Posts com Cursos

Índex* – Outubro, 2018

Você pode

Nem me ver

Nem me enxergar

Mas o sol 

Brilha mais forte

No céu

Mais azul

Deslizam nuvens

Branquinhas

A me chamar

Você pode

Não me ouvir

Não me escutar

Mas o bem-te-vi

Cantou mais cedo

O som das folhas nas árvores

A brisa a me contar

Que hoje

É dia de sim

Dia de se acordar

Sair para a vida

De peito aberto

Pés descalços 

Abraçar o mar

(“Porque, afinal, o mar existe”, Patricia Gonçalves Tenório, 28/09/2018, 07h37)

 

O infinito mar da Escrita Criativa no Índex de Outubro, 2018 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

“Doze horas”: O mito individual em uma autobioficção | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Uma crônica e um poema de viagem | Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PE/PB – Brasil).

Convite | “Sobre a escrita criativa II” | Diversos.

Amizade de teclado | Mara Narciso (MG – Brasil).

Estudos em Escrita Criativa – Outubro, 2018 | Recife e Porto Alegre | Diversos.

Agradeço a atenção e o carinho, a próxima postagem será em 25 de Novembro, 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – October, 2018

 

You can

Do not see me

Do not even see me

But the sun

Shines stronger

In the sky

Bluer

Slip clouds

Bright white

Call me

You can

Do not listen to me

Do not even listen to me

But the nightingale

Sang early

The sound of the leaves in the trees

The breeze to tell me

That today

It’s a yes day

Day to wake up

Go out to life

Open-breasted

Bare feet

*

Embrace the sea

(“Because, after all, the sea exists”, Patricia Gonçalves Tenório, 09/28/2018, 07h37)

 

The infinite sea of Creative Writing in the Index of October, 2018 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

“Twelve Hours”: The Individual Myth in an Autobiography | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

A Chronicle and a Traveling Poem | Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PE/PB – Brasil).

Invitation | “About Creative Writing II” | Several.

Keyboard Friendship | Mara Narciso (MG – Brasil).

Studies in Creative Writing – October, 2018 | Recife and Porto Alegre | Several.

Thank you for the attention and the affection, the next post will be on November 25, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Esse infinito mar chamado Vida. Fotografia: George Barbosa (PE – Brasil). This infinite sea called Life. Photography: George Barbosa (PE – Brasil).  

 

Índex* – Setembro, 2018**

Não fugir 

Das minhas perdas

Enfrentar 

Os obstáculos 

E mesmo assim

Considerar-me

 

Como vim

À vida

Como voltarei 

Ao mundo

Das palavras

 

E me tornarei

Vestígios de sentido

Que a minha mão

Tomou papel e tinta

E reverberou no universo

(“A partícula de Deus”, Patricia Gonçalves Tenório, 15/09/2018, 05h50)

 

Enfrentar os obstáculos da Escrita Criativa no Índex de Setembro, 2018 do blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Uma escrita coletiva | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“Cadê Miguel?” | Carol Bradley (PE – Brasil).

“A cigarra e a formiga” | Cilene Santos (PE – Brasil).

Ed Arruda em “O Silêncio das palavras” (PE – Brasil).

“Algumas rimas” | José Genecy Monte (RN – Brasil).

“Ipê amarelo” | Raldianny Pereira (PB/PE – Brasil).

Estudos em Escrita Criativa – Setembro, 2018 – Recife e Porto Alegre | Diversos.

Agradeço a atenção e o carinho, a próxima postagem será, excepcionalmente, em 21 de Outubro, 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Index* – September, 2018

 

Do not run away

Of my losses

Face

The obstacles

And yet

Consider myself

Lonely

 

How did I come to

Life

How do i come back

To the world

Of the words

 

And I will become

Powder

Traces of meaning

That my hand

Took paper and ink

And reverberated in the universe

(“The particle of God”, Patricia Gonçalves Tenório, 09/15/2018, 05:50 a.m.)

 

Facing the obstacles of Creative Writing on Index of  September, 2018 of Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

A collective writing | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“Where’s Miguel?” | Carol Bradley (PE – Brasil).

“The cicada and the ant” | Cilene Santos (PE – Brasil).

Ed Arruda in “The Silence of Words” (PE – Brasil).

“Some rhymes” | José Genecy Monte (RN – Brasil).

“Yellow Ipê” | Raldianny Pereira (PB/PE – Brasil).

Studies in Creative Writing – September, 2018 – Recife and Porto Alegre | Several.

Thank you for the attention and the affection, the next post will be, exceptionally, on October 21, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Foto Índex

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Eu, uma partícula de Deus (Sairé, PE – Brasil). I, a particle of God (Sairé, PE – Brasil).

 

Uma escrita coletiva | Patricia Gonçalves Tenório*

Dizem que a Odisséia, um dos textos atávicos da literatura ocidental, foi recolhida de histórias da narrativa oral e inscrita sob a égide de Homero.

Em 2013, estava eu na Universidade Federal de Pernambuco como ouvinte/aluna especial na disciplina A poética do ensaio, sob os cuidados de Prof. Lourival Holanda (PE). Estava me preparando para a seleção do Mestrado em Teoria da Literatura, linha de pesquisa Literatura e Intersemiose, orientada pela Prof. Maria do Carmo Nino (PE). Contava com colegas brilhantes e acolhedores, que, além de teóricos, eram belíssimos poetas, ficcionistas. Entre eles, Ricardo Nonato (BA), Antonio Aílton (MA), Hudson Silva (PI), Cassiana Grigoletto (RS), Fernando Ivo (PE), André Santos (RJ), Vinícius Gomes (PE), Ingrid Rodrigues (PE), Adriano Portela (PE), Cilene Santos (PE), Joanita Baú (PA), Fernando de Mendonça (SP/PE), e tantos outros, compartilhando os ensinamentos de Holanda, e nos provocando. Estimulando a escrita de textos teóricos, mas, principalmente, poético-ficcionais. Nascia na época o Coffee-Break, grupo de Facebook onde criávamos, quase que diariamente, poemas, contos, de maneira individual, mas mergulhados nessa alma coletiva.

Em 2016, me lancei a outras pairagens. Dessa vez como ouvinte/aluna especial no doutorado do Programa de Pós-graduação em Escrita Criativa da PUCRS, ingressando como aluna vínculo em 2017. Sob a batuta do Prof. Luiz Antonio de Assis Brasil (RS) nas suas Oficinas de Criação I – Narrativa, conheci poetas e ficcionistas do Brasil inteiro, mas principalmente do Rio Grande do Sul, tais como Alexandra Lopes da Cunha (DF/RS), Gustavo Melo Czekster (RS), Annie Müller (RS), Luís Roberto Amabile (SP/RS), María Elena Moran (Venezuela/RS), Daniel Gruber (RS), Guilherme Azambuja Castro (RS), Tiago Germano (PB/RS), Débora Ferraz (PE/RS), Júlia Dantas (RS), Andrezza Postay (RS), Camilo Mattar (RS), Fred Linardi (SP/RS), Gisela Rodriguez (RS). E tantos outros, e muitos mais, que também me acolheram e descortinaram esse infinito de possibilidades da Escrita Criativa em Ambiente Acadêmico no país.

Duas cidades. Dois universos tão próximos graças ao amor à literatura, ao desejo extremo do bem escrever. E esses meus dois amores me impulsionaram a tentar uní-los, a realizar em outubro de 2017, em parceria com a XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, na figura de Rogério Robalinho (PE), e com a PUCRS, nas figuras dos Profs. Assis Brasil, Maria Eunice Moreira (RS) e Cláudia Brescancini (RS), o I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco, trazendo autores gaúchos para conhecer, e trocar, e começar a construir juntos com autores pernambucanos esse meu sonho-ponte de uma Pós-graduação em Escrita Criativa no Recife.

Para tentar tornar real aquilo que prefigurei em A menina do olho verde (2016) no capítulo A cidade universitária: “Foram derrubados os muros da cidade. O Muro Alto não existia mais. Plantaram jardins conjuntos, escreveram livros para uns aos outros ler. Era bom aquele começo, com a esperança no coração”.

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* Patricia Gonçalves Tenório (Recife/PE, 1969) escreve prosa e poesia desde 2004. Tem onze livros publicados, com premiações no Brasil e no exterior, entre elas Melhor Romance Estrangeiro por As joaninhas não mentem (em outubro, 2008) e Primo Premio Assoluto por A menina do olho verde (em outubro, 2017), ambos pela Accademia Internazionale Il Convivio, Itália); Prêmio Vânia Souto Carvalho (2012) da Academia Pernambucana de Letras (PE) por Como se Ícaro falasse, e Prêmio Marly Mota (2013) da União Brasileira dos Escritores – RJ pelo conjunto da obra. Mestre em Teoria da Literatura (UFPE) e, a partir de outubro de 2018, doutora em Escrita Criativa (PUCRS). Contatos: patriciatenorio@uol.com.brwww.patriciatenorio.com.br

 

Estudos em Escrita Criativa – Setembro, 2018 | Recife e Porto Alegre

Nos aproximamos dos últimos encontros de 2018 dos Estudos em Escrita Criativa em Recife e Porto Alegre.

E que alegria ver o resultado dessa construção… Textos ficcionais e poéticos de beleza ímpar, inspirados nos teóricos, ficcionistas e artistas da primeira parte dos encontros, nos depoimentos, na terceira parte, dos escritores convidados em parceria com a UBE em Recife, com a PUCRS em Porto Alegre.

Em Setembro, 2018 trabalhamos O sonho. Navegamos pelo inconsciente de Jung, Freud, a ficção de Arthur Schnitzler, Chistopher Nolan, e tantos outros. Recebemos Ana Maria César nas terras pernambucanas. Voamos para nos encontrar com Gisela Rodriguez e Fred Linardi no pampa gaúcho.

Outubro, 2018 será muito especial. Trabalharemos teóricos e ficcionistas, artes plásticas, cinema, música sob o tema da imagem. Receberemos em Recife, no dia 06/10, das 10h às 13h, a nossa queridíssima orientadora de mestrado na UFPE, a artista plástica, professora, curadora Maria do Carmo Nino. Em Porto Alegre, os doutorandos em Escrita Criativa também queridíssimos da PUCRS, María Elena Morán e Daniel Gruber, na noite de 10/10, das 18h30 às 21h. E muito mais!

E apresento os textos maravilhosos dos participantes dos encontros sobre O sonho de Recife e Porto Alegre, já sentindo o gostinho de quero mais que os nossos Estudos em Escrita Criativa vão deixar em todos nós…

Um abraço bem grande da

Patricia Gonçalves Tenório.

 

EEC Setembro Recife

Recife, 01/09/2018

 

Bernadete Bruto

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

 

SONHO DE UMA NOITE DE SONHOS

 

Estaria participando daquela festa? Parecia um palco e nele um aglomerado de pessoas ensaiando várias apresentações. Todas unidas para dar certo, colaborando entre si para o trabalho conjunto.

O local parecia uma quadra. Estava escuro e não dava para observar nitidamente as pessoas. Intuía que fossem várias: homens, mulheres, jovens, crianças. Estaria naquele espaço um pouco distante, como se fosse uma observadora, embora ciente de que entraria, em breve, para junto daquela multidão superatarefada, parecendo um enxame de abelhas de tanto movimento.

Mais além um casal estaria lhe observando os movimentos em outro espaço contíguo ao palco dos artistas. Olhou para o casal, ciente que se uniria a eles numa dança para voltar completa.

De volta ao palco, juntar-se-ia àquela multidão e se dissolveria totalmente naquela coreografia, alegre, vibrante, agora colorida.

Abriu os olhos e pensou que, talvez, um dia (ou mesmo numa noite), enxergaria bem melhor o sonho da verdadeira dança da vida.

 

 

Cilene Santos

Contato: cilenecaruaru2013@gmail.com

 

A PROVA DO CRIME QUE NÃO COMETI

 

Dos sonhos que tive, poucos eu me lembro. Mas, dos poucos, um me atordoou. Os acontecimentos foram tão claros, decisivos e inequívocos que eu mesma tive que lutar comigo, para me convencer de que eu era inocente. Estava voltando para a minha cidade, quando recebi uma mensagem de uma amiga, do tempo do internato. Naquele final de semana eu ficaria em casa de parentes, que residiam no interior, mas o convite era irrecusável: um final de semana na casa daquela amiga, cuja morada ficava entre as serras. Amigos se encontrariam para uma comemoração, da qual, o motivo seria mantido em segredo. Até a chegada de todos. Comuniquei aos familiares e desviei a minha rota.

Cheguei ao destino no finalzinho da tarde da sexta-feira. Fui recebida pelo dono da casa, que me deixou muito à vontade. A minha amiga Carol, era esse o seu nome, não se encontrava, havia ido ao salão de beleza, preparar-se para a grande noite.  Fui levada à suíte que ocuparia. Aproveitei para relaxar um pouco. Estava cansada da viagem. Quando acordei, já era noite. Tomei um banho quente, estava frio o tempo. Botei uma roupa apropriada para o momento, fiz uma leve maquiagem e desci ao térreo, onde ficava a sala de recepções. Lá, muitos convidados já se encontravam. O ambiente ricamente decorado. Flores, as mais belas. Lindos lustres iluminavam cada recanto da casa. Na varanda, uma orquestra tocava bonitas canções. Alguns casais dançavam. E lá no alto, entre as montanhas, uma lua cheia completava o lindo quadro.

Num momento, a orquestra parou e ouvimos a voz de Carol agradecendo a presença de todos e dando a grande notícia: “estava grávida!” Dali, seguiram-se abraços, beijos, sorrisos e lágrimas de alegria. A orquestra voltou a tocar e o jantar foi servido. Pratos saborosos, acompanhados  de um bom vinho animaram mais aquele momento. À meia-noite, despediram-se os últimos convidados.

Recolhi-me aos aposentos. Dormi rápido e, como sempre, acordei cedo. O sol não havia ainda saído de todo. Só alguns raios sugeriam o amanhecer. Abri as janelas para aproveitar aquele ar puro. Tamanha foi a minha surpresa, ao olhar a piscina, que perdi o controle emocional: um corpo boiava!  Corri ao banheiro, botei um vestido, peguei a bolsa e saí rápido. Ninguém me viu. O temor e o terror dificultaram-me pôr a chave na ignição. Saí a toda velocidade. Já havia me distanciado quando lembrei que havia deixado a roupa de dormir no banheiro. E lembrei também que, desde o tempo do internato, adquirira o hábito de colocar no avesso das minhas vestimentas, as iniciais do meu nome. Acordei apavorada.

 

Elba Lins

Contato: elbalins@gmail.com

 

DESASSOSSEGO NOTURNO

 

Lembraria por muito tempo, o desassossego.

Vindo de noites longínquas…

E buscaria explicar, tentaria entender

O significado de tudo aquilo

Eram tentativas inúteis

De expulsar de si

O conteúdo estranho…

Que se nada fosse feito

Bloquearia sua garganta

Se nada fizesse lhe sufocaria…

A cada noite

Se repetiria o gesto

Abriria a boca e puxaria para fora de si

A gosma aparentemente sem fim

Que mesmo depois de muito retirada,

Ainda permaneceria no interior de sua garganta

Sufocando-a…

Acordaria mais um dia e não entenderia o significado do sonho

Buscaria novamente, inutilmente, explicações

E estas viriam por fim no sentido de trair segredos

De expor razões

De mostrar verdades

Que enfim chegariam à luz pela escrita

Que por fim lhe esvaziaria por inteiro.

E lhe preencheria de luz.

 

Gabi Vieira

Contato: gabi.vieira.araujo@gmail.com

 

não conseguia dormir.

horas se passavam e

o teto que encarava

não se mexia

e ela começava a

considerar que ele

teimaria em assim permanecer

 

sentia saudades do tempo

em que sonhava.

um tempo de sono fácil

e mundos inteiros criados

no universo de seus olhos fechados.

 

ela ansiava perguntar

o que acontecera

para perder a capacidade de sonho

mas temia que a

mais dolorosa resposta

seria a única verdadeira.

 

então, no fim das contas,

fecharia os olhos em mais

uma tentativa frustrada

de o sono chamar

e só o que desejaria

era poder viver

tudo que um dia

fora capaz de sonhar.

 

 

Guilherme Augusto

Contato: guilhermetrekke@gmail.com

 

estava acordado?

estava dormindo?

não sei ao certo, mas sei que estava voando.

não sei se era sonho.

não sei se era realidade.

mas sei que estava voando.

isso é possível?

como poderia, eu, estar voando?

isso deve ser um sonho.

isso deve ser a realidade.

deve ser a junção do real e do imaginário.

são tantos questionamentos

comecei a cair

senti um peso se instalando em meu peito.

devo continuar levantando?

devo cair?

continuei a cair

então, eu compreendi

a paz que estava em mim me fez voar.

a guerra que estava em mim me fez cair.

no fim, quem iria vencer?

eu quero voar, mas não posso abandonar meus questionamentos

foi quando voltei a voar

decidindo viver no equilíbrio

abri meus olhos

com um sorriso no rosto

pois havia entendido

meu corpo estava na cama

mas minha alma voava

entre a paz, a guerra, o sonho, o real, a razão e o amor.

 

Ina Melo

Contato: ina.melo2016@gmail.com

Imagem de Ina Melo

 

Gostaria de sonhar com um amor encantado nas galáxias e no seu forte e poderoso abraço! Todas as vezes que nos encontrávamos era como se os tentáculos de um polvo me esmagasse. Nessa fusão de corpo e alma tudo era permitido. O amor se fazia  com leveza. A chama ardente do desejo nos oferecia um mundo de emoções do qual não queríamos sair.

Tudo acontecia com os corpos colados e os corações batendo em descompasso!  Mãos ansiosas se encontravam no toque. Bocas sedentas mergulhavam uma na outra deixando as línguas enroladas num mundo de sensações. Naquele  momento o sonho se fazia realidade e um era o outro, respirando o mesmo ar e provando o mesmo sabor doce do amor! Ah! Saudades! Ainda bem que os sonhos são sonhados!

 

João Orlando Alves

Contato: joaoorlandoalves@yahoo.com.br

 

UM SONHO

 

O sonho da vez seria aquele contido na anterioridade da memória consciente. Transcendendo, haveria o personagem Carlitos, expondo à humanidade, por meio de situações adversas, a capacidade do humano de não se aferrar às agruras, emprestando beleza à vida.

Essa evocação teria sido despertada em uma escola de música e dança na periferia da cidade carente de suporte material: crianças e adolescentes em trajes rotos e sem ferramentas adequadas, no entanto, vencendo esses infortúnios com alegria e comprometimento com a arte. O sorriso indicava um ser feliz.

Haveria o sonho possível, às vezes imemorial. Nasceria aquela escola desse evento. Teria um dos protagonistas mirins, sonhado com a música e arrastado tantos outros ao aprendizado.

Sugere-se estaria aquém da percepção imediata de ocorrência de atividade psíquica de que o indivíduo se apropria, àquela com elementos substanciais que levariam ao criar.

Enfim, o sonho além de pacificar a mente, também alcança a dimensão como a de José no Egito antigo.

Cada pessoa é um sonho!

 

Rackel Quintas

Contato: rackelquintas@gmail.com

 

CARTA DE UM IN-SONHE AO AMOR

 

Eu queria que todos os sons. E luzes. E planetas. Me dessem a dignidade de uma noite insone. Gostaria que o amor, assim como o sonho meio-morte, fosse feito de descanso e virtude, como uma maçã durinha, cheia de suco até a semente. Gostaria de cantar hinos, clamores de comemoração a um amor frágil, enlaçado pelo desejo cansado, de permanecer vivo, semeando, gerando. Gostaria que esse amor fosse contado em rede nacional, na rede, no quintal de uma casa feita pra ele crescer. Gostaria que meu dentro não fosse tão barulhento, que aceitasse a chuva fininha, que não mal-dissesse os dias de verão. Gostaria de mais banhos de chuva, e praças escondidas em lugares óbvios da cidade. Gostaria de crises de sinusite, de riso, de choro, com o lugar do desespero ancorado em alguma certeza de que não se sabe, mas se ama.

Gostaria de um véu de leite condensado e rosas, a dar a todas as crianças que ali comparecessem, para aprenderem como é doce, longo e terminável o amor que cura. Gostaria da textura permanente das cadeiras habitadas e depois vazias porque horas, minutos, dias, se contaram a fio até que sumisse para sempre o amor de outrora. Gostaria que as conversas fossem feito amoras, que tivessem sempre uma fogueira como testemunha das prosas, que houvesse tempo de aconchego, e amor. Gostaria de ter coragem de admitir-me berço e vontade, de discriminar as cores das minhas próprias palavras; de poder dizer azul ao amargo e vermelho ao sangue carne da vida que nos apetece. Gostaria de dizer que mesmo sabendo que vivo sem o amor, ainda assim o desejo, para o quanto de vida tiver a gastar. Gostaria, gostava, gosto. Da inveja aos olhos alheios, do som na varanda suspensa e na taça. Das taças. Nossas. Já há algum tempo. Desmascarando mentiras que eu mesma inventei para não amar. Pra bem-dizer o destino amaldiçoado. Eu queria que todas as noites insones me rendessem alguma poesia, mas é o passarinho de barriguinha cheia que pousa em mim, na minha janela, e encanta a vida como se eu quisesse vivê-la e não dormi-la. Como se sonhar fosse uma vida pra dentro e querer uma vida pra fora. Hoje, gosto de Caetano e Chico, do grande amor que não se acaba assim. Hoje, sonho e benzo o amor, Carmim. Puro e machucado por ele, por mim. Hoje eu gostaria. Quero. Um amor assim.

EEC Setembro POA

Porto Alegre, 12/09/2018

 

Ana Paula Bardini

Contato: apbardini@terra.com.br

 

 

A sensação de angústia persistiria pelo longo do dia. Nem bem acordara e já tinha esta certeza. Como poderia uma mãe abrir mão de seu próprio filho? Negando-lhe amor e cuidado, estando tão perto e disponível para o outro filho, irmão gêmeo deste, que acolhera com todo o seu coração? Seria instinto ou egoismo? Enquanto isso, o infante preterido dormia serenamente alheio ao que o destino lhe preparara. No momento ainda não sabia, mas viria a sentir na pele – e calaria na alma –  a dor do abandono materno. Jamais descobriria o motivo de tanto desamor. Cresceria à própria sorte, ainda que em família. Seria isso o bastante? Quais seriam as suas chances perante tamanha barbárie? Estar perto sem estar realmente próximo?

Um desconforto crescente a fez despertar, o sonho lhe parecera tão vívido que custara a acreditar que voltara à realidade. Ainda ofegante, lembrava flashes e revivia o sofrimento que comungara com aquela pobre e indefesa criança. De alguma forma ela se sentira conectada à dor dele que também era sua.

Neste instante o despertador a lembraria de seus compromissos da manhã. Eram muitos nesta quarta-feira chuvosa. Desligou. Aliviada pela bem-vinda interrupção, como quem retorna de um mundo distante, levantou. Organizou mentalmente as tarefas por ordem de prioridade. Primeiro prepararia um café, bem forte, com certeza a ajudaria a distanciar-se do sonho e a encarar o dia. Depois, a rotina se encarregaria do resto. Apostava nisso e  secretamente um pensamento lhe acompanharia pelo restante da semana: Amor de mãe deveria ser obrigatório.

 

*

 

Ando tendo sonhos…

Destes que inquietam

De novos caminhos

Onde se arquitetam

 

Vidas mais leves

Sorrisos mais fáceis

Amores menos breves

 

Ando tendo sonhos…
Destes que acalentam

Intensos, advinhos

E também desassossegam.

 

#APB

 

 

Gabriela Guragna

Contato: gabi_guaragna@hotmail.com

Enquanto as folhas, regadas a vinho tinto, se contorciam em ardor, ela correria buscando as paradas de ônibus da vida. Embarcaria para a Austrália. No rolar das escadas que a conduziriam ao subsolo, perceberia a falta do passaporte.

Entregaria a carteira de identidade da irmã para ela, e a carteira de motorista do pai para ele. A bolsa ficaria leve e encontraria a própria identidade, borrada pelo vinho que banhava as folhas ocultas. Correria pela mata do aeroporto, e puxaria de uma máquina a lista de amores antigos separados por categorias.

Família em segunda-feira

Trabalho em feira de domingo

E ele ali na feira destaque do dia de agora.

 

 

Kênia Medeiros

Contato: kenia_poa@yahoo.com.br

 

PÓS-CRÉDITOS

 

Os créditos começavam a subir, quando a luz foi acessa. Enquanto alguns, preguiçosamente, se dirigiam à saída, outros esperavam adaptar os olhos à claridade. No entanto, fiquei esperando por uma última cena, como um bis num show musical.

Não demorou para que surgisse na tela o herói que, misteriosamente, havia desaparecido em uma das cenas finais do filme. Ele despertaria à beira do rio no qual, imaginava-se, havia se afogado. Quando começou a se levantar, ainda sem saber onde estava, uma luz repentina quase me cegou. Ouvi um barulho estridente, que fez meu coração disparar. De repente, era eu na margem daquele rio. Desorientado, assustado, com medo do que estaria por vir.

Quando, enfim, me acostumei à claridade, percebi onde estava. Já não era um lugar estranho, mas o medo do que viria permaneceu. Estava em meu quarto, com o despertador tocando e com o sol brilhando através da janela. E, diferente do herói que se levantou pronto para encarar qualquer perigo, me levantei resignado para a batalha diária de uma vida sem ação.

 

Susi Franke

Contato: susifrankett@gmail.com

 

Eles são maravilhosos, um casal muito especial, muito amados. Ela, artista, trabalhando xilogravura, telas, filha de produtores de café, do interior paulista. Ele, húngaro, que veio para o Brasil à procura da realização de um sonho, trabalhar com aviação. Acabou se transformando num famoso projetista da Embraer.

Encontrei-os num sonho.

Apesar da idade avançada, continuaram encantadores, cheios de vida, com um sorriso no rosto.

Sairiam para um passeio na casa de campo, numa fazenda aeródromo do interior paulista. Passariam lá alguns dias, com amigos. Um era meteorologista, sua esposa médica, vegetariana, que traria muitos ensinamentos sobre nutrição. Outros, pilotos, sempre os grupos se formando com conversas animadas e um bom violão para animar ainda mais o encontro.

Estariam todos prontos para decolar?

Desapareceriam no azul do céu?

 

Sala de imprensa

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Folha de Pernambuco, 08 e 09/09/2018

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Jornal do Commércio, 26/09/2018

Próximos encontros:

Cartaz A3 e Banner_Recife

Estudos em Escrita Criativa - Porto Alegre - RS

Estudos em Escrita Criativa – Agosto, 2018 – Recife e Porto Alegre

Os encontros de Agosto, 2018 em Recife e Porto Alegre falaram sobre O amor. Não somente o amor entre os amantes, mas, principalmente, o amor à escrita. Passeamos pelos encontros do primeiro semestre, revisamos conceitos, e acrescentamos o de carcaça de John Keats, quando o poeta se esvazia de si para se preencher com Poesia,  Ficção, com Escrita Criativa. Encontramos essa carcaça na escrita de Orhan Pamuk, de Ian McEwan, e tantos outros artistas de diversas artes, teóricos de inúmeras áreas de conhecimento…

A partir dessas conexões do octógono dos Estudos em Escrita Criativa, fomos presenteados com textos que se encontram aqui neste post, com os processos criativos de Ana Maria César (Recife), Annie Müller e Luís Roberto Amabile (Porto Alegre), e outros textos que foram além do tempo e do tema do mês e que se encontram em posts individuais.

E nos preparamos para os encontros de Setembro, 2018 em Recife e Porto Alegre que falarão sobre O sonho. Desta vez teremos a honra e a alegria de receber Adriano Portela (Recife), Gisela Rodriguez e Fred Linardi (Porto Alegre) para falarem sobre suas criações artísticas, poéticas, literárias.

Que venha Setembro e uma boa leitura!

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Branco

André Souto

Recife, 11/08/2018, V Encontro de Escrita Criativa

Contato: asla56@outlook.com

 

A tela à sua frente. Branca. O cursor pisca. Oscila. Pronto a receber alguém. Alguma coisa, mesmo sem trama nem final.

A tela: insulto e desejo. Sozinho e sentindo a presença. Frio, branco: o olhar do inquisidor mudo.

Compreendeu “a luta mais vã”. Arremeteu contra os seus moinhos de vento.

No cursor inquieto, a pergunta tantas vezes repetida:

— E agora?

 

                                                                    

 

ESCRITA AMOROSA

BERNADETE  BRUTO

Recife, 11 de Agosto de 2018

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

 

Foi principalmente por amor que pegou o papel e escreveu o primeiro poema. Vieram outros depois, que rasgou por não achar bonito comparado com os da irmã. Aquela sim tinha o dom, a vez, a voz e todos os olhos e amor daquela grande família.

Ali do seu canto, percebeu, também queria ser amada, embora fosse apenas uma menina perante a adolescente cheia de vida. Foi à luta. Insistiu. Alguns olhares se voltaram e pousaram na sua pessoa miúda. A partir dali, ganhou seu espaço e um lugar na família.

Depois o ato de escrever surgiu como confissão de outros amores transitórios, doloridos ou desenganados. Muitas lágrimas pingando no papel, unidas à escrita desenfreada, foram despejadas e, por vezes, o ato tenha ficado meio desbotado.

Somente quando olhou para si e para o outro com amor, o ato de escrever foi tornando-se forte, sereno e eficaz. Hoje, escrever continua sendo um ato de amor, que chega impregnado do grande amor que ela tem por si e pelo outro.

Assim ela imagina que deva ser. É essa busca no seu ato. Quando isso acontecer, um dia, a sua escrita poderá ser conhecida pelo próprio ato que a moldou desde o princípio, podendo ser denominada de AMOROSA.

 

 

O PODER DA PALAVRA

Cilene Santos

Recife, 19/08/2018

Contato: cilenecaruaru2013@gmail.com

 

Pudesse ser

Um gesto,

Um olhar,

Uma miragem.

Mas foi uma palavra,

Guiada pelo vento

Que, num relance,

Invadiu-me a alma.

Alojando-se,

De lá fez morada.

Uniu-se aos sentimentos

Que lá já se encontravam.

E, me atormentando.

Suplicava liberdade,

Em forma de poesia.

Relutei. Expliquei.

Não era ainda chegada a

hora.

Não sou liberta.

Sou prisioneira da minha inspiração.

Não me pertence o momento

De a poesia vir à luz.

E a palavra, com rogos instantes,

Não respeitou o meu instante.

De súbito, a explosão.

Fui vencida!

O verbo se fez asas

E alçou voo

Rumo ao infinito

Mundo da escrita.

 

 

ODE A KEATS

ELBA LINS

Recife, 11/08/2018

Contato: elbalins@gmail.com

 

Me esvazio de mim

De minha existência sem graça

Quando vejo teus olhos de sombra

A me mostrar confusos caminhos

Por onde a alma transita

Quando de paixões

Quando de dores

Quando de mistérios

Que entrevejo através dos teus olhos.

 

Teus olhos de sombra

São lagos profundos

Onde mergulho

E me perco de mim mesmo.

São bosques escuros

Por onde avanço

Na certeza de me perder

Por onde caminho tresloucadamente

Buscando a vida ou a morte

Buscando enfim, a luz

Dos teus olhos mornos.

 

 

Gabi Vieira

Recife, 11/08/2018

Contato: gabi.vieira.araujo@gmail.com

 

Aos sete anos, lhe foi dado papel e lápis, não importa mais por quem. Na euforia de sua mente curiosa e de seu jeito espivitado, encarou a folha em branco com uma urgência que só cabe às crianças – e ouviu alguma coisa. Com espanto, percebeu vir daquele papel à sua frente. Um chamado, uma súplica, uma única palavra:

 

“Escreva”.

 

Tão simples, mas tão extraordinária. Tão curta, mas tão longínqua. Tão silenciosa, mas tão desesperada.

 

E então, o que lhe restava? Não podia apenas ignorar aquele pedido, que era de certa forma uma ordem, uma necessidade profunda cujas raízes já sentia brotar no próprio âmago. Era isso. Não tinha jeito.

Se não escrevesse, sufocaria.

Depois disso – depois de se entregar ao papel, às palavras e às ideias – não mais foi somente o que se era. Foi alegria, foi tristeza. Foi ódio, foi amor, e nem sempre soube descrever o que se era. Foi Anna, foi Julia, foi Stella, mas também foi Caio, Davi, Lucas. Foi tanto e ao mesmo tempo foi tão pouco. Seu corpo não era mais composto de água, sangue, carne, osso. Na pele, se imprimiam as paisagens que criara no fundo da mente e depois passara para o papel. Os cabelos esvoaçavam com o vento das risadas daquelas vidas que trouxera à existência, caminhando ao seu lado como velhas amigas. E nas veias, corriam as letras que pulsavam de seu coração, espalhando-se pelo corpo todo e dando-lhe a plena certeza de que ela própria era feita de palavras.

 

 

para um poema de amor

Márcia Maia

Recife, 11/08/2018

Contato: marciamaia@uol.com.br

 

acordei querendo escrever um poema de amor

 

um poema que de amor reluzisse

nessa manhã sem azul

que trouxesse de volta o bem-te-vi sumido

e reinventasse ninhos no pinheiro

e fantasmas amigos na varanda

vivos ou não

 

um poema que verdágua transbordasse

num misto de mar e capibaribe

de paralelepípedo e mangue

e que fizesse florir em pleno inverno os

baobás e todas as acácias

guardando os flamboyants para o verão

 

um poema que se negasse ao corriqueiro

eu te amo e dissesse do amar

com verso e rima

numa voz peculiar de gesto novo

que fosse efêmero como o bronze esverdeado

das estátuas e permanente como o brilho

que há nas bolas de sabão

 

que dissesse de mim sem me dizer

e alardeasse o querer de cada gente

dispensando os como os quando e todos os porquês

 

e que algum dia em um livro em um blogue

onde quer que alguém o visse

que se lhe abrisse um sorriso ao fim de o ler

 

 

Ana Paula Bardini

Porto Alegre, 15/08/2018

Contato: apbardini@terra.com.br

Encontrar palavras que se possa expressar

Sentimentos que insistem em não se mostrar

 Não tem nada de pensado

Muito menos de ensaiado

Vem da alma no momento apropriado

Tomam forma, dando vida ao inanimado

 E, aos poucos, a natureza antes dura

Se matiza e se mistura

Como cores em pintura

Na extrema delicadeza

De sua ímpar beleza

Tem-se então uma sinfonia

Sonhos e desejos em total harmonia

Palavras não se deve procurar

Pois são elas que se fazem encontrar

#APB

 

Nem sempre sou fala, às vezes sou escuta

E é quando escrevo que me sinto ouvida

 

Nem sempre sou clara, às vezes sou escura

E é quando escrevo que me revelo luz

 

Nem sempre sei quem sou, às vezes não sei

E é quando escrevo que me desvendo em mim

 

Nem sempre sou Ana, às vezes sou Paula

Mas sempre que escrevo sou sem-fim

 

Muitas em mim.

#APB

 

 

Escrever-se

Gabriela Guaragna

Porto Alegre, 15/08/2018

Contato: gabi_guaragna@hotmail.com

 

Antes mesmo de pousar no oco da boca, o beijo das palavras entregam-se aos pulmões e escorrem, feito água morna, pela ponta de cada dedo que segura uma letra. A caneta finca o papel como se fincasse a musculatura mais profunda e assina nas vísceras as vozes que não encontraram espaço na garganta. Escritor desagua-se sobre o papel e a escrita o escreve em si.

 

 

Gabriel Nascimento

Porto Alegre, 15/08/2018

Contato: gsabritto@yahoo.com.br

 

Quatro da manhã. Deveria estar exausto, mas meu corpo desconhece senso comum. O ronco de minha mãe desmata o silêncio como uma motoserra. Respiro fundo, sufocando o grito que quase escapa. Meu amigo ouve sem reclamar, como se a reclamação lhe desse identidade. Nunca questionei como um pedaço de papel é meu melhor amigo. Curioso como o inanimado nos dá identidade. Sem palavras, uma folha é somente isso. E sei que é o ato de impor a tinta no papel que me torna um escritor. Tudo bem. Prefiro um pulso dolorido do que um grito no escuro.

 

 

GESTAÇÃO

Luciana Beirão de Almeida

Porto Alegre, 15/08/2018

Contato: lubeirao@hotmail.com

 

A palavra,

Fecundando a página,

Gerando vida.

Nutrindo sonhos,

Acalentando sentimentos.

 

Vai se formando uma ideia,

Ponto por ponto,

Linha por linha.

 

A tinta pressiona o papel,

Até ficar tudo pronto

Para a derradeira expulsão!

 

 

LIGAÇÃO

Luciana Beirão de Almeida

 

Como letra que forma a palavra,

Sou única.

Como palavra que forma o texto,

Sou só.

Cada palavra,

Cada ser,

Cada um.

Formando um todo.

Um arco-íris cintilante e belo,

Numa ciranda multicolorida.

Iluminando,

Brilhando,

Unindo,

Sendo!

 

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Recife, 11 de Agosto de 2018

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Porto Alegre, 15 de Agosto de 2018

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Próximos encontros:

Cartaz A3 e Banner_Recife

Estudos em Escrita Criativa - Porto Alegre - RS

Índex* – Julho, 2018

Escrevo

Para me libertar

Para expurgar

Esse sol

Que nasce aqui

No meu peito

Que nasce assim

Uma história 

Repleta de

Amanhã 

Prenhe de sonhos

E começo a concretizar

Hoje

Passo a passo

Em cada palavra

Inscrita no papel

Na ideia

Na imaginação 

Que o raio de sol

Ajudou a despertar

(“Poiesis”, Patricia Gonçalves Tenório, 15/07/2018, 06h04)

 

A Escrita Criativa dando asas à imaginação no Índex de Julho, 2018 do blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Sete textos de viagem | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Filmes e filosofia de vida & Cinco textos curtos | Bernadete Bruto (PE – Brasil).

Eu amo os advérbios | Cilene Santos (PE – Brasil).

Quem sou eu? | Elba Lins (PB/PE – Brasil).

À Palomar, de Ítalo Calvino | João Paulo Nascimento de Lucena (PE – Brasil).

Lua de sangue | Natália Setúbal (RS – Brasil).

joelhos curvados | Talita Bruto (PE – Brasil).

Estudos em Escrita Criativa – Julho, 2018 | Recife e Porto Alegre.

 

E os links do mês:

 

O blog de Kênia Medeiros (RS – Brasil), participante dos Estudos em Escrita Criativa de Porto Alegre: https://bookcaccino.wordpress.com/2018/06/26/subscribe

O livro de Fotografia & Arte, organização Fernando de Mendonça (SP – Brasil), Maria do Carmo Nino (PE – Brasil) e Patricia Gonçalves Tenório: https://issuu.com/ppgavufpeufpbrevistacartema/docs/dossi___arte_e_fotografia

 

Agradeço a atenção e o carinho, a próxima postagem será em 26 de Agosto de 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Index* – July, 2018

 

I write

To set me free

To purge

This sun

That is born here

In my chest

That is born this way

A story

Full of

Tomorrow

Pregnant of dreams

And I begin to realize

Today

Step by step

In every word

Inscribed on paper

In idea

In imagination

That the ray of sun

Helped to wake up

(“Poiesis”, Patricia Gonçalves Tenório, 07/15/2018, 06h04 a.m.)

 

The Creative Writing giving wings to the imagination in the Index of July, 2018 of the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Seven Travel Texts | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Movies & Philosophy of Life & Five Short Texts | Bernadete Bruto (PE – Brasil).

I Love Adverbs | Cilene Santos (PE – Brasil).

Who am I? | Elba Lins (PB / PE – Brasil).

To Palomar, by Italo Calvino | João Paulo Nascimento de Lucena (PE – Brasil).

Blood moon | Natália Setúbal (RS – Brasil).

curved knees | Talita Bruto (PE – Brasil).

Studies in Creative Writing – July, 2018 | Recife and Porto Alegre.

 

And the links of the month:

 

The blog of Kênia Medeiros (RS – Brasil), participant in the Creative Writing Studies of Porto Alegre: https://bookcaccino.wordpress.com/2018/06/26/subscribe

The book of Photography & Art, organization Fernando de Mendonça (SP – Brasil), Maria do Carmo Nino (PE – Brasil) and Patricia Gonçalves Tenório: https://issuu.com/ppgavufpeufpbrevistacartema/docs/dossi___arte_e_fotografia

 

Thank you for the attention and the affection, the next post will be on August 26, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** O Sol da Escrita Criativa que nasce aqui no meu peito. The Sun of Creative Writing that is born here in my chest. 

Estudos em Escrita Criativa – Recife e Porto Alegre – Abril, 2018

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De 1902 a 1907, o pai da psicanálise, Sigmund Freud, reunia, nas quartas-feiras à noite, em sua residência na Berggasse, 19, discípulos, pares, educadores, intelectuais, tais como Otto Rank, Alfred Adler, Max Graf, Wilhelm Stekel e Max Kahane. Este grupo cresceu e deu origem à Sociedade (Associação) de Psicanálise de Viena.

Nesta quarta 25/04/2018, sob as bênçãos de um dos baluartes da Escrita Criativa do país, o escritor e professor da PUCRS Luiz Antonio de Assis Brasil, inauguramos uma ponte entre duas das cidades mais ricas em escritores: após os dois encontros em Recife, tivemos o primeiro encontro dos nossos Estudos em Escrita Criativa de Porto Alegre.

Como havíamos imaginado, a busca por cursos no formato dos EEC’s superaram nossas expectativas e nos animaram a continuar no caminho dos teóricos de várias áreas de conhecimento e artistas de outras artes relacionados a cada tema, do exercício prático provocado, iluminado pela teoria, e dos testemunhos de escritores locais sobre seus processos criativos.

Trazemos para o nosso blog neste post alguns exemplos de textos dos participantes das duas cidades.

E, quem sabe, formemos, em um futuro breve, a Sociedade Brasileira de Escrita Criativa?

Agradeço o carinho e a força de cada participante, escritores e escritoras convidados, grande abraço e até breve,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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DITIRAMBO PARA O RENASCIDO

Antonio Aílton

Contato: ailtonpoiesis@gmail.com

 

 

Noite após noite me despedaço

e desespero, desmembrado

como um copo de vinho que serve ao

desregramento

e depois se quebra no cimento

vaza no tempo, para um tempo

antes de mim

Ali na rua há um lamento

e me pergunto

se sou vítima ou assassino

se sou o lance sem jogo do mendigo

Há uma lua, mas o que todos vêem

senão o sangue antigo? E no entanto

eu não seria

se não pudesse renascer, mesmo

quando lixo, cão mordido

Em breve estarei inteiro

para enfrentar o carro de Apolo

junto com as abelhas, as mulheres

os campos, os girassóis

Eu, taça reerguida quando vinho

e mosto renascido

− Dioniso

 

 

[Desafio 15min]

II Encontro dos Estudos em Escrita Criativa

Recife – PE, 07 de abril de 2018

 

NA FLOR DA VAIDADE

Bernadete Bruto

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

 

 

Olhei nas águas límpidas daquele rio. Minha haste envergou um pouco. Contorcidamente descobri não ser mais aquela… Meu Deus! Uma simples margarida presa à terra, subjugada a uma condição inusitada, enraizada! Aprisionada no tempo e no espaço, tudo por conta do orgulho…

Desejei ser algo mais, muito maior que Deus, que os outros? Encantei-me com a cantiga maviosa do mundo dizendo ser eu tão especial… Agora, na simplicidade da flor, na maturidade da vida, despetalo-me toda.

Logo, descubro que o exercício da escrita fez-me voltar a quem sou e posso repensar sobre a vaidade. Sair um pouco do foco do espelho, voltando a ser no mundo uma simples flor.

 

Recife, 7 de abril de 2018.

 

SALOMÉ

Elba Lins

Contato: elbalins@gmail.com

 

Mãe!

Tu me pedes, me imploras

Uma dança para o Rei.

Queres que, com meus encantos

O conquiste para ti.

Queres que eu ajude

A tirar do mapa Batista.

 

Bem sabes que

Com minha dança

Ele, o Rei,  que já rodeia meus passos

Será meu em definitivo

E a cabeça do Batista

Não te trará de volta

Um amor que será meu.

 

Mas, tenho em mim a chave

Que abrirá  as portas desta prisão

Minha vingança será maior…

Cada véu que retirar do meu corpo

Será a corda

Que tirará Herodes, deste mundo.

E finalmente dançarei…

Para o Batista,

Que já ocupa minha alma.

Para o Batista,

Que não se deixa seduzir.

Batista, cuja alma etérea flutua no espaço

E me conduzirá enfim

Para o caminho de volta a mim mesma.

 

Qual Medéia às avessas

Engolirei as tramas da minha mãe,

Através da minha própria trama saturnina.

Reinarei noutro reino diferente do teu,

Tirarei, não tua vida

Tirarei de ti a morte

Que não pode roubar a minha vida.

 

Recife, 07/04/2018

 

Gabi Vieira

Recife, 07/04/2018

Contato: gabi.vieira.araujo@gmail.com

 

Todas as crianças crescem, menos uma.

E todas as crianças ouvem essa mesma história, quando ainda deixam a janela destrancada na esperança de que um menino sapeca e sorridente venha buscá-las e levá-las para o lar de seus sonhos, voando nas costas do vento.

E, muito provavelmente, todas essas crianças desejam ser como ele, livres para voar com as fadas, nadar com as sereias, dançar com os peles-vermelhas ou enfrentar piratas. Livres para viver na Terra do Nunca, acompanhando os Meninos Perdidos em incontáveis aventuras.

Afinal, que criança nunca sonhou em ser Peter Pan?

Fugir das obrigações, da escola, das exigências dos pais e, principalmente, do medo de tornar-se um adulto, esquecendo-se do como voar. Porque, quando se cresce, se esquece do como voar. Adultos não têm a alegria, nem a inocência das crianças. Nem se quisessem, poderiam alçar voo.

Porém, não posso deixar de me questionar, a quase adulta que sou, do modo que já fez J. M. Barrie, se o próprio Peter não desejava ser como as outras crianças, as crianças comuns. Ele possui alegrias que essas crianças nunca poderiam ter, mas, ao observá-las no cantinho da janela de seus quartos, enquanto eles brincam com o pai ou são postos para dormir pela mãe com beijos e abraços, observa também a única alegria que nunca poderá ter.

Mesmo assim, ele volta para casa, acompanhado da fiel amiga Sininho, voando com o vento e deixando um rastro de risada por onde passa, como faz a cauda das estrelas cadentes.

Porque todas as crianças crescem.
Menos uma.

 

Giliard Barbosa

Porto Alegre, 25/04/2018

Contato: barbosagiliard@gmail.com

 

Onde estás, criança?

 

Carrego comigo teu cesto vazio

As uvas que sorverias

Ácidas estão

 

Onde estás, criança?

 

A areia da praia a demarcar teus passos

A água marinha a irmanar feridas

 

Onde estás, criança?

 

De meu próprio barro dei-te forma e luz

Das dores profanas és a mais contumaz

 

Onde estás, criança?

 

Raízes formei em meio às dunas

O vento já leva o que de ti ficou…

 

Onde estás, criança?

 

Um lago se forma onde nos perdemos

A rosa dos ventos parou de girar

 

Onde estás, criança?

 

Já não há mais remos nas águas do tempo

Já não há areia que deseje o mar…

 

Onde estás, criança?

 

Perdi-me no tempo a mirar espelhos

Perdi-me de ti, perdi-me do mar…

 

Onde estás, criança?

Onde estou?

 

Ina Melo

Recife, 07/04/2018

Contato: ina.melo2016@gmail.com

 

Ao criar o mundo, Deus ante toda aquela grandeza, vislumbrou ao seu redor e sentiu-se só. Até para Ele o silêncio e a solidão sufocavam.  Mesmo vibrando com o cantar dos pássaros, o ruído das selvas e o silvar dos ventos, faltava a palavra – uma voz! Então, no imaginário masculino, arrancou de Si uma costela e criou Eva. Linda, pura e falante. Agora não mais era um, porém dois. Deixou-os donos do Paraíso.  O amor surgiu das pequenas fagulhas de fogo que ardiam nas cinzas. Mas Eva descobriu a vaidade vendo a  sua imagem refletida nas águas transparentes. Depois encontrou o sonho e dele se embriagou. Via as borboletas e quis voar. Conhecer o néctar das novas flores. Mergulhar em mares bravios! E assim foi se afastando do amado. Esqueceu de que, para ser feliz, teria que compartilhar emoções.  Foi quando o Paraíso escureceu e o céu começou a lançar raios de fogo gritando forte, estremecendo árvores. Águas inundaram os prados. Eva procurou abrigo nos braços do amado e não o encontrou. Tremeu de medo.  Inquietou-se. Correu debaixo da tempestade e foi para o mais alto rochedo e lá abrindo os braços respirou e com asas de plumas voou. Primeiro não encontrou nada diferente. O mundo era igual e o mar também.  Quando não era dia, era noite. A mulher Ícaro viu que o sonho não existia, era apenas poesia!

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VOAR… VOAR…

João Orlando Alves

(Membro da UBE-PE)

Recife, 07/04/2018

Contato: joaoorlandoalves@yahoo.com.br

 

“Um pouco de persistência e esforço e o que seria um

retumbante fracasso vira um glorioso sucesso”

(Elbert Hubrard – Escritor Americano)

 

O grande momento da criação externa-se quando o hábil executor em movimentos à busca da perfeição, de súbito, por um acaso ou gesto imperfeito, a arte se pronuncia em toda beleza, exprimindo um querer que estava oculto.

Na aventura de Ícaro olvidou-se do martelar insistente que trabalha a forma da existência da obra. O dar asas à imaginação envolve um “estalo” espiritual que compreende uma produção sublime com mistérios e marcas do tempo.

Faltou a Ícaro, sem ouvir o canto da sereia, transmudar-se num pássaro ou no homem de aço e exercitar o sonho do gênero humano.

Encantar-se com as aves, dominando os céus, não basta, urge descobrir-se inteirado no projeto do desejo; deixar-se encontrar como no retrogosto de um trago de bebida que se assoma com essencialidade.

O voo desse vivente fora eterno enquanto durou o sonho; ousar é recomendado, mas a escolha recaindo no tempo enquanto tempo de amar.

 

Luciana Beirão de Almeida

Porto Alegre, 25/04/2018

Contato: lubeirao@hotmail.com

 

Espelho, espelho meu,

Quem é mais lindo do que eu?

 

Inquieto,

me debruço sobre a água.

 

Silêncio…

 

A imagem tortuosa não é bem o que eu imaginava.

Jogo uma pedrinha na superfície,

que afunda.

 

Círculos movimentando a imagem,

como quebra-cabeça.

 

Em partes.

 

Facelado.

 

Sequelado.

 

Olho ao redor da imagem daquele rosto

agora já não tão bonito…

e vejo a natureza.

 

Interagindo forte,

bonita,

inteira.

 

Esta sim, em conjunto com a minha imagem, forma uma beleza única. Completa. Viva.

Me levanto e vou aproveitar aquele belo momento, pleno, que me transmite paz.

 

 

SOU PÁSSARO

Monique Becher

Recife, 07/04/2018

Ícaro - Monique

 

O amor se apodera do meu ser qual luz do sol ou piscar de estrelas.
De tão natural, sinto-me singela,
translúcida.
Minha cabeça levita.
Delicio-me com este sentimento
mitológico dos seres felizes.
Sou esvoaçante qual Ícaro.
Minhas asas diáfanas conduzem-me ao etéreo.
Sou possibilidades.
Multiplico-me.
Alço voos inimagináveis.
Vivo amores perfeitos.
Conduzo-os ao infinito do
horizonte.
Minhas vestes translúcidas
r o d o p i a m .
Seguem as curvas do vento
num b a i l a d o  m á g i c o
regido pelo s u s s u r r o
das palavras
Voláteis
E   N   A   M   O   R   A   D   A   S
Esta musicalidade me fascina.
Paira no espaço.
E  T E  R  N  I  Z A – SE  …
No meu SER.
Os segredos dos pássaros livres
proclamam a independência.
S O U   P Á S S A R O !!!
Decifro os enigmas humanos.
Fito o horizonte.
V I S L U M B R O   D   E   U   S
Fujo de mim mesma.
Encontro-me no reino mágico
do reflexo
do meu espelho
VITAL.

 

 

Rodrigo Ribeiro

Porto Alegre, 25/04/2018

Contato: digocr@gmail.com

 

Édipo briga com o homem na estrada, mas na iminência de matá-lo lembra da esfinge, enxerga o destino prestes a acontecer e conclui que aquele só pode ser seu pai. Se conciliam. O pai, agradecido por ser poupado e vendo-se mais velho, resolve exilar-se nas montanhas para sempre, a fim de evitar a tragédia.

 

Da mesma forma, ao querer casar com a mãe, identifica-a justamente por reconhecer a premonição. Desistem do casamento.
Mesmo com o pai longe, Édipo vive transtornado por saber que não poderá contrariar a esfinge: um dia irá matá-lo. Está sempre atormentado sobre como isso acontecerá, medindo todos os passos, sentindo angústia insuportável. Para se libertar desta prisão mental, manda matar logo o pai.
Em vez do alívio que desejava, agora ele passa a estar perturbado pela ação hedionda que tomou, e se torna uma pessoa ruim. Por ganância, quer ser rei, mas as pessoas não acreditam que ele é filho da rainha. Então, para ter poder e fortuna, casa-se com a mãe.

 

Sala de imprensa:

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Diário de Pernambuco, Opinião, 19/04/2018

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Diário de Pernambuco – Viver – 23/04/2018

Próximos encontros:

Cartaz A3

Estudos em Escrita Criativa - Porto Alegre

 

 

 

Índex* – Março, 2018

Quem espera

É um coração 

Valente

Que não cansa

De sonhar

Que não deixa 

De lutar

Por um pedacinho 

De sol

Um lugarzinho 

Que possa

Chamar de seu

E revele

A imensidão

De sua

Escrita

(“Quem espera não se cansa”, Patricia Gonçalves Tenório, 17/03/18, 10h50)

 

Um coração valente no Índex de Março, 2018 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa – Março, 2018 – Recife – PE | Com Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil), Bernadete Bruto (PE – Brasil), Cilene Santos (PE – Brasil), Ina Melo (PE – Brasil), Gabi Cavalcanti (PE – Brasil), Inalda Dubeaux Oliveira (PE – Brasil), Maria Eduarda Tenório de Oliveira e Silva (PE – Brasil).

Poema de Alcides Buss (SC – Brasil).

Encontros entre poetas: as cartas de Geraldino Brasil (AL/PE – Brasil) e de Jaime Jaramillo Escobar (Colômbia) | Organização Beatriz Brenner (PE – Brasil).

Cadê Miguel? | Carol Bradley (PE – Brasil).

Branca de Neve e os sete anões: Uma releitura em versos | Cilene Santos (PE – Brasil).

Agradeço a atenção e o carinho, a próxima postagem será em 29 de Abril, 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – March, 2018

 

Who waits

Is a brave

Heart

That does not get tired

From dreaming

That does not leave

To fight

For a little bit

Of Sun

A little place

That can

Call your own

And reveal

The immensity

Of your

Writing

(“Who waits does not get tired”, Patricia Gonçalves Tenório, 03/17/18, 10h50)

 

A brave heart in the Index of March, 2018 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Studies in Creative Writing – March, 2018 – Recife – PE | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil), Ina Melo (PE – Brasil), Gabi Cavalcanti (PE – Brasil), Inalda Dubeaux Oliveira (PE – Brasil), Maria Eduarda Tenório de Oliveira e Silva (PE – Brasil).

Poem by Alcides Buss (SC – Brasil).

Encounters among poets: the letters from Geraldino Brazil (AL/PE – Brasil) and from Jaime Jaramillo Escobar (Colombia) | Organization Beatriz Brenner (PE – Brasil).

Where’s Miguel? | Carol Bradley (PE – Brasil).

Snow White and the Seven Dwarfs: A Rereading in Verses | Cilene Santos (PE – Brasil).

Thank you for the attention and the affection, the next post will be on April 29, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Um pedacinho de sol para chamar de seu (Recife – PE, Brasil). A little piece of sun to call your own (Recife – PE, Brasil).

Estudos em Escrita Criativa – Março, 2018 – Recife – PE

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O primeiro encontro dos Estudos em Escrita Criativa em Recife – PE foi surpreendente. Sabíamos da demanda por um curso nesse formato, mas não esperávamos encontrar tantas pessoas interessadas, inteligentes e criativas em um mesmo espaço-tempo.

Tratamos do tempo em nosso primeiro encontro. Com teóricos e artistas relacionados ao tema na primeira parte do encontro, a apresentação de escritos próprios e de outros autores clássicos da literatura brasileira pela escritora e professora Flávia Suassuna, na parceria com a UBE, na terceira parte do encontro.

E os textos produzidos na segunda parte do encontro. Trago hoje alguns exemplos do “verdadeiro celeiro da nova literatura pernambucana” (Laura Cortizo).

Convidamos a participarem dos nossos próximos encontros de abril, 2018, tanto em Recife quanto, com a novidade da parceria com a PUCRS, também em Porto Alegre.

Agradecemos a atenção e o carinho, grande abraço e até breve,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Bernadete Bruto

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

 

NA CADÊNCIA DO TEMPO        

 

Olhou o relógio, restavam 15 minutos. A angústia lhe tomou a alma e lhe arrastou a mente para o vazio… Olhos parados, boca seca, daquelas onde um bom copo de água amainaria sua sede de histórias, sem muita complicação e num compasso do tempo em ritmo de valsa. Ah, um Danúbio Azul para se escrever ou uma Primavera…

Sente essa falta, com o peito arfando, a caneta deslizando no papel e os conceitos se misturando na cabeça. A autoestima ou sei lá o quê tolhe os sentidos. Talvez escrever seja um motivo para se mostrar importante, interessante aos olhos alheios…

Será que lutar contra o tempo nessa angústia compensa as cores do ócio? Não sabe. Está imersa numa roda viva que o caos da modernidade lhe carregou já faz 10 anos. O tempo, sempre o tempo…

Neste momento, ouve que tem mais cinco minutos! Então, larga a caneta. Sorrindo, deixa o papel assim mesmo rabiscado, porque sabe que tem uma vida inteira para aprender sem compromissos com o tempo. Uma existência na qual o tempo passará na cadência que seu coração bater.

 

Recife, 10 de março de 2018.

 

Cilene Santos

Contato: cilenecaruaru2013@gmail.com

 

Te Vi

 

Num momento

Criei a tua imagem

E te vi, vindo ao meu encontro.

Te abracei, senti-me amparada

E, abraçando-te,

Também fui abraçada.

Mas foi tão lépido

O tempo em que te tive

A tua imagem em mim

Se esvaiu.

E sumiste na estrada

Que criei.

Guardei em mim os pedaços do momento

Em que’stavas no mundo que inventei.

Olho o relógio,

Minha hora está chegada.

Quinze minutos eu tive

Pra pensar

Que o teu amor ainda era meu.

 

 

Gabi Cavalcanti

Contato: gabi.vieira.araujo@gmail.com

 

Acordar do desmaio foi estranho.

Primeiro vieram os sons, ainda confusos na escuridão de meus olhos fechados – as sirenes, os gritos de diferentes pessoas proferindo diferentes palavras, o sonoro cair das gotas de chuva.

A luz que invadiu minha visão poderia ter me cegado – os postes na beira da rua, a luz vermelha das ambulâncias e o brilho nos olhos daqueles que me rodeavam. E talvez hoje eu desejasse que a luz tivesse, sim, me cegado, para que não guardasse na memória a imagem aterrorizante do carro capotado, dos vidros quebrados em cacos que se espalhavam em solidariedade com os pedaços do meu coração. Meu coração, estilhaçado ao sentir a ausência daquele que estivera ao meu lado antes da chuva levá-lo para longe de mim.

Quem sabe, se tal visão não estivesse tão pregada em meus olhos – tão concentrados no passado – eu pudesse olhar para o futuro com a alma mais leve.

 

Ina Melo

Contato: inamelo2016@gmail.com

 

A Menina e o Tempo

Imagem de Ina Melo

Nina surgiu entre as flores do jardim. Branca como a luz da manhã! Leve como a brisa suave da Primavera! O cheiro exalado do pequeno corpo, lembrava os campos de alfazema. Trazia nas mãos morangos silvestres,  que vez por outra mordiscava deixando os lábios vermelhos. Pássaros arrulhavam ao redor e o riso fácil explodia naquele amanhecer, onde o tempo, de ontem, hoje e amanhã surgia abraçado numa só felicidade!

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O Tempo

 

O tempo pra mim é o momento. O hoje. O agora. Nele eu vejo passar o filme de toda uma vida. Da infância à maturidade, logo seguindo para o entardecer que é finalmente, a velhice. O tempo é vida. É prazer. É luz e acima de tudo, o tempo é amor! (Escrita Criativa. 10/03/018)

 

Inalda Dubeux Oliveira

Contato: inaldaoliveira@uol.com.br

 

O RESULTADO DA PRESSA

 

Era uma tarde de verão e eu chegara da feira, cansada, ainda sentindo o cheiro dos legumes, frutas, peixes e demais componentes do que seria consumido por todos.

Na sala, logo percebi a bagunça normal e feliz deixada pelos meus dois filhos de 7 e 9 anos. Brinquei um pouco com eles e percebi que tinha pouco tempo para me preparar para o casamento ao qual deveria comparecer à noitinha.

Vestido longo, sapato alto, cabelo penteado, escolhi um perfume mais cítrico. Gostei de ver que o tecido do vestido era macio e não facilmente “machucável”.  Quase pronta! Como todo marido, o meu ficou pronto antes e desceu para tirar o carro da garagem.  Logo começou a buzinar impacientemente.

Quando já ia descer, claro que os dois meninos pegaram uma briga com tapas e pontapés que logo tive que apartar. Nova buzinada. Pego minha bolsa e corro.

Chego à igreja me achando linda: desfilo feliz da vida pela nave central, cumprimento os conhecidos, encontro meu lugar num banco e deposito minha bolsa ao meu lado. E levo um susto: entre mim e meu marido está uma bolsa de feira de vime, grande, quadrada e com alças de cordas. Pergunto ao marido – “de quem é esta bolsa?” – embora já saiba a resposta. Com a calma da inocência masculina ele responde: ”É sua, é claro. Você acabou de botá-la aí”.

Quase morta de vergonha, descubro que ao apartar a briga dos filhos e na pressa para descer correndo, peguei a bolsa de feira em vez da bolsa de toalete. E pensar que desfilei pela nave central da igreja….!

Ainda bem que o marido concordou em sair e levar a maldita bolsa a tiracolo para escondê-la no carro.

 

Maria Eduarda Tenório de Oliveira e Silva

Contato: duda.tenorio@hotmail.com

 

Sentada no chão, me proponho a criar através da presença. Esta presença, porém, tem resquícios do presente do passado, com a sugestão que me foi feita de escrevê-la. Ao me propor escrever sobre o que acontece agora, para ser lido no futuro do presente, que é, no mais profundo, apenas especulativo, observo diversos pensamentos que me atravessam para me tirar daqui e outros que estão diretamente conectados com o que está acontecendo agora.

Sinto um profundo bem-estar e expansão da minha percepção a agir sem só me jogar para frente, mas sim para dentro.

Me questiono quão para dentro posso ir, com um intenso pedido de que seja muito. Se estou aqui, que eu esteja aqui. Muito aqui. Sinto em minha mão meus músculos e nervos sendo trabalhados por escrever continuamente, sinto a posição do meu corpo inteiro e as sensações que dele emanam. Minhas pernas estão em uma posição que sempre gostei de ficar – percebo como esse agrado é uma ponte entre o passado e o presente – minhas costas estão confortáveis e minha respiração me massageia por dentro.

Percebo também as cores que meu campo de visão alcança. Sinto uma sensação muito aconchegante dos meus pés. É engraçado o exercício de escrever o presente antes que vire passado. É um bom tipo de história para se construir. Volto às cores. A capa da apostila amarela, contrastando com o misto de roxo em tons claros e escuros e azul do chão que me deixa feliz. Amarelo me remete à alegria, e roxo me remete à profundidade. Essa mistura combina com o que sinto ao fazer esse exercício. Mistério. Roxo também é mistério. O mistério do eterno agora e o caminho dentro dele. A empolgação, e alegria, e a leveza do amarelo para temperar. Cores unidas e alegria, como uma música que ouvi no passado, mas se integra com o que acontece. E mais uma – passado presente, participo sendo o mistério do planeta.

 

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Programação – Recife e Porto Alegre:

Cartaz A3

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Sala de imprensa:

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Índex* – Fevereiro, 2018

O gosto 

De tarefa cumprida

Quando

Se escreve

Um teorema

No mais alto

Grau

Do mais profundo

Âmago

De minha alma

Poeta

Se refaz

O mundo inteiro

Se constrói 

A mesma história 

Mas de maneira

Diferente 

Como se eu

Nascesse de novo

E transmutasse

Carne

Em verbo

Com forma

Cheiro

E cor

(“Quando se escreveu uma tese”, Patricia Gonçalves Tenório, 14/02/2018, 18h50 e 19h36)

 

A forma, cheiro e cor da Escrita Criativa no Índex de Fevereiro, 2018 do blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa, 2018 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Homenagem a Jorge Tufic (AC – Brasil).

Mulheres fantásticas IV | A mulher papel | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

Mudando paradigmas | Mara Narciso (MG – Brasil).

“Avesso: o Livro da Insônia” | Henrique Beltrão de Castro (CE – Brasil).

“Crônicas de um sereno em duas rodas” | Tibério Pordeus (PE – Brasil).

Agradeço o carinho e atenção, a próxima postagem será em 25 de Março, 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – February, 2018

 

 

The taste

Of completed task

When

We write

A Theorem

At the top

Degree

From the deepest

Heart

Of my poet

Soul

Is remapped

The whole world

Is constructed

The same story

But in a different

Way

 

As if I was

Born again

And transmuted

Flesh

In verb

With shape

Smell

And color

(“When we wrote a thesis”, Patricia Gonçalves Tenório, 02/14/2018, 6:50 p.m. and 7:36 p.m.)

 

The shape, smell and color of Creative Writing in the Index of February, 2018 of Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

Studies in Creative Writing, 2018 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Homage to Jorge Tufic (AC – Brasil).

Fantastic Women IV | The woman paper | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

Changing Paradigms | Mara Narciso (MG – Brasil).

“The Book of Insomnia” | Henrique Beltrão de Castro (CE – Brasil).

“Chronicles of a Serene on Two Wheels” | Tiberius Pordeus (PE – Brasil).

Thanks for the care and attention, the next post will be on March 25, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** O arco-íris da Escrita Criativa em Recife, Pernambuco. The rainbow of Creative Writing in Recife, Pernambuco.