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Grupo de Estudos em Escrita Criativa – 25/12/16 | Com Bernadete Bruto, Elba Lins & Anjos de Teatro

Patricia (Gonçalves) Tenório

22/12/2016

 

O desejo de viagem tem sua confusa origem nessa água lustral. Tépida, ele se alimenta estranhamente dessa superfície metafísica e dessa ontologia germinativa. Ninguém se torna nômade impenitente a não ser instruído, na carne, pelas horas do ventre materno, arredondado como um globo, um mapa-múndi. O resto é um pergaminho já escrito. (ONFRAY, 2009, p. 9)

 

Tudo começou em Agosto, 2016. Um encontro em uma Dança Circular. Três amigas que se propõem a estudar juntas, a navegar juntas pelo mundo das palavras, a viver juntas a Poesia e a Teoria de maneira inexorável e inseparável…

Incompreensível, irracional, mas sólido…

Foram essas palavras que me assombraram a madrugada de ontem para hoje, dia que me propus escrever sobre a experiência de 5 meses, 10 encontros e dezenas de textos críticos, poéticos, ficcionais que brotaram de Bernadete Bruto e Elba Lins no Grupo de Estudos em Escrita Criativa.

Por que me proponho a compartilhar nossa experiência, quando já existem tantas Oficinas Literárias, cursos de Escrita Criativa, acadêmicos ou não, pelo país, pelo mundo afora?

Lembrei esses dias da experiência com a adaptação de As joaninhas não mentem para o Teatro em 2011. O diretor Jorge Féo nos ensinou algo muito forte e presente até hoje nos meus estudos, na minha vida: aquele grupo, composto por aqueles atores, com aquela adaptação, era único. Foram 6 meses lapidando o texto, a vivência de cada personagem – não era interpretação nem representação – para germinar em 50 minutos de espetáculo.

Algo semelhante aconteceu com o GEEC. Nos servindo de teóricos tais como Christopher Vogler, Joseph Campbell, Carl Gustav Jung, Cecília Almeida Salles, Roland Barthes, Umberto Eco, até chegarmos aos teóricos do deslocamento, entre outros o autor da epígrafe Michel Onfray, e músicas, e pinturas, fotos, filmes, filmes e filmes, fomos nos alimentando e nos provocando a ponto de gerarmos inúmeros textos, dos quais selecionei do mês de Dezembro alguns a seguir. Textos que, como afirma Michel Onfray no seu Teoria da viagem, nos requisitam: “Não escolhemos os lugares de predileção, somos requisitados por eles” (ONFRAY, 2009, p. 20).

Certa vez, um repórter auspicioso perguntou a Ariano Suassuna se o que ele escrevia já estava na cultura popular, o que ele fazia afinal? Ariano respondeu brilhantemente:

– Você quer saber o que eu fiz, se tudo já estava aí, não é, rapaz?

O repórter mudo.

– Eu escrevi!

Então, tentando responder à pergunta que eu mesma fiz acima: “Por que me proponho a compartilhar nossa experiência, quando já existem tantas Oficinas Literárias, cursos de Escrita Criativa, acadêmicos ou não, pelo país, pelo mundo afora?”, e parodiando o saudoso Mestre Ariano Suassuna:

– Eu vivi!

 

Referências:

ONFRAY, Michel. Teoria da viagem: poética da geografia. Tradução: Paulo Neves. Porto Alegre, RS: L&PM, 2009.

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Bernadete Bruto

bernadete.bruto@gmail.com

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(“O violeiro”, Almeida Júnior, 1899, óleo sobre tela, 141 x 172 cm) 

 

A viola fala Alto

 

            Toda vez que se senta na janela e toca sua viola, algo me chama e largo tudo que estou fazendo,  encosto na sua janela para cantar. Canto com todo o coração:

É que a viola fala alto no meu peito humano
E toda moda é um remédio pros meus desenganos
É que a viola fala alto no meu peito, humano
E toda mágoa é um mistério fora deste plano
Pra todo aquele que só fala que eu não sei viver
Chega lá em casa pruma visitinha
Que no verso ou no reverso da vida inteirinha
Há de encontrar-me num cateretê(*)

Não sei o que se passa com aquele casal… Ele sintonizado com sua viola e ela seguindo a canção. Vejo que são UM na música. Dois artistas fora do palco, na mais pura expressão da arte, na vida cotidiana, em pleno interior de uma cidade qualquer. A viola é quem fala. Fala alto em qualquer peito humano quando seus acordes tocam no coração de cada um de nós. Eu mesma reconheço essa canção!

 

Recife, 4 de Dezembro de 2016

 

(*) Vide vida marvada de Rolando Boldrin

https://www.youtube.com/watch?v=9lw5EXnqOYc

 

(Câmara e edição: Bernadete Bruto)

HÁ SEMPRE UMA LUZ NO FINAL DO TÚNEL

Vós não sabeis de que espírito sois! O Filho do Homem não veio para perder, mas para salvar as almas” (Lucas 9:54).

Embora estejamos neste quadrado, embora tudo indique que não resta saída, somente a fé faz com que a vida seja amena. Ela perdeu seu ideal de família. Ele se perdeu da família. Ambos caminham aprisionados na alma. Ele e ela no fundo maldizem seu destino… São Tiago vela pelos peregrinos. Há uma rota que conduz a um túnel. É o túnel de fuga! Que maravilha!

Um túnel que lembra aquelas histórias de lugares mágicos! Um portal de luz! Por este túnel muitos escaparam. Por este mesmo túnel também passou em direção à morte Frei Caneca. Talvez ele e ela não tenham respostas mágicas. São Tiago, aquele do campo da estrela, foi até martirizado… A grade está fechada com um cadeado! Ele sabe bem o que é isso de estar preso… Ela sabe bem o que é ter um coração fechado. Deu de cara com sua chance de oferecer o perdão e virou-lhe as costas…

Mas há uma luz no final do túnel.  É preciso ter fé em meio à escuridão da alma. São Tiago aceitou o desafio e pregou o evangelho até o fim. Ainda hoje é patrono da Espanha e tem um caminho de peregrinação desde o tempo medieval que é feito pela pura fé.

Por aqui, na atualidade, Maria passa na frente e vai abrindo estradas e caminhos, abrindo portas e portões, abrindo casas e corações. (*) Ele está aprendendo a ter fé e ela precisa chegar no final do túnel e abrir a porta do perdão para ser realmente livre. Mesmo assim, ela envia uma mensagem para aquele menino de olhar vazio encoberto pela muralha. Uma linda mensagem, que tanto amparou outra alma que por 27 anos passou aprisionada. Um poema de William Henley que diz: EU SOU O DONO E SENHOR DE MEU DESTINO. EU SOU O COMANDANTE DA MINHA ALMA!(**) E um pequeno filme para acalentar o sonho de libertação.

Ela é mais velha e sabe seu dever de resgatar almas, mesmo que a sua ainda esteja evoluindo no  tempo e espaço. Ela tem fé que um dia a porta se abra e uma vida completa chegue para ambos. Pois sempre há uma luz no final do túnel e o segredo é tão simples há séculos: Fé e Esperança!

Recife, 15 de novembro de 2016.

 

(*) oração MARIA PASSA NA FRENTE

(**) Poema de William Henley

 

(Câmera e edição: Bernadete Bruto)

PASSAEANDO PELO POÇO DA PANELA

Num recanto bucólico e sombrio

Onde atenua a marcha o grande rio

À sombra de recurvas ingazeiras

Batem roupas, calejadas, lavadeiras

Trago ainda nos olhos: é bem ela.

            A passagem do Poço da Panela (…)

(Trecho da poesia  Poço da Panela de Olegário Mariano)

 

Neste domingo, assim como meus pés, meus olhos passeiam por esta parte da cidade. Entram no antigo arrabalde conservando resquícios de séculos passados, chamado de Poço da Panela. O seu nome se deve ao fato de lá ter sido construído um poço de agua potável em formato de panela.

Procuro o que resta do passado nesta rua que me dirijo a pé e o caminho chega até uma Igreja. Li que esta Igreja também foi erigida por Capitão Henrique Martins, que interessante! Aquele senhor devia ser um homem muito importante. Como era imenso o espaço para tão poucas pessoas! Hoje ao menos, este é dividido com mais gente. Caminho pelo mesmo espaço que Capitão Henrique já caminhou. Aquele senhor  que também construiu a Capela da Jaqueira. Caminho em direção  desta igreja chamada N.S. da Saúde. A Igreja foi construída em agradecimento pela melhora de sua esposa que se encontrava doente, dona Ana Clara. O amor de Henrique por Ana Clara toca meu coração. Duas igrejas construídas ficam como prova desse amor profundo. Vou caminhando pelos arredores, como talvez costumasse fazer Henrique há séculos atrás.

Pego o carro e me dirijo mais para frente e mais um pouco  chego na Rua Antônio Vitruvio. Já frequentei aquela rua nos anos 90, quando fazia Aikidô. Sabia que o final  dela chegaria à beira do rio. Queria olhar o rio. Aquela via, pois no passado o rio era muito usado e estou em busca do passado. Esse mesmo rio que nunca usei… Dois guardiões  encontram-se protegendo aquele lugar, esta parte do Capibaribe, coitado, hoje tão desprezado! A vista me dá essa impressão de que aquela área é especial e quem sabe seja um portal que nos leve de volta há outros tempos… Vejo um avô de bicicleta levando seu neto para conhecer o rio…O velho com o novo  olhando para o rio e sinto esperança. Me despeço dos guardiões pego o carro para conhecer mais do Poço da Panela.

Passo por esta rua de casarios antigos coloridos, rua onde mora Luzilá Gonçalves e penso que ela fez uma excelente escolha de moradia. Que local mais agradável! Fiquei até com vontade de ligar para ela e que me esperasse na porta, onde seria protagonista desta parte do filme, mas escolhi passar sem incomoda-la no domingo, um dia de descanso. Outro dia eu paro. Assim dirijo por  este caminho de casas antigas em direção ao futuro. Como é visível a mudança de construções e de ares! Tenho a impressão que o passado se despede e que o futuro não é tão romântico.

No fim do caminho, já beirando o bairro do Monteiro, volto a me encontrar com o Capibaribe. Deparo-me com uma vida diferente do outro lado do rio. Vida totalmente contraste com aquela que vejo no Poço da Panela atual. Uma comunidade muito pobre, sem infraestrutura adequada, à beira de um rio malcheiroso! Fico besta com esse afronte à vida.

Meus olhos enxergam aquele homem e a história que ele tem para contar.  Uma história que já estou até curiosa para ouvir. Vou perguntar. Tenho quase a certeza que ele poderá me apresentar à vida que existia ali antes e agora. Pois esse é o sentido da minha busca, neste domingo de manhã.

Nem sabia que do outro lado do rio era o bairro da Iputinga! Nem que havia aqui tão perto, um meio de transporte ligando Poço da Panela à Iputinga. O barco de seu José. Obrigada, Patrícia, por sugerir este passeio, ao Capitão Henrique pelo presente amoroso do passado, aos guardiões apontando para a esperança de sobrevivência do velho com o novo e ao senhor José por terminar minha história.

O final não é feliz, mas é verdade tudo que ele me diz. Até outro dia, Seu José!

 

Recife, 14 de novembro de 2016.

 

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Elba Lins

elbalins@gmail.com

 

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A partir da leitura do volume “Viajantes Contemporâneos” da Pinacoteca de São Paulo, surgiu a intenção de sentir Cartagena a partir do meu “olhar estrangeiro”.

Me imaginei chegando à cidade sem nada conhecer de sua história – via de regra, é o que acontece, chego ao destino sem nenhum preparo adicional ao que porventura já exista em mim. Vou sem muitas informações e  até juro fazer diferente na próxima oportunidade.

Desta vez, o desconhecimento, me proporcionaria uma maior legitimidade para fotografar ou descrever o sentimento advindo de olhar a cidade pela primeira vez.

Tal não foi minha surpresa quando ao sentar na poltrona do avião encontrar no bolsão à minha frente a revista de bordo com o artigo Cartagena: As Cores de Cartagena da Índia. A capa da revista me abraçava a partir da parede azul celeste misturada com verde piscina, se descascando para mostrar-me uma cor terra, original. E a pequena sacada pintada em cor lilás com muitas flores por trás das grades de madeira, me trazia o primeiro abraço, o acolhimento típico das cidades cujas vidas se traduzem através das cores.

Ao terminar de ler o texto no qual Cartagena se apresentou para mim nas suas cores e sabores, levanto o olhar já não tão estrangeiro e na tela à minha frente vejo o movimento da cidade que me convida a sentir o sabor dos seus frutos, dos seus sorvetes gelados bem conhecidos por todos que a visitam. Seus peixes, crustáceos, passeios em mercados me convidam a sentir seus sabores, a respirar as fragrâncias do seu povo, das suas flores e frutos e sentir as cores de Frida Kallo saírem do México para me receberem em Cartagena ao som da Rumba.

Referências:

* Viajantes Contemporâneos” da Pinacoteca de São Paulo.

* As Cores de Cartagena da Índia – Revista de bordo da LATAM, Novembro, 2016.

 

 

(Encontro com Cartagena – 25.11.2016

Para o GEEC – Grupo de Estudo em Escrita Criativa.

Escrito durante o vôo Recife-São Paulo que dali me levaria a Bogotá e posteriormente a Cartagena o objetivo principal da viagem.)

 

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(Lua do espetáculo “As joaninhas não mentem”)

 

Ontem dormi sozinha

A maior lua do século

Me deixou esperando

Sentada à beira-mar

E se escondeu por entre nuvens

 

E enquanto eu

Sentia nas pernas

As carícias do mar

Que na verdade não eram para mim

Tu lua

Te deitavas com estrelas…

Sim, com todas as estrelas.

 

Era isso que eu conseguia ver

Cada vez que o vento

Soprava e abria

As cortinas de nuvens,

Espessas,

Que guardavam, tua intimidade…

 

Mas hoje é um novo dia

E talvez te lembres de mim

Talvez te lembres do mar

Talvez hoje

Não nos deixes a esperar.

 

………………

 

 

(DE LUA E DE MAR – 17.12.2016

Para o Grupo de Escrita Criativa – G.E.E.C.)

 

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(Foto: Elba Lins)

Acordei e me vi sozinho, ou melhor, acompanhado do irmão, que quase siamês esteve comigo todos os dias da existência. Mas onde andaria aquele, com quem até o momento, caminháramos juntos?

A eternidade foi se tecendo, o tempo refazendo a realidade, e nosso aspecto se alterando. O lodo se alojou na nossa carne, na nossa pele; agora somos abrigo, refúgio de passarinhos que chegam e parecem fazer parte da nossa história. Durante todo o tempo esperamos em vão pelo retorno do nosso companheiro.

Algumas vezes, pensamos que O Esperado seria Manoel de Barros já que numa alegoria ao mestre estamos possuídos de lodo, algas, pássaros e plantas. Outros dias na nossa pele se desenharam os traços de Magritte. Também lembrei Van Gogh e me pergunto porque não me levou no seu caminho, para trilhar com ele sua loucura e solidão?

Assim me vi transformado em barro, e me questiono se o mesmo aconteceu ao Esperado.

Junto a mim, só chegam os pássaros que me fazem companhia e deixam em mim sementes de vida que brota no barro e me faz esquecer de tudo; esquecer até de ansiar pelo retorno de quem possívelmente já se fez barro.

 

(O Esperado –

Elba Lins 16.11.2016

Para o GEEC – Grupo de Estudo em Escrita Criativa.

A partir de uma experiência real criar o universo ficcional.

Lembrando a foto tirada na Casa Cor, Van Gogh, Magritte e Manoel de Barros)

 

 

É hoje! : Teatro Intinerante | Marcondes Mesqueu*

Marcondes

 

Felicidades

Marcondes Mesqueu

(021) 964523908 ( ID 24*16314 )

(21) 965216662 – TIM / 995265106 – VIVO / 986338884 – OI / 968504072 – CLARO   

Saiba mais:

www.teatroitinerante.blogspot.com e teatroitinerante.rua1@gmail.com

                          Te aguardo no Facebook                            

https://www.facebook.com/MARCONDESTEATRO Marcondes Mesqueu

4º Congresso de Literatura de Pernambuco – 4º CLIF – PE

Cartaz 4º CLIF-PE

 

4º CONGRESSO DE LITERATURA FANTÁSTICA DE PERNAMBUCO (4º CLIF-PE)

TEMA: HISTÓRIAS DE FANTASMAS

Belvidera – Núcleo de Estudos Oitocentistas

Departamento de Letras/UFPE

(03 a 05 de dezembro de 2014)

 

PROGRAMAÇÃO

 

 

QUARTA-FEIRA (03 de dezembro)

 

8:00-9:00 (Hall do Centro de Artes – CAC/UFPE)

Credenciamento dos participantes

(Para a inscrição: doação de brinquedos e/ou 1kg de alimento não perecível)

 

Auditório do Centro de Educação (CE/UFPE)

9:30-11:30

Mediação: Anco Márcio Vieira (Prof. Dr. – Letras/UFPE)

Palestras de abertura:

A FENOMENOLOGIA DAS APARIÇÕES

Valter da Rosa Borges (Escritor e fundador, em 1973, do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas)

TAXONOMIA ESPECTRAL

Braulio Tavares (Escritor – PB/RJ)

11:30: Lançamento do livro “Sete monstros brasileiros”, de B. Tavares

(Ed. Casa da Palavra, RJ)

 

13:00-14:00

Minicurso: FANTASMAS NA ELEGIA ROMANA DE PROPÉRCIO

Everton Natividade (Prof. Ms. – Letras/UFPE)

 

14:00-16:30

Mesa-redonda: FANTASMAS NA LITERATURA AFRICANA

Mediação: Alberon Lopes (Graduando em Letras/UFPE)

“Sobre o realismo maravilhoso, o sagrado e o fantástico em O nosso reino, de Walter Hugo Mãe”

Rafaella Teotônio (Doutoranda em Letras/UFPE)

“A dança transcultural dos espíritos na escrita afrodescendente das Américas”

Roland Walter (Prof. Dr. – Letras/UFPE)

“Entre Xipocos e Xicuembos: Kazumbis que se propagam”

Silvania Núbia Chagas (Prof.ª Dr.ª – Letras/UPE Garanhuns)

“Fauna, flora e fantasmas de Mia Couto”

Kleyton Pereira (Doutorando em Letras/UFPE)

 

17:00-19:30

Mesa-redonda: FANTASMAS NO TEATRO

Mediação: Cecília Ferreira (Graduanda em Letras/UFPE)

“Bruxas, fantasmas e consciência em Macbeth, de William Shakespeare”

Sylvia Beatriz Iwami (Mestranda em Letras/UFAM)

“Padres voadores e trasgos leprosos: imaginação romântica no drama históricoBartholomeu de Gusmão, de Agrário de Menezes”

Jéssica Cristina Jardim (Mestranda em Letras/UFPE)

“As relações subjetivas do mal em The Countess Cathleen, de W.B. Yeats”

Bruno Rafael Vieira (Mestrando em Letras/UFPB)

“Os fantasmas de Shakespeare”

Darío Gómez Sánchez (Prof. Dr. – Letras/ UFPE)

 

19:40-21:40

Sessão de comunicações 01: INTERSEMIOSES FANTASMÁTICAS

Mediação: Lucas Dantas (Graduando em Letras/UFPE)

A lenda do cavaleiro sem cabeça: uma (re)leitura fantasmagórica na adaptação da novela ao filme”

Renato Oliveira (Graduado em Letras/UEPB)

“O horror antigo de Lovecraft traduzido em jogos de tabuleiro modernos na análise doEldritch Horror

Haroudo Xavier Filho (Graduando em Letras/UFPE)

O fantasma de Canterville, de Oscar Wilde e A Aparição, de Gustave Moreau: uma aproximação fantástica e comparativista”

Patrícia Gonçalves Tenório (Mestranda em Letras/UFPE)

“Do conto a HQ: a paródia do gótico de O fantasma de Canterville, de Oscar Wilde”

Auricélio Soares Fernandes (Mestre em Letras/UFPB)

“Clarice Lispector e a morte: a representação do além na literatura e no cinema”

Anderson Paes Barreto (Mestrando em Comunicação/UFPE)

 

 

QUINTA-FEIRA (04 de dezembro)

 

Miniauditório 01 – CAC/UFPE

8:30-10:30

Sessão de comunicações 02: FANTASMAS E MONSTROS ONTEM E HOJE

Mediação: Cecília Ferreira (Graduanda em Letras/UFPE)

“O fantástico em El espectro, de Horacio Quiroga”

Mércia Paulino (Graduanda em Letras/UFPE)

“A ironia e o macabro em Machado de Assis: a construção do humor e do horror emUm esqueleto

Julio Ferreira Neto (Graduando em Letras/UFPE)

O fantasma dos Guirs: literatura fantástica promovendo a reflexão”

Gustavo de Matos (Graduando em Letras/UnP)

“Criatura e criador em uma relação monstruosa: em busca do verdadeiro monstro emFrankenstein de Mary Shelley”

Janile Soares (Mestranda em Letras/UFPB)

“Construção da entidade fantasmática no conto Sombras costuma vestir, de José Bianco”

Raísa Feitosa (Graduanda em Letras/UFPE)

 

Miniauditório 02 – CAC/UFPE

8:30-11:00

Sessão de comunicações 03: IDENTIDADE FANTÁSTICA

Mediação: Tony Pradines (Graduando em Letras/UFPE)

“Pecados, crimes e monstruosidades em The picture of Dorian Gray

Francisco César Lins (Graduado em Letras/UEPB)

“Realismo maravilhoso e identidade nacional moçambicana”

Jéssica Barkokebas (Graduanda em Letras/UFPE)

“Contos de fadas e outros assombramentos no imaginário infantil”

Claudia Ramos (Graduada em Letras/UFAM)

“As narrativas fantásticas nas aulas de leitura e produção textual”

Manuela Christina Silva (Graduada em Letras/UFRPE)

“A fantasmagoria e a aparição de um ‘purgatório’ itinerante terreno no início do século XII: a imagem do Bando de Hellequin na Historia Ecclesiastica, de Orderic Vital”

Letícia Santos (Graduanda em Letras/UFPE)

“Os zumbis: fantasmas contemporâneos”

Manuella Mirna (Graduanda em Letras/UFPE)

 

Miniauditório 01 – CAC/UFPE

10:40-12:00

Sessão de comunicações 04: FANTASMAS E HUMOR

Mediação: Cecília Ferreira (Graduanda em Letras/UFPE)

“Do terror ao humor: desvendando a perna cabeluda, uma nova-velha versão”

Arlan Santos (Graduado em Letras – FAEF-MA)

“O cientificismo paranormal e o humor no filme Os caça-fantasmas

Bruno Rocha (Doutorando em Letras/UFPE)

 

Miniauditório 02 – CAC/UFPE

11:15-12:30

Sessão de comunicações 05: DUPLOS E IMORTAIS

Mediação: Tony Pradines (Graduando em Letras/UFPE)

“Entre o tradicional e o moderno: análise dos elementos fantásticos no conto O imortal, de Jorge Luís Borges

Vanessa Oliveira (Graduanda em Letras/UFPI)

“A presença do insólito em O espelho, de Gastão Cruls”

Mércia Queiroz (Graduanda em Letras/UFPE)

“Reencarnação, um ensaio sobre a contiguidade da experiência em A segunda vida, de Machado de Assis”

Julia Troncoso (Graduanda em Letras/UFPE)

 

Auditório do Centro de Artes – CAC/UFPE

 

13:00-14:00

Minicurso: FANTASMAS NA ELEGIA ROMANA DE PROPÉRCIO

Everton Natividade (Prof. Ms. – Letras/UFPE)

 

14:10-17:00

Mesa-redonda: FANTASMAS NA LITERATURA BRASILEIRA

Mediação: Alberon Lopes (Graduando em Letras/UFPE)

“Quem é morto também aparece: O pirotécnico Zacarias e o Defunto inaugural: duas histórias de fantasmas na literatura brasileira”

Ronaldo Luna (Mestre em Letras/UFPE)

“A vida que assombra: uma leitura de Machado de Assis”

Bianca Campello (Doutoranda em Letras/UFPE)

Pirotécnico Zacarias, o fantasma rubiano: pervivências de topoi góticos no discurso fantástico contemporâneo”

Flavio García (Prof. Dr. – Letras/UERJ)

 

17:15-19:30

Mesa-redonda: OS FANTASMAS NA HISTÓRIA E NA LITERATURA

Mediação: Letícia Santos (Graduanda em Letras/UFPE)

Rest in peace: os funerais e suas funções preventiva e antidotal contra a aparição de fantasmas”

Alynne Cavalcante (Especialista em História/FAINTVISA)

“Vagantes de olhos azuis e mãos frias: os fantasmas nas Crônicas de gelo e fogo

Luciana de Campos (Doutoranda em Letras/UFPB)

“Fantasmas nórdicos: a figura do Draugr, das sagas islandesas ao folclore moderno”

Johnni Langer (Prof. Dr. – História/UFPB/UFPR)

“Visões e aparições: a presença do sobrenatural no romance histórico O último cabalista de Lisboa, de Richard Zimler”

Fernando Oliveira (Doutorando em Letras – UFPE)

 

19:40-22:00

Mesa-redonda: FANTASMAS HISPÂNICOS

Mediação: Juan Pablo Martin (Prof. Dr. – Letras/UFPE)

El arroyo de la Llorona ou uma lenda à serviço da liberação feminina”

Karine Rocha (Prof.ª Dr.ª – Letras/UFPE)

“Espectros da geografia colonial”

Alfredo Cordiviola (Prof. Dr. – Letras/UFPE)

El estudiante de Salamanca: o herói fantasmal do romantismo espanhol”

Juan Pablo Martin (Prof. Dr. – Letras/UFPE)

 

 

SEXTA-FEIRA (05 de dezembro)

 

Miniauditório 01 – CAC/UFPE

8:15-9:40

Sessão de comunicações 06: OUTRAS VISAGENS 01

Mediação: Letícia Santos (Graduanda em Letras/UFPE)

“Os demônios de Margarida La Rocque, de Dinah Silveira de Queiroz”

Sideny Paula (Mestranda em Letras/UFAM)

“Fantasmagoria queer: sexualidades assombradas – gênero e terror em Villa Diodati e Elm Street”

Diego Paleólogo (Doutorando em Comunicação/UFRJ)

Amada: uma história de fantasmas”

Fernanda Sylvestre (Prof.ª Dr.ª – Letras/UFU-MG)

 

Miniauditório 02 – CAC/UFPE

8:15-9:50

Sessão de comunicações 07: OUTRAS VISAGENS 02

Mediação: André de Sena (Prof. Dr. – Letras/UFPE)

“A metafísica onírica na poesia de Charles Baudelaire”

Rildo de Deus (Graduado em Filosofia/UFPE)

“O real e o diegético a partir de Os fantasmas do tsunami, de Richard Parry”

Syonara Azevedo & Gleidson Nascimento (Graduandos em Letras/UFPE)

“O quarto 1408”

André de Sena (Prof. Dr. – Letras/UFPE)

“Da proa à popa: a representação da lenda do Holandês Voador em produções audiovisuais”

Nathalie Alves (Graduanda em Letras/UFPE)

 

Auditório do Centro de Educação (CE/UFPE)

 

10:00-12:00

CONFERÊNCIA: VAQUEIRO: OFÍCIO E ENCANTAÇÃO

Frederico Pernambucano de Mello (Escritor)

Mediação: José Rodrigues de Paiva (Prof. Dr. – Letras/UFPE)

 

13:00-14:00

Minicurso: FANTASMAS NA ELEGIA ROMANA DE PROPÉRCIO

Everton Natividade (Prof. Ms. – Letras/UFPE)

 

14:10-16:30

Mesa-redonda: FANTASMAS PERNAMBUCANOS

Mediação: Alberon Lopes (Graduando em Letras/UFPE)

“História de pontes: as madrugadas recifenses e seus espaços assombrados”

Milena Wanderley (Mestranda em Letras/UFMS)

“A emparedada da rua Nova e a emancipação feminina na cidade do Recife: o terror como forma de purificação”

Tereza de Albuquerque (Mestre em História Social/UFRPE)

“O insólito lúdico no palco hermiliano: o episódio do homem bissexto”

Rodrigo Santos (Graduando em Letras/UFPE)

“Ulysses Sampaio: uma escrita de estranhas sombras”

Fabio Andrade (Prof. Dr. – Letras/UFPE)

 

Auditório do Centro de Artes – CAC/UFPE

 

17:00-20:00

Mesa-redonda: CINEMA DE HORROR

Mediação: Roberto Beltrão (Jornalista e escritor/PE)

Exibição da mensagem do escritor R. F. Lucchetti ao público do 4º CLIF-PE

“Mais sombras que luzes: reminiscências românticas no cinema da república de Weimar”

Fabiano Santos (Prof. Dr. – Letras/UNESP)

“Da lanterna mágica ao fantascópio: por uma sociocrítica do fantástico”

Fabio Lucas Pierini (Prof. Dr. – Letras/USP-UEM)

“Falsos documentários de horror e a estilística do documentário”

Rodrigo Carreiro (Prof. Dr. – Jornalismo/UFPE)

“Dois caminhos para pensar o inquietante no cinema”
Marcelo Costa (Doutorando em Cinema/UFPE)

“Horror no audiovisual brasileiro contemporâneo: três caminhos”

Daniel Bandeira (Cineasta/PE)


20:00-22:00

MOSTRA DE CURTAS-METRAGENS

Organização: Cineclube Toca o Terror (Recife/PE)

Curtas-metragens selecionados:

– A Menina da Boneca (Dir. André Pinto) – 8 min.

– Sob a Pele (Dir. Daniel Bandeira) – 20 min.

– Encosto (Dir. Joel Caetano) – 7 min.

– Sexta-Feira da Paixão (Dir. Ivo Costa) – 15 min.

– O Fantasma da XV (Dir. Cleiner Micceno) – 4 min.

– Landau 66 (Dir. Fernando Sanchez) – 11 min.

– Caveirão (Dir. Guilherme Marcondes) – 11 min.

 

 

ENCERRAMENTO: Noite com fantasmas

(espetáculo com o ator Paulo André Viana)

 

Alguns lançamentos de livros 4º CLIF-PE (no stand do evento, de 03 a 05/12):

 

-Alfredo Cordiviola: “Espectros da geografia colonial” (Ed. UFPE, PE).

– André de Sena: “Lunátipos: contos e fragmentos” (Ed. Bagaço, PE).

– Balaio & Beltrão: “Histórias em quadrinhos do Recife assombrado” (Ed. Bagaço, PE).

– Braulio Tavares: “Sete monstros brasileiros” (Ed. Casa da Palavra, RJ).

– Fábio Andrade: “O fauno nos trópicos: panorama da poesia decadente em Pernambuco” (Ed. CEPE/PE); “Dois contos de Ulysses Sampaio”.

– Flavio García: “(Re)Visões do Fantástico: do centro às margens; caminhos cruzados” (Ed. UERJ, RJ); entre outras obras dos palestrantes do evento.

Índex* – Outubro, 2014

Desaprendi

A contar estórias

Feito se

Desaprende

Cantigas de ninar

 

Basta somente

Deitar na cama

A criança

Que um dia eu fui

Alisar os seus cabelos

E dizer que

O lobo mau

Está longe

Longe

 

E nada

E ninguém

Vai atrapalhar

A nuvem roçar

A lua cheia

Que se esconde

Em seu ouvido

 (“Carochinha ao contrário ou A desaprendiz de estórias”, Patricia Tenório, 10/10/14, 20h00)

 

A criança que habita em nós e nos salva no Índex de Outubro do blog de Patricia Tenório.

“Reverência” em “Grãos” | Patricia Tenório (PE – Brasil).

VII ENCONTRO DE LITERATURA INFANTOJUVENIL E II ENCONTRO INTERNACIONAL DE LITERATURA INFANTOJUVENIL DA UNICAP | Coord. Prof. Robson Teles (PE – Brasil).

Poema do Dia | Alcides Buss (SC – Brasil).

“Uma garça no asfalto” | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

“Documentando novos espaços: os vídeos caseiros de Derek Jarman” | Adriana Pinto Azevedo (RJ – Brasil).

“Os rebeldes: Geração Beat e anarquismo místico” | Claudio Willer (SP – Brasil).

E as novidades do Suplemento Cultural de Santa Catarina (84) [ô catarina] (SC – Brasil): www.fcc.sc.gob.br/ocatarina

Agradeço o carinho e contribuição de todos e todas, a próxima postagem será em 30 de Novembro de 2014, um abraço bem grande e até lá,

Patricia Tenório.

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Index* – October, 2014

I’ve unlearned

To storyteling

As if

We unlearn

Singing lullabies

 

Just only

Lying in bed

The child

One day I went

Smoothing her hair

And to say

The Bad Wolf

Is far

Far away

 

And nothing

And no one

Will muddle

The cloud brush

The full moon

Hidding itself

In her ear

 (“The Counter Fairies on the contrary or The unlearning storyteller”, Patricia Tenório, 10/10/14, 8 pm)

 

The child that dwells in us and saves us in the Index of October in the blog of Patricia Tenório.

“Reverence” in “Grains” | Patricia Tenório (PE – Brasil).

VIIth MEETING OF LITERATURE FOR CHILDWOOD AND YOUTH AND IInd INTERNATIONAL MEETING OF LITERATURE FOR CHILDWOOD AND YOUTH OF UNICAP | Coord. Prof. Robson Teles (PE – Brasil).

Poem of the Day | Alcides Buss (SC – Brasil).

“A heron on the asfalt” | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

“Documenting new spaces: the home videos of Derek Jarman” | Adriana Pinto Azevedo (RJ – Brasil).

“The rebels: Beat Generation and mystical anarchism” | Claudio Willer (SP – Brasil).

And the news of the Cultural Supplement of Santa Catarina (84) [ô catarina] (SC – Brasil): www.fcc.sc.gob.br/ocatarina

I appreciate the kindness and contribution of each and all, the next post will be on 30th November, 2014, a big hug and see you there,

Patricia Tenório.

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* Índex foi traduzido apenas para o inglês por uma questão de extensão do post. Este mês, por causa do 2º turno das eleições (26 de Outubro de 2014), antecipamos o envio da Newsletter.

* Index was translated into English only as a matter of the extension of the post. This month, because of the 2nd turn of the elections (26th October, 2014), we anticipate the sent of the Newsletter.

**Oh! Porto Alegre! 

VII ENCONTRO DE LITERATURA INFANTOJUVENIL E II ENCONTRO INTERNACIONAL DE LITERATURA INFANTOJUVENIL DA UNICAP | Coord. Prof. Robson Teles

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PROGRAMAÇÃO

Dia 29/10

18h30 às 21h30

Auditório G1 – Bloco G, 1º andar

 

AberturaPe. Pedro Rubens (Reitor da UNICAP)

Prof. Degislando Nóbrega (Diretor do CTCH/UNICAP)

Profª Flávia Silveira (Coordenadora do Curso de Letras/UNICAP)

 

ConferênciaUM OLHAR POÉTICO SOBRE AS POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O PICADEIRO – Williams Santana(Ator/Encenador/Palhaço/Historiador/ Especialista em Gestão Cultural/Mestrando em Cultura e Sociedade pela UFBA/Presidente do Centro CARCARÁ/Professor do Curso de Especialização em Gestão Cultural da UFBA/Gestor do Teatro Luiz Mendonça do Parque Dona Lindu)

 

MESA 1 – LITERATURA E CIRCO: INTERDISCURSOS

 

Fátima Pontes (Diretora da Escola Pernambucana de Circo)

Liliane Jamir (Doutora em Literatura e Cultura/Professora da FAFIRE)

 

Luciano Pontes (Escritor/Ator/Palhaço/Contador de Histórias da Cia Meias Palavras) – DAS BOBICES E DAS COISAS SÉRIAS NA LITERATURA PARA A INFÂNCIA

 

Coordenação: Prof. Robson Teles

Dia 30/10

17h às 18h30

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES – Sala 405, Bloco B, 1° andar

 

19h às 21h30

Auditório G1 – Bloco G, 1º andar

 

 

MESA 2: INTERFACES

 

Patricia Tenório (Escritora/Mestranda em Teoria Literária/UFPE) – “A CRIANÇA E A MARIONETE”, DE HENRI ROUSSEAU E “O ANIVERSÁRIO DA INFANTA”, DE OSCAR WILDE: UMA TEORIA DA FICÇÃO

 

Camila Herculano (Graduanda em Psicologia pela FG) – A INFLUÊNCIA DO CIRCO NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA

 

Giulia Cooper (Atriz/Artista Circense/Fundadora da Caravana Tapioca/Graduanda em Filosofia-UNICAP) – FORMAS DE COMICIDADE: O RISO NO CIRCO E NA LITERATURA A PARTIR DE BERGSON

 

Maria do Carmo de Siqueira Nino (Professora da UFPE/Doutora em Artes Plásticas e Ciência das Artes/Artista Plástica) – CINEMA E CIRCO: UMA CINEMATOGROFIA

 

Coordenação: Profª Haidée Fonseca

 

Dia 31/10

19h às 21h30

Auditório G1 – Bloco G, 1º andar

 

Ivonete Melo (Atriz/Presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos de Pernambuco-SATED) – PROFISSÃO CIRCENSE E SUAS DEMANDAS

 

Carmen Teresa Navas Reyes (Cônsul Geral da República Bolivariana da Venezuela em Recife) – INTERCÂMBIO CULTURAL

 

Palestra 1: PANORAMA DO CIRCO NA VENEZUELA – Niky García (Diretor da Fundação do Circo Nacional de Venezuela/Ator/Artista Circense/Especialista Cultural)

 

Palestra 2: PANORAMA DO CIRCO NO BRASIL – Zezo Oliveira (Artista/Diretor de Artes em Circo/Ex-Diretor da Escola Nacional de Circo do Brasil/Assistente em Artes Circenses da SECULTE-PE/Mestre em Educação pela UNIRIO)

 

Encerramento: Performance com Niky García

Revisitando Patricia Tenório* – Setembro, 2013

Nesta edição, revisitamos as quatro línguas de As joaninhas não mentem, em Março de 2011.

Link permanente:  http://www.patriciatenorio.com.br/?p=1300

 

As joaninhas não mentem – Quatro línguas

 

 

19.março - joaninhas 047-1 pequeno

Ensaio de As joaninhas não mentem

Texto: Patricia Tenório

Direção: Jorge Féo

Com:  Ísis Agra, Thiago França, Maria Luísa Sá, Jay Melo, Elilson Duarte e Romero Brito

 

 

Em homenagem ao Dia do Teatro – 27/03/11

 

O Mundo

As joaninhas não mentem, Patricia Tenório 

Editora Calibán, 2006

 

O primeiro passo, o mais difícil. Sempre diziam, e escutou. Assim deveria ser? Até agora acreditava que assim deveria ser. Seguir o que já fora trilhado por outros, caminhos desbravados?

Diferente, agora. Os passos pareciam mais macios, a terra mais fofa. A luz mais luz, o verde mais verde. O verde das árvores cegava, profundamente cegava Ariana. E ela não se perturbando.

Sensação estranha de não se perturbar. Sentimento alheio esse de seguir caminho, independente de onde se chegará. Acostumada em saber se chegaria, o destino outrora traçado, apenas executando ordens de Ama Lúcia. 

(…)

A noite caindo nas mãos de Ariana feito presente. Não sabendo o que fazer com ela. Voltar? E a insistência? Ou enfrentar os fantasmas sobre os quais a Imperatriz falou? Será que a Imperatriz já os enfrentou? Ou era conversa jogada fora, tal vontade que a puxava para trás, um convite delicioso a desistências. Tão mais e mais fácil.

Que deixe o Príncipe Átila. Não dorme há centena de anos? Não estou pronta. Preciso voltar, falar para a Imperatriz, me enganei, tanto e tanto e tanto. O cavalo Branco não parava de embrenhá-los cada vez mais na estrada dos Fantasmas Ocultos, para longe deixavam o caminho do retorno, da segurança, do tempo.

Cruel Tempo. Seu Tempo, não esperas, não sabes esperar? Ainda sou uma menina. Não sou mulher como pensas. Pedes mais do que posso te dar. O vento assobiando no elmo, parecia trazer murmúrios, segredos que o Tempo enviava? Serão do Tempo esses murmúrios? Ou os ouço do meu âmago, meu ser mais que ser? Minha voz ou a dele?

Porque o Tempo é um brincalhão. Travesso feito o Sol ou sábio feito a Lua? A Lua que tanto espera, e roda ao redor de si, e marca datas, quando crescer, diminuir, ou me sentir plena, ou mesmo vazia. Ela sabe do Tempo, controla, levanta marés, dá luz às crianças perdidas, enlouquece viúvos e une casais.

(…)

Il Mondo

Le coccinelle non mentono, Patricia Tenório

Casa Editrice Calibán, 2006

Trad.: Angelo Manitta

 

 

Il primo passo, il più difficile. Parlavano sempre, e lei ascoltava. Avrebbe dovuto essere così? Fino a quel momento credeva che così avrebbe dovuto essere. Doveva seguire ciò che era già stato calcato da altri, strade esplorate?

Le cose ora stavano diversamente. I passi sembravano più delicati, la terra più soffice. La luce più luce, il verde più verde. Il verde degli alberi accecava, accecava profondamente Arianna. E lei non si infastidiva.

Strana sensazione quella di non infastidirsi. Sentimento bizzarro quello di proseguire, indipendentemente da dove sarà giunta. Abituata a sapere che sarebbe arrivata, il destino in precedenza tracciato, eseguiva solo gli ordini di Ama Lucia.

(…)

La notte che cadeva nelle mani di Arianna un fatto presente. Non sapendo cosa fare con essa. Ritornare? E l’insistenza? O affrontare i fantasmi dei quali l’Imperatrice aveva parlato? Sarà che l’Imperatrice già li aveva affrontati? O era conversazione proveniente dall’esterno, come volontà che la  tirava indietro, un invito allettante a desistere. Tanto molto più facile.

Che lasci il Principe Attila. Non dorme da almeno cento anni? Io non sono pronta. Io devo ritornare, parlare all’Imperatrice,  io mi sono sbagliata, molto e molto e molto. Il cavallo Bianco non finiva di farli penetrare ogni volta di più nella strada dei Fantasmi Occulti, lontano lasciavano la strada del ritorno, della sicurezza, del tempo.

Tempo crudele. Il suo Tempo, non aspetti, non sai aspettare? Io sono ancora una ragazza. Non sono donna come pensi. Chiedi più di ciò che posso darti. Il vento fischiando nell’elmo, sembrava produrre mormorii, secreti che il Tempo spediva? Saranno del Tempo questi mormorii? O li sento dentro di me, il mio essere più che essere? La mia voce o quella sua?

Perché il Tempo è un burlone. Irrequieto fatto il Sole o saggia fatta la Luna? La Luna che tanto aspetta, e ruota intorno a sé, e segna date, quando cresce, decresce, o sentirmi piena, o anche vuota. Lei conosce il Tempo, controlla, alza maree, dà luce ai bambini perduti, fa impazzire i vedovi e unisce coppie.

(…)

Le Monde

Le coccinelles ne mentent pas, Patricia Tenório

Maison d´Edition Calibán, 2006

Trad.: Patricia Tenório & Isabelle Macor-Filarska***

 

Le premier pas est le plus difficile. On parlait toujours et elle écoutait. Devait-il en être ainsi? Jusqu’à présent elle croyait qu’il devait en être ainsi. Suivre ce qui avait été tracé par les autres, les chemins défrichés?

C’était différent maintenant. Les pas paraissaient plus doux, la terre plus douillette. La lumière plus lumineuse, le vert plus vert. Le vert des arbres l´aveuglait, il aveuglait profondément Ariana. Mais elle ne se troublait pas.

Sensation bizarre de ne pas se troubler. Sentiment de n´être pas elle-même mais une autre personne, de suivre un chemin, peu importe où il mène. Elle savait depuis toujours qu’elle arriverait, le destin ayant déjà été tracé, elle ne faisait qu’exécuter les ordres de la Servante Lúcia.

(…)

La nuit tombait sur les mains d´Ariana comme un cadeau. Elle ne savait pas ce qu´elle ferait de la nuit. Retourner sur ses pas?  Persister ? Ou bien devrait-elle affronter les fantômes dont l´Impératrice avait parlé ? Serait-ce que l´Impératrice les avait affrontés ? Ou bien avait-elle parlé pour parler, mimant la volonté qui la tirait en arrière telle une délicieuse invitation au désistement. Beaucoup plus facile.

Laissons le Prince Átila. Ne dort-il que depuis une centaine d´années ? Je ne suis pas prête. Je dois m’en retourner, je dois parler avec l´Impératrice, lui dire que je me suis trompée immensément. Le cheval Blanc continuait de pénétrer de plus en plus profond sur la route des Fantômes Cachés, Ariana et le cheval Blanc laissaient loin derrière eux le chemin du retour, de la certitude, du temps.

Cruel, le temps. Monsieur le Temps, tu n´attends pas, ne sais-tu pas attendre? Je suis encore une petite fille. Je ne suis pas une femme comme tu le penses. Tu demandes plus que je ne peux te donner. Le vent sifflait sur le casque, il semblait amener des murmures, des secrets que le Temps envoyait. Venaient-ils du temps, ces murmures? Ou bien les entendais-je au tréfonds de moi-même, de mon être le plus intime ? Etait-ce ma voix ou la sienne?

Car le Temps est malin. Astucieux comme le Soleil ou savant comme la Lune? La Lune qui attend beaucoup, et roule autour d’elle-même, et signale des dates, quand je dois croître, diminuer, ou me sentir pleine, ou même vide. Elle sait le temps, elle le contrôle, elle lève des marées, donne la lumière aux enfants perdus, elle rend fous les veufs et réunit les couples.

(…)

_______________________________

* Patricia Tenório é escritora desde 2004. Escreve poesias, romances, contos. Tem sete livros publicados: O major – eterno é o espírito, 2005, biografia romanceada, Menção Honrosa no Prêmios Literários Cidade do Recife (2005); As joaninhas não mentem, 2006, fábula, Melhor Romance Estrangeiro da Accademia Internazionale Il Convivio, Itália (2008); Grãos, 2007, contos, poemas e crônicas, Prêmio Dicéa Ferraz – UBE-RJ (2008); A mulher pela metade, 2009, ficção; Diálogos, contos, e D´Agostinho, poemas, 2010; Como se Ícaro falasse, ficção, Prêmio Vânia Souto Carvalho – APL-PE (2011), lançado em novembro de 2012. Mantém o blog www.patriciatenorio.com.br no qual dialoga com diversos artistas, em diversas linguagens. Atualmente se prepara para o mestrado em Teoria da Literatura, linha de pesquisa Intersemiose, na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE. Contato: patriciatenorio@uol.com.br.

“Ícaro” fala…*

 

“Um herói. Precisa de coragem ou de loucura para ser um herói?”

“Encontra-se o amor ou ele nos encontra?

Quem sabe o amor, misturado com nossos atos e pensamentos, não necessariamente exista, mas respire em nós, se inscreva em nós até surgir uma aparição, um reflexo no espelho que de tanto se parecer com o amor, tudo esclarece, ilumina.

Resplandece.”

“Um aroma se conhece toda a vida?”

 

“Quando a barca vem, não tenho medo. Na barca sou senhor, sou rei. E sei aonde irei chegar.”

 

“É preciso estar aberto ao sonho. É preciso estar desarmado. A barca somente acolhe os esperançosos, os que não perderam a ilusão.

Os exilados.”

 

“Que segredos têm as mãos? Para o que foram feitas? Tocar o intocável, as mãos, trocam sentimentos, sensações. Em cada ponto dos meus dedos revelam-se dores, acordam alegrias. Criam estórias para se crer e guardar na memória, a memória imaginária. Pode-se crer em estórias criadas. Pode-se crer e existir delas, delas se nutrir, sobreviver dias, meses de um mesmo toque, enlarguecendo a alma para outros mares desbravar, outra ilha amanhecer o sonho que se sonhou.”

 

“O amor é feito de prazer. O amor entrega a essência de si para ser guardada na essência do outro. Haveria uma troca de lugar? O que o ser amado sente a mim pertenceria, eu pertencendo ao sentir de quem me ama?”

 

“– Nada se sabe de um destino. Apenas que seja desfiado por ti. Irás desfiando nas escolhas, no certo e no errado, e estava em ti guardado, escolhido, destinado.”

 

“Amor se dá. Amor se recebe. Dei-me a Laura como a um espelho. Quando a amava me tocava, me sentia, me enxergava. O amor revela no outro o que a si pertence, e por tanto querer em Laura o que em mim amava acreditei, me iludi, criei em Laura a mim mesmo, um outro eu iluminado, um outro eu que nem ao menos sei se existiu.”

 

“Os pés tocam o vazio – pode-se o vazio tocar? Pode-se o vazio prever? E amar? E criar? Porque o vazio suprime a cor, a luz, o calor. Nada habita o vazio. E no vazio se nasce, se cresce, se transforma. O vazio permite mudança, não tem passado, não tem futuro: ele é. Ele suporta o próprio peso. Ele aquieta a própria alma. No vazio se esquece a dor.”

 

“Se quisermos estar no alto, tenhamos os pés no chão. Fincando os pés na terra, ela dirá segredos, se ligará em nós e nós seremos profundos, eternos. Serenos.”

 

“E o sentimento pertence a todos nós. Quando o deus Sol nasce, anuncia uma nova era, na qual agimos e mudamos ao bel-prazer. Criamos oportunidades. Não apenas elas nos criam.”

 

“A música expressa o que é belo e não há palavras. A música é o próprio ato, é o toque do vento em minhas penas, o roçar do bico em uma flor.”

 

“Quando escutamos a voz, quando descortina em nossa frente o caminho justo, nada pode nos parar. Fluímos em direção ao nada, voamos ao encontro do todo que se formou em nós, e nos enxergamos plenos.”

 

“O pensamento puro está em toda parte. Ele busca um ser no qual pouse e se manifeste. Ele pousou em Ícaro. E Ícaro é.

Eu nem suponho acompanhar tal pensamento, porque ele gosta de se entranhar em corpo humano. Ele gosta de se pensar. Em corpo humano procura frestas por onde ir ao exterior, um suspiro, tremor de mãos, palavras desconexas de uma boca… É quando melhor se expressa: naquilo que não está. Naquilo que foi por um instante e nem ao menos foi notado. No imperfeito.”

 

“Ícaro, sentes a largura em tuas asas?

Sentes que podes percorrer o mundo com elas e não mais voltar?”

 

… e Patricia Tenório agradece a …

 

 

… Thiago França, Ísis Agra, Malu Sá, Elilson Duarte, Bárbara Ferraz, Jay Melo

Jorge Féo, Nilton Leal, Cleison Ramos

  

 

Clauder Arcanjo, David Leite e Francisco Batista

da Sarau das Letras – RN…

 

 

… todos os meus mestres, em especial neste ano de 2012,

Cecile Tricot e Maria do Carmo Nino

 

 

João Alberto, Luzilá Gonçalves e Tatiana Meira e …

 

httpv://www.youtube.com/watch?v=lmsgPUxLsu4&feature=youtu.be

 

Como se Ícaro falasse**

de Patricia Tenório

Leitura Dramatizada em 21/11/12

pelo Grupo Anjos de Teatro

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* Trechos de Como se Ícaro falasse. Fotos de “Ícaro “fala””: Nilton Leal. Contato: de_nilton@hotmail.com

** Como se Ícaro falasse

Patricia Tenório

Editora Sarau das Letras

Gênero: Ficção

ISBN: 978-85-60650-38-5

136 páginas

R$ 30,00

www.livrariacultura.com.br ou clauderarcanjo@gmail.com

 

Lembrete | “Como se Ícaro falasse”, de Patricia Tenório

Lançamento do livro: Como se Ícaro falasse, de Patricia Tenório. 

Data: 21 de Novembro de 2012                Hora: 19h00

Local: Livraria Cultura   

Endereço: Shopping Paço Alfândega, s/n Recife – PE

Gênero: Ficção

Preço: R$ 30,00

136 páginas

Leitura Dramatizada com o Grupo Anjos de Teatro. Direção: Jorge Féo. Com Thiago França, Ísis Agra, Jay Melo, Malu Sá e Elilson Duarte. Pesquisa musical: Nilton Leal. Luz: Cleison Ramos. Participação especial: Bárbara Ferraz. Entrada gratuita.

A Tarde do Fauno | Hugo Santos*

O objeto de uma representação pode ser qualquer coisa existente, perceptível, apenas imaginável, ou mesmo não suscetível de ser imaginada.

                                   ( LUCIA SANTAELLA )

 

  A obra IMAGEM, de Lucia Santaella e Winfried Noth, nos traz prioritariamente a visão que falta ao iniciante – o processo evolutivo de produção de imagem. Ao longo dos textos, os autores declinam-se sobre explicações de caminhos que levam o leitor ao deleite completo de uma doutrina de composição de imagens, mantendo um foco indivisível, o que torna a leitura, além de instrutiva, necessária ao acadêmico ou pesquisador.

Em seu capítulo 11, é proposta a existência de três paradigmas no processo evolutivo, sendo que todo o processo evolutivo das técnicas e das artes da figuração, aos olhos do teórico Edmond Couchot, divide-se em apenas dois grandes momentos – o da representação e o da simulação. A partir dessa combinação binária, em que a divisão das imagens baseada na oposição entre representação e simulação faz um sentido muito parcial, e haja vista a sua classificação estar mais próxima da classificação proposta por Paul Virilio, Santaella apresenta a classificação logística da imagem, subdividindo-se em eras da lógica formal, da lógica dialética e da lógica paradoxal.

Na tentativa, portanto, de se ilustrar o pensamento teórico apresentado na obra, a seguinte imagem e texto foram escolhidos, tratando-se este último da música “A Prosa Impúrpura do Caicó”, do cantor e compositor Chico César:

 

A prosa impúrpura do Caicó

                                          (Chico César)

Ah! Caicó arcaico
Em meu peito catolaico
Tudo é descrença e fé

Ah! Caicó arcaico
Meu cashcouer mallarmaico
Tudo rejeita e quer

É com, é sem
Milhão e vintém
Todo mundo e ninguém
Pé de xique-xique, pé de flor

Relabucho, velório
Videogame, oratório
High-cult, simplório
Amor sem fim, desamor

Sexo no-iê, Oxente,

oh! Shit, Cego Aderaldo

 olhando pra mim
Moonwalkmam

 

“Meu cashcouer mallarmáico…”

… em sua breve expressão, a profusão de símbolos remete-nos ao poeta hermético que expressava a verdade através da sugestão (imagético), mais do que da narração – uma literatura lúcida e obscura ao mesmo tempo.

A partir disso, na imagem escolhida para a ilustração (L’après-midi d’un faune / A Tarde do Fauno), oriunda do poema de mesmo nome, de Stéphane Mallarmé, datado de 1876, a partir do qual Claude Debussy compôs a sinfonia que foi o marco inicial da música moderna, o ambiente estético nos possibilita “olhar” os seguintes aspectos, inseridos na obra (poema):

– A tentativa do fauno em possuir a ninfa;

– Um só corpo, um só desejo;

– Garras/Galhos do fauno;

– Olhar levemente entristecido e erotizado das ninfas;

– Ingenuidade(?) da ninfa… do fauno(?);

– Ferocidade burlesca;

– Peito virgem;

– Luta da ninfa;

– Luta, morte e definhamento.

L´après-midi d´un faune (1876)

 

Permeando seus argumentos com ponderações argutas, os autores de A Imagem realizam um trabalho inigualável, com uma linha harmoniosa na narrativa do livro, e uma vez que o interesse maior é o de despertar interesse, a imagem torna-se evidência da condição humana geral – não acusa ninguém e acusa todo mundo.

Após apresentar uma distinção entre as composições da imagem, Santaella nos coloca uma citação de Virilio – o paradoxo lógico é o da imagem em tempo real que domina a coisa representada, este tempo que a partir de então se impõe ao espaço real. Esta virtualidade que domina a atualidade, subvertendo a própria noção de realidade.

Num único trecho, uma obra sublimadora, eterna e do mundo.

 

A Tarde do Fauno / Stéphane Mallarmé

Estas ninfas quero eu perpetuar.
Tão puro,
o seu claro rubor, que volteia no duro ar
pesando a sopor.
Foi um sonho o que amei?
Massa de velha noite, essa dúvida,sei,
muito ramo subtil estendendo,
provava
meu engano infeliz, que enganado
tomava
por triunfo,afinal um pecado de rosas.
Reflitamos.
Quem sabe as mulheres que glosas
são configurações de anseios que possuis?
Repara na ilusão que emana dos azuis
e frios olhos,fonte em pranto, da mais
casta
Suspiros, toda, a outra – alegas que contrasta,
como brisa diurna e tépida que passa?
Mas não! Neste desmaio imóvel, lasso – ameaça
a todo matinal frescor de suave fama
se uma fonte murmura, esta flauta a derrama
no vizinho silvedo, irrigando-o de acordes;
nenhum vento aqui faz, senão os sopros concordes desta avena que o som em chuva árida espalha,
e senão no horizonte, em sua calma sem falha,
o sereno bafor da pura inspiração,
visível, regressando ao céu, por ascensão.
Ó plagas sículas e calmas, da lagoa,
que saqueadas tem minha vaidade, à toa,
e tácita- no amor das flores destes páramos­ –DIZEI
“que aqui me achava em busca destes cálamos sonoros
quando além, por entre as brandas linhas
de ouro glauco, a fulgir nas fontes e nas vinhas,
eis ondeia uma alvura. animal em repouso;
mas que logo também, ao lento e langoroso
prelúdio linear da avena de cinabre
vôo, de cisnes não, de náiadas se abre.”

A hora fulva que arde inerte não revela
a astúcia, de intenções de aliciação tão bela.
Sinto-me despertar sob um fervor de antanho,
onda antiga de luz envolvendo-me em banho,
eu, lírio, um dentre vós segundo a ingenuidade!

Mais que o nada tão doce, essa espontaneidade,
beijo, sussurro suave e soma de perfídia,
meu corpo, sem mais prova, atesta ainda, insídia,
uma oculta mordida augusta, de alto dente;
mas, vede, arcano tal tomou por confidente
o gêmeo junco, par que sob o azul se soa;
que recebendo em si o sôpro, logo entoa
e sonha, em solo longo e leve, que a beleza
em derredor está a mudar-se com presteza
dentro na confusão de si mesma e do canto;
e nas modulações altas de amor,entanto
evanescendo esvai-se apaga-se a teoria
clara, de dorsos e de flancos; ó magia
de uma sonora e vã monótona mesmice!

Frauta maligna, órgão de fugas, sem ledice,
vai, fístula, florir no lago e ali me aguarda.
Eu, cheio de rumor altivo, já me
tarda
falar de deusas; por idólatras pinturas,
de suas sombras irei tomar-lhes as cinturas.
Assim, quando ao racimo extraio-lhe a substância /sorvo
e contra a mágoa apuro a minha vigilância,
e rindo soergo no ar o já vazio cacho
e, na pele de luz assoprando, eu me
acho
-ébrio- capaz de então a tarde toda o olhar.

Outras RECORDAÇÕES, vamos, ninfas, lembrar
“Meus olhos entre o junco… além uma
figura
imortal que se banha e a cálida brancura
luminosa do corpo em onda leve imerge.
Sôbre o áureo esplendor dos cabelos converge
um claror e um fremir de fulva
pedraria!
Corro; mas a meus pés, jungidas na agonia
do langor
deste mal de serem dois em um,
vejo duas dormindo, em abraço
comum.
Como estavam tomei e trouxe a esta eminência
desamada da sombra e dela sem frequência;
aqui se esvai ao sol das rosas o perfume;
mas para o nosso embate a força aqui me assume.”

Ó furor virginal, eu te adoro, ó concisa
fúria de corpo nu, fardo nu que desliza
fugindo ao lábio ardente e a refulgir livores
de ampla trepidação da carne em seus pavores!
E isso, da inumana à tímida que vê
já perdida a inocência e dos olhos
revê
uma lágrima louca ou um tanto menos triste.
“Meu crime foi querer, na fôrça que me assiste,
apartar dividir um tufo desgrenhado
de beijos e de amor, dos deuses bem guardado.
Na hora em que esconder eu ia o riso ardente
na feliz maciez de urna, só – e contente
procuro no condor de pluma em que
se agita
o sabor da emoção que vívida palpita
na sua ingênua irmã, pequena, que não cora
eis de meus braços que se esquecem foge fora
tal ingrata cruel, que na impiedade esfria
a estuosa ebriez em que me consumia.”

Foi pena. Irei buscar alhures a
esperança
de em meus chavelhos ver, enastrada, uma trança.
Bem sabes, ó paixão, que rubras mui vermelhas
cada cereja abriu seu murmurar de abelhas.
E o nosso sangue vai, enviado em seu ensejo, percorrendo o pendor eterno do desejo.
Na hora em que de ouro e cinza este
bosque
se pinta logo em festa se exalta a folharia extinta.
Ó Etna, é junto a ti! Vênus vem pelos ares.
Leve na lava pousa ingênuos colcanhares
enquanto sonolento as chamas tens em
calma.
Tenho pois a rainha!
Ó dura pena…
A alma
de palavras vazia e o corpo em letargia
sucumbem afinal ao fero meio-dia.
Cumpre dormir assim, no olvido, de mansinho,
deitado nesta areia.
Ó que delicia ao vinho
a boca oferecer e a seu astro eficaz!
Par, adeus: Quero ver como tua sombra se faz.

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*  Texto enviado e autorizado pelo autor para ser publicado no blog de Patricia Tenório. Contato: hugotsan@hotmail.com

Sobre “Cinema”, de Anderson Aníbal | Patricia Tenório*

25/05/12

 Para Thais e Nilton

    

Entro no Teatro Hermilo Borba Filho. Sento na primeira fila. “Tenho muitos bons motivos para estar nesta platéia”. Me acomodo. Dou a mão a dois amigos que, nervosos como eu, ansiosos como eu, aguardam o espetáculo começar.

Os atores se aquecem à nossa frente. Se jogam em um colchão grosso. Um a um. Retiram o colchão. Se jogam diretamente no piso de madeira. Sem piedade. Sem medo. Se jogam apenas para sentirem a dor.

A dor está presente a cada instante de “Cinema”, de Anderson Aníbal. Ela entra na pele dos atores assim como as lágrimas artificiais que Regina pinga nos olhos dos personagens em criação. Eles nascem diante de nós e conosco. Eles nos convidam “Vamos chorar juntos?”.

Uma das maiores vantagens do cinema é que podemos ir sós, chorar sós, chorar mesmo quando o filme não nos toca de maneira direta, mas nos remete obliquamente àquela ferida que se abre cada vez que ouvimos uma palavra, esporádica talvez, ou vemos uma imagem que se parece conosco.

“REGINA – A gente geralmente acha bonito quando uma coisa fala da gente.” (ANÍBAL, 2010, p. 40)

 A música nos envolve, nos induz como a sequência das imagens a sentir de uma maneira, a vibrar num acorde específico. (Lembro uma cena de “O show de Truman” (WEIR, 1998), quando o diretor do programa, com um gorro de artista, vai pincelando com a música o tom exato da cena, para o efeito justo no espectador.) E ficamos assim, entregues ao que o diretor-autor nos guia, ao que os personagens-atores rememoram em nós.

Sinto mais forte as mãos de meus amigos apertando as minhas, pedindo às minhas o meu calor. Mas como posso dar-lhes calor se ele está lá, no palco, no espaço vazio sendo preenchido pelos personagens e suas histórias?

“JULIANO/ORLANDO – Você precisa acreditar em mim. Acreditar – esta é a ação principal para transformar alguma coisa em realidade. Acreditar no que não vemos. Apenas aceitar o que nos dizem, os nossos sentimentos. Afinal, são os sentimentos que nos fazem dar os primeiros passos.” (ANÍBAL, 2010, pp. 31 e 81)

E passo a passo vamos nos libertando, vamos nos encontrando nas imagens-palavras-músicas de Bernardo, Elisângela, Juliano, Orlando, Regina, Ivan, Ofélia. Nas palavras de “Cinema” que agora carregamos em nós, se transformam em nós e nós nos transformamos.

“BERNARDO – Depois de tudo, vem o mar.” (ANÍBAL, 2010, p. 82)

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* Autora: Patricia Tenório : www.patriciatenorio.com.br e patriciatenorio@uol.com.br.

Referências bibliográficas:

[1] Cinema – A natureza das coisas – Parte III. Anderson Aníbal. Caixa Clara, Belo Horizonte: 2010.

Referências cinematográficas:

[1] O show de Truman. EUA, 1998. 102 minutos. De Peter Weir. Com Jim Carrey, Laura Linney, Natascha McElhone, Ed Harris.