Índex* – Agosto, 2019

Assis criou

Uma personagem

Em mim

Que eu nem

Conhecia

Que eu não

Entendia

O amanhecer

Do meu

Enredo

 

É possível

Ensinar

Escrita Criativa?

Assis pergunta

Eu me pergunto

E insisto

No caminho

De juntar

Letrinhas

Contar histórias

Escrever ficção

(“Assim nasce uma Especialização”*, Patricia Gonçalves Tenório, 17/08/19, 16h40)

*Durante as aulas inaugurais da Especialização em Escrita Criativa Unicap/PUCRS ministradas pelo escritor e professor Luiz Antonio de Assis Brasil

 

Assim nasce um sonho no Índex de Agosto, 2019 do blog de Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Especialização Lato Sensu em Escrita Criativa – Unicap/PUCRS – Agosto, 2019 | Diversos.

A QUARTA MARGEM DO RIO DO COMPANHEIRO ACÁCIO | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

O HUMOR CONTRA TODOS DE TCHEKOV | Helena Bruto (PE – Brasil).

“Água de Chloé” | João Paulo Gurgel de Medeiros (RN – Brasil).

Agradeço pelo carinho, a próxima postagem será em 29 de Setembro, 2019, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Index* August, 2019

Assis created

A character

In me

That I neither

Knew

That I don’t

Understood

The dawn

From my own

Plot

 

Is it possible

Teaching

Creative writing?

Assis asks

I ask myself

And I insist

On the way

To gather

Little alphabet letters

To tell stories

To write fiction

(“Thus is born a Specialization”*, Patricia Gonçalves Tenório, 08/17/19, 4:40 pm)

* During the inaugural classes of the Unicap/PUCRS Creative Writing Specialization given by writer and teacher Luiz Antonio de Assis Brasil

 

Thus is born a dream in the Index of August, 2019 from the blog of Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Lato Sensu Specialization in Creative Writing – Unicap/PUCRS – August, 2019 | Several.

THE FOURTH BANK OF THE ACÁCIO’S COMPANION RIVER | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

HUMOR AGAINST ALL OF TCHEKOV | Helena Bruto (PE – Brasil).

“Chloé Water” | João Paulo Gurgel of Medeiros (RN – Brasil).

Thanks for the affection, the next post will be on September 29, 2019, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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**

 

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Um sonho sempre nasce para todos nós. Fotografia: George Barbosa. A dream is always born for all of us. Photography: George Barbosa.

 

Especialização Lato Sensu em Escrita Criativa – Unicap/PUCRS – Agosto, 2019

A primeira Especialização Lato Sensu em Escrita Criativa na parceria entre a PUCRS e a Unicap nasceu na semana passada. Trouxemos um dos pais da Escrita Criativa no país, o escritor e professor gaúcho Luiz Antonio de Assis Brasil.

Foi um final de semana pleno de surpresas boas, textos de qualidade, e o mestre nos guiando pelos caminhos do bem escrever.

Compartilho abaixo alguns textos gentilmente concedidos pelos participantes para emanarmos um pouco do aroma que vivenciamos nesses dois dias tão especiais e que para sempre nos recordaremos…

Abraços cheios de Luz e até breve,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Vida também é Arte

Patricia Gonçalves Tenório[1]

16 de agosto de 2019

 

Sentada em uma das cadeiras do anfiteatro, eu posso vê-los chegar, acomodarem-se em seus lugares, surpreenderem-se com o bloquinho de anotações e a caneta bic coloridos, o aroma do girassol sorridente.

A primeira turma da Especialização Lato Sensu em Escrita Criativa da Unicap/PUCRS nasce hoje. É um sonho antigo que se faz novo, atual. Enquanto respiro o instante, relembro tudo o quanto caminhamos para chegarmos até aqui, as inúmeras pessoas que nos ajudaram e somos para sempre gratos, o que sofremos, o que sorrimos.

E vendo seus rostos iluminados, pequenos girassois que bebem da sabedoria e dos ensinamentos do mestre maior da Escrita Criativa no país, Luiz Antonio de Assis Brasil, penso que todos os esforços, os obstáculos, a quase desistência, valeram a pena, frutificaram.

Brotaram em sementinhas numa sexta-feira de agosto de 2019 em nossos corações.

 

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[1] Escritora, doutora em Escrita Criativa (PUCRS, 2018), participante na coordenação da Especialização Lato Sensu em Escrita Criativa Unicap/PUCRS (2019.2). Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e www.patriciatenorio.com.br

 

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Ana Paula Almeida

Contato: apbalmeida76@hotmail.com

Exercício I:

 

A luz do quarto apaga sozinha na hora do jantar. Não posso desperdiçar aquela oportunidade que tanto aguardava. Visto a única calça e camiseta que ainda cabem em mim. Pego uma panela vazia e me encolho ao lado da porta.

Minhas mãos suam e tremem, assim como o meu coração. Ouço um ruído de passos se aproximando. Barulho que sempre surge no mesmo horário à noite. Minha única fonte de percepção do meio externo.

Percebo o som da chave. Levanto-me com um salto e me posiciono como um animal selvagem que é perturbado em sua toca.

No momento em que ele entra no aposento, a lâmpada volta a acender. Ele surge com os olhos cor de sangue, atentos a qualquer movimento. Cheira a suor e graxa. Segura um revólver e uma corda.

Fixo o olhar naquelas armas, sentindo-me como um vidro: estática e frágil. Ele se aproxima. Pego o objeto de alumínio, que escondia por trás das costas, coloco na minha frente e pergunto se trouxe minha refeição.

Não posso fazer mais nada. A luz que tanto me conforta, dessa vez tira-me a coragem. Não será agora que conseguirei lutar por minha liberdade.

 

Exercício II:

Arthur vive a história mais curta de sua vida

 

Arthur senta-se no trono letal. Há três anos, dois meses e três dias pensava diariamente como seria aquela cena.

No início não acreditava que aquilo aconteceria de fato. Achou que, de alguma maneira, conseguiria convencer as autoridades da sua inocência. Passou a sentir muita raiva da situação. Tentou se relacionar com outros detentos na tentativa de articular um plano de fuga, mas nada dava certo. Até que um dia aceitou seu destino.

Sinal dado para que se prossiga com a execução. Não funciona. Presidiário retirado do local para que seja realizada vistoria no equipamento.

Luzes se apagam. Gerador quebrado. Arthur corre no escuro em direção à porta. Percorre todo corredor e, no final, imobiliza um guarda responsável pela segurança. Pega as chaves e a arma, pede para que tire suas roupas, e as veste em seguida.

Continua o percurso até o portão principal e, fardado, consegue sair sem chamar atenção. Pega um taxi, estaciona em frente a sua casa, desce do carro e toca a campainha. Sua filha caçula aparece arregalando os olhos e sorrindo ao mesmo tempo. Pula para os braços do pai e o envolve com beijos.

A energia volta. Presidiário reconduzido à cadeira elétrica. Dispositivo acionado. Procedimento realizado com sucesso.

 

Cleyton Cabral

Contato: ccomunicador@gmail.com

História de fogo

 

Todo dia Barros acorda às seis da manhã. Olha o Instagram antes de se levantar.

Rola o feed: mulheres de biquíni, vizinha, novata do Corpo de Bombeiros.

Like. Like. Like.

Privada, escova de dentes, chuveiro.

Farda, café, um beijo na testa de Emilly e um selinho em Carla.

Bom dia, meu amor!

Bom dia, mozi, feliz nosso dia 04, bom trabalho, te amo!

Te amo, nêga, mais tarde nóis comemora!

Elevador, garagem, engarrafamento.

Like. Like. Like.

Serviço, cafezinho, conversa fiada.

Meio-dia: balança livre, 2 opções de carne, 1 copo de refresco.

Três da tarde: chamado, sirene.

Reconhece a casa.

Fumaça. Fumaça. Fumaça. Água. Água. Água.

Destruídos: geladeira, sofá, camas, roupas, uma bicicleta infantil.

Abre o Instagram: stories de Emilly na escola e Carla no trabalho. Ufa!

Selfie com casa de fundo: orgulho do meu trabalho.

Muitos likes.

 

Cristina Mesquita

Contato: cristinaamesquita@gmail.com

Travessia

 

Andava pelas ruas apressada. Depois de mais um dia em um trabalho que já não me enchia mais os olhos. Ou talvez nunca tenha enchido. Paro, de repente, diante de um sinal vermelho. Na espera para cruzar a faixa e chegar ao outro lado, sinto-me como um copo meio cheio de amarguras. Meio cheio de uma vida que escolheram para mim. Meio cheio da fadiga de uma rotina de papéis. Meio cheio de não ser. Ou seria meio vazio? Continuo a olhar para a luz vermelha, aguardando ansiosamente o momento em que ela me permitirá seguir em frente. Ouço o som de um coração que, até então, batia no silêncio. Mas hoje, por algum motivo, surgiu em mim essa vontade de cruzar a faixa e procurar algo que encha o meu copo. Uma vontade de descobrir o que há por dentro de uma madeira que, por muito tempo, acreditou ser oca. Uma vontade de florescer. A luz ficou verde.

 

Elba Lins

Contato: elbalins@gmail.com

Exercício I:

 

Fujo!

Não sinto chão áspero,

Não temo o vento rasgando minha pele,

Não penso no olhar dos outros.

Estou só!

E nesta cidade de concreto explícito

O que me punge, o que me marca, só o meu olhar pode dizer.

Mas meu olhar  foge de todos.

Meu olhar, perdido num mundo que desenhei só para mim, jamais será capturado por mesquinhos olhares, jamais será transfigurado por paixões banais.

No meu mundo de desenho incerto, onde busco  os cores do ontem  e o sabor do novo,

Só poderei chegar de pés descalços,

Somente poderei alcançar deixando para trás as paixões mundanas que me trouxeram até aqui,

Onde os muros sem cores são meu motivo da fuga.

Da fuga para um lugar azul – longe daqui.

 

Exercício II:

 

Carla vive sua mais curta história

 

Era segunda feira, ela acabara de fazer vinte anos e decidira se dedicar totalmente à dança –  sua maior paixão.

Sim, iria fazer a faculdade de dança.

Para fugir das restrições econômicas da família iria dar aula numa escola de balé,  mas sem deixar de lado seu envolvimento com as causas políticas e sociais de sua comunidade.

Seu objetivo final – dançar profissionalmente – também  proporcionaria uma mudança para os jovens que ela encontrava todos os dias parados na pracinha sem flores e sem alegria. Aquela praça iria mudar, ali as crianças e os jovens dançariam e em conjunto mudariam a história do bairro.

O dia amanhecera lindo, o sol brilhava queimando sua pele e lhe dando o calor necessário para enfrentar a fria realidade junto à família, que pouco se importava com seu sonho.

Andava pela calçada mentalmente planejava a visita à universidade, onde faria o teste final para concorrer à bolsa de estudos. Depois passaria na escola de dança onde trabalharia por duas horas.

A calçada inclinada, copiava o relevo do morro e lhe exigia muito cuidado para não escorregar… suas pernas – seu tesouro –  delas dependia o futuro.

No ponto do ônibus encontrou o amigo Jorge – de moto e lhe oferecendo carona. Ela aceita, insiste no cuidado com o trânsito.

Às 9h da manhã, uma hora após ter saído de casa, Jorge a deixa na porta da universidade sã e salva.

Naquela parte da cidade chovera…

Carla se apressa – o teste ocorrerá dentro de dez minutos.  Tenta alcançar seu destino e não nota que a chuva deixara a entrada da Universidade coberta de musgos escorregadios…

 

Fabiana Plech

Contato: fabianaplech@outlook.com

Exercício I:

 

Fluo, decorro…

não raiz.

Sem alma.

Sinto? Jamais.

Transbordo!

Além de mim, onde somente eu, há.

Não há mais espaço,

Deixo cair pedaços. Deixo?

Eles caem sem ordem.

Uma mutação… vai além do que vejo do lado de fora, a propulsão me leva  a algum lugar. Ainda ando, assim.

Um vácuo me faz divergir de mim… sou eu em todos os simples bloquinhos de minha demolição.

Implosão,  enfim…

O porvir

 

Exercício II:

 

Visando manter sua condição financeira privilegiada, Adelaide, uma senhora de 68 anos, trabalhava como costureira, sem desistir ou dar cabimento ao cansaço.

Mãe de cinco filhos dependentes, ademais o cônjuge, graças à sua personalidade de agente motriz da vida de cada um, tornando-se eterno engenho de fazer dinheiro.

Seu maior medo, a inutilidade. Questãozona de honra era a demonstração de seus dotes cognitivos nas peças de alta costura que projetava, causando cada vez mais veneração.

Naquele dia, o marido, apelativo qual um rebento, solicitava, aflito, para que ela colocasse um bolso enorme em suas calças, afim de que um meliante não conseguisse subtrair seus pertences, antes que ele flagrasse.

Adelaide, debruçou-se sobre a calça, com maestria, colocou o alforje bem na braguilha da calça. Causando o desespero e um grande desentendimento entre eles. Como iria ele abrir a roupa bem na braguilha em plena via pública?

Este dia foi talvez o dia mais curto e mais terrível de suas vidas. Curto porque foi ali que tudo acabou. Todos os sonhos todo glamour de ser uma costureira de renome.  Instalava-se com isso algo desesperador. Após retumbantes fracassos, tudo se arrebentava e cada vez mais no começo.

O dia mais curto de sua vida era todo ele em que começava a existir. Esqueceu quem seria, esqueceu como comeria, esqueceu que nome teria. Então Adelaide, passou a ter uma formatação nula, sequer saber que existia, certamente Alois Alzheimer saberia dizer o porquê da vida de Adelaide ter perdido a cor. A demência seria, pois, tudo o que ela mais temia.

 

Heloísa Ramos Lacerda

Contato: helramoslacerda@gmail.com

Clara vive a mais curta história da sua vida

 

Clara chegou para mais um dia da sua pesquisa. Estava feliz por ter alcançado o seu espaço, pesquisar novos medicamentos para o câncer de pâncreas. Havia reunido suas economias, recebera ajuda da família e partiu para mostrar ao pai que sim, mesmo sendo uma filha mulher, conseguiria ter sucesso e fazer diferença no mundo.

Não diria a ninguém que passou a noite chorando com saudade dos amigos e da família no Brasil. Já percebeu, nas entrelinhas, que sua colega disputa com ela o sucesso da pesquisa, e, receia ter seu experimento modificado numa noite qualquer. Não estava nada fácil para Clara firmar-se nesse caminho.

Hoje passou o dia bem concentrada no trabalho, e teve a feliz surpresa de avaliar um paciente que está muito bem, dois anos após o início da quimioterapia que desenvolveu no laboratório. Em se tratando de câncer de pâncreas em estágio avançado, é o melhor resultado já descrito. Ficou louca para ligar e anunciar ao mundo, principalmente ao pai.

Ao final do dia de trabalho, pegou sua bolsa e olhou o celular. Surpresa, contabilizou muitas ligações do Brasil. Não sabia se ficava feliz ou alarmada e decidiu ligar. Quem atende é a mãe, que confirma ter tentado falar com ela:

– Estou muito aflita, acho que precisamos da sua ajuda.

– O que houve, mãe, algo grave, alguma doença?

– Pois é linda, seu pai começou a perder peso há 30 dias, os olhos ficaram amarelados. Fomos ao médico hoje, que indicou uma tomografia de urgência. Ele nos informou que seu pai está com câncer de pâncreas.

 

Hugo Peixoto

Contato: hugocpcoutinho@gmail.com

Lauro vive a mais curta história de sua vida

 

Fechou a porta de madeira com força e olhou para os lados, do cruzamento até a ponta da rua, para ver se tinha alguém observando. Fazia isso todas as vezes que fechava o bar, mas na sexta-feira, dia de música ao vivo e quando os boêmios prolongavam as conversas dramáticas até quase a alvorada, tinha mais cuidado e dava uns empurrões na porta para ver se estava trancada.

No caminho até a casa, ali perto, fez as contas do dia e da semana. Estava difícil, movimento fraco, talvez a mulher dele estivesse certa. Só a sexta salvava, mas parte do que arrecadava era para pagar ao músico, então dava no mesmo. Um rato gordo cruzou a calçada e o distraiu. Bicho nojento, mas é esperto e está comendo bem.

Abriu a porta de casa tentando não fazer barulho, mas, assim que entrou, viu a luz fraquinha por baixo da porta do quarto de Arturzinho. Mais perto, ouviu tiros, explosões e gritos desesperados. Abriu sem bater.

– Já falei que não quero jogo de videogame até essa hora.  Vamos, desliga.

– Você não é meu pai.

– Não importa, desliga. Eu e sua mãe já conversamos sobre isso.

– Mãe não está.

– Não?

– Saiu umas quatro da tarde. Pedro do Táxi que veio buscar.

Lauro correu até o quarto e procurou as duas malas que ficavam em cima do guarda-roupas. Procurou também no cantinho, do lado da cama. Encontrou apenas um envelope com seu nome sobre o travesseiro rasgado, como se ele fosse notar apenas quando deitasse para dormir.

 

Lara Ximenes

Contato: larafximenes@gmail.com

Lourdes vive a mais curta história de sua vida

 

Lourdes busca todos os dias parar de fumar. Começou o hábito muito cedo, aos 14 anos, mas teme o câncer de pulmão mais do que a morte em si — o câncer é mais lento e doloroso, ela pensava. Ainda mais para alguém como Lourdes, que não tem plano de saúde. Ela também recusava totalmente a ideia de ser cuidada, mesmo que pelos filhos. Achava fraqueza depender de alguém. Última vez que dependeu, viu-se à deriva, e sentir-se pairando na instabilidade (emocional, financeira e física) era a coisa que ela menos gostaria de viver novamente.

Desde então, diz para si mesma que só ela cuidaria de si e dos seus desejos, sonhos e necessidades, pois ela e somente ela estaria sempre ali. Alguém com essa filosofia não pode jamais ficar à mercê do câncer. Mesmo assim, Lourdes ainda não tinha conseguido vencer aquele vício. Hoje com 50 anos, sente-se presa aos velhos hábitos, como fumar, pintar as unhas com o esmalte Gabriela e assistir Domingão do Faustão quando não está emendando turnos no bar onde trabalha, na Zona Sul da cidade, para fazer um dinheirinho a mais no fim do mês.

Numa terça-feira incandescente, às 14h50, a garçonete aproveitou o intervalo no trabalho para comprar cigarros. Ao lado do fiteiro, notou um novo empreendimento numa galeria aparentemente vazia. As letras em neon e vitrines escurecidas em fumê revelavam que se tratava de um sex shop. A garçonete encarou a porta por 20 segundos antes de abrir. Como o calor do verão recifense não dá trégua, até que seria bom entrar e aproveitar pelo menos um pouco daquele ar-condicionado. Entre balões vermelhos e pretos, estavam em promoção de inauguração vários óleos, fantasias eróticas e brinquedos que ela não sabia o nome. Pousou os olhos em um muito pequeno, cromado e esteticamente agradável. Descobriu em seguida que aquele era um vibrador que se chamava bullet, e estava custando apenas R$30,00 de acordo com a simpática atendente que não falou seu nome. Nesse dia, Lourdes não comprou cigarros. No dia seguinte, também não. Conseguiu, enfim, parar de fumar.

 

Raldianny Pereira

Contato: raldianny.pereira@gmail.com

Escultura hiper realista em madeira

 

Senti cada golpe

A talhadeira me marcava

O estilete me marcava

Me fiz assim

Um eterno quase ir

Olhar perdido

Um chão sempre fixo

 

 

 

A QUARTA MARGEM DO RIO DO COMPANHEIRO ACÁCIO* | Clauder Arcanjo**

Companheiro Acácio, cinquentão, amigo do recolhimento e das surpresas (pelo visto já recuperado da última intercorrência que o levou a alguns dias de hospitalização, bem como a refletir sobre a Indesejada das Gentes), foi visto por mim, semana última, à beira do rio da minha aldeia. Explico.

Eu viajara a Licânia a fim de visitar o meu velho pai: nosso bom Zequinha, deveras alquebrado pelas enfermidades dos anos e sempre mergulhado num silêncio abissal. Segundo os médicos, consequência da senilidade; segundo Acácio, forma de protesto e de repúdio a tanta asneira dos discursos mercuriais, descargas de fogo e sangue, que grassa pelo país, de norte a sul, de leste a oeste. Pois bem, voltemos às ribeiras do nosso Tejo.

— Acácio!?…

Ele, impassível, continuou a rabiscar no leito das águas do Acaraú.

De imediato, agachei-me, ladeando-o.

— O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, / Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia / Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia…

Acácio olhou-me com as veias do pescoço intumescidas, senti-o com a garganta invadida por um grito, protesto seu contra o lugar-comum; mas, antes que ele vomitasse golfadas de impropérios sobre mim, abracei-o. O afago e o perdão sempre interromperam sua sequência de disparo. Acácio bom, Acácio generoso, Acácio dadivoso no perdão.

— Chegaste quando a Licânia, Companheiro Acácio?

Após letrar mais alguns parágrafos nas águas turvas do rio de Licânia, ele respondeu-me, com a voz embargada por algo que eu, até então, não conseguira atentar:

— Precisava vir aqui, o retorno à província se me fazia questão de honra, algo inadiável. Aqui é o meu torrão, cá quero tornar quando me encan… — E as palavras recuaram, embargadas perante a presença da emoção.

Desta feita, fui eu a rabiscar garatujas na superfície do remanso, tão emocionado quanto o Companheiro.

— Não rabisque os meus escritos, seu… — disparou, quase aos berros, Acácio. — Não vê que estou a escrever algo importante!? Procure outra ribanceira, seu filho de uma…

— Companheiro!?… Perdeste os bons modos? — Defendi-me, confesso que mais com o fito de recuperar a respiração, atordoado que estava depois daquele coice de direita do nosso Companheiro.

Ele serenou os ânimos, voltou a agachar-se frente ao nosso Jordão; e, minutos depois, tornou a batizar o leito com sua letra miúda e ilegível.

Tentei, Champollion do sertão de Licânia, entender aqueles rabiscórios naquela espécie de Roseta líquida. “A quarta margem do rio… mora… no… ”.

— Quarta margem do rio?!… Queres agora superar o Guimarães Rosa? Quarta margem?!… Por essa, confesso aqui, eu não contava, eu nunca esperava! Por acaso, tu também tens pastos, buritis plantados no teu apartamento?! Explique-me — indaguei-o, em ar de menoscabo, com as mãos na cintura, como a desafiá-lo com um espadim de embira.

Companheiro Acácio se virou lentamente em minha direção e, sem delongas e com a fala mansa de costume, sibilou algo ao vento, suspeito que mais para si próprio do que para outrem:

— Não se volte para o interesse dos outros, cabrão. Não se preocupe em ser como cortiça n’água, o homem que merece a alcunha de ser pensante tem que se encontrar consigo próprio, mergulhar nas águas fundas do mistério, “quando no lanço da correnteza enorme do rio tudo rola o perigoso”. Melhor, “parece chamar tudo para dentro de si”. Não se satisfaça com a primeira, nem com a segunda margem. Ao se deparar com o enigma da terceira margem, rosianamente não tenha medo de desafiar-se, de superar as nonadas do cotidiano e se abeirar da quarta margem do rio. Sim, companheiro Acácio, a quarta margem…

Mal declarou aquela profusão de filosofices — “já todo inventado, saramicujo, fazendo muita serenância” —, algumas para mim tão enigmáticas, notei que Companheiro Acácio levantou-se, fitou o céu azul licaniense, bateu uma poeira imaginária na camisa branca, olhou para mim (não sei se com um sentimento de pesar ou de provocação) e, antes de tomar o rumo do Serrote da Rola, propagou em tom de pastor de nuvens:

— Um homem vale pelo que busca e não pelo que encontra. Buscar é preciso, porque viver não nos basta, além de termos um devir impreciso. Outro dia, li: “Essas coisas ocorrem nuns escuros, é custoso de saber se a gente deve se aprovar ou confessar um arrependimento: nos caroços daquele angu, tudo tão misturado, o ruim e o bom”. Ah, viver é uma nonada. “Somos que vamos.”

E Companheiro Acácio saiu, com passos messiânicos, de “miúda dureza”, por entre a mataria espinhenta, a caminhar pelas sendas de pedras — “sem nem por isso afrouxar do fôlego de ar que Deus empresta a todos” —, tão marcadas pelos passos dos nossos caboclos ancestrais. Ele, sempre “espritado”, com a biloca dos olhos fincada no cocuruto do firmamento.

Quanto a mim?! “Eu permaneci com as bagagens da vida.”

 

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* Publicado em 19 de agosto de 2019 no site Segunda Opinião: https://segundaopiniao.jor.br/a-quarta-margem-do-rio-do-companheiro-acacio-por-clauder-arcanjo/

** Contato: clauderarcanjo@gmail.com

O HUMOR “CONTRA TODOS” DE TCHEKHOV* | Helena Bruto**

“Um homem extraordinário e outras historias” foi a minha primeira imersão no universo de Anton Pavlovitch Tchekhov, autor russo mais conhecido pelos seus contos, muito embora também tenha produzido conteúdo em outras áreas, como: novelas, cartas e peças teatrais.

Como não tinha conhecimento sobre o estilo do autor, fui tentando entendê-lo ao longo dos diferentes temas abordados nas dezoito histórias apresentadas neste livro. Contraposição de classes, realismo fantástico, fábulas de amor e até algo próximo a uma esquete de humor. Mas, ao final, de qual maneira esses variados temas se unem? Apesar de explorar diversos prismas da alma humana, Tchekhov faz a sua análise quase sempre com uma pitada de humor ácido.

Quanto às críticas, o escritor não apresenta restrições na hora de apontar alvos: classe média, poetas contemporâneos, os mais humildes, as fobias humanas e até vícios individuais de uma família. Todos são “vítimas” dos gracejos e julgamentos do escritor.

No caso, acredito que os dois primeiros capítulos podem ser melhor apreciados se forem lidos de forma conjunta. No primeiro – “Desgraça alheia” –, o autor foca na maneira presunçosa com a qual o jovem de classe média trata um camponês falido, rogando-lhe críticas pela falência e comentando de forma paternalista como poderia ter evitado seu malogro. No segundo momento – o conto: “O sapateiro e a força maligna” – ele demonstra a falsa percepção com a qual o engraxate observa e deseja a existência daqueles que vivem no luxo. Inveja esta que se transforma em decepção após uma breve experiência no calcado dos outros.

O conto “Pavores” inicialmente nos remete às histórias fantásticas de Guy de Maupassant, até que chega o momento da conclusão, onde, no lugar de tentar assustar o leitor, ele senta-se ao seu lado para que possam divertir-se com as crendices alheias.

“Trapaceiros à força – Historinha de Ano Novo” é uma história mais leve e que se assemelha ao modelo de uma esquete de humor, com os personagens alterando o tempo de acordo com a sua própria conveniência durante o último dia do ano.

Em “Amor de peixe”, a fábula do amor platônico de um peixe por uma garota russa é usada como pano de fundo para apontar a melancolia e o pessimismo da época.

Também merece destaque “O relato do jardineiro-chefe”, onde o humor aparece em segundo plano em detrimento da crença na bondade e empatia humana, embora até essas questões sejam abordadas com o auxílio do humor.

Sobre o capítulo que divide o título com o livro, a história do homem extraordinário trata da figura de uma pessoa com uma visão bem definida, embora estreita, de mundo e que, por esta razão, os seus pequenos vícios se sobrepõem até a grande virtude ser uma boa pessoa. É interessante destacar que a expressão “homem extraordinário” é utilizada em outro conto do livro, mas com o sentido oposto.

Ao final, com apenas este livro de parâmetro, Tchekhov apresenta características em comum com outros escritores russos clássicos, principalmente com relação à análise da sociedade de sua época. O escritor mostra vícios, medos, paixões e tragédias humanas. Tudo em uma narrativa leve de ser lida e acompanhada de um humor ácido.

 

19 de julho de 2019.

 

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* Exercício do VI Encontro dos Estudos em Escrita Criativa 2019 sobre Os russos.

** Contato: helenabruto@gmail.com

“Água de Chloé”* | João Paulo Gurgel de Medeiros

Prólogo

 

O grisalho era a cor dominante sobre a pequena cidade. Atravessando as nuvens, carregadas, dava para contemplar toda a periferia do lugar. Uma grande ponte, desgastada, já que fora construída ainda à época das capitanias, atravessava o caudaloso rio que distribuía a população nos dois principais bairros. Casas coloniais embaralhadas no meio dos prédios modernos davam o tom da tradição. As cores vivas dos edifícios, com traços retos e nunca com mais de cinco andares, passavam uma sensação de restauração malfeita quando destoavam das fachadas estacionadas no tempo das casas mais antigas. Uma grande praça, arborizada e com traves naturais no gramado, acolhia os visitantes da pequena igreja barroca, branca e com nódoas amareladas na superfície de suas bordas, por fora, e dourada, mas triste, por dentro.

Enquanto brincava com Aurora e Alex na relva, já adolescentes, mas ainda com espírito pueril, Pedro tropeçou no vinho, tingindo a toalha e alimentando as gramíneas. A vibração no bolso da calça o fez sacar do telefone – um número estrangeiro. Mais um número desconhecido que seria bloqueado – os golpes eram frequentes. Jogou o telefone para longe, sobre o verde ébrio perto da toalha. Era dia de folga. Nenhuma urgência o perturbaria. Aurora, como sempre fizera na tenra idade, puxava seus cabelos e, enquanto caía, sentiu as primeiras gotas das nuvens. Correram todos para a copa do pé de castanhola. Pedro protegeu o telefone, que não parava de tocar. Não resistiu. Os gritos dos dois, como duas crianças, vendo os espelhos d’água nos buracos ao redor. Tapou um dos ouvidos para ouvir a voz que parecia ser distante. A visibilidade, agora, não chegava a cinco metros. De repente, tudo escureceu.

– Tô entendendo nada.

– Buongiorno, Pietro? Un uomo… suo padre.

– Alô? Está cortando.

O barulho das águas tirava a compreensão daquelas palavras ditas num vinil do outro lado da linha.

– È Pietro? Suo padre è morto… Your father…

– Hi! Where are you talking from? Talk in English, please!

– Non… inglese… Un po’…

– Where are you?

– Your father… dead.

Pedro apenas sorriu para seus filhos. Gostava sempre de lembrar-lhes de que deveriam manter o espírito de juventude e espontaneidade. De longe, Rafaela esperava o aguaceiro amainar. Conseguiu ver Pedro sem ação e correu para eles. Todos os dentes de Aurora. Para eles tudo era diversão. Pedro, imóvel. Com uma mão no tronco do pé de castanhola e outra no nariz, procurava alguma coisa além das nuvens. Nunca se soube se foram lágrimas que se perderam na chuva. Rafaela ouviu um som metálico do alto-falante do telefone sobre a grama molhada:

– Mi dispiace… Mi dispiace così tanto.

Pedro sempre acreditou que somente os bons se vão em dia de chuva.

 

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* Prólogo de Água de Chloé. João Paulo Gurgel de Medeiros. Mossoró: Tinteiro Azul, 2019.

Índex* – Julho, 2019

O cansaço invade

O meu corpo nu

De palavras

E canções

De abismos

E paixões

 

E nem sei

Ao menos

Para onde vai

Este corpo antigo

Na busca

De um lugar ao

Sol

Na luta

Por um sonho amigo

No encontro

Do eu mesma

Comigo

(“Se lutar um dia alcança”, Patricia Gonçalves Tenório, 20/07/2019, 10h37)

 

Um sonho amigo que se aproxima no Índex de Julho, 2019 no blog de Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Especialização Lato Sensu em Escrita Criativa – Unicap/PUCRS – 2019.2 | Diversos.

Estudos em Escrita Criativa – Julho, 2019 | Diversos.

Desenlace | Cilene Santos (PE – Brasil).

Imensa gratidão pela força e pelo carinho, a próxima postagem será em 25 de Agosto, 2019, grande abraço e até lá!

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* July, 2019

Tiredness invades

My naked body

Of words

And songs

Of abyss

And passions

 

And I don’t even know

At least

Where it goes

This ancient body

In the search

Of one place under the

Sun

In the fight

For a friendly dream

In the encounter

Of me

With myself

(“If we fight one day we reach”, Patricia Gonçalves Tenório, 07/20/2019, 10:37 a.m.)

 

A friendly dream approaching at the July Index, 2019 on Patricia Gonçalves Tenório’s blog (PE – Brasil).

Lato Sensu Specialization in Creative Writing – Unicap/PUCRS – 2019.2 | Several.

Studies in Creative Writing – July, 2019 | Several.

Denouement | Cilene Santos (PE – Brasil).

Immense gratitude for the strength and affection, the next update will be on August 25, 2019, big hug and until then!

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Um sonho amigo que se aproxima. A friendly dream approaching.

 

 

 

Especialização Lato Sensu em Escrita Criativa – Unicap/PUCRS – 2019.2

Recife tem primeiro curso de especialização

em Escrita Criativa vinculado à PUCRS

 

Universidade gaúcha é pioneira no país, com mestrado e doutorado na área

O primeiro curso de especialização em escrita criativa feito em parceria com a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) acontece, no Recife, a partir do dia 16 de agosto. Com renomados professores gaúchos e pernambucanos, serão 14 meses de aulas presenciais e à distância.

As inscrições já estão disponíveis no site da Unicap (http://www.unicap.br/home/especializacao-em-escrita-criativa-unicap-puc-rs/). Serão 30 vagas, disponíveis para graduados em Letras e em áreas afins, como Comunicação, Direito, Tecnologia da Informação, entre outras.

O curso contará com 8 disciplinas e 11 professores, sendo 7 de Porto Alegre. As disciplinas, de 45 horas/aula cada, serão: História e Alcance Acadêmico da Criação Literária, Oficina de Narrativa I – Contos, Oficina de Poesia, Crítica Genética, Empreendedorismo Literário, Oficina de Narrativa II – O Romance e a Novela, Literatura e Outras Artes e Oficina de Criação – Texto não Ficcional e Outras Linguagens. As aulas ocorrerão uma vez por mês, sempre às sextas-feiras, das 18h às 22h; e aos sábados das 8h às 12h e das 14h às 18h, sendo apenas um final de semana a cada mês de encontro presencial.

A exceção, porém, será no primeiro mês. Serão dois finais de semana presenciais:  dias 16 e 17 de agosto, com o professor Assis Brasil, que ministra a aula inaugural; e dias 23 e 24 de agosto, com o professor Robson Teles.

Com a coordenação compartilhada entre Pernambuco e Rio Grande do Sul, à frente os professores Patricia Tenório, Robson Teles e Moema Vilela, o curso terá aula até junho de 2020, com o prazo de 60 dias para elaboração e entrega do trabalho de conclusão. Não é cobrada taxa de inscrição, ficando o valor em 14 parcelas de R$ 560,00.

Os professores já estão confirmados:  Adriano Siqueira Ramalho Portela (PE),  Altair Teixeira Martins (RS),  Arthur Beltrão Telló (RS),  Bernardo de Moraes Bueno (RS),  Julia Barbosa Dantas (RS), Lourival Holanda (PE), Luiz Antônio de Assis Brasil (RS), Moema Vilela Pereira (RS), Natalia Borges Polesso (RS),  Patricia Gonçalves Tenório (PE) e  Robson Teles Gomes (PE),

Sucesso – O curso é mais um passo na consolidação da escrita criativa em Pernambuco, processo iniciado em 2017, com a realização do I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco, na programação da Bienal do Livro; com os Encontros em Escrita Criativa em Recife e Porto Alegre, ao longo de 2018, com apoio da PUCRS e da União Brasileira dos Escritores – PE.

Nesse ciclo, incorporou-se o curso de extensão promovido na Unicap no primeiro semestre deste ano, surgindo espaço para a pós-graduação, que possibilitará aos alunos que queiram seguir na carreira acadêmica utilizar até duas disciplinas em futuros mestrados ou doutorados em Escrita Criativa na PUCRS.

 

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Calendário 2019

Calendário 2020

 

16 e 17/08/2019 – História e Alcance Acadêmico da Criação Literária (aulas presenciais) 

Luiz Antonio de Assis Brasil (RS)

 

07 e 08/02/2020 – Empreendedorismo Literário (aulas presenciais)

Patricia Gonçalves Tenório (PE)

 

De 10 a 29/02/2020 – Empreendedorismo Literário (aulas EAD)

Moema Vilela Pereira (RS)

 

03 e 04/04/2020 – Literatura e Outras Artes (aulas presenciais e EAD)

Adriano Ramalho Siqueira Portela (PE)

 

15 e 16/05/2020 – Texto não Ficcional e Outras Linguagens (aulas presenciais e EAD)

Bernardo de Moraes Bueno (RS)

 

Estudos em Escrita Criativa – Julho, 2019

 

Em 19/07/19, nos reunimos, Bernadete Bruto, Elba Lins, Helena Bruto, Luisa Bérard e eu, para falarmos sobre Os russos.

Estava extasiada com a infinidade de técnicas da Escrita Criativa que descobri em Anna Kariênina, de Liev Nikoláievitch Tolstói (Iásnaia Poliana, Rússia, 1828-1910). Técnicas tais como Repetições, Listas, e o conceito de Figura que permeia (quase) todos os encontros dos nossos Estudos, desde agosto de 2016, quando nos reunimos pela primeira vez, Bernadete, Elba e eu, para compartilharmos essa imensidão de conhecimentos que a área que adotei de coração, e que tentaremos trazer para Recife na Unicap vindo lá da PUCRS, em Porto Alegre, nos dá.

Mas Liev Tolstói não está só. As meninas (as chamo assim) leram profundamente Fiódor Dostoiévski (Moscou, 1821-1881), Anton Pavlovitch Tchékhov (Taganrok, 1860-1904), Nikolai Vasilievich Gogol (Velyki Sorochyntsi, Ucrânia, 1809-1852) e os poemas de Anna Akhmátova (Odessa, Ucrânia, 1889-1966). Eis alguns textos que nasceram do sexto encontro de 2019 dos Estudos em Escrita Criativa.

Uma boa viagem/leitura e até breve,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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A RUA QUARENTA E OITO

Bernadete Bruto

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

Como são limpas e varridas suas calçadas e, Deus, quantos pés deixaram nelas seus rastros

(Nikolai Gógol, Avenida Niévski)

 

A Rua Quarenta e Oito é uma das ruas da Cidade do Recife situada no bairro do Espinheiro. Não é longa como a Avenida Niévski, porém sua história é antiga. Num relance, cenas desenrolam-se na frente, como se fossem imagens de rolo de filme daquelas que projetavam no cinema Espinheirense, cinema de bairro localizado no número 224, no quarteirão que vai da Rua da Hora até a Agamenon Magalhães. Tempos atrás, nos primórdios de sua história, a Rua Quarenta e Oito foi um sítio. Naquele período, o movimento da localidade era de revolta e desejo de liberdade. Lá reuniram-se integrantes da Revolução Praieira ocorrida no ano de 1848 e daí advém o nome da rua, uma homenagem a revolução, recebendo o nome do ano abreviado: 48. Quanto ao quarteirão do cinema, havia uma casa na esquina da Rua 48 que cruza com a Rua da Hora, onde hoje é um prédio da Queiroz Galvão. No início dos anos 70, ainda via-se no local  de número 261 o casario antigo no fundo do terreno e um caramanchão, bem próximo da esquina, como se fosse uma guarita. Ah, quantas moçoilas devem ter ficado em seu interior aproveitando o dia, esperando pelo amor de suas vidas ou esperado em vão, o coração batendo no ritmo do potpourri “Tu não te lembras da casinha pequenina onde do nosso amor nasceu. Tinha um coqueiro ao lado que coitado de saudades já morreu… Não tinha coqueiro ao lado não, tinha um caramanchão. E eu fiquei chorando quando foste embora, quem sente saudades é quem chora.”

Quase no final da Rua 48, perto da Avenida Agamenon Magalhães, havia uma casa de número 117, que mais parecia um enxame de abelhas de tanto entra e sai de gente. De lá, a toda hora, saía uma pessoa, várias pessoas ou entravam muitas. Logo pela manhã, as crianças, os jovens fardados caminhavam para  a escola junto a uma senhora de cabelos grisalhos e olhos grandes, que continuaria o caminho angustiada até seu trabalho. Logo em seguida, o portão maior da casa 117 se abria. Era a vez de um senhor gordo que num carro, acompanhado de filhos mais velhos, seguiriam para o trabalho em direção ao centro da cidade.  Perto das 10 horas, era a vez de uma senhora miúda apressada que ficaria no ir e vir por aquela rua, de casa para o açougue, de casa para a padaria, da casa para a mercearia, voltava carregando tão grandes pacotes que muitos imaginam que tivesse algum negócio! A mesma senhora, em algum momento vai à missa numa Matriz situada alguns quarteirões mais à frente.

Durante todo o dia, o vai e vem das pessoas que chegavam e saíam da casa de número 117, velhos, adultos e crianças, a circulação era grande, no entanto, a rua tinha seu próprio movimento. Na Rua 48, pela manhã, bem cedinho o apito anunciava o cuscuz molhadinho vendido em tabuleiro. Passavam, em seguida, uma série de vendedores anunciando os serviços com pregões:  “Olha o amolador!”; um vendedor com dois cestos cheios de frutas amarrados de cada lado de um varão que prende na altura do pescoço diz: “Jaca e mangaba, olha a pinha, mangaba!”. Uma carroça recoberta de verduras passa pela rua ao som de “Verdureiro!” e o entra e sai de donas de casa fazendo suas compras, a regatear preços, a conversar com os vendedores, já conhecidos seus de longas datas.

Perto da hora do almoço, voltavam as crianças, os jovens, a senhora  angustiada para a 117 e iniciava a vinda dos mendigos, batendo de porta em porta, com suas cuias de queijo do reino onde seriam colocadas a refeição em plena rua. Depois do almoço, era e vez da mulher do porco, vir com seu balde, aproveitar os restos dos alimentos para dar a seus animais.

No quintal da casa 117 o movimento era de rodar pião, empinar papagaios, jogar bola de gudes, chutar bolas ou brincar de pega-pega, barra-bandeira, esconde-esconde, cantigas de roda, ao mesmo tempo que na rua o desfile das guloseimas os atrai de tempos em tempos para fora. O vendedor de pirulitos toca um apito e todos correm para escolher naquela tábua furada, onde estão enfiados enormes pirulitos de açúcar, embrulhados no papel fino cor-de-rosa, que às vezes grudava no pirulito, às vezes nos dentes. Depois seria a vez do algodão-doce, cujo vendedor, da mesma forma, passa com seu som característico a faca na bacia de alumínio que faz as crianças correrem novamente para a rua, ver a mágica transformação do açúcar em nuvem. E a cocada de vários sabores vendida nos tabuleiros tinha som diferenciado pelo apito triangular, além dos cavaquinhos guardados num saco de plástico, o vendedor tocando no triângulo “tilimlim”. Com o passar do tempo, a vez seria da carroça de pipoca com a buzina “foc-foc” ou o carrinho de sorvete da FriSabor, o vendedor tocando um sininho, os adolescentes comprando o picolé, sorvete de casquinho de copo com palito de madeira.

À noitinha, seria  hora do senhor gordo junto com seus filhos maiores regressarem para a casa 117. Todos sentavam-se à mesa e o jantar transcorreria numa grande torre de babel de tantos falarem ao mesmo tempo. O movimento da Rua 48 à noite acontecia na proximidade do cinema. Na frente, o porteiro impediria menores de assistirem algum filme proibido ou cuidaria da entrada para alguém não entrar de graça.

Na Rua 48, os eventos ocorriam como guiados pelo calendário. Em fevereiro ou março vinha o Carnaval. Crianças e jovens brincado de mela-mela, jogando água nos carros com bombas de cano de ar comprimido, ou até com baldes. Ou fugindo assustados dos caboclinhos que, passando pela rua, se apresentavam de casa em casa… Em noites de Carnaval, os jovens e adultos passavam pela rua, iriam num jipe em direção ao corso na Avenida Conde da Boa Vista. Em outros dias, para os bailes no clube, saindo em grupo com fantasias e voltando da rua, entrando em casa cheios de histórias engraçadas das paqueras arranjadas. Durante o Carnaval, o som que se ouvia naquela rua, no princípio, era “Tenho um recado pra você preste bem atenção ela mandou dizer que não lhe quer mais não….” Chega, ao mesmo tempo, a lembrança de um jovem apaixonado pela vizinha que fez sua declaração de amor em plena rua, quando bêbado do trote da faculdade. Sóbrio, contornaria o quarteirão por muito tempo, só para não ter de passar em frente à casa da jovem, aquela de número 213 que ficava perto da casa do caramanchão. Depois, no último Carnaval na Rua 48, bem no fim, daquela história por lá, a música seria assim: “Atrás do trio elétrico só não vai que já morreu…”

No início de maio, na Rua 48, havia procissão pelo Mês de Maria. A imagem da santa saia de uma casa para outra caminhando em cortejo. Todos de vela na mão embrulhada num cone de papel branco para a chama não apagar. O andor ia na frente, todos no meio da rua atrás da imagem entoando a canção “A treze de maio na cova da Iria no céu aparece a Virgem Maria…ave, ave, ave maria….”

Naquele mesmo mês, muda o ar da Rua 48, quando começavam os preparativos para o São João. Na rua, como em várias, ocorriam ensaios para a festa de São João. Muitos rapazes e moças tinham a oportunidade de dançar com seus amados. Cada um feliz, ou reclamando do par que se formou, empurrado pelo organizador da quadrilha, para a sua sorte, azar ou para seu bel prazer. O mês todo é o movimento de anavantu e anarriê de jovens pela Rua 48 que se arruma para as festividades com bandeirolas, as palhas de coqueiros entrelaçadas estiveram enfeitando a entrada do portão da garagem da casa 117, onde se dançaria a quadrilha

Já nas festas de fim de ano, a Rua 48 adquiria um outro ar. Quando chegava o Natal, as famílias saíam a pé em direção à missa do galo. Na ida e na volta cumprimentando os vizinhos. O movimento da casa 117 era para a de número 207, que neste período reunía todos os parentes, pois lá habitam as senhorinhas portuguesas, parentes mais velhas,  No Ano Novo, a Rua 48 era uma festa após a meia-noite. Eram muitos fogos explodindo no céu e todas as casas iluminadas, os desejos de feliz ano para todos os parentes juntos e abraçados novamente na casa 207. Depois crianças iriam dormir e jovens, vestidos para festa organizarem-se na rua dentro dos carros para seguirem para o réveillon.

Na Rua 48 ficaram estacionados, através dos anos, carros como SINCA, Itamaraty, Rural, Fusca. Passaram pela rua Gordinis, Karmanguias, Galaxi, motocicletas Vespa, nas cores verde, azul, Hyamarra e nas férias, corriam as bicicletas Monark ou Caloi tomando as calcadas, as ruas, em passeios ao redor do quarteirão. Já havia passado o tempo dos patinetes coloridos de madeira, que na calçada deslizavam junto com os carros de rolimã.

Nela existiram também personagens típicos, como os de uma cidade de interior. Aquele vigia meio doido que morava num terreno baldio, era apelidado portuga e as crianças quando passavam pelo terreno gritavam: “Portuga, Salazar morreu!” e corriam muito para não receberam as pedradas do coitado, e todo dia essa rotina era repetida, para raiva do portuga brasileiro e diversão das crianças. Ah, e o rapaz enlouquecido caminhando maltrapilho pela rua? Sua passagem era acompanhada com dó, sem ousar importuná-lo. Diziam na rua que era filho de um senhor abastardo, morador da rua,  que de tanto estudar enlouqueceu… Ninguém se aproximava do jovem de olhar nublado caminhando pela rua afora.

Que belos momentos passados na 48! Das músicas de Roberto Carlos escapando das casas em direção à rua: “Un gato nel blu guarda la stelle non vuol tornare in casa senza te. Sapessi quaggiùu che notte bella che se un gran dolore si cancella?” E quantas copas do mundo vencidas que aquela rua assistiu espelhando a alegria dos seus habitantes nos anos de 58, 62, 70 ?

No século XXI, do túnel verdejante de oitizeiros que se abraçavam no céu, propiciando um vento fresco pelo caminho da Rua 48, hoje, poucas árvores restam. Não há mais cinema, um outro negócio está no local. Assim como as casas de número 117, 207, a do caramanchão e outras mais, todas derrubadas para surgirem edifícios. O trânsito é forte e passa por lá até ônibus! As pessoas passaram, se mudaram, alguns perderam a fantasia daqueles dias… Como o tempo passou rápido! Essa constatação foi entendida ontem, naquela mesma rua, um dia, quando a menina caminhava pela calçada em direção à casa 207, deu-se conta do tempo e confidenciava às primas, que sua idade já não cabia mais na mão, pois já passava dos 5!!!! E a vida passa, como suas histórias, que acontecem como se estivéssemos passando por uma rua, sem deixar rastros, caso não houvesse alguém que relembrasse, como quem atiça a brasa para reacender a fogueira da memória. Talvez por isso, ainda hoje, lá do fundo da Rua 48, ressoa uma antiga canção:  “O balão tá subindo, Tá caindo a garoa, O céu é tão lindo. E a noite é tão boa. São João, São João, acende a fogueira do meu coração.”

 

Recife, 12 de julho de 2019.

 

 

Talita Bruto

Contato: talitabruto@gmail.com

(A partir da leitura de Anna Akhmátova)

 

Achei que cresci

e disseram que muralhas separavam

e gritos ecoavam de uma caverna distante

onde as sombras eram luzes

E as luzes eram ninfas

inspirações daqueles que sonham

acordados no tempo do bom agora

as mães chamavam os filhos

que descobrem sós o que são mães

ausências e expirações

suspiros

do outro lado, o beijo azul

das mãos imploravam

por seus dedos quantos estivessem quantos fossem

no inverno rigoroso

e esperavam

a colheita

quando o primeiro e último,

quando, por assim dizer, o único,

orvalho surge

e se põe, essencialmente,

efêmero

um grão de mostarda

no ventre graúdo

daquelas aquelas, sim,

das mãos, as mesmas, que tocavam pianos

e silêncios

e pausas.

Um cordão unido, um modo de falar: te ligo.

Achei que relembrei

e sussurraram que muralhas preenchiam

os espaços vazios dos espíritos

encarnados

por aquelas mães

que esbranquiçadas

tremendo

tentavam achar os seus

filhos

na partida

porta

de um tempo

acabado

sumido

escondido

por uma grande faixa preta

engavetada

puída

de fel

e morte

ardida.

Achei.

E encontrei.

Vi.

Na unha afiada

um pequeno lasco

de pele

uma súplica.

Cadê?

 

Desenlace | Cilene Santos*

09/07/2019

 

Numa estrada colorida

Caminhávamos tu e eu

Tua mão na minha mão

E teu coração era meu

E o meu coração amante

Era a ti que pertencia

Somente felicidade

Nessa nossa parceria.

Na certeza do instante

Nosso mundo era completo

Nada além interessava

E aquém somente afeto.

Mas um vento buliçoso

Desarrumou nosso mundo

Espalhou nossa alegria

E o sentimento profundo

Que pensamos ser amor

Ultimou-se num segundo.

 

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* Cilene Santos, escritora, poeta, cordelista. Professora graduada em Letras, com especialização em Língua Portuguesa. Membro da Academia Caruaruense de Literatura de Cordel, ocupando a cadeira nº 08, e tem como patrono Dimas Batista. Publicou Branca de Neve e os Sete Anões em Versos e A vida de Joel Pontes, em cordel. Participou dos Estudos em Escrita Criativa 2018 de Recife. Contato: cilenecaruaru2013@gmail.com

Índex* – Junho, 2019

Um herói

Nasce

Em cada

Gesto meu

Em cada

Monte alto

Que escalo

Em busca

De um novo

Sonho

Em luta

Por uma nova

Estrela

Que cabe

Aqui

Na minha mão

Que prego

Aqui

No meu peito

E nada

Ninguém

Consegue

De mim

Separar

(“Sonho de uma Escrita Criativa”, Patricia Gonçalves Tenório, 19/06/2019, 15h34)

 

Um sonho de Escrita Criativa se realiza no Índex de Junho, 2019 do blog de Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Especialização em Escrita Criativa – Unicap/PUCRS e EEC de Junho, 2019 | Diversos.

Metafísica do poema | Alcides Buss (PR – Brasil).

O voo da trapezista | Amilcar Bettega Barbosa (RS – Brasil).

“Cerzir” | Antonio Ailton (MA – Brasil).

“Desconstrucción de los rostros y otros poemas” | Luis Raúl Calvo (Argentina).

O CURATO DE BOM JARDIM | Marly Mota (PE – Brasil).

“A estética da indiferença” | Sidney Rocha (PE – Brasil).

Agradeço a atenção e o carinho de sempre, a próxima postagem será em 28 de Julho, 2019, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – June, 2019

A hero

Is born

In each

Gesture of mine

In each

Tall mountain

That I climb

In search

Of a new

Dream

In fight

For a new

Star

That it fits

On here

In my hand

That I nail

On here

In my chest

And nothing

Nobody

Can

Of me

Separate

(“Dream of a Creative Writing”, Patricia Gonçalves Tenório, 06/19/2019, 15h34)

 

A dream of Creative Writing takes place in the June, 2019 Index on the blog of Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Specialization in Creative Writing – Unicap/PUCRS and EEC of June, 2019 | Several.

Metaphysics of the poem | Alcides Buss (PR – Brasil).

The flight of the trapeze artist | Amilcar Bettega Barbosa (RS – Brasil).

“Cerzir” | Antonio Ailton (MA – Brasil).

“Deconstruction of faces and other poems” | Luis Raúl Calvo (Argentina).

THE CURATO OF GOOD GARDEN | Marly Mota (PE – Brasil).

“The aesthetics of indifference” | Sidney Rocha (PE – Brasil).

Thank you for the attention and affection of always, the next post will be on July 28, 2019, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Foto João Alderney

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Os longos, tortuosos, perigosos passos de um sonho. The long, tortuous, dangerous footsteps of a dream.