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Intercâmbio I: Sobre a produção literária de mulheres – Márcia Lígia Guidim*

Inauguro com “A produção literária feminina”, enviado pela prof. Márcia Lígia Guidim, o painel “Intercâmbios”, onde escritores das mais diversas áreas dialogam com a Arte. 

Um abraço grande da

Patricia Tenório.

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Impressões sobre a produção literária de mulheres na ficção e na crítica contemporânea.

Palestra proferida na IV Jornada Internacional de MULHERES ESCRITORAS. SESC Pinheiros.

São Paulo, dias 18 e 19 de maio de 2011.

 

 

Fico muito honrada com o convite, no papel de editora, professora e estudiosa que fui por muitos anos da literatura feminina feita no Brasil por mulheres, e o consequente estudo da crítica a essa produção.

Para iniciar minhas impressões, gostaria de lhes dar alguns dados gerais: o prêmio Jabuti de 2008, nas categorias de contos e romances, premiou 4 homens e duas mulheres; em 2009, premiou 6 homens e nenhuma mulher; em 2010, premiou 5 homens e uma mulher.

Um olhar mais afoito aos números diria que os homens se sobrepõem, “porque o mundo é patriarcal”,  “porque as mulheres têm pouca repercussão”, “porque são menos editadas, pouco apoiadas pela crítica” etc.

Discordo frontalmente de tais colocações.

 Há menos mulheres premiadas, pois há menos mulheres escrevendo, e, muitas das que escrevem estão atrasadas ao menos 40 anos em estilo, fórmulas, temas e investigação da linguagem contemporânea adequada. Isso faz sentido? Creio que sim – até quanto à crítica: quantas mulheres fazem crítica literária hoje em dia?

 No Jornal Rascunho, um dos poucos sítios e impressos de crítica literária do país, tempos uma média de 11 ou 12 críticos para 3 críticas por edição. No ultimo Guia da Folha de S. Paulo para livros, filmes etc, ao menos o último que li em maio de 2011, há uma (sim, somente uma) mulher para 14 resenhistas.

 

Quais seriam as razões dessa parca presença feminina?

Usarei uma digressão histórica para tentar encontrar respostas ao quadro, que me permito explicar por enumerações:

1.    Na década de 1980, fazíamos teses sobre Clarice Lispector (1920 a 1977) quando nasceu a Anpoll (Asssociação das Pós-Graduações de todo o país); havia encontros anuais em vários estados. E dentro da Anpoll havia um grupo chamado “GT A mulher na Literatura”. Dele participaram estudiosas estrangeiras e brasileiras. (Nádia Battella Gotlib, Elza Miné, Constância Lima Duarte e estrangeiras como a holandesa Ria Lemaire ou a americana Ellen Douglass.)

2.    As mulheres estavam descobrindo mais vigorosamente as pós-graduações e os estudos acadêmicos. Foi um momento no Brasil, em que orientadores orientavam mais mulheres que homens; eles nos  aceitavam porque, com qualidades discentes  ou não, éramos muitas. Houvera, pouco antes,  um divisor de águas, pois a carga de opressão da ditadura mais negra (1964-74) tinha abrandado e, com ela, o recorrente estudo acadêmico dos demais autores engajados, como Graciliano Ramos, por exemplo. A contracultura (1968), que chegou logo ao Brasil, exigia mostrar o “lugar do sujeito” no mundo. Ou seja, as representações dos desejos do indivíduo convertiam-se em necessidade de leitura e observação. E, para isso, o texto feito por mulheres bem se prestava;  e as mulheres gostavam de estudá-los. Assim, inicia-se um grande boom de estudos e textos femininos.

3.      Nessa época, mais mulheres, professoras, artistas, celebridades escreviam em jornais e revistas e o jornalismo foi o lugar de muitas cronistas da época no Brasil, que passaram a fazer ficção ou até o contrário: da ficção foram para os jornais, como foi o caso de Clarice Lispector e outras. A existência da Revista Claudia, com seu “feminismo conservador” (releve-se o paradoxo), ajudou muito a alocar mulheres comentadoras e resenhistas, bem como novos  programas de TV.

4.    Apareceu, com muito arruído, um grande contingente de professoras e estudiosas tentando trazer à tona, com seus estudos, escritoras do Brasil do século 19 e 20, como Nísia Floresta, Francisca Julia, Julia Lopes de Almeida, Carmen Dolores, Tereza Margarida da Silva Horta, Josefina Álvares de Azevedo. Tinham as estudiosas a intenção de mostrar qual feminista era o Brasil, antes dos anos 50. O tempo, contudo, mostrou que, apesar das pesquisas acadêmicas e de algumas publicações posteriores, esses nomes não foram resgatados para eficiente ingresso na literatura brasileira feita por mulheres. Ou seja, poucas dessas mulheres foram resgatadas com sua literatura para instalar-se no panteão das escritoras brasileiras. (E como o governo deu bolsas de estudos para tais pesquisas…)

5.    Hoje, quando lemos os ensaios e os livros dessa época, vemos que muito da crítica (quase feita só por mulheres) estava baseada no biografismo das antigas escritoras “livres e independentes”. As ensaístas, salvo exceções,  buscavam revelar em seus estudos a independência mental e o poder que tais escritoras teriam exercido em sua região de origem,  em sua época – o que nem sempre deu certo ou foi efetivamente relevante.

6.    Quero afinal dizer que os vários estudos críticos, com honrosas exceções, liam nos textos das escritoras um viés feminista (sob conceito mais trivial, sem levar em consideração a especificidade do discurso literário, a qualidade estética, poética, o aspecto literário do texto em si, a mensagem enquanto código – o que certamente é bem maior que temáticas feministas, existentes ou não nos textos. Em resumo: muitas dessas escritoras reabilitadas por estudos escreviam mal e pouco.

7.    Por outro lado, mulheres que escreviam “como homens” (dizia-se isso, sim! E ainda se diz) eram deixadas de lado nos estudos críticos, como Raquel de Queiroz, Zélia Gatai, Nélida Pinon, Hilda Hilst e algumas outras. Por seu lado, poetas, como Cecília Meireles, Adélia Prado e Alice Vieira demandavam poucos estudos.

CLARICE LISPECTOR:

8.    A maioria das estudiosas (incluindo-me a mim mesma) debruçou-se sobre Clarice Lispector e, dado o grande interesse provocado pelo seu texto intimista, declarou Clarice como escritora feminista (excluindo-me a mim mesma e a poucas outras vozes). Clarice seria, segundo as críticas, a herdeira brasileira de Virginia Woolf e Katherine Mansfield – escritoras que a teriam inspirado em seu suposto feminismo literário e quanto ao discurso da introspecção.

9.    Ou seja, os romances e contos de Clarice seriam todos produtos do desejo ostensivo de a escritora criar um universo ostensivo de mulheres belicistas quanto à cultura patriarcal – para as leitoras mulheres e para o mundo moderno.  

 

10.   Clarice foi dissecada por brasileiras e estrangeiras. Havia pouquíssimos estudiosos homens de Clarice, jovens estudantes; um grande nome se destacou: Benedito Nunes, do Pará, que estudou dela o aspecto filosófico e a construção peculiar da língua na estrutura da obra.

EQUÍVOCO:

11.  Essa abordagem crítica da obra clariceana, já na época, foi considerada equivocada por uma  outra parte da crítica (feita por homens e mulheres) que estava apoiada na psicanálise (caso de Cleuza Rios) ou na crítica biográfico-hermenêutica e interpretativa de grande fôlego (como Nádia Gotlib e Leyla Perrone Moyses).

12.   Muitos críticos achavam que se criara um círculo concêntrico e egótico em que mulheres ensaístas se debruçavam sobre escritoras mulheres, cujas protagonistas eram, na maioria, mulheres. Ou seja, estava criada uma espécie de círculo vicioso das vozes femininas, que só conseguem fazer certo barulho se estivem assim enoveladas. Curiosamente, pouca gente da linguística ou da estilística apareceu para estudar escritoras mulheres. As mulheres que estudavam as “colegas” eram na maioria dos casos hostis ao “mundo patriarcal”. 

13.   Adversários do grupo “Mulheres na literatura” tentaram mostrar vários equívocos. Estudiosos, discretos ou não, diziam que Clarice Lispector era “bem mais que uma escritora mulher”, ao tratar de temas e aflições do feminino; era uma escritora quase pós-moderna, que, tendo absorvido influências estilísticas e técnicas das escritoras européias, fora capaz de “levar a língua portuguesa a domínios muito pouco explorados com suas metáforas insólitas”, como dissera Antonio Candido logo ao início da carreira da escritora. Eu tentei dizer isso muitas vezes. Clarice não foi feminista. Foi uma grande voz de desvelamento do mundo feminino, com todas as suas dores existenciais, e não de gênero. Não fui ouvida, e ainda não sou.

14.   O fato é que as mulheres críticas de Clarice instalaram a escritora num feminismo beligerante contra o homem e transformaram suas protagonistas em queimadoras de sutiãs e mulheres vingativas. Equívoco. A Clarice dos contos, por exemplo, (Laços de Família, A legião estrangeira, Felicidade Clandestina) era deixada de lado, pois suas protagonistas eram donas de casa que, depois de certas epifanias existenciais, desligavam o fogão, o interruptor e iam dormir.  

15.  Em vez dos contos, liam-se os romances mais obscuros (o que possibilitou as mais extravagantes interpretações), como A maçã no escuro, A Paixão segundo G. H., O livro dos prazeres e Água Viva, em que as protagonistas eram pintoras, escultoras, professoras, bebiam como homens, eram ricas e/ou independentes, frequentavam lojas finas e tinham várias serviçais, etc. Enfim, tinham uma vida invejável “fora do lar”. Chegaram a valorizar um romance bastante ruim,  que até Clarice declarou detestar, Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres.  

16.  Creio que a crítica feminista aos escritos de Clarice parecia buscar glamour, fosse na personagem, ou na projeção pouco científica com que se debruçavam sobre o texto, às vezes, de fato, criador de pedantismo social : Angela Pralini, de Um sopro de vida; G. H., de A paixão segundo G,. H.; a tola Lóri, de O livro dos prazeres, ou a crônica O chá, em que a narradora, de certa forma, expõe seu mal-estar diante das criadas da casa.

 

 MACABÉA

17.   Até Suzana Amaral, a cineasta que filmou A hora da estrela (1986), que foi entrevistada por mim para um livro sobre a obra de mesmo nome,  buscou esse glamour. Eu lhe perguntei por que ela mudara o final do romance, por que dera  Macabéa um delírio com noivo louro, um cavalo branco e um lindo vestido azul. Ela me respondeu: “A vida dela era tão triste, que ela merecia ter uma recompensa, uns ‘morangos com chantilly’”. (p. 99 de A hora da estrela, Roteiro de leitura- Atica)

18.   A crítica contrária insistia que o fato de suas protagonistas serem todas mulheres, terminando por Macabea (a mais miserável de todas), não transformou a escritora pura e simplesmente em escritora feminista. O que se disse, mas para poucos compreenderem, é que Clarice avaliou, ao escrever, o doloroso processo da criação e a função do escritor no mundo. E isso independe de ser o escritor homem ou mulher.

19.   Essa interpretação hoje encontrou um consenso mais justo para com a obra de Clarice. Às vezes ainda aparece um forasteiro, como Benjamin Moser, o jovem norte-americano que acha importante dizer que “a mãe de Clarice teria sido estuprada na Rússia, antes de vir ao Brasil”. Como se isso fosse importante para a crítica interpretativa da obra da escritora.

PARA QUE DIGO TUDO ISSO?

20. Porque, hoje, 35 anos depois do “boom” dos estudos críticos sobre escritoras mulheres no Brasil, reconhece-se o quanto a crítica (feminina) esteve equivocada, o quanto muitas das mulheres escreviam, mergulhadas no próprio umbigo, sobre seu momento interior exacerbado. E o quanto a crítica se deleitava com tal desequilíbrio interior…

a)      A experiência estética mitopoética, se existiu, não foi vista.

b)      A escolha estética consciente, vigilante das escritoras, se existiu, não foi vista.

21.   Ou seja, temo que nós ainda estejamos nesse diapasão quando escrevemos ou quando fazemos crítica ao texto escrito por mulheres. Creio que vale a pena pensarmos:

1) As escritoras ainda estão escrevendo para si mesmas, registrando somente a exacerbada experiência interior, entregando-se ao fluxo do pensamento e despreocupadas com o enredo, apropriando-se de discursos ultrapassados, datados, e controversos desde que se impuseram à crítica? Um texto como o da ótima escritora Heloísa Seixas não resvala, a despeito dos tempos, nos textos clariceanos da década de 50? Por exemplo:

 

“Guardou o segredo como se fosse um diamante, no fundo da uma caixa de veludo negro. E, um após outro, amontoando-se, sedimentando-se, os anos se passaram. […] Num turbilhão, a paixão que sentida pela vida inteira desprendeu-se do fundo de veludo negro e explodiu, em todas as direções, enchendo o mundo, a atmosfera, a humanidade inteira, com seu veneno. Agora, letal.” [“Caixa de Pandora”, p. 20] (Heloísa Seixas, 2009)

 

2. O que seria hoje, a tal “gramática feminina”? Ela existe? Tem relação com o gênero, o sexo de quem escreve? Hoje um escritor, bastante premiado, como Fabricio Carpinejar, escreve coisas assim, que sem a identificação do sujeito passaria facilmente por ‘gramática feminina’.

“Não sei como dizer isso: estou grávido de você. Talvez não descubra. Talvez nunca o veja. Mas o filho é seu. Em meu ventre. Ventre de homem que se esconde como uma pedra de rio. Nosso filho abrirá minha carne como um punhal verde e me fará buscar seus traços mais do que os meus. Daquela noite, fiquei grávido. Não nos falamos. O milagre de multiplicar sua ausência. Tive medo de sua reação e recusei contar. Não queria que permanecesse comigo pela criança. Não queria uma esmola e caridade. Não, se eu não fui grande o suficiente para ser seu amor, não aceito ser motivo menor de compaixão. Que me esqueça, não me recorde para fazer um favor. Não vivemos de favor, vivemos para pagar tudo o que imaginamos em silêncio. Sei como dizer isso: estou grávido de você. Talvez não descubra. Talvez nunca o veja. Mas o filho é seu. Em meu ventre.” (Fabricio Carpinejar)

22.   Ora, todas as batalhas do feminismo foram lutadas. E vencidas no tempo e na contemporaneidade que nos equilibrou: se ainda insistirmos na literatura feminina e/ou feminista, estamos mantendo guetos envelhecidos como se houvesse (e há quem ache que sim) literatura dos índios, dos homossexuais, dos favelados, dos negros, dos oprimidos. Mulheres que escrevem como homens é um paradoxo, já que mulheres e homens devem escrever como escritores, não como representantes de gênero.

23.  Para encerrar, sugiro a leitura de trechos contemporâneos de escritoras muito bem posicionadas nas críticas. Algumas delas escrevem como homens, mulheres ou o quê?

 

A velha está sentada à mesa. As mãos trêmulas cruzadas à frente, na altura do rosto, como se rezasse. Dessas mãos escorrem veias grossas que parecem carregar em sua seiva a história de muitas décadas. São mãos como troncos, como garras de pássaros, de pele áspera e desenhada por sulcos, veios, nós. Traz manchas de vários matizes, mapas de segredos e descobrimentos. Há beleza nessas mãos, nesses braços desfeitos. É a mesma beleza que vemos nas construções antigas, nas ruínas. Só que ali é pedra – e não a pele – que nos conta histórias. (A beleza das ruínas, Heloísa Seixas).

Enquanto caminhava e olhava para os meus sapatos fodidos, eu pensava que a vida é uma coisa engraçada. Ela vai sozinha, como um rio, se você deixar. Você também pode botar um cabresto, fazer da vida seu cavalo. A gente faz o que quer. Cada um escolhe sua sina, cavalo ou rio. (O Matador, Patricia Melo)

 

Meu nome é Luísa, tenho trinta e sete anos e sempre julguei impossível terminar meu caso com Mário. Passei a sofrer a síndrome do fracasso prévio, já tentara mil vezes e nunca havia conseguido. Estávamos juntos há mais de oito anos, mas Mário só prometia casamento quando bebia além da conta. Sóbrio, tinha sempre um punhado de razões: o filho, os cachorros, a casa, a mulher, o papagaio, a mãe doente, a grana. No começo foi um romance muito apaixonado. Acreditávamos que havíamos nascido um para o outro. Hoje, aquele amor mais parecia um câncer ou vício que não se cura. Sempre esperei que um milagre acontecesse. (Rondó, Ivana Arruda Leite)

 

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais. Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta. Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor. Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso. Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes. Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais. Que o outro sinta quanto me doía idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco – em lugar de voltar logo à sua vida. (Canção das Mulheres, Lya Luft)

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* Márcia Ligia Di Roberto Guidin (marcialigia@miroeditorial.com.br)
Doutora em letras pela USP e professora universitária de literatura, teoria literária, análise e edição de texto, Márcia Ligia Guidin possui grande vivência na área editorial, tendo editado catálogos e obras e dirigido coleções para grandes editoras, como Saraiva, Ibep, Cosacnaify, Larousse, Martins Fontes, Manole, Nova Alexandria, Edições SM, Ática e Melhoramentos.

Márcia Lígia ministra cursos para escritores, é coach de autores, mantém o programa “Que tal seu português”, na Rádio USP-FM e é membro titular da cadeira nº 6 da Academia Paulista de Educação.

Conversações I: Com Victor Brecheret*

Convido todos e todas a também conversar com a exposição A arte indígena de Victor Brecheret, que ficará no Centro Cultural dos Correios – Recife até 31 de Julho de 2011.** 

Patricia Tenório.

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Mãe Índia, Victor Brecheret

 

“Além da terra cota, Brecheret utilizou-se de pedras. Pedras que vieram do mar. Um tesouro que as ondas não quiseram mais e depois de descobertas nas areias da praia, foram levadas para o atelier: pedras que durante séculos viveram sob o dorso verde do oceano. Esculpindo-as, Brecheret deu-lhes uma história. Marcou ali, em traçados rústicos, a figura de uma índia, de um peixe. E suas pedras criaram vida.” (Victor Brecheret Filho)

 

 

Bartira, Victor Brecheret

 

bARtira

Patricia Tenório

10/06/11

 

 

dez anos casados

dez anos separados

e os anos vão

desanuviando espaços

cavando buracos

cravando feridas

onde não mais passo

 

crateras da vida

estão lá

tontas

feito meu pensamento

ocas

feito um coração partido

sérias

de considerações

 

e a partir de mim

a partir de ti

partir no navio

mais longínquo

mais agudo

mais aguado

de sal e mar

de sol e terra

de ar

e Ar

e AR

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* Victor Brecheret (Farnese, Província de Viterbo, na Itália, 22 de fevereiro de 1894 — São Paulo, 17 de dezembro de 1955) foi um escultor ítalo-brasileiro, considerado um dos mais importantes do país. É dele a famosa escultura “Monumento às bandeiras” que fica em frente ao Palácio Nove de Julho em São Paulo.

 

**Exposição A arte indígena de Victor Brecheret

Onde: Centro Cultural Correios Recife (Av. Marquês de Olinda, 262, Recife Antigo)
Quando: Visitação de terça a domingo, de 07  de Junho a 31 de julho
Informações: (81) 3224-5739
Quanto: Entrada gratuita