Posts com Cartas

Índex* – Março, 2018

Quem espera

É um coração 

Valente

Que não cansa

De sonhar

Que não deixa 

De lutar

Por um pedacinho 

De sol

Um lugarzinho 

Que possa

Chamar de seu

E revele

A imensidão

De sua

Escrita

(“Quem espera não se cansa”, Patricia Gonçalves Tenório, 17/03/18, 10h50)

 

Um coração valente no Índex de Março, 2018 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa – Março, 2018 – Recife – PE | Com Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil), Bernadete Bruto (PE – Brasil), Cilene Santos (PE – Brasil), Ina Melo (PE – Brasil), Gabi Cavalcanti (PE – Brasil), Inalda Dubeaux Oliveira (PE – Brasil), Maria Eduarda Tenório de Oliveira e Silva (PE – Brasil).

Poema de Alcides Buss (SC – Brasil).

Encontros entre poetas: as cartas de Geraldino Brasil (AL/PE – Brasil) e de Jaime Jaramillo Escobar (Colômbia) | Organização Beatriz Brenner (PE – Brasil).

Cadê Miguel? | Carol Bradley (PE – Brasil).

Branca de Neve e os sete anões: Uma releitura em versos | Cilene Santos (PE – Brasil).

Agradeço a atenção e o carinho, a próxima postagem será em 29 de Abril, 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – March, 2018

 

Who waits

Is a brave

Heart

That does not get tired

From dreaming

That does not leave

To fight

For a little bit

Of Sun

A little place

That can

Call your own

And reveal

The immensity

Of your

Writing

(“Who waits does not get tired”, Patricia Gonçalves Tenório, 03/17/18, 10h50)

 

A brave heart in the Index of March, 2018 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Studies in Creative Writing – March, 2018 – Recife – PE | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil), Ina Melo (PE – Brasil), Gabi Cavalcanti (PE – Brasil), Inalda Dubeaux Oliveira (PE – Brasil), Maria Eduarda Tenório de Oliveira e Silva (PE – Brasil).

Poem by Alcides Buss (SC – Brasil).

Encounters among poets: the letters from Geraldino Brazil (AL/PE – Brasil) and from Jaime Jaramillo Escobar (Colombia) | Organization Beatriz Brenner (PE – Brasil).

Where’s Miguel? | Carol Bradley (PE – Brasil).

Snow White and the Seven Dwarfs: A Rereading in Verses | Cilene Santos (PE – Brasil).

Thank you for the attention and the affection, the next post will be on April 29, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Um pedacinho de sol para chamar de seu (Recife – PE, Brasil). A little piece of sun to call your own (Recife – PE, Brasil).

Encontro entre poetas: as cartas de Geraldino Brasil e de Jaime Jaramillo Escobar* | Organização Beatriz Brenner

Ponto de partida

 

Em 13 de novembro de 2010, assistia à conversa do autor convidado, Benjamin Moser, sobre a biografia que escrevera de Clarice Lispector, intitulada Clarice,. O momento fazia parte da programação da VI FLIPORTO – Festa Literária Internacional de Pernambuco, que acontece, anualmente, na cidade de Olinda.

A vibração de Moser, enquanto respondia as perguntas que lhe fazia o interlocutor, era tão forte, que me alcançou na plateia. Fui tocada.

Naquele instante, decidi escrever também uma biografia. Mas logo a pergunta: sobre quem? Gerou-se um certo esforço para que a resposta viesse à tona. Os sons das palavras vibrantes de Moser se misturavam aos meus pensamentos embaralhados. Finalmente, a luz! O biografado seria o poeta Geraldino Brasil, pensei quase em voz alta… Ele que esteve meu pai, enquanto seu período na terra. Nada mais justo.

Senti-me preenchida de certezas e profunda alegria, já que à minha vida, a partir daquele momento, havia sido acrescido mais sentido psicológico. E que sentido!

Alguma explicação ao leitor, no entanto, é necessária, para que compreenda sobre como foi possível prosseguir com a ideia. Em 1996, logo após a partida de papai, contratei a bibliotecária e amiga Lúcia Moura para catalogar o vasto arquivo do poeta. Quis evitar qualquer extravio do material de valor inestimável. E, como era e ainda sou a única representante da família no Brasil, senti-me redobradamente responsável.

Para iniciar a pesquisa, pensei em ir a Alagoas, aos lugares por onde passou, no Engenho Boa Alegria, onde nasceu. Até fiz alguns contatos. Porém, em meio às minhas elucubrações (que não foram poucas”, “algo” me levou até as cartas, em especial as que meu pai trocara com o também poeta e seu tradutor colombiano, Jaime Jaramillo Escobar. Lendo-as por cima, percebi que as informações de que precisava estavam ali. Acheia-as preciosas por estarem, claro, escritas na primeira pessoa. Ou seja, eles mesmos desvelariam suas próprias histórias:

– Em 1933 tinha eu 7 anos. Nasci no campo, vim para a cidade quando você nascia. Morei em muitas ruas em Maceió…

 

– Region escarpada y pobre, en Antioquia – donde nascí – la vida es violenta y azarosa. La aridez y la avaricia de sus gentes y su utilitarismo corresponden a la psicologia de un país de asesinos y ladrones…

Que maravilha! Só faltava organizar meu tempo e mergulhar na leitura, agora atenta, das cartas. Leitura que me permitisse selecionar trechos cujos assuntos se inter-relacionassem. Até aí, não tinha a menor ideia de como iria compor o livro.

A correspondência com o poeta Jaime havia sido arquivada em duas pastas distintas: “Cartas masculinas/Emitidas – Jaime Jaramillo Escobar” e “Cartas masculinas/Recebidas – Jaime Jaramillo Escobar”. As “Emitidas” eram em cópias-carbono, costume que papai adotava sempre que escrevia a alguém. No total, foram consultadas 131 cartas: 73 enviadas a Jaime e 58 recebidas de Jaime; inúmeros postais e bilhetes.

Bem, para evitar ferir os valiosos originais, providenciarei a reprodução de todo esse material.

À medida que lia, me deslumbrava. Os assuntos abordados eram atualíssimos e de grande alcance, além de serem expostos com transparência, abertura e humor! Mas, para que esse deslumbre não viesse a interferir em meu trabalho, precisei ter um diálogo comigo mesma. Inquietava-me pensar que, o que quer que eu fosse produzir, não deveria ser movido por qualquer excesso de emoção. Geraldino e Jaime fluiriam livremente. Afinal, foram 16 anos – de 1979 a 1995 – de troca de cartas. Um longo período que lhes foi agraciado, para que amadurecessem. Amadurecessem ao ponto de se tornarem amigos e confidentes, motivo que os levou a ultrapassar os limites do campo da poesia, razão maior pela qual o destino os uniu.

Nunca se viram pessoalmente, porém a sensação era de se conhecerem há muito tempo – e sobre isso se expressa papai em sua carta de 24 de agosto de 1982:

Já te disse tantas vezes, não nos conhecemos apenas desde 1979.

Para não ocupar o tempo do leitor, tampouco espaço, neste livro, com questões corriqueiras, selecionei trechos que viessem a instigá-lo a uma reflexão, ou mesmo que viessem a surpreendê-lo pela originalidade das percepções dos poetas.

Outra decisão importante foi a de conservar as missivas com o mesmo frescor dos idiomas com os quais eles se comunicaram em suas respectivas línguas-mãe.

A decisão surgiu a partir da crença de que os que fossem ler este livro seriam capazes de compreender não apenas os idiomas em si, mas, principalmente, teriam a possibilidade de penetrar nos sutis meandros das expressões dos poetas. Sim, a pontuação, ortografia e eventuais erros gramaticais também foram respeitados.

Muitas outras cartas foram catalogadas por Lúcia em pastas diversas. Cartas de/para poetas, leitores, jornalistas e críticos literários, entre tantas outras. Material tão rico, que poderia se tornar um compêndio literário, caso optasse em dedicar o resto de minha vida para fazê-lo…

Uma lástima, no entanto, que esse modo de nos correspondermos esteja em extinção com o advento e a supervalorização da tecnologia. A sensação gostosa da expectativa da chegada do carteiro – e como curtíamos a vibração do nosso pai! A renovação que as cartas lhe traziam. A alegria de escrever a alguém e de imaginar este alguém recebendo, tocando, abrindo e até querendo sentir os cheiros do outro, não há comparação. Essa dinâmica humana está longe de ser resgatada…

Foi graças ao intercâmbio epistolar entre meu pai e Jaime que cada uma de nós – mamãe, a mana Moema e eu – pôde vivenciar uma experiência de poucos. Experiência essa que até hoje repercute e que ao longo da elaboração desta obra, me emocionou por várias vezes.

Por meio de alguns relatos, cheguei a sentir as dores que meu pai sentira quando menino, jovem e adulto, algumas das quais eu ainda desconhecia, como as suas alegrias também. Em outros momentos, sorri, até gargalhei. Xinguei, falando alto com algumas das situações e com quem nelas estava envolvido. Conversei com ele, e até me surpreendi com certas observações que fez sobre mim em particular. “O que, papai?! Você pensava assim!?”, exclamei várias vezes…

O mais incrível foi que, ao ler as cartas, revisitei momentos de grande intensidade e significado de minha própria vida. Jovem, sonhadora, atenta ao futuro e, ao mesmo tempo, contida e eufórica diante das descobertas do presente. Foi a esse meu ambiente psicológico que a experiência de meu pai se somou e dela tirei uma das mais puras, plenas e sinceras lições de vida.

Por isso, e muito mais, tenho pelos poetas Geraldino e Jaime uma gratidão enorme, sem contar com a afinidade e amor que sinto por ambos. Eles me ensinaram que uma verdadeira e rica amizade pode ser, sim, fortemente mantida, nutrida e perpetuada mesmo com a dificuldade assinalada por uma distância física de cerca de 4600 quilômetros.

Com amor,

Beatriz Brenner

Bairro das Graças, Recife

Janeiro de 2014

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Extraído de Encontro entre poetas: as cartas de Geraldino Brasil e de Jaime Jaramillo Escobar. Organização: Beatriz Brenner. Recife: Cepe, 2016.

Índex* – Novembro, 2017

De Arabella

Se aproxima

O fim da sua estória

O fim da narração 

Em terceira pessoa 

Que ficcionaliza

A vida do autor

*

A morte do autor

Está em cada linha

Está em cada palavra

Contada

Narrada

Derramada

Na tela do computador 

Nas letras do teclado

Que protegem o eu

Do outro

E permitem imaginar

E concedem aproximar

O fim de uma estória 

À bordo de um avião

(“Arabella em apuro”, Patricia Gonçalves Tenório, 10/11/2017, 06h50)

 

O fim de uma estória, o fim de um ciclo e início de outro no Índex de Novembro, 2017 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Poemas de Viagem | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“A menina do olho verde” na Itália | Patricia Gonçalves Tenório.

Ewa Lipska (Pologne) & Krzyztof Siwczyk (Pologne) | Traduits par Isabelle Macor (France).

“Il Viaggio della Memoria” | M. Rosario Franco (Italia).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Novembro, 2017 & 2018.

E o link do mês: Clauder Arcanjo (RN – Brasil) e Alfredo Pérez  Alencart  (Salamanca, Espanha) em www.salamancartvaldia.es/not/164590/desde-lisboa-mossoro-dedican-poemas-salmantino-anibal-nunez/

 

Agradeço a atenção e carinho de sempre, a próxima postagem será em 31 de Dezembro de 2017, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – November, 2017

From Arabella

Get closer

The end of her story

The end of the narration

In third person

That fictionalizes

The life of the author

 *

The author’s death

It’s on every line

It’s in every word

Told

Narrated

Spilled

On the computer screen

In the letters of the keyboard

Who protect the self

From the other

And they let imagine

And they allow approach

The end of a story

Aboard an airplane

(“Arabella in style”, Patricia Gonçalves Tenório, 11/10/2017, 06:50 a.m.)

 

 

The end of a story, the end of one cycle and beginning of another in the Index of November, 2017 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Travel Poems | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“The girl with the green eye” in Italy | Patricia Gonçalves Tenório.

Ewa Lipska (Poland) & Krzyztof Siwczyk (Poland) | Translated by Isabelle Macor (France).

“Il Viaggio della Memoria” | M. Rosario Franco (Italy).

Group of Studies on Creative Writing – November, 2017 & 2018.

And the link of the month: Clauder Arcanjo (RN – Brasil) Clauder Arcanjo (RN – Brasil) and Alfredo Pérez  Alencart  (Salamanca, Spain) on www.salamancartvaldia.es/not/164590/desde-lisboa-mossoro-dedican-poemas-salmantino-anibal-nunez/

 

Thank you for the attention and affection of always, the next post will be on December 31, 2017, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** O fim de um ciclo e início de outro. The end of one cycle and beginning of another. 

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Novembro, 2017 & 2018

O nono encontro de 2017 do Grupo de Estudos em Escrita Criativa foi muito especial.

Foi especial, porque investigamos as estórias que já nos contaram e agora contamos de maneira diferente, imprimimos a nossa própria voz.

Foi especial, porque, como Teoria, utilizamos os “Cinco tipos de transtextualidades, dentre os quais a hipertextualidade” dos Palimpsestos: a literatura de segunda mão (1989), do crítico literário e teórico da literatura francês, nascido em Paris, Gérard Genette (1930)…

“A transtextualidade ultrapassa então e inclui a arquitextualidade, e alguns outros tipos de relações transtextuais, das quais uma única nos ocupará diretamente aqui, mas das quais é preciso inicialmente, apenas para delimitar o campo, estabelecer uma (nova) lista, que corre um sério risco, por sua vez, de não ser exaustiva, nem definitiva.” (GENETTE, 1989, p. 13-14)

… e aplicamos na Criação de uma “Ficção a partir de uma Ficção”, ou como apreendi na disciplina Literatura e Linguagem Digital ministrada pelo Prof. Bernardo Bueno no PPGL em Escrita Criativa da PUCRS, uma “Fanfiction”. Utilizamos como exemplo a Fanfiction apresentada neste blog em Outubro, 2017:

http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7565

 

Foi especial, porque último encontro do GEEC na minha residência.

O Grupo de Estudos em Escrita Criativa nasceu em Agosto, 2016 com o objetivo de, através do estudo dos grandes teóricos da Literatura e outras Artes (Fotografia, Cinema, Artes Plásticas), e diversas Áreas de Conhecimento (Filosofia, Sociologia, Psicanálise), estimular a Criação de Contos, Poemas, Romances.

Agosto, 2016: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=6788

Setembro, 2016: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=6829

Outubro, 2016: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=6924

Novembro, 2016: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=6990

Dezembro, 2016: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7049

Março, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7287

Abril, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7368

Maio, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7444

Junho, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7496

Julho, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7553

Agosto, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7595

Setembro, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7663

Graças ao Grupo, surgiu a ideia do I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco durante a XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, e, com o Seminário, a antologia de artigos dos participantes Sobre a escrita criativa.

http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7683

A partir de Março, 2018, todo segundo sábado do mês, teremos 01 encontro de 03 horas, a princípio, na Livraria Cultura do Paço Alfândega, em Recife – PE, com o objetivo de se estender para outras paragens do Brasil. Nos moldes dos encontros que ocorriam em minha residência, iremos ampliar para o grande público. Foi uma experiência muito gratificante no I Seminário a construção de 22 textos dos participantes, demonstrando a grande demanda por eventos nessa área da Escrita Criativa, e com o formato do GEEC.

Outubro, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7694

As inscrições estão abertas com maiores informações no grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com. As vagas são limitadas para dar maior e melhor atenção para cada participante. Os interessados devem enviar:

– Uma pequena biografia com dados de contato (Nome completo, Telefone, E-mail, Formação);

– 1 ou 2 contos/poesias;

– Por que se interessa em participar do Grupo de Estudos em Escrita Criativa?

E boa leitura das Fanfictions das minhas tão queridíssimas alunas!

 

Patricia Gonçalves Tenório*.

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Referências:

GENETTE, Gérard. Cinco tipos de transtextualidade, dentre os quais a hipertextualidade. Algumas precauções. In Palimpsestos: a literatura de segunda mão. Tradução: Luciene Guimarães e Maria Antônia Ramos Coutinho.

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Bernadete Bruto**

 

O legado de MOGLI

Foto 1 Berna 

 

Estava ali na divisória entre um bairro e outro. Do bairro das Graças onde viveu até agora, já vislumbra o bairro vizinho da fronteira…o Bairro do Espinheiro. Está com 8 anos.. A terrível morte “Sere Kan” já assolara aquele povo e a família lobo estava de luto…assim como o coração de Mogli. O grande pai Lobo fora se encontrar com seus ancestrais na Índia.

Foto 2 Berna

 

Mogli nasceu na família Raposo que era parente dos Lobos. Ele sempre soube que era diferente dos Lobos, apesar de ser parente… E quando junto aos Raposo, ele sabe que também é Lobo… Essas famílias se intercruzaram.  Na realidade seu nome é MOGLI LOBO RAPOSO. E estava na casa dos RAPOSO LOBO. Por isso a confusão na sua cabecinha de criança. E naquele ano, em particular, quando Mogli nasceu, foi o período difícil para um lar cheio de filhos e Mogli precisou sair ainda bebê e ser emprestado aos parentes Lobo, para receber os cuidados necessários. Já havia 10 raposinhas precisando de cuidados e chegaria em breve outro! Mamãe Raposo, as raposinhas maiores e Tia Kaa não podiam cuidar deste bebe…Tia Baguera Lobo poderia! Suas lobinhas, lobinhos estavam maiores na época e um bebê seria muito gostoso para um lar que amava crianças.

Foto 3 Berna

Foto 4 Berna

Na fronteira ele relembra. Sempre soube quem era e para onde devia ir, voltar, mas faltava coragem, vivendo naquele local tão cheio de graça, sob proteção de sua Tia Baguera e sua prima Balu. Pois naquele ninho, a vida era um conto de fadas cheio de livros e arte e calor humano.

Naquele tempo, Mogli se dividia entre uma casa e outra, estudava na mesma escola do bairro da Capunga, onde lá todos se misturavam e se misturavam nas férias na casa de praia em Olinda, e se misturavam nos aniversários. Mas sempre Mogli voltava ao seio dos Lobos e se sentia em casa no acolhimento amoroso daquela família.

Foto 5 Berna

Mogli agora na esquina da vida olha para trás e vê as duas, Tia Baguera e Balu, do seu canto acenando e dizendo volte sempre! Você tem um lugar aqui. E em nosso coração.

ELE receosamente voltará para os Raposos e pressente que enfrentará provas naquele bando de gente de todo tipo e tamanho, convivendo profundamente. É um clã imenso liderado pelo SR Raposo. Muitas provas Mogli passará….tia Kaa estará por lá com seu olhão lhe dizendo coisas muito duras que um menino naquela idade não consegue ainda entender. Também haverá ocasiões nas quais os Raposos e Raposas agirão como macacos loucos, até Mogli conseguir encontrar o seu lugar naquela casa. Dona Raposo será seu elo de ligação, com paciência tangendo Mogli para junto dos Raposinhos. Com ela e as irmãs Raposas ele também se conectará com a arte, isso irá ajudar muito no futuro ainda mais distante.

Foto 6 Berna

Na fronteira entre os bairros, com os olhos anuviados da perda, Mogli ainda não sabe que em outras ocasiões essa sua experiência lhe renderá belos frutos. Em passos acanhados, mas decididos, dirige-se ao Espinheiro, para o seu lugar naquela casa e, no futuro, para o seu lugar no mundo, após enfrentar todos espinheiros que a vida lhe trará na maturidade. Com apenas esse passo de hoje, no futuro Mogli compreenderá o que disse certa vez Rudyard Kipling(*) em seu famoso poema IF (SE):

 

(…)

                           Se consegues num único passo
arriscar tudo o que conquistaste
num lançamento de cara ou coroa,
perderes e recomeçares de novo
sem nunca suspirares palavras da tua perda.

 

                                               (…)

 

                        Tua é a Terra
e tudo o que nela existe
e mais ainda,
tu serás um Homem, meu filho!

 

 

Recife, 26 de Outubro de 2017.

 

Elba Lins***

 

Cedinho naveguei do mar em direção àquele rio. Não sei qual a razão dele ser conhecido como Rio de Janeiro. Suas águas claras e brilhantes trazem até mim a sensação de paz, de beleza, de algo mágico que não encontramos em todos os lugares. Suas águas ficam próximas ao mar; apenas uma larga faixa de areia de cor perolada separa o lugar mágico, do oceano – onde vivo com os seres semelhantes a mim. O rio me encanta. Nem mesmo o mar onde vivo desde que nasci me traz a sensação que encontro quando o percorro e atinjo suas partes mais profundas.

Hoje ao chegar, desci rapidamente para as profundezas, normalmente desertas. Me encanta aquela cidade submersa e abandonada há muitos milênios, que como diz a lenda foi a terra de lindas moças morenas que amavam o mar e o sol em um tempo em que as pessoas ainda precisavam estar na superfície para poder respirar.

No Rio já tenho um destino certo, não sei porque, mas os meus braços-nadadeiras me levam como um autômato para determinada casa onde sensações especiais tomam conta de minha alma, sensações que não sei identificar, nunca senti  e nem ouvi de ninguém um sentimento como este. Na minha família – cardúmica, mesmo dotados de alma e com sentimentos que nos levam a pensar no outro –, o convencional após certa idade é   passarmos alguns anos com um espécime masculino para termos filhos. Logo após este período os anciões nos direcionam a um novo relacionamento a fim de perpetuar a família. Há algum tempo algo de muito estranho acontece  comigo e esta mudança tem conexão direta com o início de minhas viagens ao fundo do rio e com o tempo que permaneço na casa que me fascina.

Cada vez que vou até a casa, passo horas inteiras tentando decifrar antigos papéis preservados, cujos estranhos rabiscos, que não sei o que significam, mas só me fazem pensar no Chico Peixe. É uma sensação tão estranha e tão gostosa que me dá vontade de estar sempre com ele, mesmo após o período de incubação. Quero sentir minhas escamas roçando as suas, minhas guelras sugando seu beijo, me aninhando inteira junto a ele. Sinto  como se aqueles símbolos e aquele som que insiste em vibrar no fundo do rio me levasse para outra dimensão, para outro tempo em que eu precisava respirar, uma época remota em que meus pés passeavam na beira de uma praia e me levavam correndo para encontrar o Chico e suas lindas  palavras, que encantavam a todos. É como se um sentimento que não sei definir e que não é meu na sua origem, chegasse de muito, muito tempo atrás, apenas para me ligar ao Chico Peixe. Sinto que os “futuros amantes, quiçá se amarão, sem saber com o amor” deixado no éter para outra que não era eu… vindo de outro Chico que não era o Peixe.

 

(DE ONDE VEM ESTE AMOR?

ELBA LINS 15.11.2017

Ouvindo a música “Futuros Amantes”, de Chico  Buarque)

 

 

Talita Bruto*****

 

Carta Aberta

 

Antes, Pai,

 

Escrevi um inventário que pudesse re-mover o concreto desta consciência. Pois sempre busquei as origens até das causas originais. A origem guarda. Haveria quem dissesse. Das nossas adversidades e elas como muros, fantásticas e verossímeis. Num mesmo espaço, matérias diferentes ocupando uma suspensão imaginária, difícil de alcançar. Muito além das leis físicas humanas. Gosto de ir, além…pensá-las como maravilhosas, cumprem com seu papel destinado pelo que é Divino. Instantes locomovem-se fatais. Ex machina. Cabe ressaltar a isso minha natureza vunerável, estarrecedora e humana, profundamente. Eis minhas motivações. Experenciar o conhecimento para torná-lo prático.

 

“E quem será
Nos arredores do amor que vai saber reparar que o dia nasceu”

 

Portanto, escrevo ao senhor. Torno de repente à realidade e abstraio a paisagem, isto é, aquilo que alcança o buraco negro dos meus olhos desmodalizados. Sou aquilo que tem ar de intrínseco. Esse céu azul límpido. Não fede, não cheira, não desmorona, pois que no há umidade. Flutua. Esse tal ar que apreende entre si, eco. E continua vibrando nos nossos ossos. Coisa forte e mesmo, quebradiça.

Sei que peguei do senhor a característica de fugidio, encara de frente mas quase não examina, perquere quase nunca, indaga, existe quase só como telespectador. E essa foi uma das ‘virtudes’. Causadora em mim, dos meus hábitos – achados hoje – inalienáveis, não me vejo sendo objetiva o bastante para chegar à conclusão proposital desta carta.

Meus problemas começaram quando se foram – os conhecidos.

 

“Sabe lá, o que é não ter e ter que ter pra dar”

 

É muito cliché e pragmático acreditar nos outros como os responsáveis pelas minhas ausências. Contrariamente, nunca tive medo disso. No entanto, encontrei-o algumas vezes. Como bem, a caminho da beira mar numa boa viagem, as garças voavam em grupo.

Tranco automaticamente as portas, carro ligado, chave na ignição, e o conhecimento teórico habilitado. Sou passageira. Poderia deixar o senhor. Mais que meus instintos as crenças não se deixam levar. Então vamos juntos. Sinto que a noção de coletividade há muito havia nos deixado e nem de lado estávamos, aquém. As dificuldades que eram os ossos abrindo armadilhas para se expandir conjuntamente às águas que sorviam da minha pele, feriam e saravam. Meandros. Ardia com o sal que salvava a corrupção dos meus sentidos. Vá, pai, não estamos de brincadeira.

Numa linha reta vejo que o senhor traça velocidades, sempre querendo escapar dos buracos, para que os pneus não furem. Fica a dúvida. Se a embreagem deve ser o lugar de troca entre o acelerador e o freio, como usar? Paro. Vou. Saio. Vôo. Pontos finais, vírgulas, estou dirigindo um meio termo de saber,dor,ia embora. Estar aqui é voltar aos dias que tocava as miúdas mãos de uma garotinha no nascer sem angústia tristeza receio que o senhor não esteja me entendendo. Sinto muito.

 

“Só eu sei as esquinas por que passei.”

 

Sol se maturando, cíclico, dia, tarde. Voltamos para beira do rio. A nascente da foz. Em meio ao quase mar que enfim, era turvo, sujo, morto, vivo. E meu pai, tentando. Primeiro vislumbre de um homem que busca ser marechal na vida. A cinquenta e quatro quilômetros por segundo quer me acompanhar nos meus vinte. Discrepância. Mas é bonito. O capibaribe nos perseguia sem obsessão. Momento. Nós rimos das nossas palhaçadinhas, novelas, festas. Pois fomos tudo isso em tão pouco tempo. Doo meus braços para os seus. Sou um bebê nesse minuto. “Não vou te abandonar”. Me observa com doçura. Sem acidente, chegamos. Ninguém dormiu de novo ao volante. Copiosamente reescrevo nos seus lábios o que sai dos meus dedos. “Eu te amo, minha filha, até à manhã”.

Agora todos os medos dizem, em frente, não se preocupe.

Querido pai, numa noite li um livro de conselhos, falava disso.

 

“O senhor é tão jovem, tem diante de si todo começo, e eu gostaria de lhe pedir da melhor maneira que posso, meu caro, para ter paciência em relação a tudo que não está resolvido em seu coração.”

 

 

Referências:

Cartas a um jovem poeta. Rainer Maria Rilke. Tradução: Paulo Rónal e Cecília Meirelles. São Paulo: Globo, (1953 in) 2001.

Esquinas. Djavan. 1984.

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* Patricia Gonçalves Tenório (Recife/PE, 1969) escreve prosa e poesia desde 2004. Tem onze livros publicados: O major – eterno é o espírito, 2005, biografia romanceada, Menção Honrosa no Prêmios Literários Cidade do Recife (2005); As joaninhas não mentem, 2006, fábula, Melhor Romance Estrangeiro da Accademia Internazionale Il Convivio, Itália (2008); Grãos, 2007, contos, poemas e crônicas, Prêmio Dicéa Ferraz – UBE-RJ (2008); A mulher pela metade, 2009, ficção; Diálogos, contos, e D´Agostinho, poemas, 2010; Como se Ícaro falasse, ficção, Prêmio Vânia Souto Carvalho – APL-PE (2011), lançado em novembro de 2012. Em 2013, recebeu o Prêmio Marly Mota, da União Brasileira dos Escritores – RJ, pelo conjunto de sua obra, e lançou em Paris Fără nume/Sans nom, poemas, contos e crônicas em francês e romeno, pela editora romena Ars Longa; Vinte e um/Veintiuno (Mundi Book, Espanha, abril, 2016), e A menina do olho verde (livros físico e virtual, Recife e Porto Alegre, maio e junho, 2016), traduzido para o italiano por Alfredo Tagliavia, La bambina dagli occhi verdi, publicado em setembro, 2016 pela editora IPOC – Italian Paths of Culture, de Milão, e recebeu o Primo Premio Assoluto, pela Accademia Internazionale Il Convívio na Itália (2017). Defendeu em 17 de setembro de 2015 a dissertação de mestrado em Teoria da Literatura, linha de pesquisa Intersemiose, na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, “O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural”, com o anexo o ensaio romanceado O desaprendiz de estórias (Notas para uma Teoria da Ficção), sob a orientação da Profª Dra. Maria do Carmo de Siqueira Nino, publicada em outubro de 2016 pela editora Omni Scriptum GmbH & Co. KG / Novas Edições Acadêmicas, Saarbrücken, Alemanha. Doutoranda em Escrita Criativa pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS, sob a orientação de Prof. Dr. Luiz Antonio de Assis Brasil. Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e www.patriciatenorio.com.br

 

** Bernadete Bruto (Recife/PE, 1958) é Bacharel e Licenciada em Sociologia, com Especializações na Área de Recursos Humanos e Direito Administrativo. É Analista de Gestão do Metro do Recife e Poeta Performática. Membro da União Brasileira de Escritores-UBE, da Associação do Amigos do Museu da Cidade do Recife – AMUC, parceira da Cultura Nordestina Letras e Artes e participa de grupos como a Confraria das Artes e Grupo de Estudos em Escrita Criativa. Tem três livros publicados, todas coletâneas de poesias: Pura Impressão (2008), Um Coração de Canta (2011) e Querido Diário Peregrino (2014), participação em antologias, assim como diversas apresentações poéticas e performáticas. Lança na Bienal A menina e a árvore (Novoestilo). Contatos: bernadetebruto@gmail.com e www.bernadetebruto.com

 

*** Elba Lins (Monteiro/PB, 1957) é formada em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Pernambuco (1979), fez MBA em Gestão de Negócios (EAD) pela PUC-PR. Trabalhou durante 34 anos na área de Telecomunicações da CHESF (Companhia Hidroelétrica do São Francisco). Atualmente aposentada, dedica-se à escrita. Fez curso de Contação de Histórias no Zumbaiar (Recife). Faz poesias e há um ano participa do GEEC – Grupo de Estudos em Escrita Criativa, sob a coordenação de Patricia Tenório. DO OUTRO LADO DO ESPELHO – O feminino em estado de poesia (2017) é seu primeiro livro. Contatos: elbalins@gmail.com

 

**** Luisa Bérard (Maceió/AL, 1975). O romance Nas montanhas do Marrocos é o livro que marca a estreia da alagoana Luisa Bérard no mundo literário. Participa desde 2017 do Grupo de Estudos em Escrita Criativa, coordenado por Patricia Tenório. Graduada em Direito pela Universidade Federal de Alagoas, atualmente trabalha como advogada e reside em Recife, no estado brasileiro de Pernambuco. Contatos: luisaberard@gmail.com

 

***** Talita Bruto é natural de Recife/PE, nascida em 1997, e graduanda em Letras Bacharelado com ênfase em estudos literários pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).  Algumas das áreas ambientadas na literatura pelas quais nutre interesses são o hermetismo, a psicanálise, as teorias da recepção, do efeito estético, da narrativa.  Além disso, participa atualmente, como aluna, de alguns grupos de estudo, dentre eles o Grupo de Estudos em Escrita Criativa ministrado mensalmente pela doutoranda Patricia Tenório. Contatos: talitabruto@gmail.com

 

Índex* – Junho, 2017

Hoje

Ouvi estórias

Que me fizeram

Arrepiar

Que me fizeram

Acreditar

Em mera

Inspiração 

*

Mas 

Inspiração é

Carne

Inspiração é

Osso

Onde o frio

Penetra

Até o mais 

Insuportável 

*

De se criar

*

De se escrever

*

Uma estória criativa

Uma escrita criativa

A partir

De textos seus

Em busca

De textos meus

(“Ode à Escrita Criativa”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 07/06/17, 18h00)

Uma Festa da Escrita Criativa no Índex de Junho, 2017 do blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

Contos para uma Escrita Criativa | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

“Correr com rinocerontes” | Cristiano Baldi (RS – Brasil).

“O Jardim das Hespérides” | Daniel Gruber (RS – Brasil).

“O amor é um lugar estranho” | Luís Roberto Amabile (SP/RS – Brasil).

“Ocaso: contos de entreluz” | Ricardo Timm de Souza (RS – Brasil).

“Noite em clara: um romance (e uma mulher) em fragmentos” | Sidney Nicéas (PE – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa & I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco | Diversos.

Agradeço a participação e o carinho, a próxima postagem será em 30 de Julho de 2017, um grande abraço e até lá,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

 

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Index* – June, 2017

Today

I heard stories

That made me

Bristle

That made me

Believe

In mere

Inspiration

*

But

Inspiration is

Meat

Inspiration is

Bone

Where the cold

Penetrates

Until the

Unbearable

*

To create

*

To write

*

A Creative Story

A Creative Writing

Starting

From your texts

In search

Of my texts

(“Ode to the Creative Writing”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 06/07/17, 6:00 p.m.)

 

A Creative Writing Feast in the June, 2017 Index of Patricia (Gonçalves) Tenório’s blog.

Tales for a Creative Writing | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

“Running with rhinos” | Cristiano Baldi (RS – Brasil).

“The Garden of the Hesperides” | Daniel Gruber (RS – Brasil).

“Love is a strange place” | Luís Roberto Amabile (SP/RS – Brasil).

“Sundown: fairy tales” | Ricardo Timm de Souza (RS – Brasil).

“Clear night: a romance (and a woman) in fragments” | Sidney Nicéas (PE – Brasil).

Creative Writing Studies Group & I National Seminar on Creative Writing | Miscellaneous of authors.

Thanks for the participation and the affection, the next post will be on July 30, 2017, a big hug and until then,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** A Festa Criativa da turma Oficina de Criação Literária I – Narrativa, 2017.1, ministrada pelo Prof. Dr. Luiz Antonio de Assis Brasil, na PUCRS – Brasil. The Creative Feast of the Classroom of Literary Creation I – Narrative, 2017.1, taught by Prof. Dr. Luiz Antonio de Assis Brasil, at PUCRS – Brasil.

 

“O Jardim das Hespérides”* | Daniel Gruber**

amor épico

 

porque o mais terrível no amor, meu bem, é que inevitavelmente sempre chega o momento em que você deseja machucar o outro, e era como a euforia das abelhas em volta de um copo esquecido de refrigerante, naquele domingo de manhã, na cama, quando tu violentamente despertou esta coisa dentro de mim, esta coisa da humanidade simbólica que fere o corpo animal com mil desejos incompreendidos, me mostrou que o coração é um músculo que precisa ser exercitado, eu te falei que tudo isso é a maior transgressão desses tempos pós-qualquer-coisa, um instrumento de resistência contra os destinos medíocres da vida, um organismo cego, surdo e sem artérias, motor de uma engrenagem muito complexa, esse sentimento que então nos atravessaria impiedoso, trazendo a força das coisas que fazem sentido e a dor dos prazeres que teríamos que deixar para trás, porque antes de ser platônico, meu bem, nossa paixão era pré-socrática, cheia daquelas certezas vazias que compõem nossa ridícula intelectualidade pequeno-burguesa ocidental, e como a um reizinho impertinente tu me arrancou desse delírio coletivo, dizendo tudo isso naquela manhã de domingo, que somos uma geração ainda adolescente depois dos trinta, narcísica e parasitária, tão empenhada em se livrar de compromissos que, quando somos jovens, ainda existe excitação nas aventuras alcóolicas, em estar com pessoas poderosas, ter um emprego melhor, todos os conhecidos parecem legais, até que um dia tu acorda e pensa por que mesmo sou amigo desse cara? E assim o homem moderno vai nascendo para morrer sozinho;

quis te escrever in media res, talvez em hexâmetros dactílicos, mas agora prefiro me desfazer dessa afetação toda, como naquela noite em que decidimos morar juntos, erguer nossa Ítaca, quando todo mundo esperava que fossemos apenas individualistas e gloriosos, como se a vida fosse como praticar rafting/trekking/jumping ou opinar sobre filmes impopulares, e descobrimos que viver a dois é aprender a não mentir para si, tu diria agora que estamos estabelecidos, a prova de que é possível envelhecer num mundo tão instável e raivoso, como se tivéssemos nos esquecido dos deuses que desafiamos, dos oceanos que tentaram nos anular, e agora, quando penso nas tempestades, me amarro ao mastro e fecho os ouvidos contra o canto das sereias;

tu ainda se lembra de como a vontade disso se infiltrou em nós? aquele arrepio incontrolável da atração magnética e diabo a quatro dos nossos corpos, a compatibilidade de feromônios e genes e outras porcarias que o consciente coletivo determinou chamar vulgarmente de química, quando tu subiu a camiseta e me mostrou a tatuagem que tinha acabado de fazer, cujo significado ainda me escapa, que tinha até o curativo pastificado na lateral das costas, e quando vi tuas costelas descobertas, deus do céu, tu tentava disfarçar com uma voz grave e um jeito teatral de demonstrar indiferença, mas naquela noite eu vi teus olhos brilharem;

agora andamos cansados de tudo isso, da casa sempre suja porque não temos tempo de limpar, e quando limpamos só limpamos os lugares usados, todo o resto fica acumulando sujeira, e do ralo do banheiro vem um cheiro como se algo tivesse morrido e se decomposto ali, eu já não aguento mais a gata me arranhando ou miando como se estivesse morrendo quando a gente prende ela na área de serviço para transar, não aguento teus olhos me condenando pelo meu jeito, como se eu fosse um escroto que não estivesse nem aí, porque minha cara de natureza morta não reflete a dificuldade que tenho de demonstrar o que penso e espero de ti, e às vezes o brilho nos teus olhos se apaga e por trás deles resta só um profundo vazio e escuro abismo de decepção e indiferença;

isso me assusta, porque sinto que estou te perdendo para as coisas do dia, para o lapso que sobra das nossas conversas quando estamos juntos e na verdade tão longe, tu diz que não te dou atenção e eu digo que tu não respeita meu tempo, tu diz que sou grosso bruto e eu digo que tu é neurótica, até que um de nós se rende, é inegável o quanto isso é imperfeito e real, e hoje tu tá trancada lá no quarto e grita vai embora! e eu quase morro de felicidade, porque se eu ver o vestido agora, nós corremos o risco de ter algum azar, e percebo que nosso amor nunca deixou de ser homérico, nossos dias tão plenos de atitudes heroicas, cômicas, líricas e trágicas, e tu vai descosturando toda a noite esse sudário, esperando eu regressar adulto, para que o tempo vença as horas em que ficamos cativos nessas pequenas ilhas no mar do silêncio.

com amor,

 

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Primeiro conto de O Jardim das Hespérides. Daniel Gruber. Porto Alegre: Daniel Fernando Gruber, 2017, p. 13-15.

* Contatodf.gruber@gmail.com

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Junho, 2017 & I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco

Trazemos para o meio do ano de 2017, o meio do caminhar na Escrita Criativa, a importância das leituras de outros autores na nossa própria leitura e escrita de mundo. No mês de Junho, 2017 postamos neste blog trechos de autores do sul, sudeste e nordeste do Brasil que estão se influenciando, que estão se estimulando no processo do bem escrever.

Correr com rinocerontes, do professor e escritor nascido em Caxias do Sul, RS, Cristiano Baldi, nos joga no rosto, nos esmurra o estômago da nossa hipocrisia em nos sentirmos menos canalhas do que os outros, do que todos ao redor. Iremos encontrar essa verdade “jogada no rosto” em O amor é um lugar estranho, do jornalista e escritor paulista nascido em Assis, radicado em Porto Alegre desde 2011, Luís Roberto Amabile: a verdade de não sermos nem tão bons assim, não sermos nem tão ruins assim, mas sermos apenas seres humanos – o que a narrativa contemporânea tem enfatizado veementemente.

O Jardim das Hespérides, do escritor nascido em Nova Hamburgo, RS, Daniel Gruber, desconstrói esse mito do “amor épico” e o torna mais próximo da carne, mais dentro do sangue das nossas próprias veias, com o cotidiano saturado e desgastante, a vida nos mergulhando na falta de sentido para nos agarrarmos à Arte, à Literatura, feito Homero ao mastro do navio e não se afogar com as sereias.

A “Festa” (Ocaso: contos de luz), do professor, filósofo e inquietante escritor nascido em Farroupilha, RS, Ricardo Timm Souza, nos brinda com uma estranheza semelhante àquela que encontramos nos contos do escritor de Praga, Franz Kafka, e ambos, Timm e Kafka, nos remetem a nós mesmos, e nos abandonam à solidão de nosso destino.

O escritor pernambucano Sidney Nicéas recolhe os fragmentos de uma vida e tece um romance fragmentado, fragmentário, Noite em clara, em consonância com os autores sulistas e com as escritoras e poetas Bernadete Bruto, Elba Lins, Luisa Bérard, Talita Bruto, feito veremos mais adiante.

Esse desejo de unir as pontas de um país, em um momento em que o egoísmo, a desonestidade, a corrupção, negam o natural do ser humano que é o Amor, a Paz, a União, no momento em que nada mais reúne, a Arte vem e salva a Vida, e aponta para o I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco, que acontecerá de 13 a 15 de Outubro de 2017 na XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, Recife – PE, com nomes tais como Adriano Portela (PE), Alexandra Lopes da Cunha (DF/RS), André Balaio (PE), Bernadete Bruto (PE), Cida Pedrosa (PE), Daniel Gruber (RS), Elba Lins (PB/PE), Fernando de Mendonça (SP/PE/SE), Gustavo Melo Czekster (RS), Luís Roberto Amabile (SP/RS), Luisa Bérard (AL/PE), Luiz Antonio de Assis Brasil (RS), Maria do Carmo Nino (PE), María Elena Morán (Venezuela/RS), Patricia (Gonçalves) Tenório (PE), Raimundo Carreiro (PE), Robson Teles (PE), Talita Bruto (PE), Valesca de Assis (RS). Isso tudo sob a organização e maiores informações de Patricia (Gonçalves) Tenório (patriciatenorio@uol.com.br), Rogério Robalinho (rogerio@cia-eventos.com) e Sidney Nicéas (sidneyniceas@gmail.com).

E o exercício do mês de Junho, 2017 reflete esse diálogo entre escritores de todo o Brasil: a partir de “textos meus” postados no início desta edição do blog (“Intervalo” (Grãos), “O Grito” (Vinte e um) e trecho de A menina do olho verde), estimular “contos”, “poemas”, “textos seus”, trazidos ao centro por Bernadete Bruto, Elba Lins, Luisa Bérard, Talita Bruto, nessa “Festa” literária chamada Grupo de Estudos em Escrita Criativa.

 

Recife, 19 de Junho de 2017,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

 

 

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Bernadete Bruto

bernadete.bruto@gmail.com

 

 

No intervalo do intervalo

                                                                     

                                                        Intervalo Berna                                           

 

Escapo. Lá está ela! Um livro no colo, com nosso cigarro importado entre os dedos soltando fumaça, olhar perdido… Ainda não me viu, alheia está em suas conjecturas que chego a ler seus pensamentos… Não sou eu quem os contará! Deixa ela mesma digitar tim tim por tim tim tudo que lhe vai em mente, quando for a hora.

Alisa os grãos da areia a sua frente quase em câmara lenta com o cigarro na metade, cinzas quase caindo, divagando pela vida, alheia… Ausente da sua própria vida? Foi quando me viu. Um déjà vu… Já me viu antes. Agora acompanha meus movimentos. Finjo não notar, para quê assustá-la? Vou ganhando força. Vida própria, a cada movimento monitorado.

Ela procura algo na bolsa numa pressa danada, enquanto me sento na calçada no banco de cimento e coloco a caneca de lado. As pessoas se aproximam e ela também sentou alguns metros de orelha em pé.  De repente, não está mais tão perto, parece que se perde no meio dos pensamentos e algo a traz de volta. Ah, vejo que ela retorna quando seus olhos pousam no livro de Rilke que trouxe comigo. Ahá! Agora sei que ela deve estar imaginando o que faço com um livro desses, sendo um homem, neste mundinho pequeno. Discuto o tratado do amor com Paulo, só para agradá-la, pois sei que me ouve. Ainda que falasse a língua dos homens… Deixo-a imaginar quem seria, submeto-me aos seus julgamentos. Deixo-a divagar juntamente com sua saia rodada de festa, que balança ao vento. Seus pensamentos voam tanto que reverberam junto a mim. E neste momento, ela fecha o caderno de anotações, e olho para ela num pequeno instante. No intervalo que pode durar um século, quando os olhos se encontram num entendimento. Neste ínterim, sumo carregando comigo todos os maus pensamentos. Um personagem também tem o dom de cura.

Mateus se levanta, bate os grãos que grudavam seus pés, nas roupas, levanta-se e segue o caminho de volta a sua vida. Nem sequer nota a presença daquela Pérola. Vai de encontro ao seu destino, sem nem perceber que um pouco dele ficou naquela praia e será repartido com os outros. Pérola, vestida de festa, renascida na dor naquela praia, permanece sentada na areia com a cabeça cheia de ideias, uma caderneta fechada aprisionando um personagem e o livro de Rilke no colo cuja página marcada, passada e repassada ao vento, lhe aconselha:

“por isso, minha cara senhora, apenas me é possível dar-lhe este conselho: mergulhe em si própria e sonde as profundidades onde sua vida brota; na sua fonte encontrará a resposta à pergunta “Devo criar?” Aceite a resposta, tal como lhe é dada, sem tentar interpretá-la. Talvez chegue à conclusão de que a arte a chama. Nesse caso, aceite o seu destino e tome-o, com o seu peso e a sua grandeza, sem jamais exigir uma recompensa que possa vir do exterior. Porque o criador deve ser todo um universo para si próprio, tudo encontrar em si próprio e na Natureza à qual toda a sua vida é devotada.”(*)

E o personagem chamado Mateus, lá dentro da caderneta, sorri.

Recife, 19 de maio de 2017, reformulado em 4 de junho de 2017.

* Rainer Maria Rilke, Cartas a um Jovem Poeta. Modificação do gênero para melhor servir ao texto.

 

Texto elaborado a partir do conto “Intervalo” do livro Grãos de Patrícia Tenório.

 

Prelúdio para uma escrita criativa

Prelúdio Berna

Durante 21 dias, no intervalo de uma vida a outra, seu Muniz com olhos cheios de Grãos rondava Mateus que não achou graça, nem gostou daquela companhia. Foi quando a escritora, sentada na praia, deu um Grito alucinante reconhecendo-os de outros carnavais!!!!

Perdida com aquela situação peculiar, sem nome, mudou-se para a Cidade Universitária onde A menina de olho verde lhe esperava de braços abertos para lhe contar que se Ícaro voasse, poderia ver do alto que A mulher pela metade era aquela que não sabia que As joaninhas não metem e o melhor estava por vir. Começou a sentir o mundo como as palavras de D’Agostinho, pura poesia que voava nas mãos e resultava em Diálogos simples que chegavam aos ouvidos passando pelo coração das pessoas.

Daí em diante, a sua escrita ficou tão criativa, mas tão criativa, que formou um grupo e saiu disseminando conhecimento como o Major intuíra desde sempre.

E ela foi feliz para sempre sem Intervalos.

 

Recife, 29 de Maio de 2017 reformulado em 3 de Junho de 2017.

Texto elaborado a partir dos nomes do livros da Escritora Patricia Tenório e uma homenagem ao Grupo de Estudos em Escrita Criativa.

 

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Elba Lins

elbalins@gmail.com

 

 

E DE REPENTE SEUS OLHOS

Recife, 28 de maio de 2017.

 

“ Achei engraçado o jeito de andar, alto, o cabelo assanhado, barba comprida. Era magro também. Não uma magreza seca, esturricada, uma magreza fina, elegante. O casaco bege puído, deixava mostrar uma camisa amarela desbotada de malha, a calça de brim azul.”(1)

 

Este foi o primeiro pensamento que surgiu na minha cabeça, há cinco anos quando vi Augusto pela primeira vez – o jeito engraçado dele andar.

Depois, ele chegou mais perto e de repente vi seus olhos… eram olhos azulados, da cor do mar. Do mar para onde me levaria e onde, pescador, me aprisionaria na rede e no seu olhar marinho.

Cada dia seu, desenhava o meu, pois não conseguia me libertar dos seus braços âncoras.

 

“Reconheci no teu canto

Um convite pra te amar

Retiramos nossos mantos

Descobri tuas riquezas

A pérola do teu sorriso

O brilho do teu olhar

 

Exploraste meus segredos

Saciaste meus desejos

Provei o sal do teu beijo

Passeei entre as estrelas

E ancorei no teu cais”. (2)

 

Meu caminho era agora azul, minha rota era o mar. Augusto me fez sereia, e meu canto o seduziu até o dia em que mergulhou sozinho e me deixou a esperar no cais, agora pedra, agora espuma…

Só vejo chuvas, águas barrentas, não mais o azul a lavar minha alma e iluminar o meu olhar.

Augusto possivelmente se foi, se tornou sal, se quedou para sempre no fundo do mar.

Mas aqui sozinha ainda espero o sol e pelo menos a cor azul do seu olhar.

 

– TENÓRIO, Patrícia. GRÃOS – Conto “Intervalo”. Calibán, 2007

– LINS, Elba. Poema Sem Pecado 22.08.2009

 

 

Até que voltes à terra de que foste tirado; porque és pó, e em pó hás de tornar. (Gen. 3,19)

 

“O vento faria a parte dele, me traria de volta a Mateus, lhe sujaria de novo os pés, se entranharia nas roupas. Moraria na caixa de madeira.”  (ref. 1)

Finalmente, Mateus!

Eu não ficaria a te olhar de longe

Ansiando por tocar na tua pele

 

Agora

Viajaria no vento amigo

Que entra em todas as casas

Que assanha cabelos

E para o qual nada é segredo

 

E, nesta viagem infinda,

Aportaria nos teus braços

Invadiria tuas reservas

Teu corpo enfim,

Seria meu

Seria eu

Grão de areia

A invadir segredos

A passear pelos bolsos

Nas tuas calças e camisa

 

Faria carícia

Arranhando teu peito

E enfim descobriria,

Os segredos da caixa de madeira

Que tantas vezes

Me transformou em curiosa.

 

 

Referências:

– TENÓRIO, Patrícia. GRÃOS – Conto “Intervalo”. Calibán, 2007

– ANDRADE BARBOSA, Rogério. O FILHO DO VENTO. DCL, 2013

 

(Eu Sou o Pó e Retornarei

Elba Lins – 02.06.2017

Após reler “Intervalo” e ao escrever lembrei O Filho do Vento)

 

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Luisa Bérard

falecom@luisaberard.com.br

 

ALIANÇA DE BRILHANTE

 

O brilho promissor de uma nova vida

Que se desejou esplendorosa e bela,

Desponta ofuscante, valiosa e eterna

Na aliança que um dia me presenteou.

 

Em que pese a desventura do fim,

Permeada de tristeza e desilusão,

Não tenho forças para dela me desfazer

Por simbolizar o seu amor por mim!

 

Como foi dolorido ter de lhe esquecer,

Para deixar de sofrer e poder sobreviver,

Quando o meu romântico coração

Só desejava amor, paixão e compreensão.

 

E na estrada fria e distante da separação,

Aquela aliança é a forma de manter

Gravada na minha saudosa memória

Os sonhos perdidos da nossa história.

 

O DESPERTAR DA ESCRITA

 

Escrever…

Por quê?!

Senão a necessidade de expurgar a dor;

Fantasiar mundos;

Viver outras identidades;

Divagar em infindáveis possibilidades;

Numa incessante tentativa de recriar

A realidade ao meu redor.

 

No descortinar das emoções,

Onde escrever é viver!

Os personagens ganham independência,

Preenchendo os vazios da existência.

Se o despertar da escrita

Deu-se pela solidão do dia-a-dia,

Ouso ironicamente dizer:

Ao menos teve uma utilidade o meu sofrer!

 

 

Índex* – Abril, 2017

Perdi

A capacidade de dizer

Bom dia

Senti

A necessidade de dizer

Te amo

Mas as palavras 

Não estavam lá

Não estão aqui

Dentro do meu

Peito

Soltas na minha

Língua

Para saírem

Quando quiserem

Quando puderem

Fazer um mundo

Mais colorido

Trazer o sonho

Para o dia-a-dia

E amanhecer em mim 

Um gosto bom

De infância

(“O fim das lentes cor-de-rosa”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 23/04/17, 05h02)

 

A capacidade de transmutar Vida em Poesia no Índex de Abril, 2017 no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

Pequeno conto circense (e prefigural) | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

Sobre “Não há amanhã”, de Gustavo Melo Czekster (RS – Brasil).

Sobre “O livro dos cachorros”, de Luís Roberto Amabile (SP/RS – Brasil).

Un Poema de Rizolete Fernandes (RN – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Abril, 2017 | Com Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil), Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil).

Agradeço o carinho e participação, a próxima postagem será em 28 de Maio de 2017, um abraço bem grande e até lá,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – April, 2017

I’ve lost

The ability to say

Good Morning

I felt

The need to say

I love you

But the words

They were not there

They were not here

Inside my

Chest

Loose in my

Tongue

To get out

When they want

When they can

Make a world

More colorful

Bring the dream

To the day by day

And dawn on me

A good taste of

Childhood

(“The end of the pink lenses”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 04/23/17, 05h02)

 

The ability to transmute Life in Poetry in the Index of April, 2017 in Patricia (Gonçalves) Tenório’s blog.

Little circus (and prefigural) tale | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

About “There is no tomorrow”, from Gustavo Melo Czekster (RS – Brasil).

About “The Book of Puppies”, from Luís Roberto Amabile (SP/RS – Brasil).

A Poem by Rizolete Fernandes (RN – Brasil).

Study Group in Creative Writing – April, 2017 | With Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil), Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil).

Thank you for the affection and participation, the next post will be on May 28, 2017, a big hug and until then,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Transmutando Vida em Poesia no Jardim do Baobá, em Recife, PE – Brasil. Transmuting Life in Poetry in the Garden of Baobab, in Recife, PE – Brasil.

Un Poema de Rizolete Fernandes

From: Maria Rizolete Fernandes [mailto:fmariarizolete@yahoo.com.br]
Sent: quarta-feira, 19 de abril de 2017 09:22
To: Patricia Tenório <patriciatenorio@uol.com.br>
Subject: Enc: Fwd: Apreciadas poetas, por aquí aparece vuestro texto de NO RESIGNACIÓN (Saludos fraternos, Alfredo)

 

Caríssima,

 

No ano que passou, foi publicada na Espanha uma antologia de poemas acerca da violência contra a mulher, contando com dezenas de poetas de todo o mundo. Repercutiu enormemente na imprensa virtual e escrita e o trabalho de divulgação tem prosseguimento. Aqui, inclui-se o meu Coro Feminil, entre o de cinco outras poetisas. Para seu conhecimento.

Um abraço fraterno,

 

Rizolete

 

 

Em Quarta-feira, 19 de Abril de 2017 9:01, Maria Rizolete Fernandes <marrizolete@gmail.com> escreveu:

 

 

———- Forwarded message ———-
From: ALFREDO PÉREZ ALENCART <alen@usal.es>
Date: 2017-04-18 15:59 GMT-03:00
Subject: Apreciadas poetas, por aquí aparece vuestro texto de NO RESIGNACIÓN (Saludos fraternos, Alfredo)
To: ALFREDO PÉREZ ALENCART <alen@usal.es>
http://salamancartvaldia.es/ not/146831/poetas- iberoamericanas-antologia- salamanca/

 

Índex* – Março, 2017

Foi às portas do

Inferno

E provou

O gosto árduo

De amar e

Não ser amada

*

Mesmo só

No infinito

Purgatório

Experimentou

Gotas de orvalho

Que desciam

Suavemente

Lá do

Céu

*

Avistou São Pedro

E suas chaves

Douradas

E os portões

Dourados

Que se abriam

De par em par

Como se para Beatriz

Fossem

Como se para Beatriz

Abrissem

Um sem fronteiras

De bênçãos

E felicidade

*

Pedro sorriu para Beatriz

Ele que negou

Três vezes

Ele que sofreu

Três vezes

O suplício de negar

A quem muito

Amava

*

Ele estendeu a mão

Ela se encolheu

Ele deu mais um passo

Ela compreendeu

Que o verdadeiro

Amor

É aquele que tudo

Com a consciência de talvez

Nunca

Receber nada em troca

(“Dante ao contrário”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 04/03/2017, 15h05)

O Amor sem receber nada em troca no Índex de Março, 2017 no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

A volta de um”A menina do olho verde” | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

Alfredo Pérez Alencart (Salamanca – Espanha) | Poemas.

Geórgia Alves (PE – Brasil) | “Reflexo dos Górgias”.

Grupo de Estudos em Escrita Criativa | Com Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PB/PE – Brasil).

Luís Augusto Cassas (MA – Brasil) | “A Poesia sou Eu”.

Marta Braier (Argentina) | Por Rolando Revagliatti (Argentina).

E os links do mês:

– O lançamento de “Não verás amanhã” (29/03/2017), de e no blog de Gustavo Melo Czekester (RS – Brasil): www.homemdespedacado.wordpress.com

– A fotografia de Tatiana Barroso de Oliveira (“Dona Mariana”) no Singular e Plural: www.singulareplural.wixsite.com

– A tradução e apresentação de Tiago Silva da escritora Namrata Poddar na Revista da UEPB: www.revista.uepb.edu.br/index.php/sociopoetica/article/view/3427/1873

Agradeço a participação e carinho, a próxima postagem será em 30 de Abril, 2017, grande abraço e até lá,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – March, 2017

 

She went to the doors of

Hell

And proved

The hard taste

Of loving and

Not being loved

*

Even alone

In the infinite

Purgatory

She tasted

Dew drops

That descended

Gently

There from

Heaven

*

She sighted St Peter

And his golden

Keys

And the golden

Gates

That opened

Wide

As for Beatriz

Were

As for Beatriz

Opened

One without borders

Of blessings

And happiness

*

Peter smiled at Beatriz

He who denied

Three times

He who suffered

Three times

The punishment of denying

Who he much

Loved

*

He held out his hand

She cringed

He took another step

She understood

That the true

Love

It’s the one which

One gives

With the consciousness of maybe

Never

Receive nothing in return

(“Dante to the contrary”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 04/03/2017, 15:05)

 

The Love without receiving anything in return in the Index of March, 2017 in the blog of Patricia (Gonçalves) Tenório.

The Return of a “The Green Eye Girl” | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

Alfredo Pérez Alencart (Salamanca – Spain) | Poems.

Georgia Alves (PE – Brasil) | “Reflection of the Gorgias”.

Study Group in Creative Writing | With Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PB/PE – Brasil).

Luís Augusto Cassas (MA – Brasil) | “Poetry is Me”.

Marta Braier (Argentina) | By Rolando Revagliatti (Argentina).

And the links of the month:

– The launch of “You will not see tomorrow” (03/29/2017), from and on the blog of Gustavo Melo Czekester (RS – Brasil): https://homemdespedacado.wordpress.com/

– The photo of Tatiana Barroso de Oliveira (“Dona Mariana”) in the Singular and Plural: http://singulareplural.wixsite.com

– The translation and presentation by Tiago Silva of the writer Namrata Poddar in the UEPB Magazine: http://revista.uepb.edu.br/index.php/sociopoetica/article/view/3427/1873

Thanks for the participation and affection, the next post will be on April 30, 2017, big hug and until then,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** A Crítica Genética de um Poema. The Genetic Critique of a Poem.