Posts com Literatura

Índex* – Outubro, 2018

Você pode

Nem me ver

Nem me enxergar

Mas o sol 

Brilha mais forte

No céu

Mais azul

Deslizam nuvens

Branquinhas

A me chamar

Você pode

Não me ouvir

Não me escutar

Mas o bem-te-vi

Cantou mais cedo

O som das folhas nas árvores

A brisa a me contar

Que hoje

É dia de sim

Dia de se acordar

Sair para a vida

De peito aberto

Pés descalços 

Abraçar o mar

(“Porque, afinal, o mar existe”, Patricia Gonçalves Tenório, 28/09/2018, 07h37)

 

O infinito mar da Escrita Criativa no Índex de Outubro, 2018 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

“Doze horas”: O mito individual em uma autobioficção | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Uma crônica e um poema de viagem | Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PE/PB – Brasil).

Convite | “Sobre a escrita criativa II” | Diversos.

Amizade de teclado | Mara Narciso (MG – Brasil).

Estudos em Escrita Criativa – Outubro, 2018 | Recife e Porto Alegre | Diversos.

Agradeço a atenção e o carinho, a próxima postagem será em 25 de Novembro, 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – October, 2018

 

You can

Do not see me

Do not even see me

But the sun

Shines stronger

In the sky

Bluer

Slip clouds

Bright white

Call me

You can

Do not listen to me

Do not even listen to me

But the nightingale

Sang early

The sound of the leaves in the trees

The breeze to tell me

That today

It’s a yes day

Day to wake up

Go out to life

Open-breasted

Bare feet

*

Embrace the sea

(“Because, after all, the sea exists”, Patricia Gonçalves Tenório, 09/28/2018, 07h37)

 

The infinite sea of Creative Writing in the Index of October, 2018 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

“Twelve Hours”: The Individual Myth in an Autobiography | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

A Chronicle and a Traveling Poem | Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PE/PB – Brasil).

Invitation | “About Creative Writing II” | Several.

Keyboard Friendship | Mara Narciso (MG – Brasil).

Studies in Creative Writing – October, 2018 | Recife and Porto Alegre | Several.

Thank you for the attention and the affection, the next post will be on November 25, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Esse infinito mar chamado Vida. Fotografia: George Barbosa (PE – Brasil). This infinite sea called Life. Photography: George Barbosa (PE – Brasil).  

 

“Doze horas”: O mito individual em uma autobioficção* | Patricia Gonçalves Tenório**

RESUMO

Doze horas é uma novela ensaística em três camadas. Narrada em terceira pessoa do singular, conta a história de Arabella Fantini, quarenta e cinco anos, solteira e sem filhos, nascida em Recife, residente em Porto Alegre, Brasil, e museóloga do Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS. Ela traz à tona artistas desconhecidos, e, uma bela tarde, recebe a carta com fotografias da obra de Fernandes Vieira, artista português que o remetente afirma ter conhecido seu pai, desaparecido desde os treze anos da museóloga. Toda a narração é feita durante o voo de doze horas para Lisboa, resgatando o passado, descrevendo o presente, antecipando o futuro, criando diálogos imaginários com “o rapaz ao lado”. Esta é a primeira camada. A segunda camada é narrada em primeira pessoa do singular, por uma estudante de doutorado em Escrita Criativa, Manoela. Subentende-se que ela estuda na PUCRS, e seria uma mimesis do processo de construção da presente tese. A terceira camada encontra-se no ensaio teórico (na impessoalidade da primeira pessoa do plural), com os Diários de Bordo em anexo (na proximidade da primeira pessoa do singular). O ensaio teórico tem como objetivos, à luz dos conceitos de autobiografia, autoficção e diário encontrados em O pacto autobiográfico – de Rousseau à internet, do ensaísta e sociólogo francês Philippe Lejeune, e de “O mito individual do neurótico”, do psicanalista francês Jacques Lacan, investigar as camadas intercambiáveis da tese, assim como apresentar o gênero híbrido da autobioficção.

Palavras-chave: Autobioficção. Literatura. Linguagem Digital. Psicanálise. Escrita Criativa.

 

ABSTRACT

Twelve hours is an essayist novel in three layers. Narrated in the third person singular, tells the story of Arabella Fantini, forty-five years old, single and childless, born in Recife, resident in Porto Alegre, Brazil, and museologist at the Art Museum of Rio Grande do Sul – MARGS. She brings up unknown artists and, one fine afternoon, receives the letter with photographs of the work of Fernandes Vieira, Portuguese artist that the sender claims to have met her father, who has disappeared since the museologist’s thirteenth birthday. All the narration is done during the twelve hours flight to Lisbon, rescuing the past, describing the present, anticipating the future, creating imaginary dialogues with “the man next door”. This is the first layer. The second layer is narrated in the first person singular, by a PhD student in Creative Writing, Manoela. It is understood that she studies in PUCRS, and would be a mimesis of the process of construction of the present thesis. The third layer is in the theoretical essay (in the impersonality of the first person plural), with the attached Logbook (in the vicinity of the first person singular). The theoretical essay has as objectives, in the light of the concepts of autobiography, autofiction and diary found in The autobiographical pact – by Rousseau to the internet, from the French essayist and sociologist Philippe Lejeune, and “The individual myth of the neurotic”, from the French psychoanalyst Jacques Lacan, to investigate the interchangeable layers of the thesis, as well as to present the hybrid genre of autobiofiction.

Keywords: Autobiofiction. Literature. Digital Language. Psychoanalysis. Creative Writing.

 

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Tese em Escrita Criativa pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) defendida às 14h de 08/10/2018, sala 305, bloco 8, com banca examinadora composta por Profa. Dra. Maria do Carmo de Siqueira Nino (UFPE), Profa. Dra. Tânia Regina Oliveira Ramos (UFSC), Profa. Dra. Débora Teresinha Mutter da Silva Mota (ULBRA), Prof. Dr. Bernardo José de Moraes Bueno (PUCRS), e Prof. Dr. Luiz Antonio de Assis Brasil (Presidente/PUCRS).

** Patricia Gonçalves Tenório (Recife/PE, 1969) escreve prosa e poesia desde 2004. Tem onze livros publicados, com premiações no Brasil e no exterior, entre elas Melhor Romance Estrangeiro por As joaninhas não mentem (em outubro, 2008) e Primo Premio Assoluto por A menina do olho verde (em outubro, 2017), ambos pela Accademia Internazionale Il Convivio, Itália); Prêmio Vânia Souto Carvalho (2012) da Academia Pernambucana de Letras (PE) por Como se Ícaro falasse, e Prêmio Marly Mota (2013) da União Brasileira dos Escritores – RJ pelo conjunto da obra. Mestre em Teoria da Literatura (UFPE) e, a partir de 08/10/2018, doutora em Escrita Criativa (PUCRS). Contatos: patriciatenorio@uol.com.brwww.patriciatenorio.com.br

 

Uma crônica e um poema de viagem | Bernadete Bruto* & Elba Lins**

DOZE HORAS EM TRÊS DIAS

 

                                                                                                           Bernadete Bruto

 

Primeiro dia

 

Em Recife, dia de eleição, o bairro estava lotado de carros, um senhor engarrafamento…xiii acho que calculei o tempo errado.… Enquanto ligava para minha amiga informando do atraso, pensava que talvez perdesse o voo…como chegar a tempo? No trajeto, combinava a possibilidade da amiga pegar o voo sozinha e me maldizia! Nunca foi tão atemporal esse percurso! A angústia desse entremeio me fazia repetir comigo: deveria ter saído às 12 horas! Mas finalmente às 13:42 entrei no aeroporto, justamente na hora do embarque. Na verdade, DOIS MINUTOS APÓS O PRAZO PARA EMBARCAR…  Ainda bem que Ela havia imprimido os tíquetes. Ainda bem que ela chegou antes… e me prometo que nunca, nunca mais vou me atrasar!

E depois, só na tranquilidade de um bom papo e um bom vinho, encerramos o dia em outro estado às doze horas!

 

Segundo dia

 

Naquele estado, dentro de um estado de espirito favorável, há sempre de novidade, mundo novo, outros olhares. Foi assim o passeio delas pela cidade até as doze horas. Depois a defesa de uma tese. Era por uma história que estavam ali… Aquela história iniciada lá trás. Na sala, as duas viajando em fragmentos de uma história dentro de outra. Estavam apenas orientadas pelo prospecto de instruções de voo e teorias. O veredito, um orgulho. Logo após, uma palestra, na mesma sala gelada, esquentando  suas almas. Falava sobre arte, dos livros de artistas e caligramas!

E depois, só na tranquilidade de um bom papo e um bom vinho, encerraram o dia em outro estado, naquela noite que se celebrava uma história em doze horas!

 

Terceiro dia

 

Um passeio pela cidade, uma visão do alto, como se estivessem no Olimpo, quatro pernambucanas. Depois só na tranquilidade, um bom papo, um bom vinho, o dia em outro estado encerrando as doze horas!

Durante a conexão, em Campinas, uma pensava que ia para São Paulo, em pensamento, já ensaiava até a canção: “alguma coisa acontece no meu coracão….”. A outra sabia que iam para Minas!  Risos sobre essas pequenas besteiras que dão graça à vida.

Em Minas, um ótimo pretexto para comprar o doce de leite que uma delas levará aos colegas uma lembrança nada significativa do local de onde vieram. Com toda certeza perguntarão: Você foi mesmo para onde?

Ainda em Minas, a felicidade de ir na prioridade, uma faz algo que leva a outra retrucar: se fui pobre não lembro.

No terceiro voo do terceiro dia, as duas riam de qualquer situação. Até de um livro que a moça ao lado riscava de vermelho com tanta agonia, como grafada estava a autoria. Tantos erros de português e o quanto mais a moça pintava, mais parecia um livro de artista! Enquanto o avião seguia em direção ao Recife, as duas riam sem motivo, por qualquer coisa, como duas meninas que aproveitam a vida.

Antes, ao embarcar e pelo caminho,  agradeciam a oportunidade oferecida pela vida, de realizarem um passeio no meio do cotidiano, em apenas três dias… Dentro de uma sala, presenciaram uma linda história, sobre uma bela pessoa que se passava em doze horas e falava de um caminho de uma vida inteira.

 

Fecho meu caderninho de notas desta viagem ao Rio Grande do Sul refletindo o quanto podemos aproveitar da vida em três dias, o quanto podemos vivenciar num voo e o quanto pode acontecer apenas em doze horas! Não vejo a hora de ler o livro!

 

Recife, 10 de outubro de 2018.

 

 

Já votei

Já fui a Porto Alegre

Já voltei

Já cheguei

Já recebi irmãs

Já viajei para João Pessoa

Já caí

Já levantei

Já me aperriei

Já me animei

Já me preocupei

Já me politizei

Já tento a esperança

Já li

Já ouvi

Já chorei

Já pensei

Já estou aqui

Já espero o sol

Já espero a luz

 

————–

 

ELBA LINS, ESSA VIAGEM CHAMADA VIDA, 18/10/2018, 07:15

 

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* Bernadete Bruto (Recife/PE, 1958) é bacharel e licenciada em Sociologia, com especializações na área de Recursos Humanos e Direito Administrativo. É analista de gestão do metrô de Recife e poeta performática. Membro da União Brasileira de Escritores – UBE, da Associação dos Amigos do Museu da Cidade do Recife – AMUC, parceira da Cultura Nordestina Letras e Artes e participa da Confraria das Artes e dos Estudos em Escrita Criativa. Tem quatro livros publicados, todos coletâneas de poesias: Pura impressão (2008), Um coração que canta (2011), Querido diário peregrino (2014) e A menina e a árvore (2017). Participa de antologias, assim como de diversas apresentações poéticas e performáticas. Contatos: bernadetebruto@gmail.com e www.bernadetebruto.com

 

** Elba Santa Cruz Lins (Monteiro/PB, 1957) é formada em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Pernambuco (1979), fez MBA em Gestão de Negócios (EAD) pela PUC-PR. Trabalhou durante 34 anos na área de Telecomunicações da CHESF (Companhia Hidroelétrica do São Francisco). Atualmente aposentada, dedica-se à escrita. Fez curso de Contação de Histórias no Zumbaiar (Recife). Faz poesias e há dois anos participa dos Estudos em Escrita Criativa, sob a coordenação de Patricia Gonçalves Tenório. Lançou em 2017 seu primeiro livro de poemas, Do outro lado do espelho: O feminino em estado de poesia. Contato: elbalins@gmail.com

 

 

Convite | “Sobre a escrita criativa II”

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A coletânea de artigos Sobre a escrita criativa II traz textos sobre processos criativos em várias áreas de artes, especialmente na literatura. Com Adriano Portela, Alexandra Lopes da Cunha, Amilcar Bettega, Andrezza Postay, Annie Piaget Müller, Antonio Aílton, Bernadete Bruto, Bernardo José de Moraes Bueno, Camilo Mattar Raabe, Daniel Gruber, Elba Lins, Fernando de Mendonça, Fred Linardi, Gisela Rodriguez, Guilherme Azambuja Castro, Gustavo Melo Czekster, Lourival Holanda, Luiz Antonio de Assis Brasil, Luís Roberto Amabile, Maria do Carmo Nino, María Elena Morán Atencio, Paulo Ricardo Kralik Angelini, Patricia Gonçalves Tenório, Ricardo Timm de Souza, Tiago Germano, Sobre a escrita criativa II dá continuidade ao projeto de divulgação do que tem sido feito em termos de escrita criativa no país iniciado no primeiro volume.

Design: Jaíne Cintra

Revisão: Ana Lúcia Gusmão e Sandra Freitas

Impressão: Ricardo Barbosa – Provisual

367 páginas      R$ 40,00     Raio de Sol – Recife/PE

Contato: grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com

Amizade de teclado | Mara Narciso*

11 de outubro de 2018

 

Cultivando amizades virtuais desde 2001, desperto e tenho afetos despertados através de letras. Nessa esteira, conheci Pedro João Bondaczuk, escritor e jornalista em fevereiro de 2007, quando, no curso de Jornalismo conheci o site Comunique-se. Logo me aproximei da sessão de Literatura. Pedro era um dos editores desde anos antes. Insatisfeito com as atualizações, que ele queria diárias, criou o Blog Literário, no qual atualizou como queria, somando 12 anos. Naquele espaço fui publicada semanalmente, desde sua criação.

Eu li Pedro Bondaczuk todos os dias, especialmente o Editorial. Assustei-me com a sua morte, pois desconhecia estar doente. Aos 75 anos, a partida se deu no dia nove de outubro, e no dia oito tinha postado no Blog Literário e no Facebook. Pasmada, mão no queixo, agradeço o quanto ganhei com esse convívio virtual. Escrevendo com qualidade, de forma compulsiva e na primeira pessoa, trazia informações de preciosa credibilidade. O seu cérebro destacado, somado ao afã por conhecimento, vivia pesquisando. Em cada um dos seus textos éramos convidados a refletir. Um absurdo perder tudo isso num fechar de olhos.

Quem escreve como ele escrevia já se imortalizou. Estas sede e fome de escrever miravam a justa imortalidade, tema preferencial, assim como a imensidão do universo e a morte. Ele não acreditava em nada depois dela. Discreto, íntegro, colocando a correta informação em primeiro lugar, evitava se abater com a pouca resposta dos leitores nos blogs (tinha também o Escrevinhador) e redes sociais. Estóico, imbatível, insistente, continuava seu caminho pelo prazer de semear ideias.

No Facebook, em meio às desconstruções, escrevia sobre temas edificantes. Utilizou a estratégia de dividir abordagens complexas em fragmentos e fotos, numa postagem atraente, aumentando os acessos. Os comentários cresciam quando reclamava de algo. Publicava em todas as mídias, jornais virtuais, impressos, blogs e Twitter, o local onde ele se manifestava politicamente.

Não comentava obras que não gostava, assim como não contava enredos. Apresentava autores do mundo todo e de várias épocas, especialmente os premiados. Falou muito dos não agraciados com o Prêmio Nobel de Literatura. Ensinava de forma profunda e simples, para se aproximar do leitor, um destinatário misterioso que sofria transformações. Seus escritores preferidos eram Jorge Luiz Borges, seu guru dos espelhos e dos labirintos e o poeta Mário Sampaio, seu amigo, entre centenas de outros novos e velhos.

Reverberava muito do seu pensamento e pouco da sua vida pessoal, a não ser sobre sua caótica biblioteca de mais de três mil livros e sobre sua rotina matinal de banho, café puro, jornal e meditação. Escreveu centenas de poemas à “Sua Doce Amada”, recebedora de amor e elogios pela sua ação humanitária, cujo nome só soube agora: Maria Ignês.

Campeão das citações e considerado arrogante pelo excesso de erudição, foi por mim citado em meu TCC de Jornalismo: Entrevista: paralelo entre a prática jornalística e a prática médica. Eu li tanto Pedro Bondaczuk, que ele se tornou um pouco meu, assim, sei mais sobre o que ele pensa do que sobre o que eu penso. Admito não conhecer ninguém tão bem quanto conheço Pedro, que dizia que as pessoas não querem pensar.

Andava de muletas devido à sequelas de Poliomielite contraída aos seis anos. Para salvá-lo, a família partiu de Horizontina no RS para São Paulo. Queria ser médico, foi jornalista de ponta, editor de Política Internacional. Queria ser jogador de futebol pela Ponte Preta, sua paixão, e foi técnico de futebol. Deu milhares de palestras. Doou ao CCV os direitos autorais do seu livro “Por uma Nova Utopia”.  Publicou “Lance Fatal” e “Cronos & Narciso”. Queria publicar “Copas ganhas e perdidas” e “Dimensões infinitas”. Não deu tempo. O que sei dele, conheci através do seu teclado criativo, e nunca ouvi a sua voz de profissional do rádio.

Quem vai me ofertar gratuitamente informação segura, útil e fresquinha? Está sofrido, com se eu tivesse perdido um tio. Partiu, deixando seus pensamentos filosóficos imortalizados, não só na Academia Campinense de Letras, sua outra casa, como também em mim, que pranteio sua perda. Eu não o enxergava, mas ele estava lá. Agora, se esgotou a mais doce e generosa fonte.

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Mara Narciso é médica e escritora de Montes Claros (MG) e toda semana, desde 2012, também me presenteia com suas crônicas belíssimas. Contato: yanmar@terra.com.br

Estudos em Escrita Criativa – Outubro, 2018 | Recife e Porto Alegre

Os Estudos em Escrita Criativa 2018 estão chegando à fase final. Em novembro teremos o nosso último encontro sobre O fogo, e receberemos escritores maravilhosos: em Porto Alegre, na noite de 07/11/2018, a mestranda em Escrita Criativa Andrezza Postay (PUCRS), e o doutorando em Teoria da Literatura Camilo Mattar Raabe (PUCRS); em Recife, no dia 10/11/2018, o tão caríssimo professor da UFPE Lourival Holanda. Além do lançamento do nosso Sobre a escrita criativa II, coletânea de artigos dos escritores participantes dos encontros e outros que estão fazendo, com todo esforço e amor à causa, uma Escrita Criativa no país.

Em outubro, 2018, navegamos, juntamente com os escritores convidados, a queridíssima Prof. Maria do Carmo Nino (UFPE), em Recife, e, em Porto Alegre, com os doutorandos em Escrita Criativa María Elena Morán (PUCRS) e Daniel Gruber (PUCRS), em busca da noss’A imagem essencial, aquela provocada por tantas imagens exteriores, mas que no mergulho interior encontramos a própria voz reverberada em poesia, ficção, imagens poéticas.

E são essas imagens que apresento em seguida, para serem lidas, degustadas, e que sirvam de provocações para outras explosões de fogos de criação.

Abraço bem grande e boa leitura,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Recife, 06/10/2018

 

Bernadete Bruto

Escrita compartilhada*

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

                                                                                              

A direção

Logo cedo

Desponta

Reflete

A imagem

O  caminho

A se desdobrar

Na minha frente

Rumo

Busca

Encontro

De uma escrita

Que revela

A mim

E o outro

Sempre.

 

Recife, 6 de outubro de 2018.

*fotografia do celular tirada hoje pela manhã

20181006_091032 - Foto Berna

 

 

Coração afegão**

Intensa mirada

A Expor

Todo um ser

A agonia silenciosa

Do povo afegão

Deixa entrever

O que vai ao coração

Na transparência

Deste olhar

Límpido

Claro

A denunciar

Para a fotografia

Uma condição

Apenas num mirar

Expressa

Inteiramente

O que não é preciso dizer.

O que não pode falar…

O que não deve calar!

 

Recife, 6 de outubro de 2018.

**fotografia d’A Menina Afegã

 

ELBA LINS

BELEZA E MEDO*

Contato: elbalins@gmail.com

 

Olhos felinos

Ferozes

E mortos de medo…

Avançar, lutar

Ou se esconder

Em si mesma?

 

Rosto perfeito

Selvagem…

Roto,

Manchado,

Marcado pela vida

 

Capa a te proteger

A te exibir

A exibir perante meus olhos

Tua imagem bela

Tua imagem forte

O azul dos teus olhos-medo

O azul dos teus olhos-luz

 

A luz, que capturo

Quando busco o belo.

E te vejo

Beleza e medo…

 

**Inspirada na foto “A Menina Afegã” de Steve McCurry na National Geografic)

 

RALDIANNY PEREIRA

Contato: raldianny@gmail.com

 

Menina dos olhos verdes

Quem ilumina

Teu verde olhar?

Quem afaga a esperança?

Haverá esperança

Ou só susto

Em teu olhar?

Será tua face

Para o mundo

Esperança?

O que o futuro trará

Ao teu olhar?

O tempo, este artista

Modela tua face.

Traça linhas em teu rosto.

Nele persiste

Teu verde olhar.

Medo.

E esperança.

 

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“Menina afegã” (1984)

Steve McCurry (Darby, Pensilvânia, EUA, 1950)

 

CILENE SANTOS

ILUSÃO

Contato: cilenecaruaru2013@gmail.com

 

Imaginei a forma de tê-lo novamente.

Reinventei você.

Em minha recriação,

A tua imagem se fez.

Na minha imperfeição,

Te fiz perfeito para mim.

Imitei a Divindade,

Satisfiz meu ego

E te enclausurei.

Não te dei a liberdade da escolha,

Roubei-te a tua completude.

Querias ser de carne e osso,

Mas eu te quis platônico.

Maldisseste a minha criação

Porque segui apenas a minha intuição.

A imagem se desfez, enfim.

Te perdi mais uma vez

E desta vez dentro de mim.

 

JOÃO ORLANDO ALVES

IMAGEM

Contato: joaoorlandoalves@yahoo.com.br

 

Vejo-me na frente de uma fotografia, “uma coisa necessariamente real que foi colocada diante da objetiva” e traduzo o que feriu os sentidos ao observar o quadro instalado e um sentir lúdico.

Um gesto insano, para os puritanos, quando um casal de namorados ou amigos deleita-se num encontro casual na rua e, instintivamente, abraça-se, beija-se em uma coreografia extasiante de balé, por um momento, sem a percepção dos sons ao redor, somente a música da alma.

A beleza ali produzida sugere um movimento de eloquência juvenil, uma implícita generosidade, de voluntariedade e alegria de viver. É preciso lançar-se ao sublime do cotidiano, às vezes, sofridos. “Vivemos pelo prazer”, formula a neurocientista Susana Herculano Houzel.

Os passantes, sem preconceitos, não se detém àquele fluir estético, talvez pela pressa do dia a dia, por um bastar à luminosidade da representação ou absorto em suas preocupações, mas levando o que se lhe afigura belo.

Fotografado esse instante, mostra a exuberância do flagrante, imagem a se perpetuar como inspiração à vida e possibilidades de se encantar.

Nada de insano.

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“V-J Day na Times Square” (1945)

Alfred Eisenstaed (Dirschau, antiga Prússia, 1898-1995)

MONIQUE BECHER

Contato: moniquebecher@hotmail.com

 

POESIAS.

IMAGEM

 

A imagem fascina.

Perpetua-se no tempo.

Amarra-se às ideias.

Tatua-se nos ícones.

Busca o referente, os símbolos.

Na imagem me contemplo.

Admiro-me , resplandeço, reverbero.

Sou múltipla.

Sou espelhos superpostos.

Sou prosa, poesia, cinema, tecnologia.

Realidade, aliança, carnaval.

Mulher, Veneza, vendaval.

Capturo imagens na ficção:

Foto, som, computador, televisão.

Radiografo-as.

Aprisiono-as

Nos meus olhos abertos:

Janelas do mundo em evolução.

Minhas percepções?

Desnudo-as nos ensaios.

Metamorfoseio-as em átomos.

Liberto-as em contos.

Há resistência.

Busco resiliência.

Elas reverberam.

Que plasticidade!

Veem-se altaneiras.

Quiçá, alvissareiras.

Descolam-se da fotografia.

Livres, resplandescentes!

Em tubos plásticos maleáveis

Alimentam devaneios ficcionais,

Quimeras existenciais.

Multiplicam-se.

Entrelaçam-se.

Imagens?

Somos nós:

Água, terra, fogo, ar.

Inventividade.

Imagens …

Homens em busca da Felicidade.

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Noruega, Região dos Fiordes

 

RILKIA AMARAL

Contato: rikiaamaral@hotmail.com

Texto de Rilkia

 

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Porto Alegre, 10/10/2018

 

ANA PAULA BARDINI

Contato: apbardini@terra.com.br

 

primeiro, a surpresa

 

balões em tons violeta

corações, bolas, brilhos

enfeitam a sala

ocupam espaços

preenchem vazios

 

em seguida, a alegria

 

carinho, cuidado, afeto

de longe, por quem

sempre se faz perto

da alma, de alma

emoção, choro, renovação

 

pelas bênçãos do caminho,

pelo toque do outro,

pelo espelho da vida,

gratidão.

 

#APB

Ana Paula Bardini

PATRÍCIA LASCH

Contato: patricialasch@bb.com.br

Parque NP1

 

Parque NP2

Parque NP3

Parque do Imigrante, Nova Petrópolis, Serra Gaúcha – RS

 

SUSI FRANKE

Contato: susifrankett@gmail.com

PHOTO-2018-10-13-11-07-10 - Susi Franke

 

 

Índex* – Setembro, 2018**

Não fugir 

Das minhas perdas

Enfrentar 

Os obstáculos 

E mesmo assim

Considerar-me

 

Como vim

À vida

Como voltarei 

Ao mundo

Das palavras

 

E me tornarei

Vestígios de sentido

Que a minha mão

Tomou papel e tinta

E reverberou no universo

(“A partícula de Deus”, Patricia Gonçalves Tenório, 15/09/2018, 05h50)

 

Enfrentar os obstáculos da Escrita Criativa no Índex de Setembro, 2018 do blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Uma escrita coletiva | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“Cadê Miguel?” | Carol Bradley (PE – Brasil).

“A cigarra e a formiga” | Cilene Santos (PE – Brasil).

Ed Arruda em “O Silêncio das palavras” (PE – Brasil).

“Algumas rimas” | José Genecy Monte (RN – Brasil).

“Ipê amarelo” | Raldianny Pereira (PB/PE – Brasil).

Estudos em Escrita Criativa – Setembro, 2018 – Recife e Porto Alegre | Diversos.

Agradeço a atenção e o carinho, a próxima postagem será, excepcionalmente, em 21 de Outubro, 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Index* – September, 2018

 

Do not run away

Of my losses

Face

The obstacles

And yet

Consider myself

Lonely

 

How did I come to

Life

How do i come back

To the world

Of the words

 

And I will become

Powder

Traces of meaning

That my hand

Took paper and ink

And reverberated in the universe

(“The particle of God”, Patricia Gonçalves Tenório, 09/15/2018, 05:50 a.m.)

 

Facing the obstacles of Creative Writing on Index of  September, 2018 of Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

A collective writing | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“Where’s Miguel?” | Carol Bradley (PE – Brasil).

“The cicada and the ant” | Cilene Santos (PE – Brasil).

Ed Arruda in “The Silence of Words” (PE – Brasil).

“Some rhymes” | José Genecy Monte (RN – Brasil).

“Yellow Ipê” | Raldianny Pereira (PB/PE – Brasil).

Studies in Creative Writing – September, 2018 – Recife and Porto Alegre | Several.

Thank you for the attention and the affection, the next post will be, exceptionally, on October 21, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Foto Índex

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Eu, uma partícula de Deus (Sairé, PE – Brasil). I, a particle of God (Sairé, PE – Brasil).

 

Uma escrita coletiva | Patricia Gonçalves Tenório*

Dizem que a Odisséia, um dos textos atávicos da literatura ocidental, foi recolhida de histórias da narrativa oral e inscrita sob a égide de Homero.

Em 2013, estava eu na Universidade Federal de Pernambuco como ouvinte/aluna especial na disciplina A poética do ensaio, sob os cuidados de Prof. Lourival Holanda (PE). Estava me preparando para a seleção do Mestrado em Teoria da Literatura, linha de pesquisa Literatura e Intersemiose, orientada pela Prof. Maria do Carmo Nino (PE). Contava com colegas brilhantes e acolhedores, que, além de teóricos, eram belíssimos poetas, ficcionistas. Entre eles, Ricardo Nonato (BA), Antonio Aílton (MA), Hudson Silva (PI), Cassiana Grigoletto (RS), Fernando Ivo (PE), André Santos (RJ), Vinícius Gomes (PE), Ingrid Rodrigues (PE), Adriano Portela (PE), Cilene Santos (PE), Joanita Baú (PA), Fernando de Mendonça (SP/PE), e tantos outros, compartilhando os ensinamentos de Holanda, e nos provocando. Estimulando a escrita de textos teóricos, mas, principalmente, poético-ficcionais. Nascia na época o Coffee-Break, grupo de Facebook onde criávamos, quase que diariamente, poemas, contos, de maneira individual, mas mergulhados nessa alma coletiva.

Em 2016, me lancei a outras pairagens. Dessa vez como ouvinte/aluna especial no doutorado do Programa de Pós-graduação em Escrita Criativa da PUCRS, ingressando como aluna vínculo em 2017. Sob a batuta do Prof. Luiz Antonio de Assis Brasil (RS) nas suas Oficinas de Criação I – Narrativa, conheci poetas e ficcionistas do Brasil inteiro, mas principalmente do Rio Grande do Sul, tais como Alexandra Lopes da Cunha (DF/RS), Gustavo Melo Czekster (RS), Annie Müller (RS), Luís Roberto Amabile (SP/RS), María Elena Moran (Venezuela/RS), Daniel Gruber (RS), Guilherme Azambuja Castro (RS), Tiago Germano (PB/RS), Débora Ferraz (PE/RS), Júlia Dantas (RS), Andrezza Postay (RS), Camilo Mattar (RS), Fred Linardi (SP/RS), Gisela Rodriguez (RS). E tantos outros, e muitos mais, que também me acolheram e descortinaram esse infinito de possibilidades da Escrita Criativa em Ambiente Acadêmico no país.

Duas cidades. Dois universos tão próximos graças ao amor à literatura, ao desejo extremo do bem escrever. E esses meus dois amores me impulsionaram a tentar uní-los, a realizar em outubro de 2017, em parceria com a XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, na figura de Rogério Robalinho (PE), e com a PUCRS, nas figuras dos Profs. Assis Brasil, Maria Eunice Moreira (RS) e Cláudia Brescancini (RS), o I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco, trazendo autores gaúchos para conhecer, e trocar, e começar a construir juntos com autores pernambucanos esse meu sonho-ponte de uma Pós-graduação em Escrita Criativa no Recife.

Para tentar tornar real aquilo que prefigurei em A menina do olho verde (2016) no capítulo A cidade universitária: “Foram derrubados os muros da cidade. O Muro Alto não existia mais. Plantaram jardins conjuntos, escreveram livros para uns aos outros ler. Era bom aquele começo, com a esperança no coração”.

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* Patricia Gonçalves Tenório (Recife/PE, 1969) escreve prosa e poesia desde 2004. Tem onze livros publicados, com premiações no Brasil e no exterior, entre elas Melhor Romance Estrangeiro por As joaninhas não mentem (em outubro, 2008) e Primo Premio Assoluto por A menina do olho verde (em outubro, 2017), ambos pela Accademia Internazionale Il Convivio, Itália); Prêmio Vânia Souto Carvalho (2012) da Academia Pernambucana de Letras (PE) por Como se Ícaro falasse, e Prêmio Marly Mota (2013) da União Brasileira dos Escritores – RJ pelo conjunto da obra. Mestre em Teoria da Literatura (UFPE) e, a partir de outubro de 2018, doutora em Escrita Criativa (PUCRS). Contatos: patriciatenorio@uol.com.brwww.patriciatenorio.com.br

 

“Cadê Miguel?”* | Carol Bradley**

Miguel andava sempre olhando para baixo, para a telinha de celular. Vivia jogando Pokémon Go, Minecraft, Angry Birds… Um dia, a mãe abriu a porta de casa para dar banho em Lulu, a gata da família. Miguel, empolgado com seu jogo, querendo passar de estágio, foi andando e jogando. Passou pela porta de casa e nem olhou para trás, sempre entretido com os desafios daquela telinha colorida.

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* Trecho extraído de Cadê Miguel?, Carol Bradley. Ilustração: Leonardo R. Malavazzi. 1ª ed. Recife, PE: Edição do Autor, 2017.

** Carol Bradley nasceu no Recife, Pernambuco. É formada em Direito e Jornalismo pela UNICAP e autora dos livros Nunca é Tarde para Recomeçar e Um conto por dia. É casada com Valério Veloso e mãe de Theo. Gosta de observar a realidade e transformar em literatura o que vê, ouve e imagina.

Atenta à forma com que as crianças lidam com a tecnologia, com olhos vidrados nos joguinhos, deixando muitas vezes de contemplar a natureza ou interagir com as pessoas, para fixarem-se nas telinhas coloridas, decidiu escrever essa história para alertá-las sobre a importância de também prestar atenção à realidade que nos cerca.

É participante dos Estudos em Escrita Criativa de Recife.

Contato: carol.bradley@frigorificoxinguara.com.br

“A cigarra e a formiga”* | Cilene Santos**

A Cigarra e a Formiga

É fábula infantil.

Atribuída a Esopo

La Fontaine redigiu

E faz mais de quatro séculos

Que ela chegou ao Brasil.

 

Vamos contar a história

Da cigarrinha cantora

Que na arte de cantar

Ela era professora.

E só queria mostrar

Sua canção sedutora.

 

Esta cigarra morava

Num bosque bem colorido

E vivia pra cantar,

A ninguém dava ouvido.

Nem mesmo às formiguinhas

Que passavam em alarido.

 

Mas as formigas diziam

“Cigarra! Vá trabalhar!”

Ela não dava atenção,

Continuava a cantar.

Pensava até que o verão

Nunca iria acabar.

[…]

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* Trecho de A cigarra e a formiga, Cilene Santos. Literatura de Cordel. Caruaru, PE: CordEditora, 2018.

** Cilene Santos, escritora, poeta, cordelista. Professora graduada em Letras, com especialização em Língua Portuguesa. Membro da Academia Caruaruense de Literatura de Cordel, ocupando a cadeira nº 08, e tem como patrono Dimas Batista. Publicou Branca de Neve e os Sete Anões em Versos e a vida de Joel Pontes, em cordel. É participante dos Estudos em Escrita Criativa de Recife. Contato: cilenecaruaru2013@gmail.com