Posts com Cinema

Índex* – Dezembro, 2018

O Menino

Continua

Crescendo, fortificando

 

Até o umbral

De um novo ano

Até os primeiros raios

Do dia

Em que

Nos levantamos

Nos renovamos

 

E transformamos

Ao redor em

Paz

Luz

Amor e

Poesia

(“Em mim, nasce o poema”, Patricia Gonçalves Tenório, 25/12/2018, 06h05)

 

O umbral do novo ano se aproxima no Índex de Dezembro, 2018 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa – 2019 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

O Natal de Bernadete Bruto (PE – Brasil) e Cilene Santos (PE – Brasil).

Facas na literatura | David de Medeiros Leite (RN – Brasil).

O fogo de Ina Melo (PE – Brasil).

Do fim | Geysiane Andrade (RS – Brasil).

Poemas de Márcia Maia (PE – Brasil).

Essa tal felicidade | Natália Setúbal (RS – Brasil).

E o desejo de um 2019 de muitos Sonhos realizados, Paz, Saúde, Luz, Amor & Alegria, a próxima postagem será em 27 de Janeiro, 2019, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – December, 2018

The Boy

Continues

Growing, fortifying

 

Until the threshold

Of a new year

Until the first rays

Of the day

On what

We get up

We renew

 

And we transformed

Around in

Peace

Light

Love and

Poetry

(“In me, the poem is born”, Patricia Gonçalves Tenório, 12/25/2018, 06:05 a.m.)

 

The threshold of the new year is approaching in the Index of December, 2018 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Studies in Creative Writing – 2019 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

The Christmas of Bernadete Bruto (PE – Brasil) and Cilene Santos (PE – Brasil).

Knives in literature | David de Medeiros Leite (RN – Brasil).

The fire of Ina Melo (PE – Brasil).

From the end | Geysiane Andrade (RS – Brasil).

Poems by Márcia Maia (PE – Brasil).

Such happiness | Natália Setúbal (RS – Brasil).

And the wish for a 2019 of many Dreams realized, Peace, Health, Light, Love & Joy, the next post will be on January 27, 2019, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Sonhos a se realizarem no Ano Novo que se aproxima. Dreams to be fulfilled in the approaching New Year.

 

Estudos em Escrita Criativa – 2019

Os Estudos em Escrita Criativa nasceram em 2018 a partir do I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco que ocorreu de 13 a 15/10/2017 no Pavilhão do Centro de Convenções, em Olinda.

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Com o apoio da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS, através dos Profs. Luiz Antonio de Assis Brasil, Cláudia Brescancini e Maria Eunice Moreira, e da XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, em nome de Rogério Robalinho, foram realizadas diversas oficinas e mesas, entre elas “Estimulando a leitura através da Escrita Criativa”, “A importância de um ambiente estimulante na Criação Artística”, “Devaneios Fílmicos, Cósmicos e Poéticos” e “Grupo de Estudos em Escrita Criativa”. Levamos para Recife escritores graúchos, tais como Assis Brasil, Valesca de Assis, Gustavo Melo Czekster, Daniel Gruber, María Elena Morán, e trocamos experiências com autores pernambucanos e de outros estados do país, entre eles Lourival Holanda, Maria do Carmo Nino, Igor Gadioli, Fernando de Mendonça, Cida Pedrosa, Robson Teles.

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O resultado extremamente positivo do I Seminário em 2017 nos incentivou a ampliarmos o projeto e levarmos para as Livrarias Cultura de Recife e Porto Alegre em 2018. Criamos encontros mensais, temáticos e independentes: O tempo, O mito, A viagem, A música, O amor, O sonho, A imagem e O fogo.

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Os encontros foram divididos em três partes. Na primeira parte, ministrada por Patricia Gonçalves Tenório, apresentamos, sob a temática do mês, teóricos de várias áreas de conhecimento (Teoria da Literatura, Filosofia, Psicanálise, Semiótica), artistas de diversas áreas de arte (Literatura, Cinema, Fotografia, Música, Artes Plásticas). Na segunda parte estimulamos os participantes a realizarem exercícios de desbloqueio relacionados com o tema. Na terceira parte convidamos escritores locais para apresentarem seus processos criativos, entre eles, em Recife, Flávia Suassuna, Fátima Quintas, Jacques Ribemboim, Ana Maria César e Adriano Portela, em Porto Alegre, Alexandra Lopes da Cunha, Andrezza Postay, Camilo Mattar Raabe, Luís Roberto Amabile, Annie Muller, Fred Linardi, Gisela Rodriguez, Júlia Dantas, Guilherme Azambuja Castro, Tiago Germano e Débora Ferraz. Firmamos parceria em Recife com a União Brasileira de Escritores – PE, em nome de Alexandre Santos e Bernadete Bruto, e em Porto Alegre com a PUCRS no sentido de convidarmos os escritores locais e termos o projeto apoiado por uma instituição relacionada com a Literatura.

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O resultado foi surpreendente. Houve uma recepção além do esperado nas duas cidades. Chegamos a ter mais de 30 participantes por encontro e constatamos a eficiência do método na qualidade dos textos elaborados, a maioria das vezes, no instante mesmo da parte prática. E lançamos, no último encontro do ano em cada cidade, a coletânea de artigos Sobre a escrita criativa II com textos dos escritores convidados e escritores/professores do Brasil inteiro que fazem a Escrita Criativa acontecer.

Em 2019, daremos continuidade ao nosso grupo de Estudos em Escrita Criativa de Recife. Em breve estaremos anunciando o local e a data de início dos nossos encontros que estão sendo construídos com muito carinho. Aguardem!

E, em comemoração aos cinquenta anos de vida e quinze anos de escrita, serão lançados cinco livros bem especiais em Novembro, 2019. Aguardem também!

Desejo um Ano Novo de muita Paz, Saúde, Luz & Sonhos realizados, grande abraço e até breve!

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

 

Índex* – Novembro, 2018

Fecham

As portas

Do avião

De Porto Alegre

Para Recife

E não estou

Mais lá

Não estou 

Ainda aqui

Nesse trânsito 

Entre dois mundos

Dois amores

 

Duas saídas

Para um mar de estrelas 

Oceano de vontades

Papel e lápis

E escrever

Me inscrever

Crer…

Crer…

(“Oceano”, Patricia Gonçalves Tenório, 09/11/2018, 06h54)

 

Água e Fogo, Teoria e Poesia, Crítica e Ficção na edição de aniversário do Índex – Novembro, 2018 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

O fogo da criação | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

DE CRIAÇÃO E FOGO DA MEMÓRIA | Bernadete Bruto (PE – Brasil).

O FOGO CAMONIANO | Cilene Santos (PE – Brasil).

Fogo – Do Barro à Pira, Companheiro de Vida | Elba Lins (PE – Brasil).

Sobre o fogo | Gabi Vieira (PE – Brasil).

O fogo de Gabriel Nascimento (RS – Brasil).

O fogo | João Orlando Alves (PE – Brasil).

Estudos em Escrita Criativa 2018 – Recife e Porto Alegre | Diversos.

Agradeço imensamente o carinho e a força, a próxima postagem será em 30 de Dezembro, 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Index* – November, 2018

Close

The doors

From the airplane

From Porto Alegre

To Recife

And I’m not

More there

I’m not

Still here

In this passage

Between two worlds

Two loves

 

Two exits

For a sea of stars

Ocean of wills

Paper and pencil

And write

Sign me up

Believe…

Believe…

(“Ocean”, Patricia Gonçalves Tenório, 11/10/2018, 06h54)

 

Water and Fire, Theory and Poetry, Criticism and Fiction in the anniversary edition of the Index – November, 2018 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

The fire of creation | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

OF CREATION AND FIRE OF MEMORY | Bernadete Bruto (PE – Brasil).

THE CAMONIAN FIRE | Cilene Santos (PE – Brasil).

Fire – From Mud to Pira, Companion of Life | Elba Lins (PE – Brasil).

About fire | Gabi Vieira (PE – Brasil).

The fire of Gabriel Nascimento (RS – Brasil).

The fire | João Orlando Alves (PE – Brasil).

Creative Writing Studies 2018 – Recife and Porto Alegre | Several.

Thank you immensely for the affection and the strength, the next post will be on December 30, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Em 2018, um oceano de vontades para o bem escrever. In 2018, an ocean of wills for well write.  

O fogo da criação* | Patricia Gonçalves Tenório**

Descobrimos em A psicanálise do fogo, do filósofo francês Gaston Bachelard, alguns dos temas mais caros à literatura universal, tanto nos clássicos quanto nos contemporâneos, e que investigamos durante 2018, nos encontros dos Estudos em Escrita Criativa, em Recife e em Porto Alegre.

Nos encontros, navegamos pelo tempo e nos lembramos d’“O que é, pois, o tempo?”, e o triplo presente de Agostinho de Hipona nas suas Confissões, onde só o presente do presente existe na alma distendida da percepção. Intuímos o conceito de figura que Erich Auerbach tomou emprestado dos primeiros padres da Igreja Cristã, quando, para angariar mais fiés entre os judeus, gentios, pagãos, tentavam ligar figuras do Antigo Testamento, tais como Davi, Moisés, Josué, à figura do Cristo no Novo Testamento, os primeiros prefigurando o preenchimento pleno com a vinda do Messias. Auerbach aplicou o conceito de figura tentando ligar textos clássicos, um apontando para o outro, desde Homero até chegar ao romance moderno com Virgínia Woolf.

Buscamos em Yuval Harari, e no seu Sapiens: Breve história da humanidade, o motivo para mais de 150 indivíduos caminharem na mesma direção: a construção do mito. Mito que, segundo André Jolles, nasce quando uma pergunta essencial encontra uma resposta perdida, uma sendo feita para a outra de maneira inexorável.

E o que dizer sobre a viagem? Esse tema que vem lá dos nossos pais portugueses com Luís Vaz de Camões em Os Lusíadas, atravessa a Jornada do Herói ou da Heroína, de Chistopher Vogler e Maureen Murdock, e desemboca n”Os devaneios de um caminhante solitário, de Jean-Jacques Rousseau?

A música nos traz a Teoria Barroca dos Afetos, e lembramos de Ludwig van Beethoven quando afirma que “Não apenas pratique sua arte, mas force seu caminho em seus segredos, pois ela e o conhecimento podem elevar os homens ao Divino”.

O amor nos apresenta o maior sentimento agregador, aquele para o qual viemos ao mundo, pelo qual retornaremos dele um dia, e que o poeta trovador Guirault de Borneilh nos abre as janelas da alma, de ponta a ponta, lá n’O poder do mito, de Joseph Campbell.

O sonho e a imagem dialogam entre si, quando Carl Gustav Jung extrai dos sonhos a imagem individual, no meio das inúmeras imagens coletivas que nos são impostas todos os dias, e Roland Barthes nos apresenta o punctum da fotografia que nos fere e atinge. Com isso mergulhamos em nós mesmos na direção de nossa essência, e reverberamos em ficção, poesia, imagens teóricas ou poéticas.

E o fogo reunindo em si cada um desses temas elencados para nos provocar, para nos alimentar com teoria de várias áreas de conhecimento, nos iluminar com diversas áreas de arte, o fogo quase nos queimando por inteiro, nos transformando por inteiro, para renascermos feito uma Fênix desmesurada, e escrevermos uma obra de arte.

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* Ao final dos Estudos em Escrita Criativa 2018, Recife e Porto Alegre.

** Patricia Gonçalves Tenório (Recife/PE, 1969) escreve prosa e poesia desde 2004. Tem onze livros publicados, com premiações no Brasil e no exterior, entre elas Melhor Romance Estrangeiro por As joaninhas não mentem (em outubro, 2008) e Primo Premio Assoluto por A menina do olho verde (em outubro, 2017), ambos pela Accademia Internazionale Il Convivio, Itália); Prêmio Vânia Souto Carvalho (2012) da Academia Pernambucana de Letras (PE) por Como se Ícaro falasse, e Prêmio Marly Mota (2013) da União Brasileira dos Escritores – RJ pelo conjunto da obra. Mestre em Teoria da Literatura (2015, UFPE) e doutora em Escrita Criativa (2018, PUCRS). Contatos: patriciatenorio@uol.com.brwww.patriciatenorio.com.br

 

Estudos em Escrita Criativa 2018 – Recife e Porto Alegre

Se sou feita de palavras, elas agora transparecem gratidão por tudo o quanto aprendi nesse ano de 2018 com vocês.

E não foram apenas os oito temas, e os teóricos, os artistas, ficcionistas e poetas. Foi antes de tudo as palavras que vocês me deram, o abraço de cada um de vocês a embalar esse meu sonho.

Um sonho de pessoa tímida que a dupla face do ato de ensinar tornou realidade, apesar das minhas limitações.

No mês de novembro de 2018, vocês estão em cada cantinho do blog, espaço no qual espareço a solidão tão própria a quem escreve, mas que é tão bom compartilhar palavras, ideias, afetos.

Espero encontrá-los novamente em 2019, e pelos anos que a vida nos presenteie, em Recife ou em Porto Alegre, ou em algum lugar todo especial onde a Escrita Criativa prevalesça e permaneça no coração de cada um de nós.

 

Um abraço bem grande e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Março, 2018 – O tempo

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Recife, 10/03/2018

Abril, 2018 – O mito

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Recife, 07/04/2018

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Porto Alegre, 25/04/2018

Maio, 2018 – A viagem

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Recife, 12/05/2018

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Porto Alegre, 16/05/2018

Junho, 2018 – A música

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Recife, 09/06/2018

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Porto Alegre, 13/06/2018

Agosto, 2018 – O amor

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Recife, 11/08/2018

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Porto Alegre, 15/08/2018

Setembro, 2018 – O sonho

EEC Setembro Recife

Recife, 01/09/2018

EEC Setembro POA

Porto Alegre, 12/09/2018

Outubro, 2018 – A imagem

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Recife, 06/10/2018

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Porto Alegre, 10/10/2018

Novembro, 2018 – O fogo

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Porto Alegre, 07/11/2018

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Recife, 10/11/2018

Curtas “Sobre a escrita criativa II”

Adriano Portela

Bernadete Bruto

Bernado Bueno

Elba Lins

Fernando de Mendonça

Índex* – Outubro, 2018

Você pode

Nem me ver

Nem me enxergar

Mas o sol 

Brilha mais forte

No céu

Mais azul

Deslizam nuvens

Branquinhas

A me chamar

Você pode

Não me ouvir

Não me escutar

Mas o bem-te-vi

Cantou mais cedo

O som das folhas nas árvores

A brisa a me contar

Que hoje

É dia de sim

Dia de se acordar

Sair para a vida

De peito aberto

Pés descalços 

Abraçar o mar

(“Porque, afinal, o mar existe”, Patricia Gonçalves Tenório, 28/09/2018, 07h37)

 

O infinito mar da Escrita Criativa no Índex de Outubro, 2018 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

“Doze horas”: O mito individual em uma autobioficção | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Uma crônica e um poema de viagem | Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PE/PB – Brasil).

Convite | “Sobre a escrita criativa II” | Diversos.

Amizade de teclado | Mara Narciso (MG – Brasil).

Estudos em Escrita Criativa – Outubro, 2018 | Recife e Porto Alegre | Diversos.

Agradeço a atenção e o carinho, a próxima postagem será em 25 de Novembro, 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – October, 2018

 

You can

Do not see me

Do not even see me

But the sun

Shines stronger

In the sky

Bluer

Slip clouds

Bright white

Call me

You can

Do not listen to me

Do not even listen to me

But the nightingale

Sang early

The sound of the leaves in the trees

The breeze to tell me

That today

It’s a yes day

Day to wake up

Go out to life

Open-breasted

Bare feet

*

Embrace the sea

(“Because, after all, the sea exists”, Patricia Gonçalves Tenório, 09/28/2018, 07h37)

 

The infinite sea of Creative Writing in the Index of October, 2018 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

“Twelve Hours”: The Individual Myth in an Autobiography | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

A Chronicle and a Traveling Poem | Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PE/PB – Brasil).

Invitation | “About Creative Writing II” | Several.

Keyboard Friendship | Mara Narciso (MG – Brasil).

Studies in Creative Writing – October, 2018 | Recife and Porto Alegre | Several.

Thank you for the attention and the affection, the next post will be on November 25, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Esse infinito mar chamado Vida. Fotografia: George Barbosa (PE – Brasil). This infinite sea called Life. Photography: George Barbosa (PE – Brasil).  

 

Convite | “Sobre a escrita criativa II”

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A coletânea de artigos Sobre a escrita criativa II traz textos sobre processos criativos em várias áreas de artes, especialmente na literatura. Com Adriano Portela, Alexandra Lopes da Cunha, Amilcar Bettega, Andrezza Postay, Annie Piaget Müller, Antonio Aílton, Bernadete Bruto, Bernardo José de Moraes Bueno, Camilo Mattar Raabe, Daniel Gruber, Elba Lins, Fernando de Mendonça, Fred Linardi, Gisela Rodriguez, Guilherme Azambuja Castro, Gustavo Melo Czekster, Lourival Holanda, Luiz Antonio de Assis Brasil, Luís Roberto Amabile, Maria do Carmo Nino, María Elena Morán Atencio, Paulo Ricardo Kralik Angelini, Patricia Gonçalves Tenório, Ricardo Timm de Souza, Tiago Germano, Sobre a escrita criativa II dá continuidade ao projeto de divulgação do que tem sido feito em termos de escrita criativa no país iniciado no primeiro volume.

Design: Jaíne Cintra

Revisão: Ana Lúcia Gusmão e Sandra Freitas

Impressão: Ricardo Barbosa – Provisual

367 páginas      R$ 40,00     Raio de Sol – Recife/PE

Contato: grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com

Uma escrita coletiva | Patricia Gonçalves Tenório*

Dizem que a Odisséia, um dos textos atávicos da literatura ocidental, foi recolhida de histórias da narrativa oral e inscrita sob a égide de Homero.

Em 2013, estava eu na Universidade Federal de Pernambuco como ouvinte/aluna especial na disciplina A poética do ensaio, sob os cuidados de Prof. Lourival Holanda (PE). Estava me preparando para a seleção do Mestrado em Teoria da Literatura, linha de pesquisa Literatura e Intersemiose, orientada pela Prof. Maria do Carmo Nino (PE). Contava com colegas brilhantes e acolhedores, que, além de teóricos, eram belíssimos poetas, ficcionistas. Entre eles, Ricardo Nonato (BA), Antonio Aílton (MA), Hudson Silva (PI), Cassiana Grigoletto (RS), Fernando Ivo (PE), André Santos (RJ), Vinícius Gomes (PE), Ingrid Rodrigues (PE), Adriano Portela (PE), Cilene Santos (PE), Joanita Baú (PA), Fernando de Mendonça (SP/PE), e tantos outros, compartilhando os ensinamentos de Holanda, e nos provocando. Estimulando a escrita de textos teóricos, mas, principalmente, poético-ficcionais. Nascia na época o Coffee-Break, grupo de Facebook onde criávamos, quase que diariamente, poemas, contos, de maneira individual, mas mergulhados nessa alma coletiva.

Em 2016, me lancei a outras pairagens. Dessa vez como ouvinte/aluna especial no doutorado do Programa de Pós-graduação em Escrita Criativa da PUCRS, ingressando como aluna vínculo em 2017. Sob a batuta do Prof. Luiz Antonio de Assis Brasil (RS) nas suas Oficinas de Criação I – Narrativa, conheci poetas e ficcionistas do Brasil inteiro, mas principalmente do Rio Grande do Sul, tais como Alexandra Lopes da Cunha (DF/RS), Gustavo Melo Czekster (RS), Annie Müller (RS), Luís Roberto Amabile (SP/RS), María Elena Moran (Venezuela/RS), Daniel Gruber (RS), Guilherme Azambuja Castro (RS), Tiago Germano (PB/RS), Débora Ferraz (PE/RS), Júlia Dantas (RS), Andrezza Postay (RS), Camilo Mattar (RS), Fred Linardi (SP/RS), Gisela Rodriguez (RS). E tantos outros, e muitos mais, que também me acolheram e descortinaram esse infinito de possibilidades da Escrita Criativa em Ambiente Acadêmico no país.

Duas cidades. Dois universos tão próximos graças ao amor à literatura, ao desejo extremo do bem escrever. E esses meus dois amores me impulsionaram a tentar uní-los, a realizar em outubro de 2017, em parceria com a XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, na figura de Rogério Robalinho (PE), e com a PUCRS, nas figuras dos Profs. Assis Brasil, Maria Eunice Moreira (RS) e Cláudia Brescancini (RS), o I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco, trazendo autores gaúchos para conhecer, e trocar, e começar a construir juntos com autores pernambucanos esse meu sonho-ponte de uma Pós-graduação em Escrita Criativa no Recife.

Para tentar tornar real aquilo que prefigurei em A menina do olho verde (2016) no capítulo A cidade universitária: “Foram derrubados os muros da cidade. O Muro Alto não existia mais. Plantaram jardins conjuntos, escreveram livros para uns aos outros ler. Era bom aquele começo, com a esperança no coração”.

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* Patricia Gonçalves Tenório (Recife/PE, 1969) escreve prosa e poesia desde 2004. Tem onze livros publicados, com premiações no Brasil e no exterior, entre elas Melhor Romance Estrangeiro por As joaninhas não mentem (em outubro, 2008) e Primo Premio Assoluto por A menina do olho verde (em outubro, 2017), ambos pela Accademia Internazionale Il Convivio, Itália); Prêmio Vânia Souto Carvalho (2012) da Academia Pernambucana de Letras (PE) por Como se Ícaro falasse, e Prêmio Marly Mota (2013) da União Brasileira dos Escritores – RJ pelo conjunto da obra. Mestre em Teoria da Literatura (UFPE) e, a partir de outubro de 2018, doutora em Escrita Criativa (PUCRS). Contatos: patriciatenorio@uol.com.brwww.patriciatenorio.com.br

 

Estudos em Escrita Criativa – Setembro, 2018 | Recife e Porto Alegre

Nos aproximamos dos últimos encontros de 2018 dos Estudos em Escrita Criativa em Recife e Porto Alegre.

E que alegria ver o resultado dessa construção… Textos ficcionais e poéticos de beleza ímpar, inspirados nos teóricos, ficcionistas e artistas da primeira parte dos encontros, nos depoimentos, na terceira parte, dos escritores convidados em parceria com a UBE em Recife, com a PUCRS em Porto Alegre.

Em Setembro, 2018 trabalhamos O sonho. Navegamos pelo inconsciente de Jung, Freud, a ficção de Arthur Schnitzler, Chistopher Nolan, e tantos outros. Recebemos Ana Maria César nas terras pernambucanas. Voamos para nos encontrar com Gisela Rodriguez e Fred Linardi no pampa gaúcho.

Outubro, 2018 será muito especial. Trabalharemos teóricos e ficcionistas, artes plásticas, cinema, música sob o tema da imagem. Receberemos em Recife, no dia 06/10, das 10h às 13h, a nossa queridíssima orientadora de mestrado na UFPE, a artista plástica, professora, curadora Maria do Carmo Nino. Em Porto Alegre, os doutorandos em Escrita Criativa também queridíssimos da PUCRS, María Elena Morán e Daniel Gruber, na noite de 10/10, das 18h30 às 21h. E muito mais!

E apresento os textos maravilhosos dos participantes dos encontros sobre O sonho de Recife e Porto Alegre, já sentindo o gostinho de quero mais que os nossos Estudos em Escrita Criativa vão deixar em todos nós…

Um abraço bem grande da

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Recife, 01/09/2018

 

Bernadete Bruto

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

 

SONHO DE UMA NOITE DE SONHOS

 

Estaria participando daquela festa? Parecia um palco e nele um aglomerado de pessoas ensaiando várias apresentações. Todas unidas para dar certo, colaborando entre si para o trabalho conjunto.

O local parecia uma quadra. Estava escuro e não dava para observar nitidamente as pessoas. Intuía que fossem várias: homens, mulheres, jovens, crianças. Estaria naquele espaço um pouco distante, como se fosse uma observadora, embora ciente de que entraria, em breve, para junto daquela multidão superatarefada, parecendo um enxame de abelhas de tanto movimento.

Mais além um casal estaria lhe observando os movimentos em outro espaço contíguo ao palco dos artistas. Olhou para o casal, ciente que se uniria a eles numa dança para voltar completa.

De volta ao palco, juntar-se-ia àquela multidão e se dissolveria totalmente naquela coreografia, alegre, vibrante, agora colorida.

Abriu os olhos e pensou que, talvez, um dia (ou mesmo numa noite), enxergaria bem melhor o sonho da verdadeira dança da vida.

 

 

Cilene Santos

Contato: cilenecaruaru2013@gmail.com

 

A PROVA DO CRIME QUE NÃO COMETI

 

Dos sonhos que tive, poucos eu me lembro. Mas, dos poucos, um me atordoou. Os acontecimentos foram tão claros, decisivos e inequívocos que eu mesma tive que lutar comigo, para me convencer de que eu era inocente. Estava voltando para a minha cidade, quando recebi uma mensagem de uma amiga, do tempo do internato. Naquele final de semana eu ficaria em casa de parentes, que residiam no interior, mas o convite era irrecusável: um final de semana na casa daquela amiga, cuja morada ficava entre as serras. Amigos se encontrariam para uma comemoração, da qual, o motivo seria mantido em segredo. Até a chegada de todos. Comuniquei aos familiares e desviei a minha rota.

Cheguei ao destino no finalzinho da tarde da sexta-feira. Fui recebida pelo dono da casa, que me deixou muito à vontade. A minha amiga Carol, era esse o seu nome, não se encontrava, havia ido ao salão de beleza, preparar-se para a grande noite.  Fui levada à suíte que ocuparia. Aproveitei para relaxar um pouco. Estava cansada da viagem. Quando acordei, já era noite. Tomei um banho quente, estava frio o tempo. Botei uma roupa apropriada para o momento, fiz uma leve maquiagem e desci ao térreo, onde ficava a sala de recepções. Lá, muitos convidados já se encontravam. O ambiente ricamente decorado. Flores, as mais belas. Lindos lustres iluminavam cada recanto da casa. Na varanda, uma orquestra tocava bonitas canções. Alguns casais dançavam. E lá no alto, entre as montanhas, uma lua cheia completava o lindo quadro.

Num momento, a orquestra parou e ouvimos a voz de Carol agradecendo a presença de todos e dando a grande notícia: “estava grávida!” Dali, seguiram-se abraços, beijos, sorrisos e lágrimas de alegria. A orquestra voltou a tocar e o jantar foi servido. Pratos saborosos, acompanhados  de um bom vinho animaram mais aquele momento. À meia-noite, despediram-se os últimos convidados.

Recolhi-me aos aposentos. Dormi rápido e, como sempre, acordei cedo. O sol não havia ainda saído de todo. Só alguns raios sugeriam o amanhecer. Abri as janelas para aproveitar aquele ar puro. Tamanha foi a minha surpresa, ao olhar a piscina, que perdi o controle emocional: um corpo boiava!  Corri ao banheiro, botei um vestido, peguei a bolsa e saí rápido. Ninguém me viu. O temor e o terror dificultaram-me pôr a chave na ignição. Saí a toda velocidade. Já havia me distanciado quando lembrei que havia deixado a roupa de dormir no banheiro. E lembrei também que, desde o tempo do internato, adquirira o hábito de colocar no avesso das minhas vestimentas, as iniciais do meu nome. Acordei apavorada.

 

Elba Lins

Contato: elbalins@gmail.com

 

DESASSOSSEGO NOTURNO

 

Lembraria por muito tempo, o desassossego.

Vindo de noites longínquas…

E buscaria explicar, tentaria entender

O significado de tudo aquilo

Eram tentativas inúteis

De expulsar de si

O conteúdo estranho…

Que se nada fosse feito

Bloquearia sua garganta

Se nada fizesse lhe sufocaria…

A cada noite

Se repetiria o gesto

Abriria a boca e puxaria para fora de si

A gosma aparentemente sem fim

Que mesmo depois de muito retirada,

Ainda permaneceria no interior de sua garganta

Sufocando-a…

Acordaria mais um dia e não entenderia o significado do sonho

Buscaria novamente, inutilmente, explicações

E estas viriam por fim no sentido de trair segredos

De expor razões

De mostrar verdades

Que enfim chegariam à luz pela escrita

Que por fim lhe esvaziaria por inteiro.

E lhe preencheria de luz.

 

Gabi Vieira

Contato: gabi.vieira.araujo@gmail.com

 

não conseguia dormir.

horas se passavam e

o teto que encarava

não se mexia

e ela começava a

considerar que ele

teimaria em assim permanecer

 

sentia saudades do tempo

em que sonhava.

um tempo de sono fácil

e mundos inteiros criados

no universo de seus olhos fechados.

 

ela ansiava perguntar

o que acontecera

para perder a capacidade de sonho

mas temia que a

mais dolorosa resposta

seria a única verdadeira.

 

então, no fim das contas,

fecharia os olhos em mais

uma tentativa frustrada

de o sono chamar

e só o que desejaria

era poder viver

tudo que um dia

fora capaz de sonhar.

 

 

Guilherme Augusto

Contato: guilhermetrekke@gmail.com

 

estava acordado?

estava dormindo?

não sei ao certo, mas sei que estava voando.

não sei se era sonho.

não sei se era realidade.

mas sei que estava voando.

isso é possível?

como poderia, eu, estar voando?

isso deve ser um sonho.

isso deve ser a realidade.

deve ser a junção do real e do imaginário.

são tantos questionamentos

comecei a cair

senti um peso se instalando em meu peito.

devo continuar levantando?

devo cair?

continuei a cair

então, eu compreendi

a paz que estava em mim me fez voar.

a guerra que estava em mim me fez cair.

no fim, quem iria vencer?

eu quero voar, mas não posso abandonar meus questionamentos

foi quando voltei a voar

decidindo viver no equilíbrio

abri meus olhos

com um sorriso no rosto

pois havia entendido

meu corpo estava na cama

mas minha alma voava

entre a paz, a guerra, o sonho, o real, a razão e o amor.

 

Ina Melo

Contato: ina.melo2016@gmail.com

Imagem de Ina Melo

 

Gostaria de sonhar com um amor encantado nas galáxias e no seu forte e poderoso abraço! Todas as vezes que nos encontrávamos era como se os tentáculos de um polvo me esmagasse. Nessa fusão de corpo e alma tudo era permitido. O amor se fazia  com leveza. A chama ardente do desejo nos oferecia um mundo de emoções do qual não queríamos sair.

Tudo acontecia com os corpos colados e os corações batendo em descompasso!  Mãos ansiosas se encontravam no toque. Bocas sedentas mergulhavam uma na outra deixando as línguas enroladas num mundo de sensações. Naquele  momento o sonho se fazia realidade e um era o outro, respirando o mesmo ar e provando o mesmo sabor doce do amor! Ah! Saudades! Ainda bem que os sonhos são sonhados!

 

João Orlando Alves

Contato: joaoorlandoalves@yahoo.com.br

 

UM SONHO

 

O sonho da vez seria aquele contido na anterioridade da memória consciente. Transcendendo, haveria o personagem Carlitos, expondo à humanidade, por meio de situações adversas, a capacidade do humano de não se aferrar às agruras, emprestando beleza à vida.

Essa evocação teria sido despertada em uma escola de música e dança na periferia da cidade carente de suporte material: crianças e adolescentes em trajes rotos e sem ferramentas adequadas, no entanto, vencendo esses infortúnios com alegria e comprometimento com a arte. O sorriso indicava um ser feliz.

Haveria o sonho possível, às vezes imemorial. Nasceria aquela escola desse evento. Teria um dos protagonistas mirins, sonhado com a música e arrastado tantos outros ao aprendizado.

Sugere-se estaria aquém da percepção imediata de ocorrência de atividade psíquica de que o indivíduo se apropria, àquela com elementos substanciais que levariam ao criar.

Enfim, o sonho além de pacificar a mente, também alcança a dimensão como a de José no Egito antigo.

Cada pessoa é um sonho!

 

Rackel Quintas

Contato: rackelquintas@gmail.com

 

CARTA DE UM IN-SONHE AO AMOR

 

Eu queria que todos os sons. E luzes. E planetas. Me dessem a dignidade de uma noite insone. Gostaria que o amor, assim como o sonho meio-morte, fosse feito de descanso e virtude, como uma maçã durinha, cheia de suco até a semente. Gostaria de cantar hinos, clamores de comemoração a um amor frágil, enlaçado pelo desejo cansado, de permanecer vivo, semeando, gerando. Gostaria que esse amor fosse contado em rede nacional, na rede, no quintal de uma casa feita pra ele crescer. Gostaria que meu dentro não fosse tão barulhento, que aceitasse a chuva fininha, que não mal-dissesse os dias de verão. Gostaria de mais banhos de chuva, e praças escondidas em lugares óbvios da cidade. Gostaria de crises de sinusite, de riso, de choro, com o lugar do desespero ancorado em alguma certeza de que não se sabe, mas se ama.

Gostaria de um véu de leite condensado e rosas, a dar a todas as crianças que ali comparecessem, para aprenderem como é doce, longo e terminável o amor que cura. Gostaria da textura permanente das cadeiras habitadas e depois vazias porque horas, minutos, dias, se contaram a fio até que sumisse para sempre o amor de outrora. Gostaria que as conversas fossem feito amoras, que tivessem sempre uma fogueira como testemunha das prosas, que houvesse tempo de aconchego, e amor. Gostaria de ter coragem de admitir-me berço e vontade, de discriminar as cores das minhas próprias palavras; de poder dizer azul ao amargo e vermelho ao sangue carne da vida que nos apetece. Gostaria de dizer que mesmo sabendo que vivo sem o amor, ainda assim o desejo, para o quanto de vida tiver a gastar. Gostaria, gostava, gosto. Da inveja aos olhos alheios, do som na varanda suspensa e na taça. Das taças. Nossas. Já há algum tempo. Desmascarando mentiras que eu mesma inventei para não amar. Pra bem-dizer o destino amaldiçoado. Eu queria que todas as noites insones me rendessem alguma poesia, mas é o passarinho de barriguinha cheia que pousa em mim, na minha janela, e encanta a vida como se eu quisesse vivê-la e não dormi-la. Como se sonhar fosse uma vida pra dentro e querer uma vida pra fora. Hoje, gosto de Caetano e Chico, do grande amor que não se acaba assim. Hoje, sonho e benzo o amor, Carmim. Puro e machucado por ele, por mim. Hoje eu gostaria. Quero. Um amor assim.

EEC Setembro POA

Porto Alegre, 12/09/2018

 

Ana Paula Bardini

Contato: apbardini@terra.com.br

 

 

A sensação de angústia persistiria pelo longo do dia. Nem bem acordara e já tinha esta certeza. Como poderia uma mãe abrir mão de seu próprio filho? Negando-lhe amor e cuidado, estando tão perto e disponível para o outro filho, irmão gêmeo deste, que acolhera com todo o seu coração? Seria instinto ou egoismo? Enquanto isso, o infante preterido dormia serenamente alheio ao que o destino lhe preparara. No momento ainda não sabia, mas viria a sentir na pele – e calaria na alma –  a dor do abandono materno. Jamais descobriria o motivo de tanto desamor. Cresceria à própria sorte, ainda que em família. Seria isso o bastante? Quais seriam as suas chances perante tamanha barbárie? Estar perto sem estar realmente próximo?

Um desconforto crescente a fez despertar, o sonho lhe parecera tão vívido que custara a acreditar que voltara à realidade. Ainda ofegante, lembrava flashes e revivia o sofrimento que comungara com aquela pobre e indefesa criança. De alguma forma ela se sentira conectada à dor dele que também era sua.

Neste instante o despertador a lembraria de seus compromissos da manhã. Eram muitos nesta quarta-feira chuvosa. Desligou. Aliviada pela bem-vinda interrupção, como quem retorna de um mundo distante, levantou. Organizou mentalmente as tarefas por ordem de prioridade. Primeiro prepararia um café, bem forte, com certeza a ajudaria a distanciar-se do sonho e a encarar o dia. Depois, a rotina se encarregaria do resto. Apostava nisso e  secretamente um pensamento lhe acompanharia pelo restante da semana: Amor de mãe deveria ser obrigatório.

 

*

 

Ando tendo sonhos…

Destes que inquietam

De novos caminhos

Onde se arquitetam

 

Vidas mais leves

Sorrisos mais fáceis

Amores menos breves

 

Ando tendo sonhos…
Destes que acalentam

Intensos, advinhos

E também desassossegam.

 

#APB

 

 

Gabriela Guragna

Contato: gabi_guaragna@hotmail.com

Enquanto as folhas, regadas a vinho tinto, se contorciam em ardor, ela correria buscando as paradas de ônibus da vida. Embarcaria para a Austrália. No rolar das escadas que a conduziriam ao subsolo, perceberia a falta do passaporte.

Entregaria a carteira de identidade da irmã para ela, e a carteira de motorista do pai para ele. A bolsa ficaria leve e encontraria a própria identidade, borrada pelo vinho que banhava as folhas ocultas. Correria pela mata do aeroporto, e puxaria de uma máquina a lista de amores antigos separados por categorias.

Família em segunda-feira

Trabalho em feira de domingo

E ele ali na feira destaque do dia de agora.

 

 

Kênia Medeiros

Contato: kenia_poa@yahoo.com.br

 

PÓS-CRÉDITOS

 

Os créditos começavam a subir, quando a luz foi acessa. Enquanto alguns, preguiçosamente, se dirigiam à saída, outros esperavam adaptar os olhos à claridade. No entanto, fiquei esperando por uma última cena, como um bis num show musical.

Não demorou para que surgisse na tela o herói que, misteriosamente, havia desaparecido em uma das cenas finais do filme. Ele despertaria à beira do rio no qual, imaginava-se, havia se afogado. Quando começou a se levantar, ainda sem saber onde estava, uma luz repentina quase me cegou. Ouvi um barulho estridente, que fez meu coração disparar. De repente, era eu na margem daquele rio. Desorientado, assustado, com medo do que estaria por vir.

Quando, enfim, me acostumei à claridade, percebi onde estava. Já não era um lugar estranho, mas o medo do que viria permaneceu. Estava em meu quarto, com o despertador tocando e com o sol brilhando através da janela. E, diferente do herói que se levantou pronto para encarar qualquer perigo, me levantei resignado para a batalha diária de uma vida sem ação.

 

Susi Franke

Contato: susifrankett@gmail.com

 

Eles são maravilhosos, um casal muito especial, muito amados. Ela, artista, trabalhando xilogravura, telas, filha de produtores de café, do interior paulista. Ele, húngaro, que veio para o Brasil à procura da realização de um sonho, trabalhar com aviação. Acabou se transformando num famoso projetista da Embraer.

Encontrei-os num sonho.

Apesar da idade avançada, continuaram encantadores, cheios de vida, com um sorriso no rosto.

Sairiam para um passeio na casa de campo, numa fazenda aeródromo do interior paulista. Passariam lá alguns dias, com amigos. Um era meteorologista, sua esposa médica, vegetariana, que traria muitos ensinamentos sobre nutrição. Outros, pilotos, sempre os grupos se formando com conversas animadas e um bom violão para animar ainda mais o encontro.

Estariam todos prontos para decolar?

Desapareceriam no azul do céu?

 

Sala de imprensa

PHOTO-2018-09-10-09-25-58

Folha de Pernambuco, 08 e 09/09/2018

PHOTO-2018-09-26-08-52-03

Jornal do Commércio, 26/09/2018

Próximos encontros:

Cartaz A3 e Banner_Recife

Estudos em Escrita Criativa - Porto Alegre - RS

Índex* – Agosto, 2018

Descubro

Na palavra

Um suporte 

No qual me apoiar

Um alívio

Em desabafar

A angústia 

De não ter controle

A Patricia

Sem linha

Caneta

E cor

 

Na palavra

Me descubro

Inteira

Portadora

Do segredo

Mais íntimo

Mais âmago 

Que nem eu mesma

Sabia

 

Sorrio

Quando

A caneta

Sulca o papel

Em letra de forma

E reconheço ali

Todo um sentido

(“Toda poesia”, Patricia Gonçalves Tenório, 14/08/2018, 15h34)

 

O amor à Escrita no Índex de Agosto, 2018 do blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Uma autobioficção | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Um poema de escrita | Cilene Santos (PE – Brasil).

PALAVRA DE VIAJANTE (Lisboa) | Fred Linardi (SP/RS – Brasil).

Sete anos | Raldiany Pereira (PE – Brasil).

Catopelando | Mara Narciso (MG – Brasil).

“A mulher faminta” | Tiago Germano (PB/RS – Brasil).

Estudos em Escrita Criativa – Agosto, 2018 – Recife e Porto Alegre | Diversos.

E o link do mês com um poema de Alcides Buss (SC – Brasil): http://www.alcidesbuss.com

Agradeço o carinho e a participação, a próxima postagem será em 30 de Setembro, 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Index* – August, 2018

 

 

I discover

In the word

A support

To support me

A relief

To vent

The anguish

Of not having control

A Patricia

Without line

Pen

And color

 

In the word

I discover myself

Entire

Bearer

Of the most intimate

Secret

More core

Like myself even

Knew

 

I smile

When

The pen

Groove the paper

In shape letters

And I recognize there

A whole sense

(“All poetry”, Patricia Gonçalves Tenório, 08/14/2018, 3h34 p.m.)

 

The love of Writing in the Index of August, 2018 on the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

An autobiofiction | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

A writing poem | Cilene Santos (PE – Brasil).

WORD OF TRAVELER (Lisbon) | Fred Linardi (SP / RS – Brasil).

Seven years | Raldiany Pereira (PE – Brasil).

Catopelling | Mara Narciso (MG – Brasil).

“The Hungry Woman” | Tiago Germano (PB / RS – Brasil).

Studies in Creative Writing – August, 2018 – Recife and Porto Alegre | Several.

And the link of the month with a poem by Alcides Buss (SC – Brasil): http://www.alcidesbuss.com

Thank you for the affection and participation, the next post will be on September 30, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Quando a Escrita entra pelas Janelas da Alma. When the Writing enters through the Windows of the Soul.