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Estudos em Escrita Criativa On-line | Junho, 2021

Chegamos ao centro do país para visitarmos a senhora de Goiás, Cora Coralina, e conhecermos o processo de criação da jovem escritora do Mato Grosso do Sul, Moema Vilela.

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Primeira Aula do Módulo 7:

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Na primeira aula do módulo 7, descobrimos a forma imbricada da poesia e da prosa de Cora Coralina e a semelhança com a escrita de Moema Vilela; investigamos o conceito de ekphrasis (na descrição do escudo de Ulisses, na Ilíada, na análise da escultura Laocoonte por Lessing, no poema “Ode a uma urna grega”, de John Keats) aplicado na obra de Cora (“O prato azul-pombinho”) e também na de Moema (“A dupla vida de Dadá”); observamos os objetos como pontos de partida para a construção de prosa e verso, como se fosse o tear de Penélope à espera de Ulisses na Odisseia de Homero;

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Segunda Aula do Módulo 7:

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Na segunda aula do módulo, navegamos pelas reminiscências de Jacqueline de Romilly (Les Roses de la Solitude) nos textos de Cora e Moema; apreendemos o conceito das palavras e das coisas de Michel Foucault diante do quadro “Las meninas”, de Diego Velázquez, aplicando nas obras de Cora e Moema; visitamos as muitas casas de Cora; descobrimos a persistência na publicação e o reconhecimento tardio da senhora de Goiás.

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Terceira Aula do Módulo 7:

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E, com imensa alegria, convidamos para a nossa live do canal do YouTube na próxima quarta-feira, 28/07/2021, a partir das 19h, com a escritora, doutora e professora de Escrita Criativa na PUCRS e uma das coordenadoras da Especialização em EC (Unicap/PUCRS), Moema Vilela. Não percam!

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https://www.youtube.com/estudosemescritacriativa

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Exercícios de desbloqueio:

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Módulo 3 – Ferreira Gullar:

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Elba Lins

Contato: elbalins@gmail.com

Lembranças da cidade da infância

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Lembro as frias manhãs do sertão na minha cidade também, cheia de luz

Outros dias eram redemoinhos varrendo as ruas e espalhando poeira

E quando nosso olfato era inundado pelo cheiro que subia da terra era sinal de chuva.

Olhávamos para o céu cheio de nuvens de chumbo:

“Estava bonito para chover”

O cheiro das carteiras de cigarro – vazias

Continental, Hollywood, Minister,

Gaivota, Eldorado

Não importava se cigarro de rico ou de pobre

Se transformavam em dinheirinho de brinquedo

Naquele tempo o café cheirava mais

De manhã cedo inundava nossa casa.

A tapioca com doce de leite

E o pirulito

Vendidos por Teté no colégio.

O sábado era dia de costelinhas assadas e fígado partidinho no molho.

Quando o jantar estava fraco papai partia tomate, pimentão e ovos

Era dia do mexido.

No domingo

Os pães com nata esquentando no forno

As natas, eram guardadas para manteiga, biscoitinhos ou para passar no pão

No almoço todos queriam os ovinhos da galinha, a moela e a coxinha da asa

Os cheiros os sabores os sons…

Relâmpagos e trovões

O barulho da chuva nas calhas.

A cisterna enchendo.

E nós tiritando de frio embaixo das bicas.

No São João o cheiro das fogueira e dos fogos de artifício.

A casa da minha Vó tinha de tudo

Buchada, Pirão de ovos

Até tatu comi lá, um dia…

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Módulo 4 – Graciliano Ramos:

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Elba Lins

MEMÓRIAS DO CÁRCERE – Dos abraços aos écrans

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Sobrevivo,

Fechada entre quatro paredes…

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Paredes sólidas

Que se movem

E me acompanham

Pelos cômodos da casa.

E me isolam

Por trás do vidro dos écrans

Que me tornaram espelho

Do que vejo lá fora.

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Nem todas as palavras

Escritas e faladas

Me trazem de volta o ‘cimento social’

Todo o álcool

Toda água

Muito sabão

Não me aproximam do outro.

Me isolo do mundo 

Que ficou vazio,

Que se tornou grande,

Abaixo da minha janela.

*

Que ficou cheio nas telas do Windows.

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Nossas casas

Guetos vazios

Sombras de uma sociedade

Que treme.

Pálida fotografia

Do que fomos um dia.

Oceano de fotos espalhadas em mídias

Que nos enganam,

Quando nossa mão se estende

E toca

Numa tela fria.

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Módulo 6 – Jorge Amado:

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Bernadete Bruto

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

Roteiro Sentimental a Ilhéus

COMO UMA SENHORA CONHECEU E SE APAIXONOU POR JORGE AMADO        

Recife, 26 de junho de 2021 – Ilhéus, 1958.

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                                                                                   (…) Hoje eu sou Gabriela

                                                                                                           Gabriela ê meus camaradas.

                                                                                   (Modinha para Gabriela – Dorival Caymmi)

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Organizo minha viagem para conhecer Ilhéus nesse tempo de pandemia. Diferentemente de outros tempos a viagem será toda virtual. Abri o celular e comecei minha busca para encontrar um roteiro que me levasse até mais perto de Jorge Amado e de sua escrita. Descubro o Bar Vesúvio e a Casa Jorge Amado, que mais parecem ter saído da novela televisiva que assisti.  Os prédios antigos têm logo na entrada estátuas do escritor, como que marcando sua presença e ao mesmo tempo nos dando boas-vindas. O passeio pela casa é outra viagem, encontramos muito do acervo de Jorge e de sua esposa! Nessa pequena visita ao centro histórico percebo que ele me remete à cidade cenográfica da novela Gabriela, protagonizada por Sônia Braga. Hoje descubro ter sido uma réplica da cidade recriada no município de Guaratiba (RJ). É dessa forma que começo a recordar quando conheci o escritor.

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Um som de fundo chega aos ouvidos como quem retorna ao ano de 1975: iaiê, iaiê ioná, meu amor iaiê… e revejo em pensamento a novela Gabriela, uma das primeiras novelas em cores! Aqui começa outra viagem, bem mais sentimental. Estou novamente no terraço de uma casa em Olinda, onde reconheço uma moça sentada em frente para a TV recém adquirida, que mostrava imagens tão coloridas! Reconheço a moça morena da novela, assim como a mocinha de dezessete anos que assistia Gabriela. Naquele tempo já havia lido uma trilogia de romances de Jorge Amado que encontrou em casa reunidos num só livro: Cacau, Suor e No País do Carvanal.  A moça também leu emprestado do vizinho os livros Mar Morto e Capitães de Areia. Depois será o tempo de filmes e novelas, que instigarão outras leituras.

Relembrando esse tempo, três se confundem na tela, quando aumenta o som de uma canção na voz de Gal Costa: Quando vim para esse mundo eu não atinava em nada… Assim, faço esse passeio insólito entrando novela adentro nesta escrita que me descortina aos poucos o roteiro do meu itinerário. Assim inicio percorrendo o mesmo caminho de Grabriela até chegar a Ilhéus. Caminho a pé, sofrido de povo esfomeado vindo da seca.

Chegamos a Ilhéus, entramos na cidade dos anos vinte, precisamente em 1925, na terra de grandes produtores de cacau. Terra e época na qual viveu o escritor e que ambientou esta e muitas de suas histórias.  Acompanho os passos de Gabriela pela cidade até vir trabalhar no Vesúvio para Nacib. Acompanho o encantamento dos homens por ela.  O amor correspondido por Nacib. Seu casamento, a tentativa de Nacib transformá-la em uma dama, seu jeito livre, a traição, a estadia desconfortável no Bataclã, até o acordo entre os amantes sobre um casamento aberto. Gabriela que era morena e cheirava a cravo e canela. Assim como a mocinha lá de Olinda, mas que cheirava a rayto del sol.

A Gabriela de Jorge Amado, assim como eu, nasce em 1958. Assim como ela, a mocinha também encontrará em breve um NACIB, “seu Nacib moço bom”. Assim como Gabriela, a alma da mulher era livre e seria feliz vivendo fora dos conceitos idealizados de uma vida de dona de casa padrão. Sempre Gabriela! O final da mulher seria diferente da novela, embora muitos anos depois, a senhora desfrutasse de uma liberdade plena e sadia.

 Retorno ao cenário de novela… a vida de cada mulher daquele elenco, como se revisitasse os papéis femininos da nossa sociedade. Chego à casa de sinhazinha Guedes Mendonça assassinada junto com seu amante pelo marido coronel Jesuíno. Saio de coração apertado e me divirto vendo Glória, amante do coronel Coriolano, sempre debruçada na varanda do casarão que dá direto na praça, mostrando seus formosos peitões. Acompanho com receio e divertimento sua paixão pelo professor Josué, apimentada pela cantiga de Fafá de Belém: ai moreno! Com sorriso nos lábios visito aquelas senhoras de família duras com o peso da religiosidade sobre elas e sinto pena… já imagino a confusão da procissão juntado-as com as meninas de Maria Machadão. Sigo pelo mesmo caminho de opressão feminina ao chegar ao Bataclã, desmascarando a sociedade hipócrita que abusa das mulheres. Procuro uma saída e sigo em direção à casa de Malvina, a bela menina cheia de ideias novas, querendo se libertar das amarras e presa num amor sem futuro e a um homem fraco… se falo em mim e não em ti é que nesse momento é que já me despedi… meu coração ateu não chora e não lembra, parte e vai embora…

Com esse fundo musical, regresso ao meu presente, ao espaço que ocupo agora em casa, nesse instante que leio a biografia de Jorge Amado. Aquele homem soube viver! Ao rememorar sua história nesta leitura, percebo que perseguiu e alcançou o sonho de viver da escrita, teve uma vida bem vivida, longa e feliz e foi muito bem amado!  A escolha deste roteiro sentimental proporcionado pela escrita e leituras me fez até rever uma cidade que nunca visitei. Quer viagem mais agradável de fazer sem sair de casa? Posso dizer que há muito não sou a mocinha da cor de canela, mas continuo pensando com muita admiração, no Jorge, para sempre, Amado!

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Elba Lins

UM PASSEIO NO TEMPO

*

Finalizo a leitura de Gabriela Cravo e Canela, de Jorge Amado.

Os Mundos de Dentro têm me levado a viajar por caminhos já trilhados no passado e sempre garimpo boas lembranças – joias encobertas pelo tempo.

Durante a leitura, uma lembrança chegava até mim, lembrança da novela Gabriela, de todos aqueles personagens que povoaram as noites de minha adolescência distante, nos idos de 1975.

Que vontade senti, de rever os personagens que habitavam nossas noites – coronéis com revólver na cinta, jagunços que tocaiavam, matavam e escondiam-se, jovens sonhadoras, prostitutas bonitas, donas de casa sujeitas ao mando dos maridos e alguns poucos que buscavam mudanças que pareciam impossíveis de acontecer.

A cada noite uma gama de artistas desfilavam aos nossos olhos. Alguns tão jovens quanto nós, hoje da mesma forma mães, pais, avós ou bisavós.  Outros não mais estão entre nós, como Armando Bógus na pele de Seu Nacib – o árabe baiano mais amado do Brasil, de quem nem Marcelo Mastroianni tomou o lugar – no seu Bar Vesúvio.

Sônia Braga na eterna pele de Gabriela, a única que roubou de Jorge Amado qualquer outra figura que ele houvesse imaginado para retratar Gabriela, que também roubou de mim a primeira ideia que tive de Gabriela. Gabriela que viajou para os Estados Unidos e quando esteve aqui, passou no Aquarius e se mandou, direto para Bacurau.

Que vontade de rever aquelas cenas,

Que vontade de passear pelas ruas de Ilhéus,

Que vontade de visitar o Bataclan e dançar um tango.

Que vontade de comer o acarajé, o xinxim, o abará e o vatapá de Gabriela.

Fui ao Globoplay, mas não encontrei a versão mais antiga da novela.

Graças ao YouTube consegui descobrir capítulos de Gabriela. E a começar pela música de abertura – “Porto” – de Dori Caymmi (Laiê, iaiê, oni-ona, iaiê …) comecei a navegar nas águas da Bahia, comecei a andar nas terras do cacau, me senti de volta àquela terra. Novamente eu estava lá:

Entrei no cabaré e encontrei logo de cara, Fúlvio Stefanini, representando Tonico Bastos – namorador descarado – dançando tango com uma das meninas do Bataclan. Ainda ali vejo a saudosa Dina Sfat – a Zarolha do Bataclan.

Me encontro novamente com Nívea Maria e Elizabeth Savalla na pele de Jerusa e Malvina.

Tantos atores e atrizes que não mais fazem parte da nossa vida, já subiram para o andar de cima para comer acarajé junto com Jorge Amado na outra dimensão.

Quero muito revê-los todos, de Gabriela a Sinhazinha. Vou assistir o que encontrar no YouTube e depois conto para vocês o que conseguir garimpar nesta viagem ao passado.

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Ilana Kaufman

Contato: ilakau7@gmail.com

*

Chegando em Salvador, resolvi ir à Ilhéus de balsa, atravessando a Baía de Todos os Santos por ferryboat. De longe se vê o mangue e uma das cidades mais antigas do Brasil, Cairu, um município arquipélago. Assusta um pouco o mar estar turvo na rebentação. Apesar da paisagem indescritível, rezava para desembarcar logo na terra de Jorge Amado. Deixei as bagagens na Pousada dos Hibiscus e dali avistei o azul diferenciado do mar em Ilhéus. Queria conhecer o Centro Histórico. Consegui contemplar o Palácio Paranaguá, o Museu de Arte Sacra, o Teatro Municipal e, de repente, me deparo com o Bar do Vesúvio, importante ponto de encontro de “Gabriela”, onde é possível provar o quibe do Nacib. Em seguida, a casa de Cultura Jorge Amado. Local em que Jorge viveu a sua infância e adolescência. Na volta à Salvador, visitei a Fundação Casa de Jorge Amado ou Casa Azul do Pelourinho. Há um mirante no qual se pode observar os sobrados e os mistérios dos mesmos.

Índex* – Abril, 2021

Posso

Dormir por

Mil anos

E o cansaço

Não escorrerá

Pelo meu corpo

Nu

*

Mas

Vejo o teu

Corpo

Manhãzinha

O vento

Brincando

A tua camisa

De algodão

Levando

Jangada

Para

Imensidão

Do mar

*

Trazer

Peixinhos

Alimentar

Família

Filhos

Pequenininhos

*

E os

Mil anos

Desaparecem

No átimo de instante

Em que

Meus olhos

Encontram

Os teus

(“Idílio”, Patricia Gonçalves Tenório, 09/04/2021, 07h07)

O amor por cada ser humano no Índex de Abril, 2021 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa On-line – Abril, 2021 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Diversos.

Escrita Criativa em mim – Capítulo 9 – Os outros | Patricia Gonçalves Tenório.

Poema e lançamento do livro de Altair Martins (RS – Brasil).

Poema de Cilene Santos (PE – Brasil).

Manual de empreendedorismo e fé | Deborah Barros (PE – Brasil).

A caixa-preta | Geórgia Alves (PE – Brasil).

Oficina de Escrita Acadêmica | Prof. Lívia Magalhães (PE – Brasil) | enviado por Catarina Raquel (PE – Brasil).

E os links do mês:

O novo livro traduzido por Isabelle Macor (França): https://www.editions-lanskine.fr/actualites

A entrevista de Rozze Domingues (PE – Brasil) no Arte Agora: https://youtu.be/f2pxtEWiEsY

O artigo de Sidney Nicéas (PE – Brasil) no Ver Agora: https://www.veragora.com.br/tesaoliterario/artigo/sidney-niceas-o-ceu-e-um-sorriso-de-canto-de-boca

O novo livro de Tiago Germano (PB – Brasil): https://www.catarse.me/especies

A próxima postagem será em 30 de Maio de 2021, agradeço a atenção de sempre, grande abraço e até lá,

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – Avril, 2021

I can

Sleep by

A thousand years

And tiredness

It will not drain

Through my naked

Body

*

But

I see your

Body

Morning

The wind

Playing

Your shirt of

Cotton

Leading

Raft

For

Immensity

Of the sea

*

Bring

Little fishes

To feed

Family

Sons

Little ones

*

And the

Thousand years

Disappear

In the last instant

On which

My eyes

Find

Yours

(“Idyll”, Patricia Gonçalves Tenório, 04/09/2021, 07h07)

The love for each human being in the April Index, 2021 on Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

Studies in Creative Writing Online – April, 2021 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Miscellaneous.

Creative Writing in Me – Chapter 9 – The others | Patricia Gonçalves Tenório.

Altair Martins’ (RS – Brasil) poem and book launch.

Poem by Cilene Santos (PE – Brasil).

Entrepreneurship and faith handbook | Deborah Barros (PE – Brasil).

The black box | Georgia Alves (PE – Brasil).

Academic Writing Workshop | Prof. Lívia Magalhães (PE – Brasil) | sent by Catarina Raquel (PE – Brasil).

And the links of the month:

The new book translated by Isabelle Macor (France): https://www.editions-lanskine.fr/actualites

The interview with Rozze Domingues (PE Brasil) at Arte Agora: https://youtu.be/f2pxtEWiEsY

Sidney Nicéas’ (PE Brasil) article in Ver Agora: https://www.veragora.com.br/tesaoliterario/artigo/sidney-niceas-o-ceu-e-um-sorriso-de-canto-de-boca   

Tiago Germano’s (PB Brasil) new book: https://www.catarse.me/especies

The next post will be on May 30, 2021, I thank you for your attention, big hug and until then,

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** O despertar do idílio pelo mundo inteiro. The awakening of idyll for all over the world.

Índex* – Janeiro, 2021

Cantar a vida,

Chorar a morte,

Numa ilusão perdida,

Na descrença da sorte.

Esta vida não é escolhida,

É uma viagem sem passaporte,

Sem rumo e indefinida,

Até que a morte nos transporte.

Aí teremos a certeza

Do infinito e sua beleza,

De um bem que nos conforte.

(“Vida e morte” em Memórias de tio Bá. Aldemar Torres Filho. Apresentação: Patricia Tenório. Arte gráfica: Jaíne Cintra. Recife-PE: Edição do autor, 2012)

Do pó

Vieste

Ao pó

Voltaste

Mas para sempre

Habitas

Os nossos corações

*

Nos teus

Versos

Risos

Na tua

Alma

De poeta

*

Cantando

A musa

Renilda

Encantando

A todos

Com o teu

Pó de

Estrelas

(“As eternas memórias do tio Bá”, Patricia Gonçalves Tenório, 20/01/2021, 17h)

Partidas e chegadas no Índex de Janeiro, 2021 do blog de Patricia Gonçalves Tenório.

EECs 2021 | Os mundos de dentro | Osman Lins (PE – Brasil) – escritor convidado Adriano Portela (PE – Brasil).

Coleção Quarentena | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) com depoimentos de Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil) e Raldianny Pereira (PB/PE – Brasil).

Escrita Criativa em mim | Patricia Gonçalves Tenório & Flavia Cosma (Romênia/Canadá), Fernando de Mendonça (SP/PE/SE – Brasil), Maria do Carmo Nino (PE – Brasil).

Poema de Altair Martins (RS – Brasil).

A nota amarela: seguida de “Sobre a escrita – um ensaio à moda de Montaigne” | Gustavo Melo Czekster (RS – Brasil).

Ficção & Crítica | Iaranda Barbosa (PE – Brasil).

O lado que não era visível para quem estava na estrada | Luís Roberto Amabile (SP/RS – Brasil).

Manuela Bertão (Porto – Portugal) recita.

Os continentes de dentro | María Elena Morán (Venezuela/ RS – Brasil).

E os links do mês:

Antonio Aílton (MA – Brasil):

https://osintegrantesdanoite.blogspot.com/2021/01/textual_10.html

Marly Mota (PE – Brasil):

https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/opiniao/2021/01/escritores-artistas-pintores-e-suas-essencialidades.html

Agradeço a atenção e o carinho de sempre, a próxima postagem será em 28 de Fevereiro de 2021, grande abraço e até lá,

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* January, 2021

Singing life,

Crying death,

In a lost illusion,

In disbelief of luck.

This life is not chosen,

It’s a trip without a passport,

Aimless and undefined,

Until death transports us.

Then we will be sure

Of the infinite and its beauty,

A good that will comfort us.

(“Life and death” in Memories of Uncle Bá. Aldemar Torres Filho. Presentation: Patricia Tenório. Graphic art: Jaíne Cintra. Recife-PE: Author’s edition, 2012)

From dust

You came

To dust

You came back

But forever

You live in

Our hearts

*

In your

Verses

Laughs

In your

Soul

Of  poet

*

Singing

Your muse

Renilda

Enchanting

To all

With your

Dust of

Stars

(“Uncle Bá’s Eternal Memories”, Patricia Gonçalves Tenório, 1/20/2021, 5 pm)

Departures and Arrivals in the January Index, 2021 of Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

EECs 2021 | The worlds from within | Osman Lins (PE – Brasil) – guest writer Adriano Portela (PE – Brasil).

Quarantine Collection | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) with testimonials from Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil) e Raldianny Pereira (PB/PE – Brasil).

Creative Writing in Me | Patricia Gonçalves Tenório & Flavia Cosma (Romania/Canada), Fernando de Mendonça (SP/PE/SE – Brasil), Maria do Carmo Nino (PE – Brasil).

Altair Martins’ poem (RS – Brasil).

The yellow note: followed by “On writing – a Montaigne-style essay” | Gustavo Melo Czekster (RS – Brasil).

Fiction & Criticism | Iaranda Barbosa (PE – Brasil).

The side that was not visible to those on the road | Luís Roberto Amabile (SP/RS – Brasil).

Manuela Bertão (Porto – Portugal) recites.

The continents from within | María Elena Morán (Venezuela / RS – Brasil).

And the links of the month:

Antonio Aílton (MA – Brasil):

https://osintegrantesdanoite.blogspot.com/2021/01/textual_10.html

Marly Mota (PE – Brasil):

https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/opiniao/2021/01/escritores-artistas-pintores-e-suas-essencialidades.html

I thank you for your attention and affection, the next post will be on February 28, 2021, big hug and until then,

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Uma homenagem aos tão queridos tio Bá (em sua cerimônia de Cinzas, no Jardim do Baobá, Recife, PE – Brasil) e Tarcísio Pereira (grande homem, livreiro, mestre que nos deixou em 26/01/2021). A tribute to the loved ones Uncle Bá (in his Ash ceremony, in Baobab Garden, Recife, PE – Brasil) and Tarcísio Pereira (great man, bookseller, master who left us on 01/26/2021).

Escrita Criativa em mim* | Patricia Gonçalves Tenório**

Janeiro, 2021

Capítulo 6 – Os mundos de dentro: residências de artistas e o ambiente acadêmico

            No capítulo 5, investigamos o que o dia a dia em uma editora – a preparação dos originais, a revisão do texto, a editoração do livro – pode acrescentar (e muito) na própria escrita.

            Em 2012, ingressei na Pós-graduação em Letras da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na condição de aluna ouvinte. Ao sair da Calibán (2010) e, ao término do espetáculo teatral As joaninhas não mentem (2011), senti novamente o vazio que Clarice Lispector narra em sua última entrevista,[1] como se estivesse falando de dentro de um túmulo.

            E quantas maravilhas encontrei na UFPE: colegas (Antonio Aílton, Fernando de Mendonça, Ricardo Nonato, entre inúmeros), professores (Maria do Carmo Nino, Lourival Holanda, Anco Márcio Vieira, entre tantos) e livros teóricos (Maurice Blanchot, Gaston Bachelard, Erich Auerbach, entre infinitos) – todos altamente queridos e poéticos. Haviam me alertado de o perigo da Teoria engessar a Poesia, de a Crítica paralisar a Ficção. Mas não aconteceu comigo. Ao contrário, a leitura e a escrita teóricos alimentaram mais ainda a minha veia artística, provocaram mais ainda em mim a criação.

            Em 2013, fui convidada para uma residência de artista em Val-David, Québec, Canadá. Conheci a poetisa romena Flavia Cosma através do poeta francês Denis Emorine, que por sua vez me foi apresentado pela poetisa francesa Isabelle Macor-Filarska – a mesma Isabelle do capítulo 2 da presente coluna. Tudo isso de maneira virtual, com exceção de Isabelle – é o que chamo de corrente do bem da Arte. Na residência de artista de Flavia Cosma, poderíamos realizar qualquer tipo de expressão (fotografia, pintura, escrita poética ou ficcional) que desejássemos. Permaneci dez dias na pequena cidade de Val-David, convivendo com os colegas artistas, culminando, coletivamente, no IV Festival Internacional de Val-David, e, em particular, na tradução do poeta argentino Luís Raúl Calvo e o seu A outra obscuridade, além da organização do meu Sans nom/Fără nume,[2] uma coletânea de crônicas, contos e poemas lançada em outubro 2013 na França (Paris) e em maio de 2014 na Romênia (Alba Iulia) – mas essa é uma outra história.

            Acabo de chegar da residência da minha professora e orientadora de mestrado Maria do Carmo Nino. Acabo de conhecer o anexo de sua residência de artista, e me encontrar com o colega-amigo-escritor-professor Fernando de Mendonça. Sim, a Teoria não paralisa a Poesia. Sim, as residências de artistas acolhem com afeto Os mundos de dentro[3] da Escrita Criativa em mim, em você, em todos nós.


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Festival Internacional de Val-David, Québec – Canadá, na residência de artista de Flavia Cosma, maio de 2013.

Futura residência de artista de Maria do Carmo Nino, Aldeia, PE – Brasil e o encontro com Fernando de Mendonça.

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* Coluna publicada mensalmente nos blogs www.veragora.com.br/tesaoliterario e www.patriciatenorio.com.br.      

** Escritora, vinte livros publicados, sendo um em formato vídeo-podcast, mestre em Teoria da Literatura (UFPE) e doutora em Escrita Criativa (PUCRS). Contatos: grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com e https://www.youtube.com/estudosemescritacriativa

[1] A última entrevista da autora de A hora da estrela encontra-se em Panorama com Clarice Lispector (1977): https://www.youtube.com/watch?v=ohHP1l2EVnU      

[2] CALVO, Luís Raúl. La Otra Oscuridad. A outra obscuridade. Tradução: Patricia Tenório. Mossoró, RN: Sarau das Letras, 2013, & TENÓRIO, Patricia. Sans nom/Fără nume. Trad. Français: Patricia Tenório et colab. Isabelle Macor-Filarska. Trad. Rom.: Flavia Cosma. Pref.: Christian Tămas. Romania: Ars Longa, 2013.        

[3] Os mundos de dentro é um projeto dos Estudos em Escrita Criativa On-line para 2021. Nele investigamos o processo de escrita em suas residências de escritores do século XX, tais como Osman Lins, Manuel Bandeira, Vinícius de Moraes, Hilda Hilst, e também compartilhamos o processo de criação de escritores contemporâneos, entre eles Adriano Portela, Altair Martins, Fernando de Mendonça, Maria do Carmo Nino. Maiores informações: www.estudosemescritacriativa.com, Instagram e Facebook (@estudosemescritacriativa).         

Poema Trilíngue de Antonio Aílton*

* Antonio Aílton (Bacabal-MA, 1968) é poeta, ensaísta, professor. Graduado em Letras Português/Francês e mestre em Educação (Cultura e Imaginário) pela UFMA. Doutor em Teoria da Literatura pela UFPE (2017), com a tese Martelo e flor: Horizontes da forma e da experiência na poesia brasileira contemporânea (EDUFMA, 2018). Recebeu prêmios em livros de poesia e ensaio, tais como Prêmio Literário e Cultural Cidade de São Luís e o Prêmio Cidade do Recife – Prêmio Eugênio Coimbra Júnior, 2006. Livros publicados: Cerzir (Poesia, Penalux, 2019), Compulsão agridoce (Poesia, Paco Editorial, 2015); Os dias perambulados & outros tOrtos girassóis (Poesia, Fundação de Cultura do Recife, 2008); As habitações do minotauro (Poesia, Fundação Cultural de São Luís, 2001); e Humanologia do eterno empenho (Ensaio, com o qual recebeu o Prêmio Cidade de São Luís, 2003). É membro da Academia Ludovicence de Letras – ALL (Academia de Letras da cidade de São Luís – Maranhão). Contatos: ailtonpoiesis@gmail.com e www.antonioailton.wordpress.com

Índex* – Maio, 2020

Primeiro

Me concebeu

Me deu

Carne e ossos

E preencheu

De espírito

 

Curioso

Que a tudo

Pergunta

E lê

A outra face

Das histórias

O outro lado

Da palavra

Doce

Que se chama

Mãe

(“Para todas as mães do mundo”, Patricia Gonçalves Tenório, 08/05/2020, 09h00)

 

Nascimentos e cuidado de mãe no Índex de Maio, 2020 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Sobre a escrita criativa III | Organização Patricia Gonçalves Tenório (PE/Brasil) | Prefácio Luiz Antonio de Assis Brasil (RS/Brasil).

Estudos em Escrita Criativa On-line – Maio, 2020 | Patricia Gonçalves Tenório e Diversos.

Trechos de “Exílio” ou “Diário depois do fim do mundo” | Patricia Gonçalves Tenório.

Livres de Isabelle Macor (France).

E os links do mês com o nosso Oleg Almeida (DF/Brasil):

https://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=4583&titulo=Entrevista_com_o_tradutor_Oleg_Andreev_Almeida

https://sites.google.com/site/olegalmeida/ensaios/ensaio-02

O lançamento do Sobre a escrita criativa III está acontecendo agora! Agradeço o carinho e a força de sempre, a próxima postagem será em 28 de Junho, 2020, abraços cheios de Saúde e Luz,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Index* – May, 2020

First

She conceived me

Gave me

Meat and bones

And filled

In curious

 

Spirit

Which questions

Everything

And reads

The other face

From the stories

The other side

Of the sweet

Word 

That is called

Mom

(“For all the mothers in the world”, Patricia Gonçalves Tenório, 05/08/2020, 09 a.m.)

 

Births and mother care in the May, 2020 Index on Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

About creative writing III | Organization Patricia Gonçalves Tenório (PE/Brasil) | Foreword Luiz Antonio de Assis Brasil (RS/Brasil).

Online Creative Writing Studies – May, 2020 | Patricia Gonçalves Tenório and Miscellaneous.

Excerpts from “Exile” or “Diary after the end of the world” | Patricia Gonçalves Tenório.

Books from Isabelle Macor (France).

And the links of the month with our Oleg Almeida (DF/Brasil):

https://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=4583&titulo=Entrevista_com_o_tradutor_Oleg_Andreev_Almeida

https://sites.google.com/site/olegalmeida/ensaios/ensaio-02

The launch of About Creative Writing III is happening now! I thank you for your affection and strength, the next post will be on June 28, 2020, hugs full of Health and Light,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Carinho de mãe e filhos, mesmo que à distância, no período de quarentena. Affection of mother and children, even at a distance, in the quarantine period.

Livres de Isabelle Macor*

Fragment de dialogue K.Lenkowska - L'Harmattan - Trad. I. Macor - jpg

Mémoire opérationnelle_Pamiec operacyjna Ewa Lipska - Introduction et Traduction Isabelel Macor - jpg

Ouvrage chez L'Arbre à paroles 02-05-2020 à 23.26

Ouvrage chez Noir sur Blanc

Ouvrage publié chez Aubier - Flammarion jpeg

Ouvrages - Halina Poswiatowska 01-05-2020 à 16.19

Ouvrages publiés chez Grèges - 30-04-2020 à 23.21

Ouvrages publiés chez Lanskine 30-04-2020 à 23.45

 

* Contactisabelle.macor@gmail.com

Apresentação de Patricia Tenório para o Destaque literário de novembro da Cultura Nordestina*, por Elba Lins**

Patricia Tenório nasceu em Recife, e, após morar vários anos em Maceió, retorna para aqui cursar Análise de Sistemas na Universidade Católica de Pernambuco.

Foi em Recife que se lançou na literatura. Tudo começou com sua Livraria Domenico que funcionou de março de 2002 a março de 2004. No auditório da Domenico aconteciam palestras, cursos e oficinas em diversas áreas da arte – literatura, música,  cinema …

Em 2004, Patricia quis ser protagonista de sua própria história na literatura e iniciou seu trajeto na Oficina Literária de Raimundo Carreiro, em agosto de 2004. Em dezembro daquele ano, participou da Antologia dos alunos da Oficina – com a crônica “Lentes Cor-de-Rosa”.

Em 2005, Patricia lança o seu primeiro livro, O Major –  Eterno é o Espírito; foi o resultado de um convite da família para escrever a biografia do seu avô paterno – José Tenório, cujo centenário aconteceria naquele ano. Em seis meses cumpre todas as etapas de entrevistar, escrever, revisar. Em 05 de novembro – data do aniversário do avô – acontece o lançamento.

“O milagre está acontecendo. Mergulho na alma de meu avô, conversamos o tempo inteiro, um diálogo imaginário, é verdade. E, a partir desse encontro, começo a perceber o nunca concebido, sequer pensado. É o início de minha cura. Quem sabe  o encontro do grande, maior amor da minha vida?” (TENÓRIO, Patricia. O Major – Eterno  é o espírito, 2005. Pág.73)

No final deste livro Patricia dá um depoimento de como foi compulsivo o seu processo de escrever:

“Ao fechar a Domenico, bateu uma vontade enorme de escrever. Era compulsivo, um caos se instalou em meu ser e tornou-se inevitável. Ou escrevia ou a morte. Meio trágico assim, mas que descobri, no primeiro dia de aula na Livraria Nobel, agosto de 2004, ser essa mesma dor, agonia que todo escritor passa. Então as torneiras se abriram e jorrou tudo. Minha vida, angústias, questionamentos.” (TENÓRIO, Patricia. “Presente – Novembro, 2005” in  O Major – Eterno é o espírito. Pág. 258)

Em 2006, Patricia lança o seu segundo livro, As Joaninhas não Mentem, e em 2011, o livro é adaptado para o teatro. Foi nessa ocasião que conheci a escritora Patricia Tenório.

A fábula As Joaninhas não Mentem conta a história  de Ariana e a viagem em busca de si mesma e do príncipe do amor perfeito.

“A Torre… Para lá se dirigia Ariana. Colocou o elmo na cabeça, apertado era o elmo. Jeito de camponesa, permitindo dores, respirou fundo, conseguiu encaixar sobre os cabelos, cor de sol, peleterra. Olhos castanhos, mar de sonhos brilhava na direção da Torre.

Ariana não vendo a torre e segurava firme as rédeas do cavalo branco apertando com as pernas longas. Longos seriam os caminhos, tortuosos seriam os caminhos, perigosos seriam os caminhos. Mas ela prometeu. A si e à Irmã Clara. Lá estaria o que sempre sonhou. E por que temia?” (TENÓRIO, Patricia. As Joaninhas não mentem, 2006. Pág. 13)

Grãos foi lançado em 2007, e é um livro que deixa espaço para a criatividade, dá asas às próprias fantasias do leitor. E isto é de se esperar, pois já na apresentação Patricia fala:

“Numa sociedade de consumo onde os rótulos e preconceitos são estabelecidos, Grãos se propõe a ser escolhido, plantado no tecido imaginário de cada leitor. Que nele a casca aprisionadora da essência pura do texto se quebre, libertando o que foi despertado no momento mágico: quando quem escreve e quem lê se tornam um.” (TENÓRIO, Patricia. Grãos, 2007. )

Muitas faces da escrita de Patricia vieram à tona em Grãos: de forma cheia de fantasia em “Intervalo” e “O Banho”, de forma fria e realista em “Três Quartos”, ou inesperada em “Labirinto”.

Em A Mulher pela Metade lançado em 2009, tento captar todo o  teor escondido em cada voz… É emoção demais que a escritora Patricia coloca nas vozes de Augusto, Séphora e Sahra. É a crueza, a dureza e toda a beleza da vida em suas várias faces, muito bem espelhada nas várias gravuras de um caleidoscópio, várias faces, que vão se tecendo e se moldando a cada movimento da Terra, a cada girar do caleidoscópio. O livro é rico em metáforas, poemas que brotam ao longo do texto.

“Essa Séphora é o lado que posso mostrar. O lado obscuro de mim, esse, derramo na arte, nos meus quadros incongruentes, feitos de colagem, abstrações e cores fortes, coaguladas, para deitar ali a alma inteira, a alma que não conheço, que me acorda com o quarto revirado à procura de algo que não sei definir.” (TENÓRIO, Patricia. A Mulher pela Metade, 2009. Pág. 17)

Em 2010, são lançados Diálogos e  D’Agostinho. Patricia aproveita a experiência obtida no Curso de Cinema que fez na New York Film Academy em 2010 e transforma em curtas três contos do livro Diálogos. Textos, Edição e Direção: Patricia Tenório. Produção  e Figurino: Jorge Féo.

“Olhos Fechados” – Com Isis Agra e Tiago França

“O domador de  bolas de sabão” – Com Kleber Lourenço

“Prisão Perpétua” – Com Hermínia Mendes, Renata Phaelante e Juan Guimarães.

Os poemas do  livro D’Agostinho nos  remetem a uma busca interior, a uma atmosfera mística, ou a reminiscências contidas na alma. Acompanha o livro CD com os poemas recitados por Karyna Spinelli e Carlos Ferreira. Produção: Jorge Féo. Texto e Direção: Patricia Tenório.

“Dá-me a luz da espada

Para devastar a imensidão do teu saber

Alargar nos limites da ignorância

A tentativa de saber quem és

Saber quem sou

Saber por quê

Saber para quê

 

Diz-me a palavra e calo

Permanecerei séculos a auscultá-la

Poli-la

Pensá-la

E num dia cor de cinza

Uma fagulha escarlate

Em mim se revelará.”

(TENÓRIO, Patricia. “Escarlate” in D’Agostinho, 2010. Pág. 33)

Patricia lança  em 2013 o livro Sans nom / Fără nume, uma coletânea de contos, crônicas e poesias. Trata-se de uma edição bilíngue (Francês/ Romeno) com tradução de alguns dos textos já lançados anteriormente no Brasil em outros livros.

Em 17 de setembro de 2015, a escritora Patricia defende a dissertação de mestrado em Teoria da Literatura pela Universidade Federal de Pernambuco na linha de pesquisa Intersemiose, O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural, sob a orientação da Prof. Dra. Maria do Carmo de Siqueira Nino.

Em 2016, é lançado Vinte e Um / Ventiuno – um livro de contos em edição bilíngue (português/ espanhol). Neste livro chamo atenção especial para os contos  “Um olhar sobre Istambul”, “O dia da minha vida”, “Da cuore”,  “Eu, Comigo e Deus” e “ Vinte e um”.

Um novo livro chega às livrarias em 2016. É A Menina do Olho Verde – uma bela  fábula que reflete a vida e as decisões que somos levados a tomar para descobrir o nosso lugar no mundo.

“Precisava descobrir o seu destino, e se esquecera de perguntar o seu destino ao Mestre da barba branca e longa. (…) Procurou no Mapa amarelecido um ponto de encontro entre o agora e o amanhã,  entre o aqui e o acolá,  e percebeu tão assustada que o Mapa ia se fazendo à  medida que ela o fazia,  e os personagens iam se desenhando como se saíssem de sua imaginação.” (TENÓRIO, Patricia. A Menina do Olho Verde, 2016. Pág. 19).

Em 2016, Patricia criou um grupo experimental para Estudos em Escrita Criativa. O grupo se encontrou entre agosto de 2016 a dezembro de 2017. Com esse objetivo, eram utilizados os mais variados recursos: obras literárias de autores clássicos e contemporâneos – romances, contos, poemas e textos teóricos –, e também filmes, esculturas e pinturas, músicas. Com a mesma finalidade, o grupo experimental ainda se reúne esporadicamente.

Em 2017, com o apoio da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, aconteceu em outubro o I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco durante a Bienal, onde foi lançado o livro Sobre a Escrita Criativa I.

Em 2018, Patricia abre o grupo de Estudos em Escrita Criativa para a participação do grande público. Ocorrem então, em Recife e Porto Alegre, oito encontros mensais e temáticos sob a coordenação de Patricia Tenório, na Livraria Cultura. No último encontro foi lançado o Sobre a Escrita Criativa II.

Em 8 de outubro de 2018, Patricia defende sua tese de doutorado na PUC do Rio Grande do Sul. Dele resultou a novela Doze horas.

Doze  horas  é  uma  novela  ensaística  em  três  camadas.  Narrada  em  terceira  pessoa  do singular,  conta  a  história  de  Arabella Fantini,  quarenta  e  cinco  anos,  solteira  e  sem  filhos, nascida em Recife,  residente em Porto Alegre,  Brasil,  e  museóloga  do Museu de  Arte  do Rio  Grande  do  Sul  –  MARGS.  Ela  traz  à  tona  artistas  desconhecidos,  e,  uma  bela  tarde, recebe  a  carta  com  fotografias  da  obra  de  Fernandes  Vieira,  artista  português  que  o remetente  afirma  ter  conhecido  seu  pai,  desaparecido  desde  os  treze  anos  da  museóloga. Toda  a  narração  é  feita  durante  o  voo  de  doze  horas  para  Lisboa,  resgatando  o  passado, descrevendo  o  presente,  antecipando  o  futuro,  criando  diálogos  imaginários  com  ‘o  rapaz ao  lado’.”

No primeiro semestre de 2019, aconteceu na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) sob a coordenação de Patricia cinco encontros mensais dos Estudos em Escrita Criativa.

No segundo semestre de 2019, foi lançada na Unicap em parceria com a PUCRS, a Especialização Lato Sensu em Escrita Criativa com duração de catorze meses.

Agora em 21 de novembro de 2019,  teremos o lançamento conjunto de cinco livros de Patricia: O romance que resultou de sua tese de doutorado – Doze horas: O mito individual em uma autobioficção, um livro de poesia, um de contos, outro de ensaios e um ainda com a seleção de alguns textos e poemas publicados ao longo de sua carreira.

Está programado para ser lançado em 2020, no final do curso de pós-graduação,  o  livro Sobre a Escrita Criativa III.

O lançamento dos cinco livros, programado para 21 de novembro, será uma grande comemoração, pelos 50 anos de Patricia e por seus 15 anos de vida literária.

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* Apresentação realizada em 09/11/2019 no Destaque Literário (projeto de Bernadete Bruto, coordenação de Eugênia Menezes e Taciana Valença) na Cultura Nordestina (de Salete do Rêgo Barros) Recife  PE. Contato: blog.culturanordestina.com.br

** Elba Santa Cruz Lins (Monteiro/PB, 1957) é formada em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Pernambuco (1979), fez MBA em Gestão de Negócios (EAD) pela PUC-PR. Trabalhou durante 34 anos na área de Telecomunicações da CHESF (Companhia Hidroelétrica do São Francisco). Atualmente aposentada, dedica-se à escrita. Fez curso de Contação de Histórias no Zumbaiar (Recife). Faz poesias, há três anos participa dos Estudos em Escrita Criativa, sob a coordenação de Patricia Gonçalves Tenório, e cursa a Especialização Lato Sensu em Escrita Criativa  Unicap/PUCRS. Lançou em 2017 seu primeiro livro de poemas, Do outro lado do espelho: O feminino em estado de poesia. Contato: elbalins@gmail.com

Índex* – Novembro, 2017

De Arabella

Se aproxima

O fim da sua estória

O fim da narração 

Em terceira pessoa 

Que ficcionaliza

A vida do autor

*

A morte do autor

Está em cada linha

Está em cada palavra

Contada

Narrada

Derramada

Na tela do computador 

Nas letras do teclado

Que protegem o eu

Do outro

E permitem imaginar

E concedem aproximar

O fim de uma estória 

À bordo de um avião

(“Arabella em apuro”, Patricia Gonçalves Tenório, 10/11/2017, 06h50)

 

O fim de uma estória, o fim de um ciclo e início de outro no Índex de Novembro, 2017 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Poemas de Viagem | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“A menina do olho verde” na Itália | Patricia Gonçalves Tenório.

Ewa Lipska (Pologne) & Krzyztof Siwczyk (Pologne) | Traduits par Isabelle Macor (France).

“Il Viaggio della Memoria” | M. Rosario Franco (Italia).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Novembro, 2017 & 2018.

E o link do mês: Clauder Arcanjo (RN – Brasil) e Alfredo Pérez  Alencart  (Salamanca, Espanha) em www.salamancartvaldia.es/not/164590/desde-lisboa-mossoro-dedican-poemas-salmantino-anibal-nunez/

 

Agradeço a atenção e carinho de sempre, a próxima postagem será em 31 de Dezembro de 2017, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – November, 2017

From Arabella

Get closer

The end of her story

The end of the narration

In third person

That fictionalizes

The life of the author

 *

The author’s death

It’s on every line

It’s in every word

Told

Narrated

Spilled

On the computer screen

In the letters of the keyboard

Who protect the self

From the other

And they let imagine

And they allow approach

The end of a story

Aboard an airplane

(“Arabella in style”, Patricia Gonçalves Tenório, 11/10/2017, 06:50 a.m.)

 

 

The end of a story, the end of one cycle and beginning of another in the Index of November, 2017 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Travel Poems | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“The girl with the green eye” in Italy | Patricia Gonçalves Tenório.

Ewa Lipska (Poland) & Krzyztof Siwczyk (Poland) | Translated by Isabelle Macor (France).

“Il Viaggio della Memoria” | M. Rosario Franco (Italy).

Group of Studies on Creative Writing – November, 2017 & 2018.

And the link of the month: Clauder Arcanjo (RN – Brasil) Clauder Arcanjo (RN – Brasil) and Alfredo Pérez  Alencart  (Salamanca, Spain) on www.salamancartvaldia.es/not/164590/desde-lisboa-mossoro-dedican-poemas-salmantino-anibal-nunez/

 

Thank you for the attention and affection of always, the next post will be on December 31, 2017, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** O fim de um ciclo e início de outro. The end of one cycle and beginning of another. 

Ewa Lipska & Krzyztof Siwczyk | Traduits par Isabelle Macor*

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Lecteur d’empreintes digitales, Ewa Lipska:

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Pologne, Krysztof Siwczyk:

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* Contact: isabelle.macor@gmail.com