Posts com Français

Índex* – Novembro, 2017

De Arabella

Se aproxima

O fim da sua estória

O fim da narração 

Em terceira pessoa 

Que ficcionaliza

A vida do autor

*

A morte do autor

Está em cada linha

Está em cada palavra

Contada

Narrada

Derramada

Na tela do computador 

Nas letras do teclado

Que protegem o eu

Do outro

E permitem imaginar

E concedem aproximar

O fim de uma estória 

À bordo de um avião

(“Arabella em apuro”, Patricia Gonçalves Tenório, 10/11/2017, 06h50)

 

O fim de uma estória, o fim de um ciclo e início de outro no Índex de Novembro, 2017 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Poemas de Viagem | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“A menina do olho verde” na Itália | Patricia Gonçalves Tenório.

Ewa Lipska (Pologne) & Krzyztof Siwczyk (Pologne) | Traduits par Isabelle Macor (France).

“Il Viaggio della Memoria” | M. Rosario Franco (Italia).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Novembro, 2017 & 2018.

E o link do mês: Clauder Arcanjo (RN – Brasil) e Alfredo Pérez  Alencart  (Salamanca, Espanha) em www.salamancartvaldia.es/not/164590/desde-lisboa-mossoro-dedican-poemas-salmantino-anibal-nunez/

 

Agradeço a atenção e carinho de sempre, a próxima postagem será em 31 de Dezembro de 2017, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – November, 2017

From Arabella

Get closer

The end of her story

The end of the narration

In third person

That fictionalizes

The life of the author

 *

The author’s death

It’s on every line

It’s in every word

Told

Narrated

Spilled

On the computer screen

In the letters of the keyboard

Who protect the self

From the other

And they let imagine

And they allow approach

The end of a story

Aboard an airplane

(“Arabella in style”, Patricia Gonçalves Tenório, 11/10/2017, 06:50 a.m.)

 

 

The end of a story, the end of one cycle and beginning of another in the Index of November, 2017 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Travel Poems | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“The girl with the green eye” in Italy | Patricia Gonçalves Tenório.

Ewa Lipska (Poland) & Krzyztof Siwczyk (Poland) | Translated by Isabelle Macor (France).

“Il Viaggio della Memoria” | M. Rosario Franco (Italy).

Group of Studies on Creative Writing – November, 2017 & 2018.

And the link of the month: Clauder Arcanjo (RN – Brasil) Clauder Arcanjo (RN – Brasil) and Alfredo Pérez  Alencart  (Salamanca, Spain) on www.salamancartvaldia.es/not/164590/desde-lisboa-mossoro-dedican-poemas-salmantino-anibal-nunez/

 

Thank you for the attention and affection of always, the next post will be on December 31, 2017, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** O fim de um ciclo e início de outro. The end of one cycle and beginning of another. 

Ewa Lipska & Krzyztof Siwczyk | Traduits par Isabelle Macor*

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Lecteur d’empreintes digitales, Ewa Lipska:

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Pologne, Krysztof Siwczyk:

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* Contact: isabelle.macor@gmail.com

Índex* – Julho, 2017

Uma água de côco 

Um sonho nas mãos

Mas o sol

Se esconde por trás da

Chuva

E posso ouvir

A terra cantar

Da terra brotar

Flores particulares

 

Ainda ontem

Andei meu primeiro passo

Doei meu primeiro beijo 

E nem parece

Que o tempo passou

Ou passou

Nas gotas grossas de

Chuva

Que mergulham

Em meus cabelos

(“A trégua”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 10/07/17, cerca de 16h10)

Uma trégua para a Paz, para a Vida, para a Escrita Criativa no Índex de Julho do blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

Pequeno conto de sonhos | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

O FANTASMA DE LICÂNIA (PARTE XI) | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

Um conto e um poema de Alexandra Lopes Da Cunha (DF/RS – Brasil).

“Entre a neve e o deserto” | Gisela Rodriguez (RS – Brasil).

“Convalescente” | Magno Catão (RN – Brasil).

Serra da Capivara e seus mistérios | Mara Narciso (MG – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa | Diversos participantes.

Agradeço o carinho e a participação, a próxima postagem será em 27 de Agosto de 2017, grande abraço e até lá,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – July, 2017

A coconut water

A dream in the hands

But the sun

Hides behind the

Rain

And I can hear

The earth sing

From the earth to sprout

Private flowers

 

Yesterday

I walked my first step

I gave my first kiss

And it does not seem

That time passed

Or passed

In the thick drops of

Rain

Diving

Into my hair

(“The truce”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 10/07/17, about 4:10 p.m.)

 

A truce for Peace, for Life, for Creative Writing in the July Index of Patricia (Gonçalves) Tenório’s blog.

Small tale of dreams | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

THE GHOST OF LICHEN (PART XI) | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

A tale and a poem by Alexandra Lopes Da Cunha (DF / RS – Brasil).

“Between the snow and the desert” | Gisela Rodriguez (RS – Brasil).

“Convalescent” | Magno Catão (RN – Brasil).

Serra da Capivara and its mysteries | Mara Narciso (MG – Brasil).

Study Group in Creative Writing | Several participants.

Thank you for the affection and participation, the next post will be on August 27, 2017, big hug and until then,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Uma trégua para as Férias no inverno de Recife – PE. A truce for the Holidays in the winter of Recife – PE.

Grupo de Estudos em Escrita Criativa | Julho, 2017

Não lembro exatamente quando o nome me foi dedicado, mas lembro perfeitamente quem o dedicou. Meu avô paterno, O Major de meu primeiro livro,[1]  José Tenório de Albuquerque Lins, gostava de me contar estórias de uma corujinha que vivia nas matas do interior de Alagoas, e essa coruja possuía filhotes, e esses filhotes eram os mais lindos do mundo. Veio um gavião e os comeu, achando que não poderiam ser os filhotes da mãe-coruja, visto serem extremamente feios.

Foi assim, sentada no colo de meu avô, que ele me chamou  pela primeira vez de professorinha. Eu usava, desde os três anos, óculos de grau com arame atrás das orelhas, por causa de hipermetropia e astigmatismo. Sentada no colo de meu avô, ele profetizava o que, mais de quarenta anos depois, foi repetido pela segunda vez por minhas alunas do Grupo de Estudos em Escrita Criativa.

Alunas. Nome doce e ao mesmo tempo difícil de conciliar, quando lembramos da responsabilidade que carregamos em nossas costas – feito as asas de Ícaro –, por depender de nós toda uma tendência para o bem ou para o mal. O professor pode elevar o aluno ao mais alto grau de auto-estima, e de conhecimento, e de desenvolvimento próprio, como também pode destruir um potencial num piscar de olhos. Uma vez escrevi que as duas profissões que mais admiro no mundo são o médico e o professor. De maneiras diferentes – mas tão importantes quanto –, as duas profissões salvam ou condenam uma vida, curam ou matam. E o professor pode retirar de nós o melhor do ser humano. Isso tudo quando aplicando a aprendizagem que mais acredito, aquela que na língua francesa encontramos tão bem exemplificada com o verbo aprendre – de ensinar e aprender –, aquela que chamo de “aprendizagem pelo afeto”.

Nada melhor na aprendizagem pelo afeto do que um livro bom. Os nossos melhores amigos. Aqueles que não nos deixam sós, e dizem exatamente aquilo que gostaríamos de escutar naquele exato momento.

E nada melhor do que construir um livro bom. O cheiro de um livro bom. O som das páginas novas folheadas. O tato nas palavras recém-impressas. Sobre a Escrita Criativa. Essa é a experiência que estamos vivendo, eu e minhas alunas do Grupo de Estudos em Escrita Criativa. Foi proposto aos participantes do I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco[2] que escrevessem como a Escrita Criativa entrou em suas vidas, e estão surgindo textos em que se retoma toda a trajetória de seus processos de criação. Textos emocionantes, mas sem perder a qualidade teórica nem ficcional, pois navegar entre esses dois âmbitos, entre os dois pólos aparentemente contrários, mas que se comunicam, e se complementam, e se ajudam, é o que nos faz seres humanos. É o que nos faz escrever melhor.

Em agradecimento a esses participantes, e, principalmente, às minhas alunas Bernadete Bruto, Elba Lins, Luisa Bérard, Talita Bruto, dedico este post, e esse livro, e a minha história de vida, d’O Major até os dias de hoje.

Elas

Apareceram

De repente

Em minha vida

Todas

Transparecendo

Em algum momento

Uma ruptura

Um cansaço

Uma busca

 

Eu

Propus um tema

E todas

Me entregaram

As tarefas

Tão brilhantes

Tão limpinhas

 

Que foi só

Triunfo

Da Poética

Que se fez

Conto

Da História

Que floresceu

Assim

Como se nada

Aconteceu

 

(“As alunas”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 01/07/17, 17h15)

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(1) TENÓRIO, Patricia. O major – eterno é o espírito. Recife: Edição do Autor, 2005.

(2) Que acontecerá de 13 a 15/10/2017 na XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, Centro de Convenções, Recife – PE. Maiores informações: patriciatenorio@uol.com.br, rogerio@cia-eventos.com e sidneyniceas@gmail.com.

Índex* – Fevereiro, 2017

Cercada

Por animais

Eu me acordo em

Fevereiro

*

Lembro

Da menina de óculos

E meias

Até os joelhos

No primeiro

Dia de aula

*

Ela me diz

Algum segredo

Em voz baixa

Eu presto

Atenção

Para captá-lo

No ar

Para sorver

Na ponta

Dos dedos

O que fui

Outrora

Moldar em

Barro

E transmutar

Em personagem

*

Já fui

Princesa

Sacerdotiza

E jornalista

Agora sou

Uma simples

Escritora

A catar

Conchinhas de palavras

No mar aberto

De Maracaípe

(“Álbum de família”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 01/02/17, 06h02)

A Imaginação se irmana com a Prosa e a Poesia, Crítica e Ficção, Vida e Arte no Índex de Fevereiro, 2017, no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

“A louca da casa”, de Rosa Montero: Possíveis Escritas Criativas | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil) com Fernando de Mendonça (SP/PE – Brasil), Erasmo de Roterdam (Holanda), Ariano Suassuna (PB/PE – Brasil) e Cecília Almeida Salles (SP – Brasil).

Anco Márcio Tenório Vieira (PE – Brasil) | O vagão rosa.

Diego Mendes Souza (PI – Brasil) | Tinteiros rilkeanos.

Elba Lins (PB/PE – Brasil) | Impressões sobre o livro “O amante”, de Marguerite Duras.

Isabelle Macor (França) | “Lecteur d’emprentes digitales”/”Czytinik linii papilarnych”, Ewa Lipska (Polônia).

Jacques Rimbeboim (PE – Brasil) | Homenagem a Guita Charifker (PE – Brasil) com Abelardo da Hora (PE – Brasil).

Luiz Ruffato (MG/SP – Brasil) | “Redemoinho” & “Inferno Provisório”.

Marly Mota (PE – Brasil) | Homenagem a Luzilá Gonçalves (PE – Brasil) com Lourival Holanda (PE – Brasil).

Poeta de Meia-Tigela (CE – Brasil) | “acidade” digital.

Agradeço o carinho e participação, a próxima postagem será em 26 de Março, 2017, grande abraço e até lá,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – February, 2017

Surrounded

By animals

I wake up at

February

*

I remember

The girl with glasses

And socks

Up to the knees

In the first

Class day

*

She tells me

Some secret

In a low voice

I pay

Attention

To capture it

Up in the air

To drink

At the tip

Of the fingers

What I was

Once

Mold in

Clay

And transmute

In character

*

I was already

Princess

Priestess

And a journalist

Now I am

A simple

Writer

Picking up

Little shells of words

On the open sea

Of Maracaípe

(“Family Album”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 02/01/17, 06h02)

 

Imagination joins with Prose and Poetry, Criticism and Fiction, Life and Art in the Index of February, 2017, in the blog of Patricia (Gonçalves) Tenório.

“The madwoman of the house”, by Rosa Montero: Possible Creative Writing | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil) with Fernando de Mendonça (SP/PE – Brasil), Erasmus of Rotterdam (Netherlands), Ariano Suassuna (PB/PE – Brasil) and Cecília Almeida Salles (SP – Brasil).

Anco Márcio Tenório Vieira (PE – Brasil) | The pink wagon.

Diego Mendes Souza (PI – Brasil) | Rilkean ink cartridges.

Elba Lins (PB/PE – Brazil) | Impressions on the book “The Lover”, by Marguerite Duras.

Isabelle Macor (France) | “Lecteur d’emprentes digitales”/”Czytinik linii papilarnych”, Ewa Lipska (Poland).

Jacques Rimbeboim (PE – Brasil) | Homage to Guita Charifker (PE – Brasil) with Abelardo da Hora (PE – Brasil).

Luiz Ruffato (MG/SP – Brasil) | “Swirl” & “Provisional Hell”.

Marly Mota (PE – Brasil) | Homage to Luzilá Gonçalves (PE – Brasil) with Lourival Holanda (PE – Brasil).

Poet of Half-Bowl (CE – Brasil) | Digital “acidade”.

 

Thank you for the affection and participation, the next post will be on March 26, 2017, big hug and until then,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** A Imaginação Livre no Mar Aberto de Maracaípe, PE – Brasil. The Free Imagination in the Open Sea of Maracaípe, PE – Brasil.

Isabelle Macor | “Lecteur d’empreintes digitales”/”Czytnik linii papilarnych”, Ewa Lipska

Isabelle FB

 

Isabelle I

Isabelle II

Índex* – Dezembro, 2016

No silêncio da cópia oculta

Agradeço

A cada um

A cada uma

Por tanto que

Me ajudaram

Na construção

Pedrinha por pedrinha

Desse ano de

2016

Ano difícil para

Todos nós

Mas que

Na certeza de que o

Dar-se as mãos

É a única saída

Espero que

Estejamos mais uma vez

Juntos

Em 2017

E em muitos outros

Que hão de vir

(“Construção”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 13/12/16, 05h57)

Na Construção de um Mundo Novo que há de vir, esperamos no Índex de Dezembro, 2016, no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

Rinascimento | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

Carta de Oleg Almeida (Bielo-Rússia / DF – Brasil).

Poems from Alan Britt (EUA).

“De paisagens e de outras tardes” | Ana Adelaide Peixoto (PB – Brasil).

“Condutor de tempestades” | Leonam Cunha (RN – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa | Com Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil) & Anjos de Teatro (PE – Brasil).

Agradeço a participação e o carinho, a próxima postagem será em 29 de Janeiro, 2017, um grande abraço e até lá,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – December, 2016

In the silence of the hidden copy

I thank you

Each man

Each woman

For everything

You helped me

In the construction

Little stone by little stone

Of that year

2016

Difficult year for

All of us

But what

In the certainty that the

Holding hands

It’s the only way out

I hope

That we’ll be one more time

Together

In 2017

And in many others

Who are to come

(“Construction“, Patricia (Gonçalves) Tenório, 12/13/16, 05:57)

 

In Construction of a New World to come, we look forward to the Index of December, 2016, in the blog of Patricia (Gonçalves) Tenório.

Rinascimento | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

Letter from Oleg Almeida (Belarus-Russia / DF – Brasil).

Poems from Alan Britt (USA).

“Of landscapes and other afternoons” | Ana Adelaide Peixoto (PB – Brasil).

“Storm driver” | Leonam Cunha (RN – Brasil).

Study Group in Creative Writing | With Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB / PE – Brasil) & Theater Angels (PE – Brasil).

Thanks for the participation and the kindness, the next post will be on January 29, 2017, a big hug and until then,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Construindo Mundos Novos, Recife, PE – Brasil, 2016. Constructing New Worlds, Recife, PE – Brasil, 2016.

Carta de Oleg Almeida

From: Oleg Almeida [mailto:oleg_almeida@hotmail.com]
Sent: segunda-feira, 12 de dezembro de 2016 08:20
To: Academia Brasileira de Letras <academia@academia.org.br>
Subject: Boas Festas!

 

Queridas amigas,

Diletos amigos!

É do fundo de meu coração que vos desejo a todos Feliz Natal e Próspero Ano Novo. 

Que o ano de 2017, que está prestes a assomar no proscênio, venha repleto de saúde, paz espiritual e boas realizações em todos os campos de vossa vida.

Às vésperas das Festas Natalinas, gostaria de compartilhar convosco este poema de meu grande amigo Jan de Boer, poeta francês de origem holandesa, que nos desafia a refletir um pouco sobre a natureza humana que “não muda nunca”. Precisamos de mudanças, sim, mas que todas essas mudanças sejam bem positivas!

Um forte abraço do poeta e tradutor

Oleg Almeida, Brasília/DF, Brasil
(https://sites.google.com/site/olegalmeida). 

 

 

TOUT CHANGE                                                                                        TUDO MUDA

 

tout change, presque                                                           tudo muda: quase

chaque année le monde est                                                a cada ano, o mundo se torna

quelque part moins bien à comprendre                          algures menos compreensível

 

seulement un homme: une poche d’une peau douce                              apenas um homem: aquele saco de pele frágil

remplie avec des liquides                                                                        cheio de líquidos

et des pensées, parfois même des sentiments                                       e pensamentos, por vezes mesmo de sentimentos;

ça                                                                                                              aquilo

inexplicablement                                                                                      inexplicavelmente

ne change pas                                                                                          não muda nunca

 

(aucun progrès technique et moral                                                         (nenhum progresso técnico e moral

depuis tant de siècles)                                                                             há tantos séculos)

 

et ça c’est encore le plus difficile                                                            eis o que é ainda menos

à comprendre.                                                                                           compreensível.

 

Índex* – Setembro, 2016

Recife se encontra com Maceió, e faz tempo que elas não andam juntas. Desde o tempo da independência de Maceió. Desde quando Maceió se pensava diferente de Recife.

Mas elas, juntas, sentadas à beira-mar da praia de Boa Viagem, quase Pina, quase Brasília Teimosa, descobriram que amar é entender o outro, é aceitar o outro principalmente com os seus defeitos.

Elas caminham pela praia. Mãos dadas, admitindo uma à outra que existem praias belas entre Recife e Maceió. Deixando de lado as intrigas de quem é melhor, ou a cultura do caranguejo – de não permitir o outro brilhar, de puxar para baixo a pata do caranguejo-irmão quando tenta subir o balde de metal.

Então viram se aproximar Porto Alegre. A cidade com suas nuances. Com sua tradição, foi embriagando as duas irmãs de mãos dadas. As três falaram, conversaram, se contaram tudo uma para as outras.

Até verem Sônia Braga, descalça, na direção do mar, saindo do edifício Aquarius.

(“De Pernambuco para o mundo”***, Patricia (Gonçalves) Tenório, 09/09/16, 07h18)

*** A partir de “Aquarius” (2016, 145 minutos), um filme de Kleber Mendonça Filho.

Quando Pernambuco sai para o mundo no Índex de Setembro, 2016 no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

Maria-Maria | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

Una misiva de Buenos Aires | Luis Raúl Calvo (Argentina).

Um poeminha de ocasião | Camilo Mattar Raabe (RS – Brasil).

Mais civilidade, por favor! | Mara Narciso (MG – Brasil).

Fada de Licânia | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

Um passeio “in-line” pelas ruas de Recife | Patricia Galindo (PE/AL – Brasil) & Rafaelly Moura (PE/AL – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – 25/09/16 | Com Elba Lins (PB/PE – Brasil) & Bernadete Bruto (PE – Brasil).

Muito obrigada pelo carinho e participação, a próxima postagem será em 30 de Outubro de 2016, um grande abraço e até lá,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – September, 2016

Recife meets Maceió, and there is time that they do not go together. From the time of independence of Maceió. Since when Maceió thought it was different from Recife.

But they, together, sitting by the sea from the beach of Boa Viagem, almost Pina, almost Brasília Teimosa, found that love is to understand each other, it is to accept the other mainly with its faults.

They walk along the beach. Hand in hand, admitting to each other that there are beautiful beaches between Recife and Maceió. Leaving aside the intrigue of who is better, or the crab culture – not to allow the other to shine, to pull down the leg crab-brother when it tries to climb the metal bucket.

Then they saw approaching Porto Alegre. The city with its nuances. With its tradition, drunking the two holding hands sisters. The three talked, talked, counted everything to each other.

Until they see Sônia Braga, barefoot, toward the sea, leaving the Aquarius building.

(“From Pernambuco to the world” ***, Patricia (Gonçalves) Tenório, 09/09/16, 7:18 a.m.)

*** From “Aquarius” (2016, 145 minutes), a Kleber Mendonça Filho film.

When Pernambuco goes out to the world in Index of September, 2016 in Patricia (Gonçalves) Tenório´s blog.

Maria-Maria | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

One letter from Buenos Aires | Luis Raúl Calvo (Argentina).

An occasion little poem | Camilo Mattar Raabe (RS – Brasil).

More civility, please! | Mara Narciso (MG – Brasil).

Fairy from Licânia | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

A walk “in-line” through the streets of Recife | Patricia Galindo (PE/AL – Brasil) & Rafaelly Moura (PE/AL – Brasil).

Studies Group in Creative Writing – 09/25/16 | With Elba Lins (PB/PE – Brasil) & Bernadette Bruto (PE – Brasil).

Thank you for the care and participation, the next post will be on 30 October 2016, a big hug and see you there,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** O Edf. Oceania/”Aquarius”, Pina, Recife – PE, Brasil. The Oceania/”Aquarius” building, Pina, Recife – PE, Brasil.

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – 25/09/16 | Com Elba Lins* & Bernadete Bruto**

Do grego εκφραζειν, “explicar até o fim”, ekphrasis é o fenômeno da representação verbal de uma representação visual.

Muitos são os exemplos de ekphrasis no Ocidente, tendo sua origem na descrição de Homero do escudo de Aquiles, na Ilíada, passando pelos românticos com o poeta inglês John Keats, em “Ode a uma urna grega”, manifestando-se na prosa de Fiódor Dostoievski, em O idiota, quando descreve o quadro “O corpo do Cristo morto”, de Hans Holbein, até chegarmos a O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde – objeto de minha dissertação de Mestrado em Teoria da Literatura, linha de pesquisa Intersemiose, na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE.

O exercício do mês de setembro de 2016 do Grupo de Estudos em Escrita Criativa (Recife – PE) traz a ekphrasis para o centro, iluminando a Criação a partir de Cartões Postais. Para cada uma das participantes foi proposto escrever um conto a partir de imagens escolhidas de maneira aleatória: pinturas de Van Gogh, Millet, ou mesmo fotografias de Paris, ou do consultório do pai da psicanálise, Sigmund Freud, em Viena. O objetivo é investigar o que aquela imagem suscita na participante, o que em si provoca, que memórias, reminiscências, ou até vidas possíveis – seguindo a Poesia mais rica do que a História de Aristóteles, por aquela representar o que poderia ser, enquanto esta “apenas” o que foi.

Com vocês, apresento as ekphrasis de Elba Lins e Bernadete Bruto, no segundo mês do Grupo de Estudos em Escrita Criativa (Recife – PE).

Patricia (Gonçalves) Tenório

 

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(Foto: Gerald Zugmann, Sigmund-Freud Museum, Wien)

Da janela à frente, observo aquele divã onde ela deitou-se tantas vezes e onde durante anos tentou esvaziar todas as suas dores, vasculhando o inconsciente, procurando Símbolos, procurando significados, tentando descobrir porque seu Lado Sombra a fazia correr até a esquina mais distante e se travestir em prostituta.

Nestes momentos, ela deixava que os outros explorassem seu corpo e se dizia Uma Prostituta Sagrada cuja missão era ensinar a todos o significado do Sexo Sagrado. Depois de tudo, ela corria de volta até aquele divã, e numa enxurrada de palavras, catalogava uma a uma de suas Experiências Místicas.

Um dia ela simplesmente viajou e seu nome saiu estampado na capa dos jornais. Havia deixado somente uma carta, onde explicava sair deste mundo sem cumprir o último desejo, sem finalizar sua missão na Terra, iniciar no Sexo Sagrado, ninguém menos do que eu. Eu que nos últimos sete anos tentei, do lado de dentro daquela sala, pôr uma luz, compreender todos os significados escondidos por trás das cortinas do inconsciente daquela mulher.

Hoje, o divã está vazio, mas continua num pedestal. As lâmpadas foram retiradas, as cortinas foram arrancadas, e nunca mais poderei decifrar a alma da minha paciente.

E eu estou agora, do outro lado da janela.

 

(“O Divã Vazio” – Texto escrito a partir da observação do primeiro Cartão Postal.

Para o Grupo de Estudos em Escrita Criativa

Elba Lins – Recife, 06/09/2016.)

 

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(Pablo Picasso, Museu Picasso, Barcelona)

De um lado o médico. Ele muito entende das questões do corpo, mas pouco conhece da alma humana. Por mais que tente entender aquela mulher, para ele, ela não passa de mais uma enferma, de mais um ser que se encontra no limiar entre a vida e a morte. Ele toma seu pulso fraco, segura uma mão que é vista por ele com as cores da morte. Ele somente aguarda terminar este dia, se findar esta vida e retornar para casa. Ele nem pensa em dirigir à doente umas poucas palavras de conforto… pois sabe que não há mais nenhuma esperança.

Do lado esquerdo da cama, uma dedicada freira, um pouco mais consciente das coisas do espírito, tenta chamar esta mãe de volta à vida e tenta lhe entregar uma bebida quente. Olha a mão direita que repousa junto ao peito, ainda vendo nela uma coloração de vida, um sinal de esperança. A freira usa artifícios para atraí-la, entre eles mostra-lhe o filho, o único bem que tem nesta vida.

Mas entre estas duas figuras está ela, a enferma, que agora só pensa na alma que em breve deixará o corpo frágil e voará rumo ao desconhecido.

 

(“A Enferma” – Texto escrito a partir da observação do segundo Cartão Postal.

Para o Grupo de Estudos em Escrita Criativa

Elba Lins – Recife, 06/09/2016.)

 

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(Vincent van Gogh, Van Gogh Museum, Amsterdam)

Hoje só desejo estar neste pequeno quarto e amanhã despertar, com o sol batendo na  janela.

Hoje não preciso de amigos, não quero amantes, quero acordar bem cedo e lavar as mágoas, a face e a alma; colocar o chapéu de palha e sair ao sol.

Vou percorrer campos de girassóis e firmar na retina as cores do mundo para poder transpô-las para as telas de linho dispostas na varanda, à espera da luz das cores adormecidas no branco inerte das telas. Nelas vou colocar a beleza dos campos, os detalhes de todas as coisas e a dança luminosa que só eu percebo nelas.

Mesmo que me isole do mundo e me torne um louco na visão dos outros, ainda assim, surpreenderei a todos com a beleza da minha obra.

Para Vincent Van Gogh

 

(“A Luz das Cores” – Texto escrito a partir da observação do terceiro Cartão Postal.

Para o Grupo de Estudos em Escrita Criativa

Elba Lins – Recife, 06/09/2016.)

 

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(Jean-Baptiste Greuze, The Frick Collection, New York)

Camilla passa a maior parte do tempo livre, brincando com seus gatos ou costurando as peças para o enxoval. Enquanto costura pensa na vida: Quais os deveres de uma esposa? O que terei que fazer na minha casa, após o casamento?

Na verdade, ela preferia ficar enrolando os novelos de lã do que desenrolar os mistérios da vida e todos os questionamentos que não cessavam de surgir na sua cabecinha de menina.

Camilla pensou, pensou, e de repente se viu aguardando silenciosamente a chegada do noivo, um fazendeiro vizinho de cerca de quarenta anos, que não era exatamente o modelo de príncipe encantado que ela vira nos livros. Depois de muito pensar, Camilla decidiu que precisava fugir para bem longe dali e procurar trabalho como ajudante de costura. Ela começa a guardar os novelos, tesouras, agulhas e todo material de costura quando sente que alguém passa as unhas no braço esquerdo… ela se assusta e imagina que é o noivo que chega à sua casa. Neste momento abre os olhos para ver o que acontecia…era Blanche, a gatinha, que lhe dá pequenos botes tentando dela arrancar um dos novelos de lã. Camilla suspira aliviada, estava sonhando. Um noivo ainda não era assunto, senão para muitos e muitos anos depois.

 

(“O sonho de Camilla” – Texto escrito a partir da observação do quarto Cartão Postal.

Para o Grupo de Estudos em Escrita Criativa

Elba Lins – Recife, 06/09/2016.)

 

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(Foto: Pierre Michaud, Paris)

 

Ele & Ela em Paris

 

Num certo mês de maio de 1976, um casal anda de mãos dadas à margem do Rio Sena.

Ela: Nem acredito, estamos em Paris! Mal ando, flutuo nessa viagem. Olho para todos os cantos que tantas vezes li nos livros e vi nos filmes. Mas o que está me agradando mais é a companhia dele! Sim, ELE! Ao meu lado, de mãos dadas. Meu Deus! Nem acredito!

Ele: Estou em Paris! Inacreditável! Valeu todo o esforço, agora vou poder aproveitar minha vida! Vim com Ela para Paris… Nos conhecemos uma vida toda, vamos poder aproveitar bastante. Não vejo a hora de ver o Túmulo de Napoleão!

O casal sai da visita ao Túmulo de Napoleão e caminham pela cidade muitos quarteirões para conhecer melhor a cidade até alcançar a Champs-Elyssés… Na longa caminhada os pensamentos surgem no passo-a-passo.

Ela: Esta é a terceira cidade que visitamos na viagem. Estou feliz! Mesmo que esteja sendo tão interessante observar as diferenças, tentar entender e ser entendida. Nada mais importa do que estar com ele! Toda noite escolhemos nossos passeios e Paris é linda, tanto de dia, quanto de noite. A chuva às vezes atrapalha um pouco. Tudo é belo nessa cidade, embora seu povo seja meio abusado. Como se fôssemos obrigados a falar sua língua e como se estivessem fazendo um grande favor para nós turistas… Ontem naquela pâtisserie quase disse algo que rimasse como Merci Beaucoup… Ha ha ha!

Ele: Estou meio gelado hoje. Deve ser o frio. Sinto um misto de carinho paternal por ela, toda encolhida nesse vento frio… Mas estou cansado hoje. Algo na sua atitude me deixa meio irritado. Sempre chamando atenção por onde passa! Precisava ontem encrencar com o padeiro? Estamos em Paris, tanta coisa para fazer divertida, diferente. Não sinto que aprecie a viagem…

Ela: Não quero fazer nada para atrapalhar nossa viagem…

Ele: Acho que devo dizer a ela… contar toda a verdade…

Caminham em direção à Torre Eiffel… Cada vez mais apressados… Pois pinguinhos de chuva começam a cair.

Ele está entusiasmado com o lugar. Ela está com medo da altura, mas não diz nada. Aproveita a visão longe, bem longe dos parapeitos, como pode, à distancia… Ele nota seu receio, se aproxima e passa o braço em sua volta e vão descendo no elevador. Muitas emoções vão se sucedendo nessa descida…

Ela: Não adianta mais! Somos muito diferentes! Não consigo nunca agradá-lo!

Ele: Não adianta mais! Mas ela está comigo há tantos anos… Não posso decepcionar…. A  quem? A TODOS…??

Chove em Paris, ele compra um guarda-chuva para protegerem-se. Ela está gelada!

Ele tem pena… Abraça para protegê-la… Ali em Paris, onde muitos vão para namorar. Na frente da Torre Eiffel, ele a beija numa amorosa forma de despedida e ela sente, suspira… e acorda!

ELA: Ufa! Ai que sonho mais medonho, meu filho! Sonhei que estávamos em Paris. Paris, imagina? E você me dava um beijo de despedida…. Ai, meu Deus! Que horror! Abrace-me, meu bem!

Ele: Calma, meu amor! Estou aqui e não vou nunca lhe deixar! Foi só um sonho ruim….

Encosta sua mulher junto ao peito, esconde dentro da coletânea de poemas franceses, que estava lendo, o impresso do e-ticket da viagem dos sonhos à Paris…

 

Deslizar em um beijo nossos dois corações confusos ,

Tu que me ensinaste, já nem lembras mais.*

 

       À George Sand de Alfred Musset                                        

           

FIN

Recife, 23 de Setembro de 2016.

Bernadete Bruto

* Glisser dans un baiser nos deux coeurs confondus,

Toi qui me l’as appris, tu ne t’en souviens plus.

 

12-img_4980 (Jean-François Millet, The Frick Collection, New York)

 

PENSAMENTO NA LUZ DA LAMPARINA

DE LUZ E SOMBRAS

SOMOS NÓS

NA LUZ

VISLUMBRE DO ROSTO SERENO

ISENTO DE PENSAMENTOS

NA SOMBRA

O PESO DA VIDA

PREOCUPAÇÕES COSTURADAS

O DESTINO  ENQUADRADO

NO QUADRADO ESCURO

NA LUZ DA LAMPARINA

DO QUADRO SERENO

NO ROSTO DAQUELA MENINA (*)

 

“Estamos no ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1872. Sou uma mãe de família. Je m’apelle Pauline. Estou aqui sentada costurando na luz da lamparina, enquanto meu filhinho dorme. Este é o melhor horário para fazer os reparos. Meu dia é muito ocupado, cozinhar, lavar, passar, arrumar, em meio aos cuidados de meu filho pequeno. Então, aproveito a noitinha para a atividade que, de certa forma, é algo que me descansa, ainda mais agora, grávida novamente! Nesses momentos fico aqui pensando…

… Há pouco era uma moçoila sonhando com a vida! Agora estou aqui com esta realização. Meus pais escolheram o Jean-François para ser meu marido. Embora não questionasse, a princípio me deu um misto de alegria e receio… Agora, depois de passados três anos, algo sobre a luz da lamparina me deixa refletindo… SEI QUE A VIDA É ASSIM. Faço meus trabalhos como boa cristã, procuro ser uma esposa obediente e trabalho para que nosso lar esteja sempre bonito e aconchegante. Mas sou casada com um pintor. Por isso não posso exigir que a casa esteja sempre impecável. Ela tem de servir ao seu dono. Assim, muitas vezes costuro para fazer companhia a Jean-François, enquanto ele pinta, eu espero a hora para poder dormir. Algumas vezes o sono bate, cochilo sobre o tecido. Outras vezes me vem um vazio do fundo da alma… onde foi parar Pauline? Aquela menina loira que lia romances, conversava com as amigas e passeava junto com os irmãos nos arredores de seu solar sonhando com a vida futura???

Estou nessa vida agora. Costuro para não dormir. O bebê ao meu lado dorme depois de um dia de traquinagem. O senhor meu marido pinta o quadro, que não posso ver antes do término. Quando ele sair para dormir ainda vou ter que limpar a sala, levar o bebê para o berço. Minhas costas doem: o novo bebê que está nas entranhas começa a dar pinotes!

O relógio toca as dez badalas. O senhor meu marido parece que está no caminho certo do trabalho pelas pinceladas que relanceio daqui do meu canto e pelo visto vai demorar ainda… Estou aqui na luz da lamparina, com um pouco de vazio… Saudades de casa? De mim? Ou será que não foi suficiente minha ceia? Doidivanas! Não tenho tempo para pensar em baboseiras! Sou uma mulher católica. Estou cumprindo a mais honrosa missão e preciso terminar estas mantas. Logo o inverno chegará, o novo rebento nascerá e é meu dever manter tudo em ordem e aconchegado.

Novamente o carrilhão soa. Onze badaladas! Jean-François levanta feliz com o término da obra. Tão feliz, mas muito cansado! Depois dos cumprimentos de boas noites retira-se para os aposentos… Agora resta-me encerrar os serviços. Arrumo a manta, levo o bebê para o bercinho com um beijo na testa, passo o pano no vestíbulo.

Por fim, pego a lamparina para ir embora passando na frente da tela recém-pintada. Estanco. Estou estupefata! Pisco os olhos. Quem é aquela senhora costurando na luz da lamparina? Não consigo reconhecer a mim naquele espelho tão fiel da própria vida e infiel a minha própria alma! Quem sabe, por isso mesmo, prontamente, sopro a lamparina e saio no escuro em direção ao meu status quo.”

Recife, 23 de Agosto de 2016.

 

Bernadete Bruto

(*) Na luz da lamparina, Bernadete Bruto.

 

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(Johannes Vermeer, The Frick Collection, New York)

Almas Gêmeas

Uma moça anda pelo corredor do museu, toc-toc-toc. Viera para a exposição de Veemer que ficaria por algumas semanas na cidade. Toc-toc-toc, passa por vários quadros, mas um, somente um, lhe chama a atenção. Uma tela onde o cavaleiro conversa com uma dama. Esta cena lhe hipnotiza…

A moça olha fixamente para a tela, como se recordasse de algo… Havia visto aquela cena? Onde? Que livro, revista ou documentário? Quem eram aquelas pessoas? O que marcava aquele mapa na parede????

A moça olhou mais um pouco. Fixamente mais e de repente, num abrir e fechar de olhos, não reconhece a cena… ELA É A PRÓPRIA CENA! Com horror descobre que está dentro do quadro!!!! Levanta-se da cadeira, tenta sair pela tela, mas há algo como um vidro que impede a sua passagem.

Corre em direção à janela, mas ela também não abre mais do que estava na pintura e o chapéu do homem impede a sua passagem..

– Tudo é imutável, meu Deus! – disse a moça – Nada posso fazer… tudo ficará igual a tela! Uma pintura não se modifica com o tempo… Olha em volta desesperada procurando uma saída para aquele mapa e reconhece todos os lugares marcados.

Oxe, aqui só estão os lugares que visitei na minha vida… ai, meu pai! Que sonho horroroso é esse? Pisca os olhos na tentativa de acordar. Nada mudou… Com os olhos rasos d’água, ela senta-se na posição pintada, ri da própria desgraça com as mãos apoiadas na mesa e pronto! Nada mais é do que a moça da pintura… congelou naquele quadro! Apenas um observador mais atento notaria que a dama holandesa de sorriso doce tem uns olhos cheios de inquietude.

Toc-toc-toc, passos de um rapaz interessado na mesma exposição. Ao ver nos jornais, corre imediatamente para o museu. Toc-toc-toc, são seus passos caminhando pela exposição. Ele pára em frente ao fatídico quadro e reencontra-se com a cena familiar.

De longe, muito longe, há séculos atrás, o autor do quadro havia pintado aquelas pessoas com toda alma que, por esse motivo, por gerações permaneceram intactas, a energia presa ao quadro. Quando elas morreram, suas almas ficaram vagando por eras e hoje, encontram finalmente um destino.

Agora o olhar da mulher sorri no entendimento para aquele homem que também lhe sorri de volta. E assim, juntos, como por encanto, de mãos dadas, saem do museu conversando sobre as obras do grande artista holandês que pintava cenas domésticas.

Penso que é assim que as almas gêmeas possam se encontrar. Vão ter muito assunto para tornar interessante a companhia, aproveitando os dias em conjunto, transformados  numa agradável convivência, e, acho até, que vão ser felizes por muito, muito e muito tempo.

Recife, 24 de Agosto de 2016.

Bernadete Bruto

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(Foto: Castro Marim, Algarve)

 

Uma Casa em Algarve

Não permita Deus que eu morra

Sem que volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro cá;

Sem qu’inda aviste as palmeiras,

Onde canta o sabiá.

(Trecho de “Canção do Exílio”, Gonçalves Dias)

 

“Todo santo dia passo na frente desta casa e invento uma série de desculpas só para, quem sabe, ver a menina que habita aquela casa? Por entre a porta e janelas fechadas, espero o instante feliz, no qual ela surja.

Menina linda, olhos negros, redondos, brilhantes e brincalhões balançando meu coração. Ao longe o som daquela música… menina linda que eu adoro, menina pura como a florEngraçado… Logo aqui, em Portugal, foi me acontecer tal fato… Tudo bem, tudo bem. A canção também não é brasileira!

Demorei demais aqui na frente. Não posso ficar mais… Os donos da casa, aquele senhor com ar sisudo e sua esposa de olhar desconfiado e arredio, logo me notarão se eu permanecer. Amanhã eu volto! Na manhã seguinte, passo novamente, e começo a inventar alguma desculpa para ficar olhando aquela casa, à procura da menina, já falei do seu sorriso? Para mim não há igual! Se não fosse esta laranjeira talvez eu conseguisse ver a minha menina…

A porta se abre num rompante, começo a andar olhando em outra direção, mais na esquina olho de relance para ver quem é… Ai, é aquela senhora desconfiada olhando de um lado para o outro, com uma vassoura na mão… Mas não me nota. Varre a calçada… Amanhã eu volto.

Não pude chegar pela manhã, chego no início da tarde. A laranjeira dá uma sombra na calçada que me lembra de outras sombras do passado recente… ouço a canção: sombras,  nada mais a torturarem meu ser…

A porta se abre. O senhor sai. Da porta, a senhora desconfiada lhe acena e rapidamente a fecha. E da janela? Da janela, nesse instante, vejo movimento. Logo desanimo… É apenas a senhora na janela! A menina, não está lá! Estou em Portugal e esta não é a minha casa, embora pareça demais com a casa da minha infância… Se não fosse o laranjal, diria até que voltei no tempo. E a menina que busco? Menina pura como a flor? Perdeu-se em algum lugar no meu coração… Agora apenas vejo sombras e nada mais!”

Recife, 23 de Agosto de 2016

Bernadete Bruto

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