Posts com Resenhas

Estudos em Escrita Criativa – Agosto, 2018 – Recife e Porto Alegre

Os encontros de Agosto, 2018 em Recife e Porto Alegre falaram sobre O amor. Não somente o amor entre os amantes, mas, principalmente, o amor à escrita. Passeamos pelos encontros do primeiro semestre, revisamos conceitos, e acrescentamos o de carcaça de John Keats, quando o poeta se esvazia de si para se preencher com Poesia,  Ficção, com Escrita Criativa. Encontramos essa carcaça na escrita de Orhan Pamuk, de Ian McEwan, e tantos outros artistas de diversas artes, teóricos de inúmeras áreas de conhecimento…

A partir dessas conexões do octógono dos Estudos em Escrita Criativa, fomos presenteados com textos que se encontram aqui neste post, com os processos criativos de Ana Maria César (Recife), Annie Müller e Luís Roberto Amabile (Porto Alegre), e outros textos que foram além do tempo e do tema do mês e que se encontram em posts individuais.

E nos preparamos para os encontros de Setembro, 2018 em Recife e Porto Alegre que falarão sobre O sonho. Desta vez teremos a honra e a alegria de receber Adriano Portela (Recife), Gisela Rodriguez e Fred Linardi (Porto Alegre) para falarem sobre suas criações artísticas, poéticas, literárias.

Que venha Setembro e uma boa leitura!

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Branco

André Souto

Recife, 11/08/2018, V Encontro de Escrita Criativa

Contato: asla56@outlook.com

 

A tela à sua frente. Branca. O cursor pisca. Oscila. Pronto a receber alguém. Alguma coisa, mesmo sem trama nem final.

A tela: insulto e desejo. Sozinho e sentindo a presença. Frio, branco: o olhar do inquisidor mudo.

Compreendeu “a luta mais vã”. Arremeteu contra os seus moinhos de vento.

No cursor inquieto, a pergunta tantas vezes repetida:

— E agora?

 

                                                                    

 

ESCRITA AMOROSA

BERNADETE  BRUTO

Recife, 11 de Agosto de 2018

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

 

Foi principalmente por amor que pegou o papel e escreveu o primeiro poema. Vieram outros depois, que rasgou por não achar bonito comparado com os da irmã. Aquela sim tinha o dom, a vez, a voz e todos os olhos e amor daquela grande família.

Ali do seu canto, percebeu, também queria ser amada, embora fosse apenas uma menina perante a adolescente cheia de vida. Foi à luta. Insistiu. Alguns olhares se voltaram e pousaram na sua pessoa miúda. A partir dali, ganhou seu espaço e um lugar na família.

Depois o ato de escrever surgiu como confissão de outros amores transitórios, doloridos ou desenganados. Muitas lágrimas pingando no papel, unidas à escrita desenfreada, foram despejadas e, por vezes, o ato tenha ficado meio desbotado.

Somente quando olhou para si e para o outro com amor, o ato de escrever foi tornando-se forte, sereno e eficaz. Hoje, escrever continua sendo um ato de amor, que chega impregnado do grande amor que ela tem por si e pelo outro.

Assim ela imagina que deva ser. É essa busca no seu ato. Quando isso acontecer, um dia, a sua escrita poderá ser conhecida pelo próprio ato que a moldou desde o princípio, podendo ser denominada de AMOROSA.

 

 

O PODER DA PALAVRA

Cilene Santos

Recife, 19/08/2018

Contato: cilenecaruaru2013@gmail.com

 

Pudesse ser

Um gesto,

Um olhar,

Uma miragem.

Mas foi uma palavra,

Guiada pelo vento

Que, num relance,

Invadiu-me a alma.

Alojando-se,

De lá fez morada.

Uniu-se aos sentimentos

Que lá já se encontravam.

E, me atormentando.

Suplicava liberdade,

Em forma de poesia.

Relutei. Expliquei.

Não era ainda chegada a

hora.

Não sou liberta.

Sou prisioneira da minha inspiração.

Não me pertence o momento

De a poesia vir à luz.

E a palavra, com rogos instantes,

Não respeitou o meu instante.

De súbito, a explosão.

Fui vencida!

O verbo se fez asas

E alçou voo

Rumo ao infinito

Mundo da escrita.

 

 

ODE A KEATS

ELBA LINS

Recife, 11/08/2018

Contato: elbalins@gmail.com

 

Me esvazio de mim

De minha existência sem graça

Quando vejo teus olhos de sombra

A me mostrar confusos caminhos

Por onde a alma transita

Quando de paixões

Quando de dores

Quando de mistérios

Que entrevejo através dos teus olhos.

 

Teus olhos de sombra

São lagos profundos

Onde mergulho

E me perco de mim mesmo.

São bosques escuros

Por onde avanço

Na certeza de me perder

Por onde caminho tresloucadamente

Buscando a vida ou a morte

Buscando enfim, a luz

Dos teus olhos mornos.

 

 

Gabi Vieira

Recife, 11/08/2018

Contato: gabi.vieira.araujo@gmail.com

 

Aos sete anos, lhe foi dado papel e lápis, não importa mais por quem. Na euforia de sua mente curiosa e de seu jeito espivitado, encarou a folha em branco com uma urgência que só cabe às crianças – e ouviu alguma coisa. Com espanto, percebeu vir daquele papel à sua frente. Um chamado, uma súplica, uma única palavra:

 

“Escreva”.

 

Tão simples, mas tão extraordinária. Tão curta, mas tão longínqua. Tão silenciosa, mas tão desesperada.

 

E então, o que lhe restava? Não podia apenas ignorar aquele pedido, que era de certa forma uma ordem, uma necessidade profunda cujas raízes já sentia brotar no próprio âmago. Era isso. Não tinha jeito.

Se não escrevesse, sufocaria.

Depois disso – depois de se entregar ao papel, às palavras e às ideias – não mais foi somente o que se era. Foi alegria, foi tristeza. Foi ódio, foi amor, e nem sempre soube descrever o que se era. Foi Anna, foi Julia, foi Stella, mas também foi Caio, Davi, Lucas. Foi tanto e ao mesmo tempo foi tão pouco. Seu corpo não era mais composto de água, sangue, carne, osso. Na pele, se imprimiam as paisagens que criara no fundo da mente e depois passara para o papel. Os cabelos esvoaçavam com o vento das risadas daquelas vidas que trouxera à existência, caminhando ao seu lado como velhas amigas. E nas veias, corriam as letras que pulsavam de seu coração, espalhando-se pelo corpo todo e dando-lhe a plena certeza de que ela própria era feita de palavras.

 

 

para um poema de amor

Márcia Maia

Recife, 11/08/2018

Contato: marciamaia@uol.com.br

 

acordei querendo escrever um poema de amor

 

um poema que de amor reluzisse

nessa manhã sem azul

que trouxesse de volta o bem-te-vi sumido

e reinventasse ninhos no pinheiro

e fantasmas amigos na varanda

vivos ou não

 

um poema que verdágua transbordasse

num misto de mar e capibaribe

de paralelepípedo e mangue

e que fizesse florir em pleno inverno os

baobás e todas as acácias

guardando os flamboyants para o verão

 

um poema que se negasse ao corriqueiro

eu te amo e dissesse do amar

com verso e rima

numa voz peculiar de gesto novo

que fosse efêmero como o bronze esverdeado

das estátuas e permanente como o brilho

que há nas bolas de sabão

 

que dissesse de mim sem me dizer

e alardeasse o querer de cada gente

dispensando os como os quando e todos os porquês

 

e que algum dia em um livro em um blogue

onde quer que alguém o visse

que se lhe abrisse um sorriso ao fim de o ler

 

 

Ana Paula Bardini

Porto Alegre, 15/08/2018

Contato: apbardini@terra.com.br

Encontrar palavras que se possa expressar

Sentimentos que insistem em não se mostrar

 Não tem nada de pensado

Muito menos de ensaiado

Vem da alma no momento apropriado

Tomam forma, dando vida ao inanimado

 E, aos poucos, a natureza antes dura

Se matiza e se mistura

Como cores em pintura

Na extrema delicadeza

De sua ímpar beleza

Tem-se então uma sinfonia

Sonhos e desejos em total harmonia

Palavras não se deve procurar

Pois são elas que se fazem encontrar

#APB

 

Nem sempre sou fala, às vezes sou escuta

E é quando escrevo que me sinto ouvida

 

Nem sempre sou clara, às vezes sou escura

E é quando escrevo que me revelo luz

 

Nem sempre sei quem sou, às vezes não sei

E é quando escrevo que me desvendo em mim

 

Nem sempre sou Ana, às vezes sou Paula

Mas sempre que escrevo sou sem-fim

 

Muitas em mim.

#APB

 

 

Escrever-se

Gabriela Guaragna

Porto Alegre, 15/08/2018

Contato: gabi_guaragna@hotmail.com

 

Antes mesmo de pousar no oco da boca, o beijo das palavras entregam-se aos pulmões e escorrem, feito água morna, pela ponta de cada dedo que segura uma letra. A caneta finca o papel como se fincasse a musculatura mais profunda e assina nas vísceras as vozes que não encontraram espaço na garganta. Escritor desagua-se sobre o papel e a escrita o escreve em si.

 

 

Gabriel Nascimento

Porto Alegre, 15/08/2018

Contato: gsabritto@yahoo.com.br

 

Quatro da manhã. Deveria estar exausto, mas meu corpo desconhece senso comum. O ronco de minha mãe desmata o silêncio como uma motoserra. Respiro fundo, sufocando o grito que quase escapa. Meu amigo ouve sem reclamar, como se a reclamação lhe desse identidade. Nunca questionei como um pedaço de papel é meu melhor amigo. Curioso como o inanimado nos dá identidade. Sem palavras, uma folha é somente isso. E sei que é o ato de impor a tinta no papel que me torna um escritor. Tudo bem. Prefiro um pulso dolorido do que um grito no escuro.

 

 

GESTAÇÃO

Luciana Beirão de Almeida

Porto Alegre, 15/08/2018

Contato: lubeirao@hotmail.com

 

A palavra,

Fecundando a página,

Gerando vida.

Nutrindo sonhos,

Acalentando sentimentos.

 

Vai se formando uma ideia,

Ponto por ponto,

Linha por linha.

 

A tinta pressiona o papel,

Até ficar tudo pronto

Para a derradeira expulsão!

 

 

LIGAÇÃO

Luciana Beirão de Almeida

 

Como letra que forma a palavra,

Sou única.

Como palavra que forma o texto,

Sou só.

Cada palavra,

Cada ser,

Cada um.

Formando um todo.

Um arco-íris cintilante e belo,

Numa ciranda multicolorida.

Iluminando,

Brilhando,

Unindo,

Sendo!

 

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Recife, 11 de Agosto de 2018

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Porto Alegre, 15 de Agosto de 2018

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Próximos encontros:

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Estudos em Escrita Criativa - Porto Alegre - RS

Filmes e filosofia de vida & Cinco textos curtos* | Bernadete Bruto**

Recife, 18 de julho de 2018

 

Além de diversão, os filmes podem ser fonte de excelentes reflexões sobre a vida, como no filme A Jovem Rainha (2017), uma ficção baseada em história real, a Rainha Cristina da Suécia, uma mulher muito além de seu tempo, incentivou o uso do conhecimento e gosto pelas as artes no seu país, e deste filme, separei parte do discurso de Cristina quando tornou-se rainha e cita o filósofo Descartes: “René Descartes diz que a curiosidade é um grande trunfo. Ele diz que nos predispõe a adquirir conhecimento científico. Ele diz: o melhor remédio para admiração excessiva é adquirir conhecimento de muitas coisas e praticar a apreciação daqueles que parecem ser mais raros e estranhos.”  Sim, a curiosidade e o conhecimento, excelentes trunfos em qualquer época, assim como a apreciação do novo e inusitado. Foi assim com o filme O garoto de Liverpool (2009), também uma ficção baseada na vida do astro John Lennon, o comportamento estranho do jovem inglês na escola fez com que o professor lhe chamasse em particular e sentenciasse: “só conseguirá emprego nas docas, não está indo a lugar nenhum aqui em Quay Back, lugar nenhum.” Engraçado verificar que a sua “profecia” foi por água abaixo: como aquele menino de Liverpool tornou-se um grande músico e mudou costumes. A resposta do menino Lennon no filme já dá essa dimensão: “Esse lugar nenhum está cheio de gênios, senhor? Então deve ser o meu lugar.” Que felicidade comprovar esse final feliz para nós que já presenciamos essa ascensão do menino na vida real, e, como pessoas, abrir nossa mente para enxergar no outro diferente, trazendo o novo e que podemos aprender.

Nesse mesmo foco a questão da diferença reaparece no filme Anomalisa (2017), interessante desenho no qual a protagonista enxerga todos com a mesma aparência e voz até encontrar uma moça, que lhe chama a atenção, talvez por sua diferença dos demais, inclusive na voz,  que ele escuta de forma diferente. No filme que analisa a questão das anomalias, a moça chamada Lisa, recebe o codinome de Anomalisa, que em japonês significa “Deusa do Céu”. E Anomalisa traz muito na sua fala. Tocou-me a observação sobre o Brasil; “o único país que fala português” (uma anomalia) e encontrei imensa sintonia com sua canção preferida, também uma das minhas prediletas, do tempo da juventude, Girls Just Wanna have fun: “Adoro Cyndi Lauper. Ela tem uma ótima voz e não liga para o que diz. Ela é ela mesma, e isso requer coragem.” Por essa informação trazida pela Lisa adorei o filme, que nos estimula a fortalecer nosso comportamento e sempre buscarmos força para sermos nós mesmas apesar de distanciar-se do dito como “normal”. Além da música que me fez retornar ao final dos anos setenta e cantar: Girls just wanna have fun!

Por fim, totalmente encantada como o filme A GANHA PÃO. Meditei sobre o quanto temos em termos de liberdade individual e o quanto ainda tem gente sofrendo nos seus direitos individuais. Pensei ainda, se a condição da mulher no mundo ocidental ainda é precária, como classificar a situação das mulheres em países como o Afeganistão? Triste e inclassificável..infelizmente! E no meio ao sofrimento da história, apresentada com maestria neste desenho, há uma história dentro de uma história, com a contação feita pela protagonista, a menina Parvana. A contação toma ares de fantástico do conto de fadas, um mito do imaginário popular daquele recanto, e, bem perto do final, se mistura  com a história principal, revelando o segredo guardado sobre o irmão de Parvana, cujo paredeiro ninguém mencionava no filme: “Meu nome é Sulayman. Minha mãe é escritora, meu pai professor. Minhas irmãs vivem sempre brigando. Achei um brinquedo na rua e ele explodiu. FIM’

O filme foi tão bem concebido que mesmo no final, fiquei ainda presa naquele povo, que lembra um pouco meus ancestrais, observando o quanto são parecidos, como se irmãos fossem…e desejando que Parvani e todas mulheres e homens do Afeganistão, ou de qualquer outro país, onde a realidade seja semelhante, pudessem alcançar um oásis, um paraíso, que no filme sugeria uma praia em Goa.

Este filme proporcionou muitas reflexões sobre nossa existência, por conta do sofrimento de uma nação. Muito embora, tenha sido profundamente tocada pela beleza da alma de um povo incólume, mostrada na descrição que fazem de si, nos presenteando no final do filme: “Somos uma terra cujo povo é o maior tesouro. Estamos nos limites de impérios em guerra. Somos uma terra dividida nas montanhas do indocuche queimada pelos olhos ardentes dos desertos do norte, escombros negros contra picos de gelo, somos Auriana, a terra dos nobres.”

Filmes nos divertem, mas também nos ensinam como contar histórias de forma diferente, nos instrui e são meios de denúncia de condições humanas, sociais e ambienteis. A filosofia da vida encontramos em vários lugares, na própria natureza, nos livros, nos meios de comunicação, também nas palavras, basta conservar os olhos, ouvidos e coração abertos, em qualquer lugar, até mesmo assistindo a um filme como A Ganha Pão: “Levante suas palavras, não sua voz. É a chuva que faz as flores crescerem, não o trovão.”

 

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Texto 1: Um buquê para a minha amada

De vermelho a saudade se agarra ao que sobra do mundo particular da juventude, ainda presente lá no fundo do coração. O tempo em que subia sem medo nas árvores e o céu estava perto passou. Presa no chão,  olhos cansados procuram mocinha de sonhos azul que recebia flores…a vista tão longe:…”Adeus menina, linda flor da madrugada!”

Texto 2: Cada uma tem sua Tróia particular

Aprisionada entre quatro linhas daquela história, que pode ser antiga, procura a menina uma saída. Sua mãe observa o enredo, naquele local de degredo, onde todas as mães vão parar na maturidade. Sentada no anfiteatro da vida e na torcida, aguarda o segundo tempo, o fim da guerra, tempos de realizações! Ela estuda o caminho enfrenta a luta, tem foco. Do outro lado, a mãe espera por um futuro como seu nome,  resplandecente!

Texto 3: Eram muitas vezes

A figura caiu no colo do livro inutilizado. Que aborrecimento! E agora? Qual era a história? Livro todo manchado de tinta preta. Nada se vê.  Lamentou. Olhou a imagem que restava. Uma moça vai em busca de algo, vislumbra uma descida ou vai subir na árvore? Quaisquer das ideias poderiam iniciar! Sorriu. Ficou feliz porque descobriu tantas possibilidades, numa só imagem muitas histórias! Assim, começou a escrever.

Texto 4: Nos tempos do quintal

Houve um tempo em que o mundo era pequeno, íntimo e lhe bastava. Um quadrado onde uma menina vestida de vermelho divagava, abraçada ao arvoredo. Tudo era possível para o local se tornar uma terra encantada, do nada! Na segurança do lar e liberdade do pensamento sonhava com fadas, castelos. Mal sabia que era a verdade muito mais bonita que seus sonhos. A doce e encantadora realidade daquele tempo.

Texto 5: Assim na terra como no céu

João subiu na vida por aquela árvore. Maria ficou embaixo, vendo-o cada vez mais distante. Olhando para o céu, segurava a árvore. Olhando para o alto, não vê a terra… Pobre Maria! Perdeu seu chão…Tudo por causa de João! Toma uma atitude menina. Ou sobe lá pra cima ou se mete pela floresta e vai fazer da vida festa aqui mesmo no chão. Quando notar nem saberá mais quem é João! João? Aquele do pé de feijão? Sei não!

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* Resenha apresentada e exercício de um encontro extra do grupo original dos Estudos em Escrita Criativa, em Recife, com Bernadete Bruto, Elba Lins, Luisa Bérard e Talita Bruto em 17/07/2018.

** Bernadete Bruto (Recife/PE, 1958) é bacharel e licenciada em Sociologia, com especializações na área de Recursos Humanos e Direito Administrativo. É analista de Gestão do metrô de Recife e poeta performática. Membro da União Brasileira de Escritores-UBE, da Associação dos Amigos do Museu da Cidade do Recife – AMUC, parceira da Cultura Nordestina Letras e Artes e participa da Confraria das Artes e dos Estudos em Escrita Criativa. Tem quatro livros publicados, todos coletâneas de poesias: Pura impressão (2008), Um coração que canta (2011), Querido diário peregrino (2014) e A menina e a árvore (2017), participação em antologias, assim como diversas apresentações poéticas e performáticas. Contatos: bernadetebruto@gmail.com e www.bernadetebruto.com

*** Birdsong, 1893, Károly Ferenczy.

Estudos em Escrita Criativa – Julho, 2018 | Recife e Porto Alegre

Nossas férias foram de uma riqueza ímpar. Além de nos reabastecermos para trazer o melhor para os encontros do segundo semestre de 2018 dos Estudos em Escrita Criativa, nos reunimos, o grupo original com Bernadete Bruto, Elba Lins, Luisa Bérard e Talita Bruto, e exercitamos o que apreendi na disciplina Textos breves e híbridos ministrada pelo Prof. Dr. Amilcar Bettega na única Pós-Graduação com Mestrado e Doutorado em Escrita Criativa do país na PUCRS: a partir da leitura de ficcionistas e teóricos tais como Robert Walser, Walter Benjamin, Noemi Jaffe, Júlio Cortazar, Enrique Vila-Matas e Lydia Davis, escrever 05 minitextos com até 05 linhas cada.

Os exercícios estão especialmente do lado de fora deste post, justamente para dar asas a essas primeiras alunas que já, há muito tempo, sabiam voar sozinhas, mas que tiveram a humildade – qualidade tão rara e que prezo tanto no ser humano – de aprenderem/ensinarem (assim como o verbo apprendre em francês) nos nossos encontros.

Tivemos também a imensa alegria em receber textos de participantes dos Estudos de Recife (Cilene Santos e João Paulo Nascimento de Lucena) e de Porto Alegre (Natália Setúbal).

E no dia 31/08/2018, às 14h30, estaremos no Congresso da Associação Brasileira de Literatura Comparada (Abralic), em Uberlândia, com dois estudos de caso – Abril, sobre o mito, e Maio, sobre a viagem – dos nossos encontros, e o lançamento, às 19h, do primeiro volume do Sobre a escrita criativa. O segundo volume já está no forno com textos de autores tais como Alexandra Lopes da Cunha, Amilcar Bettega, Bernadete Bruto, Daniel Gruber, Elba Lins, Fred Linardi, Gisela Rodriguez, Guilherme Azambuja Castro, Lourival Holanda, e esta que vos escreve.

Os Estudos retornarão em Agosto de 2018 com todo o carinho e o melhor que posso oferecer àqueles que os aceitaram e me incentivaram em cada mínimo desafio. Não à toa, o tema será o Amor, e os escritores convidados, Ana Maria César, em Recife, no dia 11/08/2018, na Livraria Cultura do Shopping RioMar, e Annie Müller e Luís Roberto Amabile, em Porto Alegre, no dia 15/08/2018, na Livraria Cultura do Shopping Bourbon Country.

Que venham os próximos encontros! Grande abraço e até breve,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Próximos encontros:

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Estudos em Escrita Criativa - Porto Alegre - RS

“BIUTIFUL” (de Alejandro González-Iñarritu)* | por Flávia Suassuna**

O filme “Biutiful”, de Iñarritu, é uma metáfora do humano; é a história de Uxbal, um homem que carrega todas as injunções de um homem – é bom e mau; erra e acerta; tem medos e coragens; ama e odeia; acredita e duvida; tem dons e faltas; sabe e ignora; explora e é explorado; tem culpas e perdões; é doce e violento; se comove com a injustiça e é um elo da corrente interminável de explorações do homem pelo homem; manda e desmanda; é amado e odiado; é forte e vulnerável; foi ceifado pela morte, como todos foram ou serão…

Uxbal é, portanto, uma metonímia – um homem que simboliza todos os outros no percurso da confusa existência material. Sua história se passa numa Barcelona estranha, talvez porque é uma outra e periférica cidade, não a que nos acostumamos a achar bonita ou digna de cartões postais: prédios decadentes, guindastes, apartamentos aos pedaços, entulhados de coisas velhas, ruas e calçadas esburacadas, moradores de rua, camelôs… fazem do cenário uma favela, palavra que resume, mais ou menos, aquela tragédia social. Logo nas primeiras cenas, somos informados de que Uxbal tem câncer e apenas dois meses de vida. E a narrativa é o retrato de seu desespero para ajeitar tudo antes de partir. Ele tem dois filhos, uma ex-esposa tão instável que não pode cuidar deles, um irmão que o trai e em cujos olhos nem consegue olhar e uma profissão que também é desestruturante: ele conecta duas pontas podres de atividades entre ilícitas e criminosas – entrega a imigrantes ilegais senegaleses CDs piratas e bolsas produzidas por imigrantes chineses também ilegais para serem vendidos nas calçadas, inicialmente, e, em seguida, agencia mão de obra escrava ou quase escrava (se é que se pode diferenciar os dois conceitos) para a construção civil. Tudo isso temperado com corrupção policial, uma pitada de tráfico de drogas e muita, muita injustiça. E muita, muita pobreza.

É claro que, na cegueira materialista em que vive, Uxbal pensa que juntar dinheiro é o que tem que ser feito, e suas ações nessa direção terminam por levá-lo ao fundo do pior abismo em que uma pessoa pode entrar. Sob o olhar atônito do espectador, o filme desenrola-se, de horror em horror, numa sequência crescente de conflitos, morte, assassinato, culminando num chacina inominável, perpetrada, direta ou indiretamente, por ele e que, por sua vez, se desdobra em mais e mais abjetas consequências. Acho que, de várias maneiras, “Biutiful” lembra “Coração das trevas”, de Joseph Conrad, e seu espelho, o filme “Apocalypse now”, de Francis Ford Coppola. “Coração das trevas” é o melhor livro de Conrad. Publicado entre o final do século XIX e o começo do século XX, é uma narrativa, ambientada na África, que denuncia o engodo do Neocolonialismo europeu. Marlow, o narrador, mergulha nos meandros da selva do Congo e nas perversões mais profundas do projeto de exploração colonial, passando do enaltecimento da cruzada civilizatória inglesa para a verificação dos objetivos meramente econômicos e de dominação imperialista: exploração de fraquezas, trabalhos forçados, coerção, opressão, massacre, escravidão, desumanização, ruptura de laços sociais, preconceito… numa narrativa, ao mesmo tempo, imperialista e anti-imperialista. “Apocalypse now”, de 1979, transporta esse enredo para a Guerra do Vietnã e troca os interesses coloniais pela luta pelo poder mundial. Menos sutil, Coppola descortina a vantagem do dominador e, portanto, a injustiça e a crueldade daquela invasão, que mudou para sempre nossas relações com as guerras.

Rio acima, as palavras de um ou as imagens do outro relatam uma cadeia de horrores, enganos, fraudes… A lentidão do relato é em si uma crueldade contra os leitores ou espectadores. Busca-se alguém que se degenerou em qualquer coisa, exceto um homem. Navegar, portanto, é como viajar no tempo e voltar ao selvagem que o ser humano já foi; é constatar a fragilidade da civilização…

Em “Biutiful”, as trevas transferem-se da periferia do mundo para o coração da Europa. Sem o rio, segue-se a trajetória do protagonista pelas ruas de uma cidade europeia – qualquer uma – onde ainda estão presentes os fantasmas do processo colonial, até porque eles estão dentro do homem, que os carrega consigo em todos os tempos e lugares. Um lugar no fundo da selva ou os subterrâneos de uma cidade, na verdade, é a própria natureza humana, e o percurso que se faz é de corajosa prospecção ontológica; daí certa identificação espelhar: os narradores se identificam com o abominável ou é possível entender as trevas, que são apenas sugeridas. A selvageria não pertence apenas aos selvagens, mas a todos. E reside no interior, no porão.

O espectador de “Biutiful” entende e até perdoa Uxbal, pois reconhece que talvez fizesse o mesmo se fosse colocado na mesma situação.

Essa complacência inclui até o fato de que o personagem não segue as orientações de sua mentora, ou seja, a contemporaneidade é surda aos apelos do espírito. E segue, bruta, na gratificação sem limites dos desejos individuais e materiais, nas palavras do próprio Conrad.

Nas três histórias, porém, há uma narração invisível, quase – encarar tudo isso, de resto, resulta em autoconhecimento e só se transforma… entende… perdoa… ultrapassa… vence… sei lá… o que se conhece…

Aquela última imagem branca de neve e biutiful, que dá nome ao filme, é como sair da caverna; das sombras; dos porões imundos; do coração das trevas, não exteriores, como diz a Bíblia, mas interiores; das prisões da matéria e, enfim, seguir, com os nossos, em direção à paz e ao riso, deixando para trás essa cilada labiríntica que é a estadia material.

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* Texto lido por Flávia Suassuna no III Encontro dos Estudos em Escrita Criativa de Recife, temática A viagem, em 12/05/2018.

** Flávia Suassuna é professora de literatura, escritora, mestre em teoria da literatura pela UFPE; autora de 6 livros – “Jogo de trevas” e “Remissão ao silêncio” (romances), “Trança, primeiro fio” (poesia), “Trança, segundo fio” (crônicas), “Trança, terceiro fio” (resenhas) e “Poesia em cena” (organização de poemas com comentários para uma antologia didática). Contato: flavia_suassuna@hotmail.com

Índex* – Março, 2018

Quem espera

É um coração 

Valente

Que não cansa

De sonhar

Que não deixa 

De lutar

Por um pedacinho 

De sol

Um lugarzinho 

Que possa

Chamar de seu

E revele

A imensidão

De sua

Escrita

(“Quem espera não se cansa”, Patricia Gonçalves Tenório, 17/03/18, 10h50)

 

Um coração valente no Índex de Março, 2018 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa – Março, 2018 – Recife – PE | Com Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil), Bernadete Bruto (PE – Brasil), Cilene Santos (PE – Brasil), Ina Melo (PE – Brasil), Gabi Cavalcanti (PE – Brasil), Inalda Dubeaux Oliveira (PE – Brasil), Maria Eduarda Tenório de Oliveira e Silva (PE – Brasil).

Poema de Alcides Buss (SC – Brasil).

Encontros entre poetas: as cartas de Geraldino Brasil (AL/PE – Brasil) e de Jaime Jaramillo Escobar (Colômbia) | Organização Beatriz Brenner (PE – Brasil).

Cadê Miguel? | Carol Bradley (PE – Brasil).

Branca de Neve e os sete anões: Uma releitura em versos | Cilene Santos (PE – Brasil).

Agradeço a atenção e o carinho, a próxima postagem será em 29 de Abril, 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – March, 2018

 

Who waits

Is a brave

Heart

That does not get tired

From dreaming

That does not leave

To fight

For a little bit

Of Sun

A little place

That can

Call your own

And reveal

The immensity

Of your

Writing

(“Who waits does not get tired”, Patricia Gonçalves Tenório, 03/17/18, 10h50)

 

A brave heart in the Index of March, 2018 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Studies in Creative Writing – March, 2018 – Recife – PE | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil), Ina Melo (PE – Brasil), Gabi Cavalcanti (PE – Brasil), Inalda Dubeaux Oliveira (PE – Brasil), Maria Eduarda Tenório de Oliveira e Silva (PE – Brasil).

Poem by Alcides Buss (SC – Brasil).

Encounters among poets: the letters from Geraldino Brazil (AL/PE – Brasil) and from Jaime Jaramillo Escobar (Colombia) | Organization Beatriz Brenner (PE – Brasil).

Where’s Miguel? | Carol Bradley (PE – Brasil).

Snow White and the Seven Dwarfs: A Rereading in Verses | Cilene Santos (PE – Brasil).

Thank you for the attention and the affection, the next post will be on April 29, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Um pedacinho de sol para chamar de seu (Recife – PE, Brasil). A little piece of sun to call your own (Recife – PE, Brasil).

Cadê Miguel?* | Carol Bradley**

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* Extraído de Cadê Miguel? Carol Bradley. Ilustração: Leonardo R. Malavazzi. 1ª ed. Recife, PE: Ed. do Autor, 2017.

** Carol Bradley nasceu no Recife, Pernambuco. É formada em Direito e Jornalismo pela UNICAP e autora dos livros “Nunca é Tarde para Recomeçar” e “Um conto por dia”. É casada com Valério Veloso e mãe de Theo. Gosta de observar a realidade e transformar em literatura o que vê, ouve e imagina.

Atenta à forma com que as crianças lidam com a tecnologia, com olhos vidrados nos joguinhos, deixando muitas vezes de contemplar a natureza ou interagir com as pessoas, para fixarem-se nas telinhas coloridas, decidiu escrever essa história para alertá-las sobre a importância de também prestar atenção à realidade que nos cerca.

Contato: carol.bradley@frigorificoxinguara.com.br

Clauder Arcanjo* | “Cambono”**

“Em formato de novela-folhetim, Clauder Arcanjo constrói com originalidade, linguagem requintada e domínio de expressão uma trama labiríntica, em que o cotidiano dos moradores da fictícia cidade de Licânia é retratado capítulo a capítulo numa invenção surpreendente e desconcertante. Narrativa desenvolta e segura, em que realidade e ficção se entrelaçam, seduzindo o leitor com a força e a palavra de Adamastor Serbiatus Calvino (Cambono), Maria Abógada, Benarenard Péricles, Acácio, Jacinto Gamão, Gerardo Arcanjo, entre outros personagens capazes de fazer tremer as paredes de Licânia com seus uivos de paixão.” (Marília Arnaud, Escritora)

*

PARTE I

Um início sem fim

A floresta era pequena: três árvores frutíferas, duas samambaias no sopé da varanda e uma nesga de chão, ao fundo, com salsa, carrapicho e uma profusão de mata-pasto. Os animais dessa selva particular eram: o cachorro Banzé, um fox paulistinha (uma fera, quando diante de Aristóteles Emerson Barreto, o obeso gato siamês da vizinha, a senhora Francisca Espielberga Ford Coppula di Parma), a tartaruga Escolástica Bacon Spinoza Poe (do alto – melhor, da baixeza – dos seus quase oitenta anos de puro ócio) e o pequeno, e depenado, Nelson Deoclides Rodrigues Trotsky Médici Sampaio (papagaio linguarudo, mal-educado, inconveniente e pornográfico; daqueles de corar um Marquês de Sade).

Como cenário, um casarão antigo, de paredes dobradas, telhas vãs, sob o imperial céu nordestino. Sempre azul, banhado pelo sol e encoberto de sonhos.

Neste paraíso provinciano, morava o nosso herói: Adamastor Serbiatus Calvino.

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* Clauder Arcanjo é escritor, editor, engenheiro e trabalha em uma plataforma cercado pelo mar.

Contatoclauderarcanjo@gmail.com

** Cambono. Clauder Arcanjo. Mossoró, RN: Sarau das Letras, 2016.

Poems from Alan Britt*

BLACK WOOLY

  

Black wooly ripples our backyard concrete porch pad below

Autumn grasses tasseled by tiny magenta oil beads igniting

each sprouted stalk. This wooly rubs her fur against the sun’s

early morning switchblades & traverses the concrete undulation

by undulation, almost galloping under, over & between magenta

sprigs. Only this wooly isn’t black. She exposes copper ribs with

each ripple. Zebra rust singeing her fur, this wooly traverses a

faded green garden hose sprawled like a fifty foot garter snake,

thin as a small intestine, knotted & curled into a Pollock master-

piece. As she wobbles the distance, I record her diminutive

miracle. When I look up, she is gone.

 

(The Bitter Oleander, spring 2014)

Alan Britt…10/15/13…11:33AM

 

CHILDHOOD CONFESSIONS

 

I was adopted a little over a month old.

 

I was ecstatic!

 

While young I pulled a few pranks . . . nothing

too serious.

 

I dragged Mom’s favorite sweater

across the hardwood floor;

she wasn’t pleased.

 

I rummaged Dad’s closet & absconded

with a deerskin slipper;

that earned a timeout.

 

I once grabbed a chocolate chip cookie bag

& pulled the stainless can on top of me

spilling garbage across the kitchen floor.

 

I heard about that for weeks.

 

But I matured, learned right from wrong

& respected household rules.

 

As I grew I learned to play well with others,

stopped teasing the cat & even grew fond

of my Maine Coon sister.

 

I often wished Dad had more time to teach

me some games―I had energy to spare.

 

I sometimes begged Mom to close her laptop

& go for strolls around our neighborhood.

 

She was busy; I could see that.

 

But I amused myself; I made do.

 

(continued/break)

Page 2 of 2 . . . . . CHILDHOOD CONFESSIONS . . . . .  (cont.)

 

I was growing up fast & staying out of trouble, mostly.

 

Recently Mom & Dad brought a baby home

from the hospital. They named him Tom.

 

He smells funny but I think I love him. A baby brother!

I  ran around the house telling everyone how excited I was.

 

Then, suddenly, the surprise of my life.

 

One morning Dad walked me to the car & drove me

to a building with cinderblock walls & concrete floor.

 

I’ll never forget; I just turned five years old

& was looking forward to our expanding family.

 

Dad patted my head, closed the chain-link door

behind him & left me sitting on that concrete floor.

 

I’ve been here now over a month. No sign of Mom,

no sign of Dad.

 

My name is Mason. I’m a pit bull/shepherd mix.

 

The terrier next to me was carried away this morning.

She was old . . . 14 at least, cataracts in both eyes.

 

The guy on the other side, hound mix, I believe, spends

all day shivering in a corner, tail curled around his belly.

 

God, I’m lonely & confused. Mom, Dad, if you

can hear me, please come & get me.

 

I promise I’ll be good.

 

~Alan Britt

 

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* Contact: abritt@towson.edu

“Appunti di Viaggio” | Alfredo Tagliavia

Alfredo Tagliavia

 

Appunti Di Viaggio

da parte di Alfredo Tagliavia

“Appunti Di Viaggio” è una raccolta di trenta poesie scritte da Alfredo Tagliavia tra il 2007 e il 2014, a cavallo fra due lunghi viaggi fatti dall’autore a Recife, nel Nordeste del Brasile, di cui si avvertono le atmosfere un po’ ovunque, alternate a descrizioni di Roma, Napoli, Lisbona e altri luoghi reali o immaginati del mondo. La maggior parte delle poesie è scritta in italiano, alcune sono in portoghese, una è in romanesco ed una in napoletano. La copertina ed il progetto grafico sono a cura di Silvia Piccinini.

Accesso a il libro: http://ita.calameo.com/books/004190365ed8797d07684

Índex* – Fevereiro, 2015

A dor alivia

Por um segundo

Entro

Na lua nova

No mar aberto

De Maracaípe

 

Uma chuva fina cai e mistura

O sal

A água

A luz que vem de dentro

E uma amiga-irmã me chama

– Vem, vem

Para além do arco íris

(“Arco Íris”, Patricia Tenório, D’Agostinho, 2010)

O alívio de um instante que a Arte nos dá no Índex de Fevereiro, 2015 no blog de Patricia Tenório.

“O Major – Eterno é o Espírito” | Patricia Tenório (PE – Brasil).

Um poema e uma crônica | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

“Rumeur” suivi de “Chère Madame Schubert” | Ewa Lipska (Polônia) | Traduction Isabelle Macor-Filarska (França).

Os links do mês:

14 ª Revista Mulheres e Literatura com artigos de Tiago Silva (PB – Brasil) e Patricia Tenório: 

http://litcult.net/site/category/mulheresrev/revista-mulheres-e-literatura-vol-14-2015/

VI Encontro Nacional O Insólito como Questão na Narrativa Ficcional:

http://www.sepel.uerj.br/eventos.html

Danuza Lima (PE – Brasil) no PalavraTório, coluna do Parlatório de Adriano Portela (PE – Brasil):

http://parlatorio.com/sob-a-via-crucis-do-corpo/

 

Excepcionalmente, a postagem de Fevereiro, 2015 foi antecipada em 1 dia. A próxima postagem será em 29 de Março de 2015. Um abraço bem grande em todos e todas,

Patricia Tenório.

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Index* – February, 2015

The pain eases

For a second

In the new moon

I go into

The open sea

Of Maracaípe

 

A fine rain falls and mixes

The salt

The water

The light that comes from within

And a sister-friend calls me

– Come, come

Beyond the rainbow

(“Rainbow”, Patricia Tenório, D’Agostinho, 2010)

The relief of a moment that Art gives us in the Index of February, 2015 in the blog of Patricia Tenório.

“The Major – Eternal is the Spirit” | Patricia Tenório (PE – Brasil).

A poem and a chronic | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

“Rumeur” suivi de “Chère Madame Schubert” | Ewa Lipska (Poland) | Traduction Isabelle Macor-Filarska (France).

The links of the month:

14th Magazine Women and Literature with articles of Tiago Silva (PB – Brasil) and Patricia Tenório: 

http://litcult.net/site/category/mulheresrev/revista-mulheres-e-literatura-vol-14-2015/

The VIth National Meeting The Unusual as Question in Ficcional Narrative:

http://www.sepel.uerj.br/eventos.html

Danuza Lima (PE – Brasil) in PalavraTório, the column of Parlatório from Adriano Portela (PE – Brasil):

http://parlatorio.com/sob-a-via-crucis-do-corpo/

 

Excepcionaly, the posting of February, 2015 was antecipated in 1 day. The next post will be on 29th March, 2015. A big hug in everyone,

Patricia Tenório.

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foto

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* Índex foi traduzido apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated into English only as a matter of the extension of the post.

** O mar aberto de Maracaípe… The open sea of Maracaípe…