Posts com Español

Índex* – Junho, 2019

Um herói

Nasce

Em cada

Gesto meu

Em cada

Monte alto

Que escalo

Em busca

De um novo

Sonho

Em luta

Por uma nova

Estrela

Que cabe

Aqui

Na minha mão

Que prego

Aqui

No meu peito

E nada

Ninguém

Consegue

De mim

Separar

(“Sonho de uma Escrita Criativa”, Patricia Gonçalves Tenório, 19/06/2019, 15h34)

 

Um sonho de Escrita Criativa se realiza no Índex de Junho, 2019 do blog de Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Especialização em Escrita Criativa – Unicap/PUCRS e EEC de Junho, 2019 | Diversos.

Metafísica do poema | Alcides Buss (PR – Brasil).

O voo da trapezista | Amilcar Bettega Barbosa (RS – Brasil).

“Cerzir” | Antonio Ailton (MA – Brasil).

“Desconstrucción de los rostros y otros poemas” | Luis Raúl Calvo (Argentina).

O CURATO DE BOM JARDIM | Marly Mota (PE – Brasil).

“A estética da indiferença” | Sidney Rocha (PE – Brasil).

Agradeço a atenção e o carinho de sempre, a próxima postagem será em 28 de Julho, 2019, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – June, 2019

A hero

Is born

In each

Gesture of mine

In each

Tall mountain

That I climb

In search

Of a new

Dream

In fight

For a new

Star

That it fits

On here

In my hand

That I nail

On here

In my chest

And nothing

Nobody

Can

Of me

Separate

(“Dream of a Creative Writing”, Patricia Gonçalves Tenório, 06/19/2019, 15h34)

 

A dream of Creative Writing takes place in the June, 2019 Index on the blog of Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Specialization in Creative Writing – Unicap/PUCRS and EEC of June, 2019 | Several.

Metaphysics of the poem | Alcides Buss (PR – Brasil).

The flight of the trapeze artist | Amilcar Bettega Barbosa (RS – Brasil).

“Cerzir” | Antonio Ailton (MA – Brasil).

“Deconstruction of faces and other poems” | Luis Raúl Calvo (Argentina).

THE CURATO OF GOOD GARDEN | Marly Mota (PE – Brasil).

“The aesthetics of indifference” | Sidney Rocha (PE – Brasil).

Thank you for the attention and affection of always, the next post will be on July 28, 2019, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Foto João Alderney

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Os longos, tortuosos, perigosos passos de um sonho. The long, tortuous, dangerous footsteps of a dream.

 

“Desconstrucción de los rostros y otros poemas” | Luis Raúl Calvo*

Libro Luis Raúl Calvo Deconstrucción de los rostros y otros poemas

* Contactoluisraulcalvo@gmail.com

Índex* – Janeiro, 2019

Hoje acordei

Com o mar

De Sophia Breyner 

O desassossego 

De Fernando Pessoa

E umas palavras

Pulsando no peito

Querendo nascer

 

Uma canção de infância

Uma dança de roda

Ver a lua nascer

Redonda

O sol brotar

Imenso

 

E eu

Na pequenez

Desses meus versos

Deitá-los na rede

E descansar

(“Férias”, Patricia Gonçalves Tenório, 06/01/2019, 05h54)

 

A volta das férias e início de escrita no Índex de Janeiro, 2019, no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa 2019 | Boas vindas! | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

O Fantasma de Licânia | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

Mi Salamanca: guía de un poeta nordestino | David de Medeiros Leite (RN – Brasil).

Por uma mobilidade performativa | Elilson (PE/RJ – Brasil).

Livraria Linardi y Risso | Fred Linardi (SP/RS – Brasil).

Vivendo na nuvem virtual | Mara Narciso (MG – Brasil).

 

Agradeço o carinho e a participação, a próxima postagem será em 24 de Fevereiro, 2019, abraço bem grande e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Index* January, 2019

I woke up today

With the sea

From Sophia Breyner

The unrest

From Fernando Pessoa

And a few words

Pulsing in the chest

Wanting to be born

 

A childhood song

A spinning dance

See the moon rise

Round

The sun will rise

Immense

 

And I

In the smallness

Of these my verses

Put them on the net

And rest

(“Holidays”, Patricia Gonçalves Tenório, 1/6/2019, 5:54 a.m.)

 

The return of the vacations and beginning of writing in the Index of January, 2019, in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Creative Writing Studies 2019 | Welcome! | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

The Phantom of Licânia | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

My Salamanca: guide of a northeastern poet | David de Medeiros Leite (RN – Brasil).

For a performative mobility | Elilson (PE / RJ – Brasil).

Linardi and Risso bookshop | Fred Linardi (SP / RS – Brasil).

Living in the virtual cloud | Mara Narciso (MG – Brasil).

 

Thank you for the affection and the participation, the next post will be on February 24, 2019, a big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Portugal, Brasil, Inglaterra, Japão, … e um oceano de palavras. Portugal, Brasil, England, Japan, … and an ocean of words.

Mi Salamanca: guía de un poeta nordestino* | David de Medeiros Leite**

I

 

Na Plaza Mayor, turistas desfrutam de bares e terraços. Apreciam arcos e pavilhões, pilares e medalhões. Pétreos olhares de Alfonso XI, Antonio de Nebrija, Carlos II, Cristóbal Colón e dos Reyes Católicos contemplam o frenesi de estudantes que festejam a vida. No Café Novelty, Torrente Ballester cinzelou aforismos, pensamentos e sentimentos.

Em rito histórico, tudo é testemunhado pela esculpida pedra de Villamayor.

 

I

 

En la Plaza Mayor, los turistas se deleitan de bares y terrazas. Aprecian arcos y pabellones, pilares y medallones. Pétreas miradas de Alfonso XI, Antonio de Nebrija, Carlos II, Cristóbal Colón y de los Reyes Católicos contemplan el frenesí de estudiantes que celebran la vida. En el café Novelty, Torrente Ballester cinceló aforismos, pensamientos y sentimientos.

Cual rito histórico, todo queda atestiguado por la esculpida piedra de Villamayor.

 

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* Extraídos de Mi Salamanca: guía de un poeta nordestino. David de Medeiros Leite. Tradução: Alfredo Pérez Alencart. Mossoró, RN: Sarau das Letras/Trilce Ediciones, 2018.

** Contato: davidleite@hotmail.com

Livraria Linardi y Risso | Fred Linardi*

Era para ser um dia de passagem rápida pelo terminal rodoviário de Montevidéu, mas decidimos sair de Colônia de Sacramento mais cedo. Antecipamos as passagens e saímos três horas antes. Das livrarias da capital uruguaia que gostaríamos de conhecer, a Linardi y Risso era a única na qual ainda não havíamos conseguido entrar. Além de ter sido uma dica da minha amiga Annie Piagetti Muller, a LyR carrega em seu nome o meu sobrenome.

É uma das mais antigas livrarias do país e, certamente, a mais antiga em atividade, aberta em 1944 por Adolfo Linardi Montero. Oito anos depois, ele se associou a outro descendente de italianos, Juan Ignacio Risso. Hoje, na segunda geração, é administrada pelos filhos Alvaro Risso e Andres Linardi.

No fim da tarde do dia 27 de dezembro, quando entramos lá, um senhor veio de uma das salas administrativas e nos deu boas-vindas. Eu arrisquei meu espanhol inexistente dizendo da minha satisfação de estar lá, não apenas pelo belo lugar, mas também por eu ser um Linardi. Eu não sabia, mas ele era o próprio Andrés, que parou o que tinha para fazer, me convidou a sentar numa das cadeiras de leitura e pediu para eu continuar falando em português mesmo – seria mais simples.

Contou-me dos primeiros anos da livraria, quanto era apenas uma pequena loja num outro prédio daquele mesmo centro de Montevidéu. De quando ele começou a trabalhar junto do seu pai, do início da sociedade e da compra daquele prédio onde eles estão hoje. A livraria, especializada em títulos latino-americanos, dos antigos ao mais modernos, também costuma lançar alguns livros com o selo próprio.

Eu, que já havia conhecido o Café Brasilero, frequentado por Eduardo Galeano e que fica na rua logo de trás, imaginei o tanto de outras mentes que haviam passado entre aquelas prateleiras. A resposta veio quando Andrés me mostrou uma foto do pai ao lado de Pablo Neruda numa foto na parede do escritório, ao lado de outros registros do lugar, cuja história recebeu a presença de outros como Mario Benedetti, Juan Carlos Onetti, Armonía Somers, Juan José Saer, Mario Vargas Llosa…

Perguntei-lhe se havia um livro sobre a história da loja, e ele me assentiu com a cabeça. Trouxe um exemplar único, que não estava à venda, produzido por eles próprios. Mas havia um outro, escrito por Patricia Demicher Ilaria, sobre famílias italianas no Rio da Prata. “Deste tenho vários. Pode levar como um presente.”

Impossível não me sentir em casa naquele ambiente e com aquela conversa. Falamos do que sabíamos dos nossos antepassados. Lembramos que há, na região da Calábria, uma forte concentração de Linardi. Era de lá que eu havia encontrado a documentação dos meus e, há alguns anos, havia descoberto que na cidade de Rossano é produzido um vinho chamado Linardi. Ele já conhecia e, há algum tempo atrás, haviam conseguido uma remessa de garrafas através de uma encomenda.

Ao final da conversa, o telefone tocou com latidos de cachorro. Era sua esposa, para quem começou a contar sobre a visita inusitada dos parentes brasileiros. Depois de desligar, contou para nós sobre o motivo do toque do telefone. “Ela cria sheepdogs”. Com livros, vinhos e cachorros, não há necessidade de melhores companhias e referências para encontrar laços que unem parentescos, mesmo que não tão próximos.

 

(Montevidéu, dezembro de 2018)

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* Contato: fred.linardi@gmail.com

Índex* – Junho, 2018

Carrego 

As frases

Inacabadas 

Os sonhos

Por vir

Uma estrela

Cadente

Caindo

Em minha mão

Ainda quente

Ainda cheirando 

A jasmim

Até brotar

No centro

Uma palavra

De cor

Azul

(“Até meu céu nascer azul”, Patricia Gonçalves Tenório, 31/05/2018, 15h35)

 

O céu azul de final de semestre, início de outro no Índex de Junho, 2018 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Vinte e um | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Il Convivio (Itália), Alfredo Tagliavia (Itália) & “La bambina dagli occhi verdi” | Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa – Junho, 2018 | De Recife a Porto Alegre | Diversos.

Poemas de Cilene Santos (PE – Brasil).

Minicontos de Júlia Dantas (RS – Brasil) nos Estudos em Escrita Criativa – Porto Alegre.

E os links do mês:

– Homero Fonseca (PE – Brasil): https://medium.com/@homerofonseca/literatura-ostenta%C3%A7%C3%A3o-bc355b700c7c

– Gabriel Nascimento (RS –Brasil):  https://www.facebook.com/Reimundo45/

– Pedro Gabriel (PE – Brasil): https://lituraterre.com/espaco-letra-freudiana/  

Agradeço a atenção e o carinho de sempre, a próxima postagem será em 29 de Julho de 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Index* June, 2018

 

I carry

The phrases

Unfinished

The dreams

For coming

A star

Cadent

Falling down

In my hand

Still hot

Still smelling

The jasmine

Until it comes out

In the center

A word

In color

Blue

(“Until my sky is blue”, Patricia Gonçalves Tenório, 05/31/2018, 3:35 p.m.)

 

The blue sky of the end of semester, beginning of another in the Index of June, 2018 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Twenty-one | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Il Convivio (Italy), Alfredo Tagliavia (Italy) & “La bambina dagli occhi verdi” | Patricia Gonçalves Tenório.

Studies in Creative Writing – June, 2018 | From Recife to Porto Alegre | Several.

Poems by Cilene Santos (PE – Brasil).

Very-short-stories by Júlia Dantas (RS – Brasil) in Studies in Creative Writing – Porto Alegre.

And the links of the month:

– Homero Fonseca (PE – Brasil): https://medium.com/@homerofonseca/literatura-ostenta%C3%A7%C3%A3o-bc355b700c7c  

– Gabriel Nascimento (RS – Brasil): https://www.facebook.com/Reimundo45/

– Pedro Gabriel (PE – Brasil): https://lituraterre.com/espaco-letra-freudiana/  

Thank you for the attention and the affection of always, the next post will be on July 29, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** “Olha para o céu, meu amor… Nessa noite de São João”. Música: Luiz Gonzaga  (PE – Brasil). Fotografia: George Barbosa  (PE – Brasil). “Look at the sky, my love … On that night of St. John.” Music: Luiz Gonzaga (PE Brasil). Photography: George Barbosa (PE – Brasil).

Vinte e um* | Patricia Gonçalves Tenório**

 

Ele perguntou o que era terça;

ela, perigosamente, não respondeu.

 

O que não se sabe sobre os terroristas é que eles levam uma vida perfeitamente normal. Se apaixonam, desiludem, se iludem com as promessas de vida eterna e dezenas de virgens flutuantes.

Oham sabia das virgens, cria nas virgens como ao próprio corpo armado, coberto com a túnica preta e o turbante branco. O que Oham não sabia era que uma das virgens atravessava o seu espaço no exato instante em que iria disparar as bombas.

– O senhor sabe quando é terça?

Ela lhe perguntou. Com tantos ao redor. Com olhos de pantera, ela perguntou. Será que sabia? Será que lhe adivinhou?

Yasmine era filha única, neta única de marajá. Ela poderia estar em casa, com as tantas amas, os muitos escravos, a pensar em nada, a não pensar. Mas para que deixar de viver a vida, experimentar a vida no seu sabor, nos aromas, no calor do mercado, o colorido das especiarias, que sabor tem o açafrão para Yasmine?

– O que tem na terça-feira?

O rapaz lhe perguntou. O rapaz de olhos vivos, mais vivos que os seus, mais vida nos lábios grossos e os dentes de marfim, o turbante branco emoldurando o rosto, a túnica preta cobrindo o corpo alto, esguio.

Ele não desconfiou que o perigo ali se achava. Naqueles dedos finos. Naquele véu de púrpura. Os olhos de pantera adentravam os olhos seus, sondavam a alma por mistérios, e ali, no centro, no âmago do espaço seu, Yasmine o desvendou, Yasmine lhe sentiu a cintura, sentiu as bombas, o disparador.

– O que tem na terça-feira?

– É o dia.

– O dia?

– Do meu aniversário.

– Quantos anos?

– Vinte e um.

– Também tenho vinte e um.

– Por que então as bombas?

– Por que então o véu de púrpura?

Yasmine ali sentou. No chão. Na calçada do mercado. Onde Oham já devia ter disparado, já devia ter se entregado à vida eterna e às virgens prometidas.

Mas as lágrimas de Yasmine o atraíram para o chão. Na calçada do mercado. Tocou a mão de Yasmine. Ela não se esquivou. E assim permaneceram, o tempo da explosão, o tempo da fuga de casa de Yasmine, do paraíso de Oham.

Porque, se quiser, se vive tantas possibilidades, muitas vidas, muitas virgens num mesmo instante, num mesmo toque, num único beijo da virgem Yasmine e do homem-bomba Oham.

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Veintiuno

Elle preguntó qué era martes;

Ella, peligrosamente, no respondió.

 

Lo que no se sabe sobre los terroristas es que llevan una vida perfectamente normal. Se enamoran, se decepcionan, se ilusionan con las promesas de vida eterna y decenas de vírgenes flotantes.

Oham sabía de las vírgenes, cría en las vírgenes como en el propio cuerpo armado, cubierto con la túnica negra y el turbante blanco.

—¿El señor sabe cuándo es martes?

Le preguntó ella. Con tantos alrededor. Ella preguntó con ojos de pantera. ¿Será que sabía? ¿Será que le adivinó?

Yasmine era hija única, nieta única de marajá. Ella podría estar en casa, con las tantas amas, los muchos esclavos, a pensar en nada, a no pensar. Pero para dejar de vivir la vida, experimentar la vida en su sabor, en los aromas, en el calor del mercado, el coloreado de las especias, ¿que sabor tiene el azafrán para Yasmine?

– ¿Y que tiene el martes?

El muchacho le preguntó. El muchacho de ojos vivos, más vivos que los suyos, con más vida en los labios gruesos y los dientes de marfil, el turbante blanco amoldado al rostro, la túnica negra cubriendo el cuerpo alto, esbelto.

Él no dudó el peligro se hallaba allí. En aquellos dedos finos. En aquel velo de púrpura. Los ojos de pantera penetraban sus ojos, sondaban el alma por misterios, y allí, en el centro, en el núcleo de su espacio, Yasmine lo desveló, Yasmine le sintió la cintura, sintió las bombas, el disparador.

– ¿Y que tiene el martes?

– Es el día.

– ¿El día?

– De mi aniversario.

– ¿Cuántos años?

– Veintiuno.

– También tengo veintiuno.

– ¿Por qué entonces las bombas?

– ¿Por qué entonces el velo de púrpura?

Yasmine se sentó allí. En el suelo. En la calzada del mercado. Donde Oham ya debía haber disparado, ya debía haberse entregado a la vida eterna y a las vírgenes prometidas.

Pero las lágrimas de Yasmine lo atrajeron al suelo. En la calzada del mercado. Tocó la mano de Yasmine. Ella no se esquivó. Y permanecieron así, el tiempo de la explosión, el tiempo de la fuga de casa de Yasmine, del paraíso de Oham.

Porque, si se quiere, se viven tantas posibilidades, muchas vidas, muchas vírgenes en un mismo instante, en un mismo toque, en un único beso de la virgen Yasmine y del hombre-bomba Oham.

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* Extraído de Vinte e um / Veintiuno, Patricia Gonçalves Tenório. Tradução: Alexandra Viscrian, David Pérez García. Madrid: Mundi Book Ediciones, 2016.

** Patricia Gonçalves Tenório (Recife/PE, 1969) escreve prosa e poesia desde 2004. Tem onze livros publicados, com premiações no Brasil e no exterior, entre elas, Melhor Romance Estrangeiro por As joaninhas não mentem (em outubro, 2008) e Primo Premio Assoluto por A menina do olho verde (em outubro, 2017), ambos pela Accademia Internazionale Il Convivio, Itália); Prêmio Vânia Souto Carvalho (2012) da Academia Pernambucana de Letras (PE) por Como se Ícaro falasse, e Prêmio Marly Mota (2013) da União Brasileira dos Escritores – RJ pelo conjunto da obra. Mestre em Teoria da Literatura (UFPE) e doutoranda em Escrita Criativa (PUCRS). Contatos: patriciatenorio@uol.com.brwww.patriciatenorio.com.br

 

Índex* – Janeiro, 2018

As palavras

Fizeram um acordo

Com a minha boca

E dela não saem mais

Fizeram um acordo

Com os olhos

E eles vão ler

Silenciosos

Com os ouvidos

E eles vão escutar

Estrelas

*

Porém

As palavras

Não conseguem

Adormecer 

As minhas mãos

Acordar com as minhas mãos

Uma página em branco

*

As mãos

São o instrumento 

Que me faz

Sentir humana

E sonhar

E perceber 

E escrever

A imensidão 

Do meu vazio

(“O ser e o nada”, Patricia Gonçalves Tenório, 14/01/2018, 17h55)

 

Uma página em branco a ser preenchida no Índex de Janeiro, 2018 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Um conto | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“Contos de areia” | Chico Alves d’Maria (RN – Brasil).

“Rio de Fogo” | Bruno Lacerda (RN – Brasil) & David de Medeiros Leite (RN – Brasil).

Estudos em Escrita Criativa – 2018 | Diversos.

Agradecemos a atenção e o carinho, a próxima postagem será em 25 de Fevereiro, 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index*, January, 2018

The words

Made a deal

With my mouth

And they do not leave it any more

Made a deal

With the eyes

And they will read

Silent

With the ears

And they will listen

Stars

*

However

The words

They can not

Fall sleep

My hands

Wake up with my hands

A blank page

*

The hands

They are the instrument

That makes me

Feel human

And dream

And realize

And write

The immensity

Of my emptiness

(“Being and Nothing”, Patricia Gonçalves Tenório, 01/14/2018, 05:55 PM)

 

A blank page to be filled in the Index of January, 2018 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

A tale | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“Tales from the sand” | Chico Alves d’Maria (RN – Brasil).

“River of Fire” | Bruno Lacerda (RN – Brasil) & David de Medeiros Leite (RN – Brasil).

Studies in Creative Writing – 2018 | Miscellaneous.

Thanks for the attention and the affection, the next post will be on February 25, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Um verão em cor na praia de Boa Viagem – Recife – PE. A summer in color on Boa Viagem beach – Recife – PE.

“Rio de Fogo”* | Bruno Lacerda & David de Medeiros Leite

Quixote hodierno

 

De Touros a Maracajaú,

de Perobas a Punaú.

Eis o nordestino quadrilátero

Do Quixote de nossos dias.

 

Moendo a hodierna

energia eólica,

em suas hélices gigantes,

os moinhos de ventos

estão postos:

ajaezados para

abundantes combates.

 

E a marcha do guerreiro

se dará sobre dunas,

sob o sol que embeleza

alvos e ebúrneos caminhos.

 

O Rocinante ressurgirá

travestido de possante quadriciclo.

A dulcíssima Dulcineia quiçá

espere-o em um dos recônditos

da encantada praia de Pititinga.

 

Só será difícil reinventar

o contemporâneo Sancho

: a fidelidade anda escassa.

 

Quijote actual

 

De Touros a Maracajaú

de Perobas a Punaú.

Es el nordestino cuadrilátero

del Quijote de nuestros días.

 

Moliendo la actual

energía eólica,

en sus hélices gigantes,

los molinos de viento

están puestos:

enjaezados para

abundantes combates.

 

Y la marcha del guerrero

se dará sobre las dunas,

debajo del sol que embellece

albos y ebúrneos caminos.

 

Rocinante resurgirá

como poderoso cuadriciclo.

Una dulcíssima Dulcinea, quizá,

lo espere en uno de los recónditos lugares

de la encantada playa de Pititinga.

 

Solo será difícil reinventar

un Sancho contemporáneo

: la fidelidad anda escasa.

 

 

Escrutínio

 

Nossos pés

se encontram

em águas rasas.

 

Os meus,

vindos do mar

: mareados.

Os seus, da terra

: azoados.

 

No apear,

escrutinamos

abastanças e arrastados.

 

 

Escrutinio

 

Nuestros pies

se encuentran

en aguas bajas.

 

Los míos

venidos del mar

: mareados.

Los suyos, de tierra

: aturdidos.

 

En el parar,

escudriñamos

abundancias y arrastados.

 

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* Extraídos de Rio do Fogo. David de Medeiros Leite. Fotos: Bruno Lacerda. Tradução: Juan Angel Torres Rechy. Natal, RN: 8 Editora; Mossoró, RN: Sarau das Letras, 2017.

 

I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco

13 a 15 de Outubro, 2017

Auditório Círculo de Ideias – Centro de Convenções, Olinda – PE

XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco

 

Foram 3 dias intensos de Escrita Criativa. Escritores de todo o Brasil e do exterior participaram intensamente do I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco. Com as mesas “A importância do ambiente estimulante na Criação Artística”, “Era das narrativas e o herói cansado”, “Quem tem medo da Literatura Fantástica?”, e oficinas do “Grupo de Estudos em Escrita Criativa”, “Mercado editorial e autopublicação”, “Devaneios Fílmicos, Cósmicos e Poéticos”, “Estimulando a Leitura na Escrita Criativa”, “Oficina de Poesia”, “Oficina de Contos e Roteiros”, contamos com a honra da presença dos escritores e professores Luiz Antonio de Assis Brasil (PUCRS), Lourival Holanda (UFPE), Maria do Carmo Nino (UFPE), Robson Teles (UNICAP-PE), e dos escritores e poetas Adriano Portela (PE), Alexandra Lopes da Cunha DF/RS),  André Balaio (PE), Bernadete Bruto (PE), Cida Pedrosa (PE), Carlos Enrique Sierra (Colômbia), Daniel Gruber (RS), Daniel Perroni Ratto (SP), Elba Lins (PB/PE), Fernando de Mendonça (SP/PE/SE), Guilherme Azambuja Castro (RS), Gustavo Melo Czekster (RS), Igor Gadioli (PB/SE), Luísa Bérard (AL/PE), Luiz Roberto Amabile (SP/RS), María Elena Móran (Venezuela/RS), Patricia Gonçalves Tenório (PE), Sidney Nicéas (PE), Talita Bruto (PE), Valesca de Assis (RS).

Temos a alegria de apresentar trechos de obras de alguns dos participantes dessa Festa Literária que foi o I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco!

Que venham outros!

 

Patricia Gonçalves Tenório

 

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Adriano Portela

“Olinda, 07.07.2017

A dor é o estágio da glória e o desabafo é o vômito dos inocentes.

Aqui, neste meu leito de quase-morte, lembro que o meu ardil é a vida e que depois dela todos os meus segredos podem ser jogados na cara da sociedade, assim como os nobres jogam o lixo aos porcos, mas esses resíduos só podem vir à tona se eu te contar e, no futuro, alguém te encontrar e te sugar ao máximo. […]”

(“O Beijo da Morte”. Adriano Portela. In Recife de Amores e Sombras. Recife: Gráfica Flamar, 2017)

 

Alexandra Lopes da Cunha

“[…] Mulheres são sempre casas:

Abrigam em suas fendas,

envolvem em seus abraços,

saciam sedes e fomes,

de seres unos, indivisíveis,

carentes de seiva e açúcar,

famintos ao nascimento. […]”

(“Bífida”. In Bífida e outros poemas. Alexandra Lopes da Cunha. Fotografia: Raul Krebs. São Paulo: Kazuá, 2016)

 

Bernadete Bruto

“[…] Olívia vai crescendo e, quando o tempo se veste de branco, estação que chamamos de Inverno, as folhas caem e a árvore fica sequinha.

Olivia was growing up while nature was getting dressed in white. All the leaves fall from the trees. It is Winter season. […]”

(Trecho de A menina e a árvore. The girl and the tree. Bernadete Bruto. Ilustrações: André Bruto. Tradução: Dulce Albert. Prefácio: Salete Rêgo Barros. Recife: Ed. do Autor, 2017)

 

Cida Pedrosa

“ela lava a calçada

como quem lava o mundo

 

[…]

 

cecília lava a calçada

e a espuma em pedra

é breve morada em seus pés

 

portas se abrem

olhos espiam

a vassoura se apressa

e varre a agonia

vivida durante a noite […]”

(“cecília”. In as filhas de lilith. Cida Pedrosa. Design: Jaíne Cintra. Rio de Janeiro: Calibán, 2009)

 

Daniel Gruber

“porque o mais terrível no amor, meu bem, é que inevitavelmente sempre chega o momento em que você deseja machucar o outro, e era como a euforia das abelhas em volta de um copo esquecido de refrigerante, naquele domingo de manhã, na cama, quando tu violentamente despertou esta coisa dentro de mim, esta coisa da humanidade simbólica que fere o corpo animal com mil desejos incompreendidos, me mostrou que o coração é um músculo que precisa ser exercitado, eu te falei que tudo isso é a maior transgressão desses tempos pós-qualquer-coisa, um instrumento de resistência contra os destinos medíocres da vida, um organismo cego, surdo e sem artérias, motor de uma engrenagem muito complexa, esse sentimento que então nos atravessaria impiedoso, trazendo a força das coisas que fazem sentido e a dor dos prazeres que teríamos que deixar para trás, porque antes de ser platônico, meu bem, nossa paixão era pré-socrática, cheia daquelas certezas vazias que compõem nossa ridícula intelectualidade pequeno-burguesa ocidental, e como a um reizinho impertinente tu me arrancou desse delírio coletivo, dizendo tudo isso naquela manhã de domingo […]”

(“o amor épico”. In O Jardim das Hespérides. Daniel Gruber. Porto Alegre: Daniel Fernando Gruber, 2017)

 

Daniel Perroni Ratto

“O Tempo é efêmero

quando cabe na solidão

 

O Espaço é finito

quando sabe de antemão

 

Que o amor é

o espaço-tempo

além dessa dimensão

 

Maluquices

Viagem ao

Superaglomerado

Perseus-Piesces!”

(“Supercordas”. In Vozmecê. Daniel Perroni Ratto. São Paulo: Patuá, 2016)

 

Elba Lins

“Sintonia

Não é paixão…

Não é tesão…

 

Encontro-te!

E no espelho

Vejo

Meu próprio retrato.

 

Universos concêntricos

Num salto quântico

Atinjo outro nível

Encontro minha TRIBO

 

Encontro-te!

E o que vejo

É um espelho

É o meu próprio retrato.”

(“Tribo”. In Do outro lado do espelho: O feminino em estado de poesia. Elba Lins. Prefácio: Patricia Tenório. Recife: Ed. do Autor, 2017)

 

Fernando de Mendonça

“[…] – (…) Mas, pela primeira vez, sinto que esbarro em algo realmente grande. Sabe estes livros que nos marcam de um jeito especial? Estes que parecem ter vindo com um remetente para nós? Estou até assustada com a pertinência deste para mim.

– Conte-me algum dos contos. O que mais gostou.

– Acho que não consigo. Não é apenas pelo que acontece nele. Vai mais fundo. E aqui eu sei que não estou confundindo gosto com costume, pois já os li, reli, e não me acostumei a eles.

– Aos melhores livros, a gente não se acostuma, mas sobrevive. […]”

(Trecho de 23 de Novembro. Fernando de Mendonça. Recife: Grupo Paés, 2014)

 

Guilherme Azambuja Castro

“[…] O Bebeto.

Mas por que seria famoso eu? Aí eu disse:

– Não sou famoso.

E ele:

– Ah, és… Muito famoso.

Disse isso afagando minha cabeça enquanto entrava no chalé, que é minha casa e de onde eu vi meu pai ir embora num dia calorento: saiu levando nosso carro e eu ali, sentadinho na varanda, os olhos baixos, matando formigas com os chinelos. O motor de repente desapareceu na BR e nunca mais.

Pois aqui ele chegou, o Bebeto, dizendo que eu era famoso. […]”

(Trecho de “O cheiro triste das bergamotas”. In O amor que não sentimos e outros contos. Guilherme Azambuja Castro. Recife: Cepe, 2016)

 

Gustavo Melo Czekster

“[…] Certo dia, Anton Lopez desapareceu. Restaram somente os seus desenhos de homens formados por moscas, obras que, pela simetria e noção do corpo humano, assemelhavam-se aos esboços de Leonardo da Vinci e aos quadros de Archimboldo. A última pessoa que viu Anton Lopez foi o homem que levava a comida uma vez por semana ao sítio. De acordo com a sua versão: “O senhor Lopez estava vestido, o que não era normal, e as moscas estavam dentro da sua roupa, mexendo de um lado para o outro. Às vezes, uma saía da boca, outra do nariz, outra da orelha. Ele não parava de andar e não dizia coisa com coisa”. Infelizmente, a veracidade do depoimento nunca foi confirmada: dias depois, encontraram a testemunha dentro de um valo, coberta de moscas. […]”

(Trecho de Um mundo de moscas. Gustavo Melo Czekster. In O homem despedaçado. Porto Alegre: Dublinense, 2011)

 

Luisa Bérard

“[…] A luminosidade do dia clareava o ambiente. Os tons azulados dos estofados das duas poltronas, próximas às altas janelas de esquadrias brancas do quarto, agora tinham uma cor vibrante. Os lençóis rendados e as colchas da aconchegante cama de dossel dourada, inclusive os matizes coloridos das flores, diligentemente organizadas num vaso de opalina sobre a cômoda encostada na parede, também estavam bem perceptíveis, em face do adiantado da hora. Não restava dúvida: eu estava terrivelmente atrasada![…]”

(Trecho de Nas montanhas do Marrocos. Luisa Bérard. 1ª ed. Recife, PE: Ed. do Autor, 2017)

 

Luís Roberto Amabile

“[…] O senhor K. seria um sonhador, mas, como sonhava apenas pesadelos, era mais um pesadelador. Podia fazer, o senhor K., esse uso do idioma, agregando palavras, porque o falava de um modo alternativo, sobretudo incomum. Na verdade, não era o seu idioma, e não o era duplamente. O senhor K. pertencia a um outro país, a um outro povo, e apenas por falta de opção, e por coerção, praticava aquele idioma.”

(Trecho de O livro dos cachorros. Luís Roberto Amabile. São Paulo: Patuá, 2015)

 

Patricia Gonçalves Tenório

“[…] Eu fiquei muda, sozinha com as minhas palavras silenciosas. Por que elas não falavam? Por que não manifestavam o que eu sentia, o que eu pedia, meu desejo mais profundo? De tanto pedir caí no sono, ali, na sala de visitas, ali, no colo da babá.

E sonhei com um outro espaço. Onde tudo que eu tocava falava por conta própria e eu não precisava mais falar: a cadeira, o sofá, o tapete reclamava todo passo que eu dava. E o Pedro pulava de alegria, pois não ia mais assustar a tia Clara com as palavras que nem mesmo ele quis falar. As coisas por si falavam, as coisas por nós falavam e todos nos entendiam, babá, a cozinheira, tia Clara, mamãe, papai… […]”

(Trecho de “Alice no espelho”. In Vinte e um/Veintiuno. Patricia Gonçalves Tenório. Madrid, España: Mundibook Ediciones, 2016)

 

Sidney Nicéas

“[…] Um estremecer sacudiu o velho. Não havia mais palavras naquele momento. Ele abriu-se como página. Ela fechou-se em dicionário. Um silêncio d’água ecoou. E persistiu por minutos naquele casebre muito mais simples do que a época que os abrigava – a vida, que ia ficando mais complexa naquela beirada de novo milênio, era contraste com toda a simplicidade do lugar. Mãos a se encostar. Quatro olhos não mirados entre si. Muitos silêncios emitidos que não se tocavam. Ambos numa mudez de nádegas encostadas. Mas toda quietude frágil tente a ruir. […]”

(Trecho de Noite em clara: um romance (e uma mulher) em fragmentos. Sidney Nicéas. São Paulo: Scortecci, 2016)

 

Valesca de Assis

“É do silencio e da perda da voz que se revela / desvela a história do casal Marga e Rudy Treibel, trinta e três anos de casados, moradores de Cruzeiro, uma cidade 50 mil habitantes, pais de Vivian e de de Walter, avós de Renate e de Rudinho (Rude Neto). O enredo tem como ponto de partida o capítulo “Do fim ao começo”, antecedido pelo “Depois do almoço”, texto de abertura, que sinaliza para aquele que é o tema central do quarto romance de Valesca de Assis: a violência doméstica e o silenciamento da(s) vitima(s) femininas – “No melhor dos casos, a menina sentiria, no rosto, a mão ardente do pai. Deus foi muito bom, fazendo-a calar-se a tempo. […] Tinha vontade de gritar a notícia: não morreu […] Então gritou apenas para dentro de si.”

A ponta do silêncio. Valesca de Assis. Porto Alegre: BesouroBox, 2016.

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