Índex* – Novembro, 2017

De Arabella

Se aproxima

O fim da sua estória

O fim da narração 

Em terceira pessoa 

Que ficcionaliza

A vida do autor

*

A morte do autor

Está em cada linha

Está em cada palavra

Contada

Narrada

Derramada

Na tela do computador 

Nas letras do teclado

Que protegem o eu

Do outro

E permitem imaginar

E concedem aproximar

O fim de uma estória 

À bordo de um avião

(“Arabella em apuro”, Patricia Gonçalves Tenório, 10/11/2017, 06h50)

 

O fim de uma estória, o fim de um ciclo e início de outro no Índex de Novembro, 2017 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Poemas de Viagem | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“A menina do olho verde” na Itália | Patricia Gonçalves Tenório.

Ewa Lipska (Pologne) & Krzyztof Siwczyk (Pologne) | Traduits par Isabelle Macor (France).

“Il Viaggio della Memoria” | M. Rosario Franco (Italia).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Novembro, 2017 & 2018.

E o link do mês: Clauder Arcanjo (RN – Brasil) e Alfredo Pérez  Alencart  (Salamanca, Espanha) em www.salamancartvaldia.es/not/164590/desde-lisboa-mossoro-dedican-poemas-salmantino-anibal-nunez/

 

Agradeço a atenção e carinho de sempre, a próxima postagem será em 31 de Dezembro de 2017, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – November, 2017

From Arabella

Get closer

The end of her story

The end of the narration

In third person

That fictionalizes

The life of the author

 *

The author’s death

It’s on every line

It’s in every word

Told

Narrated

Spilled

On the computer screen

In the letters of the keyboard

Who protect the self

From the other

And they let imagine

And they allow approach

The end of a story

Aboard an airplane

(“Arabella in style”, Patricia Gonçalves Tenório, 11/10/2017, 06:50 a.m.)

 

 

The end of a story, the end of one cycle and beginning of another in the Index of November, 2017 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Travel Poems | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“The girl with the green eye” in Italy | Patricia Gonçalves Tenório.

Ewa Lipska (Poland) & Krzyztof Siwczyk (Poland) | Translated by Isabelle Macor (France).

“Il Viaggio della Memoria” | M. Rosario Franco (Italy).

Group of Studies on Creative Writing – November, 2017 & 2018.

And the link of the month: Clauder Arcanjo (RN – Brasil) Clauder Arcanjo (RN – Brasil) and Alfredo Pérez  Alencart  (Salamanca, Spain) on www.salamancartvaldia.es/not/164590/desde-lisboa-mossoro-dedican-poemas-salmantino-anibal-nunez/

 

Thank you for the attention and affection of always, the next post will be on December 31, 2017, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** O fim de um ciclo e início de outro. The end of one cycle and beginning of another. 

Poemas de Viagem | Patricia Gonçalves Tenório*

Desenho Lisboa

Em palavras

E as palavras

Insistem para

Ficarem sós

 

Sós com a 

Cidade

Sós com

Os aromas

Os sabores

O frescor da

Rosa

Em pleno 

Outono

 

Passa o tempo

E eu não 

Consigo

Deixar de me

Espantar

Com Lisboa

E seus casarios

E suas incertezas

Nas ladeiras

Nos azulejos 

No canto de um fado 

 

A praça da Alfândega 

O Chiado

Cidade Baixa

Fundação Gulbenkian

E tudo me encanta

E tudo parece novo

Outra vez

 

Assim como

Um poema 

De Pessoa

Que tu soletraste

Hoje no meu ouvido

 

(“Lisboa, meu amor”, Patricia Gonçalves Tenório, 26/10/2017, 17h15)

 

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Hoje 

Vi Keats

E Wilde

No mesmo 

Lugar

Ao mesmo

Tempo

Em um apartamento 

Da Piazza di Spagna

Número 126

 

222 anos

Keats faria ontem

Se vivo fosse

E 163 em 16 de outubro

O seu fiel

Seguidor

 

Enquanto eu

Aqui

Na Trinitá del Monti

Vejo o sol

Se por

Nas colinas

De Roma

 

(“Ode aos meus poetas mortos”, Patricia Gonçalves Tenório, 01/11/2017, 17h16)

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Patricia Gonçalves Tenório (Recife/PE, 1969) escreve prosa e poesia desde 2004. Tem onze livros publicados, com premiações no Brasil e no exterior, entre elas, Melhor Romance Estrangeiro por As joaninhas não mentem (em Outubro, 2008) e Primo Premio Assoluto por A menina do olho verde (em Outubro, 2017), ambos pela Accademia Internazionale Il Convivio, Itália, e Prêmio Marly Mota (2013) da União Brasileira dos Escritores – RJ pelo conjunto da obra. Defendeu em 17 de setembro de 2015 a dissertação de mestrado em Teoria da Literatura pela Universidade Federal de Pernambuco, linha de pesquisa Intersemiose, “O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural”, sob a orientação da prof. dra. Maria do Carmo de Siqueira Nino. Doutoranda em Escrita Criativa (2017.1) no Programa de Pós-Graduação em Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), sob a orientação do prof. dr. Luiz Antonio de Assis Brasil. Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e www.patriciatenorio.com.br

 

“A menina do olho verde” na Itália | Patricia Gonçalves Tenório

Premiação Il Convivio A menina do olho verde

Giardini Naxos, Messina, Itália – Caesar Park – 29/10/2017 – 09h30

Patricia Gonçalves Tenório

 

Este livro é a busca pela própria voz.

Existe um momento na vida de todo artista, de todo escritor, de todo poeta, no qual explode a necessidade máxima de saber que lugar ocupa no mundo. E A menina do olho verde me revelou este lugar.

Há quase dez anos estive aqui em Giardini Naxos recebendo das mãos do caríssimo Angelo Manitta o Prêmio de Melhor Romance Estrangeiro por outra fábula, As joaninhas não mentem.

Agradeço à Accademia Internazionale Il Convivio, pela segunda vez, por ter escutado a minha voz, por ter escutado a voz de Manoela, A menina do olho verde gritando no Monte da Resposta Perdida em busca da Literatura, da Poesia, da Arte essencial para a vida de todo artista.

Muito obrigada.

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Il Convivio Premi La bambina dagli occhi verdi

Giardini Naxos, Messina, Italia – Caesar Park – 29/10/2017 – 09h30

Patricia Gonçalves Tenório

 

Questo libro è la ricerca della propria voce.

C’è un momento nella vita di ogni artista, ogni scrittore, ogni poeta, in cui esplode la massima necessità di sapere quale posto occupa nel mondo. E La bambina dagli occhi verdi (La bambina di occhio verde) mi ha rivelato questo posto.

Da quasi dieci anni sono qui a Giardini Naxos, ricevendo dalle mani del più caro Angelo Manitta il Premio per il Migliore Romanzo Estero per un’altra favola, Le coccinelle non mentono.

Grazie all’Accademia Internazionale Il Convivio, per la seconda volta, per ascoltare la mia voce, per aver ascoltato la voce di Manoela, La bambina dagli occhi verdi (La bambina di occhio verde) gridando sul Monte della Risposta Persa alla ricerca di Letteratura, Poesia, Arte essenziale per vita di ogni artista.

Grazie mille.

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Ewa Lipska & Krzyztof Siwczyk | Traduits par Isabelle Macor*

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Lecteur d’empreintes digitales, Ewa Lipska:

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Pologne, Krysztof Siwczyk:

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* Contact: isabelle.macor@gmail.com

“Il Viaggio della Memoria” | M. Rosaria Franco

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Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Novembro, 2017 & 2018

O nono encontro de 2017 do Grupo de Estudos em Escrita Criativa foi muito especial.

Foi especial, porque investigamos as estórias que já nos contaram e agora contamos de maneira diferente, imprimimos a nossa própria voz.

Foi especial, porque, como Teoria, utilizamos os “Cinco tipos de transtextualidades, dentre os quais a hipertextualidade” dos Palimpsestos: a literatura de segunda mão (1989), do crítico literário e teórico da literatura francês, nascido em Paris, Gérard Genette (1930)…

“A transtextualidade ultrapassa então e inclui a arquitextualidade, e alguns outros tipos de relações transtextuais, das quais uma única nos ocupará diretamente aqui, mas das quais é preciso inicialmente, apenas para delimitar o campo, estabelecer uma (nova) lista, que corre um sério risco, por sua vez, de não ser exaustiva, nem definitiva.” (GENETTE, 1989, p. 13-14)

… e aplicamos na Criação de uma “Ficção a partir de uma Ficção”, ou como apreendi na disciplina Literatura e Linguagem Digital ministrada pelo Prof. Bernardo Bueno no PPGL em Escrita Criativa da PUCRS, uma “Fanfiction”. Utilizamos como exemplo a Fanfiction apresentada neste blog em Outubro, 2017:

http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7565

 

Foi especial, porque último encontro do GEEC na minha residência.

O Grupo de Estudos em Escrita Criativa nasceu em Agosto, 2016 com o objetivo de, através do estudo dos grandes teóricos da Literatura e outras Artes (Fotografia, Cinema, Artes Plásticas), e diversas Áreas de Conhecimento (Filosofia, Sociologia, Psicanálise), estimular a Criação de Contos, Poemas, Romances.

Agosto, 2016: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=6788

Setembro, 2016: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=6829

Outubro, 2016: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=6924

Novembro, 2016: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=6990

Dezembro, 2016: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7049

Março, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7287

Abril, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7368

Maio, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7444

Junho, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7496

Julho, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7553

Agosto, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7595

Setembro, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7663

Graças ao Grupo, surgiu a ideia do I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco durante a XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, e, com o Seminário, a antologia de artigos dos participantes Sobre a escrita criativa.

http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7683

A partir de Março, 2018, todo segundo sábado do mês, teremos 01 encontro de 03 horas, a princípio, na Livraria Cultura do Paço Alfândega, em Recife – PE, com o objetivo de se estender para outras paragens do Brasil. Nos moldes dos encontros que ocorriam em minha residência, iremos ampliar para o grande público. Foi uma experiência muito gratificante no I Seminário a construção de 22 textos dos participantes, demonstrando a grande demanda por eventos nessa área da Escrita Criativa, e com o formato do GEEC.

Outubro, 2017: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=7694

As inscrições estão abertas com maiores informações no grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com. As vagas são limitadas para dar maior e melhor atenção para cada participante. Os interessados devem enviar:

– Uma pequena biografia com dados de contato (Nome completo, Telefone, E-mail, Formação);

– 1 ou 2 contos/poesias;

– Por que se interessa em participar do Grupo de Estudos em Escrita Criativa?

E boa leitura das Fanfictions das minhas tão queridíssimas alunas!

 

Patricia Gonçalves Tenório*.

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Referências:

GENETTE, Gérard. Cinco tipos de transtextualidade, dentre os quais a hipertextualidade. Algumas precauções. In Palimpsestos: a literatura de segunda mão. Tradução: Luciene Guimarães e Maria Antônia Ramos Coutinho.

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Bernadete Bruto**

 

O legado de MOGLI

Foto 1 Berna 

 

Estava ali na divisória entre um bairro e outro. Do bairro das Graças onde viveu até agora, já vislumbra o bairro vizinho da fronteira…o Bairro do Espinheiro. Está com 8 anos.. A terrível morte “Sere Kan” já assolara aquele povo e a família lobo estava de luto…assim como o coração de Mogli. O grande pai Lobo fora se encontrar com seus ancestrais na Índia.

Foto 2 Berna

 

Mogli nasceu na família Raposo que era parente dos Lobos. Ele sempre soube que era diferente dos Lobos, apesar de ser parente… E quando junto aos Raposo, ele sabe que também é Lobo… Essas famílias se intercruzaram.  Na realidade seu nome é MOGLI LOBO RAPOSO. E estava na casa dos RAPOSO LOBO. Por isso a confusão na sua cabecinha de criança. E naquele ano, em particular, quando Mogli nasceu, foi o período difícil para um lar cheio de filhos e Mogli precisou sair ainda bebê e ser emprestado aos parentes Lobo, para receber os cuidados necessários. Já havia 10 raposinhas precisando de cuidados e chegaria em breve outro! Mamãe Raposo, as raposinhas maiores e Tia Kaa não podiam cuidar deste bebe…Tia Baguera Lobo poderia! Suas lobinhas, lobinhos estavam maiores na época e um bebê seria muito gostoso para um lar que amava crianças.

Foto 3 Berna

Foto 4 Berna

Na fronteira ele relembra. Sempre soube quem era e para onde devia ir, voltar, mas faltava coragem, vivendo naquele local tão cheio de graça, sob proteção de sua Tia Baguera e sua prima Balu. Pois naquele ninho, a vida era um conto de fadas cheio de livros e arte e calor humano.

Naquele tempo, Mogli se dividia entre uma casa e outra, estudava na mesma escola do bairro da Capunga, onde lá todos se misturavam e se misturavam nas férias na casa de praia em Olinda, e se misturavam nos aniversários. Mas sempre Mogli voltava ao seio dos Lobos e se sentia em casa no acolhimento amoroso daquela família.

Foto 5 Berna

Mogli agora na esquina da vida olha para trás e vê as duas, Tia Baguera e Balu, do seu canto acenando e dizendo volte sempre! Você tem um lugar aqui. E em nosso coração.

ELE receosamente voltará para os Raposos e pressente que enfrentará provas naquele bando de gente de todo tipo e tamanho, convivendo profundamente. É um clã imenso liderado pelo SR Raposo. Muitas provas Mogli passará….tia Kaa estará por lá com seu olhão lhe dizendo coisas muito duras que um menino naquela idade não consegue ainda entender. Também haverá ocasiões nas quais os Raposos e Raposas agirão como macacos loucos, até Mogli conseguir encontrar o seu lugar naquela casa. Dona Raposo será seu elo de ligação, com paciência tangendo Mogli para junto dos Raposinhos. Com ela e as irmãs Raposas ele também se conectará com a arte, isso irá ajudar muito no futuro ainda mais distante.

Foto 6 Berna

Na fronteira entre os bairros, com os olhos anuviados da perda, Mogli ainda não sabe que em outras ocasiões essa sua experiência lhe renderá belos frutos. Em passos acanhados, mas decididos, dirige-se ao Espinheiro, para o seu lugar naquela casa e, no futuro, para o seu lugar no mundo, após enfrentar todos espinheiros que a vida lhe trará na maturidade. Com apenas esse passo de hoje, no futuro Mogli compreenderá o que disse certa vez Rudyard Kipling(*) em seu famoso poema IF (SE):

 

(…)

                           Se consegues num único passo
arriscar tudo o que conquistaste
num lançamento de cara ou coroa,
perderes e recomeçares de novo
sem nunca suspirares palavras da tua perda.

 

                                               (…)

 

                        Tua é a Terra
e tudo o que nela existe
e mais ainda,
tu serás um Homem, meu filho!

 

 

Recife, 26 de Outubro de 2017.

 

Elba Lins***

 

Cedinho naveguei do mar em direção àquele rio. Não sei qual a razão dele ser conhecido como Rio de Janeiro. Suas águas claras e brilhantes trazem até mim a sensação de paz, de beleza, de algo mágico que não encontramos em todos os lugares. Suas águas ficam próximas ao mar; apenas uma larga faixa de areia de cor perolada separa o lugar mágico, do oceano – onde vivo com os seres semelhantes a mim. O rio me encanta. Nem mesmo o mar onde vivo desde que nasci me traz a sensação que encontro quando o percorro e atinjo suas partes mais profundas.

Hoje ao chegar, desci rapidamente para as profundezas, normalmente desertas. Me encanta aquela cidade submersa e abandonada há muitos milênios, que como diz a lenda foi a terra de lindas moças morenas que amavam o mar e o sol em um tempo em que as pessoas ainda precisavam estar na superfície para poder respirar.

No Rio já tenho um destino certo, não sei porque, mas os meus braços-nadadeiras me levam como um autômato para determinada casa onde sensações especiais tomam conta de minha alma, sensações que não sei identificar, nunca senti  e nem ouvi de ninguém um sentimento como este. Na minha família – cardúmica, mesmo dotados de alma e com sentimentos que nos levam a pensar no outro –, o convencional após certa idade é   passarmos alguns anos com um espécime masculino para termos filhos. Logo após este período os anciões nos direcionam a um novo relacionamento a fim de perpetuar a família. Há algum tempo algo de muito estranho acontece  comigo e esta mudança tem conexão direta com o início de minhas viagens ao fundo do rio e com o tempo que permaneço na casa que me fascina.

Cada vez que vou até a casa, passo horas inteiras tentando decifrar antigos papéis preservados, cujos estranhos rabiscos, que não sei o que significam, mas só me fazem pensar no Chico Peixe. É uma sensação tão estranha e tão gostosa que me dá vontade de estar sempre com ele, mesmo após o período de incubação. Quero sentir minhas escamas roçando as suas, minhas guelras sugando seu beijo, me aninhando inteira junto a ele. Sinto  como se aqueles símbolos e aquele som que insiste em vibrar no fundo do rio me levasse para outra dimensão, para outro tempo em que eu precisava respirar, uma época remota em que meus pés passeavam na beira de uma praia e me levavam correndo para encontrar o Chico e suas lindas  palavras, que encantavam a todos. É como se um sentimento que não sei definir e que não é meu na sua origem, chegasse de muito, muito tempo atrás, apenas para me ligar ao Chico Peixe. Sinto que os “futuros amantes, quiçá se amarão, sem saber com o amor” deixado no éter para outra que não era eu… vindo de outro Chico que não era o Peixe.

 

(DE ONDE VEM ESTE AMOR?

ELBA LINS 15.11.2017

Ouvindo a música “Futuros Amantes”, de Chico  Buarque)

 

 

Talita Bruto*****

 

Carta Aberta

 

Antes, Pai,

 

Escrevi um inventário que pudesse re-mover o concreto desta consciência. Pois sempre busquei as origens até das causas originais. A origem guarda. Haveria quem dissesse. Das nossas adversidades e elas como muros, fantásticas e verossímeis. Num mesmo espaço, matérias diferentes ocupando uma suspensão imaginária, difícil de alcançar. Muito além das leis físicas humanas. Gosto de ir, além…pensá-las como maravilhosas, cumprem com seu papel destinado pelo que é Divino. Instantes locomovem-se fatais. Ex machina. Cabe ressaltar a isso minha natureza vunerável, estarrecedora e humana, profundamente. Eis minhas motivações. Experenciar o conhecimento para torná-lo prático.

 

“E quem será
Nos arredores do amor que vai saber reparar que o dia nasceu”

 

Portanto, escrevo ao senhor. Torno de repente à realidade e abstraio a paisagem, isto é, aquilo que alcança o buraco negro dos meus olhos desmodalizados. Sou aquilo que tem ar de intrínseco. Esse céu azul límpido. Não fede, não cheira, não desmorona, pois que no há umidade. Flutua. Esse tal ar que apreende entre si, eco. E continua vibrando nos nossos ossos. Coisa forte e mesmo, quebradiça.

Sei que peguei do senhor a característica de fugidio, encara de frente mas quase não examina, perquere quase nunca, indaga, existe quase só como telespectador. E essa foi uma das ‘virtudes’. Causadora em mim, dos meus hábitos – achados hoje – inalienáveis, não me vejo sendo objetiva o bastante para chegar à conclusão proposital desta carta.

Meus problemas começaram quando se foram – os conhecidos.

 

“Sabe lá, o que é não ter e ter que ter pra dar”

 

É muito cliché e pragmático acreditar nos outros como os responsáveis pelas minhas ausências. Contrariamente, nunca tive medo disso. No entanto, encontrei-o algumas vezes. Como bem, a caminho da beira mar numa boa viagem, as garças voavam em grupo.

Tranco automaticamente as portas, carro ligado, chave na ignição, e o conhecimento teórico habilitado. Sou passageira. Poderia deixar o senhor. Mais que meus instintos as crenças não se deixam levar. Então vamos juntos. Sinto que a noção de coletividade há muito havia nos deixado e nem de lado estávamos, aquém. As dificuldades que eram os ossos abrindo armadilhas para se expandir conjuntamente às águas que sorviam da minha pele, feriam e saravam. Meandros. Ardia com o sal que salvava a corrupção dos meus sentidos. Vá, pai, não estamos de brincadeira.

Numa linha reta vejo que o senhor traça velocidades, sempre querendo escapar dos buracos, para que os pneus não furem. Fica a dúvida. Se a embreagem deve ser o lugar de troca entre o acelerador e o freio, como usar? Paro. Vou. Saio. Vôo. Pontos finais, vírgulas, estou dirigindo um meio termo de saber,dor,ia embora. Estar aqui é voltar aos dias que tocava as miúdas mãos de uma garotinha no nascer sem angústia tristeza receio que o senhor não esteja me entendendo. Sinto muito.

 

“Só eu sei as esquinas por que passei.”

 

Sol se maturando, cíclico, dia, tarde. Voltamos para beira do rio. A nascente da foz. Em meio ao quase mar que enfim, era turvo, sujo, morto, vivo. E meu pai, tentando. Primeiro vislumbre de um homem que busca ser marechal na vida. A cinquenta e quatro quilômetros por segundo quer me acompanhar nos meus vinte. Discrepância. Mas é bonito. O capibaribe nos perseguia sem obsessão. Momento. Nós rimos das nossas palhaçadinhas, novelas, festas. Pois fomos tudo isso em tão pouco tempo. Doo meus braços para os seus. Sou um bebê nesse minuto. “Não vou te abandonar”. Me observa com doçura. Sem acidente, chegamos. Ninguém dormiu de novo ao volante. Copiosamente reescrevo nos seus lábios o que sai dos meus dedos. “Eu te amo, minha filha, até à manhã”.

Agora todos os medos dizem, em frente, não se preocupe.

Querido pai, numa noite li um livro de conselhos, falava disso.

 

“O senhor é tão jovem, tem diante de si todo começo, e eu gostaria de lhe pedir da melhor maneira que posso, meu caro, para ter paciência em relação a tudo que não está resolvido em seu coração.”

 

 

Referências:

Cartas a um jovem poeta. Rainer Maria Rilke. Tradução: Paulo Rónal e Cecília Meirelles. São Paulo: Globo, (1953 in) 2001.

Esquinas. Djavan. 1984.

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* Patricia Gonçalves Tenório (Recife/PE, 1969) escreve prosa e poesia desde 2004. Tem onze livros publicados: O major – eterno é o espírito, 2005, biografia romanceada, Menção Honrosa no Prêmios Literários Cidade do Recife (2005); As joaninhas não mentem, 2006, fábula, Melhor Romance Estrangeiro da Accademia Internazionale Il Convivio, Itália (2008); Grãos, 2007, contos, poemas e crônicas, Prêmio Dicéa Ferraz – UBE-RJ (2008); A mulher pela metade, 2009, ficção; Diálogos, contos, e D´Agostinho, poemas, 2010; Como se Ícaro falasse, ficção, Prêmio Vânia Souto Carvalho – APL-PE (2011), lançado em novembro de 2012. Em 2013, recebeu o Prêmio Marly Mota, da União Brasileira dos Escritores – RJ, pelo conjunto de sua obra, e lançou em Paris Fără nume/Sans nom, poemas, contos e crônicas em francês e romeno, pela editora romena Ars Longa; Vinte e um/Veintiuno (Mundi Book, Espanha, abril, 2016), e A menina do olho verde (livros físico e virtual, Recife e Porto Alegre, maio e junho, 2016), traduzido para o italiano por Alfredo Tagliavia, La bambina dagli occhi verdi, publicado em setembro, 2016 pela editora IPOC – Italian Paths of Culture, de Milão, e recebeu o Primo Premio Assoluto, pela Accademia Internazionale Il Convívio na Itália (2017). Defendeu em 17 de setembro de 2015 a dissertação de mestrado em Teoria da Literatura, linha de pesquisa Intersemiose, na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, “O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural”, com o anexo o ensaio romanceado O desaprendiz de estórias (Notas para uma Teoria da Ficção), sob a orientação da Profª Dra. Maria do Carmo de Siqueira Nino, publicada em outubro de 2016 pela editora Omni Scriptum GmbH & Co. KG / Novas Edições Acadêmicas, Saarbrücken, Alemanha. Doutoranda em Escrita Criativa pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS, sob a orientação de Prof. Dr. Luiz Antonio de Assis Brasil. Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e www.patriciatenorio.com.br

 

** Bernadete Bruto (Recife/PE, 1958) é Bacharel e Licenciada em Sociologia, com Especializações na Área de Recursos Humanos e Direito Administrativo. É Analista de Gestão do Metro do Recife e Poeta Performática. Membro da União Brasileira de Escritores-UBE, da Associação do Amigos do Museu da Cidade do Recife – AMUC, parceira da Cultura Nordestina Letras e Artes e participa de grupos como a Confraria das Artes e Grupo de Estudos em Escrita Criativa. Tem três livros publicados, todas coletâneas de poesias: Pura Impressão (2008), Um Coração de Canta (2011) e Querido Diário Peregrino (2014), participação em antologias, assim como diversas apresentações poéticas e performáticas. Lança na Bienal A menina e a árvore (Novoestilo). Contatos: bernadetebruto@gmail.com e www.bernadetebruto.com

 

*** Elba Lins (Monteiro/PB, 1957) é formada em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Pernambuco (1979), fez MBA em Gestão de Negócios (EAD) pela PUC-PR. Trabalhou durante 34 anos na área de Telecomunicações da CHESF (Companhia Hidroelétrica do São Francisco). Atualmente aposentada, dedica-se à escrita. Fez curso de Contação de Histórias no Zumbaiar (Recife). Faz poesias e há um ano participa do GEEC – Grupo de Estudos em Escrita Criativa, sob a coordenação de Patricia Tenório. DO OUTRO LADO DO ESPELHO – O feminino em estado de poesia (2017) é seu primeiro livro. Contatos: elbalins@gmail.com

 

**** Luisa Bérard (Maceió/AL, 1975). O romance Nas montanhas do Marrocos é o livro que marca a estreia da alagoana Luisa Bérard no mundo literário. Participa desde 2017 do Grupo de Estudos em Escrita Criativa, coordenado por Patricia Tenório. Graduada em Direito pela Universidade Federal de Alagoas, atualmente trabalha como advogada e reside em Recife, no estado brasileiro de Pernambuco. Contatos: luisaberard@gmail.com

 

***** Talita Bruto é natural de Recife/PE, nascida em 1997, e graduanda em Letras Bacharelado com ênfase em estudos literários pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).  Algumas das áreas ambientadas na literatura pelas quais nutre interesses são o hermetismo, a psicanálise, as teorias da recepção, do efeito estético, da narrativa.  Além disso, participa atualmente, como aluna, de alguns grupos de estudo, dentre eles o Grupo de Estudos em Escrita Criativa ministrado mensalmente pela doutoranda Patricia Tenório. Contatos: talitabruto@gmail.com

 

Índex* – Outubro, 2017

No pensamento 

O tempo sempre foi

Luta

Resistência 

 

Na imagem

De um menino 

Que foi um dia

Semente

Broto

Cápsula 

 

Aparece

Diante de mim

Formado

Amalgamado em

Corpo e alma

Com um sonho

Que tive um dia

Insistente

Persistente

 

Até

Nascer em mim

O pensamento 

Que lutou um dia

Que resistiu um dia

E se transformou

Em poesia

(“O pensamento luta”, Patricia Gonçalves Tenório, 05/10/2017, 05h01)

 

O sonho insiste e persiste no Índex de Outubro, 2017 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

A Cidade Universitária em “A menina do olho verde” | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco | Diversos.

“Sobre a escrita criativa” em Porto Alegre | Organização: Patricia Gonçalves Tenório. Prefácio: Luiz Antonio de Assis Brasil (RS – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – Outubro, 2017 | Diversos.

E o link do mês: Paulo Caldas (PE – Brasil) fala sobre A menina do olho verde no http://revista.algomais.com/noticias/a-menina-do-olho-verde-vence-na-italia-por-paulo-caldas.

Agradecemos a participação e carinho.

Excepcionalmente, antecipamos a postagem para hoje. A próxima postagem será em 26 de Novembro, 2017.

Um grande abraço e até lá!

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Index* – October, 2017

 

In thought

The time has always been

Fight

Resistance

 

In the image

Of a boy

Who was one day

Seed

Bud

Capsule

 

Pops up

Before me

Formed

Amalgamated in

Body and soul

With a dream

I had one day

Insistent

Persistent

 

Up until

Born in me

The thought

Who fought one day

Who endured one day

And became

Poetry

(“The thought of struggle”, Patricia Gonçalves Tenório, 05/10/2017, 05:01)

 

The dream insists and persists in the Index of October, 2017 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

The University City in “The Green Eye Girl” | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

I National Seminar in Creative Writing in Pernambuco | Miscellaneous.

“About creative writing” in Porto Alegre | Organization: Patricia Gonçalves Tenório. Preface: Luiz Antonio de Assis Brazil (RS – Brasil).

Study Group on Creative Writing – October, 2017 | Miscellaneous.

And the link of the month: Paulo Caldas (PE – Brasil) talks about The girl with the green eye in the http://revista.algomais.com/noticias/a-menina-do-olho-verde-vence-na-italia-por-paulo-caldas.

We appreciate your participation and affection.

Exceptionally, we’ve anticipated the post for today. The next post will be on November 26, 2017.

A big hug and until then!

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** A insistência e a persistência de um sonho no I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco. The insistence and persistence of a dream in the First National Seminar in Creative Writing in Pernambuco.

“A Cidade Universitária”* em “A menina do olho verde” | Patricia Gonçalves Tenório***

A CIDADE UNIVERSITÁRIA*

 

Foram derrubados os muros da cidade, o Muro Alto não existia mais. Plantaram jardins conjuntos, escreveram livros para uns aos outros ler. Era bom aquele começo, com a esperança no coração. Inventaram para o Barulho Extremo músicas dessas para relaxar. Ouviam baixinho antes, durante e após as refeições. Conseguiam fazer suas tarefas mais difíceis, das que precisam de uma concentração profunda, usando aquelas músicas que aquietavam.

O filho do prefeito, era João o seu nome, inventou uma outra ferramenta para ao Barulho abafar. Era o Riso, ele dizia, que se mal não faz, bem então fará. No princípio, todos riam assim forçados, todos riam desanimados só para agradar ao menino. Mas depois descobriram que rir era mais fácil que imaginavam e rir fazia imaginar. Imaginavam dias luminosos, coloridos, as árvores cheias de folhas, as abelhas retornando às colmeias, o néctar de flor em flor.

E foram aos poucos e persistentes, exercitando aquele Riso, e transformando o pensamento em positivo cada vez mais. Se reuniam na pracinha da cidade, debaixo da sombra do Carvalho, e riam uns dos outros, de si mesmos e dos animais, que passeavam livremente, meio espantados no começo, por verem aquele sorriso contínuo. Sentiam-se ridículos, é verdade, os habitantes da cidade. Mas sentiam-se jovens, intrépidos, relaxados, e brincavam uns com os outros, e faziam cócegas uns nos outros para o Riso fomentar.

Voltavam para casa cansados, o rosto vermelho, os olhos brilhantes. E nem mesmo na hora da refeição, conseguiam parar o Riso – ele já contagiava. A cidade era assim transformada, de uma cidade comum que vivia nas cinzas, no Barulho Extremo, em uma Cidade Universitária.

As disciplinas estudadas pelas crianças na Escola, levadas em tarefas para casa eram multidisciplinares. Sabiam entre si estudar das mais fáceis às mais difíceis, e retornavam às mais fáceis para melhor aprender. Os adultos começaram a sentir necessidade em retornar aos estudos, para aos filhos ajudar, para aos filhos fazer admirar, do menorzinho ao mais velho.

Mas professora Mariana alertou que não era esse o caminho. Que não deveriam estudar somente para aos outros agradar. Precisavam encontrar um propósito, um propósito original, um sentido essencial, que agradasse a si próprio em primeiro lugar. Para então, aos pouquinhos, às crianças ajudar, aos seus filhos ensinar com o Aprendizado pelo Afeto.

Era o Aprendizado mais eficiente, aquele que perpassa o Tempo, transpõe Espaços e quem recebe carrega para a vida inteira. Ninguém do aluno ou da aluna pode retirar. Quando se entrega um Ensinamento coberto de Carinho, esse Carinho se entranha no Ensinamento, se entranha em quem recebe para nunca mais acabar. A Memória permanece fiel ao Ensinamento, pois com o Afeto se tornaram irmãos. Irmãos gêmeos, siameses, e espelham um no outro o que o Carinho envolveu, o que o Afeto transmutou em ondas de Aprendizado perpétuo.

 

La Città Universitaria**

Furono rubate le mura della città, il Muro Alto non esisteva più. Piantarono giardini comunicanti, scrissero libri per leggerli gli uni agli altri. Era buono quell’inizio, con la speranza nel cuore. Inventarono per il Frastuono Estremo musiche, di quelle che rilassano. Le ascoltavano piano all’inizio, prima e dopo i pasti. Riuscirono a svolgere i compiti più difficili, quelli che avevano bisogno di una concentrazione profonda, usando quelle musiche che quietavano.

Il figlio del sindaco, il suo nome era João, inventò un altro strumento per placare il Frastuono. Era il Riso, diceva, che se non faceva male, allora avrebbe fatto bene. All’inizio tutti ridevano forzatamente, tutti ridevano tristi, solo per far piacere al ragazzo. Ma poi scoprirono che ridere era più facile di quel che immaginavano e ridere faceva immaginare. Immaginavano giorni luminosi, colorati, alberi pieni di foglie, api che ritornavano agli alveari, nettari di fiore in fiore.

E a poco a poco, persistevano nel praticare quel Riso, trasformando il pensiero in positivo, ogni volta un po’ di più. Si riunivano nella piazzetta della città, sotto l’ombra della Quercia, e ridevano gli uni degli altri, di loro stessi e degli animali, che passeggiavano liberamente, un po’ spaventati all’inizio, nel vedere quel sorriso continuo. Si sentivano ridicoli, è vero, gli abitanti della città. Ma si sentivano giovani, intrepidi, rilassati, e scherzavano gli uni con gli altri, e si facevano il solletico gli uni con gli altri per fomentare il Riso.

Tornavano a casa stanchi, il viso rosso, gli occhi brillanti. Nemmeno all’ora del pasto riuscivano a fermare il Riso – che subito li contagiava. La città così era trasformata da una città comune, che viveva sulle sue ceneri, nel Frastuono Estremo, in una Città Universitaria.

Le materie studiate dai bambini della Scuola, i compiti a casa, erano multidisciplinari. Sapevano studiare per conto loro le cose più facili e quelle più difficili, poi ritornavano a quelle più facili per impararle meglio. Gli adulti cominciavano a sentire il bisogno di riprendere gli studi, per aiutare i figli, per farsi ammirare dai figli, dal più piccino al più grande.

Ma la maestra Mariana avvisò che non era questa la strada. Che non avrebbero dovuto studiare solo per far piacere agli altri. Dovevano avere uno scopo, un proposito originale, un senso essenziale, che facesse piacere a se stessi in primo luogo. Per poi, a poco a poco, aiutare i bambini, insegnare ai propri figli l’Apprendimento dell’Affetto.

Era l’Apprendimento più efficiente, quello che trapassa il Tempo, trascende lo Spazio, e che chi riceve, porta con sé per tutta la vita. Nessuno lo potrà togliere dall’alunno o dall’alunna. Quando si dà un insegnamento pieno d’Affetto, questo Affetto si introietta nell’Insegnamento, si introietta in chi lo riceve per non distaccarsene più. La Memoria rimane fedele all’Insegnamento, perché  si è affratellato con l’Affetto, è diventato un Fratello Gemello, siamese, così che si rispecchiano uno nell’altro come ciò che il Sentimento ha legato, ciò che l’Affetto ha trasformato in onda di Apprendimento perpetuo.

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Capítulo de A menina do olho verde. Patricia Gonçalves Tenório. Recife, PE: Raio de Sol, 2016. Primo Premio Assoluto – Libro edito in portoghese – Accademia Internazionale Il Convivio, Outubro, 2017.

** Capitolo de La bambina dagli occhi verdi. Patricia Gonçalves Tenório. Traduzione: Alfredo Tagliavia. Milano, Italia: IPOC, 2016.

*** Patricia Gonçalves Tenório (Recife/PE, 1969) escreve prosa e poesia desde 2004. Tem onze livros publicados, com premiações no Brasil e no exterior, entre elas, Melhor Romance Estrangeiro por As joaninhas não mentem (em Outubro, 2008) e Primo Premio Assoluto por A menina do olho verde (em Outubro, 2017), ambos pela Accademia Internazionale Il Convivio, Itália, e Prêmio Marly Mota (2013) da União Brasileira dos Escritores – RJ pelo conjunto da obra. Defendeu em 17 de setembro de 2015 a dissertação de mestrado em Teoria da Literatura pela Universidade Federal de Pernambuco, linha de pesquisa Intersemiose, “O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural”, sob a orientação da prof. dra. Maria do Carmo de Siqueira Nino. Doutoranda em Escrita Criativa (2017.1) no Programa de Pós-Graduação em Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), sob a orientação do prof. dr. Luiz Antonio de Assis Brasil. Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e www.patriciatenorio.com.br

**** Possível ilustração de DS Tenório para A menina do olho verde.

 

I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco

13 a 15 de Outubro, 2017

Auditório Círculo de Ideias – Centro de Convenções, Olinda – PE

XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco

 

Foram 3 dias intensos de Escrita Criativa. Escritores de todo o Brasil e do exterior participaram intensamente do I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco. Com as mesas “A importância do ambiente estimulante na Criação Artística”, “Era das narrativas e o herói cansado”, “Quem tem medo da Literatura Fantástica?”, e oficinas do “Grupo de Estudos em Escrita Criativa”, “Mercado editorial e autopublicação”, “Devaneios Fílmicos, Cósmicos e Poéticos”, “Estimulando a Leitura na Escrita Criativa”, “Oficina de Poesia”, “Oficina de Contos e Roteiros”, contamos com a honra da presença dos escritores e professores Luiz Antonio de Assis Brasil (PUCRS), Lourival Holanda (UFPE), Maria do Carmo Nino (UFPE), Robson Teles (UNICAP-PE), e dos escritores e poetas Adriano Portela (PE), Alexandra Lopes da Cunha DF/RS),  André Balaio (PE), Bernadete Bruto (PE), Cida Pedrosa (PE), Carlos Enrique Sierra (Colômbia), Daniel Gruber (RS), Daniel Perroni Ratto (SP), Elba Lins (PB/PE), Fernando de Mendonça (SP/PE/SE), Guilherme Azambuja Castro (RS), Gustavo Melo Czekster (RS), Igor Gadioli (PB/SE), Luísa Bérard (AL/PE), Luiz Roberto Amabile (SP/RS), María Elena Móran (Venezuela/RS), Patricia Gonçalves Tenório (PE), Sidney Nicéas (PE), Talita Bruto (PE), Valesca de Assis (RS).

Temos a alegria de apresentar trechos de obras de alguns dos participantes dessa Festa Literária que foi o I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco!

Que venham outros!

 

Patricia Gonçalves Tenório

 

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Adriano Portela

“Olinda, 07.07.2017

A dor é o estágio da glória e o desabafo é o vômito dos inocentes.

Aqui, neste meu leito de quase-morte, lembro que o meu ardil é a vida e que depois dela todos os meus segredos podem ser jogados na cara da sociedade, assim como os nobres jogam o lixo aos porcos, mas esses resíduos só podem vir à tona se eu te contar e, no futuro, alguém te encontrar e te sugar ao máximo. […]”

(“O Beijo da Morte”. Adriano Portela. In Recife de Amores e Sombras. Recife: Gráfica Flamar, 2017)

 

Alexandra Lopes da Cunha

“[…] Mulheres são sempre casas:

Abrigam em suas fendas,

envolvem em seus abraços,

saciam sedes e fomes,

de seres unos, indivisíveis,

carentes de seiva e açúcar,

famintos ao nascimento. […]”

(“Bífida”. In Bífida e outros poemas. Alexandra Lopes da Cunha. Fotografia: Raul Krebs. São Paulo: Kazuá, 2016)

 

Bernadete Bruto

“[…] Olívia vai crescendo e, quando o tempo se veste de branco, estação que chamamos de Inverno, as folhas caem e a árvore fica sequinha.

Olivia was growing up while nature was getting dressed in white. All the leaves fall from the trees. It is Winter season. […]”

(Trecho de A menina e a árvore. The girl and the tree. Bernadete Bruto. Ilustrações: André Bruto. Tradução: Dulce Albert. Prefácio: Salete Rêgo Barros. Recife: Ed. do Autor, 2017)

 

Cida Pedrosa

“ela lava a calçada

como quem lava o mundo

 

[…]

 

cecília lava a calçada

e a espuma em pedra

é breve morada em seus pés

 

portas se abrem

olhos espiam

a vassoura se apressa

e varre a agonia

vivida durante a noite […]”

(“cecília”. In as filhas de lilith. Cida Pedrosa. Design: Jaíne Cintra. Rio de Janeiro: Calibán, 2009)

 

Daniel Gruber

“porque o mais terrível no amor, meu bem, é que inevitavelmente sempre chega o momento em que você deseja machucar o outro, e era como a euforia das abelhas em volta de um copo esquecido de refrigerante, naquele domingo de manhã, na cama, quando tu violentamente despertou esta coisa dentro de mim, esta coisa da humanidade simbólica que fere o corpo animal com mil desejos incompreendidos, me mostrou que o coração é um músculo que precisa ser exercitado, eu te falei que tudo isso é a maior transgressão desses tempos pós-qualquer-coisa, um instrumento de resistência contra os destinos medíocres da vida, um organismo cego, surdo e sem artérias, motor de uma engrenagem muito complexa, esse sentimento que então nos atravessaria impiedoso, trazendo a força das coisas que fazem sentido e a dor dos prazeres que teríamos que deixar para trás, porque antes de ser platônico, meu bem, nossa paixão era pré-socrática, cheia daquelas certezas vazias que compõem nossa ridícula intelectualidade pequeno-burguesa ocidental, e como a um reizinho impertinente tu me arrancou desse delírio coletivo, dizendo tudo isso naquela manhã de domingo […]”

(“o amor épico”. In O Jardim das Hespérides. Daniel Gruber. Porto Alegre: Daniel Fernando Gruber, 2017)

 

Daniel Perroni Ratto

“O Tempo é efêmero

quando cabe na solidão

 

O Espaço é finito

quando sabe de antemão

 

Que o amor é

o espaço-tempo

além dessa dimensão

 

Maluquices

Viagem ao

Superaglomerado

Perseus-Piesces!”

(“Supercordas”. In Vozmecê. Daniel Perroni Ratto. São Paulo: Patuá, 2016)

 

Elba Lins

“Sintonia

Não é paixão…

Não é tesão…

 

Encontro-te!

E no espelho

Vejo

Meu próprio retrato.

 

Universos concêntricos

Num salto quântico

Atinjo outro nível

Encontro minha TRIBO

 

Encontro-te!

E o que vejo

É um espelho

É o meu próprio retrato.”

(“Tribo”. In Do outro lado do espelho: O feminino em estado de poesia. Elba Lins. Prefácio: Patricia Tenório. Recife: Ed. do Autor, 2017)

 

Fernando de Mendonça

“[…] – (…) Mas, pela primeira vez, sinto que esbarro em algo realmente grande. Sabe estes livros que nos marcam de um jeito especial? Estes que parecem ter vindo com um remetente para nós? Estou até assustada com a pertinência deste para mim.

– Conte-me algum dos contos. O que mais gostou.

– Acho que não consigo. Não é apenas pelo que acontece nele. Vai mais fundo. E aqui eu sei que não estou confundindo gosto com costume, pois já os li, reli, e não me acostumei a eles.

– Aos melhores livros, a gente não se acostuma, mas sobrevive. […]”

(Trecho de 23 de Novembro. Fernando de Mendonça. Recife: Grupo Paés, 2014)

 

Guilherme Azambuja Castro

“[…] O Bebeto.

Mas por que seria famoso eu? Aí eu disse:

– Não sou famoso.

E ele:

– Ah, és… Muito famoso.

Disse isso afagando minha cabeça enquanto entrava no chalé, que é minha casa e de onde eu vi meu pai ir embora num dia calorento: saiu levando nosso carro e eu ali, sentadinho na varanda, os olhos baixos, matando formigas com os chinelos. O motor de repente desapareceu na BR e nunca mais.

Pois aqui ele chegou, o Bebeto, dizendo que eu era famoso. […]”

(Trecho de “O cheiro triste das bergamotas”. In O amor que não sentimos e outros contos. Guilherme Azambuja Castro. Recife: Cepe, 2016)

 

Gustavo Melo Czekster

“[…] Certo dia, Anton Lopez desapareceu. Restaram somente os seus desenhos de homens formados por moscas, obras que, pela simetria e noção do corpo humano, assemelhavam-se aos esboços de Leonardo da Vinci e aos quadros de Archimboldo. A última pessoa que viu Anton Lopez foi o homem que levava a comida uma vez por semana ao sítio. De acordo com a sua versão: “O senhor Lopez estava vestido, o que não era normal, e as moscas estavam dentro da sua roupa, mexendo de um lado para o outro. Às vezes, uma saía da boca, outra do nariz, outra da orelha. Ele não parava de andar e não dizia coisa com coisa”. Infelizmente, a veracidade do depoimento nunca foi confirmada: dias depois, encontraram a testemunha dentro de um valo, coberta de moscas. […]”

(Trecho de Um mundo de moscas. Gustavo Melo Czekster. In O homem despedaçado. Porto Alegre: Dublinense, 2011)

 

Luisa Bérard

“[…] A luminosidade do dia clareava o ambiente. Os tons azulados dos estofados das duas poltronas, próximas às altas janelas de esquadrias brancas do quarto, agora tinham uma cor vibrante. Os lençóis rendados e as colchas da aconchegante cama de dossel dourada, inclusive os matizes coloridos das flores, diligentemente organizadas num vaso de opalina sobre a cômoda encostada na parede, também estavam bem perceptíveis, em face do adiantado da hora. Não restava dúvida: eu estava terrivelmente atrasada![…]”

(Trecho de Nas montanhas do Marrocos. Luisa Bérard. 1ª ed. Recife, PE: Ed. do Autor, 2017)

 

Luís Roberto Amabile

“[…] O senhor K. seria um sonhador, mas, como sonhava apenas pesadelos, era mais um pesadelador. Podia fazer, o senhor K., esse uso do idioma, agregando palavras, porque o falava de um modo alternativo, sobretudo incomum. Na verdade, não era o seu idioma, e não o era duplamente. O senhor K. pertencia a um outro país, a um outro povo, e apenas por falta de opção, e por coerção, praticava aquele idioma.”

(Trecho de O livro dos cachorros. Luís Roberto Amabile. São Paulo: Patuá, 2015)

 

Patricia Gonçalves Tenório

“[…] Eu fiquei muda, sozinha com as minhas palavras silenciosas. Por que elas não falavam? Por que não manifestavam o que eu sentia, o que eu pedia, meu desejo mais profundo? De tanto pedir caí no sono, ali, na sala de visitas, ali, no colo da babá.

E sonhei com um outro espaço. Onde tudo que eu tocava falava por conta própria e eu não precisava mais falar: a cadeira, o sofá, o tapete reclamava todo passo que eu dava. E o Pedro pulava de alegria, pois não ia mais assustar a tia Clara com as palavras que nem mesmo ele quis falar. As coisas por si falavam, as coisas por nós falavam e todos nos entendiam, babá, a cozinheira, tia Clara, mamãe, papai… […]”

(Trecho de “Alice no espelho”. In Vinte e um/Veintiuno. Patricia Gonçalves Tenório. Madrid, España: Mundibook Ediciones, 2016)

 

Sidney Nicéas

“[…] Um estremecer sacudiu o velho. Não havia mais palavras naquele momento. Ele abriu-se como página. Ela fechou-se em dicionário. Um silêncio d’água ecoou. E persistiu por minutos naquele casebre muito mais simples do que a época que os abrigava – a vida, que ia ficando mais complexa naquela beirada de novo milênio, era contraste com toda a simplicidade do lugar. Mãos a se encostar. Quatro olhos não mirados entre si. Muitos silêncios emitidos que não se tocavam. Ambos numa mudez de nádegas encostadas. Mas toda quietude frágil tente a ruir. […]”

(Trecho de Noite em clara: um romance (e uma mulher) em fragmentos. Sidney Nicéas. São Paulo: Scortecci, 2016)

 

Valesca de Assis

“É do silencio e da perda da voz que se revela / desvela a história do casal Marga e Rudy Treibel, trinta e três anos de casados, moradores de Cruzeiro, uma cidade 50 mil habitantes, pais de Vivian e de de Walter, avós de Renate e de Rudinho (Rude Neto). O enredo tem como ponto de partida o capítulo “Do fim ao começo”, antecedido pelo “Depois do almoço”, texto de abertura, que sinaliza para aquele que é o tema central do quarto romance de Valesca de Assis: a violência doméstica e o silenciamento da(s) vitima(s) femininas – “No melhor dos casos, a menina sentiria, no rosto, a mão ardente do pai. Deus foi muito bom, fazendo-a calar-se a tempo. […] Tinha vontade de gritar a notícia: não morreu […] Então gritou apenas para dentro de si.”

A ponta do silêncio. Valesca de Assis. Porto Alegre: BesouroBox, 2016.

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Sala de Imprensa

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JC II

JC III

 

 

“Sobre a escrita criativa” em Porto Alegre| Organização: Patricia Gonçalves Tenório. Prefácio: Luiz Antonio de Assis Brasil

Apresentação de Sobre a escrita criativa no XII Seminário Internacional de História da Literatura – PUCRS – 18/10/2017, 17h30, Sala 305, Bloco 8

Patricia Gonçalves Tenório

9788594339003

 

Este livro é uma questão de fé.

Tudo começou em 12 de abril de 2017 quando Annie Müller, Daniel Gruber, Gustavo Czekster, María Elena Morán e eu, conversando no restaurante do bloco 15, imaginávamos de que maneira poderíamos divulgar o trabalho que desenvolvíamos aqui na PUCRS em outras paragens do Brasil. A nós se juntou Alexandra Lopes da Cunha, Luís Roberto Amabile e Guilherme Azambuja Castro.

Levamos o projeto de um Encontro Nacional em Escrita Criativa para a Bienal Internacional do Livro de Pernambuco nas figuras de Rogério Robalinho e Sidney Nicéas. Eles acreditaram.

Apresentamos o projeto ao tão caríssimo Prof. Luiz Antonio de Assis Brasil que nos abriu as portas da PUCRS juntamente com as caríssimas Profs. Cláudia Brescancini e Maria Eunice Moreira e transladaram para o I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco. Eles acreditaram.

Tivemos a ideia de antecipar os textos a serem proferidos nas mesas e oficinas do Seminário para aproveitarmos a oportunidade única de lançarmos uma coletânea com todos reunidos em Recife. Convidamos os 25 participantes e tivemos a grata surpresa de contarmos com uma adesão de 20 artigos e ensaios. Eles acreditaram.

Agradecemos, mesmo à distância, à equipe incansável que tornou este livro possível: Jaíne Cintra (Designer), Wilma Nóbrega (Catalogação), Ana Lúcia Gusmão e Sandra Freitas (Revisão), Deborah Barros (Contabilidade da Editora Raio de Sol), Ricardo Barbosa (Gráfica Provisual); aos Profs. Alexandre Furtado (UPE), Anco Márcio Tenório Vieira (UFPE), Marcelo Coutinho (UFPB), Márcia Ivana de Lima e Silva (UFRGS) e Maria Eunice Moreira (PUCRS), por gentilmente aceitarem o convite de comporem o Conselho Editorial dessa publicação, e, com isso, validarem os nossos textos no Lattes.

E, antes de tudo, a infinita gratidão ao Prof. Luiz Antonio de Assis Brasil, esse baluarte da Escrita Criativa no país, que, lá atrás, na lonjura e no outrora de 2006, acolheu como ouvinte em sua Oficina Literária esta que agora vos fala.

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Sobre a escrita criativa. Prefácio: Luiz Antonio de Assis Brasil. Organização: Patricia Gonçalves Tenório. Recife, PE: Raio de Sol, 2017.

À venda no https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/literatura-nacional/ensaios/sobre-a-escrita-criativa-46741313?id_link=8787&adtype=pla&id_link=8787&adtype=pla&gclid=EAIaIQobChMIgO-ineaB1wIVUAiRCh0oiA8-EAQYASABEgLcFfD_BwE

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