Posts com Psicanálise

Índex* – Abril, 2018

O mito

Abriu as portas

Do meu coração 

Aflito

E fez explodir 

As cores do

Arco-íris 

O ritmo do

Tambor

Até acalmar

E acalmando

Esse longo

Corpo

Que se chama

Amor

(“Abriu as portas do infinito”*, Patricia Gonçalves Tenório, 07/04/2018, 15h30)
* Após o II Encontro dos Estudos em Escrita Criativa – Recife – PE.

 

As portas infinitas da Escrita Criativa no Índex de Abril, 2018 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa – Recife e Porto Alegre – Abril, 2018 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & convidados.

POR QUE RAIMUNDO CARRERO | Flávia Suassuna (PE – Brasil).

Poema de José Mário Rodrigues (PE – Brasil) enviado por George Barbosa (PE – Brasil).

Uma promessa de amor | Mara Narciso (MG – Brasil).

E muito obrigada pelo carinho e participação, a próxima postagem será em 27 de Maio de 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Index* – April, 2018

 

The myth

Opened the doors

From my distressed

Heart

And made it explode

The colors of the

Rainbow

The pace of the

Drum

Even calming

And soothing

This long

Body

That is called

Love

(“Opened the doors of the infinite”, Patricia Gonçalves Tenório, 04/07/2018, 3:30 p.m.)

* After the II Encounter of Studies in Creative Writing – Recife – PE.

 

The infinite doors of Creative Writing in the Index of April, 2018 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Studies in Creative Writing – Recife and Porto Alegre – April, 2018 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & guests.

WHY RAIMUNDO CARRERO | Flávia Suassuna (PE – Brasil).

Poem by José Mário Rodrigues (PE – Brasil) sent by George Barbosa (PE – Brasil).

A promise of love | Mara Narciso (MG – Brasil).

And thank you very much for the affection and participation, the next post will be on May 27, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** “Sonho de Ícaro”, de Biafra. “Icarus Dream”, from Biafra.

Estudos em Escrita Criativa – Recife e Porto Alegre – Abril, 2018

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De 1902 a 1907, o pai da psicanálise, Sigmund Freud, reunia, nas quartas-feiras à noite, em sua residência na Berggasse, 19, discípulos, pares, educadores, intelectuais, tais como Otto Rank, Alfred Adler, Max Graf, Wilhelm Stekel e Max Kahane. Este grupo cresceu e deu origem à Sociedade (Associação) de Psicanálise de Viena.

Nesta quarta 25/04/2018, sob as bênçãos de um dos baluartes da Escrita Criativa do país, o escritor e professor da PUCRS Luiz Antonio de Assis Brasil, inauguramos uma ponte entre duas das cidades mais ricas em escritores: após os dois encontros em Recife, tivemos o primeiro encontro dos nossos Estudos em Escrita Criativa de Porto Alegre.

Como havíamos imaginado, a busca por cursos no formato dos EEC’s superaram nossas expectativas e nos animaram a continuar no caminho dos teóricos de várias áreas de conhecimento e artistas de outras artes relacionados a cada tema, do exercício prático provocado, iluminado pela teoria, e dos testemunhos de escritores locais sobre seus processos criativos.

Trazemos para o nosso blog neste post alguns exemplos de textos dos participantes das duas cidades.

E, quem sabe, formemos, em um futuro breve, a Sociedade Brasileira de Escrita Criativa?

Agradeço o carinho e a força de cada participante, escritores e escritoras convidados, grande abraço e até breve,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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DITIRAMBO PARA O RENASCIDO

Antonio Aílton

Contato: ailtonpoiesis@gmail.com

 

 

Noite após noite me despedaço

e desespero, desmembrado

como um copo de vinho que serve ao

desregramento

e depois se quebra no cimento

vaza no tempo, para um tempo

antes de mim

Ali na rua há um lamento

e me pergunto

se sou vítima ou assassino

se sou o lance sem jogo do mendigo

Há uma lua, mas o que todos vêem

senão o sangue antigo? E no entanto

eu não seria

se não pudesse renascer, mesmo

quando lixo, cão mordido

Em breve estarei inteiro

para enfrentar o carro de Apolo

junto com as abelhas, as mulheres

os campos, os girassóis

Eu, taça reerguida quando vinho

e mosto renascido

− Dioniso

 

 

[Desafio 15min]

II Encontro dos Estudos em Escrita Criativa

Recife – PE, 07 de abril de 2018

 

NA FLOR DA VAIDADE

Bernadete Bruto

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

 

 

Olhei nas águas límpidas daquele rio. Minha haste envergou um pouco. Contorcidamente descobri não ser mais aquela… Meu Deus! Uma simples margarida presa à terra, subjugada a uma condição inusitada, enraizada! Aprisionada no tempo e no espaço, tudo por conta do orgulho…

Desejei ser algo mais, muito maior que Deus, que os outros? Encantei-me com a cantiga maviosa do mundo dizendo ser eu tão especial… Agora, na simplicidade da flor, na maturidade da vida, despetalo-me toda.

Logo, descubro que o exercício da escrita fez-me voltar a quem sou e posso repensar sobre a vaidade. Sair um pouco do foco do espelho, voltando a ser no mundo uma simples flor.

 

Recife, 7 de abril de 2018.

 

SALOMÉ

Elba Lins

Contato: elbalins@gmail.com

 

Mãe!

Tu me pedes, me imploras

Uma dança para o Rei.

Queres que, com meus encantos

O conquiste para ti.

Queres que eu ajude

A tirar do mapa Batista.

 

Bem sabes que

Com minha dança

Ele, o Rei,  que já rodeia meus passos

Será meu em definitivo

E a cabeça do Batista

Não te trará de volta

Um amor que será meu.

 

Mas, tenho em mim a chave

Que abrirá  as portas desta prisão

Minha vingança será maior…

Cada véu que retirar do meu corpo

Será a corda

Que tirará Herodes, deste mundo.

E finalmente dançarei…

Para o Batista,

Que já ocupa minha alma.

Para o Batista,

Que não se deixa seduzir.

Batista, cuja alma etérea flutua no espaço

E me conduzirá enfim

Para o caminho de volta a mim mesma.

 

Qual Medéia às avessas

Engolirei as tramas da minha mãe,

Através da minha própria trama saturnina.

Reinarei noutro reino diferente do teu,

Tirarei, não tua vida

Tirarei de ti a morte

Que não pode roubar a minha vida.

 

Recife, 07/04/2018

 

Gabi Vieira

Recife, 07/04/2018

Contato: gabi.vieira.araujo@gmail.com

 

Todas as crianças crescem, menos uma.

E todas as crianças ouvem essa mesma história, quando ainda deixam a janela destrancada na esperança de que um menino sapeca e sorridente venha buscá-las e levá-las para o lar de seus sonhos, voando nas costas do vento.

E, muito provavelmente, todas essas crianças desejam ser como ele, livres para voar com as fadas, nadar com as sereias, dançar com os peles-vermelhas ou enfrentar piratas. Livres para viver na Terra do Nunca, acompanhando os Meninos Perdidos em incontáveis aventuras.

Afinal, que criança nunca sonhou em ser Peter Pan?

Fugir das obrigações, da escola, das exigências dos pais e, principalmente, do medo de tornar-se um adulto, esquecendo-se do como voar. Porque, quando se cresce, se esquece do como voar. Adultos não têm a alegria, nem a inocência das crianças. Nem se quisessem, poderiam alçar voo.

Porém, não posso deixar de me questionar, a quase adulta que sou, do modo que já fez J. M. Barrie, se o próprio Peter não desejava ser como as outras crianças, as crianças comuns. Ele possui alegrias que essas crianças nunca poderiam ter, mas, ao observá-las no cantinho da janela de seus quartos, enquanto eles brincam com o pai ou são postos para dormir pela mãe com beijos e abraços, observa também a única alegria que nunca poderá ter.

Mesmo assim, ele volta para casa, acompanhado da fiel amiga Sininho, voando com o vento e deixando um rastro de risada por onde passa, como faz a cauda das estrelas cadentes.

Porque todas as crianças crescem.
Menos uma.

 

Giliard Barbosa

Porto Alegre, 25/04/2018

Contato: barbosagiliard@gmail.com

 

Onde estás, criança?

 

Carrego comigo teu cesto vazio

As uvas que sorverias

Ácidas estão

 

Onde estás, criança?

 

A areia da praia a demarcar teus passos

A água marinha a irmanar feridas

 

Onde estás, criança?

 

De meu próprio barro dei-te forma e luz

Das dores profanas és a mais contumaz

 

Onde estás, criança?

 

Raízes formei em meio às dunas

O vento já leva o que de ti ficou…

 

Onde estás, criança?

 

Um lago se forma onde nos perdemos

A rosa dos ventos parou de girar

 

Onde estás, criança?

 

Já não há mais remos nas águas do tempo

Já não há areia que deseje o mar…

 

Onde estás, criança?

 

Perdi-me no tempo a mirar espelhos

Perdi-me de ti, perdi-me do mar…

 

Onde estás, criança?

Onde estou?

 

Ina Melo

Recife, 07/04/2018

Contato: ina.melo2016@gmail.com

 

Ao criar o mundo, Deus ante toda aquela grandeza, vislumbrou ao seu redor e sentiu-se só. Até para Ele o silêncio e a solidão sufocavam.  Mesmo vibrando com o cantar dos pássaros, o ruído das selvas e o silvar dos ventos, faltava a palavra – uma voz! Então, no imaginário masculino, arrancou de Si uma costela e criou Eva. Linda, pura e falante. Agora não mais era um, porém dois. Deixou-os donos do Paraíso.  O amor surgiu das pequenas fagulhas de fogo que ardiam nas cinzas. Mas Eva descobriu a vaidade vendo a  sua imagem refletida nas águas transparentes. Depois encontrou o sonho e dele se embriagou. Via as borboletas e quis voar. Conhecer o néctar das novas flores. Mergulhar em mares bravios! E assim foi se afastando do amado. Esqueceu de que, para ser feliz, teria que compartilhar emoções.  Foi quando o Paraíso escureceu e o céu começou a lançar raios de fogo gritando forte, estremecendo árvores. Águas inundaram os prados. Eva procurou abrigo nos braços do amado e não o encontrou. Tremeu de medo.  Inquietou-se. Correu debaixo da tempestade e foi para o mais alto rochedo e lá abrindo os braços respirou e com asas de plumas voou. Primeiro não encontrou nada diferente. O mundo era igual e o mar também.  Quando não era dia, era noite. A mulher Ícaro viu que o sonho não existia, era apenas poesia!

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VOAR… VOAR…

João Orlando Alves

(Membro da UBE-PE)

Recife, 07/04/2018

Contato: joaoorlandoalves@yahoo.com.br

 

“Um pouco de persistência e esforço e o que seria um

retumbante fracasso vira um glorioso sucesso”

(Elbert Hubrard – Escritor Americano)

 

O grande momento da criação externa-se quando o hábil executor em movimentos à busca da perfeição, de súbito, por um acaso ou gesto imperfeito, a arte se pronuncia em toda beleza, exprimindo um querer que estava oculto.

Na aventura de Ícaro olvidou-se do martelar insistente que trabalha a forma da existência da obra. O dar asas à imaginação envolve um “estalo” espiritual que compreende uma produção sublime com mistérios e marcas do tempo.

Faltou a Ícaro, sem ouvir o canto da sereia, transmudar-se num pássaro ou no homem de aço e exercitar o sonho do gênero humano.

Encantar-se com as aves, dominando os céus, não basta, urge descobrir-se inteirado no projeto do desejo; deixar-se encontrar como no retrogosto de um trago de bebida que se assoma com essencialidade.

O voo desse vivente fora eterno enquanto durou o sonho; ousar é recomendado, mas a escolha recaindo no tempo enquanto tempo de amar.

 

Luciana Beirão de Almeida

Porto Alegre, 25/04/2018

Contato: lubeirao@hotmail.com

 

Espelho, espelho meu,

Quem é mais lindo do que eu?

 

Inquieto,

me debruço sobre a água.

 

Silêncio…

 

A imagem tortuosa não é bem o que eu imaginava.

Jogo uma pedrinha na superfície,

que afunda.

 

Círculos movimentando a imagem,

como quebra-cabeça.

 

Em partes.

 

Facelado.

 

Sequelado.

 

Olho ao redor da imagem daquele rosto

agora já não tão bonito…

e vejo a natureza.

 

Interagindo forte,

bonita,

inteira.

 

Esta sim, em conjunto com a minha imagem, forma uma beleza única. Completa. Viva.

Me levanto e vou aproveitar aquele belo momento, pleno, que me transmite paz.

 

 

SOU PÁSSARO

Monique Becher

Recife, 07/04/2018

Ícaro - Monique

 

O amor se apodera do meu ser qual luz do sol ou piscar de estrelas.
De tão natural, sinto-me singela,
translúcida.
Minha cabeça levita.
Delicio-me com este sentimento
mitológico dos seres felizes.
Sou esvoaçante qual Ícaro.
Minhas asas diáfanas conduzem-me ao etéreo.
Sou possibilidades.
Multiplico-me.
Alço voos inimagináveis.
Vivo amores perfeitos.
Conduzo-os ao infinito do
horizonte.
Minhas vestes translúcidas
r o d o p i a m .
Seguem as curvas do vento
num b a i l a d o  m á g i c o
regido pelo s u s s u r r o
das palavras
Voláteis
E   N   A   M   O   R   A   D   A   S
Esta musicalidade me fascina.
Paira no espaço.
E  T E  R  N  I  Z A – SE  …
No meu SER.
Os segredos dos pássaros livres
proclamam a independência.
S O U   P Á S S A R O !!!
Decifro os enigmas humanos.
Fito o horizonte.
V I S L U M B R O   D   E   U   S
Fujo de mim mesma.
Encontro-me no reino mágico
do reflexo
do meu espelho
VITAL.

 

 

Rodrigo Ribeiro

Porto Alegre, 25/04/2018

Contato: digocr@gmail.com

 

Édipo briga com o homem na estrada, mas na iminência de matá-lo lembra da esfinge, enxerga o destino prestes a acontecer e conclui que aquele só pode ser seu pai. Se conciliam. O pai, agradecido por ser poupado e vendo-se mais velho, resolve exilar-se nas montanhas para sempre, a fim de evitar a tragédia.

 

Da mesma forma, ao querer casar com a mãe, identifica-a justamente por reconhecer a premonição. Desistem do casamento.
Mesmo com o pai longe, Édipo vive transtornado por saber que não poderá contrariar a esfinge: um dia irá matá-lo. Está sempre atormentado sobre como isso acontecerá, medindo todos os passos, sentindo angústia insuportável. Para se libertar desta prisão mental, manda matar logo o pai.
Em vez do alívio que desejava, agora ele passa a estar perturbado pela ação hedionda que tomou, e se torna uma pessoa ruim. Por ganância, quer ser rei, mas as pessoas não acreditam que ele é filho da rainha. Então, para ter poder e fortuna, casa-se com a mãe.

 

Sala de imprensa:

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Diário de Pernambuco, Opinião, 19/04/2018

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Diário de Pernambuco – Viver – 23/04/2018

Próximos encontros:

Cartaz A3

Estudos em Escrita Criativa - Porto Alegre

 

 

 

Índex* – Março, 2018

Quem espera

É um coração 

Valente

Que não cansa

De sonhar

Que não deixa 

De lutar

Por um pedacinho 

De sol

Um lugarzinho 

Que possa

Chamar de seu

E revele

A imensidão

De sua

Escrita

(“Quem espera não se cansa”, Patricia Gonçalves Tenório, 17/03/18, 10h50)

 

Um coração valente no Índex de Março, 2018 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa – Março, 2018 – Recife – PE | Com Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil), Bernadete Bruto (PE – Brasil), Cilene Santos (PE – Brasil), Ina Melo (PE – Brasil), Gabi Cavalcanti (PE – Brasil), Inalda Dubeaux Oliveira (PE – Brasil), Maria Eduarda Tenório de Oliveira e Silva (PE – Brasil).

Poema de Alcides Buss (SC – Brasil).

Encontros entre poetas: as cartas de Geraldino Brasil (AL/PE – Brasil) e de Jaime Jaramillo Escobar (Colômbia) | Organização Beatriz Brenner (PE – Brasil).

Cadê Miguel? | Carol Bradley (PE – Brasil).

Branca de Neve e os sete anões: Uma releitura em versos | Cilene Santos (PE – Brasil).

Agradeço a atenção e o carinho, a próxima postagem será em 29 de Abril, 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – March, 2018

 

Who waits

Is a brave

Heart

That does not get tired

From dreaming

That does not leave

To fight

For a little bit

Of Sun

A little place

That can

Call your own

And reveal

The immensity

Of your

Writing

(“Who waits does not get tired”, Patricia Gonçalves Tenório, 03/17/18, 10h50)

 

A brave heart in the Index of March, 2018 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Studies in Creative Writing – March, 2018 – Recife – PE | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil), Ina Melo (PE – Brasil), Gabi Cavalcanti (PE – Brasil), Inalda Dubeaux Oliveira (PE – Brasil), Maria Eduarda Tenório de Oliveira e Silva (PE – Brasil).

Poem by Alcides Buss (SC – Brasil).

Encounters among poets: the letters from Geraldino Brazil (AL/PE – Brasil) and from Jaime Jaramillo Escobar (Colombia) | Organization Beatriz Brenner (PE – Brasil).

Where’s Miguel? | Carol Bradley (PE – Brasil).

Snow White and the Seven Dwarfs: A Rereading in Verses | Cilene Santos (PE – Brasil).

Thank you for the attention and the affection, the next post will be on April 29, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Um pedacinho de sol para chamar de seu (Recife – PE, Brasil). A little piece of sun to call your own (Recife – PE, Brasil).

Índex* – Fevereiro, 2018

O gosto 

De tarefa cumprida

Quando

Se escreve

Um teorema

No mais alto

Grau

Do mais profundo

Âmago

De minha alma

Poeta

Se refaz

O mundo inteiro

Se constrói 

A mesma história 

Mas de maneira

Diferente 

Como se eu

Nascesse de novo

E transmutasse

Carne

Em verbo

Com forma

Cheiro

E cor

(“Quando se escreveu uma tese”, Patricia Gonçalves Tenório, 14/02/2018, 18h50 e 19h36)

 

A forma, cheiro e cor da Escrita Criativa no Índex de Fevereiro, 2018 do blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa, 2018 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Homenagem a Jorge Tufic (AC – Brasil).

Mulheres fantásticas IV | A mulher papel | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

Mudando paradigmas | Mara Narciso (MG – Brasil).

“Avesso: o Livro da Insônia” | Henrique Beltrão de Castro (CE – Brasil).

“Crônicas de um sereno em duas rodas” | Tibério Pordeus (PE – Brasil).

Agradeço o carinho e atenção, a próxima postagem será em 25 de Março, 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – February, 2018

 

 

The taste

Of completed task

When

We write

A Theorem

At the top

Degree

From the deepest

Heart

Of my poet

Soul

Is remapped

The whole world

Is constructed

The same story

But in a different

Way

 

As if I was

Born again

And transmuted

Flesh

In verb

With shape

Smell

And color

(“When we wrote a thesis”, Patricia Gonçalves Tenório, 02/14/2018, 6:50 p.m. and 7:36 p.m.)

 

The shape, smell and color of Creative Writing in the Index of February, 2018 of Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

Studies in Creative Writing, 2018 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Homage to Jorge Tufic (AC – Brasil).

Fantastic Women IV | The woman paper | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

Changing Paradigms | Mara Narciso (MG – Brasil).

“The Book of Insomnia” | Henrique Beltrão de Castro (CE – Brasil).

“Chronicles of a Serene on Two Wheels” | Tiberius Pordeus (PE – Brasil).

Thanks for the care and attention, the next post will be on March 25, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** O arco-íris da Escrita Criativa em Recife, Pernambuco. The rainbow of Creative Writing in Recife, Pernambuco. 

Estudos em Escrita Criativa, 2018 | Patricia Gonçalves Tenório*

O que?

 

Os Estudos em Escrita Criativa nasceram em agosto de 2016 na necessidade de compartilhar tudo o quanto eu estava apreendendo na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS, tudo o quanto eu havia apreendido na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, tudo o quanto eu havia apreendido a vida inteira, desde que iniciei meus estudos em ambiente extra-acadêmico em 2005.

Cada escritor tem um processo diferente na preparação para construir a própria obra. No meu caso, sinto que a teoria literária alargou a poesia, a crítica engrandeceu a ficção. Foram barro para meus vasos em flor.

Existe ainda muito preconceito em relação à Escrita Criativa. De que os escritores não precisam estudar para criar. De que a teoria engessa a ficção. De que o escritor nasce pronto.

Mas a origem da Escrita Criativa vem dos tempos ancestrais. Reza a lenda que a mãe de Virgílio, o autor da Eneida, sonhou quando grávida com um loureiro. Consultou um mágico e este revelou, para alegria da futura mãe, que o filho seria um grande poeta. Mas advertiu: ela deveria enviá-lo para Roma para que aprendesse com os grandes poetas da época.

Guy de Maupassant bebia em Gustave Flaubert. Virgínia Woolf compartilhava os segredos em diários. Henry James derramava em cadernos a arte da ficção. Autran Dourado explicava as técnicas de carpintaria dos textos. João Cabral matematicamente limava os versos. Na França, encontramos os Ateliers d’Écritures, nos anos 60 do século XX com Elisabeth Bing; na Espanha, os Talleres, Factoria de Alquimia Literaria; no México, o Grupo El Paso, Maestria em Creación Literaria; na Argentina, Ricardo Piglia.

E quantas oficinas de poesia e de ficção pelo Brasil inteiro: Bernadete Bruto (PE), Raimundo Carreiro (PE), Sidney Nicéas (PE), Paulo Caldas (PE), Fernando de Mendonça (SP/SE), Igor Gadioli (PB/SE), Laura Erber (RJ), Luiz Rufatto (MG/SP), Marcelino Freire (PE/SP), Alexandra Lopes (DF/RS), Gustavo Czekster (RS), e inúmeros outros escritores, até chegarmos ao único Programa de Pós–graduação com mestrado e doutorado em Escrita Criativa do país na PUCRS com Luiz Antonio de Assis Brasil (RS).

Os Estudos em Escrita Criativa, 2018 vêm com a proposta de tentar englobar diversas técnicas. Nos alimentaremos do fazer artístico dos escritores clássicos, assim como da teoria da literatura e outras áreas de conhecimento (filosofia, psicanálise, semiótica), outras artes conjugadas (cinema, fotografia, artes plásticas), receberemos escritores locais e seus processos criativos, para que, lembrando o saudoso poeta e escritor Ariano Suassuna no seu Iniciação à estética, munidos da técnica, ou estudo contínuo, e do ofício, ou trabalho diário, quando a ave de rapina da inspiração criadora, ou forma, descer do sol com seu voo certeiro, estarmos preparados para dar o salto, e escrevermos uma obra de arte.

 

Quando?

 

Nossos Estudos começarão em 10 de março de 2018 na Livraria Cultura do Paço Alfândega, em Recife, PE. A próxima cidade a realizarmos nossos encontros será Porto Alegre, RS, cujas datas e escritores convidados serão informados em breve.

 

Como?

 

Os interessados devem enviar para o e-mail grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com uma pequena biografia, com dados para contato, produção de conteúdo (1 ou 2 contos/poesia) e responder à pergunta: Por que se interessa em participar dos EEC?. Outras informações serão disponibilizadas por e-mail e também nas redes sociais Facebook e Instagram(@estudosemescritacriativa).

 

Escritora, mestre em Teoria da Literatura (UFPE), doutoranda em Escrita Criativa (PUCRS).

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Cartaz A3

Índex* – Janeiro, 2018

As palavras

Fizeram um acordo

Com a minha boca

E dela não saem mais

Fizeram um acordo

Com os olhos

E eles vão ler

Silenciosos

Com os ouvidos

E eles vão escutar

Estrelas

*

Porém

As palavras

Não conseguem

Adormecer 

As minhas mãos

Acordar com as minhas mãos

Uma página em branco

*

As mãos

São o instrumento 

Que me faz

Sentir humana

E sonhar

E perceber 

E escrever

A imensidão 

Do meu vazio

(“O ser e o nada”, Patricia Gonçalves Tenório, 14/01/2018, 17h55)

 

Uma página em branco a ser preenchida no Índex de Janeiro, 2018 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Um conto | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“Contos de areia” | Chico Alves d’Maria (RN – Brasil).

“Rio de Fogo” | Bruno Lacerda (RN – Brasil) & David de Medeiros Leite (RN – Brasil).

Estudos em Escrita Criativa – 2018 | Diversos.

Agradecemos a atenção e o carinho, a próxima postagem será em 25 de Fevereiro, 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index*, January, 2018

The words

Made a deal

With my mouth

And they do not leave it any more

Made a deal

With the eyes

And they will read

Silent

With the ears

And they will listen

Stars

*

However

The words

They can not

Fall sleep

My hands

Wake up with my hands

A blank page

*

The hands

They are the instrument

That makes me

Feel human

And dream

And realize

And write

The immensity

Of my emptiness

(“Being and Nothing”, Patricia Gonçalves Tenório, 01/14/2018, 05:55 PM)

 

A blank page to be filled in the Index of January, 2018 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

A tale | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“Tales from the sand” | Chico Alves d’Maria (RN – Brasil).

“River of Fire” | Bruno Lacerda (RN – Brasil) & David de Medeiros Leite (RN – Brasil).

Studies in Creative Writing – 2018 | Miscellaneous.

Thanks for the attention and the affection, the next post will be on February 25, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Um verão em cor na praia de Boa Viagem – Recife – PE. A summer in color on Boa Viagem beach – Recife – PE.

Estudos em Escrita Criativa – 2018

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Escrita criativa para ampliar horizontes
Curso orienta sobre a técnica e estimula o prazer de escrever

Em tempos de redes sociais e muita tecnologia, restabelecer o prazer da escrita é um desafio que a premiada escritora pernambucana Patricia Gonçalves Tenório decidiu enfrentar. Para isso, criou os Estudos em Escrita Criativa (EEC), que promove este ano uma série de encontros mensais para discutir, estimular e difundir a técnica.

A primeira cidade a ser contemplada é Recife, PE, e os encontros serão realizados na Livraria Cultura do Paço Alfândega, sempre aos sábados, das 10h às 13h, mesclando conteúdos teóricos, exercícios práticos e apresentação de autores locais e seus processos criativos. Cada evento abordará um tema independente – possibilitando a participação não sequencial do público – e específico: O tempo (10/03); O mito (07/04); A viagem (12/05); A música (09/06); O amor (11/08); O sonho (01/09); A imagem (06/10) e O fogo (10/11).

Encantada pela Escrita Criativa, Patricia Tenório diz que o curso é voltado a todos que têm aproximação com a literatura e interesse na construção de ensaios teórico-poéticos, contos, romances, poemas. “A participação é ampla e irrestrita, sem limitação de idade, escolaridade ou qualquer outro impedimento”, explica.

Informações de inscrições pelo e-mail grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com. Os interessados devem enviar uma pequena biografia, com dados para contato, produção de conteúdo (1 ou 2 contos/poesia) e responder à pergunta: Por que se interessa em participar do EEC?. Outras informações serão disponibilizadas, ainda, nas redes sociais Facebook e Instagram(@estudosemescritacriativa).

A autora – Patricia Gonçalves Tenório (Recife/PE, 1969) escreve prosa e poesia desde 2004 e tem onze livros publicados, com premiações no Brasil e no exterior, entre elas, Melhor Romance Estrangeiro (2008) por As joaninhas não mentem, e Primo Premio Assoluto (2017) por A menina do olho verde, ambos pela Accademia Internazionale Il Convivio (Itália); Prêmio Vânia Souto Carvalho (2012) da Academia Pernambucana de Letras (PE) por Como se Ícaro falasse, e Prêmio Marly Mota (2013) da União Brasileira dos Escritores (RJ) pelo conjunto da obra. Mestre em Teoria da Literatura pela UFPE, atualmente é doutoranda em Escrita Criativa na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – 2018

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O tempo                                     A viagem

                         O amor                            A imagem    

O mito                                        A música

                         O sonho                           O fogo

Encontros mensais e temáticos para, a partir da Teoria, estimular a Criatividade na Escrita de Ficção, Poesia, Ensaios Teórico-Poéticos. Em cada cidade, participação especial de escritores locais falando sobre seus processos criativos.

* Patricia Gonçalves Tenório é escritora, mestre em Teoria da Literatura (UFPE), doutoranda em Escrita Criativa (PUCRS). 

Índex* – Abril, 2017

Perdi

A capacidade de dizer

Bom dia

Senti

A necessidade de dizer

Te amo

Mas as palavras 

Não estavam lá

Não estão aqui

Dentro do meu

Peito

Soltas na minha

Língua

Para saírem

Quando quiserem

Quando puderem

Fazer um mundo

Mais colorido

Trazer o sonho

Para o dia-a-dia

E amanhecer em mim 

Um gosto bom

De infância

(“O fim das lentes cor-de-rosa”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 23/04/17, 05h02)

 

A capacidade de transmutar Vida em Poesia no Índex de Abril, 2017 no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

Pequeno conto circense (e prefigural) | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

Sobre “Não há amanhã”, de Gustavo Melo Czekster (RS – Brasil).

Sobre “O livro dos cachorros”, de Luís Roberto Amabile (SP/RS – Brasil).

Un Poema de Rizolete Fernandes (RN – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Abril, 2017 | Com Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil), Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil).

Agradeço o carinho e participação, a próxima postagem será em 28 de Maio de 2017, um abraço bem grande e até lá,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – April, 2017

I’ve lost

The ability to say

Good Morning

I felt

The need to say

I love you

But the words

They were not there

They were not here

Inside my

Chest

Loose in my

Tongue

To get out

When they want

When they can

Make a world

More colorful

Bring the dream

To the day by day

And dawn on me

A good taste of

Childhood

(“The end of the pink lenses”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 04/23/17, 05h02)

 

The ability to transmute Life in Poetry in the Index of April, 2017 in Patricia (Gonçalves) Tenório’s blog.

Little circus (and prefigural) tale | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

About “There is no tomorrow”, from Gustavo Melo Czekster (RS – Brasil).

About “The Book of Puppies”, from Luís Roberto Amabile (SP/RS – Brasil).

A Poem by Rizolete Fernandes (RN – Brasil).

Study Group in Creative Writing – April, 2017 | With Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil), Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil).

Thank you for the affection and participation, the next post will be on May 28, 2017, a big hug and until then,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Transmutando Vida em Poesia no Jardim do Baobá, em Recife, PE – Brasil. Transmuting Life in Poetry in the Garden of Baobab, in Recife, PE – Brasil.

Sobre “Não há amanhã”, de Gustavo Melo Czekster | Patricia (Gonçalves) Tenório

27/04/2017 12h49

 

Esta é a terceira vez que narro a paralisia que me invade quando tento ler um livro bom. Aconteceu com O mar, de John Banville. Com os livros do escritor e professor universitário paulista-pernambucano, residente em Aracajú, SE, Fernando de Mendonça (1984), Detalhe em H[1] e 23 de Novembro.[2] Sei que é um livro bom – já fui impactada anteriormente por suas faíscas –, mas insisto em permanecer paralisada, bloqueada, feito em um espelho de cristal.

Feito em um espelho de águas. Narciso paralisa diante de sua própria imagem. Eu cristalizo diante de Não há amanhã,[3] do escritor gaúcho Gustavo Melo Czekester (1976). Paralisei em 2016 com O homem despedaçado,[4] seu primeiro livro de contos, a ponto de nada conseguir falar, nenhuma palavra balbuciar após a leitura impactante.

Após a leitura inquietante que faço hoje do segundo livro de contos (são 30) de Czekster. Começo com “Não morto, apenas dormindo” e sinto a falta de palavras que prefigurei me preencher novamente, assim como aconteceu em “Um mundo de moscas” do primeiro livro.

“Então, eis o que era morrer – ficar o tempo todo sonhando com mortes, uma atrás da outra, sem receber ligações, esquecido. Através da janela, viu moscas infestando o pátio e, ao olhar o seu braço, gritou ao vê-lo se desfazendo em um mosaico raivoso de zumbidos, voltando a si quando bateu com a cabeça na janela, meu Deus, tinha dormido acordado!” (CZEKSTER, 2017, p. 14)

O braço se desfazendo “em um mosaico raivoso de zumbidos”, feito as moscas que criaram os seres humanos – afirmava Anton Lopez para mim em 2016.

“Anton Lopez expandiu a sabedoria de Montanelli e disse que os homens não só eram delírios como também foram criados pelas moscas. Isso explicaria o fato delas ajuntarem-se sobre cadáveres, dos quais retirariam pedaços microscópicos para construir outra pessoa.” (CZEKSTER, 2011, p. 19)

Eis o inquietante que encontramos em Czekster, Mendonça, Banville… Amabile.[5] “O inquietante”[6] de Sigmund Freud (1856-1939) amplamente analisado no texto de mesmo nome de 1919. O unheimilich  que transita entre o familiar e o desconhecido, entre a palavra e o silêncio, entre a vida e a morte. Freud analisa o termo desde a sua etmologia em várias línguas – inclusive na versão brasileira traduzida do inglês da Standart Edition aparece como “O estranho” –, quanto em um texto do escritor alemão Ernst Theodor Amadeus Hoffmann (1776-1822), mais conhecido por E. T. A. Hoffmann, “O homem de areia” (1816).

Em “O homem de areia”, Hoffmann narra a história de Natanael, que é assombrado, desde a infância, com a suposta existência de um homem de areia que arranca os olhos das crianças e dá para alimentar seus filhotes, feito fosse uma espécie de abutre, ou coruja. Em “O inquietante”, Freud alerta para o complexo de castração no personagem principal, Natanael, ao mesmo tempo que me faz lembrar de outro texto seu chamado “Os arruinados pelo êxito”,[7] que aparentemente pertence ao mesmo volume (XIV) das obras completas do pai da psicanálise, no qual analisa a histeria a partir do sucesso, e não do fracasso – como normalmente acontece –, investigando as peças teatrais “Macbeth”, de William Shakespeare (1564-1616), e “Rosmersholm”, de Henrik Ibsen (1828-1906).

Podemos encontrar este “inquietante” em textos de Franz Kafka, Thomas Mann, Friedrich Dürrenmatt, mas também dos mais próximos – mais próximos no duplo sentido do tempo e do espaço – Fernando de Mendonça, Luís Roberto Amabile, Alexandra Lopes da Cunha[7]… e também nos contos do escritor e advogado gaúcho Gustavo Melo Czekster.

 

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(1) MENDONÇA, Fernando de. Um Detalhe em H. Recife: Grupo Paés, 2012. Veja: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=4809

(2) MENDONÇA, Fernando de. 23 de Novembro. Recife: Grupo Paés, 2014. Veja: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=5923

(3) CZEKSTER, Gustavo Melo. Não há amanhã. Porto Alegre: Zouk, 2017.

(4) CZEKSTER, Gustavo Melo. O homem despedaçado. Porto Alegre: Dublinense, 2011. Veja: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=6683

(5) Vide em outro post do mês de abril, 2017 no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7359

(6)  FREUD, S. “O inquietante”, in: Obras completas vol. XIV, São Paulo: Cia das Letras, 2010, p. 328-373, [FREUD, S. “Das UNHEIMLICHE”, in: FREUD, S. Der Moses des Michelangelo, Frankfurt a. M.: Fischer, 1992(1996), p. 135-172].

(7)  FREUD, S. “A história do movimento psicanalítico”. Volume XIV. Comentários e notas: James Strachey. Tradução sob Direção-Geral e Revisão Técnica: Jayme Salomão. Rio de Janeiro: Imago, 1974.

(8) Vide: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=6963