Posts com Cinema

Pequeno conto de sonhos* | Patricia (Gonçalves) Tenório**

Pinup sentia-se presa como se estivesse em uma caixa de fósforos, os palitos de fósforos bem apertadinhos.

Ele vinha toda noite e a levava para jantar; depois a usava até os ossos, até a madeira do palito de fósforo.

Uma noite ele não veio. Pinup esperou. Ela ficou ansiosa, roendo as unhas das mãos e pensou em roer as unhas dos pés. Mas achou os pés sujos da poeira do lugar em que estava presa.

Resolveu pegar uma vassoura e limpar. Como era um lugar pequeno, varreu muitas vezes, tantas vezes que começava a arranhar o chão.

Resolveu lavar as roupas. Tirou a roupa do corpo, e o corpo estava tão magrinho feito um palito de fósforo. Teve medo de triscar a cabeça sem querer na parede, e tocar fogo sem querer na caixa agora limpinha em que estava presa.

Resolveu esperar. E o relógio não ajudava, sempre ali, marcando a mesma hora, e talvez ainda fosse o mesmo dia em que ele passou com um Audi vermelho na frente da casa onde ela vivia com os irmãos, Menécio e Prometeu, e os pais estavam viajando, e os irmãos estavam dormindo, quando ele passou com o Audi vermelho, e a chamou de Pinup, e ninguém a havia chamado de Pinup antes, apenas de Atlas, e agora ela se lembra de tudo, ele abrindo a porta do carro vermelho, ela entrando maravilhada, ele colocando no nariz de Pinup um lenço embebido em alguma porção mágica, até ela acordar na caixa de fósforos, e ter medo de triscar a cabeça sem querer na parede, e inventar o fogo.

(“Até os ossos”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 15/07/2017, 07h22)

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A partir de To the bone (2017), de Marti Noxon. 107 minutos. EUA. Com Lily Collins, Keanu Reeves, Carrie Preston, entre outros.

Patricia Gonçalves Tenório escreve prosa e poesia desde 2004. Tem onze livros publicados, com premiações no Brasil e no exterior, entre elas, Melhor Romance Estrangeiro da Accademia Internazionale Il Convivio, Itália (2008) por As joaninhas não mentem, e Prêmio Marly Mota (2013) da União Brasileira dos Escritores – RJ pelo confjunto da obra. Defendeu em 17 de setembro de 2015 a dissertação de mestrado em Teoria da Literatura pela Universidade Federal de Pernambuco, linha de pesquisa Intersemiose, “O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural”, sob a orientação da Prof. Dra. Maria do Carmo de Siqueira Nino. Acaba de ingressar (2017.1) no Programa de Pós-Graduação em Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) no Doutorado em Escrita Criativa, sob a orientação do Prof. Dr. Luiz Antonio de Assis Brasil. Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e www.patriciatenorio.com.br

Índex* – Março, 2017

Foi às portas do

Inferno

E provou

O gosto árduo

De amar e

Não ser amada

*

Mesmo só

No infinito

Purgatório

Experimentou

Gotas de orvalho

Que desciam

Suavemente

Lá do

Céu

*

Avistou São Pedro

E suas chaves

Douradas

E os portões

Dourados

Que se abriam

De par em par

Como se para Beatriz

Fossem

Como se para Beatriz

Abrissem

Um sem fronteiras

De bênçãos

E felicidade

*

Pedro sorriu para Beatriz

Ele que negou

Três vezes

Ele que sofreu

Três vezes

O suplício de negar

A quem muito

Amava

*

Ele estendeu a mão

Ela se encolheu

Ele deu mais um passo

Ela compreendeu

Que o verdadeiro

Amor

É aquele que tudo

Com a consciência de talvez

Nunca

Receber nada em troca

(“Dante ao contrário”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 04/03/2017, 15h05)

O Amor sem receber nada em troca no Índex de Março, 2017 no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

A volta de um”A menina do olho verde” | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

Alfredo Pérez Alencart (Salamanca – Espanha) | Poemas.

Geórgia Alves (PE – Brasil) | “Reflexo dos Górgias”.

Grupo de Estudos em Escrita Criativa | Com Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PB/PE – Brasil).

Luís Augusto Cassas (MA – Brasil) | “A Poesia sou Eu”.

Marta Braier (Argentina) | Por Rolando Revagliatti (Argentina).

E os links do mês:

– O lançamento de “Não verás amanhã” (29/03/2017), de e no blog de Gustavo Melo Czekester (RS – Brasil): www.homemdespedacado.wordpress.com

– A fotografia de Tatiana Barroso de Oliveira (“Dona Mariana”) no Singular e Plural: www.singulareplural.wixsite.com

– A tradução e apresentação de Tiago Silva da escritora Namrata Poddar na Revista da UEPB: www.revista.uepb.edu.br/index.php/sociopoetica/article/view/3427/1873

Agradeço a participação e carinho, a próxima postagem será em 30 de Abril, 2017, grande abraço e até lá,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – March, 2017

 

She went to the doors of

Hell

And proved

The hard taste

Of loving and

Not being loved

*

Even alone

In the infinite

Purgatory

She tasted

Dew drops

That descended

Gently

There from

Heaven

*

She sighted St Peter

And his golden

Keys

And the golden

Gates

That opened

Wide

As for Beatriz

Were

As for Beatriz

Opened

One without borders

Of blessings

And happiness

*

Peter smiled at Beatriz

He who denied

Three times

He who suffered

Three times

The punishment of denying

Who he much

Loved

*

He held out his hand

She cringed

He took another step

She understood

That the true

Love

It’s the one which

One gives

With the consciousness of maybe

Never

Receive nothing in return

(“Dante to the contrary”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 04/03/2017, 15:05)

 

The Love without receiving anything in return in the Index of March, 2017 in the blog of Patricia (Gonçalves) Tenório.

The Return of a “The Green Eye Girl” | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

Alfredo Pérez Alencart (Salamanca – Spain) | Poems.

Georgia Alves (PE – Brasil) | “Reflection of the Gorgias”.

Study Group in Creative Writing | With Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PB/PE – Brasil).

Luís Augusto Cassas (MA – Brasil) | “Poetry is Me”.

Marta Braier (Argentina) | By Rolando Revagliatti (Argentina).

And the links of the month:

– The launch of “You will not see tomorrow” (03/29/2017), from and on the blog of Gustavo Melo Czekester (RS – Brasil): https://homemdespedacado.wordpress.com/

– The photo of Tatiana Barroso de Oliveira (“Dona Mariana”) in the Singular and Plural: http://singulareplural.wixsite.com

– The translation and presentation by Tiago Silva of the writer Namrata Poddar in the UEPB Magazine: http://revista.uepb.edu.br/index.php/sociopoetica/article/view/3427/1873

Thanks for the participation and affection, the next post will be on April 30, 2017, big hug and until then,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** A Crítica Genética de um Poema. The Genetic Critique of a Poem.

Geórgia Alves* |”Reflexo dos Górgias”**

Há um abismo entre eles. O mar e o desfiladeiro. O único acesso se dá pelo caminho de chão batido, haverá um não? Pode ser este significado de geração que os separa? O que há no reflexo dos espelhos que miram? O que impregnou em cada um?

Foi desejo à primeira vista. Ele a quis. Deu o primeiro passo. Estavam no Interior, ele expressou desejo de amá-la, com insistência. Queria tê-la em qualquer lugar, um banheiro que fosse. Na lembrança dela, chegou a teimar mesmo. Porque ela queria, mas não tinha pressa, nem medo de perdê-lo de vista. Conseguiu, ao menos, o beijo.

De volta aos lugares de origem, cercados de confiança e atenção, ficavam. Até que numa noite de lua e festa, entrou nela com intensidade.

Penetrou sua abertura de passagem secreta até tornar-se a representação mais completa do ser humano. Pelo menos para ela. Foram incontáveis encontros conjugados, com algo mais que o verbo. As conversas varavam as madrugadas. Velara ausências em descanso. O cansaço passou a ser medido pelos carinhos fixados. Vênus em virgem. Ele era um bicho atirado e quieto, arvorava-se tímido.

Discreto na expressão dos sentimentos, por outro lado, amante completo. Entrega plena. Como um vinho reservado em tensão de indecifrável enigma. Deixa chama acesa nela. Maior a cada encontro. Brasa viva. Queima língua. Mesmo no vento mudo, inseguro, tende retrair porque teme incomodar. Mantinha no rumo. Durável e duro.

Ao lado dele, Górgia sentia como se não houvesse outro mundo. Nada com que comparar. Como estivesse ao lado da melhor pessoa do universo. Talvez pelo senso de convivência dele.

Aquele homem, anos mais novo que ela, provocava estímulos mais poderosos. Fazia do entorno mais intenso e criativo. Ele a admirava pelos melhores motivos. Górgia seguiu seu desejo e instinto, num impulso de natureza. Preservando a saudade da inocência. Foram indo.

Se os vazios se interpuseram? Sim. Sentiram preenchidos, principalmente na fantasia, e não queriam estar na vida um do outro, exceto naqueles momentos. Górgia tinha Vênus em escorpião. Ele em Virgem. Era o que o céu lhes reservara. Nenhum limite entre paixão e amor. Embora soubesse: São diferentes. Amavam e eram livres. Assim seriam até.

O fato é que: depois de conhecê-lo, ninguém interessava mais. Mesmo que não acreditasse em monogamia ou fidelidade. Homem e mulher doavam-se e, ao redor deles, estavam em sentimentos incompletos. Urgências de corpo. Selaram amizade em encontros marcados.

Isso não seria tudo? Não porque quando ditava a casualidade não desgrudavam. Até o dia seguinte. Depois que ficaram, não seriam mais os mesmos. Ele conquistou vida própria, cama e casa. Ela tinha compromisso e disciplina. Menos liberdade. Passou a fazer somente o que sempre quis.

Fez da vida pé na estrada, a contar histórias em euforia indomada. Para além dos limites da cidade natal, que era a capital. Numa noite torrencial de chuva dura e água corrente frouxa por sobre as calçadas. Ambos torpes o suficiente para não esquecer nada. E deixar solto o espírito. Não havia neles autocrítica, ou retração, ou controle sobre o desejo. Solto, pelo que sentiram.

Impulso que veio durante a tempestade. Ambos fora do eixo. Em vontades de beijos e verdade. Tire suas conclusões pela história que começa agora. É narcótica entrega?

 

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* Geórgia Alves é mãe, mestranda em Teoria da Literatura pela UFPE, jornalista e cineasta. Contato: georgia.alves1@gmail.com

** Extraído de Reflexo dos Górgias, Geórgia Alves. Recife: Grupo Paés, 2012.

Luiz Ruffato | “Redemoinho” & “Inferno Provisório”

From: luizruffato@uol.com.br [mailto:luizruffato@uol.com.br]
Sent: domingo, 5 de fevereiro de 2017 11:30
To: undisclosed-recipients:
Subject: Redemoinho

 

Na próxima quinta-feira, dia 9, estreia Redemoinho, primeiro longa-metragem do diretor José Luiz Villamarin. O filme, baseado em algumas histórias do meu romance Inferno provisório, tem roteiro de George Moura e, no elenco, conta com Irandhir Santos, Julio Andrade, Cássia Kis e Dira Paes.

Aqui, o trailer:

https://www.youtube.com/watch?v=34tRec6MnPU

E aqui a sinopse do livro (que está com nova edição “revista, reescrita, reestruturada” e “definitiva)”:

http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=87034

Abraços do

Luiz Ruffato

Toda quarta-feira, coluna na edição Brasil do jornal El País:
http://brasil.elpais.com/autor/luiz_fernando_ruffato_de_souza/a/

Índex* – Dezembro, 2016

No silêncio da cópia oculta

Agradeço

A cada um

A cada uma

Por tanto que

Me ajudaram

Na construção

Pedrinha por pedrinha

Desse ano de

2016

Ano difícil para

Todos nós

Mas que

Na certeza de que o

Dar-se as mãos

É a única saída

Espero que

Estejamos mais uma vez

Juntos

Em 2017

E em muitos outros

Que hão de vir

(“Construção”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 13/12/16, 05h57)

Na Construção de um Mundo Novo que há de vir, esperamos no Índex de Dezembro, 2016, no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

Rinascimento | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

Carta de Oleg Almeida (Bielo-Rússia / DF – Brasil).

Poems from Alan Britt (EUA).

“De paisagens e de outras tardes” | Ana Adelaide Peixoto (PB – Brasil).

“Condutor de tempestades” | Leonam Cunha (RN – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa | Com Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil) & Anjos de Teatro (PE – Brasil).

Agradeço a participação e o carinho, a próxima postagem será em 29 de Janeiro, 2017, um grande abraço e até lá,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – December, 2016

In the silence of the hidden copy

I thank you

Each man

Each woman

For everything

You helped me

In the construction

Little stone by little stone

Of that year

2016

Difficult year for

All of us

But what

In the certainty that the

Holding hands

It’s the only way out

I hope

That we’ll be one more time

Together

In 2017

And in many others

Who are to come

(“Construction“, Patricia (Gonçalves) Tenório, 12/13/16, 05:57)

 

In Construction of a New World to come, we look forward to the Index of December, 2016, in the blog of Patricia (Gonçalves) Tenório.

Rinascimento | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

Letter from Oleg Almeida (Belarus-Russia / DF – Brasil).

Poems from Alan Britt (USA).

“Of landscapes and other afternoons” | Ana Adelaide Peixoto (PB – Brasil).

“Storm driver” | Leonam Cunha (RN – Brasil).

Study Group in Creative Writing | With Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB / PE – Brasil) & Theater Angels (PE – Brasil).

Thanks for the participation and the kindness, the next post will be on January 29, 2017, a big hug and until then,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Construindo Mundos Novos, Recife, PE – Brasil, 2016. Constructing New Worlds, Recife, PE – Brasil, 2016.

Rinascimento* | Patricia (Gonçalves) Tenório**

09/10/2010 & 20/12/2016

Sempre me faço perguntas de vida e morte às vésperas do Ano Novo.

“Nada há de gratuito exceto a morte”. (Freud, extraído de O prazer do texto, Roland Barthes)

Varro os fatos de outros tempos, as fotos do aqui e agora e não posso supor, não posso imaginar o que me aguarda, o que me surpreenderá.

“O prazer do texto é esse momento em que meu corpo vai seguir suas próprias ideias, pois meu corpo não tem as mesmas ideias que eu.” (O prazer do texto, Roland Barthes)

Aguardo uma outra estrada, um país diverso onde possa espalhar sementes de alegria e colher ramalhetes de amizades…

 

 Mãe Natureza – D´Agostinho (CD com Carlos Ferrera & Karynna Spinelli)

 Mãe natureza

Patricia Tenório

(Extraído de D´Agostinho, 2010)

Gosto do cheiro

De terra molhada

Da única escolha –

Ficar lendo livros

Ouvindo a chuva cair

Forte

Grossa

Violenta

Deixo-me banhar

Pelas lágrimas

Que clamam

– Patricia, Patricia! Por que me abandonastes?

 

Lendo Mãe natureza

Stella Leonardos

Setembro/2010

 

À Patricia Tenório

 

Sinto esse cheiro

De ideia molhada

Viver sortilégio

Ficar lendo livros

Ouvindo irmã água

Leve

Fértil

Fraterna.

Entendo essa chuva

Riso e lágrima.

Segreda

– Patricia! Patricia do coração poeta!

        Procuro descobrir nos acontecimentos o sentido perdido nos textos, nas pessoas, na vida.

“Quando o trabalho que você faz tem vinculação com seu percentual de humanidade, você se conecta ao outro”. (Ismael Caldas, artista plástico em “Das sutilezas e fraquezas humanas”, Viver, Diário de Pernambuco, 08 de Setembro de 2010)

“O que ao leigo pode parecer uma obra-prima nunca chega a representar para o criador uma obra de arte completa, mas, apenas, a concretização insatisfatória daquilo que tencionava realizar; ele possui uma tênue visão da perfeição, que tenta sempre reproduzir sem nunca conseguir satisfazer-se.” (Sigmund Freud em “Leonardo da Vinci – uma lembrança da sua infância”)

Tento seguir o que em mim pulsa, o que em mim se parece com a Verdade e a sinto eclodir por todas as minhas células.

“A filosofia natural apaziguará os conflitos e as dissensões de opinião que atormentam, dilaceram e devastam a alma sem trégua. Mas ela os apaziguará, ordenando-nos não esquecer que a natureza nasce da guerra e que ela é, por tal razão, chamada por Homero de luta.” (“Oratio de dignitate hominis”, Giovanni Pico della Mirandola)

“A diferença não é aquilo que mascara ou edulcora o conflito: ela se conquista sobre o conflito, ela está para além e ao lado dele”. (O prazer do texto, Roland Barthes)

Tomo do lápis e papel e derramo todo o meu Ser Humana em palavras e contradições, na esperança que a Arte se faça, me salve. Exprima.

“… o texto: ele produz em mim o melhor prazer se consegue fazer-se ouvir indiretamente…” (O prazer do texto, Roland Barthes)

“… estamos sempre demasiadamente prontos a esquecer que, de fato, o que influi em nossa vida é sempre o acaso, desde nossa gênese a partir do encontro de um espermatozóide com um óvulo – acaso que, no entanto, participa das leis e necessidades da natureza, faltando-lhe apenas qualquer ligação com nossos desejos e ilusões.” (“Leonardo da Vinci – uma lembrança da sua infância”, Sigmund Freud)

Renasço a cada instante meu, a cada sorriso dado, a cada momento de partilha, experimentado, sem medos e vaidades, o que em mim possuo apesar de todos os detalhes…

Rinascimento*, Patricia Tenório

Filmado em Câmera Cannon 7D. Editado em Final Cut Program.

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* Apresentado na X Setimana della Lingua Italiana nel Mondo – “L´Italiano nostro e degli altri”, 18 a 24 Outubro 2010 – Dante Alighieri – Recife – PE – Brasil.

**  Patricia (Gonçalves) Tenório escreve prosa e poesia desde 2004. Tem onze livros publicados, O major – eterno é o espírito (2005), As joaninhas não mentem (2006), Grãos (2007), A mulher pela metade (2009), Diálogos e D´Agostinho (2010), Como se Ícaro falasse (2012),  Fără nume/Sans nom (Ars Longa, Romênia, 2013), Vinte e um/Veintiuno  (Mundi Book, Espanha, abril, 2016), e A menina do olho verde (livros físico e virtual, Recife e Porto Alegre, maio e junho, 2016), traduzido para o italiano por Alfredo Tagliavia, La bambina dagli occhi verdi, publicado em setembro, 2016 pela editora IPOC – Italian Paths of Culture, de Milão.  Defendeu em 17 de setembro de 2015 a dissertação de mestrado em Teoria da Literatura, linha de pesquisa Intersemiose, na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE,O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural”, com o anexo o ensaio romanceado O desaprendiz de estórias (Notas para uma Teoria da Ficção), sob a orientação da Profª Dra. Maria do Carmo de Siqueira Nino, publicada em outubro de 2016 pela editora Omni Scriptum GmbH & Co. KG / Novas Edições Acadêmicas, Saarbrücken, Alemanha. Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e www.patriciatenorio.com.br

O Direito na Arte: Diálogos entre o Cinema e a Constituição |Coordenação de Morton Luiz Faria de Medeiros.

PREFÁCIO*

Morton Luiz Faria de Medeiros

 

O projeto “Cine Legis” nasceu, despretensioso, como pareceu ser a exibição realizada pelos irmãos Lumiére da chegada de um trem à cidade na forma de filme, no final do século XIX, a uma pequena plateia de três dúzias de pessoas. Deveras, o projeto surgiu da experiência dos seminários da disciplina de Filosofia do Direito, ministrada na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em 2006, quando se pretendia estimular os discentes ao estudo da Filosofia – sempre tomado como desafiador e, por vezes, tortuoso – valendo-se da linguagem cinematográfica como instrumento para que a cultura jurídica pudesse ser discutida de forma descontraída.

Sob o estímulo dos discentes (ainda lembro da abordagem inspiradora de Felipe Castro nos corredores do setor I), laborou-se a ideia de ampliar o alcance dessa experiência para todo o curso e, em seguida, para a comunidade a que serve a UFRN. Com essa ideia na cabeça – ainda que desprovidos de uma câmera na mão – um grupo de professores e estudantes de Direito anteviram a oportunidade de contribuir para modificar a realidade jurídica brasileira, historicamente construída por classes sociais abastadas e excludentes, circunstância que acabou por estigmatizar o Direito como instrumento distante do povo, que o percebe apenas como mecanismo discriminatório, porquanto só se efetiva, para muitos, quando lhe são exigidos limites a sua liberdade ou lhes são dirigidas sanções.

Prepararam-se, assim, diversas exibições, no ambiente universitário e fora dele, no afã de fazer ver à comunidade as vicissitudes dos profissionais jurídicos, a importância do engajamento social para a efetivação de seus direitos e a necessidade de reflexão sobre os próprios atos, com vistas à construção de uma sociedade justa e solidária. Assim, os estudantes de Direito eram convidados a enxergar, mediante atividades com marcante caráter interdisciplinar – já que abordados temas sobre Ética, crise dos valores, Ciência Política e Sociologia que interagem com a Ciência Jurídica – que seus estudos não deveriam se limitar à mera contemplação da lei e de contratos, e sim ser aplicados no meio social, para o incremento da perseguição do bem comum.

O projeto, ademais, permitiu perfeita integração com o ensino e a pesquisa, funcionando como fomentador do despertar dos monitores para a carreira do magistério, e instigando ao aprofundamento de temas amiúde esquecidos nas grades curriculares das disciplinas tradicionais, redundando em inúmeros artigos publicados e apresentados em conclaves científicos – e, nesta ocasião de grande júbilo, na publicação deste livro!

A obra que ora se apresenta, pois, tem a genética do “Cine Legis”: procura extrair da sétima arte reflexões e desdobramentos fundamentais para o pensamento jurídico – mesmo em filmes cuja “inclinação jurídica” não seja evidente ou óbvia, como os chamados “filmes de tribunal”. Aproveita-se como mote a celebração dos vinte e cinco anos da Constituição da República brasileira, razão por que sua divisão segue, em alguma medida, a topografia constitucional.

Principia-se com o despertar para o papel do cinema, como manifestação artística, para a compreensão do Direito – e, por extensão, da própria Constituição – para, em seguida, passar-se à análise de temas relacionados aos direitos fundamentais, seja para realçar os direitos individuais, seja colhendo lições da Criminologia e demais ciências afins para fortalece-los, seja para lançar sobre eles novos olhares, reclamados pelo novo milênio, diante dos câmbios sociais, éticos e culturais. Posteriormente, discute-se a jurisdição constitucional, cada vez mais expressiva nas democracias de hoje, e seu alcance na defesa do Estado e das instituições democráticas, para, enfim, concluir-se com a reflexão sobre a ordem social tutelada pela Constituição: desde o direito à saúde e os cuidados com a pessoa com deficiência, até a preocupação ambiental, o direito de família e a proteção da infância e juventude.

Destacam-se, portanto, diversas peças de arte, ciência e filosofia ao longo deste livro, para cuja leitura convocam-se os leitores, certamente repletos de expectativas, pela singularidade da proposta. É hora, pois, de focar nesta grande tela de papel, desligar os celulares, abraçar-se à pipoca – e desfrutar do encantamento e reflexão que os a(u)tores dos capítulos deste livro certamente inspirarão.

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Extraído de O Direito na Arte: Diálogos entre o Cinema e a Constituição. Coordenação de Morton Luiz Faria de Medeiros. Organização de Fernanda Holanda Fernandes, Nathália Brito de Macedo, et al. Mossoró, RN: Sarau das Letras, 2014. Enviado por David Leite: davidmleite@hotmail.com

4º Congresso de Literatura de Pernambuco – 4º CLIF – PE

Cartaz 4º CLIF-PE

 

4º CONGRESSO DE LITERATURA FANTÁSTICA DE PERNAMBUCO (4º CLIF-PE)

TEMA: HISTÓRIAS DE FANTASMAS

Belvidera – Núcleo de Estudos Oitocentistas

Departamento de Letras/UFPE

(03 a 05 de dezembro de 2014)

 

PROGRAMAÇÃO

 

 

QUARTA-FEIRA (03 de dezembro)

 

8:00-9:00 (Hall do Centro de Artes – CAC/UFPE)

Credenciamento dos participantes

(Para a inscrição: doação de brinquedos e/ou 1kg de alimento não perecível)

 

Auditório do Centro de Educação (CE/UFPE)

9:30-11:30

Mediação: Anco Márcio Vieira (Prof. Dr. – Letras/UFPE)

Palestras de abertura:

A FENOMENOLOGIA DAS APARIÇÕES

Valter da Rosa Borges (Escritor e fundador, em 1973, do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas)

TAXONOMIA ESPECTRAL

Braulio Tavares (Escritor – PB/RJ)

11:30: Lançamento do livro “Sete monstros brasileiros”, de B. Tavares

(Ed. Casa da Palavra, RJ)

 

13:00-14:00

Minicurso: FANTASMAS NA ELEGIA ROMANA DE PROPÉRCIO

Everton Natividade (Prof. Ms. – Letras/UFPE)

 

14:00-16:30

Mesa-redonda: FANTASMAS NA LITERATURA AFRICANA

Mediação: Alberon Lopes (Graduando em Letras/UFPE)

“Sobre o realismo maravilhoso, o sagrado e o fantástico em O nosso reino, de Walter Hugo Mãe”

Rafaella Teotônio (Doutoranda em Letras/UFPE)

“A dança transcultural dos espíritos na escrita afrodescendente das Américas”

Roland Walter (Prof. Dr. – Letras/UFPE)

“Entre Xipocos e Xicuembos: Kazumbis que se propagam”

Silvania Núbia Chagas (Prof.ª Dr.ª – Letras/UPE Garanhuns)

“Fauna, flora e fantasmas de Mia Couto”

Kleyton Pereira (Doutorando em Letras/UFPE)

 

17:00-19:30

Mesa-redonda: FANTASMAS NO TEATRO

Mediação: Cecília Ferreira (Graduanda em Letras/UFPE)

“Bruxas, fantasmas e consciência em Macbeth, de William Shakespeare”

Sylvia Beatriz Iwami (Mestranda em Letras/UFAM)

“Padres voadores e trasgos leprosos: imaginação romântica no drama históricoBartholomeu de Gusmão, de Agrário de Menezes”

Jéssica Cristina Jardim (Mestranda em Letras/UFPE)

“As relações subjetivas do mal em The Countess Cathleen, de W.B. Yeats”

Bruno Rafael Vieira (Mestrando em Letras/UFPB)

“Os fantasmas de Shakespeare”

Darío Gómez Sánchez (Prof. Dr. – Letras/ UFPE)

 

19:40-21:40

Sessão de comunicações 01: INTERSEMIOSES FANTASMÁTICAS

Mediação: Lucas Dantas (Graduando em Letras/UFPE)

A lenda do cavaleiro sem cabeça: uma (re)leitura fantasmagórica na adaptação da novela ao filme”

Renato Oliveira (Graduado em Letras/UEPB)

“O horror antigo de Lovecraft traduzido em jogos de tabuleiro modernos na análise doEldritch Horror

Haroudo Xavier Filho (Graduando em Letras/UFPE)

O fantasma de Canterville, de Oscar Wilde e A Aparição, de Gustave Moreau: uma aproximação fantástica e comparativista”

Patrícia Gonçalves Tenório (Mestranda em Letras/UFPE)

“Do conto a HQ: a paródia do gótico de O fantasma de Canterville, de Oscar Wilde”

Auricélio Soares Fernandes (Mestre em Letras/UFPB)

“Clarice Lispector e a morte: a representação do além na literatura e no cinema”

Anderson Paes Barreto (Mestrando em Comunicação/UFPE)

 

 

QUINTA-FEIRA (04 de dezembro)

 

Miniauditório 01 – CAC/UFPE

8:30-10:30

Sessão de comunicações 02: FANTASMAS E MONSTROS ONTEM E HOJE

Mediação: Cecília Ferreira (Graduanda em Letras/UFPE)

“O fantástico em El espectro, de Horacio Quiroga”

Mércia Paulino (Graduanda em Letras/UFPE)

“A ironia e o macabro em Machado de Assis: a construção do humor e do horror emUm esqueleto

Julio Ferreira Neto (Graduando em Letras/UFPE)

O fantasma dos Guirs: literatura fantástica promovendo a reflexão”

Gustavo de Matos (Graduando em Letras/UnP)

“Criatura e criador em uma relação monstruosa: em busca do verdadeiro monstro emFrankenstein de Mary Shelley”

Janile Soares (Mestranda em Letras/UFPB)

“Construção da entidade fantasmática no conto Sombras costuma vestir, de José Bianco”

Raísa Feitosa (Graduanda em Letras/UFPE)

 

Miniauditório 02 – CAC/UFPE

8:30-11:00

Sessão de comunicações 03: IDENTIDADE FANTÁSTICA

Mediação: Tony Pradines (Graduando em Letras/UFPE)

“Pecados, crimes e monstruosidades em The picture of Dorian Gray

Francisco César Lins (Graduado em Letras/UEPB)

“Realismo maravilhoso e identidade nacional moçambicana”

Jéssica Barkokebas (Graduanda em Letras/UFPE)

“Contos de fadas e outros assombramentos no imaginário infantil”

Claudia Ramos (Graduada em Letras/UFAM)

“As narrativas fantásticas nas aulas de leitura e produção textual”

Manuela Christina Silva (Graduada em Letras/UFRPE)

“A fantasmagoria e a aparição de um ‘purgatório’ itinerante terreno no início do século XII: a imagem do Bando de Hellequin na Historia Ecclesiastica, de Orderic Vital”

Letícia Santos (Graduanda em Letras/UFPE)

“Os zumbis: fantasmas contemporâneos”

Manuella Mirna (Graduanda em Letras/UFPE)

 

Miniauditório 01 – CAC/UFPE

10:40-12:00

Sessão de comunicações 04: FANTASMAS E HUMOR

Mediação: Cecília Ferreira (Graduanda em Letras/UFPE)

“Do terror ao humor: desvendando a perna cabeluda, uma nova-velha versão”

Arlan Santos (Graduado em Letras – FAEF-MA)

“O cientificismo paranormal e o humor no filme Os caça-fantasmas

Bruno Rocha (Doutorando em Letras/UFPE)

 

Miniauditório 02 – CAC/UFPE

11:15-12:30

Sessão de comunicações 05: DUPLOS E IMORTAIS

Mediação: Tony Pradines (Graduando em Letras/UFPE)

“Entre o tradicional e o moderno: análise dos elementos fantásticos no conto O imortal, de Jorge Luís Borges

Vanessa Oliveira (Graduanda em Letras/UFPI)

“A presença do insólito em O espelho, de Gastão Cruls”

Mércia Queiroz (Graduanda em Letras/UFPE)

“Reencarnação, um ensaio sobre a contiguidade da experiência em A segunda vida, de Machado de Assis”

Julia Troncoso (Graduanda em Letras/UFPE)

 

Auditório do Centro de Artes – CAC/UFPE

 

13:00-14:00

Minicurso: FANTASMAS NA ELEGIA ROMANA DE PROPÉRCIO

Everton Natividade (Prof. Ms. – Letras/UFPE)

 

14:10-17:00

Mesa-redonda: FANTASMAS NA LITERATURA BRASILEIRA

Mediação: Alberon Lopes (Graduando em Letras/UFPE)

“Quem é morto também aparece: O pirotécnico Zacarias e o Defunto inaugural: duas histórias de fantasmas na literatura brasileira”

Ronaldo Luna (Mestre em Letras/UFPE)

“A vida que assombra: uma leitura de Machado de Assis”

Bianca Campello (Doutoranda em Letras/UFPE)

Pirotécnico Zacarias, o fantasma rubiano: pervivências de topoi góticos no discurso fantástico contemporâneo”

Flavio García (Prof. Dr. – Letras/UERJ)

 

17:15-19:30

Mesa-redonda: OS FANTASMAS NA HISTÓRIA E NA LITERATURA

Mediação: Letícia Santos (Graduanda em Letras/UFPE)

Rest in peace: os funerais e suas funções preventiva e antidotal contra a aparição de fantasmas”

Alynne Cavalcante (Especialista em História/FAINTVISA)

“Vagantes de olhos azuis e mãos frias: os fantasmas nas Crônicas de gelo e fogo

Luciana de Campos (Doutoranda em Letras/UFPB)

“Fantasmas nórdicos: a figura do Draugr, das sagas islandesas ao folclore moderno”

Johnni Langer (Prof. Dr. – História/UFPB/UFPR)

“Visões e aparições: a presença do sobrenatural no romance histórico O último cabalista de Lisboa, de Richard Zimler”

Fernando Oliveira (Doutorando em Letras – UFPE)

 

19:40-22:00

Mesa-redonda: FANTASMAS HISPÂNICOS

Mediação: Juan Pablo Martin (Prof. Dr. – Letras/UFPE)

El arroyo de la Llorona ou uma lenda à serviço da liberação feminina”

Karine Rocha (Prof.ª Dr.ª – Letras/UFPE)

“Espectros da geografia colonial”

Alfredo Cordiviola (Prof. Dr. – Letras/UFPE)

El estudiante de Salamanca: o herói fantasmal do romantismo espanhol”

Juan Pablo Martin (Prof. Dr. – Letras/UFPE)

 

 

SEXTA-FEIRA (05 de dezembro)

 

Miniauditório 01 – CAC/UFPE

8:15-9:40

Sessão de comunicações 06: OUTRAS VISAGENS 01

Mediação: Letícia Santos (Graduanda em Letras/UFPE)

“Os demônios de Margarida La Rocque, de Dinah Silveira de Queiroz”

Sideny Paula (Mestranda em Letras/UFAM)

“Fantasmagoria queer: sexualidades assombradas – gênero e terror em Villa Diodati e Elm Street”

Diego Paleólogo (Doutorando em Comunicação/UFRJ)

Amada: uma história de fantasmas”

Fernanda Sylvestre (Prof.ª Dr.ª – Letras/UFU-MG)

 

Miniauditório 02 – CAC/UFPE

8:15-9:50

Sessão de comunicações 07: OUTRAS VISAGENS 02

Mediação: André de Sena (Prof. Dr. – Letras/UFPE)

“A metafísica onírica na poesia de Charles Baudelaire”

Rildo de Deus (Graduado em Filosofia/UFPE)

“O real e o diegético a partir de Os fantasmas do tsunami, de Richard Parry”

Syonara Azevedo & Gleidson Nascimento (Graduandos em Letras/UFPE)

“O quarto 1408”

André de Sena (Prof. Dr. – Letras/UFPE)

“Da proa à popa: a representação da lenda do Holandês Voador em produções audiovisuais”

Nathalie Alves (Graduanda em Letras/UFPE)

 

Auditório do Centro de Educação (CE/UFPE)

 

10:00-12:00

CONFERÊNCIA: VAQUEIRO: OFÍCIO E ENCANTAÇÃO

Frederico Pernambucano de Mello (Escritor)

Mediação: José Rodrigues de Paiva (Prof. Dr. – Letras/UFPE)

 

13:00-14:00

Minicurso: FANTASMAS NA ELEGIA ROMANA DE PROPÉRCIO

Everton Natividade (Prof. Ms. – Letras/UFPE)

 

14:10-16:30

Mesa-redonda: FANTASMAS PERNAMBUCANOS

Mediação: Alberon Lopes (Graduando em Letras/UFPE)

“História de pontes: as madrugadas recifenses e seus espaços assombrados”

Milena Wanderley (Mestranda em Letras/UFMS)

“A emparedada da rua Nova e a emancipação feminina na cidade do Recife: o terror como forma de purificação”

Tereza de Albuquerque (Mestre em História Social/UFRPE)

“O insólito lúdico no palco hermiliano: o episódio do homem bissexto”

Rodrigo Santos (Graduando em Letras/UFPE)

“Ulysses Sampaio: uma escrita de estranhas sombras”

Fabio Andrade (Prof. Dr. – Letras/UFPE)

 

Auditório do Centro de Artes – CAC/UFPE

 

17:00-20:00

Mesa-redonda: CINEMA DE HORROR

Mediação: Roberto Beltrão (Jornalista e escritor/PE)

Exibição da mensagem do escritor R. F. Lucchetti ao público do 4º CLIF-PE

“Mais sombras que luzes: reminiscências românticas no cinema da república de Weimar”

Fabiano Santos (Prof. Dr. – Letras/UNESP)

“Da lanterna mágica ao fantascópio: por uma sociocrítica do fantástico”

Fabio Lucas Pierini (Prof. Dr. – Letras/USP-UEM)

“Falsos documentários de horror e a estilística do documentário”

Rodrigo Carreiro (Prof. Dr. – Jornalismo/UFPE)

“Dois caminhos para pensar o inquietante no cinema”
Marcelo Costa (Doutorando em Cinema/UFPE)

“Horror no audiovisual brasileiro contemporâneo: três caminhos”

Daniel Bandeira (Cineasta/PE)


20:00-22:00

MOSTRA DE CURTAS-METRAGENS

Organização: Cineclube Toca o Terror (Recife/PE)

Curtas-metragens selecionados:

– A Menina da Boneca (Dir. André Pinto) – 8 min.

– Sob a Pele (Dir. Daniel Bandeira) – 20 min.

– Encosto (Dir. Joel Caetano) – 7 min.

– Sexta-Feira da Paixão (Dir. Ivo Costa) – 15 min.

– O Fantasma da XV (Dir. Cleiner Micceno) – 4 min.

– Landau 66 (Dir. Fernando Sanchez) – 11 min.

– Caveirão (Dir. Guilherme Marcondes) – 11 min.

 

 

ENCERRAMENTO: Noite com fantasmas

(espetáculo com o ator Paulo André Viana)

 

Alguns lançamentos de livros 4º CLIF-PE (no stand do evento, de 03 a 05/12):

 

-Alfredo Cordiviola: “Espectros da geografia colonial” (Ed. UFPE, PE).

– André de Sena: “Lunátipos: contos e fragmentos” (Ed. Bagaço, PE).

– Balaio & Beltrão: “Histórias em quadrinhos do Recife assombrado” (Ed. Bagaço, PE).

– Braulio Tavares: “Sete monstros brasileiros” (Ed. Casa da Palavra, RJ).

– Fábio Andrade: “O fauno nos trópicos: panorama da poesia decadente em Pernambuco” (Ed. CEPE/PE); “Dois contos de Ulysses Sampaio”.

– Flavio García: “(Re)Visões do Fantástico: do centro às margens; caminhos cruzados” (Ed. UERJ, RJ); entre outras obras dos palestrantes do evento.

VII ENCONTRO DE LITERATURA INFANTOJUVENIL E II ENCONTRO INTERNACIONAL DE LITERATURA INFANTOJUVENIL DA UNICAP | Coord. Prof. Robson Teles

encontro-de-literatura-infanto-juvenil-2014-2

 

PROGRAMAÇÃO

Dia 29/10

18h30 às 21h30

Auditório G1 – Bloco G, 1º andar

 

AberturaPe. Pedro Rubens (Reitor da UNICAP)

Prof. Degislando Nóbrega (Diretor do CTCH/UNICAP)

Profª Flávia Silveira (Coordenadora do Curso de Letras/UNICAP)

 

ConferênciaUM OLHAR POÉTICO SOBRE AS POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O PICADEIRO – Williams Santana(Ator/Encenador/Palhaço/Historiador/ Especialista em Gestão Cultural/Mestrando em Cultura e Sociedade pela UFBA/Presidente do Centro CARCARÁ/Professor do Curso de Especialização em Gestão Cultural da UFBA/Gestor do Teatro Luiz Mendonça do Parque Dona Lindu)

 

MESA 1 – LITERATURA E CIRCO: INTERDISCURSOS

 

Fátima Pontes (Diretora da Escola Pernambucana de Circo)

Liliane Jamir (Doutora em Literatura e Cultura/Professora da FAFIRE)

 

Luciano Pontes (Escritor/Ator/Palhaço/Contador de Histórias da Cia Meias Palavras) – DAS BOBICES E DAS COISAS SÉRIAS NA LITERATURA PARA A INFÂNCIA

 

Coordenação: Prof. Robson Teles

Dia 30/10

17h às 18h30

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES – Sala 405, Bloco B, 1° andar

 

19h às 21h30

Auditório G1 – Bloco G, 1º andar

 

 

MESA 2: INTERFACES

 

Patricia Tenório (Escritora/Mestranda em Teoria Literária/UFPE) – “A CRIANÇA E A MARIONETE”, DE HENRI ROUSSEAU E “O ANIVERSÁRIO DA INFANTA”, DE OSCAR WILDE: UMA TEORIA DA FICÇÃO

 

Camila Herculano (Graduanda em Psicologia pela FG) – A INFLUÊNCIA DO CIRCO NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA

 

Giulia Cooper (Atriz/Artista Circense/Fundadora da Caravana Tapioca/Graduanda em Filosofia-UNICAP) – FORMAS DE COMICIDADE: O RISO NO CIRCO E NA LITERATURA A PARTIR DE BERGSON

 

Maria do Carmo de Siqueira Nino (Professora da UFPE/Doutora em Artes Plásticas e Ciência das Artes/Artista Plástica) – CINEMA E CIRCO: UMA CINEMATOGROFIA

 

Coordenação: Profª Haidée Fonseca

 

Dia 31/10

19h às 21h30

Auditório G1 – Bloco G, 1º andar

 

Ivonete Melo (Atriz/Presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos de Pernambuco-SATED) – PROFISSÃO CIRCENSE E SUAS DEMANDAS

 

Carmen Teresa Navas Reyes (Cônsul Geral da República Bolivariana da Venezuela em Recife) – INTERCÂMBIO CULTURAL

 

Palestra 1: PANORAMA DO CIRCO NA VENEZUELA – Niky García (Diretor da Fundação do Circo Nacional de Venezuela/Ator/Artista Circense/Especialista Cultural)

 

Palestra 2: PANORAMA DO CIRCO NO BRASIL – Zezo Oliveira (Artista/Diretor de Artes em Circo/Ex-Diretor da Escola Nacional de Circo do Brasil/Assistente em Artes Circenses da SECULTE-PE/Mestre em Educação pela UNIRIO)

 

Encerramento: Performance com Niky García

“Documentando novos espaços: os vídeos caseiros de Derek Jarman”* | Adriana Pinto Azevedo**

“Make your desires reality”, uma garota punk diz diretamente para o espectador. “I started to dance. I wanted to find… gravity”. O longa Jubilee (1978), de Derek Jarman, é então atravessado por uma cena com outra textura, como em um devaneio. Nela, uma bailarina rodopia diante de uma fogueira, alimentada por páginas de livros. A câmera ágil acompanha as cinzas que voam com o vento, e revela outros personagens saídos do mesmo universo onírico: um rapaz com o rosto coberto por uma máscara feita com saco de papel, e outro, nu, que veste uma máscara do filósofo grego Sócrates. A interferência é o curta Jordan’s Dance, filmado por Jarman em Super-8 um ano antes de decidir incluí-lo na composição do longa.

Menos conhecida do público, a produção de curtas-metragens de Derek Jarman é bastante expressiva. Eles começaram a ser criados em 1972, quando estudante norte-americano Marc Balet o apresentou a Super-8 portátil da Kodak. Jarman se referia a eles como home movies, referência direta aos filmes caseiros que povoaram sua infância, obras de seu pai e de seu avô, ambos cineastas amadores. Inspirado pela estética da colagem punk, o diretor incorporou algum desses filmes no seu longa The Last of England (1989).

“Eu tento deixar tudo muito próximo do conceito de casa, o que talvez seja algo difícil já que eu sou gay. É difícil construir um lar sendo um homem gay. Meus filmes caseiros, portanto, retrataram um mundo muito diferente daquele apresentado pelo meu avô e pelo meu pai”, declararia Jarman. Na análise de Jim Ellis, “A função ideológica dos filmes caseiros não é documentar mas de trazer o que é ser uma família e um lar para a tela, e os Super-8 de Jarman não são diferentes, construindo o mundo das festas de Bankside como uma nova versão do lar”.

A ressignificação do “familiar” e do “lar” é uma pista do que Derek Jarman viria a fazer nos filmes do New Queer Cinema nos anos 90. Vinte anos antes, em seus primeiros home movies e filmes experimentais, já podemos notar elementos da nova vanguarda estético-política em formação, como a experimentação radical da forma e o interesse na criação de novos imaginários geográficos e desejantes.

Os seus curtas em Super-8 são divididos em três grupos. O primeiro é composto de filmes com temáticas que envolvem pessoas, lugares e ventos, tais como A Journey to Avebury (1971), Asden’s Walk on Mon (1973) e Stolen Apples for Karen Blixen (1973). Derek, que também era pintor, fez nesses filmes o que não podia alcançar em seus quadros: “O mundo da pintura era estéril, um mundo vazio”. Filmando em locações ao ar livre, com planos estáticos de paisagens e cores acentuadas – como a imagem alaranjada das paisagens de A Jorney to Avebury – o jovem cineasta tinha a oportunidade de levar pequenos grupos de amigos, em vez de uma equipe de 32 assistentes, para realizar as filmagens: “O que eu achei foi comunidade. Eu descobri o meu mundo nos filmes”.

No segundo grupo é marcado por atmosferas simbólicas e mágicas – alguns dos quais pelos filmes caseiros de Kenneth Anger. Em Art of Mirrors (1973), curta de apenas 6 minutos, Jarman borra as fronteiras entre espectador e filme. Três figuras estão na imagem, filmada em tons de verde intenso: um homem de terno, que usa uma máscara de pano com um rosto monstruoso; uma mulher de vestido de gala negro, e um outro homem vestindo um fraque. O homem de máscara segura um espelho circular através do qual emite uma forte luz direto para a câmera.

Um terceiro grupo de curtas é composto pelos vídeos produzidos para a MTV, criada em 1981. Nessa época, Jarman atentou para o potencial comercial de seus Super-8 e produziu clipes de bandas como Pet Shop Boys, Orange Juice e The Smiths. Algumas técnicas desenvolvidas para o clipe The Queen is Dead (1986), do The Smiths, o inspiraram mais tarde para algumas das colagens de The Last of England.

É possível considerar o conjunto de curtas de Derek Jarman como um projeto mais amplo, mas também como peças de arte individuais. Neste projeto tão interessante quanto seus longas-metragens mais conhecidos, Jarman conseguiu produzir o que não alcançava em suas pinturas: a possibilidade de descoberta, de criação e de vivência de novos territórios.

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Extraído de Derek Jarman – Cinema é liberdade. Organização: Alessandra Castañeda, Raphael Fonseca e Victor Dias. Rio de Janeiro: Jurubeba Produções, 2014.

** Adriana Pinto Azevedo é doutoranda pelo programa de Literatura, Cultura e Contemporaneidade da PUC-Rio, e desenvolve parte da sua pesquisa na Université Lille 3, na França. Atualmente investiga as novas formas de criação do corpo no pornoativismo contemporâneo transnacional e as relações entre arte e ativismo queer, tema que atravessa também sua produção artística.