Posts com Música

Índex* – Setembro, 2017

Foram derrubados os muros da cidade, o Muro Alto não existia mais.

Plantaram jardins conjuntos, escreveram livros para uns aos outros ler.

Era bom aquele começo, com a esperança no coração.

(“A Cidade Universitária”. In A menina do olho verde, Patricia Gonçalves Tenório)

Furono rubate le mura della città, il Muro Alto non esisteva più.

Piantarono giardini comunicanti, scrissero libri per leggerli gli uni agli altri.

Era buono quell’inizio, con la speranza nel cuore.

(“La Città Universitaria”. In La bambina dagli occhi verdi, Patricia Gonçalves Tenório,

Traduzione Alfredo Tagliavia, Milano, Italia: IPOC, 2016)

Os muros derrubados pela Escrita Criativa no Índex de Setembro, 2017 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Prêmio Il Convivio, 2017 & “A menina do olho verde” | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil). 

I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco & “Sobre a escrita criativa” | Diversos.

“Separação” | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

“Tecelãs” / “Tejedoras” | Rizolete Fernandes (RN – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Setembro, 2017 | Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil), Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil).

Agradeço a participação e carinho, a próxima postagem será em 29 de Outubro de 2017, grande abraço e até lá,

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – September, 2017

The walls of the city were overthrown, the High Wall no longer existed.

They planted joint gardens, wrote books for each other to read.

That beginning was good, with hope in the heart.

(“The University City”. In The Green Eye Girl, Patricia Gonçalves Tenório)

 

The walls overturned by the Creative Writing in the Index of September, 2017 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Prize Il Convivio, 2017 & “The Green Eye Girl” | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

I National Seminar on Creative Writing in Pernambuco & “About creative writing” | Miscellaneous.

“Separation” | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

“Weavers” / “Tejedoras” | Rizolete Fernandes (RN – Brasil).

Study Group on Creative Writing – September, 2017 | Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil), Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil).

Thanks for the participation and affection, the next post will be on October 29, 2017, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Os muros derrubados entre Recife e Porto Alegre no I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco. The walls overturned between Recife and Porto Alegre in the First National Seminar on Creative Writing in Pernambuco.

Prêmio Il Convivio 2017 & “A menina do olho verde”* | Patricia Gonçalves Tenório**

O BEIJO

 

Que sabor tem um Beijo? Para ele? Para ela? Tem o gosto de encontro, encontro assim meio de lado, a cabeça de Manoela deitada de lado para receber o Beijo de Pedro. Era feito um aconchego, aquela cabeça deitada, no ombro de seu amado. O Beijo, assim torto parecia. Mas não era torto, era místico e ali se fazia um santuário.

Naquele instante celestial, um Raio de Sol tocou a Cabeça de Manoela. A Cabeça da menina permanecendo deitada, pendendo assim para o lado, era mais fácil o Raio de Sol a tocar e se inserir no pensamento. Houve então uma Epifania. Todos os momentos vividos, o antes, o agora, o depois explodiram em Manoela, como se fossem um instante só. E a menina-mulher podia no corpo de Pedro entrar, no corpo do homem-menino penetrar, feito o ar em seus pulmões.

 

Il Bacio

Che sapore ha un Bacio? Per lui? Per lei? C’è il gusto dell’incontro, un incontro mezzo nascosto, il capo di Manoela chino su un lato per ricevere il Bacio di Pedro. Stava come comodo, quel capo appoggiato sulla spalla dell’amato. Il Bacio, sembrava così di traverso. Ma non era di traverso, era mistico, e là avrebbero costruito un santuario.

In quell’istante celestiale, un Raggio di Sole toccò il Capo di Manoela. Il Capo della bambina mentre rimaneva appoggiata, pendendo da un lato : così era più facile che il Raggio di Sole la toccasse ed entrasse nel suo pensiero. Fu un’Epifania. Tutti i momenti vissuti, il prima, l’ora, il dopo, esplosero dentro Manoela, come fossero un solo istante. E la bambina-donna poteva entrare nel corpo di Pedro, penetrare nel corpo dell’uomo-bambino, come aria nei suoi polmoni.

(Traduzione di Alfredo Tagliavia In La bambina dagli occhi verdi, Patricia Gonçalves Tenório. Milano, Italia: IPOC, 2016)

 

Premiati per sezione 2017

 

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* A menina do olho verde. Patricia Gonçalves Tenório. Recife,PE: Editora Raio de Sol, 2016.

** Patricia Gonçalves Tenório (Recife/PE, 1969) escreve prosa e poesia desde 2004. Tem onze livros publicados, com premiações no Brasil e no exterior, entre elas, Melhor Romance Estrangeiro por As joaninhas não mentem (em Outubro, 2008) e Primo Premio Assoluto por A menina do olho verde (em Outubro, 2017), ambos pela Accademia Internazionale Il Convivio, Itália, e Prêmio Marly Mota (2013) da União Brasileira dos Escritores – RJ pelo conjunto da obra. Defendeu em 17 de setembro de 2015 a dissertação de mestrado em Teoria da Literatura pela Universidade Federal de Pernambuco, linha de pesquisa Intersemiose, “O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural”, sob a orientação da prof. dra. Maria do Carmo de Siqueira Nino. Acaba de ingressar (2017.1) no Programa de Pós-Graduação em Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), no doutorado em Escrita Criativa, sob a orientação do prof. dr. Luiz Antonio de Assis Brasil. Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e www.patriciatenorio.com.br

 

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Setembro, 2017

O exercício do mês de Setembro de 2017 do Grupo de Estudos em Escrita Criativa foi “Escrever sobre escrever”, “Escrever sobre assistir”.

Trago ao centro dois textos que penso representarem bem esses “exercícios de desbloqueio”. Porque a escrita é um subir de montanhas, é subir “o monte da resposta perdida” para tentar encontrar a si mesmo, a sua própria voz, única, intransferível. Insubstituível.

Dois sonhos se encontram no mês de Setembro anunciando o mês de Outubro de 2017. O Primo Premio Assoluto da Accademia Internazionale Il Convivio, Itália para a fábula lúdico-adulta A menina do olho verde, livro que, entre as primeiras pessoas a acreditarem, estavam Bernadete Bruto e Elba Lins.

E o I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco, Seminário no qual vários(as) outros(as) escritores(as) do Brasil e exterior acreditaram, mas que é fruto, flor e árvore da semente plantada lá no início, em agosto de 2016, no Grupo de Estudos em Escrita Criativa, e que com imensa alegria estarão lançando seus primeiros livros – Elba Lins & Do outro lado do espelho – O feminino em estado de poesia, Luisa Bérard & Nas montanhas do Marrocos –, e o primeiro livro infantil de Bernadete Bruto, A menina e a árvore.

Boa leitura!

 

Patricia Gonçalves Tenório

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Bernadete Bruto

bernadete.bruto@gmail.com

 

A PAIXÃO PELA ARTE OU A ARTE DA PAIXÃO?

                                                                                                          

Hoje assisti a dois filmes:  A Arte da Paixão (2013) e  Effie Gray: uma paixão reprimida (2014) e passo a comentar visando apenas a forma de fazer arte.

No primeiro, há duas formas de conceber arte. Uma, viver intensamente a arte, expressá-la, vivenciá-la, fluir com ela. Na liberdade, assim como da mesma forma amar. Algo parecido com que Vinícius diz sobre o amor: “Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito, enquanto dure.” A outra forma, sentir a vida, introjetá-la e extravasar na escrita. Como se o diário fosse uma espécie de confessionário.

O filme A Arte da Paixão (Summer in February) trouxe visões distintas sobre a arte e como fazê-la. Baseado no diário pessoal de Gilbert Evans, conta a história do triângulo amoroso entre o pintor Alfred Munnings, seu amigo Evans e sua esposa Florence Carter-Wood, também pintora. A história se desenrola na Cornualha numa cidade que agrega um grupo de artistas denominado Grupo Lammorna. Uma história real, que gerou um livro escrito por Jonathan Smith, foi transformada num roteiro muito interessante, e em outro tipo de arte. (Que beleza!)

De cara me identifiquei com A.J., assim denominado Alfred Munnings. Sua sede de viver e de expressar a arte. Talvez até porque, logo no início do filme ele recita o poema “O corvo”, poema que muito aprecio, que além da beleza da forma, a recitação é primorosa e o ator o faz de maneira magistral. Eu, aqui do sofá, fui arrebatada! Muito embora tenha uma paixão pela expressão poética, reconheço que outras formas da linguagem têm igual valor. Como também a forma que os artistas queiram vivenciar a sua arte. Acredito não haver receitas. Depende das escolhas com que mais nos identifiquemos. Inclusive, porque o que apreciei em A.J. como artista, não morri de amores pelo homem! Neste assunto, a sensibilidade de Gilbert me atrairia mais.

No caso de A.J., ele era feliz ali naquela comunidade de artistas conforme declarou em discurso, que apresentamos em seguida e que fez sintonia no meu coração:

 

Meus amigos. Minha família da Cornualha por assim dizer.

Que encara o mundo como eu, que capta o seu pulsar, que vê a luz do mar, a pelagem brilhante de um cavalo e o esplendor de uma beldade em um lindo dia.

 

Não conhecia o artista A.J. Munnings e gostei de ver suas pinturas e saber algo sobre ele, sobre Florence e em especial a tela da mulher sobre o cavalo, e não é que descobri várias telas de mulheres a cavalo?

Foi um filme muito agradável e apesar do final triste, em algum momento A.J. até confessa que o casamento e a sua forma de viver a arte não estavam fluindo bem: era tudo tão fácil! Beber, pintar, andar a cavalo. Mas isso, acaba comigo. Deste filme, escolhi ficar com o exemplo do companheirismo de Laura e Harold Knight que viveram com autencidade tanto na arte quanto na vida, e extraí essa mensagem: “amar só não basta. Certas artes são como o sacerdócio e compatibilidades é o que mais necessitamos.”

O segundo filme, Effie Gray: uma paixão reprimida, novamente o triângulo amoroso entre um crítico de arte e crítico social britânico John Ruskin, sua esposa Euphemia “Effie” Gray e o artista John Everett Millais, também outra adaptação da uma história real sobre a primeira mulher na Inglaterra que pediu divórcio.

Embora o filme comece com a famosa frase ERA UMA VEZ, nada indicava um conto de fadas e romance. Tive a impressão que a protagonista era a arte e não Effie. A arte estava em primeiro lugar na vida de Ruskin, que também foi poeta e desenhista e vivia no pedestal que ele foi colocado pelos pais e pela sociedade. Seu conceito de arte apresentado num evento durante o filme, já nos remete à sua forma de vivenciá-la:

 

Qual o propósito da arte? Idealizar? Sentimentalizar? O propóstio da arte é revelar a verdade. É revelar Deus.

 

Talvez por Effie ter sido em criança sua musa, para quem ele escreveu um livro, não pudesse tornar-se nem mulher, nem real para ele, na sua concepção neurótica.  Também encontrei no filme uma alusão de que o artista faria um livro escrevendo sobre a “maldade” de sua mulher, o que me deixou a meditar se ela não estaria sendo um experimento para aquele futuro livro. Ruskin me deixou a impressão de que certos artistas se dedicam tanto à sua arte, que não há espaço para nada mais na vida.

No caso em particular, o final não foi feliz para Ruskin que teve sua vida exposta à sociedade da época, todavia Effie casou com Millais e teve 8 filhos. Isso, descobri em pesquisa, como outros detalhes sórdidos sobre Ruskin e Effie, que não interessam para a nossa análise. Um filme muito romântico, apesar dos momentos de infelicidade, e com final feliz, a marca registrada dos roteiros de Emma Thompson, que participa deste filme, assim como de outros que ela produz, roteiriza, e que me agrada bastante.

Por fim, porque ambos os filmes abordam o assunto da arte, fica a pergunta inicial no título de como se manifestou a arte e a vida nessas produções.

 

Recife, 20 de Agosto de 2017.

 

 

Elba Lins

elbalins@gmail.com

 

 

Por ser de lá do Sertão, lá do Cerrado
Lá do interior do mato
Da Caatinga do roçado.
Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigos
Eu quase que não consigo
Ficar na cidade sem viver contrariado.(2)

Gilberto Gil e Dominguinhos

 

 

 

A leitura do conto “Lonesome Town”(1), de Luís Roberto Amabile, me emocionou. Quiçá porque, tratando-se de uma paisagem seca, do sertão, mais especificamente do Sertão do Pajeú, me fez lembrar do meu próprio lugar incrustado no Sertão do Cariri.

Assim, comecei a ler e me identificar com a paisagem, a entender os sonhos de tantos que abandonam por instantes o pensar seco, árido e vazio e ousam voar em devaneios poéticos. Penso no dono do Café e no seu sonho de uma grande competição onde as vozes de Caetano Veloso, Bom Jovi e Laura Pausine cantam a solidão e enaltecem o nome do lugar, colocando luz e colorido na monotonia vigente.

E a inusitada imagem da Greta Garbo de Solidão, me trouxe lágrimas aos olhos. “Greta Garbo! A maior estrela de cinema da sua época, a mais reclusa entre todas as celebridades que já existiram. Greta Garbo, a mulher mais bonita de todos os tempos, que escolheu a solidão…” (AMABILE, 71). Greta Garbo, havia escolhido Solidão.

E eu, talvez por ser uma amante da dança e saber que num átimo, num passo de dança,  maravilhas acontecem, sonhos se realizam e diferentes solidões se entrelaçam e deixam-se levar num redemoinho cósmico, sinta tão fortemente essa imagem. Depois daquela dança a vida em Solidão jamais voltou a ser a mesma para aquela velha dama em azul. Aquela que num momento ímpar se “fez bonita como há muito tempo não queria ousar (3)”. Depois daquela dança, Solidão, Greta Garbo, e até mesmo eu nunca mais fomos os mesmos!

 

(TAMBÉM  EXISTEM SONHOS NO CAFÉ SOLIDÃO

Após a leitura do conto “Lonesome Town” no livro O amor é  um lugar estranho, de Luís Roberto AmabileElba Lins  18.09.2017)

 

Referências

1 – “Lonesome Town” no livro O amor é  um lugar estranho – Luís Roberto Amabile

2 – “Lamento Sertanejo” – Gilberto Gil e Dominguinhos

3 – “Valsinha” – Chico Buarque

Índex* – Agosto, 2017

As palavras

Dos outros

Atravessam

As minhas mãos

Atravessam

Os meus ouvidos

E já não 

Posso dizer

Se são minhas

Se são desses

Escritores

Que me escrevem

E me impelem

A ser uma

Pessoa maior

E me cedem

Um pouco de

Inspiração 

E ofício 

E técnica

Para o que

Escrevo

Soar melhor

Em minhas mãos

(Sobre a Escrita Criativa, Patricia Gonçalves Tenório, 02/08/17, 18h06)

 

 

As palavras dos outros que me atravessam no Índex de Agosto, 2017 do blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Quando Capitu chorou | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Fernando Luz (AL – Brasil).

Diálogos | Bernadete Bruto (PE – Brasil), Carlos Sierra (Colômbia), Elba Lins (PB/PE – Brasil) & Patricia Gonçalves Tenório.

“Exercícios literários: Café & Poesia” | Com Célia Medeiros (RN – Brasil) & Clauder Arcanjo (RN – Brasil), entre outros.

“O amor que não sentimos e outros contos” | Guilherme Azambuja Castro (RS – Brasil).

“Demorei a gostar da Elis” | Alexandra Lopes da Cunha (DF/RS – Brasil).

“Demônios domésticos” | Tiago Germano (PB/RS – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa | Bernadete Bruto, Elba Lins, Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil), Marcos Torres (PE – Brasil) & Uilian Novaes (BA – Brasil). 

A partir de 28 de Agosto de 2017 estarão abertas as inscrições para o I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco (PUCRS – Brasil) que acontecerá de 13 a 15 de Outubro de 2017 na XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco. As inscrições são gratuitas, vagas limitadas, e realizadas, com maiores informações, no link:

http://www.bienalpernambuco.com/i-seminario-nacional-em-escrita-criativa-de-pernambuco/

O lançamento do livro Sobre a Escrita Criativa, com artigos dos participantes do Seminário, será em 13 de Outubro de 2017, às 19h00.

Agradeço a participação e carinho, a próxima postagem será em 24 de Setembro de 2017, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* August, 2017

The words

Of the others

They cross

My hands

They cross

My ears

And no longer

I can say

If they are mine

If they are from these

Writers

That write to me

That urge on me

To be a

Greater person

And give me

A bit of

Inspiration

And craft

And technique

For what

I write

Sound better

In my hands

(About Creative Writing, Patricia Gonçalves Tenório, 08/02/17, 6:06 p.m.)

 

 

The words of the others that cross me in the Index of August, 2017 of the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

When Capitu wept | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Fernando Luz (AL – Brasil).

Dialogues | Bernadete Bruto (PE – Brasil), Carlos Sierra (Colombia), Elba Lins (PB/PE – Brasil) & Patricia Gonçalves Tenório.

“Literary Exercises: Coffee & Poetry” | With Célia Medeiros (RN – Brasil) & Clauder Arcanjo (RN – Brasil), among others.

“The love we do not feel and other tales” | Guilherme Azambuja Castro (RS – Brasil).

“I took too long to like Elis” | Alexandra Lopes da Cunha (DF/RS – Brasil).

“Domestic Demons” | Tiago Germano (PB/RS – Brasil).

Study Group on Creative Writing | Bernadete Bruto, Elba Lins, Luisa Bérard (AL/PE – Brasil), Talita Bruto (PE – Brasil), Marcos Torres (PE – Brasil) & Uilian Novaes (BA – Brasil). 

From August 28, 2017 it will be opened the entries for the 1st National Seminar on Creative Writing of Pernambuco (PUCRS – Brasil), which will take place from October 13 to 15, 2017 at the XI International Book Biennial of Pernambuco. Entries are free, limited and made available, with more information, in the link:

http://www.bienalpernambuco.com/is-seminario-nacional-em-escrita-criativa-de-pernambuco/

The launch of the book About Creative Writing, with articles by participants of the Seminar, will be on October 13, 2017 at 7:00 p.m.

Thanks for the participation and affection, the next post will be on September 24, 2017, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** O Guaíba de Porto Alegre se encontrando com o Capibaribe de Recife formando o Oceano Atlântico do I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco. The Guaíba of Porto Alegre meeting with the Capibaribe of Recife forming the Atlantic Ocean of the 1st National Seminar on Creative Writing of Pernambuco.

 

Quando Capitu chorou* | Patricia Gonçalves Tenório** & Fernando Luz***

 

I Capítulo – Um passeio pelo parque

 

Ela saiu do flat bem cedinho para receber os primeiros raios de sol no Parque Farroupilha.

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Era nova ali. Era uma nova vida. Passara na seleção de mestrado em Escrita Criativa e só conhecia Porto Alegre de retrato.

Saiu do flat bem cedinho e levou o celular escondido no casaco, apesar dos conselhos da mãe. Não saia com o celular à vista, Capitu!, a mãe lhe disse, a mãe lhe orientou. Mas Capitu queria fotografar os cantos daquela cidade nova.

A caminho do parque, viu a Faculdade de Medicina com os portões frondosos, frondosos feito as árvores que iria encontrar no Parque da Redenção.

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O Parque da Redenção era o outro nome do Parque Farroupilha, e o parque recebeu aquele outro nome por causa da precoce redenção da escravatura na cidade em 1884. Enquanto que Farroupilha se deve à revolução de mesmo nome, quando a várzea do parque ficou fora dos domínios da Vila de Porto Alegre.

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Uma senhora praticava sozinha yoga quando Capitu entrou no parque. O frio da manhã arrepiava o corpo encolhido dentro do casaco, apesar dos primeiros raios de sol.

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Lá estava ele. O sol. Desnudando os cabelos castanhos, a pele morena clara, os olhos da ressaca de tantas horas de avião.

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De Recife para Porto Alegre eram seis horas de avião. Isso quando não atrasava. Em Recife, quem levou Capitu para o aeroporto foi Bentinho – o pai e a mãe da menina não paravam de chorar.

Bentinho, silencioso. Bentinho, casmurro feito iria ser um dia. E é justamente para Bentinho que a moça da ressaca tira no celular aquelas fotografias do Parque da Redenção.

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* Exercício em Wattpad da disciplina Literatura e Linguagem Digital ministrada no doutorado em Escrita Criativa do PPGL da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS pelo Prof. Dr. Bernardo Bueno em 2017.2.

** Patricia Gonçalves Tenório (Recife/PE, 1969) escreve prosa e poesia desde 2004. Tem onze livros publicados, com premiações no Brasil e no exterior, entre elas, Melhor Romance Estrangeiro da Accademia Internazionale Il Convivio, Itália (2008) por As joaninhas não mentem, e Prêmio Marly Mota (2013) da União Brasileira dos Escritores – RJ pelo conjunto da obra. Defendeu em 17 de setembro de 2015 a dissertação de mestrado em Teoria da Literatura pela Universidade Federal de Pernambuco, linha de pesquisa Intersemiose, “O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural”, sob a orientação da prof. dra. Maria do Carmo de Siqueira Nino. Acaba de ingressar (2017.1) no Programa de Pós-Graduação em Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), no doutorado em Escrita Criativa, sob a orientação do prof. dr. Luiz Antonio de Assis Brasil. Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e www.patriciatenorio.com.br

*** Publicidade da Dior enviada por Fernando Luz. Contato: fernandinholuz@hotmail.com

Índex* – Maio, 2017

Tempo morto

Aquele de

Se esperar

E nunca

Alcança

Aquele de

Ver o mar

E não enxergar

A paisagem 

Aquele de 

Abrir os olhos

E não ter

Porque viver

*

Tempo torto

Que vive

Embriagando

As minhas buscas

Que traça

A imensidão 

Do meu destino

E me deixa

Parada entre os caminhos

*

Tempo solto

Que faz

Endoidecer 

Os meus ouvidos

Que floresce

Nas saias de meus vestidos

E concede

Um pouco de paz

Um pouco de amor

(“Triplo presente”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 16/05/17, 07h40)

*

Tempo morto

quello per aspettare

e mai raggiungere

quello per vedere il mare

e non guardare il paesaggio

quello per aprire gli occhi

e non sapere perchè vivere

*

Tempo contorto

che ubriaca le mie ricerche

che traccia l’immensità del mio destino

lasciandomi ferma tra i percorsi

*

Tempo liberato

che fa impazzire le mie orecchie

che fiorisce tra le pieghe del mio vestito

e concede un po’ di pace

un po’ d’amore.

(TRIPLO PRESENTE (Patricia Tenorio), Traduzione dal portoghese: Alfredo Tagliavia, 21/05/2017)

*

O Tempo solto entre os Espaços, entre os Signos, entre as Artes no Índex de Maio, 2017 do blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

Conto intersemiótico | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

“Semiose poética” | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

“À Cidade” | Mailson Furtado (CE – Brasil).

A automedicação na prática | Mara Narciso (MG – Brasil).

A caixa e seus guardados | Marly Mota (PE – Brasil).

“Vida em veios”, de Regina Rapacci  (SP – Brasil) | Apresentação de Fred Linardi (SP/RS – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Maio, 2017 | Com Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PB/PE – Brasil).

Agradeço a atenção e delicadeza, a próxima postagem será em 25 de Junho, 2017, um abraço bem grande e até lá,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – May, 2017

Dead time

That of

Waiting

And never

Reaching

That of

Seeing the sea

And not seeing

The landscape

That of

Openning the eyes

And not having

A reason to live

*

Crooked time

That lives

Intoxicating

My searches

That traces

The immensity

Of my destiny

And leaves me

Stopped between the paths

*

Loose time

That goes 

Freaking out

My ears

That flourishes

In the skirts of my dresses

And grants

A little bit of peace

A little bit of love

(“Triple present”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 05/16/17, 07h40)

*

The Loose Time between Spaces, between the Signs, between the Arts in the Index of May, 2017 of the blog of Patricia (Gonçalves) Tenório.

Intersemiotic Tale | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

“Poetic Semiosis” | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

“To The City” | Mailson Furtado (CE – Brasil).

Self-medication in practice | Mara Narciso (MG – Brasil).

The box and its saved | Marly Mota (PE – Brasil).

“Life in veins”, by Regina Rapacci (SP – Brasil) | Presentation by Fred Linardi (SP/RS – Brasil).

Study Group on Creative Writing – May, 2017 | With Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PB/PE – Brasil).

Thanks for the attention and delicacy, the next post will be on June 25, 2017, a big hug and until then,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Entre Recife e Porto Alegre, a Teoria e a Ficção, a Vida e a Arte. Between Recife and Porto Alegre, Theory and Ficcion, Life and Art. 

Conto intersemiótico| Patricia (Gonçalves) Tenório*

Para Elba Lins & Companhia

Maria fechou a porta do táxi e deixou para fora o pensamento em José, como se fosse o cinto do casaco bege deslizando pelo ar.

O motorista do táxi usava uma boina preta no frio de Porto Alegre. Ela disse a direção. Ele para lá se encaminhou. E calou, adivinhando o seu silêncio.

O silêncio sendo preenchido com as palavras de José perturbando os ouvidos de Maria, a cabeça de Maria presa no pensamento em José deslizando pelo ar.

Posso ligar o som?, o motorista perguntou, Maria concordou com um piscar de olhos.

Pachelbel.

Você sabia que Johann Pachelbel foi professor do irmão mais velho de Bach?

Eu não sabia que essa música era de Pachelbel. Escutei uma vez em um filme…

Sim, pesquisei uma versão em piano. Ouça, que delicadeza…

As lágrimas atravessavam o rosto de Maria, lentamente atravessavam, e limpavam as palavras de José, Não, O problema é seu, Tenho uma carreira para cuidar.

A música flui no rádio do motorista, dança nos ouvidos de Maria, e é tudo um mundo só: as árvores se misturam aos postes, as casas coladas umas às outras, um cachorrinho passeando com sua dona, um casal de velhinhos de mãos dadas.

O táxi chega ao destino. As lágrimas secas no rosto de Maria. Ela agradece. Ele acena com a mão. A moça de casaco bege recolhe o cinto preso do lado de fora e desce no mirante de Santa Tereza para assistir ao pôr-do-sol.

(“Maria em Ré menor”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 24/05/2017, 08h30, 10h10 e 11h13)

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* Patricia (Gonçalves) Tenório escreve prosa e poesia desde 2004. Tem onze livros publicados e defendeu em 17 de setembro de 2015 a dissertação de mestrado em Teoria da Literatura pela Universidade Federal de Pernambuco, linha de pesquisa Intersemiose, “O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural”, sob a orientação da Prof. Dra. Maria do Carmo de Siqueira Nino. Acaba de ingressar (2017.1) no Programa de Pós-Graduação em Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) no Doutorado em Escrita Criativa, sob a orientação do Prof. Dr. Luiz Antonio de Assis Brasil.

Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e www.patriciatenorio.com.br

Índex* – Março, 2017

Foi às portas do

Inferno

E provou

O gosto árduo

De amar e

Não ser amada

*

Mesmo só

No infinito

Purgatório

Experimentou

Gotas de orvalho

Que desciam

Suavemente

Lá do

Céu

*

Avistou São Pedro

E suas chaves

Douradas

E os portões

Dourados

Que se abriam

De par em par

Como se para Beatriz

Fossem

Como se para Beatriz

Abrissem

Um sem fronteiras

De bênçãos

E felicidade

*

Pedro sorriu para Beatriz

Ele que negou

Três vezes

Ele que sofreu

Três vezes

O suplício de negar

A quem muito

Amava

*

Ele estendeu a mão

Ela se encolheu

Ele deu mais um passo

Ela compreendeu

Que o verdadeiro

Amor

É aquele que tudo

Com a consciência de talvez

Nunca

Receber nada em troca

(“Dante ao contrário”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 04/03/2017, 15h05)

O Amor sem receber nada em troca no Índex de Março, 2017 no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

A volta de um”A menina do olho verde” | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

Alfredo Pérez Alencart (Salamanca – Espanha) | Poemas.

Geórgia Alves (PE – Brasil) | “Reflexo dos Górgias”.

Grupo de Estudos em Escrita Criativa | Com Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PB/PE – Brasil).

Luís Augusto Cassas (MA – Brasil) | “A Poesia sou Eu”.

Marta Braier (Argentina) | Por Rolando Revagliatti (Argentina).

E os links do mês:

– O lançamento de “Não verás amanhã” (29/03/2017), de e no blog de Gustavo Melo Czekester (RS – Brasil): www.homemdespedacado.wordpress.com

– A fotografia de Tatiana Barroso de Oliveira (“Dona Mariana”) no Singular e Plural: www.singulareplural.wixsite.com

– A tradução e apresentação de Tiago Silva da escritora Namrata Poddar na Revista da UEPB: www.revista.uepb.edu.br/index.php/sociopoetica/article/view/3427/1873

Agradeço a participação e carinho, a próxima postagem será em 30 de Abril, 2017, grande abraço e até lá,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – March, 2017

 

She went to the doors of

Hell

And proved

The hard taste

Of loving and

Not being loved

*

Even alone

In the infinite

Purgatory

She tasted

Dew drops

That descended

Gently

There from

Heaven

*

She sighted St Peter

And his golden

Keys

And the golden

Gates

That opened

Wide

As for Beatriz

Were

As for Beatriz

Opened

One without borders

Of blessings

And happiness

*

Peter smiled at Beatriz

He who denied

Three times

He who suffered

Three times

The punishment of denying

Who he much

Loved

*

He held out his hand

She cringed

He took another step

She understood

That the true

Love

It’s the one which

One gives

With the consciousness of maybe

Never

Receive nothing in return

(“Dante to the contrary”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 04/03/2017, 15:05)

 

The Love without receiving anything in return in the Index of March, 2017 in the blog of Patricia (Gonçalves) Tenório.

The Return of a “The Green Eye Girl” | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

Alfredo Pérez Alencart (Salamanca – Spain) | Poems.

Georgia Alves (PE – Brasil) | “Reflection of the Gorgias”.

Study Group in Creative Writing | With Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PB/PE – Brasil).

Luís Augusto Cassas (MA – Brasil) | “Poetry is Me”.

Marta Braier (Argentina) | By Rolando Revagliatti (Argentina).

And the links of the month:

– The launch of “You will not see tomorrow” (03/29/2017), from and on the blog of Gustavo Melo Czekester (RS – Brasil): https://homemdespedacado.wordpress.com/

– The photo of Tatiana Barroso de Oliveira (“Dona Mariana”) in the Singular and Plural: http://singulareplural.wixsite.com

– The translation and presentation by Tiago Silva of the writer Namrata Poddar in the UEPB Magazine: http://revista.uepb.edu.br/index.php/sociopoetica/article/view/3427/1873

Thanks for the participation and affection, the next post will be on April 30, 2017, big hug and until then,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** A Crítica Genética de um Poema. The Genetic Critique of a Poem.

A volta de um”A menina do olho verde” | Patricia (Gonçalves) Tenório

A ALVORADA

(Extraído de A menina do olho verde, Recife: Editora Raio de Sol, 2016)

Os dois se olhavam através da Alvorada. Manoela, no deserto, adivinhava o rosto de Pedro na janela da casa de professora Mariana, de onde ele não saía mais. E Pedro sentia a menina do olho verde com o toque dos raios de Sol em seu rosto envelhecido.

Eles haviam envelhecido, cada qual no próprio Tempo. Mas possuíam ainda um coração de criança, um sentimento de menino e menina da cachoeira. Sabiam-se um ao outro pertencentes, sabiam-se um ao outro congruentes, e venciam aquele abismo de Tempo e Espaço só com a força do pensamento.

O pensamento os salvara de não se sentirem sós. Apesar da distância, apesar do silêncio, sabiam estar entre si conectados, entre si apaixonados, mesmo havendo o Mestre Desconhecido. Manoela não se lembrava mais do encontro com o Mestre Desconhecido. Parecia que havia acontecido com outra pessoa, com uma estranha, que buscava a origem do prazer. Mas o prazer pode assumir tantas formas, e mais se aproxima da plenitude quando se aproxima do Amor.

A menina-mulher resolveu subir o Monte das Respostas Perdidas. Não podia mais adiar. Que houvesse perigos, riscos e informações contraditórias: a todos enfrentaria. É preciso escolher um destino, escolher um caminho a seguir. E então, sem medo, sem qualquer arrependimento, subir o Monte, passo a passo, pé a pé.

Fez para si um sapato confortável para o Monte escalar. Era feito de fibras de algodão colhido no deserto que agora deserto não era mais. Manoela vivia na abundância e a abundância de sentido buscaria. Não mais temor de não ser suficiente, pois suficiente nunca se é. Nos aproximamos do suficiente, roçamos o suficiente, mas a nós alguma coisa sempre faltará.

E é nessa falta que se insere a Criação. É na falta mais intensa, na falta mais sofrida que a Palavra se apresenta como a salvação derradeira. Manoela sabia disso, aprendera isso naqueles dias no deserto, na solidão mais profunda. Aprendeu que veio só e voltará só para detrás da cachoeira. Mas antes de voltar para o lugar de onde veio havia uma missão a cumprir. E essa missão se completa em comunidade, não se completa só.

A subida do Monte era íngreme e lembrava Manoela uma subida anterior. Havia se esquecido de fatos antigos, de histórias que vivera como se houvesse escrito em um outro livro. E esse livro esquecido, o Livro da Vida Anterior da menina do olho verde precisava ser resgatado, para ao Passado entender, ao Presente aplicar, no Futuro encontrar o seu destino.

Na metade da subida parou para descansar um instante. Era dali muito bela aquela vista. O Espaço Imaginário criado por Manoela. E era tão bom criar… Um calor brotou de seu peito ainda jovem, ainda cheio de esperança da Resposta Perdida encontrar. E a encontraria, a menina afirmou no meio daquele Espaço, no meio da subida árdua que havia começado na Alvorada.

 

L’Alba

(Estratto dal’La bambina dagli occhi verdi, Milano: IPOC, 2016, Traduzione: Alfredo Tagliavia)

I due si guardavano attraverso l’Alba. Manoela, nel deserto, indovinava il viso di Pedro in finestra a casa della maestra Mariana, da dove non era più uscito. E Pedro sentiva la bambina dagli occhi verdi attraverso le carezze dei raggi di Sole sul suo viso invecchiato.

Erano invecchiati, ognuno nel proprio Tempo. Ma avevano ancora un cuore da bambini, il sentimento di quel bambino e di quella bambina del ruscello. Sapevano che appartenevano l’uno all’altra, sapevano che erano fatti l’uno per l’altra, e vincevano quell’abisso di Tempo e Spazio solo con la forza del pensiero.

Il pensiero li salvava dal sentirsi soli. Nonostante la distanza, nonostante il silenzio, sapevano stare insieme, innamorati, anche se c’era il Maestro Sconosciuto. Manoela non si ricordava più dell’incontro con il Maestro Sconosciuto. Sembrava fosse successo con un’altra persona, con un estraneo, che cercava l’origine del piacere. Ma il piacere può assumere tante forme diverse, e si avvicina alla pienezza quanto più si avvicina all’amore.

La bambina-donna salì il Monte della Risposta Perduta. Non poteva più rimandare. Ci fossero stati pericoli, rischi, e informazioni contradditorie : avrebbe affrontato tutto. È giusto scegliere un destino, scegliere un cammino da seguire. E dunque, senza paura, senza nessun pentimento, scalare il Monte, passo dopo passo, piede dopo piede.

Preparò per sé scarpe confortevoli per scalare il Monte. Erano fatte di fibra di cotone colto nel deserto che ora deserto non era più. Manoela viveva nell’abbondanza e cercava abbondanza di senso. Non più timore di non essere all’altezza, perché mai lo si è. Ci avviciniamo alla completezza, sfioriamo la completezza, ma qualcosa sempre ci mancherà.

Ed è in questa mancanza che si inserisce la Creazione. È nella mancanza più intensa, nella mancanza più sofferta che la Parola si presenta come la salvezza estrema. Manoela lo sapeva, lo aveva imparato in quei giorni nel deserto, nella solitudine più profonda. Imparò che era venuta dal ruscello e là sarebbe tornata. Ma prima di ritornare aveva una missione da compiere. E questa missione si compie in comunità, non da soli.

La salita al Monte era ripida e a Manoela ricordava una salita precedente. Si era dimenticata di fatti antichi, di storie che aveva vissuto come fossero state scritte in un altro libro. E questo libro dimenticato, il Libro della Vita Precedente della bambina dagli occhi verdi doveva essere riscattato, per capire il Passato, applicarlo al Presente, incontrare il suo destino nel Futuro.

A metà della scalata si fermò per riposare un istante. Da lì la vista era molto bella. Lo Spazio Immaginario creato da Manoela. E era così bello creare… Un calore bruciò il suo petto ancora giovane, ancora pieno di speranza di trovare la Risposta Perduta. E l’avrebbe trovata, la bambina disse in mezzo a quello Spazio, nel mezzo dell’ardua salita che aveva cominciato all’Alba.

 

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(A menina do olho verde na Livraria Cultura do Shopping RioMar – Recife – PE)

* BookTrailer:

* Livro físico: www.livrariacultura.com.br/p/a-menina-do-olho-verde-46286777?id_link=8787&adtype=pla&gclid=CJKZ2MX7mM4CFYUGkQodyYcEWw

* Livro virtual: www.livrariacultura.com.br/busca?N=102281&Ntt=A+menina+do+olho+verde 

Índex* – Janeiro, 2017

Foram derrubados os muros da cidade, o Muro Alto não existia mais.

Plantaram jardins conjuntos, escreveram livros para uns aos outros ler.

Era bom aquele começo, com a esperança no coração.

(Trecho de “A Cidade Universitária”, capítulo de A menina do olho verde (2016))

Furono abbatue le mura della città, il Muro Alto non esisteva più. 

Piantarono giardini comunicanti, scrissero libri per leggerli gli uni agli altri.

Un buon inizio, con la speranza nel cuore.

(Estratto di “La Città Universitaria”, capitolo di La bambina dagli occhi verdi (2016), traduzione Alfredo Tagliavia)

Uma Cidade Universitária no Índex de Janeiro, 2017 no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório.

A perda da aura nas “Fotografias para imaginar”, de Gilberto Perin (e a Escrita Criativa em Ambiente Acadêmico) | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil) com Gilberto Perin (RS – Brasil), Luiz Assis Brasil (RS – Brasil), Cíntia Moscovich (RS – Brasil) e Luís Roberto Amabile (SP/RS – Brasil). 

Alcides Buss (SC – Brasil) | Viver não é tudo.

Anco Márcio Tenório Vieira (PE – Brasil) | Universidade inclusiva e democrática.

Antônio Carneiro da Silva (PE – Brasil) | “Pé na Folia”.

Clauder Arcanjo (RN – Brasil) | “Cambono”.

DS Tenório (PE – Brasil) | Ubud.

Mara Narciso (MG – Brasil) | Salvem os pés de murici!

Agradeço a participação e carinho, a próxima postagem será em 26 de Fevereiro, 2017, grande abraço e até lá,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – January, 2017

The walls of the city were overthrown, the High Wall no longer existed.

They planted joint gardens, wrote books for each other to read.

That beginning was good, with hope in the heart.

(Excerpt from “The University City”, chapter of The Girl with the Green Eye (2016))

A University City in the Index of January, 2017 in the blog of Patricia (Gonçalves) Tenório.

The Loss of the Aura in Gilberto Perin’s “Photographs to Imagine” (and Creative Writing in an Academic Environment) | Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil) with Gilberto Perin (RS – Brasil), Luiz Assis Brasil (RS – Brasil), Cíntia Moscovich (RS – Brasil) and Luís Roberto Amabile (SP/RS – Brasil).

Alcides Buss (SC – Brasil) | Living is not everything.

Anco Márcio Tenório Vieira (PE – Brasil) | Inclusive and democratic University.

Antônio Carneiro da Silva (PE – Brasil) | “Foot in the Folia”.

Clauder Arcanjo (RN – Brasil) | “Cambono”.

DS Tenório (PE – Brasil) | Ubud.

Mara Narciso (MG – Brasil) | Save the murici plantations!

Thanks for the participation and affection, the next post will be on February 26, 2017, big hug and until then,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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foto 2 (1)

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Entre Recife e Porto Alegre (Brasil). Entre a UFPE e a PUCRS. A Teoria e a Ficção. A Vida e a Arte. Between Recife and Porto Alegre (Brasil). Between UFPE and PUCRS. Theory and Ficcion. Life and Art.