hungry Woman” | Tiago Germano (PB / RS – Brasil).

Studies in Creative Writing – August, 2018 – Recife and Porto Alegre | Several.

And the link of the month with a poem by Alcides Buss (SC – Brasil): http://www.alcidesbuss.com

Thank you for the affection and participation, the next post will be on September 30, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Quando a Escrita entra pelas Janelas da Alma. When the Writing enters through the Windows of the Soul.

 

PALAVRA DE VIAJANTE (Lisboa) | Fred Linardi*

Digite “livraria” no Google Maps, veja o que aparece nos bairros centrais de Lisboa, e você estará em apuros. Se você morar na cidade e tiver tempo, os apuros são financeiros; se você estiver por poucos dias, seus apuros estarão em escolher quais delas visitar.

A despeito das mais conhecidas, um dia fomos cruzando as ruazinhas e vielas do Baixo Chiado, até uma dessas menos mencionadas. Ela tinha aparecido no mapa como uma loja próxima de onde estávamos. Dava para ser naquele dia, e valia a pena! A livraria “Palavra de Viajante” é, oras pois, especializada em livros de viagem, desde os óbvios guias de turismo até os mais variados relatos de viagens empreendidas pelos escritores, assim como as narrativas onde toda a história é ficcional.

Pulemos os guias e vamos para os livros que fazem com que a gente se perca categoricamente em suas histórias. Estão lá Bruce Chatwin, Paul Theroux, Henry David Thoreau, Tiziano Terzani, John Reed e tantos outros que foram, voltaram e relataram. Há também aqueles que empreenderam viagens totalmente imaginárias, como Xavier de Maistre, Ítalo Calvino e Alessandro Baricco. Aliás, todo o fôlego perdido nas ladeiras da cidade foi definitivamente aniquilado diante de uma edição ilustrada e indescritível de “Seda”. Ainda contamos com os teóricos, diante de tantas reflexões que ainda não cruzaram os mares até nosso mercado editorial. “As viagens de Gulliver” estão lá, claro! A jornada de “Pinóquio” também, pois como uma livraria dessas não se dedicaria ao setor infantil? “A Viagem do Elefante”, de Saramago, adaptada para as crianças, está lá também.

Passei um tempão vendo quase todas as prateleiras e amaldiçoando a violenta conversão monetária. Peguei um teórico escrito por Paul Theroux sobre narrativas de viagem. A simpática senhora que cuida da livraria perguntou se eu queria pensar para levar depois, e reservou em sua mesa. Não fui buscar ainda. Ela deve estar achando que eu desisti. Eu considero um ato falho.

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** Fred Linardi (Americana/SP, 1982) é jornalista graduado pela Universidade Mackenzie, escritor e palhaço. Especialista em Jornalismo Literário, atualmente é mestrando em Escrita Criativa na PUCRS, escrevendo uma biografia sobre uma palhaça brasileira e aprofundando sua pesquisa em literatura de não ficção.  É sócio da Biografias & Profecias, editora focada na publicação de memórias familiares e empresariais. No campo da ficção, em 2017 foi contemplado com o 2º lugar no Concurso Nacional de Contos Josué Guimarães, na Jornada Literária de Passo Fundo. Contato: fred.linardi@gmail.com