Índex* – Dezembro, 2020

O despertar

De uma nova vida

Começa

Pequenininho

Depois

Alarga as fronteiras

De ser

Criança

Homem

Mulher

Poeta

Por inteiro

*

E escrever

Uns versos

Assim

Só para

Fazer carinho

A quem se ama

(“Porque tu és responsável por quem cativas”, Patricia Gonçalves Tenório, 02/12/2020, 09h24)

O despertar para uma nova vida, um novo ano no Índex de Dezembro, 2020 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Lançamento Coleção Quarentena | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Estudos em Escrita Criativa 2021 | Os mundos de dentro (PE – Brasil).

Mulheres poéticas | Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil), Monique Becher (PE – Brasil), Patricia Alves (PE – Brasil), Raldianny Pereira (PB/PE – Brasil), Taciana Valença (PE – Brasil).

Escrita Criativa em mim | Capítulo 5 – As editoras | Patricia Gonçalves Tenório.

Poema de Altair Martins (RS – Brasil).

Poema de Cilene Santos (PE – Brasil).

2ª turma de Especialização em Escrita Criativa Unicap/PUCRS | Diversos.

Infinita gratidão por todas as pessoas que se doaram neste espaço imaginário, a próxima postagem será em 31 de Janeiro de 2021, Feliz Natal e um Ano Novo cheio de Paz, Saúde, Amor & Luz, grande abraço e até lá,

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* December, 2020

The awakening

For a new life

Begins

Tiny

Then

It broadens the borders

To be

Child

Man

Woman

A fully

Poet

*

And write

Some verses

Like these

Only for

To cuddle

Whom you love

(“Because you are responsible for who you captivate”, Patricia Gonçalves Tenório, 12/02/2020, 09h24)

The awakening to a new life, a new year in the December Index, 2020 on Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

Quarantine Collection Launch | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

Studies in Creative Writing 2021 | The worlds inside (PE – Brasil).

Poetic women | Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil), Monique Becher (PE – Brasil), Patricia Alves (PE – Brasil), Raldianny Pereira (PB/PE – Brasil), Taciana Valença (PE – Brasil).

Creative Writing in Me | Chapter 5 – Publishers | Patricia Gonçalves Tenório.

Altair Martins’ poem (RS – Brasil).

Poem by Cilene Santos (PE – Brasil).

2nd class of Specialization in Creative Writing Unicap/PUCRS | Several.

Infinite gratitude for all the people who donated in this imaginary space, the next post will be on January 31, 2021, Merry Christmas and a New Year full of Peace, Health, Love & Light, big hug and until then,

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translates (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Domingo, 20 de Dezembro de 2020. A caminho de um Novo Ano (PE/AL – Brasil). Sunday, December 20, 2020. On the way to a New Year (PE/AL – Brasil).

Lançamento Coleção Quarentena | Patricia Gonçalves Tenório*

Se isolar

É um bom

Remédio

Para quem

Não sofre

Solidão:

Se conhece

Por inteiro

As qualidades

Os defeitos

Sem tirar

Os pés

Do chão

*

Para quem

Já conhece

A profunda

Solidão

Se isolar

É uma alegria

É encontrar

Todo dia

As várias

Faces

Do próprio

Ser

*

Mas é preciso

Se lembrar

De sair sempre

Devagarzinho

E encontrar

Gente amiga

Ao menos

Numa tela

De PC

(“Convite para não se sentir só”, Patricia Gonçalves Tenório, 11/12/2020, 08h28)

Setembro, Poemas de cárcere e Exílio ou Diário depois do fim do mundo fazem parte da Coleção Quarentena, uma trilogia de ficção, poemas e não ficção escrita durante os primeiros seis meses da pandemia de Covid-19 e que foi imprescindível para a autora expurgar os medos mais profundos, mas também enxergar a beleza que sempre brota nos períodos sombrios da humanidade.

É com infinita gratidão por todas as pessoas que me ajudaram a atravessar esse período e continuam me ajudando, em especial, meus filhos Vítor, Maria Eduarda e Bruno, e as amigas-poéticas Bernadete Bruto, Elba Lins e Raldianny Pereira, que ofereço a Coleção Quarentena, lançada virtualmente em 18/12/2020 – segue abaixo o link da gravação no Zoom.

Abraços cheios de Sonhos, Saúde & Luz,

Patricia Gonçalves Tenório.

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(Os arquivos abaixo já estão na versão final da gráfica.)

Coleção Quarentena:

Exílio ou Diário depois do fim do mundo

Poemas de cárcere

Setembro

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Lançamento Coleção Quarentena | 18/12/2020 | Gravação Zoom:

https://us02web.zoom.us/rec/share/GIVIfULR2SGtJWw2V_q23D1rPDJp_aSq-InQ_crD7RLxA-o0NuNfP5oUIZUyM-Av.TvbgRE72qaFWiUzq  

(Senha de acesso: f?ec7&9z)


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* Patricia Gonçalves Tenório é escritora, vinte livros publicados, sendo um deles, A baronesa (2020), em formato vídeopodcast. Recebeu prêmios no Brasil e no exterior por As joaninhas não mentem (2006), Grãos (2007), Como se Ícaro falasse (2012), A menina do olho verde (2016) e pelo conjunto da obra em 2013. Mestre em Teoria da Literatura (UFPE) e doutora em Escrita Criativa (PUCRS), ministra, desde 2016, cursos on-line e presenciais do grupo de Estudos em Escrita Criativa. Contatos: grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com e https://www.youtube.com/estudosemescritacriativa

Estudos em Escrita Criativa 2021 | Os mundos de dentro

Estudos em Escrita Criativa On-line: Uma (ret)(p)rospectiva

Patricia Gonçalves Tenório

Dezembro, 2020

2020 foi um ano atípico com a pandemia de Covid-19. Inúmeras pessoas reclamaram da baixa produção, ou até mesmo da paralização em suas áreas de trabalho. Mas isso não aconteceu com aquelas que escrevem ficção, poesia, não ficção, ou que buscaram na escrita a sua válvula de escape. Isso não aconteceu com as pessoas participantes dos Estudos em Escrita Criativa On-line.

Nascido em 2016, o grupo de Estudos criou o I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco (outubro, 2017); os cursos em formato de módulos sobre oito temas da Literatura (o tempo, o mito, a viagem, a música, o amor, o sonho, a imagem, o fogo) nas Livrarias Cultura de Recife e Porto Alegre; um curso de Extensão (2019.1) sobre a temática da viagem na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), que foi cartão de visitas para a primeira turma da Especialização Lato Sensu em Escrita Criativa Unicap/PUCRS (2019.2).

Mas em 2020, batemos todos os recordes. Transformamos o curso de Extensão da Unicap em curso de oito módulos, gratuito e on-line, abordando escritores, poetas, teóricos de países, regiões e línguas do mundo inteiro (Língua Inglesa, Portugal, Brasil, Leste Europeu, Japão, Os russos, Os franceses, Os italianos).

E os resultados, mais uma vez, nos surpreenderam. Chegamos a 14.200 visualizações, 465 inscritos no canal de YouTube, 906 inscritos no curso, 1.525 seguidores no Instagram. Em meio à pandemia de Covid-19, o curso também alcançou o mundo com as pessoas participantes. Escritores e poetas das cidades do Porto e de Lisboa, em Portugal, e do Brasil inteiro (São Paulo, Paraná, Bahia, interior de Pernambuco, Alagoas, Goiás (DF), entre outros) foram provocados pelas vídeo aulas dos EECs On-line 2020, gerando um crescimento na qualidade da escrita, que encontramos desde o início do grupo em 2016.

Isso tudo nos deu ânimo para continuarmos o trabalho em 2021. De maneira on-line e gratuita, imaginamos um curso que abordasse a obra e as casas de alguns dos ficcionistas e poetas brasileiros mais significativos. E sem sairmos de casa. Em 2020, viajamos, mesmo que de forma virtual, por países do mundo inteiro. Em 2021, viajaremos para dentro de nós mesmos, nas quatro paredes de nossos lares, onde a nossa obra é gestada, acarinhada, até ser dada à luz ao público.

O curso será dividido em três momentos a cada módulo. Na primeira aula, abordaremos um livro do escritor estudado; na segunda aula, estudaremos uma teoria relacionada com o livro daquele escritor; na terceira aula, visitaremos a casa do escritor do mês, e faremos um bate-papo on-line e ao vivo com um escritor contemporâneo sobre a obra do escritor estudado, além de aplicarmos juntos um exercício de desbloqueio. Visitaremos Osman Lins (com Adriano Portela), Manuel Bandeira (com Altair Martins), Ferreira Gullar (com Antonio Aílton), Graciliano Ramos (com Lourival Holanda), Vinícius de Moraes (com Elba Lins), Jorge Amado (com Fred Linardi), Cora Coralina (com Moema Vilela), Hilda Hilst (com Fernando de Mendonça), Mário de Andrade (com Maria do Carmo Nino), Carlos Drummond de Andrade (com Bernadete Bruto), Guimarães Rosa (com Gustavo Czekster) e Mário Quintana (com Gisela Rodriguez).

As pessoas participantes terão direito a certificado de participação por módulo ou total do curso mediante apresentação do exercício de desbloqueio, que, nesta nova versão, poderá ser realizado em outros formatos além do escrito (vídeos, fotografias, pinturas, podcasts).

Com vocês, Estudos em Escrita Criativa On-line 2021: Os mundos de dentro!


Mulheres poéticas

Escrita erótica para mulheres poéticas[1]

Patricia Gonçalves Tenório[2]

Novembro, 2020

As poetisas

No prefácio de Delta de Vênus, da escritora francesa radicada em Nova York nos anos 1930 Anaïs Nins, descobrimos como construiu as suas histórias eróticas.

Ela e um grupo de peso – Henry James entre outros – foram contratados para escreverem narrativas eróticas para um colecionador de livros, que afirmava que eram para um de seus clientes. E mais: “o velho”, como o colecionador o chamava, queria somente as cenas de sexo.

Poderíamos ter engarrafado segredos melhores para lhe contar, mas ele teria sido surdo a tais segredos. Porém, um dia, quando ele estivesse saturado, eu lhe diria como ele quase nos fez perder o interesse pela paixão devido à obsessão com os gestos esvaziados das emoções e como o xingamos, porque ele quase nos levou a fazer voto de castidade, pois o que desejava que excluíssemos era o nosso próprio afrodisíaco – a poesia.[3]

É na contramão desse desejo do “velho” (ou quem sabe do próprio colecionador) que o grupo das Mulheres poéticas nasce. Idealizado pela engenheira-poeta Elba Lins, foram convidadas mais três escritoras-poetas para uma façanha, digamos, poderosa: Bernadete Bruto, Raldianny Pereira, e esta que vos escreve. Alguns dias depois, recebemos com imensa alegria as (também) escritoras-poetas Monique Becher, Patricia Alves e Taciana Valença.

A ideia inicial era lermos poemas sugeridos pelo escritor e professor gaúcho de Escrita Criativa Altair Martins quando ministrou a disciplina Oficina de Poesia na especialização lato sensu em Escrita Criativa Unicap/PUCRS em setembro de 2019.

Altair classifica os poemas em sensuais (que apenas sugerem), eróticos (quando a coisa acontece) e pornográficos (quando o que acontece é escrachado). Elba sugeriu que selecionássemos poemas próprios ou de outros(as) poetas, classificássemos e levássemos para a reunião que iniciaria uns poucos minutos após escrever este texto.

Como tive pouco tempo para analisar todos os poemas sugeridos por Altair, resolvi escrever este breve texto e trazer trechos de algumas poetisas/poesias – selecionadas por Altair e por mim.

Comecemos por Hilda Hist.

Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca

Austera. Toma-me AGORA, ANTES

Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes

Da morte, amor, da minha morte, toma-me

Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute

*

Em cadência minha escura agonia.

Tempo do corpo este tempo, da fome

Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento,

Um sol de diamante alimentando o ventre,

O leite da tua carne, a minha

Fugidia.

E sobre nós este tempo futuro urdindo

Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida

A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.

[…][4]

Podemos considerar o poema de Hilda Hilst como beirando o erótico e o sensual. Ela não revela tudo, mas quase, mais do que sugestão. Estaria, portanto, em um lugar híbrido, entre as duas categorias.

Essa carne de Hilda – e o Verbo se fez carne e habitou entre nós – também habita o imaginário de uma das maiores poetisas vivas brasileiras: a mineira Adélia Prado.

Em entrevista para os Cadernos de Literatura Brasileira, Adélia nos fala da fenomenologia da escrita poética.

[…] Poesia não é algo que eu crio com as palavras; sento e falo: “Agora com estas palavras vou criar isso ou aquilo”. As palavras me servem na medida em que dão carne a uma experiência anterior. Eu posso até cutucar um pouquinho em alguma palavra e ela me despertar a coisa, mas essa coisa que a poesia desperta é que é o grande mistério. Para mim, é o corpo de Cristo; ela é encarnação da divindade, é um experimento do divino. E o máximo desse experimento é um Deus que tem carne, que no caso é Jesus. É o máximo de poesia possível.[5]

E mais adiante nos Cadernos, Adélia nos brinda com um poema inédito que podemos classificar no mesmo híbrido erótico-sensual:

Oh, quem me fez, socorra-me,

a carne do meu coração

é a pele esticada de um tambor

onde ecoam sofrimentos

que parecem tentações,

dor travestida de dor ainda maior

para que eu desista

e duvide da crença de que tenho um pai.

Vem tudo em forma de carne

grandes mantas de carne palpitante,

recobrem ossos, mágoas, frustrações, desejos

sobre os quais tenho culpa e devo purgar-me

até que eu mesma seja apenas ossos.

[…][6]

Antes de finalizar este breve texto, trago um poema meu que penso compactuar com esse mesmo não lugar de Hilda, de Adélia, entre o erótico e o sensual. Talvez seja essa a carne da poesia que Adélia nos alerta, por habitar todo poema, por ser a encarnação do Verbo de sentido que permeia as entranhas de cada uma de nossas mãos que escrevem poesia.

Com

A mais bela rosa

Risco

O teu corpo nu

Beijo

Cada uma das células

Latejantes

Incongruentes

*

Entrego

Em taça dourada

O néctar do desejo

Antigo

Ancestral

Em que tu em mim farias

Gruta úmida e rara

Para apagar dos pecados

A solidão solícita

*

Do meu ser

Tens o inteiro

Cada margem

Cada escuta

E podes

Se apropriar do que digo[7]

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[1] Texto escrito para o primeiro encontro das Mulheres poéticas em 20 de novembro de 2020.

[2] Escritora, vinte livros publicados, sendo um em formato vídeo-podcast, mestre em Teoria da Literatura (UFPE) e doutora em Escrita Criativa (PUCRS). Contatos: grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com e https://www.youtube.com/estudosemescritacriativa

[3] NINS, Anaïs. Delta de Vênus: histórias eróticas. Tradução: Lúcia Brito. Porto Alegre: L&PM, 2005, p. 8.

[4] “Júbilo memória noviciado da paixão” (1974), Hilda Hilst – seleção Altair Martins.

[5] PRADO, Adélia. Entrevista em Cadernos de Literatura Brasileira. Número 9. Rio de Janeiro: IMS, junho de 2000, p. 24 – seleção Patricia Tenório.

[6] PRADO, Adélia. Línguas. In Cadernos de Literatura Brasileira. Número 9. Rio de Janeiro: IMS, junho de 2000, p. 62 – seleção Patricia Tenório.

[7] TENÓRIO, Patricia Gonçalves. O dom e o fruto. In D’Agostinho. In 7 por 11. Recife: Raio de Sol, 2019, p. 233 – seleção Patricia Tenório.

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Escrita infantil para mulheres adultas[1]

Patricia Gonçalves Tenório[2]

Dezembro, 2020

As poesias

O grupo das poetisas continua se encontrando. Continua me provocando leitura e criação. Elba Lins, conduzindo “as meninas”, sugere a leitura da seleção de poesias infantis do professor Altair Martins.

Começo de maneira diferente. Lembro do especial da Rede Globo Vinícius para criança,[3] que assisti aos onze anos de idade. Mas poeta é criança para sempre. Então fui atrás do Poetinha – que, por essas coincidências da arte, eu estava estudando – e me deparo com A arca de Noé.

Sete em cores, de repente

O arco-íris se desata

Na água límpida e contente

Do ribeirinho da mata.

*

O sol, ao véu transparente

Da chuva de ouro e de prata

Resplandece resplendente

No céu, no chão, na cascata.

*

E abre-se a porta da Arca

De par em par: surgem francas

A alegria e as barbas brancas

Do prudente patriarca.[4]

Vinícius nos apresenta de maneira infantil, mas inteligente – com o cuidado para não subestimar a capacidade de apreensão da poesia pelas crianças – todo um universo que a arca de Noé nos remete: a recriação do mundo após o dilúvio. Interessante utilizarmos essa metáfora na escrita poética, em especial na infantil, porque acredito que não existe nada mais original, tudo já foi criado, mas não com o nosso olhar, nossa subjetividade, nossa bagagem de leitura e de vida.

Leão! Leão! Leão!

Rugindo como o trovão

Deu um pulo, e era uma vez

Um cabritinho montês.

*

Leão! Leão! Leão!

És o rei da criação![5]

Não podemos deixar de comparar com o poema “The Tyger”, do poeta e artista inglês William Blake, de quem Vinícius revela a inspiração.

Tyger Tyger, burning bright!

In the forests of the night;

What imortal hand or eye,

Could frame thy fearful symmetry?

*

[Tyger Tyger, queimando brilhante!

Nas florestas da noite;

Que mão ou olho imortal,

Poderia enquadrar tua simetria terrível?][6]

Notem que são poemas para idades diferentes, escritos por poetas de línguas diferentes, mas que possuem na essência o mesmo gérmen da poesia, mostrando-nos que a arte não tem idade, e o mais importante é entrarmos em contato com quem nos lê.

Era uma casa

Muito engraçada

Não tinha teto

Não tinha nada

Ninguém podia

Entrar nela não

Porque na casa

Não tinha chão

Ninguém podia

Dormir na rede

Porque na casa

Não tinha parede

Ninguém podia

Fazer pipi

Porque penico

Não tinha ali

Mas era feita

Com muito esmero

Na Rua dos Bobos

Número Zero.[7]

E, ao nos debruçarmos sobre a seleção de poemas infantis feita por Altair Martins, nos deparamos com essa mesma simplicidade inteligente que encontramos em Vinícius e Blake: Walmir Ayala nos apresenta Cecília Meireles.

Você que vai ler este livro, não sei que idade terá. Não posso prever. Seja qual for, você terá uma surpresa, porque este é um livro mágico. Gostaria que você imaginasse a menina Cecília, sem pai nem mãe, apenas com sua avó Jacinta Garcia Benevides, debruçada sobre um tapete, descobrindo o mundo. Que tapete seria esse? Certamente parecido com esses que aparecem nas histórias orientais, com pássaros e flores, e muitos caminhos retorcidos onde ela imaginava o labirinto do sonho. Da Solidão de menina, e da atenção sobre as coisas que passam, ou pelas quais passamos, se nutriu a poeta Cecília Meireles, que depois foi mãe, avó e mestra. Todas estas experiências estão neste livro, que é como aquele tapete povoado de mistérios. Cecília entendia as crianças. Transitou com leveza entre os netos que foram tão simples e curiosos como vocês. Foi colhendo uma coisa ali, outra acolá, um cachimbo dourado de cabelo, uma birra, até um pensamento triste, e transformou tudo em matéria de vida. Mas esta Cecília tinha um amor muito especial pela palavra. E resolveu brincar, fazer ciranda com os sons, entrelaçar os fatos com rimas ingênuas, musicar o pensamento.[8]

A música de Cecília (assim como a de Vinícius) nos embala, e nos ensina a escrever… 

O mosquito pernilongo trança as

pernas, faz um M, depois, treme,

treme, treme, faz um O bastante

oblongo, faz um S.

*

O mosquito sobe e desce. Com

artes que ninguém vê, faz um Q,

faz um U, e faz um I.

*

Este mosquito

esquisito

cruza as patas, faz um T.

*

E aí,

se arredonda e faz outro O, mais

bonito.

*

Oh!

Já não é analfabeto, esse

inseto,

pois sabe escrever seu nome.

*

Mas depois vai procurar

alguém que possa picar, pois

escrever cansa,

não é, criança?

*

E ele está com muita fome[9]

… a dançar…

Esta menina tão

pequenina

quer ser bailarina.

*

Não conhece nem dó nem ré mas

sabe ficar na ponta do pé.

*

Não conhece nem mi nem fá

mas inclina o corpo para cá e para lá.

*

Não conhece nem lá nem si, mas

fecha os olhos e sorri.

*

Roda, roda, roda com os bracinhos no ar e não

fica tonta bem sai do lugar.

*

Põe no cabelo uma estrela e um véu e diz

que caiu do céu.

*

Esta menina tão

pequenina

quer ser bailarina.

*

Mas depois esquece todas as danças,

e também quer dormir como as outras crianças.[10]

… a fazer escolhas quando um dia formos adultas, pequenas meninas que ainda somos…

Ou se tem chuva e não se tem sol

ou se tem sol e não se tem chuva!

*

Ou se calça a luva e não se põe o anel,

ou se põe o anel e não se calça a luva!

*

Quem sobe nos ares não fica no chão,

quem fica no chão não sobe nos ares.

*

É uma grande pena que não se possa

estar ao mesmo tempo em dois lugares!

*

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce, ou

compro o doce e gasto o dinheiro.

*

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo … e

vivo escolhendo o dia inteiro!

*

Não sei se brinco, não sei se estudo,

se saio correndo ou fico tranquilo.

*

Mas não consegui entender ainda

qual é melhor: se é isto ou aquilo.[11]

… até tomarmos coragem e voltarmos a ser crianças, no apagar das luzes e das forças do dia, e escrever infanto-poesia.

Minha mãe

Mandou dizer

Que eu escrevesse

Isso daqui

*

Mas quando

Eu fui escrever

Achei as palavras

Tão feinhas

Os versos

Pixototinhos

*

Que resolvi

Ler gente

Grande

Um Vinícius

Um Quintana

Um outro

Chamado Gullar

*

Mas

De quem

Eu gostei

Mesmo

Foi daquela

De nome

Cecília

*

Que me

Botou

No colo

Contou

História

E me

Fez

Um dia

Sonhar[12]


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[1] Texto escrito para o terceiro encontro das Mulheres poéticas em 13 de dezembro de 2020.      

[2] Escritora, vinte livros publicados, sendo um em formato vídeo-podcast, mestre em Teoria da Literatura (UFPE) e doutora em Escrita Criativa (PUCRS). Contatos: grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com e https://www.youtube.com/estudosemescritacriativa     

[3] O especial Vinícius para criança foi exibido na Rede Globo em 10/10/1980, no horário das 21h. Com direção de Ewaldo Ruy e direção-geral de Augusto César Vanucci, teve a participação especial de Aretha Marcos, Alceu Valença, Chico Buarque, Fábio Júnior, Milton Nascimento, MPB4 e muitos mais.

[4] MORAES, Vinícius de. A arca de Noé. In Vinícius de Moraes: obra reunida. Organização: Eucanaã Ferraz. 1ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, (1970 in) 2017, p. 443.

[5] MORAES, Vinícius de. O leão. In Op. cit., (1970 in) 2017, p. 450.

[6] BLAKE, William. William Blake. The British Museum. London: The Random House, 2005, p. 32 – Tradução livre nossa.

[7] MORAES, Vinícius de. A casa. In Op. cit., (1970 in) 2017, p. 450.

[8] Prefácio de Walmir Ayala para Ou isto ou aquilo, de Cecília Meireles – seleção de Altair Martins.

[9] O mosquito escreve. In Ou isto ou aquilo, de Cecília Meireles – seleção de Altair Martins.

[10] A bailarina. In Ou isto ou aquilo, de Cecília Meireles – seleção de Altair Martins.

[11] Ou isto ou aquilo. In Ou isto ou aquilo, de Cecília Meireles – seleção de Altair Martins.

[12] “Quando eu quis virar poeta”, Patricia Gonçalves Tenório. Escrito às 21h47 de 12/12/2020.


      

Escrita Criativa em mim* | Patricia Gonçalves Tenório**

Dezembro, 2020

Capítulo 5 – As editoras

            Para Ana Lucia Gusmão, Jaíne Cintra, Gisela Abad, Marivaldo Costa e Sandra Freitas

Apesar do distanciamento no tempo e no espaço, aprendi muito com a artista plástica pernambucana Karla Melo e o poeta cearense Majela Colares enquanto eu participava da editora Calibán, no Rio de Janeiro, de 2007 a 2010.

Quando retornei da França, em janeiro de 2007, recebi o convite do escritor pernambucano Cláudio Aguiar e do próprio Majela Colares para participar da editora carioca, sediada no bairro da Cinelândia, na av. Treze de Maio, ao lado do belíssimo Teatro Municipal – Karla Melo se juntou à equipe quando eu ingressei na editora. Foi todo um aprendizado do detalhe, de investigar a vírgula, a fonte da letra, a textura do papel, do miolo à capa, e o quanto essa experiência mudou o meu olhar de escritora iniciante.

O texto é imprescindível para que o livro nasça, e aquele de qualidade é o mais querido. Mas a forma como o texto virá ao mundo é também condição essencial. Quem nos lê pode passar adiante na prateleira de uma livraria, quer seja física ou virtual, apenas (e isso não significa pouco) por causa de uma apresentação pobre, desprovida de imaginação criadora em uma capa, na editoração de um texto.

Na organização dos originais já descobrimos a maravilha que é cuidar do livro do outro. E, com um pouco de sorte, evitamos alguns erros tipográficos na impressão, pois, como reza a lenda de Monteiro Lobato, “os erros tipográficos são como moleques peraltas: eles desaparecem na hora da revisão e aparecem saltitantes na hora da impressão”.

E, ao cuidar do livro do outro, apreendemos mais para os nossos próprios livros. Porque, formando um paradoxo com “amar a si para poder amar ao próximo”, o cuidado com o livro do outro desperta em nós o amor pelo que escrevemos, confirma o amor que sinto pela Escrita Criativa em mim.

Vista do belíssimo Teatro Municipal, ao lado da antiga editora Calibán, na av. Treze de Maio, n. 13, Cinelândia, Rio de Janeiro.

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* Coluna publicada mensalmente nos blogs www.veragora.com.br/tesaoliterario e www.patriciatenorio.com.br.      

** Escritora, vinte livros publicados, sendo um em formato vídeo-podcast, mestre em Teoria da Literatura (UFPE) e doutora em Escrita Criativa (PUCRS). Contatos: grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com e https://www.youtube.com/estudosemescritacriativa     

Poema* de Altair Martins**

APRENDIZADO NA SOMBRA

Deitado ao chão

no alto do Morro Santana

em Porto Alegre

pela primeira vez eu vi um silêncio tão sério a quem eu não podia mentir.

E descobri que eu deveria ter arquitetado pontes, ou destruído pontes, não sei.

Só sei que eu poderia ter matado ou morrido em Dresden, no chão ou no avião, e por isso eu não veria a morte de perto.

Só que não foi certo ter enganado

tantos editores

com um punhado de enganos que ainda vestem suas capas.

*

No morro,

o silêncio sério continuava entre as copas das árvores onde havia um mapa e havia rios (por entre as folhas) que o meu olho inventou antes que eu dormisse.

*

E não sei se sonhei,

porque o sonho cansa mais que o cansaço, ou se naquele chão irregular do Morro Santana pude perceber: que novidade são as minhas costelas.

Fui alguém que respiro

e que só por isso é parte do mundo.

*

E pensei:

pior

que eu

só o que o cascalho sabe imitar de um juro bancário.

pior

que eu

só talvez a chuva num casamento,

um churrasco sozinho,

ou talvez a jaqueta que adoro

e que nenhum alfaiate conseguiu restaurar.

*

Deitado ao chão

no alto do Morro Santana

em Porto Alegre

descobri o cheiro de mim:

que tenho tristezas de ave quase extinta, que tenho os cabelos que me esquecem, que faço errado justamente o que mais faço:

comida, sexo, escrita.

*

Ora, mas mesmo pobre eu fui mimado, me disse, porque a literatura me deu uma casa, alguns reféns e em troca recebeu toda a culpa.

*

Não caberei por isso

na palma da mão

quando alguém fechar pra dar um soco.

Nem fingirei que faço algo pros outros

quando gosto do carinho

de uma luz que vacila num poste.

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* Poemas postados no Jornal Nova Folha, Guaíba, RS. Fotografia: Valmir Michelon. www.novafolha.com.br/altair-martins

** Altair Martins (Porto Alegre, 1975). Bacharel em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) — ênfase em tradução de língua francesa —, mestre e doutor em Literatura Brasileira na mesma universidade. Ministrou a disciplina de Conto no curso superior de Formação de Escritores da UNISINOS entre 2007 e 2010. É professor da Faculdade de Letras e de Escrita Criativa da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), atuando no Programa de Pós-graduação. Coordena o projeto de pesquisa O fantástico em tradução. Tem textos publicados em Portugal, na Itália, França, Argentina, no Uruguai, na Espanha, Hungria, em Luxemburgo e nos Estados Unidos. Ganhou, entre outros prêmios, o São Paulo de Literatura (2009, com o romance A parede no escuro) e o Moacyr Scliar (2012, com os contos do Enquanto água). A peça teatral Hospital-Bazar (Porto Alegre: EdiPucrs, 2019) e o romance Os donos do inverno (Porto Alegre: Não editora, 2019) são suas últimas publicações. Ministrante, em setembro de 2019, da disciplina Oficina de Poesia na primeira turma de especialização Lato Sensu em Escrita Criativa Unicap/PUCRS (2019.2). Contatos: altairt.martins@pucrs.br; www.altairmartins.com.br

Poema de Cilene Santos*

UM PASSEIO PELA TARDE

O2/12/2018

Pelas ruas eu caminho

Vou pisando na calçada

Ando bem devagarinho

Pra curtir a caminhada

*

Paro pra olhar vitrines

Decoradas pro Natal

As lojas e magazines

Capricham no visual

*

As crianças se encantam

Ao verem o Papai Noel

As mais novas se assustam

E apontam pra o carrossel

*

Encontro vários amigos

Parece que combinamos

Alguns deles bem antigos

Enternecidos ficamos

*

E assim eu continuo

Na cidade passeando

Os meus passos diminuo

Pra ver o dia anoitando

*

E a noite aparece linda

De luzes douradas cheia

Lá no Leste a Lua brinda

E nas nuvens se permeia

*

Terminando a minha trilha

Volto a casa animada

A estrela Vésper já brilha

E minh’alma está lavada.

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* Cilene Santos, escritora, poeta, cordelista. Professora graduada em Letras, com especialização em Língua Portuguesa. Membro da Academia Caruaruense de Literatura de Cordel, ocupando a cadeira nº 08, e tem como patrono Dimas Batista. Publicou Branca de Neve e os Sete Anões em Versos e A vida de Joel Pontes, em cordel. Participou dos Estudos em Escrita Criativa 2018 de Recife. Contato: cilenecaruaru2013@gmail.com

2a turma de Especialização em Escrita Criativa Unicap/PUCRS

Índex * – Novembro, 2020

Costuro

O poema

Como quem sabe

O que é vestir

A pura seda

Dos versos de

Gullar

Cozinho

O poema

Feito o café bom

De Bandeira

Os sequilhos

De Quintana

O pão de queijo

De Drummond

O doce de leite

De Moraes

Antes

Que a tarde

Me deite

Nua

Sobre as

Folhagens

De palavras

Que brotam

Durante a minha

Leitura

(“Os amantes”, Patricia Gonçalves Tenório, 06/11/2020, 11h57)

O Amor Perfeito à Poesia, à Literatura, à Escrita Criativa no Índex de Novembro de 2020 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Encontro de Poesia 51 | Edição de Aniversário | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Divers@s.

Coleção Quarentena | Depoimentos | Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil) & Raldianny Pereira (PE – Brasil).

Escrita Criativa em mim | Capítulo 4 – Os concursos literários | Patricia Gonçalves Tenório.

Poema de Altair Martins (RS – Brasil).

Amaro Nervo por Manuela Bertão (Porto – Portugal).

A poesia de Raquel Carrilho (PE – Brasil).

Poema de Rizolete Fernandes (RN – Brasil).

E os links do mês:

Ave Palavra, de Bernadete Bruto, com Patricia Tenório: https://open.spotify.com/episode/6753c80IqeScWXvcsWiuEZ

Bernardo Bueno (RS – Brasil) e a pré-venda da Antologia Quatro de Escrita Criativa da PUCRS:
https://www.bestiario.com.br/livros/escrita_criativa_4.html

Bruno Tenório de Oliveira e Silva (PE – Brasil) e o zumbido:
https://www.instagram.com/p/CHiO3SYL7bM/?igshid=m9foc9lxumnc

Folhinha Poética por Jorge Amaral de Oliveira (CE – Brasil): http://folhinhapoetica.blogspot.com/2020/11/10nov20-patricia-goncalves-tenorio.html#.X6x2Z8hKjIU

Excepcionalmente, antecipamos a News de Novembro, 2020. A próxima postagem será em 22 de Dezembro de 2020. Agradeço a atenção e o carinho de sempre, abraço bem grande e até lá,

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – November, 2020

I sew

The poem

As who knows

What is dressing

The pure silk

From the verses of

Gullar

*

I cook

The poem

As the good coffee

From Bandeira

The sequels

From Quintana

The cheese bread

From Drummond

The milk candy

From Moraes

Before

That afternoon

Lay me down

Naked

About the

Foliage

Of words

That sprout

During my

Reading

(“The lovers”, Patricia Gonçalves Tenório, 11/06/2020, 11h57 a.m.)

The Perfect Love of Poetry, Literature, Creative Writing in the November, 2020 Index on Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

Poetry Meeting 51 | Anniversary Edition | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Several.

Quarantine Collection | Testimonials | Bernadete Bruto (PE – Brasil), Elba Lins (PB/PE – Brasil) & Raldianny Pereira (PE – Brasil).

Creative Writing in Me | Chapter 4 – Literary contests | Patricia Gonçalves Tenório.

Altair Martins’ Poem (RS – Brasil).

Amaro Nervo by Manuela Bertão (Porto – Portugal).

The poetry of Raquel Carrilho (PE – Brasil).

Poem by Rizolete Fernandes (RN – Brasil).

And the links of the month:

Ave Word, from Bernadete Bruto, with Patricia Tenório: https://open.spotify.com/episode/6753c80IqeScWXvcsWiuEZ

Bernardo Bueno (RS – Brasil) and the pre-sale of the Anthology Four of Creative Writing by PUCRS:
https://www.bestiario.com.br/livros/escrita_criativa_4.html

Bruno Tenório de Oliveira e Silva (PE – Brasil) and the buzz:
https://www.instagram.com/p/CHiO3SYL7bM/?igshid=m9foc9lxumnc

Poetic Leaflet by Jorge Amaral de Oliveira (CE – Brasil): http://folhinhapoetica.blogspot.com/2020/11/10nov20-patricia-goncalves-tenorio.html#.X6x2Z8hKjIU

Exceptionally, we anticipate the News of November, 2020. The next post will be on December 22, 2020. I thank you for your attention and affection always, a big hug and until then,

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma
questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Os amantes perfeitos sobre a mesa. The perfect lovers over the table.

Encontro de Poesia 51 | Edição de Aniversário

Essa máquina

De sonhos

Que é o

Meu coração

Bombeia

Há 51 anos

Versos

Frases

Para quem

Der e

Vier

*

Mais perto

No riscar

Da letra

Preta

No papel

Em branco

*

Como se fossem

Poemas

Assim

Soltos

Como se fossem

Histórias de sorrir e de chorar

Como se eu fosse

*

Eterna

Verso

Prosa

Real

E ficção

*

Do tamanho

Do punho

Dessa mão

Que te escreve

(“Máquina de sonhos”, Patricia Gonçalves Tenório, 21/11/1969, 08h)

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Foi um encontro maravilhoso o de ontem!

Gratidão infinita pela participação e pelos presentes poéticos e compartilho por aqui o nosso Encontro de Poesia em comemoração ao meu aniversário de 51 anos!

https://us02web.zoom.us/rec/share/6tjtwNyvqOXgimrxtb9npGseTrwqxQnTUNAHyg_RY125-x7H21BIINMhFc3iKRGq.Tkz8-C4T5EKdjhD4 

(Senha de acesso: pFZ^h823)

Abraços do tamanho dos nossos sonhos e até breve!

Patricia.