Índex* – Março, 2020

Pára a vida

Vejo o lúdico

Que

Há tempos

Não enxergava mais

 

Não acelero mais

O passo

O ritmo

Os acontecimentos

As pessoas

Vão e vêm

Devagar

 

Como se o mundo

Acabasse amanhã

E eu não pudesse

Beijar meus pais

Abraçar meus filhos

Alisar a cabeça

Da minha cachorrinha

(“Tempo de Poesia”, 17/03/2020, 16h23)

 

O tempo de poesia chegou no Índex de Março, 2020 do blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos para o século 21 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Livros-presentes de Antonio Aílton (MA – Brasil).

II Coletânea Destaque Literário da Cultura Nordestina | Organização: Bernadete Bruto (PE – Brasil) e Salete Rêgo Barros (PE – Brasil). Apresentação: Elba Lins (PB/PE – Brasil).

Guardados | Sérgio Queiroz de Medeiros (RN – Brasil).

Por motivos de força maior, esta postagem foi ao ar em 29 de Março de 2020, quando havia sido programada para 22 de Março de 2020.

Infinita gratidão pelas contribuições e pelo carinho, a próxima postagem será, se Deus quiser, em 26 de Abril de 2020, desejo muita Paz, Saúde e Luz, abraço bem grande e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.   

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Index* March 2020

Stops the life

I see the playful

Which

A long time

I couldn’t see anymore

 

I don’t accelerate anymore

The step

The rhythm

The events

People

Come and go

Slowly

 

As if the world

Ended tomorrow

And I couldn’t

Kiss my parents

Hug my children

Straighten the head

Of my little female dog

(“Poetry Time”, 3/17/2020, 4:23 pm)

 

The time for poetry arrived at the March Index, 2020 of Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

Studies for the 21st century | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Gift books by Antonio Aílton (MA – Brasil).

II Literary Highlight Collection of Northeastern Culture | Organization: Bernadete Bruto (PE – Brasil) and Salete Rêgo Barros (PE – Brasil). Presentation: Elba Lins (PB/PE – Brasil).

Saved | Sérgio Queiroz de Medeiros (RN – Brasil).

For reasons of force majeure, this post aired on March 29, 2020, when it was scheduled for March 22, 2020.

Infinite gratitude for the contributions and affection, the next post will be, God willing, on April 26, 2020, I wish you a lot of Peace, Health and Light, a big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** A esperança nas asas de uma borboleta, na janela do apartamento onde permaneço com Bruno, Maria Eduarda e a cachorrinha Preta. Hope in the wings of a butterfly, in the apartment window where I stay with Bruno, Maria Eduarda and the little female dog Preta.

Estudos para o século 21 | Patricia Gonçalves Tenório*

Em 21 lições para o século 21, o Ph.D. em História pela Universidade de Oxford, Yuval Noah Harari, nos alerta da necessidade de estarmos sempre nos recriando, porque, no futuro, as profissões serão líquidas, as vocações, mutáveis, os cenários, imprevisíveis.

Desde 2016 ministro aulas presenciais sobre um tema que me é muito caro: a Escrita Criativa. Em 2018, ministrei encontros temáticos, entre eles, sobre a viagem. Em 2019, me aprofundei na temática e ministrei um curso de Extensão sobre textos ficcionais e poéticos de diversos países, regiões, línguas. Visitamos escritores do mundo inteiro para de seus livros tentar extrair um pouco dos seus processos de criação.

Os vídeos apresentados uma vez por semana a partir de março de 2020 no projeto Estudos em Escrita Criativa On-line são uma tentativa de levar ao grande público o trabalho desenvolvido nessa área que abracei desde 2016. Por trás de cada livro/autor, investigamos técnicas para melhor escrever e estar sempre nos recriando, o que Harari, citado acima, considera imprescindível para a nossa sobrevivência profissional no século 21.

Começamos por alguns países da Língua Inglesa. Em O conto da aia, de Margaret Atwood (Canadá), encontramos uma sociedade distópica, mas que nos traz muitos dos elementos do mundo atual, Atwood nos apresenta a República de Gilead, depois do golpe que matou o presidente dos Estados Unidos e a maioria do Congresso americano. Por causa de vazamentos radioativos e químicos, muitas das esposas do grupo terrorista tornaram-se estéreis. As aias seriam provenientes de segundos casamentos, ou de vida sexual libertina, mas capazes de procriar crianças normais. A narradora é uma jovem de 33 anos – Offred (of Fred, general encarregado de a engravidar).

Outro romance analisado é Admirável mundo novo, de Aldous Huxley (Inglaterra). Ele também narra a história de uma sociedade distópica na qual todos são felizes, os seres humanos nascem em castas e são concebidos e crescem em bocais enfileirados numa longa gestação. São condicionados para se adequarem às respectivas castas através da hipnopedia durante o sono, e, quando algo os angustia, consomem uma droga, que não deixa resquícios, chamada soma.

Finalizamos o primeiro módulo dos EEC On line, trazendo ao centro a poetisa Emily Dickinson (EUA), o poeta romântico John Keats (Inglaterra), arrematando com um exercício de desbloqueio inspirado no grande poeta e contista Edgar Allan Poe (EUA), além de sugestões de filmes que tenham a ver com a Língua Inglesa e a Escrita Criativa. 

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Apresentação:

Módulo 1 – aula 1 – escritores de língua inglesa – Margareth Atwood:

Módulo 1 – aula 2 – escritores de língua inglesa – Aldous Huxley:

Módulo 1 – aula 3 – escritores de língua inglesa – Emily Dickinson:

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* Escritora e doutora em Escrita Criativa (PUCRS). Contatos: grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com e http://www.estudosemescritacriativa.com/

Livros-presentes de Antonio Ailton*

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* Antonio Aílton nasceu nos ermos de Bacabal-MA, em família sem letra, em 1968. Formação primeira: a literatura de cordel, que lia em noites de lamparinas para os ouvintes simples que chegavam. Depois das primeiras professoras, outros espaços, outros HQs, outras literaturas. Festivais poéticos da UFMA, recitais, e a vibração total da poesia dos telhados de São Luís do Maranhão. Curso de Letras. O fundamental grupo Curare de poesia, nas discussões, buscas literárias. Dois prêmios Cidade de São Luís e o Prêmio Cidade do Recife – Eugênio Coimbra Júnior, 2006. Em Recife-PE, também cursou o Doutorado em Teoria da Literatura, de 2013 a 2017. É membro da ALL – Academia Ludovicense de Letras e da AMEI – Associação Maranhense de Escritores Independentes.

Além de participação em diversas antologias, é autor dos livros As Habitações do Minotauro (poesia, FUNC-MA, 2001), Humanologia do Eterno Empenho (ensaio, FUNC, 2003), Os dias perambulando e outros tOrtos girassóis (poesia, Fundação de Cultura do Recife, 2008), Compulsão Agridoce (Poesia, Paco Editorial, 2015), Martelo & flor: horizontes da forma e da experiência na poesia brasileira contemporânea (Tese-ensaio, EDUFMA, 2018). Contatos: ailtonpoiesis@gmail.com e www.antonioailton.wordpress.com

II Coletânea Destaque Literário da Cultura Nordestina | Organização: Bernadete Bruto e Salete Rêgo Barros. Apresentação: Elba Lins*

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Patricia Tenório – Apresentação Elba Lins – PDF

* Contatos:

Bernadete Bruto: bernadete.bruto@gmail.com

Elba Lins: elbalins@gmail.com

Salete Rêgo Barros: culturanordestina@gmail.com

Guardados* | Sérgio Queiroz de Medeiros**

Preciso escrever versos

 

Como tirar poemas do peito?

 

Preciso extrair versos

enquanto o peito ainda bate.

 

Não há notícias de máquinas

que recuperam rimas

de um coração morto.

 

Preciso escrever versos!

 

São tantas palpitações perdidas

em um dia sem versos,

e cada palpitação

me aproxima do fim.

 

Preciso escrever versos,

preciso expurgar os poemas do peito.

 

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* Poema extraído de Guardados. Sérgio Queiroz de Medeiros. Editor: Antonio Clauder A. Arcanjo. Mossoró-RN: Sarau das Letras, 2019.

** Sérgio Queiroz de Medeiros nasceu em 1981, em Mossoró (RN). Em 2009, publicou o seu primeiro livro de poesia, Um lugar azul, e em 2012 o segundo, Poemas para ler na chuva. Começou a escrever Guardados quando morava em Aracaju (SE). Atualmente mora em Natal (RN), com a esposa e os filhos, e resiste à ideia de ter um cachorro.

Índex* – Fevereiro 2020

Aprendi

A escrever um

Romance

E nunca mais

Ponho os pés

No chão

E nunca mais

Desejo transformar

O personagem

Mas vivê-lo

A cada mínimo

Instante

E senti-lo

No pulsar

Do dia-a-dia

E agora

Já não sou

Mais

A mesma

(“Transformação”, Patricia Gonçalves Tenório, 08/02/2020, 05h48)

 

A escrita sempre em transformação no Índex de Fevereiro de 2020 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa 2020 On-line | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Abralic 2020 | Simpósio Escrita Criativa para o século XXI | Luís Roberto Amabile (SP/RS – Brasil), Moema Vilela (MT/RS – Brasil) e Patricia Gonçalves Tenório.

Pílulas para o Silêncio Parte CLVI | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

XXXV Encontro Nacional da Anpoll | Frederico Fernandes (PR – Brasil).

E os links do mês:

 – Ana Elizabete e José Neto (PE – Brasil): https://www.borapralacomigo.com.br/2020/02/museu-do-amanha-rio-de-janeiro.html?m=1

 – Manuela Bertão (Porto – Portugal):

https://sussurrovento.blogspot.com/?m=1

 

Agradeço a participação, a próxima postagem será em 22 de Março de 2020, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* February, 2020

 

I learned

Writing a

Romance

And I’ll never set

Again

My foot

On the floor

And I’ll never want

Again

To transform

The character

But live it

At every minimum

Instant

And feel it

In the pulse

Of everyday life

And now

I’m no longer

More

The same

(“Transformation”, Patricia Gonçalves Tenório, 02/08/2020, 05h48 a.m.)

 

An ever-changing writing in the February 2020 Index on Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

Creative Writing Studies 2020 Online | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Abralic 2020 | Creative Writing Symposium for the 21st century | Luís Roberto Amabile (SP/RS – Brasil), Moema Vilela (MT/RS – Brasil) and Patricia Gonçalves Tenório.

Pills for Silence Part CLVI | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

XXXV National Anpoll Meeting | Frederico Fernandes (PR – Brasil).

And the links of the month:

– Ana Elizabete and José Neto (PE – Brasil): https://www.borapralacomigo.com.br/2020/02/museu-do-amanha-rio-de-janeiro.html?m=1

– Manuela Bertão (Porto – Portugal):

https://sussurrovento.blogspot.com/?m=1

 

Thank you for the participation, the next post will be on March 22, 2020, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Cheia, minguante, nova, crescente. A lua sempre em transformação. Full, waning, new, growing. The moon is always changing.

Estudos em Escrita Criativa 2020 On-line | Patricia Gonçalves Tenório*

Escritores do mundo inteiro já falaram de suas técnicas de maneira incansável. Descobrimos nas Cartas exemplares que Guy de Maupassant bebia em Gustave Flaubert. Virgínia Woolf compartilha os segredos da sua escrita em O leitor comum. Henry James derrama a própria técnica em A arte da ficção. Edgar Allan Poe explica, de trás para frente, como escreveu seu poema mais conhecido, “O corvo”, em “A filosofia da composição”. Milan Kundera revela os bastidores de A insustentável leveza do ser em A arte do romance. Orhan Pamuk conta da profecia paterna quanto ao Prêmio Nobel de Literatura que recebeu em 2006 em A maleta do meu pai. Por outro lado, Franz Kafka declara que tudo o que escreveu foi para ser respeitado na sua nunca entregue longa Carta ao pai.

Acredito que a Escrita Criativa está em tudo o que lemos e escrevemos, quer sejam textos ficcionais e poéticos, quer sejam textos teóricos, pois é preciso muita criatividade para conectar diferentes pensadores e recriar um pensamento próprio, com a nossa própria voz. Os Estudos em Escrita Criativa On-line nasceram dessa necessidade em extrair técnicas de criação dos romances, novelas, contos e poemas, e até mesmo de ensaios e artigos, e, agregadas à nossa bagagem de leitura e de vida, forjarmos com essas técnicas algo original, pois sob o nosso olhar único e insubstituível.

A interface da Literatura com outras formas de artes são agentes provocadores de escrita. Por isso o estímulo em se colocar diante de pinturas, esculturas, filmes, músicas, fotografias, espetáculos de teatro e dança. As artes possuem um fio sensível que transita entre elas – se comunicam. Quando aprecio um quadro de Edward Burne-Jones, ou uma música de Ludwig van Beethoven, partes do meu cérebro são despertadas, imagens vêm à tona e podem fazer brotar poemas, contos ou até mesmo romances.

A relação da Literatura com outras áreas de conhecimento também é uma ferramenta importantíssima para os nossos Estudos. Quando lemos um Gaston Bachelard e o seu A psicanálise do fogo, ou um Henry Bergson com Duração e simultaneidade e Roland Barthes e A câmara clara é possível vislumbrar esse fogo criador, por serem tais teóricos e outros estudados nos EEC On-line de uma poeticidade ímpar na forma que escrevem, e Poesia/Poiesis é criação.

E, principalmente, os EEC On-line nasceram da minha necessidade de compartilhar o universo infinito da Escrita Criativa. Tudo começou em 2016 com Bernadete Bruto e Elba Lins, em Recife, e o desejo de conversar sobre tudo o que eu apreendia no doutorado em Escrita Criativa da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Em 2017, um grupo de alunos da PUCRS (eu, inclusive) se reuniu para pensar em maneiras novas de divulgar o nosso trabalho em ambientes extra-acadêmicos. A partir dessa demanda, buscamos apoio na própria PUCRS e na XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco que aconteceria naquele mesmo ano. Com a boa receptividade na Bienal, criamos o projeto dos Estudos em EC, em Recife e Porto Alegre, nas Livrarias Cultura, em 2018, o que nos deu experiência para propormos o curso de Extensão na Unicap realizado no primeiro semestre de 2019, e a nossa primeira turma de Especialização Lato Sensu em EC Unicap/PUCRS, iniciada no segundo semestre.

No nosso curso on-line que iniciaremos em 10 de março de 2020, navegaremos por diversas regiões, línguas e países. Estudaremos escritores, poetas, teóricos e artistas do mundo inteiro. Descortinaremos técnicas presenteadas por criadores de todos os tempos, diversas culturas, diferentes linguagens. Através de vídeos curtos, gratuitos e semanais, tentaremos alcançar a máxima do nosso saudoso mestre Ariano Suassuna no seu Iniciação à estética, no qual nos alerta para estarmos sempre em busca da técnica, ou estudo contínuo, e do ofício, ou escrita diária, para quando a forma ou imaginação criadora descer do sol feito ave de rapina estarmos preparados para darmos o salto e criarmos uma obra de arte.

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* Escritora, dezesseis livros publicados, mestre em Teoria da Literatura (UFPE) e doutora em Escrita Criativa (PUCRS). Contatos: grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com e @estudosemescritacriativa (Instagram e Facebook).

** Na gravação dos Estudos em Escrita Criativa 2020 On-line, com Jaíne Cintra, Mariana Guerra, Juliana Aragão, e a (quase) participação especial de Preta. 

 

Abralic 2020 | Simpósio Escrita Criativa para o século XXI

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Prezadas(os) professoras(es) e pesquisadoras(es),

 

É com imensa satisfação que convidamos para participarem do simpósio Escrita Criativa para o século 21, que será realizado pela Abralic no período de 22 a 26 de junho de 2020, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É o simpósio de número 28.

As submissões de comunicações para o simpósio devem ser encaminhadas até o dia 29 de fevereiro de 2020 por meio do link: http://www.abralic.org.br/inscricao/comunicacao/

 

 

Atenciosamente,

Luís Roberto de Souza Júnior,

Moema Vilela Pereira,

Patricia Gonçalves Tenório.

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SIMPÓSIO ESCRITA CRIATIVA PARA O SÉCULO XXI

 

Prof. Dr. Luis Roberto de Souza Júnior (PUCRS)

Prof(a). Dr(a). Moema Vilela Pereira (PUCRS)

Prof(a). Dr(a). Patricia Gonçalves Tenório (UNICAP)

 

Resumo: Em 2020, a mais antiga oficina literária do país em funcionamento contínuo completa 35 anos de existência, tendo formado numerosos escritores brasileiros e estrangeiros e estimulado a criação de um primeiro programa completo de graduação e pós-graduação em Escrita Criativa no Brasil. Em um cenário de crescimento da área no país, com aumento de pós-graduações oferecidas e também da procura de interessados por cursos e oficinas de criação literária, é fundamental investigar e debater as pesquisas desenvolvidas em ambiente acadêmico para pensar caminhos para a Escrita Criativa no século XXI.

O presente simpósio pretende investigar os caminhos dessa área de pesquisa relativamente jovem no Brasil. A origem da Escrita Criativa vem dos tempos ancestrais. Reza a lenda que a mãe de Virgílio, o autor da Eneida, sonhou quando grávida com um loureiro. Consultou um mágico e este revelou, para alegria da futura mãe, que o filho seria um grande poeta. Mas o mágico advertiu: ela deveria enviar Virgílio para Roma para que aprendesse com os grandes poetas da época. Escritores do mundo inteiro já falaram de suas técnicas de maneira incansável. Descobrimos nas Cartas exemplares que Guy de Maupassant bebia em Gustave Flaubert. Virgínia Woolf compartilha os segredos da sua escrita em O leitor comum. Henry James derrama a própria técnica em A arte da ficção. Edgar Allan Poe explica, de trás para frente, como escreveu seu poema mais conhecido, “O corvo”, em “A filosofia da composição”. Milan Kundera revela os bastidores de A insustentável leveza do ser em A arte do romance. Orhan Pamuk conta da profecia paterna quanto ao Prêmio Nobel de Literatura que recebeu em 2006 em A maleta do meu pai. Por outro lado, Franz Kafka declara que tudo o que escreveu foi para ser respeitado na sua nunca entregue longa Carta ao pai.

No segundo volume da trilogia Sobre a escrita criativa, o escritor e professor da PUCRS Luís Roberto Amabile traça um panorama da área no exterior: “No meio acadêmico, as oficinas deram origem a um campo de estudos nos Estados Unidos, na década de 1930-40: a Escrita Criativa, que floresceu após a II Guerra. E naquele momento, em meados da década de 1980, quase todas as universidades norte-americanas e muitas europeias possuíam seus programas de Creative Writing. Além disso, em países da América Latina, como México e Argentina, crescia o número de oficinas de criação, mesmo sem vínculo acadêmico” (AMABILE, 2018, p. 257).

No Brasil, data de 1962 um dos primeiros cursos dessa natureza (LAMAS/ HINSTZ, 2002), ministrado pelo escritor e professor Cyro dos Anjos, na Universidade de Brasília (UnB). Quatro anos depois, Judith Grossmann fundou, na Universidade Federal da Bahia, as oficinas de criação literária. Na década seguinte, em 1975, no Rio de Janeiro, ocorreu uma oficina ministrada por Silviano Santiago e Affonso Romano de Sant’Anna (este último participou do Program in Creative Writing, iniciado pela Iowa University). E desde 1985, funciona, de maneira ininterrupta e inserida no Programa de Pós-Graduação em Letras, a Oficina de Criação Literária da PUCRS, ministrada por Luiz Antonio de Assis Brasil.

Chegamos ao cerne do simpósio: quais as possibilidades de desenvolver pesquisas sobre a Escrita Criativa em ambiente acadêmico? Em abril de 2019, Assis Brasil publica o livro Escrever ficção, resultado de sua experiência na área. Em agosto do mesmo ano, na aula inaugural da Especialização Lato Sensu em Escrita Criativa Unicap/PUCRS em Recife, Assis Brasil aponta o crescimento da área no país, com aumento expressivo de Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu e Lato Sensu em Escrita Criativa.

Os alunos-escritores das pós-graduações em EC – tendo como pioneiro no país o caso da PUCRS, com graduação (2015), mestrado (2006), doutorado (2012), cursos de extensão e a especialização em parceria com a Unicap (2019) – se alimentam do fazer artístico dos escritores clássicos e contemporâneos, assim como da teoria da literatura, e outras áreas de conhecimento (filosofia, psicanálise, semiótica), outras artes conjugadas (cinema, fotografia, artes plásticas), que o ambiente acadêmico proporciona e facilita.

Em 21 lições para o século 21, o Ph.D. em História pela Universidade de Oxford, e atualmente professor na Universidade Hebraica de Jerusalém, Yuval Noah Harari, nos alerta da necessidade de estarmos sempre nos recriando, porque, no futuro, as profissões serão líquidas, as vocações, mutáveis, os cenários, imprevisíveis. Nada mais pertinente, nos 35 anos da oficina idealizada e conduzida por Luiz Antonio de Assis Brasil, trazermos para o XVII Congresso Internacional da Abralic “Diálogos Transdisciplinares”, em Porto Alegre, a capital brasileira da Escrita Criativa, trabalhos que abordem as mais diversas possibilidades da área neste século e além.

 

Referências bibliográficas:

AMABILE, Luís Roberto. Escrita criativa, a aventura começa. In Sobre a escrita criativa II. Organização: Patricia Gonçalves Tenório. Prefácio: Bernardo Bueno. Recife: Editora Raio de Sol, 2018.

ASSIS BRASIL, Luiz Antonio. Escrever ficção: Um manual de criação literária. Colaboração de Luís Roberto Amabile. São Paulo: Cia das Letras, 2019.

FLAUBERT, Gustave. Cartas exemplares. Tradução: Carlos Eduardo Lima Machado. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2005.

HARARI, Yuval Noah. 21 lições para o século 21. Tradução: Paulo Geiger. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

JAMES, Henry. A arte da ficção. Tradução e prefácio: Daniel Piza. Osasco, SP: Novo Século Editora, 2011.

KAFKA, Franz. Carta ao pai. Tradução: Marcelo Backes. Porto Alegre: L&PM, (1919 in) 2007.

KUNDERA, Milan. A arte do romance. Tradução: Teresa Bulhões C. da Fonseca e Vera Mourão. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988.

LAMAS, Berenice Sica; HINTZ, Marli Marlene. Oficina de criação literária: um olhar de viés. 2ª ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002.

PAMUK, Orhan. A maleta do meu pai. Tradução: Sérgio Flaksman. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

POE, Edgar Allan. A filosofia da composição. In Poemas e ensaios. Tradução: Oscar Mendes e Milton Amado. Revisão e notas: Carmen Vera Cirne Lima. 3ª ed. revista. São Paulo: Globo, 1999

WOOLF, Virgínia. O leitor comum. Tradução: Luciana Viégas. Rio de Janeiro: Graphia, 2007.

Minibiografia dos coordenadores:

Luís Roberto de Souza Júnior (Amabile) (Assis/SP, 1977) estudou Teatro e Jornalismo na USP e trabalhou na imprensa paulistana por mais de uma década. É mestre em Letras e doutor em Teoria da Literatura na PUCRS, onde atualmente cursa o doutorado e é professor da graduação em Escrita Criativa. Teve contos e peças incluídos em antologias no Brasil, em Portugal e na Espanha. O amor é um lugar estranho (Grua, 2012), seu livro de estreia, foi finalista do Prêmio Açorianos 2013. O livro dos cachorros (Patuá, 2015) havia anteriormente vencido a chamada para publicação do Instituto Estadual do Livro do RS. Também colaborou com Luiz Antonio de Assis Brasil em Escrever ficção: Um manual de criação literária, que a Companhia das Letras lançou em 2019. Contato: luisrobertoamabile@gmail.com

Moema Vilela Pereira é Doutora em Escrita Criativa pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Professora adjunta na Escola de Humanidades da PUCRS, lecionando nos cursos de Escrita Criativa e de Letras. Uma das coordenadoras do curso de Especialização Lato Sensu em Escrita Criativa Unicap/PUCRS. Mestra em Letras – Estudos de Linguagens (Linguística e Semiótica) pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e em Letras (Escrita Criativa) na PUCRS. Graduada em Comunicação Social (Jornalismo) pela UFMS. Autora dos livros Ter saudade era bom (2014), finalista do Prêmio Açorianos, Guernica (2017), Quis dizer (2017) e A dupla vida de Dadá (2018). Publicou contos, poesias, artigos e ensaios em diversas antologias e revistas literárias brasileiras.

Contatos: moemavilela@gmail.commoema.pereira@pucrs.br

Patricia Gonçalves Tenório (Recife/PE, 1969) escreve prosa e poesia desde 2004. Tem dezesseis livros publicados, com premiações no Brasil e no exterior, entre elas, Melhor Romance Estrangeiro por As joaninhas não mentem (em outubro, 2008) e Primo Premio Assoluto por A menina do olho verde (em outubro, 2017), ambos pela Accademia Internazionale Il Convivio, Itália); Prêmio Vânia Souto Carvalho (2012) da Academia Pernambucana de Letras (PE) por Como se Ícaro falasse, e Prêmio Marly Mota (2013) da União Brasileira dos Escritores – RJ pelo conjunto da obra. Mestre em Teoria da Literatura (UFPE), doutora em Escrita Criativa (PUCRS), organizadora e ministrante dos Estudos em Escrita Criativa (2016 a 2019.1). Uma das idealizadoras e coordenadoras do curso de Especialização Lato Sensu em Escrita Criativa Unicap/PUCRS, e ministrante, em março de 2020 (juntamente com a Profa. Moema Vilela Pereira), da disciplina Empreendedorismo Literário.

Contatos: patriciatenorio@uol.com.brwww.patriciatenorio.com.br

Pílulas para o Silêncio Parte CLVI* | Clauder Arcanjo**

O retrato na parede não lembra as mulheres de Licânia. Não sei o motivo; suspeito que, para mim (ser-criança), as verdadeiras damas devem ter a tez de minha mãe.

Se Freud explica?! Pode ser, este austríaco foi um grande filho de uma mãe.

 

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Nos olhos, a nódoa de uma tristeza antiga. Daquela de tingir o olhar de um cinza tão indescritível que a cabeça queda, (res)sentida com tanta desventura.

 

&&&

 

— Alto lá! — Anunciou-lhe o anjo.

— Arcanjo Gabriel, eu preciso entrar. Subi aos céus, na esperança de entrar e aqui ficar. Sofri muito na Terra, renunciando às ditas “tentações”. Nem sei como consegui. Nos últimos dias, ó Senhor!, estava quase caindo em tenta… — argumentou o cristão, os olhos rubros de desespero e fúria.

— Serenai! O mundo de Jeová está próximo… Calma! Pelo amor do Pai!… — Alegou o guardião das hostes celestiais, enquanto tentava identificar, no Livro de Deus, o destino daquela alma.

— Eu quero entrar. E vou fazer isto agora. Dá-me o que é meu, e lá vou eu! Saia do meio. Ora bolas! Se não… a minha vida não valeu a pena. E chega de intermediário! Faça-me o favor de convocar: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Fui claro? — Ordenou, enquanto o firmamento, entre aleluias, parava no Tempo.

 

&&&

 

Quando punimos o próprio filho, por mais terrível que seja a sua falta, o penitenciado somos nós.

 

&&&

 

Alegria é difícil. Felicidade, raridade. Vida feliz, quimera inalcançável.

 

Só os tristes sobrevivem aos desaforos do mundo. Salve, então, Sra. Melancolia!

 

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* Publicado n’O mossoroense em 09/02/2020 no http://www.omossoroense.com.br/clauder-arcanjo-pilulas-para-o-silencio-parte-clvi/

** Clauder Arcanjo é escritor, membro da Academia de Letras do Brasil. Autor das obras Licânia, Novenário de espinhos, Uma garça no asfalto, Cambono, O Fantasma de Licânia, entre outras. Contato: clauderarcanjo@gmail.com

Mobilidade [inter]urbana-performativa* | Elilson**

“Vestindo camisa polo cinza e calça jeans, iniciei a ação na Rua Buenos Aires, uma das principais vias de passagem e acesso para o mercado da Saara. Alguns passos e alcancei com os olhos uma mão esticada para fora de um prédio. Pedi o panfleto, explicando a proposta. Antes de escolher o ponto do meu corpo, Verônica compartilhou: ‘Eu tô daqui de dentro colocando só a mão pra rua, pois panfletar no Rio de Janeiro é ilegal, você sabia? Se eu der um passo pra calçada, o guarda já pode me multar. Aqui eu tô assegurada na legalidade, trabalho pra essa clínica odontológica há muitos anos’. Me contou quanto recebia e frisou que tem todos os seus direitos assinados. Mas é comum os panfleteiros serem legalizados? ‘Ih, nada! Arrisco que serei a única.’ Destaquei o alfinete e ela decidiu: ‘Já que sou a primeira, vou centralizar meu anúncio bem aqui, no teu coração, pra dar boa sorte nos caminhos’.” (p. 50)

 

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* Trecho extraído de Mobilidade [inter]urbana-performativa. Elilson. Projeto apoiado pelo programa Rumos Itaú Cultural 2017-2018. Rio de Janeiro, 2019.

** Elilson (Recife, 1991) é mestre em Artes da Cena – performance (UFRJ) e graduado em Letras (UFPE). Trabalha principalmente com performance, escrita e instalação. Tem participado de festivais e exposições em cidades como Assunção, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. Em 2017, publicou “Por uma mobilidade performativa” (Editora Temporária). Em 2018, foi contemplado com o Rumos Itaú Cultural e com o Prêmio EDP nas Artes do Instituto Tomie Ohtake, realizando por meio deste, uma residência no ateliê R.A.R.O (Buenos Aires). www.elilson.com