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I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco

13 a 15 de Outubro, 2017

Auditório Círculo de Ideias – Centro de Convenções, Olinda – PE

XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco

 

Foram 3 dias intensos de Escrita Criativa. Escritores de todo o Brasil e do exterior participaram intensamente do I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco. Com as mesas “A importância do ambiente estimulante na Criação Artística”, “Era das narrativas e o herói cansado”, “Quem tem medo da Literatura Fantástica?”, e oficinas do “Grupo de Estudos em Escrita Criativa”, “Mercado editorial e autopublicação”, “Devaneios Fílmicos, Cósmicos e Poéticos”, “Estimulando a Leitura na Escrita Criativa”, “Oficina de Poesia”, “Oficina de Contos e Roteiros”, contamos com a honra da presença dos escritores e professores Luiz Antonio de Assis Brasil (PUCRS), Lourival Holanda (UFPE), Maria do Carmo Nino (UFPE), Robson Teles (UNICAP-PE), e dos escritores e poetas Adriano Portela (PE), Alexandra Lopes da Cunha DF/RS),  André Balaio (PE), Bernadete Bruto (PE), Cida Pedrosa (PE), Carlos Enrique Sierra (Colômbia), Daniel Gruber (RS), Daniel Perroni Ratto (SP), Elba Lins (PB/PE), Fernando de Mendonça (SP/PE/SE), Guilherme Azambuja Castro (RS), Gustavo Melo Czekster (RS), Igor Gadioli (PB/SE), Luísa Bérard (AL/PE), Luiz Roberto Amabile (SP/RS), María Elena Móran (Venezuela/RS), Patricia Gonçalves Tenório (PE), Sidney Nicéas (PE), Talita Bruto (PE), Valesca de Assis (RS).

Temos a alegria de apresentar trechos de obras de alguns dos participantes dessa Festa Literária que foi o I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco!

Que venham outros!

 

Patricia Gonçalves Tenório

 

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Adriano Portela

“Olinda, 07.07.2017

A dor é o estágio da glória e o desabafo é o vômito dos inocentes.

Aqui, neste meu leito de quase-morte, lembro que o meu ardil é a vida e que depois dela todos os meus segredos podem ser jogados na cara da sociedade, assim como os nobres jogam o lixo aos porcos, mas esses resíduos só podem vir à tona se eu te contar e, no futuro, alguém te encontrar e te sugar ao máximo. […]”

(“O Beijo da Morte”. Adriano Portela. In Recife de Amores e Sombras. Recife: Gráfica Flamar, 2017)

 

Alexandra Lopes da Cunha

“[…] Mulheres são sempre casas:

Abrigam em suas fendas,

envolvem em seus abraços,

saciam sedes e fomes,

de seres unos, indivisíveis,

carentes de seiva e açúcar,

famintos ao nascimento. […]”

(“Bífida”. In Bífida e outros poemas. Alexandra Lopes da Cunha. Fotografia: Raul Krebs. São Paulo: Kazuá, 2016)

 

Bernadete Bruto

“[…] Olívia vai crescendo e, quando o tempo se veste de branco, estação que chamamos de Inverno, as folhas caem e a árvore fica sequinha.

Olivia was growing up while nature was getting dressed in white. All the leaves fall from the trees. It is Winter season. […]”

(Trecho de A menina e a árvore. The girl and the tree. Bernadete Bruto. Ilustrações: André Bruto. Tradução: Dulce Albert. Prefácio: Salete Rêgo Barros. Recife: Ed. do Autor, 2017)

 

Cida Pedrosa

“ela lava a calçada

como quem lava o mundo

 

[…]

 

cecília lava a calçada

e a espuma em pedra

é breve morada em seus pés

 

portas se abrem

olhos espiam

a vassoura se apressa

e varre a agonia

vivida durante a noite […]”

(“cecília”. In as filhas de lilith. Cida Pedrosa. Design: Jaíne Cintra. Rio de Janeiro: Calibán, 2009)

 

Daniel Gruber

“porque o mais terrível no amor, meu bem, é que inevitavelmente sempre chega o momento em que você deseja machucar o outro, e era como a euforia das abelhas em volta de um copo esquecido de refrigerante, naquele domingo de manhã, na cama, quando tu violentamente despertou esta coisa dentro de mim, esta coisa da humanidade simbólica que fere o corpo animal com mil desejos incompreendidos, me mostrou que o coração é um músculo que precisa ser exercitado, eu te falei que tudo isso é a maior transgressão desses tempos pós-qualquer-coisa, um instrumento de resistência contra os destinos medíocres da vida, um organismo cego, surdo e sem artérias, motor de uma engrenagem muito complexa, esse sentimento que então nos atravessaria impiedoso, trazendo a força das coisas que fazem sentido e a dor dos prazeres que teríamos que deixar para trás, porque antes de ser platônico, meu bem, nossa paixão era pré-socrática, cheia daquelas certezas vazias que compõem nossa ridícula intelectualidade pequeno-burguesa ocidental, e como a um reizinho impertinente tu me arrancou desse delírio coletivo, dizendo tudo isso naquela manhã de domingo […]”

(“o amor épico”. In O Jardim das Hespérides. Daniel Gruber. Porto Alegre: Daniel Fernando Gruber, 2017)

 

Daniel Perroni Ratto

“O Tempo é efêmero

quando cabe na solidão

 

O Espaço é finito

quando sabe de antemão

 

Que o amor é

o espaço-tempo

além dessa dimensão

 

Maluquices

Viagem ao

Superaglomerado

Perseus-Piesces!”

(“Supercordas”. In Vozmecê. Daniel Perroni Ratto. São Paulo: Patuá, 2016)

 

Elba Lins

“Sintonia

Não é paixão…

Não é tesão…

 

Encontro-te!

E no espelho

Vejo

Meu próprio retrato.

 

Universos concêntricos

Num salto quântico

Atinjo outro nível

Encontro minha TRIBO

 

Encontro-te!

E o que vejo

É um espelho

É o meu próprio retrato.”

(“Tribo”. In Do outro lado do espelho: O feminino em estado de poesia. Elba Lins. Prefácio: Patricia Tenório. Recife: Ed. do Autor, 2017)

 

Fernando de Mendonça

“[…] – (…) Mas, pela primeira vez, sinto que esbarro em algo realmente grande. Sabe estes livros que nos marcam de um jeito especial? Estes que parecem ter vindo com um remetente para nós? Estou até assustada com a pertinência deste para mim.

– Conte-me algum dos contos. O que mais gostou.

– Acho que não consigo. Não é apenas pelo que acontece nele. Vai mais fundo. E aqui eu sei que não estou confundindo gosto com costume, pois já os li, reli, e não me acostumei a eles.

– Aos melhores livros, a gente não se acostuma, mas sobrevive. […]”

(Trecho de 23 de Novembro. Fernando de Mendonça. Recife: Grupo Paés, 2014)

 

Guilherme Azambuja Castro

“[…] O Bebeto.

Mas por que seria famoso eu? Aí eu disse:

– Não sou famoso.

E ele:

– Ah, és… Muito famoso.

Disse isso afagando minha cabeça enquanto entrava no chalé, que é minha casa e de onde eu vi meu pai ir embora num dia calorento: saiu levando nosso carro e eu ali, sentadinho na varanda, os olhos baixos, matando formigas com os chinelos. O motor de repente desapareceu na BR e nunca mais.

Pois aqui ele chegou, o Bebeto, dizendo que eu era famoso. […]”

(Trecho de “O cheiro triste das bergamotas”. In O amor que não sentimos e outros contos. Guilherme Azambuja Castro. Recife: Cepe, 2016)

 

Gustavo Melo Czekster

“[…] Certo dia, Anton Lopez desapareceu. Restaram somente os seus desenhos de homens formados por moscas, obras que, pela simetria e noção do corpo humano, assemelhavam-se aos esboços de Leonardo da Vinci e aos quadros de Archimboldo. A última pessoa que viu Anton Lopez foi o homem que levava a comida uma vez por semana ao sítio. De acordo com a sua versão: “O senhor Lopez estava vestido, o que não era normal, e as moscas estavam dentro da sua roupa, mexendo de um lado para o outro. Às vezes, uma saía da boca, outra do nariz, outra da orelha. Ele não parava de andar e não dizia coisa com coisa”. Infelizmente, a veracidade do depoimento nunca foi confirmada: dias depois, encontraram a testemunha dentro de um valo, coberta de moscas. […]”

(Trecho de Um mundo de moscas. Gustavo Melo Czekster. In O homem despedaçado. Porto Alegre: Dublinense, 2011)

 

Luisa Bérard

“[…] A luminosidade do dia clareava o ambiente. Os tons azulados dos estofados das duas poltronas, próximas às altas janelas de esquadrias brancas do quarto, agora tinham uma cor vibrante. Os lençóis rendados e as colchas da aconchegante cama de dossel dourada, inclusive os matizes coloridos das flores, diligentemente organizadas num vaso de opalina sobre a cômoda encostada na parede, também estavam bem perceptíveis, em face do adiantado da hora. Não restava dúvida: eu estava terrivelmente atrasada![…]”

(Trecho de Nas montanhas do Marrocos. Luisa Bérard. 1ª ed. Recife, PE: Ed. do Autor, 2017)

 

Luís Roberto Amabile

“[…] O senhor K. seria um sonhador, mas, como sonhava apenas pesadelos, era mais um pesadelador. Podia fazer, o senhor K., esse uso do idioma, agregando palavras, porque o falava de um modo alternativo, sobretudo incomum. Na verdade, não era o seu idioma, e não o era duplamente. O senhor K. pertencia a um outro país, a um outro povo, e apenas por falta de opção, e por coerção, praticava aquele idioma.”

(Trecho de O livro dos cachorros. Luís Roberto Amabile. São Paulo: Patuá, 2015)

 

Patricia Gonçalves Tenório

“[…] Eu fiquei muda, sozinha com as minhas palavras silenciosas. Por que elas não falavam? Por que não manifestavam o que eu sentia, o que eu pedia, meu desejo mais profundo? De tanto pedir caí no sono, ali, na sala de visitas, ali, no colo da babá.

E sonhei com um outro espaço. Onde tudo que eu tocava falava por conta própria e eu não precisava mais falar: a cadeira, o sofá, o tapete reclamava todo passo que eu dava. E o Pedro pulava de alegria, pois não ia mais assustar a tia Clara com as palavras que nem mesmo ele quis falar. As coisas por si falavam, as coisas por nós falavam e todos nos entendiam, babá, a cozinheira, tia Clara, mamãe, papai… […]”

(Trecho de “Alice no espelho”. In Vinte e um/Veintiuno. Patricia Gonçalves Tenório. Madrid, España: Mundibook Ediciones, 2016)

 

Sidney Nicéas

“[…] Um estremecer sacudiu o velho. Não havia mais palavras naquele momento. Ele abriu-se como página. Ela fechou-se em dicionário. Um silêncio d’água ecoou. E persistiu por minutos naquele casebre muito mais simples do que a época que os abrigava – a vida, que ia ficando mais complexa naquela beirada de novo milênio, era contraste com toda a simplicidade do lugar. Mãos a se encostar. Quatro olhos não mirados entre si. Muitos silêncios emitidos que não se tocavam. Ambos numa mudez de nádegas encostadas. Mas toda quietude frágil tente a ruir. […]”

(Trecho de Noite em clara: um romance (e uma mulher) em fragmentos. Sidney Nicéas. São Paulo: Scortecci, 2016)

 

Valesca de Assis

“É do silencio e da perda da voz que se revela / desvela a história do casal Marga e Rudy Treibel, trinta e três anos de casados, moradores de Cruzeiro, uma cidade 50 mil habitantes, pais de Vivian e de de Walter, avós de Renate e de Rudinho (Rude Neto). O enredo tem como ponto de partida o capítulo “Do fim ao começo”, antecedido pelo “Depois do almoço”, texto de abertura, que sinaliza para aquele que é o tema central do quarto romance de Valesca de Assis: a violência doméstica e o silenciamento da(s) vitima(s) femininas – “No melhor dos casos, a menina sentiria, no rosto, a mão ardente do pai. Deus foi muito bom, fazendo-a calar-se a tempo. […] Tinha vontade de gritar a notícia: não morreu […] Então gritou apenas para dentro de si.”

A ponta do silêncio. Valesca de Assis. Porto Alegre: BesouroBox, 2016.

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Sala de Imprensa

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JC II

JC III

 

 

Índex* – Setembro, 2017

Foram derrubados os muros da cidade, o Muro Alto não existia mais.

Plantaram jardins conjuntos, escreveram livros para uns aos outros ler.

Era bom aquele começo, com a esperança no coração.

(“A Cidade Universitária”. In A menina do olho verde, Patricia Gonçalves Tenório)

Furono rubate le mura della città, il Muro Alto non esisteva più.

Piantarono giardini comunicanti, scrissero libri per leggerli gli uni agli altri.

Era buono quell’inizio, con la speranza nel cuore.

(“La Città Universitaria”. In La bambina dagli occhi verdi, Patricia Gonçalves Tenório,

Traduzione Alfredo Tagliavia, Milano, Italia: IPOC, 2016)

Os muros derrubados pela Escrita Criativa no Índex de Setembro, 2017 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Prêmio Il Convivio, 2017 & “A menina do olho verde” | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil). 

I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco & “Sobre a escrita criativa” | Diversos.

“Separação” | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

“Tecelãs” / “Tejedoras” | Rizolete Fernandes (RN – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Setembro, 2017 | Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil), Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil).

Agradeço a participação e carinho, a próxima postagem será em 29 de Outubro de 2017, grande abraço e até lá,

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – September, 2017

The walls of the city were overthrown, the High Wall no longer existed.

They planted joint gardens, wrote books for each other to read.

That beginning was good, with hope in the heart.

(“The University City”. In The Green Eye Girl, Patricia Gonçalves Tenório)

 

The walls overturned by the Creative Writing in the Index of September, 2017 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Prize Il Convivio, 2017 & “The Green Eye Girl” | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

I National Seminar on Creative Writing in Pernambuco & “About creative writing” | Miscellaneous.

“Separation” | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

“Weavers” / “Tejedoras” | Rizolete Fernandes (RN – Brasil).

Study Group on Creative Writing – September, 2017 | Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil), Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil).

Thanks for the participation and affection, the next post will be on October 29, 2017, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Os muros derrubados entre Recife e Porto Alegre no I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco. The walls overturned between Recife and Porto Alegre in the First National Seminar on Creative Writing in Pernambuco.

“Tecelãs” / “Tejedoras”* | Rizolete Fernandes**

Tétis

(Grécia, entre 1.300 – 1.200 a.C.)

 

De saber Titã empoderada

dei vida a três mil rios; entre

aqueles no Inferno situado há

o Estige, ou Água do Silêncio

 

Minhas divinas irmãs puderam

deuses desposar, a mim porém

foi destinado o mortal Peleu

então o nosso filho semideus

 

A proteger sua metade humana

orientaram-me cedo os oráculos

a submergi-lo inda recém-nascido

nas prodigiosas águas do Estige

 

Deusa das águas obedeci convicta

de que após o aconselhamento ritual

seu corpo fecharia, invulnerável

a espadas flechas feras outro mal

 

Esmerada educação lhe fiz dar Quiron

 

Impetuoso e amado cresceu Aquiles

sinônimo de bravura audácia virtude

admirado por reis princesas armadas

temido em Grécia e mundo conhecido

 

Mas ao perder dileto amigo em Troia

olvidou o guerreiro a divina herança

e tomado pela ira fulminou Heitor –

vingança anula a magnanimidade

 

Em castigo Vênus aos troianos afeita

faz ver a Páris o calcanhar de Aquiles

única parte vulnerável do seu corpo

onde o segurei no mergulho do rio

 

Para o tendão guiou Apolo a seta

pelo filho de Príamo disparada

e porque oráculos não erram

foi-se o herói, sua fama estará

para todo sempre imortalizada

 

Nereida-mãe, teci um fio da mitologia

 

Tétis

(Grecia, entre 1300 – 1200 a.C.)

 

De titánico saber empoderada

di vida a tres mil rios; entre

los que están en el Infierno existe

el Estige, o Agua del Silencio

 

Mis divinas hermanas podrian

desposarse con dioses, pero a mi

me fue destinado el mortal Peleo

entonces mi hijo fue un semidios

 

Muy temprano los oráculos me enseñaron

a proteger su mitad humana

a sumergilo aun recién nacido

en las prodigiosas aguas del Estige

 

Diosa de las aguas obedeci convencida

de que después del ritual aconsejado

su cuerpo se cerraria, quedando invulnerable

a las espadas flechas fieras u otro mal

 

Esmerada educación hice que le diera Quirón

 

Impetuoso y amado creció Aquiles

sinónimo de valentia audacia virtud

admirado por reyes princesas armadas

temido en Grecia en el mundo conocido

 

Mas al perder al querido amigo en Troya

se olvidó el guerrero de la divina herencia

y possído por la ira fulminó a Héctor –

la venganza anula la magnanimidad

 

En castigo Venus daña a los troyanos

revela a Paris el talón de Aquiles

única parte vulnerable de su cuerpo

por onde lo sostuve al sumergilo en el rio

 

Apolo guió la saeta directo al tendón

disparada por el hijo de Priamo

y porque los oráculos no se equivocan

se marchó el héroe, su fama estará

immortalizada para siempre

 

Nereida-madre, teji un hilo de la mitologia

 

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Primeiro poema de Tecelãs. Tejedoras. Rizolete Fernandes. Tradutora: Jaqueline Alencar. Mossoró, RN: Sarau das Letras; Salamanca [Espanha]: Trilce, 2017.

** Contatofmariarizolete@yahoo.com.br

Índex* – Abril, 2017

Perdi

A capacidade de dizer

Bom dia

Senti

A necessidade de dizer

Te amo

Mas as palavras 

Não estavam lá

Não estão aqui

Dentro do meu

Peito

Soltas na minha

Língua

Para saírem

Quando quiserem

Quando puderem

Fazer um mundo

Mais colorido

Trazer o sonho

Para o dia-a-dia

E amanhecer em mim 

Um gosto bom

De infância

(“O fim das lentes cor-de-rosa”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 23/04/17, 05h02)

 

A capacidade de transmutar Vida em Poesia no Índex de Abril, 2017 no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

Pequeno conto circense (e prefigural) | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

Sobre “Não há amanhã”, de Gustavo Melo Czekster (RS – Brasil).

Sobre “O livro dos cachorros”, de Luís Roberto Amabile (SP/RS – Brasil).

Un Poema de Rizolete Fernandes (RN – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Abril, 2017 | Com Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil), Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil).

Agradeço o carinho e participação, a próxima postagem será em 28 de Maio de 2017, um abraço bem grande e até lá,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – April, 2017

I’ve lost

The ability to say

Good Morning

I felt

The need to say

I love you

But the words

They were not there

They were not here

Inside my

Chest

Loose in my

Tongue

To get out

When they want

When they can

Make a world

More colorful

Bring the dream

To the day by day

And dawn on me

A good taste of

Childhood

(“The end of the pink lenses”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 04/23/17, 05h02)

 

The ability to transmute Life in Poetry in the Index of April, 2017 in Patricia (Gonçalves) Tenório’s blog.

Little circus (and prefigural) tale | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

About “There is no tomorrow”, from Gustavo Melo Czekster (RS – Brasil).

About “The Book of Puppies”, from Luís Roberto Amabile (SP/RS – Brasil).

A Poem by Rizolete Fernandes (RN – Brasil).

Study Group in Creative Writing – April, 2017 | With Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil), Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil).

Thank you for the affection and participation, the next post will be on May 28, 2017, a big hug and until then,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Transmutando Vida em Poesia no Jardim do Baobá, em Recife, PE – Brasil. Transmuting Life in Poetry in the Garden of Baobab, in Recife, PE – Brasil.

Un Poema de Rizolete Fernandes

From: Maria Rizolete Fernandes [mailto:fmariarizolete@yahoo.com.br]
Sent: quarta-feira, 19 de abril de 2017 09:22
To: Patricia Tenório <patriciatenorio@uol.com.br>
Subject: Enc: Fwd: Apreciadas poetas, por aquí aparece vuestro texto de NO RESIGNACIÓN (Saludos fraternos, Alfredo)

 

Caríssima,

 

No ano que passou, foi publicada na Espanha uma antologia de poemas acerca da violência contra a mulher, contando com dezenas de poetas de todo o mundo. Repercutiu enormemente na imprensa virtual e escrita e o trabalho de divulgação tem prosseguimento. Aqui, inclui-se o meu Coro Feminil, entre o de cinco outras poetisas. Para seu conhecimento.

Um abraço fraterno,

 

Rizolete

 

 

Em Quarta-feira, 19 de Abril de 2017 9:01, Maria Rizolete Fernandes <marrizolete@gmail.com> escreveu:

 

 

———- Forwarded message ———-
From: ALFREDO PÉREZ ALENCART <alen@usal.es>
Date: 2017-04-18 15:59 GMT-03:00
Subject: Apreciadas poetas, por aquí aparece vuestro texto de NO RESIGNACIÓN (Saludos fraternos, Alfredo)
To: ALFREDO PÉREZ ALENCART <alen@usal.es>
http://salamancartvaldia.es/ not/146831/poetas- iberoamericanas-antologia- salamanca/

 

Índex* – Março, 2017

Foi às portas do

Inferno

E provou

O gosto árduo

De amar e

Não ser amada

*

Mesmo só

No infinito

Purgatório

Experimentou

Gotas de orvalho

Que desciam

Suavemente

Lá do

Céu

*

Avistou São Pedro

E suas chaves

Douradas

E os portões

Dourados

Que se abriam

De par em par

Como se para Beatriz

Fossem

Como se para Beatriz

Abrissem

Um sem fronteiras

De bênçãos

E felicidade

*

Pedro sorriu para Beatriz

Ele que negou

Três vezes

Ele que sofreu

Três vezes

O suplício de negar

A quem muito

Amava

*

Ele estendeu a mão

Ela se encolheu

Ele deu mais um passo

Ela compreendeu

Que o verdadeiro

Amor

É aquele que tudo

Com a consciência de talvez

Nunca

Receber nada em troca

(“Dante ao contrário”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 04/03/2017, 15h05)

O Amor sem receber nada em troca no Índex de Março, 2017 no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

A volta de um”A menina do olho verde” | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

Alfredo Pérez Alencart (Salamanca – Espanha) | Poemas.

Geórgia Alves (PE – Brasil) | “Reflexo dos Górgias”.

Grupo de Estudos em Escrita Criativa | Com Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PB/PE – Brasil).

Luís Augusto Cassas (MA – Brasil) | “A Poesia sou Eu”.

Marta Braier (Argentina) | Por Rolando Revagliatti (Argentina).

E os links do mês:

– O lançamento de “Não verás amanhã” (29/03/2017), de e no blog de Gustavo Melo Czekester (RS – Brasil): www.homemdespedacado.wordpress.com

– A fotografia de Tatiana Barroso de Oliveira (“Dona Mariana”) no Singular e Plural: www.singulareplural.wixsite.com

– A tradução e apresentação de Tiago Silva da escritora Namrata Poddar na Revista da UEPB: www.revista.uepb.edu.br/index.php/sociopoetica/article/view/3427/1873

Agradeço a participação e carinho, a próxima postagem será em 30 de Abril, 2017, grande abraço e até lá,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – March, 2017

 

She went to the doors of

Hell

And proved

The hard taste

Of loving and

Not being loved

*

Even alone

In the infinite

Purgatory

She tasted

Dew drops

That descended

Gently

There from

Heaven

*

She sighted St Peter

And his golden

Keys

And the golden

Gates

That opened

Wide

As for Beatriz

Were

As for Beatriz

Opened

One without borders

Of blessings

And happiness

*

Peter smiled at Beatriz

He who denied

Three times

He who suffered

Three times

The punishment of denying

Who he much

Loved

*

He held out his hand

She cringed

He took another step

She understood

That the true

Love

It’s the one which

One gives

With the consciousness of maybe

Never

Receive nothing in return

(“Dante to the contrary”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 04/03/2017, 15:05)

 

The Love without receiving anything in return in the Index of March, 2017 in the blog of Patricia (Gonçalves) Tenório.

The Return of a “The Green Eye Girl” | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

Alfredo Pérez Alencart (Salamanca – Spain) | Poems.

Georgia Alves (PE – Brasil) | “Reflection of the Gorgias”.

Study Group in Creative Writing | With Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PB/PE – Brasil).

Luís Augusto Cassas (MA – Brasil) | “Poetry is Me”.

Marta Braier (Argentina) | By Rolando Revagliatti (Argentina).

And the links of the month:

– The launch of “You will not see tomorrow” (03/29/2017), from and on the blog of Gustavo Melo Czekester (RS – Brasil): https://homemdespedacado.wordpress.com/

– The photo of Tatiana Barroso de Oliveira (“Dona Mariana”) in the Singular and Plural: http://singulareplural.wixsite.com

– The translation and presentation by Tiago Silva of the writer Namrata Poddar in the UEPB Magazine: http://revista.uepb.edu.br/index.php/sociopoetica/article/view/3427/1873

Thanks for the participation and affection, the next post will be on April 30, 2017, big hug and until then,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** A Crítica Genética de um Poema. The Genetic Critique of a Poem.

Alfredo Pérez Alencart | Poemas

De: ALFREDO PÉREZ ALENCART <alen@usal.es>
Data: 04/02/2017 16:14
Para: ALFREDO PÉREZ ALENCART <alen@usal.es>
Assunto: Saludos de A. P. Alencart

 

Queridos/as poetas y amigos/as:

 

Les hago conocer dos selecciones de mis poemas hechas desde la antología  AQUÍ ES EL CIELO /  TU JE NEBO. Se publicaron en las revistas NAGARI y METAFOROLOGÍA, ambas editadas en Estados Unidos y en español. Pronto saldrá una tercera muestra, esta vez en la revista argentina LA POESÍA ALCANZA.

 

Aquí el poema ‘Forastero’ y otros más, ahora que está tan ‘de moda’ cuestionar al extranjero

 

http://www.nagarimagazine.com/forastero-y-otros-poemas-de-una-antologia-croata-alfredo-perez-alencart/

http://metaforologia.com/aqui-es-el-cielo-alfredo-perez-alencart/

 

Saludos siempre fraternos,

 

Alfredo

 

 

Marta Braier | por Rolando Revagliatti

From: Rolando Revagliatti [mailto:revadans@yahoo.com.ar]
Sent: sábado, 4 de março de 2017 18:00
To: Revista Azahar (de España) <revista_azahar@hotmail.com>; trajineros.blogspot.com <colectivotrajin@gmail.com>
Cc: Carlos Gallardo Guarniz <revistaelsoldelperu@hotmail.com>; Víctor M. Falco <vittoriofa9@hotmail.com>
Subject: Marta Braier: sus respuestas y poemas

 

Marta Braier: sus respuestas y poemas

 

Entrevista realizada por Rolando Revagliatti

 

Marta Braier nació el 19 de junio de 1947 en San Miguel de Tucumán, provincia de Tucumán, República Argentina, y reside en la Ciudad Autónoma de Buenos Aires. Es Profesora en Letras desde 1972, con la distinción Summa Cum Laude, por la Facultad de Filosofía y Letras de la Universidad Nacional de Tucumán. Especializada en Creatividad y Crítica Literaria, coordina talleres de escritura. Entre 2003 y 2015 dirigió el Taller Literario para Jóvenes de la Biblioteca Nacional. Ha sido traducida al francés, catalán y portugués. Colaboró, entre otros, en el suplemento cultural del diario “Clarín” (1976-1987). Cuentos suyos fueron incluidos en el volumen colectivo “Sociedad de sueños” (1992), así como textos poéticos en las antologías “Poemas y relatos desde el Sur” (con prólogo de Aitana Alberti, en Barcelona, España, 2001) y “Antología de poesía argentina contemporánea. 18 poetas” (compilada por Cristina Madero, Mario Jorge Buchbinder y Daniel Calmels, Reflet de Lettres, de Francia, y Alción Editora, de Argentina, 2012). Dirigió en 1998 un ciclo de narrativa y poesía en “Liberarte / Bodega Cultural”. Poemarios publicados: “Gestos de minué” (Libros de Tierra Firme, 1999), “Ésta es la tierra, corazón” (Ediciones Último Reino, 2005) y “El río secreto” (Premio Único de la Ciudad Autónoma de Buenos Aires en Poesía Inédita, Bienio 2010-2011, Ediciones El Jardín de las Delicias, 2016).

 

 

1 — Confieso que no he visitado tu provincia.

 

         MB — Donde nací de cara al Aconquija. En el éxtasis de la belleza, en las primeras preguntas ante la incertidumbre de lo vital, surgió el misterio de la poesía y desde muy niña leí con pasión. Recuerdo haber llorado a mares con “Corazón” de Edmundo de Amicis y el temprano compromiso con la palabra poética en mis clases de Declamación, como se decía en aquella época. También leí por entonces “Juan Cristóbal” de Romain Rolland (varios tomos) y “Bonjour tristesse” —inolvidable— de Françoise Sagan. Eran libros de mamá, dedicados, que aún conservo, con sus tapas antiguas. Viví en el seno de una familia judía acomodada, con mis dos hermanos. Papá, médico ginecólogo nacido en Buenos Aires, migró a Tucumán desde Rosario, donde hizo la carrera universitaria; y mamá —hija de tenderos prestigiosos de la calle San Luis, de Rosario, fina y elegante, la más coqueta del barrio— tenía devoción por el teatro y solía recitarnos a lo Berta Singerman. El piano sonaba en casa a cualquier hora en la interpretación de mi hermano Lalo; y esa escucha fijó en mí, tempranamente, las músicas y letras notables de los tangos de la guardia vieja, sustento lingüístico y filosófico que flota con cierta melancolía, tragicidad e ironía, en mi primer poemario. De esos tangos que escuché cantados por mi hermano y en la voz de Carlos Gardel, evoco con una sonrisa tres de gran potencia sentimental: “Ladrillo”, “Caminito” y “Si se salva el pibe” (este último con letra de Celedonio E. Flores). El segundo poemario es de otro momento de mayor aceptación; el discurso es llano y realista, aunque siempre revestido de “levedad”, ese lirismo que es un rasgo primordial en mi dicción, cierta contemplación de lo vital rodeada de un aura de conciliación. Y del tercero, de octubre del año pasado, lo autorreferencial se constituye en centro de la historia, desde una oralidad elaborada alrededor de una adolescente y su relación con el entorno familiar y social. Lo menciono ahora, porque en esta obra anticonvencional, casi una nouvelle, entramado de narrativa y poesía, está expuesta mi adolescencia, con toda la frescura y pavor que caracterizan esa época de la vida, la mismísima intemperie ante los mandatos sociales y familiares, y la subjetividad constituyéndose en atormentados combates interiores. El texto de contratapa es de la extraordinaria cineasta salteña Lucrecia Martel, influencia muy importante en mi carrera. Su filmografía revela la hipocresía de una sociedad, en este caso la del Norte argentino, que manipula e intenta ocultar el deseo y el verdadero sentir. El “murmullo” social ocupa un lugar relevante como intrínseco de la identidad (el famoso “qué dirán”). Cito una frase de mi libro: “Mirá que las mujeres quedan marcadas”.

 

2 — Ése dedicado a tus hermanos, Lalo y Sofi, “por aquella casa que nos habitó”.

 

MB  — Sí, “El río secreto”. Cuando se vendió mi casa de infancia y adolescencia en San Miguel de Tucumán, en el 2005, la casa me dejó oír una voz, enraizada en el habla provinciana, que parecía dictarme los textos que componen la nouvelle y yo escribí esta obra —memoria deslumbrada, silencioso devenir de un alma— bajo el amparo de esa melodía, como homenaje a mis hermanos y a esa “casa de la Avenida Mitre”, por necesidad de testimonio, de legado. Los textos fueron madurando a lo largo de una década: mandé la obra al Concurso Municipal en 2011, me entregaron el premio en 2016 y recién ese año, que decidí la publicación, dejé de modificarla. El cruce de géneros surgió naturalmente —hasta hay escenas en clave de grotesco, cuando se trata de describir la relación con la madre—  y en la yuxtaposición de los textos y las voces, se fue perfilando la trama. Nada es totalmente nítido pero todo está allí. “El deseo es algo que fluye, evitarlo es una actitud muy clase media”  —dice Lucrecia Martel. “El río secreto” tiene que ver con esta cita.

Mientras transcurría el secundario, la carrera de Letras, las letras de tango, los grandes descubrimientos literarios, el cine, cantantes de entonces: todo entra en juego y nutre ese miasma emocional que luego será núcleo y génesis de mi creación poética. De los cantantes que alimentaron mi romanticismo innato te menciono al chileno Antonio Prieto, a Leonardo Favio y a Sandro, claro, el de “Penumbras”. Y además, las canciones mexicanas apasionadas: “Me cansé de rogarle / Me cansé de decirle / que yo sin ella / de pena muerooooo”… Me refiero a “Ella”, de José Alfredo Jiménez, nacido en Guanajuato.

Cursé el secundario en la Escuela y Liceo Vocacional Sarmiento, donde fui abanderada, con mucho orgullo. No olvido ese 9 de julio de 1965, cuando desfilé con la bandera rumbo a la Casa Histórica. De allí evoco a un eminente profesor de filosofía, Néstor Grau; a “la Lucioni”, mi profesora de Física, materia que me atraía muchísimo por su misterio, y en especial a mi profesora de Literatura, María Rosa Garbero, que marcó mi camino hacia la literatura; tanto es así que, al finalizar esos estudios, me inscribí, decidida, en la carrera de Letras en marzo de 1966. “La Garbero” nos hizo leer —hasta me acuerdo del patio de la escuela y el sol picando a la hora de la siesta— nada menos que “El sonido y la furia” de William Faulkner y “La metamorfosis” de Kafka. Entrar a los dieciocho años en el dramático universo familiar de los Compson de Faulkner, o en el siniestro y desventurado mundo de Gregorio Samsa, significó para mí el encuentro con la Gran Literatura, el descubrimiento de las posibilidades inauditas de la Palabra Literaria, la sorpresa de una realidad textual que me conmovía hasta los tuétanos y que me devolvía al mundo más calma y “crecida”: empezaba a intentar “comprender”. Con esa misma profesora tuve la oportunidad en 1971, por esas cosas azarosas del transcurrir, de viajar a Salónica, Grecia, con un grupo de estudiantes, becados por la Universidad Nacional de Tucumán y la Universidad Aristotélica de Salónica, para realizar estudios de Lengua y Literatura Griega Modernas. Ese viaje (residí en Salónica durante más de seis meses), lo hicimos en barco, ida y vuelta, fue un hito en mi vida. Mis padres me dejaron ir, a regañadientes; así como habían cuestionado mi decisión de estudiar Letras porque —según papá— “qué iba a hacer con esa carrera, me moriría de hambre”. En Salónica estudié con pasión el Griego Moderno —ya había estudiado el griego clásico en la Facultad— y tuve un encuentro deslumbrante con la Poesía al leer por primera vez a Odisseas Elytis y a Yorgos Seferis en su propia lengua. (En la Facultad me había imbuido de “Edipo Rey” de Sófocles, en griego clásico, y esa emoción aún la atesoro, como germen de mi fervor poético.) De ambas situaciones de lectura, recuerdo la hora del día, el asiento que ocupaba en el aula de la Facultad, y las fulguraciones de la luz filtrándose por la ventana.

 

3 — ¿Y cuando regresaste de Grecia?

 

         MB — Me recibí, me casé con el novio de Tucumán, y vinimos en 1972 a vivir a Buenos Aires, incitados por mi viejo, que amaba a su ciudad. (Tengo dos hijos: una mujer, la mayor, Silvina, y el varón, Demián, cinco años menor. Cuatro nietos.) Los años de la adolescencia y de estudio de la carrera de Letras fueron fundantes y gloriosos, a pesar de problemas personales. Estaba encantada con el estudio, la Facultad, los libros. A Julio Cortázar su madre lo llevó a un médico, preocupada porque “leía demasiado”. A mí también, a un neurólogo, porque sufría de dolores de cabeza y el médico me preguntaba: “Pero, ¿usted pasea, se distrae…?” Y en realidad yo estudiaba y leía en demasía. Me presenté para una ayudantía en Lingüística y quedé segunda; escribí mi primer ensayito sobre una “novela de la tierra”, venezolana, “Doña Bárbara”, de Rómulo Gallegos, y otro, apasionante, sobre el significado de la palabra Kátarsis, en la definición de Aristóteles de Tragedia Griega. Para este ensayo leí a un gran humanista, Pedro Laín Entralgo (“La curación por la palabra en la antigüedad clásica”) y a Albin Lesky en su obra “La tragedia griega”, entre otros. Lo cual me abrió la comprensión del poder “sanador” de la palabra; ya sabemos que las representaciones trágicas en la época de oro de la tragedia griega, tenían un valor curativo, educativo, transformador, y por eso mismo formaban parte de las fiestas que congregaban al pueblo y a los soberanos: las llamadas Fiestas Dionisíacas.

Esto del poder sanador de la palabra lo relaciono con mi trabajo como coordinadora de talleres de escritura y literatura. Abracé esta tarea muy tempranamente (1982); y siempre consideré que mi trabajo, más allá de dar herramientas para perfeccionar la escritura e iluminar la lectura, mejora la vida. Uno está trabajando con aquello que nos toca profundamente a todos. Nunca soy fría enseñando. El vínculo con el otro me dignifica y hace crecer. Me interesa ayudar a reconocer la calidad de una obra literaria, a discernir sobre la buena o mala literatura, el compromiso con la vocación escritural. Pero también —como te dije— me interesa el vínculo que se establece: uno comparte el embrión, lo creativo en estado puro, el arranque entrañable de la emoción, la música del pensamiento, del recuerdo, del corazón.

En la cátedra de griego clásico leo por primera vez en una versión espléndida “La Ilíada” y “La Odisea”. “La Ilíada” sigue siendo un libro de cabecera. Esa poesía estuvo siempre en mí. W. H. Auden hace referencia a la solemnidad trágica de esos versos medidos, ese hallazgo musical para expresar el dolor por la muerte de Patroclo; la majestuosa dignidad y belleza de los Cantos homéricos.

Me pidieron que fuera ayudante en la Cátedra de Griego I, pero a mí me atraía la literatura; y si bien estudié la española del Siglo de Oro y francesa contemporánea, lo que más me cautivaba era la literatura argentina y latinoamericana. Fue con un profesor paraguayo, Mariano Moriñigo, con quien descubrí a José Martí, a José Lezama Lima, “La vorágine” de Eustasio Rivera, “El indio” de Gregorio López y Fuentes, “Los de abajo” de Mariano Azuela, entre tantos autores que me conectaron con el sustrato indígena, el campesinado, el sometimiento, y la dignidad de seres en condiciones de vida muy precarias. También por entonces descubrí a Juan Rulfo y me consubstancié con el ensayo “El laberinto de la soledad” de Octavio Paz.

El tema de la marginalidad y las diferencias sociales lo trato en mi último libro, en el cual el personal doméstico —las muchachas— cobran protagonismo, en oposición a una burguesía —adinerada— que se empeña en ocultar y en aparentar.

Patricio Esteve y Rodolfo Modern, profesores porteños, dieron algunos cursos en la Universidad de Tucumán y con ellos me embarqué en Samuel Beckett, Eugène Ionesco, Antonin Artaud, el expresionismo alemán y el Teatro de la Crueldad en Michel de Ghelderode. Y otro, como materia extracurricular, con un profesor comprovinciano, Octavio Corbalán, y así accedí al primer Mario Vargas Llosa (el mejor): “La ciudad y los perros”, “Los cachorros”, y al primer Carlos Fuentes: “La muerte de Artemio Cruz”.

 

 

4 — Ya habrías descubierto al mencionado Cortázar.

 

         MB — Mucho antes. Y sus libros me esperaban en la mesita de luz. Él significó mucho para mí, y de eso quiero hablarte en relación a su humanismo redentor, su ideal de un hombre nuevo, apartado de la Gran Costumbre. Sus cuentos me subyugaron, dicté cursos sobre su cuentística y la novela mosaico, “Rayuela”, y en parte, sus principios los encontré hace pocos años materializados en el pensamiento de un psicólogo chileno, Rolando Toro, inventor de la Biodanza. Cuando la empecé a conocer me hallé con “los cronopios”, con mi manada. Digo esto porque papá desvalorizaba mi afectividad desbordante, el hecho de que yo centrara mi existencia en el lugar de la emoción. La Biodanza me permitió expresarla y ubicarla en el lugar que yo quería. En el centro de mi Vida. Eso no es fácil en la sociedad tecnológica en la que confluimos, pero por lo menos lo atesoro como ideal. Con Jorge Ariel Madrazo [1931-2016], amigo del alma, que conocí poco después de publicar mi primer poemario y que extraño muchísimo, solíamos hablar de esto. Del desgaste de la afectividad en el mundo de hoy, de la falta de contacto real. Del teléfono de línea mudo, de la comunicación por celular, etc. Yo me quejaba. Él, no. Me decía: “Vos tenés que entrar a Facebook.” Desde allí fue un militante fervoroso e incansable. Y para mí él fue un compañero de vida, un extraordinario interlocutor, un grandísimo poeta. Le presenté uno de sus libros de la última etapa e hice un prólogo para su “Obra reunida”, que finalmente no se pudo editar, en ciudad de México. Parte de ese prólogo se difundió en una edición especial, “Madrazo en el Corazón”, un homenaje de 92 páginas, en el número 37, agosto 2016, de la revista de poesía “Trilce”, que dirige desde Chile el poeta Omar Lara. Aprovecho para comentarte que me sentí orgullosa de que Jorge Ariel me eligiera para presentarlo y reseñar su trayectoria en la sala Borges de la Biblioteca Nacional, cuando recibió el Premio Rosa de Cobre otorgado en 2014 por la citada Institución.

 

5 — Ciertas expresiones artísticas, claramente, han influido en tu obra.

 

         MB — Mucho. El cine, la pintura, la escultura. En mi último libro, antes del final, el lector se encuentra con una glosa, a modo de intertexto, de una película china, “El río”, de Tsai Ming Liang. En el anterior, en la tapa, está la foto de “Hombre que camina”, escultura de Alberto Giacometti. Y en el primero hay un retrato de mujer, una carbonilla, “Melancolía”, del pintor argentino José Marchi. Fue un impacto el descubrimiento de estas figuras alargadas y frágiles de Giacometti, con una expresión feroz en el rostro, que yo diría radica en la determinación para vivir, el impulso de vida del hombre en una contemporaneidad que nos condena a una inorgánica soledad. Observarlas en el Museo Miró de Barcelona me produjo una emoción que decantó en el segundo poemario y que ya desde el título anuncia una aceptación de lo real desde una madurez que duele. Sin embargo, el dolor de “saber” trae consigo una mansa reparación y el poema “Çest si bon”, con el que concluyo el libro, lo describe. A Gyula Kósice lo conocí, me adentré en sus esculturas acuáticas y está presente en mi búsqueda de sosiego y como remanente en algunos textos. Una instalación de un artista veneciano, Fabrizio Plessi, es la base de uno que se titula “Nana para tía Elvira”. Además tengo otro que siempre gusta en las lecturas, inspirado en Edward Hooper, en su cuadro “Mujer sentada”. Y en “El río secreto” el primer epígrafe es del escultor rumano Constantin Brancussi: “Toda mi vida he buscado la esencia del vuelo. El vuelo. Qué felicidad.” Su obra escultórica me inspiró, quizás porque me identifico con su exploración de un mundo más armónico. Sobre él dice Mircea Eliade: “Basta dejarse llevar por la potencia de las obras de Constantin Brancussi para recuperar la beatitud olvidada de una existencia libre de todo sistema de condicionamientos.”

 

         6 — ¿Cuándo comenzaste a escribir poesía?

 

         MB — Cuando regresé de Grecia. Durante un tiempo había llevado un Diario Íntimo, había intentado algunos poemas sueltos, y trabajos para la Facultad. Con continuidad me aboco en Buenos Aires, cuando empiezo a dictar clases de Literatura en el Instituto Mariano Moreno, para la carrera de Periodismo. En 1975 me sorprendo con “Residencia en la tierra” de Pablo Neruda: “Sucede que me canso de ser hombre…” En la Facultad, poco de poesía. Leopoldo Lugones, entre otros. Por ejemplo, Ricardo E. Molinari: “Quien no haya oído al viento lamentándose en el hielo / no sabe lo que es el recuerdo. / Yo tengo los labios húmedos / de mirar por una ventana.”

Descubro a Louis Ferdinand Celine por una colaboración que me piden para “La Gaceta de Tucumán” (diario en el que durante 1972 publico reseñas literarias). Y a un cuentista que después conocí en “Clarín”: Ignacio Xurxo (seudónimo). También al paraguayo Elvio Romero. Se publican artículos míos sobre ellos en la Gaceta. Que es cuando empiezo a colaborar en la sección Bibliográficas del suplemento cultural de “Clarín”. El director era Fernando Alonso. Por el diario, en plena dictadura militar, leo con devoción a Juan José Saer y reseño una antología que él mismo seleccionó, “Juan José Saer por Juan José Saer”, Editorial Celtia, 1986,  con un exhaustivo estudio de María Teresa Gramuglio. “El limonero real” constituye un hito en mi condición de lectora. Él es un narrador eminentemente poético, con sus innovaciones formales audaces. Y llega a mis manos, también para comentar en el diario, una antología sobre Juan L. Ortiz, editada en Rosario, con estudio preliminar de Edelweiss Serra (Juan L. Ortiz, Antología Poética, Coquena  Ediciones, 1982). Ese volumen me despierta a una poesía leve, contemplativa, con una sintaxis particularmente extendida; una poética trascendente y también social, que habría de incidir en mi poeticidad. Ya bastante más adelante continué con lecturas de Arnaldo Calveyra, también, como Juanele, entrerriano, atento a lo que podríamos definir como “registro de la percepción”, y que se nos fue a residir y a morir en París. De él prefiero “El libro de las mariposas”.

En 1982 me separo, empiezo a dictar talleres de narrativa y poesía como medio de vida, actividad que sigo amando como el primer día. Me satisface guiar a los alumnos, sorprenderlos con lecturas esenciales, colaborar en reelaboraciones de los textos, ayudarlos a objetivar lo que escriben, a “desenamorarse” (la lectura en voz alta es una herramienta imprescindible en este sentido). Todavía en aquel año había pocos talleres literarios. Y escribo poesía sin apuro en publicar, porque estoy aplicada a la docencia y a criar a mis hijos. Un año después me deslumbro con Oliverio Girondo, Felisberto Hernández, César Vallejo, Edgar Bailey, Enrique Molina y Joaquín Giannuzzi. Conozco a algunos escritores en el taller que coordinaba la narradora Syria Poletti. Ese grupo deviene en un grupo de pertenencia: nos reunimos para escribir (y yantar). Nos llamamos “Los Imaginantes”. Hacemos recitales de poesía en el Teatro Municipal General San Martín, en bares de la ciudad de San Isidro, en el Club El Progreso, de la calle Sarmiento. Publicamos y presentamos el volumen de cuentos “Sociedad de sueños”. Allí está el germen de la voz lírico-narrativa de mi último libro: en dos cuentos: “La chica Agüero” y “La equilibrista”.

 

7 — ¿Por dónde más transitaste?

 

         MB — Cursé escritura, lectura y teoría literaria con Nicolás Bratosevich. Y durante un tiempo breve con la dramaturga Diana Raznovich. Escribía ya con regularidad y descubro poesía de mujeres: Liliana Lukin, Irene Gruss, Susana Villalba, Delia Pasini, Susana Thénon, Idea Vilariño. De Gruss tengo presente su poema “Mientras tanto”, esa escritura depurada, austera: plena dictadura y el encierro doméstico mientras acuna al hijo. Tomé un curso en el Centro Cultural Ricardo Rojas con Jorge Panesi, sobre Felisberto Hernández, y otro en la Facultad de Filosofía y Letras de la Universidad de Buenos Aires con Ricardo Piglia (y así me involucro más profundamente con Jorge Luis Borges y Manuel Puig). Diego Viniarsky, amigo querido fallecido trágicamente a los cuarenta años, me invita a leer en la sede de la UBA de la calle Puán (es una de mis primeras lecturas en público) y escribo a pedido de él un artículo para la hermosa revista que dirigía: “El Perseguidor” (2002). Trataba sobre el lenguaje “sesgado” de la poesía de los ochenta, la ineludible mordaza de los años oscuros.

Fue a partir de un encuentro fortuito con el poeta y ensayista Santiago Kovadloff que en 1999, después de dos décadas, publico mi primer libro. Me dijo: “¿Vos qué esperás para salir de la clandestinidad?”. Ese mismo año, el poeta Alex Pausides, vicepresidente por entonces de la  U. N. E. A. C. (Unión de Escritores y Artistas de Cuba), me invita a su país. Fue una experiencia incentivadora. Leo la ponencia “13 Jornadas para un Taller Literario” (la mesa desborda de “escritos desesperados”, pedidos de devolución en papeles arrugados, recibidos en galpones y salitas de escuela, muy precarios). Numerosos coordinadores me agasajan: allí los talleres son una institución y están organizados por jerarquías, niveles. Conocí, además, en La Habana a una poeta que admiro: Reina María Domínguez. Al año siguiente coordino un Taller de Poesía en la ciudad de La Plata: “Del surrealismo a la poesía actual”, invitada por la Dirección de Cultura de la Municipalidad de La Plata (encuentro organizado por la escritora Martha Berutti). En el nº 9, de junio de 2003, poemas míos se publican en la revista-libro “Hablar de Poesía”. Leo en 2004 en “La Anguila Lánguida”, la muestra de poesía que vos organizaste, y en el XII Festival Internacional de Poesía de Rosario. Del Festival me conmueven la solemnidad de ese auditorio multitudinario, la escucha de esa mezcla de escritores y público no especializado, pero interesado.

 

 

8 — Siendo el poeta Horacio Salas el director de la Biblioteca Nacional comenzaste allí a coordinar un Taller de Poesía para Jóvenes.

 

         MB — Sí, en 2003. Y después del breve período de Elvio Vitali como director, continué con Horacio González, ensayista, sociólogo, docente y novelista, quien llevó a cabo una gestión excelente, ampliando los talleres a la comunidad. Mi quehacer con jóvenes me vincula con una poesía menos frecuentada hasta ese momento por mí. La tarea es exigente. Aprendo de ellos. Son ávidos, rapidísimos en la asimilación, entusiastas y dramáticos. Escriben bien. Les atrae la desarmonía, el presente, el coloquialismo. Ausencia de nostalgia. Argentinos y numerosos latinoamericanos. Lamenté dejar de tener esa ventana al mundo cuando me despidieron las nuevas autoridades a principios de 2016. Gran bajón: había trabajado durante trece años. Me estimulaba aquel contacto, el desparpajo, la espontaneidad, las ganas, el talento incipiente. Los textos de ellos se fueron publicando en la revista “Coartadas” de la Biblioteca Nacional.

 

9 — Mencionaste a la Biodanza.

 

         MB — Darle bolilla al cuerpo, y al alma. Accedo a ella en 2005 y en 2010 me recibo de Facilitadora de Biodanza, título otorgado por la International Byocentric Foundation. El cuerpo me pide movimiento. Muchas horas sentada, dando clases o en la computadora, escribiendo; los músculos se tensan demasiado. Una vez por mes viajo a San Antonio de Areco durante cinco años a estudiar en una escuela de Biodanza que dirigen Jorge Terrén y Betina Ber: una indagación liberadora. “Una poética del encuentro” que después quise incorporar a mis clases, y de hecho lo logré durante un lustro. Talleres de creatividad literaria, de ahondamiento en la instancia inspiradora, a partir del movimiento, la música y la poesía. La práctica de esta disciplina me conectó con una mayor naturalidad y alegría en mi trabajo de Taller.

 

10 — Alegría.

 

          MB — Sí, porque el movimiento libera, ayuda a deponer el “ego”, a soltar lo cortical y te conecta con la alegría del cuerpo: la danza, la música y el encuentro con el otro. Y por otra vertiente, siento tristeza: por el país y por el mundo. La película italiana “La grande bellezza” de Paolo Sorrentino me encantó y me ronda. Ya decantará en mis textos su resonancia. Inicié mi cuarto libro, el que se perfila también como nouvelle.

Te cuento que estoy leyendo a Sharon Olds nuevamente y a Selva Almada. Me duelen las dos. Soy de leer tanto narrativa como poesía. Y el ensayo me fascina. También vi una Instalación del artista y músico británico Brian Eno: me empezó a “repiquetear”. Creo en la dignidad del arte para llegar al Ser. Ya dijo Heidegger: “Los poetas son los guardianes del fuego sagrado del hombre, los guardianes del Ser”. Uso esta frase en el Taller para “ablandar”, poner en órbita, que se agiten los fantasmas, las obsesiones más recónditas . La Poesía, flecha que se dirige a un blanco: Tensar la lengua hasta acercarse a Eso que se quiere decir y que uno desconoce. Estamos subsumidos en la incertidumbre pero saberlo consuela. Como dice Roberto Juarroz: “Quizá debamos aprender que lo imperfecto / es otra forma de la perfección: / la forma que la perfección asume / para poder ser amada”. Siempre con la lectura como telón de fondo esencial. No hay otra.

 

 

11 — ¿¡Así que naciste en la misma ciudad que Juan Bautista Alberdi (1810-1884), Leda Valladares (1919-2012), Tomás Eloy Martínez (1934-2010) y Mercedes Sosa (1935-2009)!?…

 

         MB — Sin desmerecer en nada a las figuras insignes que nombraste y que descollaron en el ámbito nacional e internacional, Rolando, me interesa Leda Valladares: poeta, compositora, cantante e investigadora musical. ¿Sabés?, me atraen su bajo perfil y su rebeldía frente al tradicionalismo provinciano. Ella, que provenía de una familia “paqueta” de Tucumán, se abocó al rescate de la música recóndita del norte argentino, despreciada por cierta élite de gustos europeístas. Se interesó por la baguala, la copla —cantos dolientes que tanto dicen— y los grabó, los recopiló, los cantó. Recuerdo versos suyos que aprendí de memoria en mi adolescencia y que no sé si están musicalizados: “La música me hace vasija / concavidad de barro antigüo / retumbo angustioso de lejanías.”

 

 

12 — Suelo interesarme por los artículos y ensayos concebidos por poetas argentinos, inéditos o difundidos circunstancialmente, a veces sólo de modo oral. Es tu caso, Marta. ¿“Dan” como para reunirlos en un volumen?

 

MB — Debo confesarte que el ensayo es mi género preferido. No sé si se debe a mi formación en Letras y al hábito de investigación que la facultad fomentó; pero la realidad es que atesoro recuerdos maravillosos de numerosas lecturas. Este género, personalmente, me aquieta, me ordena, me abre hacia niveles de pensamiento esclarecedores y lúcidos. Qué placer leer “La originalidad artística de La Celestina” de María Rosa Lida de Malkiel; o “El Hamlet de Shakespeare” de Salvador de Madariaga, “Onetti. Los procesos de construcción del relato” de Josefina Ludmer, “Sófocles y la personalidad de sus coros” de Ignacio Errandonea y tantos otros que, nombrarlos, alargaría demasiado este diálogo. Tu pregunta me atañe muchísimo. Te diría que, además de los  trabajos que he ido mencionando, guardo entre mis escritos un ensayo breve sobre el hermosísimo cuento “Los novios” de Haroldo Conti, autor que admiro y que aconsejo leer en mis clases por su peculiar uso de la “levedad”. Y para concluir: claro que me gustaría publicar mis ensayos; pero por ahora  no está entre mis  proyectos inmediatos.

 

 

        13 — ¿Y tus cuentos…? ¿Has seguido escribiendo narrativa?

 

         MB — Sí, estoy escribiendo una nouvelle en el estilo de “El río secreto”, con esa voz niña de intensidad poética cercana a la “percepción”. Me crió una niñera, Hortensia Juárez, tucumana mestiza de tierra adentro, sufrida, trabajadora. Su persona me ronda y ya he concebido algún diálogo, recuperándola. En este caso, otra vez el cine me dispara creación: en la película “La grande bellezza”, en la que ya me detuve, el personaje protagónico, un escritor, que vagabundea desencantado por las calles de Roma bajo la tenue luz de la madrugada, se confiesa con su empleada doméstica, Ramona, mientras ella lava los platos o, apartado, en una gran fiesta galante sobre una magnífica terraza de la Ciudad Eterna.

 

 

14 — ¿Puedo pedirte que sopeses lo que de cuatro escritores voy a encomillar y nos trasmitas lo que adviertas de mayor proximidad con tu pensamiento, con tu sentir, y reflexiones?…: Roberto D. Malatesta: “La poesía, se sabe, desprecia al impaciente.” Edna Pozzi: “…La poesía que no nos hace mejores ni distintos, sólo demuestra, por reducción al absurdo, la infinita vulnerabilidad del ser y sus símbolos y en definitiva la precaria condición de la palabra en un mundo de sordos necesarios.” Alfredo Palacio: “La poesía nace del exceso, la desmesura, con la búsqueda insaciable por lo vedado.” Astrid Lander: “La poesía no se escribe, / lo escrito es apenas / un esbozo / de lo que en verdad es poesía.”

 

         MB — Siento próxima la frase de Alfredo Palacio, Rolando. Además, aprovecho para decirte que me alegra que lo hayas nombrado porque es un amigo de la poesía y de la vida. No sé cómo entender “lo vedado”. Quizás como ese “todo” al que no se llega nunca y que la poesía intenta alcanzar, por cierto. Lo que me toca de su definición es la idea de “desmesura”. “Desmesura” en griego clásico se corresponde con el vocablo Hybris, y este vocablo del universo de la gran Tragedia Griega, señala una acción condenada por los dioses para el que osaba ir más allá de los límites o desafiarlos. Se consideraba, en la Grecia Clásica, que el que desafiaba a los dioses cometía el pecado de soberbia y era condenado por ello. Digo, ¿no podemos pensar al poeta como un rebelde que crea “otra” realidad con el lenguaje y con ello pretende hacer más visible lo real y transformarlo? ¿Y la famosa frase de Saint John Perse: “El poeta es la mala conciencia de su tiempo”? ¿Y no sería entonces el poeta un “desmesurado”, que se aventura en su quehacer con empecinamiento inaudito, persistiendo, sin vacilar? Y concluyo con Juan Gelman con algo de humor: “¿…pero quién me manda / a esperar un verso / en una esquina?”

 

         15 — ¿Poetas valorables y con mucha obra con los que no hayas podido “comulgar”?…

 

         MB — Tiempo atrás, no podía entrar en la poesía de Arturo Carrera, hasta que para un cumpleaños, Rita Kratsman, poeta y amiga, me regaló de ese autor “Vigilámbulo” (Poesía Reunida), y la lectura de “El vespertillo de las Parcas” (1997) me deslumbró.

 

 

          16 — En un texto titulado o conocido como “Olga por Olga” se pregunta Olga Orozco (1920-1999): “¿Me fui del todo alguna vez?”, refiriéndose a Toay, la localidad pampeana en la que había nacido. ¿Te has ido del todo, Marta, de San Miguel de Tucumán?

 

         MB — En verdad, no. “Si siempre estoy llegando”, dice la letra del tango compuesto y recitado por Aníbal Troilo (“Nocturno a mi barrio”). Siento añoranza, aunque también me reconozco muy porteña. (Los años en Buenos Aires superan ampliamente los vividos en Tucumán.) “La infancia, esa lluvia de la que nunca nos secamos” —supo discernir Juan José Saer. Cito esta frase porque considero que la infancia efectivamente está siendo siempre. De modo que mi corazón mira hacia el pago. Por las reminiscencias y sobre todo, por el paisaje perdido. Lo que más extraño es la presencia del Aconquija desde cualquier bocacalle de la ciudad de San Miguel de Tucumán. Qué privilegio divisar el Cerro San Javier. Ese azul cordón montañoso, punto lejano de sosiego y anclaje, horizonte a contemplar para ensanchar la vista y el alma. Y extraño los azahares de los naranjos en octubre, el “terco e invencible olor de los azahares” (Enrique Molina). De hecho, el escenario de “El río secreto” es la ciudad de San Miguel de Tucumán; y acabo de presentarlo allá, antes que en Buenos Aires. ¿No dice, acaso, Atahualpa Yupanqui: “Cuando se abandona el pago / y se empieza a repechar / tira el caballo adelante / y el alma tira pa´ trás.”?

 

 

         17 — ¿Algunos trazos sobre la producción literaria y pictórica en tu provincia?

 

         MB — Mirá, aprovecharía este espacio para recordar a un narrador tucumano olvidado que se llama Fausto Burgos (1888-1953). Leí de joven un cuento que me marcó, con personajes de la Puna. Entre otras personalidades podría nombrarte a Genié Valentié (1920-2009), o María Eugenia Valentié, profesora, en mi época de Facultad, filósofa y traductora; Emilio Carilla (1914-1995), lingüista erudito, también profesor universitario; David Lagmanovich (1927-2010), escritor y crítico literario. En el campo pictórico opto por nombrar a Gerardo Ramos Gucemas, español nacido en Extremadura, pero residente desde hace mucho en mi provincia. Gucemas es representante de una pintura única, original, fuerte, comprometida con los derechos humanos. Se reconoce “hijo de Goya”. Dice en una nota: “El cuadro que vale es el que aporta alguna inquietud, algún malestar; algo que haga sospechar que las cosas, que el mundo, no están bien.”

 

 

          18 — Es a la crítica literaria a quien le transfiero interrogantes que se formula en el Nº 21, julio 2005, de la revista “La Bota Literaria”, Claudio González Baeza: “¿Es necesaria la crítica literaria? ¿A dónde lleva el leerla? ¿Los autores necesitan de ella para continuar produciendo?”

 

         MB — En mi caso particular, los comentarios críticos que recibí por  mis dos primeros libros, me ayudaron a reconocer mi propia estética y mis búsquedas. Uno no sabe bien lo que escribe: uno escribe; y, a veces, la crítica —seria y fundamentada— te abre hacia conceptos, emociones o herramientas lingüísticas que uno tiene en su haber sin reconocerlos. Por otra parte, siempre ejerzo y he ejercido la crítica literaria —en reseñas para diarios, en las clases de taller, en devoluciones a amigos y no tan amigos; es parte de mi vida, la respeto como disciplina, siempre y cuando se realice, como dije, con honestidad ética e intelectual.

 

 

*

 

Marta Braier selecciona poemas de su autoría para acompañar esta entrevista:

 

 

 

Mujer sentada

 

 

Pero sé que debo hablar de esa puerta,

en un hotel para turistas de la calle Cangallo.

 

Recuerdo con nitidez un finísimo rayo de sol

y las partículas del aire jugando con la luz.

(Ah el sencillo fulgor de una habitación en penumbras.)

 

Estoy sentada sobre un sucio cobertor.

 

El conserje me entregó la llave de la diecinueve

y miró con cara de nada

cuando le hablé de tiempo de sosiego.

 

Cerró la puerta y me dejó queriendo comprender.

 

(Los mosaicos hacían muecas con su geometría.)

 

Poco importa si por la calle pasa un hombre,

si hay una fábrica, un frigorífico o muchos árboles.

Pero, el aire. ¿Entra por los pulmones, sale o permanece?

 

¿Qué hago, qué hago aquí,

en un cuadrado sórdido y ajeno?

Ajeno. Sórdido. Agujero del mundo, digo.

 

Sentada sobre un sucio cobertor.

 

                                                                   

 

                                   (de “Gestos de minué”)

 

*

La carcoma

 

en la madrugada

sube por las calles

un lied de Schubert

 

sube      baja     gime

 

es Ella otra vez

Canta

 

entre cartones canta

en una lengua extraña

 

y corre baba, ¿oís?

 

un himno grotesco

mece la ciudad.

 

 

                               (de “Ésta es la tierra, corazón”)

 

 

*

 

 

C´est  si  bon

 

 

El piano

dejaba oír suaves notas

y la casa latía

 

Era  cierta la tarde

en la ventana

 

Ahora

todo es precario, leve, azaroso

bellamente humano

 

Acaso

el peso de mi cuerpo

sea la única certeza

 

Ésta es la tierra, corazón:

hebras de luz

un acorde sencillo.

 

(de “Ésta es la tierra, corazón”)

 

*

 

Es la llegada de los panaderos del aire

 

la abuela dice que hay que pedir un deseo y soplar fuerte

para que el deseo se cumpla

 

ella pide:      ahí va

 

 

(el deseo)

 

                           (de “El río secreto”)

 

*

 

Algo se gesta en la sala de espera     algo que flota sobre los

cuerpos y las cosas y el aire del verano es aún más denso

 

las voces han ido apagándose entre las mujeres y la tarde se hace

pesada y cómplice

 

nadie se mira      hay ojos estacionados en un punto y un sabor

amargo en las bocas

 

gatos hambrientos     las mujeres dejan soltar una mueca hostil

y melancólica

                                                                      

                                          (de “El río secreto”)

 

*

 

El techo del comedor de lujo gotea

 

Antonia ha puesto un balde y el padre ha subido a la terraza

para encontrar el origen

 

qué origen      no hay origen     hay un agua que corre y no cesa

 

las gotas son cada vez más anchas y la casa hace música de

goterones

 

el balde en el centro como un dios indiferente

 

 

                                                          (con música de Cage)

 

                                                       (de “El río secreto”)

 

*

Entrevista realizada a través del correo electrónico: en la Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Marta Braier y Rolando Revagliatti, 2017.

 

http://www.revagliatti.com.ar/070106_a.html

http://www.revagliatti.com.ar/070106_b.html

http://www.revagliatti.com.ar/991209.html

http://www.revagliatti.com.ar/040308.html

 

*

Libro Braier 1 - Gestos de minué - Tapa más grande

Libro Braier 2 - Ésta es la tierra, corazón

Libro Braier 3 - El río secreto

Marta Braier 3

Índex* – Novembro, 2016

Arabella cruzou o caminho mais estreito e nem percebeu o buraco da fechadura, a porta que atravessou, do passado para o futuro.

Ela se encantou com o belo dos olhos dele, que transpareciam a juventude cintilante de um menino azul.

Ele lhe ofereceu uma flor, era um simples girassol, que ao seu redor girou e girou, e desembocou nos lábios do primeiro beijo de amor-próprio de Arabella.

(“A estória de uma defesa”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 17/09/15, 16h30)

Estórias de Amor Perfeito no Índex de Novembro, 2016 no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

A Maestrina | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE, Brasil).

(des)carnaval(ha) | Patricia (Gonçalves) Tenório.

“Bífida e outros poemas” | Alexandra Lopes da Cunha (DF/RS, Brasil).

“Inferno Provisório” | Luiz Ruffato (MG/SP, Brasil).

Poeta de Meia-Tigela (CE, Brasil), Carlos Nóbrega (CE, Brasil) & “Pixo”.

Poema de Maria Rizolete (RN, Brasil).

Poema de Cristina Campeanu (Romênia).

“Estação das clínicas” | Iacyr Anderson Freitas (MG, Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – 27/11/16 | Com Bernadete Bruto (PE, Brasil) & Elba Lins (PB/PE, Brasil). 

Agradeço a participação de todos, a próxima postagem será em 25 de Dezembro, 2016, grande abraço e até lá,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – November, 2016

Arabella crossed the narrow path and did not even notice the keyhole, the door she had passed, from past to future.

She was enchanted by the beauty of his eyes, which showed the shimmering youth of a blue boy.

He offered her a flower, it was a simple sunflower, which swirled around her and turned to the lips of the first kiss of self-love of Arabella.

(“The Story of a Defense”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 09/17/15, 4:30 p.m.)

 

Perfect Love Stories in the Index of November, 2016 in the blog of Patricia (Gonçalves) Tenório.

The Maestrina | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE, Brasil).

(des)carnival(ha) | Patricia (Gonçalves) Tenório.

“Bifida and other poems” | Alexandra Lopes da Cunha (DF/RS, Brasil).

“Provisional Hell” | Luiz Ruffato (MG/SP, Brasil).

Poeta de Meia-Tigela (CE, Brasil), Carlos Nóbrega (CE, Brasil) & “Pixo”.

Poem by Maria Rizolete (RN, Brasil).

Poem by Cristina Campeanu (Romania).

“Clinic season” | Iacyr Anderson Freitas (MG, Brasil).

Study Group on Creative Writing – 11/27/16 | With Bernadete Bruto (PE, Brasil) & Elba Lins (PB/PE, Brasil).

Thanks for the participation of all, the next post will be on December 25, 2016, big hug and see you then,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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3423

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** A porta estreita no bairro da Liberdade, em São Paulo, Brasil. The narrow door in the Liberdade neighborhood, in São Paulo, Brasil.

Poema de Maria Rizolete

From: Maria Rizolete Fernandes [mailto:fmariarizolete@yahoo.com.br]
Sent: sábado, 19 de novembro de 2016 18:01
To:
Subject: Enc: Fwd: Enlace para descargar libremente la antología NO RESIGNACIÓN

Amigos,

Compartilho a inclusão do meu poema Coro Feminil na antologia No Resignation, publicada pelo Ayuntamento (Prefeitura) de Salamanca e reunindo poetas de todo o mundo. Convido-os a conferir, às páginas 87/88.

Abraços,

Rizolete

 

Em Sábado, 19 de Novembro de 2016 16:23, Maria Rizolete Fernandes <marrizolete@gmail.com> escreveu:

———- Forwarded message ———-
From: ALFREDO PÉREZ ALENCART <alen@usal.es>
Date: 2016-11-18 3:44 GMT-03:00
Subject: Enlace para descargar libremente la antología NO RESIGNACIÓN
To: ALFREDO PÉREZ ALENCART <alen@usal.es>
Queridas(os) poetas y amigas(os):

Aquí les copio el enlace para descargar la Antología NO RESIGNACIÓN, que pueden compartir ‘Urbi et orbi’.

 

http://www.crearensalamanca. com/wp-content/uploads/2016/ 11/no-resignacion-antologia- de-salamanca-interior.pdf

 

Les reitero mis gratitudes mis gratitudes.

Un abrazo, siempre fraterno,

Alfredo