Posts com Resenhas

Clauder Arcanjo* | “Cambono”**

“Em formato de novela-folhetim, Clauder Arcanjo constrói com originalidade, linguagem requintada e domínio de expressão uma trama labiríntica, em que o cotidiano dos moradores da fictícia cidade de Licânia é retratado capítulo a capítulo numa invenção surpreendente e desconcertante. Narrativa desenvolta e segura, em que realidade e ficção se entrelaçam, seduzindo o leitor com a força e a palavra de Adamastor Serbiatus Calvino (Cambono), Maria Abógada, Benarenard Péricles, Acácio, Jacinto Gamão, Gerardo Arcanjo, entre outros personagens capazes de fazer tremer as paredes de Licânia com seus uivos de paixão.” (Marília Arnaud, Escritora)

*

PARTE I

Um início sem fim

A floresta era pequena: três árvores frutíferas, duas samambaias no sopé da varanda e uma nesga de chão, ao fundo, com salsa, carrapicho e uma profusão de mata-pasto. Os animais dessa selva particular eram: o cachorro Banzé, um fox paulistinha (uma fera, quando diante de Aristóteles Emerson Barreto, o obeso gato siamês da vizinha, a senhora Francisca Espielberga Ford Coppula di Parma), a tartaruga Escolástica Bacon Spinoza Poe (do alto – melhor, da baixeza – dos seus quase oitenta anos de puro ócio) e o pequeno, e depenado, Nelson Deoclides Rodrigues Trotsky Médici Sampaio (papagaio linguarudo, mal-educado, inconveniente e pornográfico; daqueles de corar um Marquês de Sade).

Como cenário, um casarão antigo, de paredes dobradas, telhas vãs, sob o imperial céu nordestino. Sempre azul, banhado pelo sol e encoberto de sonhos.

Neste paraíso provinciano, morava o nosso herói: Adamastor Serbiatus Calvino.

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* Clauder Arcanjo é escritor, editor, engenheiro e trabalha em uma plataforma cercado pelo mar.

Contatoclauderarcanjo@gmail.com

** Cambono. Clauder Arcanjo. Mossoró, RN: Sarau das Letras, 2016.

Poems from Alan Britt*

BLACK WOOLY

  

Black wooly ripples our backyard concrete porch pad below

Autumn grasses tasseled by tiny magenta oil beads igniting

each sprouted stalk. This wooly rubs her fur against the sun’s

early morning switchblades & traverses the concrete undulation

by undulation, almost galloping under, over & between magenta

sprigs. Only this wooly isn’t black. She exposes copper ribs with

each ripple. Zebra rust singeing her fur, this wooly traverses a

faded green garden hose sprawled like a fifty foot garter snake,

thin as a small intestine, knotted & curled into a Pollock master-

piece. As she wobbles the distance, I record her diminutive

miracle. When I look up, she is gone.

 

(The Bitter Oleander, spring 2014)

Alan Britt…10/15/13…11:33AM

 

CHILDHOOD CONFESSIONS

 

I was adopted a little over a month old.

 

I was ecstatic!

 

While young I pulled a few pranks . . . nothing

too serious.

 

I dragged Mom’s favorite sweater

across the hardwood floor;

she wasn’t pleased.

 

I rummaged Dad’s closet & absconded

with a deerskin slipper;

that earned a timeout.

 

I once grabbed a chocolate chip cookie bag

& pulled the stainless can on top of me

spilling garbage across the kitchen floor.

 

I heard about that for weeks.

 

But I matured, learned right from wrong

& respected household rules.

 

As I grew I learned to play well with others,

stopped teasing the cat & even grew fond

of my Maine Coon sister.

 

I often wished Dad had more time to teach

me some games―I had energy to spare.

 

I sometimes begged Mom to close her laptop

& go for strolls around our neighborhood.

 

She was busy; I could see that.

 

But I amused myself; I made do.

 

(continued/break)

Page 2 of 2 . . . . . CHILDHOOD CONFESSIONS . . . . .  (cont.)

 

I was growing up fast & staying out of trouble, mostly.

 

Recently Mom & Dad brought a baby home

from the hospital. They named him Tom.

 

He smells funny but I think I love him. A baby brother!

I  ran around the house telling everyone how excited I was.

 

Then, suddenly, the surprise of my life.

 

One morning Dad walked me to the car & drove me

to a building with cinderblock walls & concrete floor.

 

I’ll never forget; I just turned five years old

& was looking forward to our expanding family.

 

Dad patted my head, closed the chain-link door

behind him & left me sitting on that concrete floor.

 

I’ve been here now over a month. No sign of Mom,

no sign of Dad.

 

My name is Mason. I’m a pit bull/shepherd mix.

 

The terrier next to me was carried away this morning.

She was old . . . 14 at least, cataracts in both eyes.

 

The guy on the other side, hound mix, I believe, spends

all day shivering in a corner, tail curled around his belly.

 

God, I’m lonely & confused. Mom, Dad, if you

can hear me, please come & get me.

 

I promise I’ll be good.

 

~Alan Britt

 

ab-darkling-magazine-article-by-joseph-m-ditta-with-border

 

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* Contact: abritt@towson.edu

“Appunti di Viaggio” | Alfredo Tagliavia

Alfredo Tagliavia

 

Appunti Di Viaggio

da parte di Alfredo Tagliavia

“Appunti Di Viaggio” è una raccolta di trenta poesie scritte da Alfredo Tagliavia tra il 2007 e il 2014, a cavallo fra due lunghi viaggi fatti dall’autore a Recife, nel Nordeste del Brasile, di cui si avvertono le atmosfere un po’ ovunque, alternate a descrizioni di Roma, Napoli, Lisbona e altri luoghi reali o immaginati del mondo. La maggior parte delle poesie è scritta in italiano, alcune sono in portoghese, una è in romanesco ed una in napoletano. La copertina ed il progetto grafico sono a cura di Silvia Piccinini.

Accesso a il libro: http://ita.calameo.com/books/004190365ed8797d07684

Índex* – Fevereiro, 2015

A dor alivia

Por um segundo

Entro

Na lua nova

No mar aberto

De Maracaípe

 

Uma chuva fina cai e mistura

O sal

A água

A luz que vem de dentro

E uma amiga-irmã me chama

– Vem, vem

Para além do arco íris

(“Arco Íris”, Patricia Tenório, D’Agostinho, 2010)

O alívio de um instante que a Arte nos dá no Índex de Fevereiro, 2015 no blog de Patricia Tenório.

“O Major – Eterno é o Espírito” | Patricia Tenório (PE – Brasil).

Um poema e uma crônica | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

“Rumeur” suivi de “Chère Madame Schubert” | Ewa Lipska (Polônia) | Traduction Isabelle Macor-Filarska (França).

Os links do mês:

14 ª Revista Mulheres e Literatura com artigos de Tiago Silva (PB – Brasil) e Patricia Tenório: 

http://litcult.net/site/category/mulheresrev/revista-mulheres-e-literatura-vol-14-2015/

VI Encontro Nacional O Insólito como Questão na Narrativa Ficcional:

http://www.sepel.uerj.br/eventos.html

Danuza Lima (PE – Brasil) no PalavraTório, coluna do Parlatório de Adriano Portela (PE – Brasil):

http://parlatorio.com/sob-a-via-crucis-do-corpo/

 

Excepcionalmente, a postagem de Fevereiro, 2015 foi antecipada em 1 dia. A próxima postagem será em 29 de Março de 2015. Um abraço bem grande em todos e todas,

Patricia Tenório.

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Index* – February, 2015

The pain eases

For a second

In the new moon

I go into

The open sea

Of Maracaípe

 

A fine rain falls and mixes

The salt

The water

The light that comes from within

And a sister-friend calls me

– Come, come

Beyond the rainbow

(“Rainbow”, Patricia Tenório, D’Agostinho, 2010)

The relief of a moment that Art gives us in the Index of February, 2015 in the blog of Patricia Tenório.

“The Major – Eternal is the Spirit” | Patricia Tenório (PE – Brasil).

A poem and a chronic | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

“Rumeur” suivi de “Chère Madame Schubert” | Ewa Lipska (Poland) | Traduction Isabelle Macor-Filarska (France).

The links of the month:

14th Magazine Women and Literature with articles of Tiago Silva (PB – Brasil) and Patricia Tenório: 

http://litcult.net/site/category/mulheresrev/revista-mulheres-e-literatura-vol-14-2015/

The VIth National Meeting The Unusual as Question in Ficcional Narrative:

http://www.sepel.uerj.br/eventos.html

Danuza Lima (PE – Brasil) in PalavraTório, the column of Parlatório from Adriano Portela (PE – Brasil):

http://parlatorio.com/sob-a-via-crucis-do-corpo/

 

Excepcionaly, the posting of February, 2015 was antecipated in 1 day. The next post will be on 29th March, 2015. A big hug in everyone,

Patricia Tenório.

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foto

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* Índex foi traduzido apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated into English only as a matter of the extension of the post.

** O mar aberto de Maracaípe… The open sea of Maracaípe…

Um poema e uma crônica | Clauder Arcanjo*

Louvação à chuva

 

Crestada pelo sêmen do sol,

A terra paria cardos e espinhos.

Amasiada com os urubus e os espinhos,

O sertão gestava mortos, cruzes e ossos.

 

Eu, grávido de nuvens e sonhos,

Adorava os moucos deuses da chuva.

Os quais, raras e poucas vezes,

Me atendiam; sabiam-me

Pecador provinciano indigno.

 

Quando chovia, eu endoidava sob as bicas,

Na louca, real e festiva louvação à chuva.

 

Mensagem de Dércio Braúna

 

Meu caríssimo Clauder,

Nesta sexta em que tudo se agita (o carnaval já é, antes de mesmo de ser), venho lhe confirmar e agradecer, imensamente, as escrituras que me enviaste: Cancioneiro da terra, de Antonio Fabiano; e o teu Pílulas para o silêncio. O primeiro chegou-me na quarta, o teu chegou-me ontem.

Da poesia de Antonio Fabiano, dedilhei versos esparsos. E me parece, pelo que espreitei, poeta senhor do ofício, de uma talhada, burilada lira. Ou melhor, de uma “lira luminar de três mil sóis” [no poema “Lira e toada”]. Que coisa bela! Mas, como disse, ainda hei de enveredar pelo fiar telúrico do poeta Fabiano.

De tua escrevência, contrariando a prática de certos pretensos sábios, fui além da orelha e das duas primeiras páginas (risos!).

E não poderia deixar aqui de registrar meu assombro com tua voracidade criadora. Impressiona esse labor de escrita. É uma inveja que confesso: quem me dera essa disciplina em enfrentar o deus branco que nos espreita, e, por tantas vezes, nos domina e “humilha, com sua paz vazia” [p. 86]. Mas a isto já deste a resposta: “escrever e (d)escrever é minha sina” [p. 28]. E quando de sina se trata, todo cansaço e toda entrega logo se convertem em novo e renovado empenho, em nova e renovada fé de recomeçar.

Ontem, por toda a noite, tomei de tuas pílulas.

Pílulas da certeira ironia nesse tempo nosso, em que “assim [achincalhante] caminha a municipalidade” (e não só, bem sabemos), os “pretensos sábios” [que nada sabem, que nada leem], os pregadores descarnados [“se você acha que tesão profana o amor, case-se com um eunuco”!, p. 69], e tantos, tantos mais.

Pílulas das confissões que não nos cabe calar: “escrevo para chamar pelos meus fantasmas, conclamar todos os meus medos e advertir da propriedade das minhas faltas” [p. 62]. Confesso que, ante essa confissão tua, detive-me. Na noite que me envolvia, com seu silêncio cortado apenas pelo latido distante de um cão-sentinela, parei a pensar. (E não é isso que deve uma escrita: nos parar, nos interromper o ordinário do dia, do afazer costumeiro, para nos atirar aos pés certas pedras ao caminho?).

Pílulas para dar caminho ao pensamento: “a língua de um povo traz, na sua carne, a marca dos seus mitos, o ferro de suas tragédias e a ferrugem de sua história” [p. 131]. Que dizer diante disto? Um imenso correr de linhas (um longo e erudito ensaio, por exemplo) não bastaria para dizer o que diz esta linha breve na sua beleza contundente. Que dizer destas outras (contundentes linhas)?: “se levares a tua pena ao centro das tragédias humanas, e não desistires da palavra, quem sabe escreverás algo que valha a pena ser vivido.” [p. 144]. Ora se não é isto que há tanto tenho tentado, em minhas escrevências, dizer? Assino em baixo, se assim me permitires, essa pílula, camarada.

Pílulas de pura poesia, arcana, primeva: “há uma cidade talássica na noite dos mares extintos” [p. 96]. Que boa inveja me deu essa pílula-pérola!

Pílulas para nos emaranhar nos mundos alheios que são (porque os fazemos) nossos (e não é mesmo assim que deve ser?!): “E agora, José?…” [p. 100]

E agora, Clauder, que mais dizer?

Digo tão somente que me sinto honrado em poder partilhar esse estar inquieto no mundo que tua escrita lança a ele (vasto mundo).

Muito, muitíssimo obrigado, caro amigo, por essas pílulas lançadas ao coração dos sentintes.

Grande abraço deste escrevente,

Dércio Braúna

 

***

 

Caro amigo e mestre Dércio Braúna:

Acordo sempre cedo, tangido pelos galos de uma telúrica madrugada, leio, rabisco e, ao abrir o computador, esta sua nótula-regalo.

O que dizer, além de agradecer? Agradecer porque vale a pena ser lido por um leitor silente e profundamente lírico. Leitor que, ao nos ler, nos faz crer na esperança de uma nova literatura, de uma nova vida, de um novo mundo. Mundo mais poético e, por conseguinte, mais humano e melhor.

Obrigado, amigo Dércio, que a saúde e a Poesia estejam convosco. Amém.

Deste seu admirador,

Clauder Arcanjo.

 

 

* Contato: clauderarcanjo@gmail.com

Índex* – Janeiro, 2015

Às vezes o coração, rasgado pela

dor, vira retalho. Recomenda-se,

nestes casos, costurá-lo com uma

linha chamada recomeço.

É o suficiente.

(Anônimo, enviado por Angélica Correia Crispim Teixeira)

Recomeçando a cada dia, começando todo um ano com Arte, Amor & Coração no Índex de Janeiro de 2015 no blog de Patricia Tenório (PE – Brasil).

Sobre “Monocular ID-entidade” de Ítalo Dantas (PE – Brasil) e Felipe de Andrade (PE – Brasil) | Patricia Tenório.

Nunca mais o paraíso | Marcelo Pérez (Argentina/PE – Brasil).

Ser civilizado dá trabalho | Mara Narciso (MG – Brasil).

“Cancioneiro da Terra” | Antonio Fabiano (PB/RN/SP – Brasil).

A Epifania em Fernando de Mendonça (SP/PE – Brasil) | Patricia Tenório.

E Danuza Lima (PE – Brasil) na nova coluna PalavraTório do blog Parlatório de Adriano Portela (PE – Brasil):  http://parlatorio.com/entre-agua-e-ceu-coletivo-nauvoadora/

Agradeço imensamente a participação de todos, a próxima postagem será em 22 de Fevereiro de 2015, grande abraço e até lá,

Patricia Tenório.

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Index* – January, 2015

Sometimes the heart, torn by

pain, turns retail. It is recomended,

in these cases, sew with a 

line called resumption.

It’s enough.

(Anonymous, sent by Angélica Correia Crispim Teixeira)

 

Resuming each day, starting a whole year with Art, Love & Heart in the Index of January of 2015 in the blog of Patricia Tenório (PE – Brasil).

About “Monocular ID-entity” from Ítalo Dantas (PE – Brasil) and Felipe de Andrade (PE – Brasil) | Patricia Tenório.

Never more paradise | Marcelo Pérez (Argentina/PE – Brasil).

Being civilized takes work | Mara Narciso (MG – Brasil).

“Songbook of the Earth” | Antonio Fabiano (PB/RN/SP – Brasil).

Epiphany in Fernando de Mendonça (SP/PE – Brasil) | Patricia Tenório.

And Danuza Lima (PE – Brasil) in the new column PalavraTório of the blog Parlatório from Adriano Portela (PE – Brasil):  http://parlatorio.com/entre-agua-e-ceu-coletivo-nauvoadora/

I greatly appreciate the participation of all, the next post will be on 22nd February, 2015, big hug and until there,

Patricia Tenório.

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foto (3)

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* Índex foi traduzido apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated into English only as a matter of the extension of the post.

** Recomeçando a cada dia… Resuming each day…

A Epifania em Fernando de Mendonça* | Patricia Tenório**

02/01/2015

– Fernando de Mendonça me assombra!

Quando recebi 23 de Novembro, do escritor paulista-pernambucano Fernando de Mendonça (1984), estremeci.

Lembrei com um estrondo de trovão, com um lampejo de pensamento o dia em que li, “de uma sentada só”, Um Detalhe em H[1], o primeiro livro de ficção de Fernando. Era uma tarde no mês de Junho de 2013. Penso que chovia um pouco – feito chovia ontem. Não me lembro. Não sei. Só sei que os personagens Hugo e Helena, que carregam o “H” maiúsculo em suas costas, me retiraram do centro, me desestabilizaram, e eu não conseguia colocar mais os meus pés no chão.

Recebo 23 de Novembro. A capa, cor de prata, após a capa ouro de Um Detalhe em H poderia refletir uma predileção pelo primogênito em detrimento ao segundo filho de Fernando. Mas lembrei – e não lembro onde, quem, lido ou escutado – que no Antigo Testamento houve uma época em que o ouro valia menos que a prata, e isto é bem significativo aqui nos dois livros do autor.

Quase um mês após o recebimento de 23 de Novembro, no primeiro dia do ano, tomo o livro em minhas mãos. Sento na minha cadeira predileta da biblioteca. Começo a folheá-lo, sentir o aroma das páginas recém-impressas, o toque nas letras recém-impressas com a ponta de meus dedos, e é feito me transportasse para o momento da sua concepção, lá em 2007 – nos informa a biografia-poema-em-prosa no final do livro. Não, não começo pelo final, mas pareço advinha-lo, e essa náusea que, durante a leitura de 23, vai aumentando, e crescendo, até atingir o insuportável.

Fernando narra a história de Irene. Uma jovem esposa, mãe de família, que trabalha com editoração de livros, e que, nas antevésperas de seu aniversário de 28 anos, se vê encurralada, se percebe em vertigem com o seu próprio abismo.

Notamos Um Detalhe em H inserido em 23 de Novembro, dialogando com 23 de Novembro. O uso da lagartixa na abertura daquele, em um cenário deste que nos remete ao cenário daquele – o quarto de hotel em Irene, o quarto de casa em Hugo – reforça o sentimento kafkaniano em Fernando de Mendonça, reforça a minha náusea, a minha desestabilização ao ler as suas linhas por inteiro.

A epígrafe do livro, extraída de Um Sopro de Vida, de Clarice Lispector talvez possa me salvar quando leio que

 

Tenho a impressão de que alguém vive a minha vida,

que o que se passa nada tem a ver comigo,

há uma mola mecânica em alguma parte de mim

Eu quero simplesmente isso: o impossível. Ver Deus.

 

e me remete a Anna Akhmátova quando no poema “Terceira” diz

 

Uma outra mulher ocupou

o lugar especialmente reservado para mim

e usa o meu nome

deixando para mim só o apelido, com o qual

fiz provavelmente, tudo o que havia para ser feito.[2]

 

A epígrafe de Clarice Lispector, grande paixão literária de Fernando, nos indexa ao momento em que aquela se encontra com a escrita de Katherine Mansfield e afirma, assombrada: “Mas esse livro sou eu!”[3]

Talvez a minha náusea, a minha angústia em começar a ler o livro de Fernando seja a mesma angústia de Clarice frente ao livro de Katherine, seja a mesma angústia de Ulisses/Homero ao atravessar amarrado no mastro o canto das sereias para poder escutá-lo e não se suicidar, talvez seja a mesma angústia de O lobo da estepe, de Hermann Hesse, nas vésperas de seu aniversário.

 

A profunda convicção de que aquela saída de emergência estava constantemente aberta lhe dava forças, fazia-o sentir a curiosidade de provar seu sentimento até as últimas instâncias. (…) Finalmente, aos quarenta e seis anos de idade, deu com uma ideia feliz, mas não inofensiva, que lhe causava não raro deleite. Fixou a data de seu quinquagésimo aniversário como o dia no qual se permitiria o suicídio. Nesse dia, convencionara consigo mesmo, podia usar a saída de emergência, segundo a disposição que demonstrasse.[4]

 

O fato de saber que o aniversário de Fernando de Mendonça é no dia 23 de Novembro – dois dias após o meu aniversário – leva a considerar este efeito de real para o qual ele me convida. Para se afastar mais do personagem principal, escolhe que seja do sexo feminino, casada, com uma filhinha de 4 anos, morando em Boa Viagem. Mas Boa Viagem é um bairro da Recife que Fernando habita desde os 18 anos. E Boa Viagem é o bairro em que resido desde 1996. [5]

Começo a ver as ruas do bairro descritas por Fernando, sinto o aroma da praia, as cores do quiosque onde Irene bebe a sua água de côco e conhece o Homem sem nome, o Homem com o H maiúsculo de Hugo e Helena. O hotel se parece com um hotel recém construído no final de Boa Viagem, já no bairro do Pina, e posso sentir a textura do carpete do corredor para o quarto de hotel onde Irene “passa” entre aspas o final de semana, porque ela não está lá, está de passagem, assim feito eu estou de passagem pelas páginas do livro de Fernando. Mas nunca mais Irene será a mesma, nunca mais eu serei a mesma, nunca mais alguém será a mesma pessoa após se esbarrar, se encontrar com tamanha violência com sua pergunta original, quando a pergunta e a resposta coexistem, coabitam o mesmo não-lugar, o mesmo não-tempo do Mito pessoal. [6]

“Irene sabia”, afirma o livro que leio. A personagem que é desestabilizada pela leitura de um livro que está editorando sabia que se encontrara com seu Mito pessoal, que havia sido assombrada por seu Duplo. E, assim feito Narciso, encontra-se paralisada com sua própria imagem no espelho das águas, no espelho das páginas escritas por Fernando de Mendonça encontra-se a resposta para a pergunta da leitora que escreve, para a escritora que lê o que não saberia escrever porque guardado no mais profundo âmago, que somente um bom livro pode trazer à tona.

 

– (…) Mas, pela primeira vez, sinto que esbarro em algo realmente grande. Sabe estes livros que nos marcam de um jeito especial? Estes que parecem ter vindo com um remetente para nós? Estou até assustada com a pertinência deste para mim.

– Conte-me algum dos contos. O que mais gostou.

– Acho que não consigo. Não é apenas pelo que acontece nele. Vai mais fundo. E aqui eu sei que não estou confundindo gosto com costume, pois já os li, reli, e não me acostumei a eles.

– Aos melhores livros, a gente não se acostuma, mas sobrevive.[7]

 

– Fernando de Mendonça me assombra!

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foto 1

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Fernando de Mendonça é escritor, crítico cinematográfico, cantor de Música Sacra. Doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, lançou o seu primeiro livro em 2012, A Modernidade em Diálogo: o fluir das artes em ‘Água Viva, resultado da pesquisa premiada como melhor dissertação do ano pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da UFPE, linha de pesquisa Intersemiose. Um Detalhe em H, 2012, é seu primeiro livro de ficção e é lançado em Agosto de 2013. 23 de Novembro, 2014, promete ser a sequência de uma “escrita intersemiótica” de Fernando de Mendonça até o infinito…  Contato: nandodijesus@gmail.com   

** Patricia Gonçalves Tenório é escritora de poemas, contos e romances desde 2004, tem 8 livros publicados e é mestranda em Teoria da Literatura pela Universidade Federal de Pernambuco, linha de pesquisa Intersemiose, com o projeto O retrato de Dorian Gray: um romance indicial, agostiniano e prefigural, sob a orientação da Prof. Dra. Maria do Carmo Nino. Contatos: www.patriciatenorio.com.br e patriciatenorio@uol.com.br

(1) MENDONÇA, Fernando de. Um Detalhe em H. Recife: Grupo Paés, 2012. Veja também: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=4809

(2) AKHMÁTOVA, Anna. “Terceira” in  Antologia Poética. Seleção, tradução, apresentação e notas: Lauro Machado Coelho. Porto Alegre, RS: L&PM, 2009, p. 126.

(3) LISPECTOR, Clarice. Aprendendo a Viver. Rio de Janeiro: Rocco, 2004, p. 22.

(4) HESSE, Hermann. O lobo da estepe. Tradução e prefácio de Ivo Barroso. 29ª edição. Rio de Janeiro: Record, 2005, p. 60.

(5) Cecília de Almeida Salles em Crítica genética: fundamentos dos estudos genéticos sobre o processo de criação artística, 3ª ed. revista, São Paulo: EDUC, 2008, p. 25, nos fala que a “obra não é, mas vai se tornando, ao longo de um processo que envolve uma rede complexa de acontecimentos”. Esse “efeito de real” provocado pela leitura de 23 de Novembro teria a ver com as coincidências biográficas entre o livro e a leitora, mas, principalmente, com o pacto bem sucedido d‘O Jogo do Texto’ de Wolfgang Iser (em A literatura e o leitor: textos de estética da recepção, Tradução e Organização: Luís da Costa Lima, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979, p. 108), quando a manutenção do movimento do jogo ficcional com a não tomada de decisões adia o seu final.  

(6) Segundo André Jolles em Formas Simples: Legenda, Saga, Mito, Adivinha, Ditado, Caso, Memorável, Conto, Chiste, Tradução de Álvaro Cabral, São Paulo: Cultrix, 1976, p. 88, quando “o universo se cria assim para o homem, por pergunta e resposta, tem lugar a Forma a que chamamos Mito”.   

(7) MENDONÇA, Fernando de.  23 de Novembro. Recife: Grupo Paés, 2014, p. 60.  

A Epifania em Fernando de Mendonça* | Patricia Tenório**

02/01/2015

– Fernando de Mendonça me assombra!

Quando recebi 23 de Novembro, do escritor paulista-pernambucano Fernando de Mendonça (1984), estremeci.

Lembrei com um estrondo de trovão, com um lampejo de pensamento o dia em que li, “de uma sentada só”, Um Detalhe em H[1], o primeiro livro de ficção de Fernando. Era uma tarde no mês de Junho de 2013. Penso que chovia um pouco – feito chovia ontem. Não me lembro. Não sei. Só sei que os personagens Hugo e Helena, que carregam o “H” maiúsculo em suas costas, me retiraram do centro, me desestabilizaram, e eu não conseguia colocar mais os meus pés no chão.

Recebo 23 de Novembro. A capa, cor de prata, após a capa ouro de Um Detalhe em H poderia refletir uma predileção pelo primogênito em detrimento ao segundo filho de Fernando. Mas lembrei – e não lembro onde, quem, lido ou escutado – que no Antigo Testamento houve uma época em que o ouro valia menos que a prata, e isto é bem significativo aqui nos dois livros do autor.

Quase um mês após o recebimento de 23 de Novembro, no primeiro dia do ano, tomo o livro em minhas mãos. Sento na minha cadeira predileta da biblioteca. Começo a folheá-lo, sentir o aroma das páginas recém-impressas, o toque nas letras recém-impressas com a ponta de meus dedos, e é feito me transportasse para o momento da sua concepção, lá em 2007 – nos informa a biografia-poema-em-prosa no final do livro. Não, não começo pelo final, mas pareço advinha-lo, e essa náusea que, durante a leitura de 23, vai aumentando, e crescendo, até atingir o insuportável.

Fernando narra a história de Irene. Uma jovem esposa, mãe de família, que trabalha com editoração de livros, e que, nas antevésperas de seu aniversário de 28 anos, se vê encurralada, se percebe em vertigem com o seu próprio abismo.

Notamos Um Detalhe em H inserido em 23 de Novembro, dialogando com 23 de Novembro. O uso da lagartixa na abertura daquele, em um cenário deste que nos remete ao cenário daquele – o quarto de hotel em Irene, o quarto de casa em Hugo – reforça o sentimento kafkaniano em Fernando de Mendonça, reforça a minha náusea, a minha desestabilização ao ler as suas linhas por inteiro.

A epígrafe do livro, extraída de Um Sopro de Vida, de Clarice Lispector talvez possa me salvar quando leio que

 

Tenho a impressão de que alguém vive a minha vida,

que o que se passa nada tem a ver comigo,

há uma mola mecânica em alguma parte de mim

Eu quero simplesmente isso: o impossível. Ver Deus.

 

e me remete a Anna Akhmátova quando no poema “Terceira” diz

 

Uma outra mulher ocupou

o lugar especialmente reservado para mim

e usa o meu nome

deixando para mim só o apelido, com o qual

fiz provavelmente, tudo o que havia para ser feito.[2]

 

A epígrafe de Clarice Lispector, grande paixão literária de Fernando, nos indexa ao momento em que aquela se encontra com a escrita de Katherine Mansfield e afirma, assombrada: “Mas esse livro sou eu!”[3]

Talvez a minha náusea, a minha angústia em começar a ler o livro de Fernando seja a mesma angústia de Clarice frente ao livro de Katherine, seja a mesma angústia de Ulisses/Homero ao atravessar amarrado no mastro o canto das sereias para poder escutá-lo e não se suicidar, talvez seja a mesma angústia de O lobo da estepe, de Hermann Hesse, nas vésperas de seu aniversário.

 

A profunda convicção de que aquela saída de emergência estava constantemente aberta lhe dava forças, fazia-o sentir a curiosidade de provar seu sentimento até as últimas instâncias. (…) Finalmente, aos quarenta e seis anos de idade, deu com uma ideia feliz, mas não inofensiva, que lhe causava não raro deleite. Fixou a data de seu quinquagésimo aniversário como o dia no qual se permitiria o suicídio. Nesse dia, convencionara consigo mesmo, podia usar a saída de emergência, segundo a disposição que demonstrasse.[4]

 

O fato de saber que o aniversário de Fernando de Mendonça é no dia 23 de Novembro – dois dias após o meu aniversário – leva a considerar este efeito de real para o qual ele me convida. Para se afastar mais do personagem principal, escolhe que seja do sexo feminino, casada, com uma filhinha de 4 anos, morando em Boa Viagem. Mas Boa Viagem é um bairro da Recife que Fernando habita desde os 18 anos. E Boa Viagem é o bairro em que resido desde 1996. [5]

Começo a ver as ruas do bairro descritas por Fernando, sinto o aroma da praia, as cores do quiosque onde Irene bebe a sua água de côco e conhece o Homem sem nome, o Homem com o H maiúsculo de Hugo e Helena. O hotel se parece com um hotel recém construído no final de Boa Viagem, já no bairro do Pina, e posso sentir a textura do carpete do corredor para o quarto de hotel onde Irene “passa” entre aspas o final de semana, porque ela não está lá, está de passagem, assim feito eu estou de passagem pelas páginas do livro de Fernando. Mas nunca mais Irene será a mesma, nunca mais eu serei a mesma, nunca mais alguém será a mesma pessoa após se esbarrar, se encontrar com tamanha violência com sua pergunta original, quando a pergunta e a resposta coexistem, coabitam o mesmo não-lugar, o mesmo não-tempo do Mito pessoal. [6]

“Irene sabia”, afirma o livro que leio. A personagem que é desestabilizada pela leitura de um livro que está editorando sabia que se encontrara com seu Mito pessoal, que havia sido assombrada por seu Duplo. E, assim feito Narciso, encontra-se paralisada com sua própria imagem no espelho das águas, no espelho das páginas escritas por Fernando de Mendonça encontra-se a resposta para a pergunta da leitora que escreve, para a escritora que lê o que não saberia escrever porque guardado no mais profundo âmago, que somente um bom livro pode trazer à tona.

 

– (…) Mas, pela primeira vez, sinto que esbarro em algo realmente grande. Sabe estes livros que nos marcam de um jeito especial? Estes que parecem ter vindo com um remetente para nós? Estou até assustada com a pertinência deste para mim.

– Conte-me algum dos contos. O que mais gostou.

– Acho que não consigo. Não é apenas pelo que acontece nele. Vai mais fundo. E aqui eu sei que não estou confundindo gosto com costume, pois já os li, reli, e não me acostumei a eles.

– Aos melhores livros, a gente não se acostuma, mas sobrevive.[7]

 

– Fernando de Mendonça me assombra!

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* Fernando de Mendonça é escritor, crítico cinematográfico, cantor de Música Sacra. Doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, lançou o seu primeiro livro em 2012, A Modernidade em Diálogo: o fluir das artes em ‘Água Viva, resultado da pesquisa premiada como melhor dissertação do ano pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da UFPE, linha de pesquisa Intersemiose. Um Detalhe em H, 2012, é seu primeiro livro de ficção e é lançado em Agosto de 2013. 23 de Novembro, 2014, promete ser a sequência de uma “escrita intersemiótica” de Fernando de Mendonça até o infinito…  Contato: nandodijesus@gmail.com   

** Patricia Gonçalves Tenório é escritora de poemas, contos e romances desde 2004, tem 8 livros publicados e é mestranda em Teoria da Literatura pela Universidade Federal de Pernambuco, linha de pesquisa Intersemiose, com o projeto O retrato de Dorian Gray: um romance indicial, agostiniano e prefigural, sob a orientação da Prof. Dra. Maria do Carmo Nino. Contatos: www.patriciatenorio.com.br e patriciatenorio@uol.com.br

(1) MENDONÇA, Fernando de. Um Detalhe em H. Recife: Grupo Paés, 2012. Veja também: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=4809

(2) AKHMÁTOVA, Anna. “Terceira” in  Antologia Poética. Seleção, tradução, apresentação e notas: Lauro Machado Coelho. Porto Alegre, RS: L&PM, 2009, p. 126.

(3) LISPECTOR, Clarice. Aprendendo a Viver. Rio de Janeiro: Rocco, 2004, p. 22.

(4) HESSE, Hermann. O lobo da estepe. Tradução e prefácio de Ivo Barroso. 29ª edição. Rio de Janeiro: Record, 2005, p. 60.

(5) Cecília de Almeida Salles em Crítica genética: fundamentos dos estudos genéticos sobre o processo de criação artística, 3ª ed. revista, São Paulo: EDUC, 2008, p. 25, nos fala que a “obra não é, mas vai se tornando, ao longo de um processo que envolve uma rede complexa de acontecimentos”. Esse “efeito de real” provocado pela leitura de 23 de Novembro teria a ver com as coincidências biográficas entre o livro e a leitora, mas, principalmente, com o pacto bem sucedido d‘O Jogo do Texto’ de Wolfgang Iser (em A literatura e o leitor: textos de estética da recepção, Tradução e Organização: Luís da Costa Lima, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979, p. 108), quando a manutenção do movimento do jogo ficcional com a não tomada de decisões adia o seu final.  

(6) Segundo André Jolles em Formas Simples: Legenda, Saga, Mito, Adivinha, Ditado, Caso, Memorável, Conto, Chiste, Tradução de Álvaro Cabral, São Paulo: Cultrix, 1976, p. 88, quando “o universo se cria assim para o homem, por pergunta e resposta, tem lugar a Forma a que chamamos Mito”.   

(7) MENDONÇA, Fernando de.  23 de Novembro. Recife: Grupo Paés, 2014, p. 60.  

 

Índex* – Julho, 2014

Estrela da manhã

Esclarece os sonhos

Acalma os juízos

Me faz ver

O que não sei fazer

Sozinha

 

Pudera

Poder

Plantar

Em cada coração

A paz

Que tu me inspiras

Neste exato momento

Além do bem

Além do mal

Com ou sem religiões

Raças ou conceitos políticos

 

Apenas

A tua luz

A tua voz

No meu ouvido

Me pedindo

Para acordar

 

(“Gentileza”, Patricia Tenório, 15/07/14)

Um pouco mais de Gentileza no Índex de Julho, 2014 do blog de Patricia Tenório.

“Grãos” | Patricia Tenório (PE-Brasil).

“Mattinata” | Fernando Monteiro (PE-Brasil).

“Um conto por dia” | Carol Bradley (PE-Brasil).

“Livro do Desassossego” | Fernando Pessoa | Narrado por João Paulo Araújo (PE-Brasil). 

“Sobre “Laydo: em hora de dormir” | Diogo Bruno Calife (PE-Brasil) | Por Patricia Gonçalves Tenório.

E os links de Alexandre Brito (RS-Brasil) – www.alexandrebrito.net.br

Fernando de Mendonça (SP/PE-Brasil) – www.blognandodijesus.blogspot.com.br

Jornal Ô Catarina (SC-Brasil) – www.fcc.sc.gov.br/ocatarina

Agradeço imensamente a todos os participantes, a próxima postagem será no dia 31 de Agosto de 2014, um abraço bem grande da

Patricia Tenório.

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Index* – July, 2014

Morning Star

Clarify the dreams

Calm the judgements

Make me see

What I can not do

Alone

 

May

I can

Plant

In each heart

The peace

That you inspire me

In this precise moment

Beyond Good

Beyond Evil

With or without religions

Races or political concepts

 

Only

Your light

Your voice

In my ear

Asking me

To wake up

(“Kindness”, Patricia Tenório, 07/15/14)

 

A little bit more of “Kindness” in the Index of July, 2014 in the blog of Patricia Tenório.

“Grains” | Patricia Tenório (PE-Brasil).

“Dawn” | Fernando Monteiro (PE-Brasil).

“One story a day” | Carol Bradley (PE-Brasil).

“Book of Disquiet” | Fernando Pessoa | Narrated by João Paulo Araújo (PE-Brasil). 

“About “Laydo: at bedtime” | Diogo Bruno Calife (PE-Brasil) | By Patricia Gonçalves Tenório.

And the links of Alexandre Brito (RS-Brasil) – www.alexandrebrito.net.br

Fernando de Mendonça (SP/PE-Brasil) – www.blognandodijesus.blogspot.com.br

Newspapper Ô Catarina (SC-Brasil) – www.fcc.sc.gov.br/ocatarina

Thank you very much to all participants, the next post will be on August, 31, 2014, a big hug from

Patricia Tenório.

 

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foto 3

 

A Estrela da Manhã / The Morning Star

 

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* Índex foi traduzido apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated into English only as a matter of the extension of the post.

Índex* – Janeiro, 2014

Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus:

tempo para nascer, e tempo para morrer;

tempo para plantar, e tempo para arrancar o que foi plantado;

tempo para matar e tempo para sarar;

tempo para demolir, e tempo para construir;

tempo para chorar, e tempo para rir;

tempo para gemer, e tempo para dançar;

tempo para atirar pedras, e tempo para ajuntá-las;

tempo para dar abraços, e tempo para apartar-se. 

Tempo para procurar, e tempo para perder;

tempo para guardar e tempo para jogar fora;

tempo para rasgar e tempo para costurar;

tempo para calar, e tempo para falar;

tempo para amar e tempo para odiar;

tempo para a guerra e tempo para a paz.

(Eclesiastes 3, 1-8)

O Tempo de ser maior que o Tempo no Índex de Janeiro de 2014 no blog de  Patricia Tenório.

“D’Agostinho” | Patricia Tenório (PE-Brasil).

Resenha “A outra obscuridade”, Luis Raúl Calvo (Argentina) – Jornal de Hoje (RN-Brasil).

Poemas de Juçara Valverde (RJ-Brasil).

Fotografias e Poemas | Nataercia Rocha (CE-Brasil).

Poética | José Rodrigues de Paiva (Coimbra-Portugal/PE-Brasil).

Poemas de Iacyr Anderson Freitas (MG-Brasil).

Agradeço a contribuição de todos e todas, a próxima postagem será em 23 de fevereiro de 2014, um grande abraço e até lá,

Patricia Tenório.

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To everything there is a time, for every thing there is a moment under the heavens:

time to be born, and a time to die;

a time to plant, and a time to pluck what is planted;

time to kill and a time to heal;

time to tear down and a time to build;

a time to weep, and a time to laugh;

time to wail and a time to dance;

time to throw stones, and a time to gather them together;

time to give hugs, and time to pull away.

Time to search and a time to lose;

time to keep and a time to throw away;

time to tear and a time to sew;

time to be silent and a time to speak;

time to love and a time to hate;

time for war and a time for peace.

(Ecclesiastes 3​​: 1-8)

 

The Time to be bigger than Time  in the Index of January, 2014 in the blog of  Patricia Tenorio.

 “D’Augustine” | Patricia Tenorio (PE-Brasil).

Review “The other dark”, Luis Raúl Calvo (Argentina) – Jornal de Hoje (RN-Brasil).

Poems from Juçara Valverde (RJ-Brasil).

Photographs and Poems | Nataercia Rocha (CE-Brasil).

Poetics | José Rodrigues de Paiva (Coimbra-Portugal/PE-Brasil).

Poems from Iacyr Anderson Freitas (MG-Brasil).

I appreciate the contribution of each and all, the next post will be on February 23, 2014, a big hug and until there,

Patricia Tenorio.

 

Foto Índex Janeiro 2014

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* Índex foi traduzido apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated into English only as a matter of the extension of the post.

** Um novo Tempo, um novo Dia, Boa Viagem, PE-Brasil. Another Time, another Day, Boa Viagem, PE-Brasil.