Posts com Crônica

Índex* – Dezembro, 2018

O Menino

Continua

Crescendo, fortificando

 

Até o umbral

De um novo ano

Até os primeiros raios

Do dia

Em que

Nos levantamos

Nos renovamos

 

E transformamos

Ao redor em

Paz

Luz

Amor e

Poesia

(“Em mim, nasce o poema”, Patricia Gonçalves Tenório, 25/12/2018, 06h05)

 

O umbral do novo ano se aproxima no Índex de Dezembro, 2018 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa – 2019 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

O Natal de Bernadete Bruto (PE – Brasil) e Cilene Santos (PE – Brasil).

Facas na literatura | David de Medeiros Leite (RN – Brasil).

O fogo de Ina Melo (PE – Brasil).

Do fim | Geysiane Andrade (RS – Brasil).

Poemas de Márcia Maia (PE – Brasil).

Essa tal felicidade | Natália Setúbal (RS – Brasil).

E o desejo de um 2019 de muitos Sonhos realizados, Paz, Saúde, Luz, Amor & Alegria, a próxima postagem será em 27 de Janeiro, 2019, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – December, 2018

The Boy

Continues

Growing, fortifying

 

Until the threshold

Of a new year

Until the first rays

Of the day

On what

We get up

We renew

 

And we transformed

Around in

Peace

Light

Love and

Poetry

(“In me, the poem is born”, Patricia Gonçalves Tenório, 12/25/2018, 06:05 a.m.)

 

The threshold of the new year is approaching in the Index of December, 2018 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Studies in Creative Writing – 2019 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

The Christmas of Bernadete Bruto (PE – Brasil) and Cilene Santos (PE – Brasil).

Knives in literature | David de Medeiros Leite (RN – Brasil).

The fire of Ina Melo (PE – Brasil).

From the end | Geysiane Andrade (RS – Brasil).

Poems by Márcia Maia (PE – Brasil).

Such happiness | Natália Setúbal (RS – Brasil).

And the wish for a 2019 of many Dreams realized, Peace, Health, Light, Love & Joy, the next post will be on January 27, 2019, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Sonhos a se realizarem no Ano Novo que se aproxima. Dreams to be fulfilled in the approaching New Year.

 

Estudos em Escrita Criativa – 2019

Os Estudos em Escrita Criativa nasceram em 2018 a partir do I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco que ocorreu de 13 a 15/10/2017 no Pavilhão do Centro de Convenções, em Olinda.

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Com o apoio da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS, através dos Profs. Luiz Antonio de Assis Brasil, Cláudia Brescancini e Maria Eunice Moreira, e da XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, em nome de Rogério Robalinho, foram realizadas diversas oficinas e mesas, entre elas “Estimulando a leitura através da Escrita Criativa”, “A importância de um ambiente estimulante na Criação Artística”, “Devaneios Fílmicos, Cósmicos e Poéticos” e “Grupo de Estudos em Escrita Criativa”. Levamos para Recife escritores graúchos, tais como Assis Brasil, Valesca de Assis, Gustavo Melo Czekster, Daniel Gruber, María Elena Morán, e trocamos experiências com autores pernambucanos e de outros estados do país, entre eles Lourival Holanda, Maria do Carmo Nino, Igor Gadioli, Fernando de Mendonça, Cida Pedrosa, Robson Teles.

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O resultado extremamente positivo do I Seminário em 2017 nos incentivou a ampliarmos o projeto e levarmos para as Livrarias Cultura de Recife e Porto Alegre em 2018. Criamos encontros mensais, temáticos e independentes: O tempo, O mito, A viagem, A música, O amor, O sonho, A imagem e O fogo.

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Os encontros foram divididos em três partes. Na primeira parte, ministrada por Patricia Gonçalves Tenório, apresentamos, sob a temática do mês, teóricos de várias áreas de conhecimento (Teoria da Literatura, Filosofia, Psicanálise, Semiótica), artistas de diversas áreas de arte (Literatura, Cinema, Fotografia, Música, Artes Plásticas). Na segunda parte estimulamos os participantes a realizarem exercícios de desbloqueio relacionados com o tema. Na terceira parte convidamos escritores locais para apresentarem seus processos criativos, entre eles, em Recife, Flávia Suassuna, Fátima Quintas, Jacques Ribemboim, Ana Maria César e Adriano Portela, em Porto Alegre, Alexandra Lopes da Cunha, Andrezza Postay, Camilo Mattar Raabe, Luís Roberto Amabile, Annie Muller, Fred Linardi, Gisela Rodriguez, Júlia Dantas, Guilherme Azambuja Castro, Tiago Germano e Débora Ferraz. Firmamos parceria em Recife com a União Brasileira de Escritores – PE, em nome de Alexandre Santos e Bernadete Bruto, e em Porto Alegre com a PUCRS no sentido de convidarmos os escritores locais e termos o projeto apoiado por uma instituição relacionada com a Literatura.

O fogo da criação - Patricia Gonçalves Tenório - DP 281118

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O resultado foi surpreendente. Houve uma recepção além do esperado nas duas cidades. Chegamos a ter mais de 30 participantes por encontro e constatamos a eficiência do método na qualidade dos textos elaborados, a maioria das vezes, no instante mesmo da parte prática. E lançamos, no último encontro do ano em cada cidade, a coletânea de artigos Sobre a escrita criativa II com textos dos escritores convidados e escritores/professores do Brasil inteiro que fazem a Escrita Criativa acontecer.

Em 2019, daremos continuidade ao nosso grupo de Estudos em Escrita Criativa de Recife. Em breve estaremos anunciando o local e a data de início dos nossos encontros que estão sendo construídos com muito carinho. Aguardem!

E, em comemoração aos cinquenta anos de vida e quinze anos de escrita, serão lançados cinco livros bem especiais em Novembro, 2019. Aguardem também!

Desejo um Ano Novo de muita Paz, Saúde, Luz & Sonhos realizados, grande abraço e até breve!

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

 

O Natal de Bernadete Bruto* & Cilene Santos**

LEMBRANÇAS DE NATAL

Bernadete Bruto*

Recife, 11 de dezembro de 2018.

 

A bola era colorida e no Natal ela sempre sonhará como era bela aquela bola…

Os filhos andavam sempre junto da mãe.

Em dezembro não se trabalhava, nem estudava.

As férias eram na praia.

Há tempos a menina está na rua escrevendo sua nova vida.

Há muito os filhos largaram a mão da mãe.

Nas festas todos dançavam felizes.

A música vem do celular, quando Lennon não mais está aqui. Nem Vinícius, nem mais os amores idealizados. Ouve-se uma canção. É de Natal: I feel it in my fingers… ah! A canção nem mesmo é em português! Mas o Natal está em volta.

A menina pode brincar segura em casa que Papai Noel vai chegar e papai está em casa. Mamãe está viva! Vamos todos à missa do galo. Depois, na casa da vovó todos se abraçarão em breve. Aquela casa que já nem existe mais… Embora esteja na eternidade da alma.

Agora, as iguarias estão na mesa, alguns parentes envelhecidos ainda estão presentes (talvez o maior presente de Natal). No ar, o amor e olhar são os de sempre. O coração enxerga além.

Nesse ínterim, cinco mulheres seguem seu destino. Cada qual em seu tempo e idade, escolhas, dentro desta cidade e com amizade, juntas, comemoram com singeleza as mais puras lembranças de Natal.

 

O SENTIDO DO NATAL

Cilene Santos**

Recife, 21/12/2018

Natal! Festa deslumbrante.
Momento de muita luz.
Dia em que celebramos
A chegada de Jesus.
Como num deslumbramento,
O mundo se transfigura.
Dentro de cada pessoa,
Nasce nova criatura.
E esta metamorfose
Que ocorre em toda a gente
É o reflexo da nobreza
Da energia transcendente
Que emanou naquele dia
Em que Jesus complacente
Se fez menino e ensinou
A toda a humanidade
Que só o amor e o perdão
Purificam a nossa alma
E dão a oportunidade
De nos tornarmos Cristãos.
Que todos nós entendamos
Sua mensagem de amor.
Despertemos nova vida
E vivamos praticando
O que Ele ensinou.

 

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* Bernadete Bruto (Recife/PE, 1958) é bacharel e licenciada em Sociologia, com especializações na área de Recursos Humanos e Direito Administrativo. É analista de gestão do metrô de Recife e poeta performática. Membro da União Brasileira de Escritores – UBE, da Associação dos Amigos do Museu da Cidade do Recife – AMUC, parceira da Cultura Nordestina Letras e Artes e participa da Confraria das Artes e dos Estudos em Escrita Criativa. Tem quatro livros publicados, sendo três coletâneas de poesias, Pura impressão (2008), Um coração que canta (2011), Querido diário peregrino (2014), e um infantil, A menina e a árvore (2017). Participa de antologias, assim como de diversas apresentações poéticas e performáticas. Contatos: bernadetebruto@gmail.com e www.bernadetebruto.com

** Cilene Santos, escritora, poeta, cordelista. Professora graduada em Letras, com especialização em Língua Portuguesa. Membro da Academia Caruaruense de Literatura de Cordel, ocupando a cadeira nº 08, e tem como patrono Dimas Batista. Publicou Branca de Neve e os Sete Anões em Versos e a vida de Joel Pontes, em cordel. Participou dos Estudos em Escrita Criativa 2018 de Recife. Contato: cilenecaruaru2013@gmail.com

 

Facas na literatura* | David de Medeiros Leite**

Alguns hábitos queremos largar, outros, não. O da leitura concomitante de dois livros faz tempo que me acompanha e, não fazendo força em sentido contrário, pretendo assim seguir. Na maioria das vezes, prefiro gêneros e assuntos díspares. Porém, recentemente, ocorreu-me uma incessante coincidência: dei-me conta de que estava lendo duas obras, cujos títulos faziam referências à faca. Sim, isso mesmo, ambos os títulos remetem a tão cortante instrumento de lâmina: Dançar com facas, de Hildeberto Barbosa Filho (Mondrongo, 2016); e Entre facas, algodão, de João Almino (Record, 2017).

François Silvestre diz que inveja é como colesterol, tem a boa e a ruim. Lembrei-me da brincadeira desse amigo, quando da leitura do Dançar com facas, pois, qualquer um que busca a concisão poética para versejar, com certeza invejará esse trabalho de Hildeberto. Como se costuma dizer hoje em dia, o tomo está “redondo”, cada poema deixa aquela impressão de que nada falta e nada sobra.

Quando comentamos algum livro, sempre nos deparamos com a dificuldade em eleger poema ou estrofe, mas, claro, temos que arriscar. No poema “Velhice”, Hildeberto, propositadamente melancólico, sentencia: “Os fardos da idade / começam a humilhar / o pobre corpo. // E a alma, / papoula desgarrada, / nem está mais aqui!”. Na mesma pisada, deparamo-nos com o poema “Horizonte”, talvez, carregando a representação mais impactante da obra: “Velhos com conhaque / na alma, lúcidos, / sem horizonte.” Imagem forte, que cala fundo em qualquer um que não tenha apenas uma pedra no peito, como sugere o cancioneiro popular.

Mudando a temática, porém no mesmo tom minimalista, vem o “Metáfora”: “Num antigo verso / falava das ‘pupilas da manhã’. // Hoje invento a metáfora: // nas tuas pupilas, Pâmela, nadam / todas as manhãs”. No poema “Verão”, a nordestina seca esturricada se mistura com um intimismo que não possui imbricação geográfica e puxa a conversa para abarcar outras estações que nem temos: “É verão / e as pessoas nem estão / mais alegres. // (Tudo é claro, quente, triste!) // O sol explode / dentro de mim / enquanto me despeço / das outras estações.”. Na mesma pegada intimista, no poema “El condor”, o eu lírico transfigura-se no próprio pássaro que ganha voz: “El condor, / nomearam-me os de outra espécie, / os que se dizem dotados / de uma segunda natureza. // Suspenso no azul, / com as asas abertas, / nomeio o mundo,”.

E, quando Hildeberto aborda o mister poético ou a própria poesia como arte, entra em cena o doutor em literatura a nos ensinar lições difíceis de assimilarmos nesse mundo de danações e açodamentos. Difíceis porque o aprendizado requer maturação, condição antagônica à pressa dos dias atuais. Contudo, vamos lá. Com a dificuldade do escrutínio antes mencionado, considero “RIO/POEMA”, como o ápice do livro: “Rio nenhum vale um poeta, / porque rio é somente rio, / e suas correntezas têm destino certo, / e suas margens são apenas margens. // O poeta, não. / É rio, é margem, é correnteza, / é água, muita água, correndo por dentro, / enchente, naufrágio…”.

O paraibano Hildeberto Barbosa Filho encerra o livro com o poema que o nomeia: “Dançar com facas / não é apenas ofício de bailarino / nem dos saltimbancos de ruas. // Se a vida é um tablado, / dançamos todos, com facas, / (…) Dançar com facas / também é ofício de poeta.”.

Já no romance Entre facas, algodão, do mossoroense João Almino, o protagonista possui algo machadiano nisso de “atar as duas pontas da vida”, ou seja, a urdidura acontece a partir de sua decisão de, já setentão, resolver deixar Brasília e comprar uma fazenda no sertão potiguar, onde pretende se instalar e “recompor” um passado que lhe consome.

Além da determinação de largar a vida de advogado na capital federal pela de plantador de feijão, milho e “até algodão”, o personagem principal carrega em si o desejo incontido de vingar a morte do pai. Sem falar que tudo está entremeado com laivos sentimentais, na medida em que vive uma separação conjugal e procura reinventar uma paixão da adolescência.

Romancista com sólida carreira, João Almino sustenta uma linguagem leve numa trama bem sequenciada que prende o leitor. Entre tantas facetas, o romance possui uma característica que merece registro: os personagens manuseiam redes sociais, como WhatsApp e Facebook, ao mesmo tempo em que se ancoram em costumes antigos da vida sertaneja.

E a crise familiar que envolve o protagonista (único personagem cujo nome não é revelado, pois o livro baseia-se em um diário do mesmo), também acontece em duas “dimensões”: tanto na questão da vingança do pai, que termina por gerar uma dúvida quanto à própria paternidade biológica que, até então, era inquestionável, como também no que diz respeito a sua relação com os três filhos, cujas convivências são perpassadas por questões afetivas confusas e bastante atuais.

Um excerto do romance pode justificar parcela do título e situar mais ou menos as lembranças do cenário da infância vivida: “No Riacho Negro, meu padrinho vivia da lavoura do algodão, da oiticica e da carnaúba. Sobretudo do algodão. Me lembro que puxava com orgulho o capucho de algodão para mostrar o tamanho da fibra”.

Quanto às facas existentes por entre a maciez algodoeira, as perspectivas que se abrem são variadas e propositais. Desde a já comentada desforra paterna, até as agruras vividas e revividas pelos personagens, nas diversas épocas e dimensões apresentadas. O sertão de outrora, violento pelo coronelismo. Um pouco da vida moderna, como registros em voos de Brasília a Fortaleza.

Tudo isso sob a pena de quem não é amador no ofício. João Almino coleciona prêmios com outros romances, além de respeitado ensaísta em questões políticas e sociais.

Enfim, entre a poesia de Hildeberto e o romance de Almino, caro leitor, vi-me imbricado num mundo de facas sentimentais por entre um algodoal poético romanesco. Duas obras que enriquecem sobremaneira as letras brasileiras.

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* David de Medeiros Leite é professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Doutor pela Universidade de Salamanca – Espanha. Entre outros, publicou os seguintes livros; Incerto Caminhar; Ruminar (Poesia); Cartas de Salamanca; Casa das Lâmpadas (Crônica). Contato: davidmleite@hotmail.com

Essa tal felicidade* | Natália Setúbal**

Abro o jornal e as duas primeiras notícias que leio é que hoje inicia o outono e que também é celebrado o Dia Internacional da Felicidade. Achei curiosa a data comemorativa e me pus a refletir sobre ela.

A felicidade está nas coisas simples e inocentes, escreveu Baudelaire. Ligo o rádio e escuto a canção dos gaúchos Kleiton e Kledir: ser feliz é tudo o que se quer.

Nestes tempos bizarros – de tantas intolerâncias e turbulências – ser feliz virou empretada complicada (até rimou!). Alguém aqui conhece bem de pertinho quem consiga ser feliz full time? – Nem eu!

E no que me cabe, la vie n’est pas rose! Até porque tudo flui, tudo é só (im) permanência como na metáfora do rio do velho Heráclito. Só podemos contar com a nossa percepção. E se para uns a felicidade é ser lindo e famoso, para outros é acertar na loteria gorda, viajar sempre na primeira classe ou se hospedar em resorts luxuosos. Ou ter abdomen negativo e um amour de cinema.

Pois fecho redondinho com o poeta de Fleurs du Mal. Fui aprendendo a valorar o pequeno, o simples, o mínimo. Até porque, creio que estamos em trânsito. Que a vida é um piscar de olhos. De repente, tchibum. Assim, quando me sinto desassossegada com as mazelas e chatices do cotidiano, quando travo na redação de uma inicial ou de uma contestatória, me permito pausas. Nessas horas, meu mantra passa a ser Sai e Busca, do Buda Sidarta Gautama. É quando passo a mão nos meus olhos e os levo para passear. E eles se encantam com tudo. As paineiras em flor, o passo manso do quero-quero no campo, o riso solto de uma criança. Sentindo-me reiniciada por essa pequena epifania junto à Natureza, volto para a minha roça achando Deus mais do que nunca de uma delicadeza e benevolência sem limites.

Curiosamente, sempre que se inicia uma estação do ano farejo algo no ar. Um pressentimento me diz que vem novidade a caminho. E já me alvoroço toda.

E mais uma vez me permito esperar. Com a paciência de um gato.

 

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** Extraído de 35 anos respirando literatura: XXIII antologia. Coordenação editorial: Iara Almansa Carvalho. Porto Alegre. UBE/RS, 2018.

** Natália Setúbal nasceu em Porto Alegre numa ensolarada manhã de Natal. Servidora pública concursada é aposentada da Administração Pública Estadual. Exerce a advocacia nas áreas cível e consumerista. Atua como Conciliadora Judicial junto aos CEJUSCs do Poder Judiciário Estadual. É ativista dos Direitos dos Animais e idolatra felinos. Na primeira infância sonhava aprender a ler. Aos seis anos de idade auto alfabetizou-se lendo jornal. E, desde então, virou amante dos livros. Tem crônicas literárias publicadas na Antologia CRONICANDO (2008) e poemas publicados no Jornal Zero Hora e em várias revistas literárias. Em 2015 participou da Oficina de Haikai com Alice Ruiz, e em 2018 dos Estudos em Escrita Criativa organizados pelos escritores Luiz Antonio de Assis Brasil e Patricia Gonçalves Tenório. Recebeu Menção Honrosa no Prêmio Lila Ripoll de Poesia 2018. Contato: nataliasetubal.adv@gmail.com

 

Índex* – Novembro, 2018

Fecham

As portas

Do avião

De Porto Alegre

Para Recife

E não estou

Mais lá

Não estou 

Ainda aqui

Nesse trânsito 

Entre dois mundos

Dois amores

 

Duas saídas

Para um mar de estrelas 

Oceano de vontades

Papel e lápis

E escrever

Me inscrever

Crer…

Crer…

(“Oceano”, Patricia Gonçalves Tenório, 09/11/2018, 06h54)

 

Água e Fogo, Teoria e Poesia, Crítica e Ficção na edição de aniversário do Índex – Novembro, 2018 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

O fogo da criação | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

DE CRIAÇÃO E FOGO DA MEMÓRIA | Bernadete Bruto (PE – Brasil).

O FOGO CAMONIANO | Cilene Santos (PE – Brasil).

Fogo – Do Barro à Pira, Companheiro de Vida | Elba Lins (PE – Brasil).

Sobre o fogo | Gabi Vieira (PE – Brasil).

O fogo de Gabriel Nascimento (RS – Brasil).

O fogo | João Orlando Alves (PE – Brasil).

Estudos em Escrita Criativa 2018 – Recife e Porto Alegre | Diversos.

Agradeço imensamente o carinho e a força, a próxima postagem será em 30 de Dezembro, 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Index* – November, 2018

Close

The doors

From the airplane

From Porto Alegre

To Recife

And I’m not

More there

I’m not

Still here

In this passage

Between two worlds

Two loves

 

Two exits

For a sea of stars

Ocean of wills

Paper and pencil

And write

Sign me up

Believe…

Believe…

(“Ocean”, Patricia Gonçalves Tenório, 11/10/2018, 06h54)

 

Water and Fire, Theory and Poetry, Criticism and Fiction in the anniversary edition of the Index – November, 2018 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

The fire of creation | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

OF CREATION AND FIRE OF MEMORY | Bernadete Bruto (PE – Brasil).

THE CAMONIAN FIRE | Cilene Santos (PE – Brasil).

Fire – From Mud to Pira, Companion of Life | Elba Lins (PE – Brasil).

About fire | Gabi Vieira (PE – Brasil).

The fire of Gabriel Nascimento (RS – Brasil).

The fire | João Orlando Alves (PE – Brasil).

Creative Writing Studies 2018 – Recife and Porto Alegre | Several.

Thank you immensely for the affection and the strength, the next post will be on December 30, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Em 2018, um oceano de vontades para o bem escrever. In 2018, an ocean of wills for well write.  

O fogo da criação* | Patricia Gonçalves Tenório**

Descobrimos em A psicanálise do fogo, do filósofo francês Gaston Bachelard, alguns dos temas mais caros à literatura universal, tanto nos clássicos quanto nos contemporâneos, e que investigamos durante 2018, nos encontros dos Estudos em Escrita Criativa, em Recife e em Porto Alegre.

Nos encontros, navegamos pelo tempo e nos lembramos d’“O que é, pois, o tempo?”, e o triplo presente de Agostinho de Hipona nas suas Confissões, onde só o presente do presente existe na alma distendida da percepção. Intuímos o conceito de figura que Erich Auerbach tomou emprestado dos primeiros padres da Igreja Cristã, quando, para angariar mais fiés entre os judeus, gentios, pagãos, tentavam ligar figuras do Antigo Testamento, tais como Davi, Moisés, Josué, à figura do Cristo no Novo Testamento, os primeiros prefigurando o preenchimento pleno com a vinda do Messias. Auerbach aplicou o conceito de figura tentando ligar textos clássicos, um apontando para o outro, desde Homero até chegar ao romance moderno com Virgínia Woolf.

Buscamos em Yuval Harari, e no seu Sapiens: Breve história da humanidade, o motivo para mais de 150 indivíduos caminharem na mesma direção: a construção do mito. Mito que, segundo André Jolles, nasce quando uma pergunta essencial encontra uma resposta perdida, uma sendo feita para a outra de maneira inexorável.

E o que dizer sobre a viagem? Esse tema que vem lá dos nossos pais portugueses com Luís Vaz de Camões em Os Lusíadas, atravessa a Jornada do Herói ou da Heroína, de Chistopher Vogler e Maureen Murdock, e desemboca n”Os devaneios de um caminhante solitário, de Jean-Jacques Rousseau?

A música nos traz a Teoria Barroca dos Afetos, e lembramos de Ludwig van Beethoven quando afirma que “Não apenas pratique sua arte, mas force seu caminho em seus segredos, pois ela e o conhecimento podem elevar os homens ao Divino”.

O amor nos apresenta o maior sentimento agregador, aquele para o qual viemos ao mundo, pelo qual retornaremos dele um dia, e que o poeta trovador Guirault de Borneilh nos abre as janelas da alma, de ponta a ponta, lá n’O poder do mito, de Joseph Campbell.

O sonho e a imagem dialogam entre si, quando Carl Gustav Jung extrai dos sonhos a imagem individual, no meio das inúmeras imagens coletivas que nos são impostas todos os dias, e Roland Barthes nos apresenta o punctum da fotografia que nos fere e atinge. Com isso mergulhamos em nós mesmos na direção de nossa essência, e reverberamos em ficção, poesia, imagens teóricas ou poéticas.

E o fogo reunindo em si cada um desses temas elencados para nos provocar, para nos alimentar com teoria de várias áreas de conhecimento, nos iluminar com diversas áreas de arte, o fogo quase nos queimando por inteiro, nos transformando por inteiro, para renascermos feito uma Fênix desmesurada, e escrevermos uma obra de arte.

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* Ao final dos Estudos em Escrita Criativa 2018, Recife e Porto Alegre.

** Patricia Gonçalves Tenório (Recife/PE, 1969) escreve prosa e poesia desde 2004. Tem onze livros publicados, com premiações no Brasil e no exterior, entre elas Melhor Romance Estrangeiro por As joaninhas não mentem (em outubro, 2008) e Primo Premio Assoluto por A menina do olho verde (em outubro, 2017), ambos pela Accademia Internazionale Il Convivio, Itália); Prêmio Vânia Souto Carvalho (2012) da Academia Pernambucana de Letras (PE) por Como se Ícaro falasse, e Prêmio Marly Mota (2013) da União Brasileira dos Escritores – RJ pelo conjunto da obra. Mestre em Teoria da Literatura (2015, UFPE) e doutora em Escrita Criativa (2018, PUCRS). Contatos: patriciatenorio@uol.com.brwww.patriciatenorio.com.br

 

DE CRIAÇÃO E FOGO DA MEMÓRIA* | Bernadete Bruto**

Fechou os olhos e deu de encontro com a escuridão da alma. Que buscar no Íntimo sobre o fogo habitante na sua escrita? No íntimo sabe:

O QUE SURGE

DA ESCURIDÃO

EMERGE FORTE

PURO MAGMA

COMO UM VULCÃO

 

Hoje, o silêncio impera na escuridão. Uma escuridão morna de forma que se põe em meditação no aguardo da faísca sagrada. Abriu os olhos deparando-se com um holofote vermelho, qual o tema proposto, iluminando esse chão de vermelho aveludado e se viu num espaço de silencio onde os únicos ruídos presentes provinham do papel manuseado por outras mãos na proximidade.

Todos, no silencio, escreviam imersos no fogo-fátuo de suas almas crepitantes na vizinhança daquela criatura, que ali presente, observava uma nova forma de escrever nesse silencio em conjunto, durante todo aquele ano.

Se alguns papéis se dobravam e amassavam à procura da bendita fagulha, o dela permanecia intacto, ao sabor do deslizar da caneta que lhe conduzia a uma história, sobre uma pessoa, cujo coração tão profundamente abrasado, um dia ardeu em chamas. Do coração em cinzas, com um único tição alimentado, iluminando o caminho, daquela vista meio cega pelas lágrimas, seguiu uma rota apenas conduzida pelo fogo da memória, escreveu algo assim, somente para si, como um conto de fadas:

 

Era uma vez uma menina, tão pequenina, como outra qualquer. Atemporal, que pegou a flor da chama e iniciou uma vida nova, inteirinha, de lindas tramas!

 

Recife, 10 de Novembro de 2018.

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Texto escrito no último encontro dos Estudos em Escrita Criativa 2018, Recife.

** Bernadete Bruto (Recife/PE, 1958) é bacharel e licenciada em Sociologia, com especializações na área de Recursos Humanos e Direito Administrativo. É analista de gestão do metrô de Recife e poeta performática. Membro da União Brasileira de Escritores – UBE, da Associação dos Amigos do Museu da Cidade do Recife – AMUC, parceira da Cultura Nordestina Letras e Artes e participa da Confraria das Artes e dos Estudos em Escrita Criativa. Tem quatro livros publicados, todos coletâneas de poesias: Pura impressão (2008), Um coração que canta (2011), Querido diário peregrino (2014) e A menina e a árvore (2017). Participa de antologias, assim como de diversas apresentações poéticas e performáticas. Contatos: bernadetebruto@gmail.com e www.bernadetebruto.com

Sobre o fogo* | Gabi Vieira**

Quando se pensa em fogo, logo se visualiza a destruição, o medo, o desespero, um calor ardente que apaga da existência tudo que toca. Ele é majoritariamente temido, evitado, apagado, tratado como indesejável.

 

Mas creio que em tudo há outro lado a ser observado. Se esta é a face mais conhecida do fogo, olhemos então para outra. Onde se vê destruição, pode também ser vista a renascença. Quando só há cinzas, o que mais resta a não ser a recriação? Onde não havia mais nada, agora existe a perspectiva de se criar qualquer coisa, de nascer qualquer coisa. Como a fênix que renasce das cinzas, que deixa morrer suas chamas antigas para permitir que outras nasçam, creio que deixar o fogo nos atravessar o corpo, a alma e o coração seja a maneira mais corajosa de nos reinventarmos.

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* Texto escrito durante o último encontro dos Estudos em Escrita Criativa 2018, Recife, em 10/11/2018.

** Gabi Vieira é estudante de Letras da UFPE e participou dos Estudos em Escrita Criativa 2018, Recife. Contato: gabi.vieira.araujo@gmail.com

 

O fogo* de Gabriel Nascimento**

Madrugadas, outrora silenciosas, são preenchidas por um choro, que trespassa meus fones como uma faca. Minha mente manda que meu corpo continue sentado, apático ao sofrimento da criatura, ignorando que, de algum jeito, a criatura que chora na cozinha entende o que é solidão, por isso teme estar sendo deixada. Sei que não, mas ela não concebe essa ideia, sente mais do que pensa. O que nos possui a fazer isso? Adotar algo menor, torna-la dependente de nossa vontade, e molda-la no que queremos, ao invés de deixa-la como a natureza a fez? Precisamos tanto nos sentir poderosos? Mas ninguém quer saber disso. Ninguém quer admitir que escravos alimentados e adorados ainda são escravos.

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* Texto escrito no último encontro dos Estudos em Escrita Criativa 2018, Porto Alegre, em 07/11/2018.

** Gabriel Nascimento participou dos Estudos em Escrita Criativa 2018, Porto Alegre. Contato: gsabritto@yahoo.com.br